História 9 meses para aprender a amar-te! - Capítulo 12


Escrita por: ~ e ~iseventeen

Postado
Categorias Monsta X
Tags 2won, Changki, Changkyun, Jookyun, Kihyun, Showhyuk
Visualizações 258
Palavras 4.542
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Álcool, Gravidez Masculina (MPreg), Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - O começo de uma guerra


Por aquela janela gigantesca de vidros transparentes, seus olhos imperiosos observavam uma cidade agitada no horário de trabalho. Carros buzinando de forma frenética, esperando o congestionamento passar e transitarem livremente, motos passando apresadas por cima das calçadas e pessoas, tendo a maior cautela antes de atravessar.

Seul parecia um formigueiro, e estando alto o suficiente para fitar as pessoas apenas como pontinhos que se mexiam, isso servia para comprovar tal visão.

Um sorriso de canto surgiu em seu rosto, pensando que se realmente existisse um Deus, lá de cima ele deveria ver-nos dessa forma. Simples pontinhos insignificantes, que poderia esmagar a qualquer momento. Poder. Aprendeu desde jovem, que poder era tudo que um homem necessitava para crescer na vida e ser verdadeiramente feliz. Dinheiro é capaz de trazer felicidade sim, ou, tal coisa simplesmente não existia. Apenas mais um abstracionismo inventado, diferente das cédulas guardadas em bancos, bem materiais e capazes de transformar completamente um homem.

 

- Pode entrar – Exclamou, assim que batidas na porta de seu escritório, foram ouvidas.

 

Virou a contragosto sua cadeira de couro preta e fitou com surpresa aquela figura antiga, sentar-se em frente de sua pessoa. Deixando alguns papéis grampeados, sobre a mesa de vidro onde seu notebook estava jogado ao canto.

 

- Que bom encontrar-lhe novamente Sr.Im – Sr.Choi exclamou, bastante contente.

 

Conhecia-lhe de um passado distante, onde ainda era uma pessoa pobre de espírito e adentrara no ensino médio com inúmeras indagações pairando sobre sua cabeça. Ambos eram jovens e tinham gostos similares, então poder-se-ia dizer que não foi nada difícil uma amizade sair da convivência diária que tiveram.

Eram pertencentes de mundos iguais, sendo os dois, nascidos de famílias ricas e bastante prestigiadas de Seul. Também acabaram fazendo a mesma faculdade de administração na mesma sala, ou seja, ficavam juntos por um tempo significativo. Conheceu os pais de Choi – que infelizmente já morreram -, dormiu inúmeras noites em sua residência e sentou na mesa com ele. Tendo que separar-se dele apenas, quando teve que assumir a empresa de sua família e liderar tudo, com punho de ferro, mas sempre apreciando suas visitas como dono de uma empresa filial à sua.

Quando seu filho Jaebum informou-lhe que estava namorando, proibiu no exato momento tal relacionamento. Ele devia focar-se nos estudos e ater-se na ideia, de que futuramente iria assumir a empresa dos Im. Um namorico medíocre poderia colocar tudo a perder e nem gostaria de pensar em tal possibilidade. Entretanto, quando seu filho acariciou seus ouvidos dizendo que estava namorando Choi Youngjae, cedeu de imediato – causando até, estranheza para seu primogênito. Além de ser um garoto bem-nascido e conhecido por passar com notas altíssimas no curso de medicina em uma das faculdades pertencente a SKY – as três melhores faculdade da Coréia do Sul -, era filho de seu melhor amigo!

 

- Igualmente – Não tardou a responder, oferecendo-lhe um de seus melhores sorrisos e reparou, na feição alheia, que parecia dura. Más notícias, pensou de imediato. – A que devo, sua extraordinária presença?

 

- Deves por motivos ruins, infelizmente – Engoliu seco, sem imaginar o que deveria ser. – Veja estes papéis.

 

Sua mão direita tratou de agarrar aquele punhado de papéis grampeados, que estavam jogados em sua mesa de vidro, tentando compreender o que se passava. Franziu o cenho ao perceber, que eram comprovantes de residência, uma cópia de registro no psicólogo, algumas fotos tiradas por uma câmera de segurança no que parecia ser a portaria de uma de suas filiais – reconheceu pelo azulejo colorido e uma faixa de promoção, portando o nome -, sem falar em contas de energia.

Fitou Choi sem entender nada, o que isso queria dizer?

 

- O nome dele é Jackson Wang – Choi começou a falar e fez uma varredura rápida em sua mente, comprovando que definitivamente, nunca tinha ouvido falar desse nome. – Nos últimos doze meses, ele andou perguntando sobre você e sua família de forma discreta nas lojas Choi. Enquanto atuava no papel de um cidadão qualquer querendo comprar sofás novos, ele dialogava com meus vendedores a respeito da empresa filial.

 

Olhou novamente para aquela figura de boné, sendo registrada pela câmera de segurança e notou, que as cinco fotos foram tiradas em dias diferentes. Ou seja, por mais de uma vez ele esteve atrás de informações suas.

 

- Quando meus funcionários me relataram, confesso que não dei tanta importância, mas o nome Wang despertou-me certa curiosidade... – Pegou de suas mãos os papéis, e colocou nos comprovantes de residência. – Acabei contratando um investigador particular e o mesmo informou-me, que cada vez mais ele vem mudando-se para lugares perto de seu filho. Olhe, essas casas são todas cada vez mais perto do apartamento onde Changkyun morava. E essa conta de energia, tem o endereço exato do apartamento ao lado do dele. Ou seja, além de morar perto dele, alugou mesmo sem usar, e continua pagando, o cômodo ao seu lado.

 

- E o registro no psicólogo? – Ainda não conseguia entender completamente.

 

- Não reconheces o endereço?  - Negou veemente com a cabeça. – É onde Chae Hyungwon, o marido daquele seu sobrinho Shin Hoseok, trabalha.

 

Sentiu a pressão baixar e desejou desesperadamente, possuir um pote de sal para colocar em sua língua.

Estava fora de seus conhecimentos quem era aquele homem, nunca tinha visto-lhe na vida. Mas ele estava inegavelmente, rondando sua família e aqueles que eram próximos a ela, temeu por um minuto que a segurança de Kihyun estivesse comprometida por causa de tal fato. Que possuía uma lista nada invejável de inimigos, já era de conhecimento geral, mas todos diariamente tentavam abatê-lo pessoalmente, de forma direta, sem nunca mirar em sua família.

Ainda bem que ninguém mais está morando naquele apartamento, e sim na minha casa, sob minha proteção. No final foi esperto, como em todas as suas ações, em tirar eles de .

 

- Gradativamente as coisas foram assimilando-se em minha mente e quando a ficha caiu, fiquei espantado ao dar-me conta – Choi respirou fundo e teve vontade de chacoalhá-lo, no meio daquele silêncio tortuoso que perdurou-se por sôfregos segundos. – Lembra-se que antes de matar o ex-namorado de seu filho, mandaste-me fazer uma pesquisa minuciosa sobre sua vida? Pois bem, compreendi porque o sobrenome Wang pareceu-me tão familiar...

 

Jackson Wang era o prometido de Lee Jooheon.

 

- xXx –

 

Tímidos raios de sol conseguiam passar pelas frestas das janelas fechadas, que existiam naquela espaçosa sala e observava sem muito ânimo; como o degradê presente na decoração de toda a mansão parecia pacificadora para si.

Era domingo, uma tarde amistosa e significativamente silenciosa já que a casa se encontrava vazia. Não que soubesse de fato, mas as empregadas todas tinham tirado folga para passar um dia aconchegante com sua família, Sr.Im declarara antes de sair no sábado que dormiria na empresa e só voltaria na noite do dia seguinte, Sra.Im decidiu tirar o dia para visitar algumas colegas do seu tempo de faculdade. Hyungwon como bem sabia, virava a noite de sábado e em bons dias de descanso como esse, apenas acordava lá para a tardezinha. “Não se preocupe Yoo, meu sistema acostumou-se perfeitamente depois de passar minha vida inteira, com esse hábito”. No começo estranhou essa sua mania condicionada, porém, com o tempo foi virando algo normal para si.

Estava fora de seu conhecimento o fato de Changkyun estar ou não em casa, e qual é. Tinha acabado de acordar e descera direto para sala, jogando-se no sofá. Morto de cansaço, não ia gastar suas energias ampliando seus sentidos para saber se o imprestável do seu noivo, estava ou não presente na residência. Im tinha visivelmente mudado, mas de forma alguma admitiria isso em voz alta ou mesmo, em sussurros internos. Fechava os olhos para suas demonstrações de carinho, ou disposição em lhe mimar, ou, até mesmo conhecer-lhe. Só que Changkyun era péssimo em puxar assunto.

Quando estava sem nenhum assunto na mente, ou seja, sempre; perguntava-lhe o que estava achando do dia. Como nunca teve vocação para ser meteorologista ou um interesse genuíno pelos astros, apenas revira os olhos. E como não falar no dia, em que Im tinha tirado para saciar sua curiosidade sobre sua flora intestinal? “ Kihyun! Você tem cagado bem? ” “Qual a frequência que vais ao banheiro, para fazer sua necessidade mais sólida? ” “Qual é a coloração? ” “Tem formato? ” Nunca pensou em toda sua vida, que teria de escutar indagações desse tipo e ainda mais, vindo de um alfa que perguntava com a maior cara de seriedade.

 

- ‘Tá com fome, meu garoto? – Indagou para o serzinho que residia temporariamente, dentro de sua barriga.

 

Levantou-se com uma legítima preguiça do sofá e espreguiçou-se. O moletom de tecido fino subiu conforme esticou seus braços e deixou uma parte de sua barriga, de fora. Agora que se encontrava numa fase onde parecia que seu corpo todo ia inchar até explodir, ou virar uma verdadeira bola usada em pilates, achava melhor usar roupas de um mesmo padrão. Confortáveis e largas.

Não demorou mais que alguns segundos até chegar na cozinha e procurar, com seu radar potente, quaisquer coisas que poderia transformar com seu dote culinário, num mini banquete. Seus olhos encheram-se de desejo ao ver o armário abarrotado, ao ponto de alguns pacotes caírem no chão quando abriu o mesmo.

Sr. Im vivia pedindo para as empregadas irem, quase todo bendito dia ao supermercado. Kihyun não pode passar fome, ele dizia com o peito estufado. Tudo que ele sentir desejo de comer, tem de encontrar nesta casa, ouviram? E aos poucos, ia aumentando cada vez mais de tamanho. Sem dúvidas com um sogro desse, engordar era inevitável. Quando não se sentia confortável para descer e comer, ou simplesmente a fome se fazia ausente, ele mesmo fazia questão de entrar no seu quarto com uma bandeja cheia. E continuar sem comer, não era uma opção.

 

- Basta o gato sair, para o rato fazer a festa.

 

A voz surgiu repentinamente, de forma cortante e o susto que teve, quase lhe desestabilizou. Estava na pontinha dos pés para pegar um pote de azeitona – quase conseguiu, tendo a cabeça dos dedos raspando de leve no vidro -, e o susto foi tanto que o mesmo rolou no armário, caindo com tudo no balcão.

Seu coração pulsava rapidamente e foi logo passando a mão na barriga, com medo que seu filho pudesse sofrer com isso. Inspirou fundo e soltou todo o ar, de forma lenta, acalmando também seus batimentos e pode dessa forma, com as costas apoiada num balcão – agora todo lambuzado -, abrir os olhos.

Os lábios rachados tornavam-se apenas uma linha graças aquele seu sorrisinho de canto cínico e tinha os braços cruzados. Ela fitava-lhe com um desprezo nítido e perguntava-se o que tinha feito, para aquele coque ambulante e velho, aparentemente lhe odiar tanto.

 

- Acho que é do conhecimento de uma pessoa mais vivida e cheia de experiências, que um susto pode fazer com que a/o gestante perca o bebê – O tom de voz que usara estava excessivamente ríspido e por mais que odiasse tratá-la desse jeito devido sua idade avançada, ela merecia.

 

A governanta deu um risinho, daqueles capazes de fazerem todos os pelos de seu corpo arrepiarem-se e veio em sua direção, como um predador avançando silenciosamente. Seu lobo interior gritava para que corresse, tinha de se cuidar e principalmente proteger seu filho. Mas não o escutava. Dessa vez, não.

 

- Infelizmente, pelo visto, não perdestes esta coisa – A governanta exclamou com uma naturalidade absurda, enquanto fitava calmamente sua barriga.

 

Foi impossível não deixar claro todo seu nojo e choque total, ao escutar tais palavras despejadas contra si. Tudo bem que ela não gostasse de sua pessoa, mas ao ponto de desejar o mal à um bebê que nem nasceu. Isso era desumano. Sentiu vontade de esquecer toda sua postura e respeito, pegar-lhe por aquele coque e expurgar sua existência da face da Terra. Mas não podia, não podia nem sequer alterar-se graças a seu filho.

 

- Eu não fiz absolutamente nada, contra sua pessoa. E tudo bem – Analisava aquela cara descarada, que exibia um sorriso cínico a cada palavra sua. – Ninguém é obrigado a gostar de alguém, mas creio que já estais passando do limite...

 

- Não creio que uma pessoa podre ao ponto de deitar-se com outra, totalmente dopada, apenas para engravidar e infiltrar-se como um vírus na família, quer falar de limites – Trincou seus dentes, contra aquelas sentenças que eram quase ditadas entre um sopro ou outro de escárnio.

 

Parecia que uma nuvem negra estava pairando sobre a cabeça de ambos, transformando o clima, gradativamente mais obscuro. Os olhos literalmente faiscavam, ao mesmo tempo que era uma guerra fria. Quem mostrasse fraqueza primeiro, perdia.

 

- Há anos a família Im é soberana em Seul, com seus costumes e tradições, além, acima de tudo, seu sangue nobre. As pessoas admiram, abaixam sua cabeça e lambem os sapatos dos integrantes da família, sabem reconhecer a hierarquia e não negam em obedecê-la – Ela parecia ter orgasmos mentais, falando tais coisas com uma satisfação inigualável. – Sinto-me a pessoa mais honrada do mundo, em poder servi-los desde o começo de minha adolescência e faço de tudo, por essas pessoas. Faço de tudo, por essa família.... Inclusive, elimino qualquer ameaça a ela – A governanta lhe lançou um olhar mais cortante que mil facas e sentiu-se líquido naquele momento. Transparente e extremamente derretido. – Você quer acabar com a nobreza, infectando-se nessa casa e em nossa linhagem com esse bastardo no ventre. Não sabes a importância da ordem natural das coisas e queres deturpá-la, apenas por seu interesse pelo dinheiro. Pelo poder. Especificamente, pelo dinheiro e poder dos Im’s.

 

Estava sem palavras e não conseguia esboçar nenhuma reação, como se o tempo tivesse parado. Paralisado completamente, apenas escutava aquelas palavras tóxicas sendo despejadas com convicção e uma ligeira calma. A voz dela estava firme, sem falhas. Ou seja, a possibilidade de aquilo ser uma brincadeirinha de mal gosto, era totalmente nula.

 

- Sinto vontade de vomitar, apenas de pensar na forma como consegues manipular o Sr. Im – Ela comentou, com os lábios retorcendo-se em um visível desgosto. – Meu patrão mais parece um cachorrinho seu e talvez as empregadas tenham razão, você não passa de sua putinha. Deitou-se com ele e com suas artes de sedução, fizestes o mesmo ficar totalmente amarrado em você. E ele nem se importa com o fato de estares esperando um filho do Changkyun, porque ele se atém no fato de estar perto da sua pessoa e isso lhe satisfaz. Você se diverte fazendo vulgaridades com ele, enquanto a coitada da Sra.Im te considera como um segundo filho? Gostas do fato de ver meu Chang se arrastando por você? Isso te satisfaz. Desgraçar toda a família...

 

Queria gritar, estapeá-la com força ou tirar aquela agonia que se fazia presente no seu peito. Entretanto, o choque impossibilitava todas essas alternativas.

Ela deu mais alguns passos e pronto.

Centímetros de distância, aproximou o rosto do seu e aquele hálito alheio, inexplicavelmente gélido demais para um dia ensolarado, chocava-se em sua face.

 

- Seu lugar é em puteiros, sendo rasgado por bêbados. Você nasceu para ser tocado, cada dia, por um homem diferente. Seu lugar é embaixo, gemendo como o vadio que é. Você nasceu para ser tratado como uma boneca, e, não mais que isso. Seu lugar, entretanto, nunca vai ser na família Im – Aquela idosa parecia ter um prazer doentio em proferir palavras corrosivas, capazes de afundar-lhe nos piores sentimentos. Mas, prendia com todo fervor cada lágrima sua. – Felizmente você e o Changkyun, pelo visto não se dão bem. Então, escute meu conselho; desapareça das nossas vidas. Suma com esse bebê, que nem sei se é verdadeiramente do Changkyun. Ou, darei um jeito nesse pequenino incômodo e....

 

Tudo aconteceu muito rápido.

Sua mão direita desprendeu-se da barriga e segurou com uma força desconhecida, o braço da mulher bem à sua frente.

 

- Por bons anos da minha vida, tive que aguentar pessoas que apenas desejaram meu mal e acredite, teve uma que me odiou muito mais que você. És insignificante perto dela – Sua voz estava uns bons tons, mais grave. – Não me importo com o que pensas que sou, ou faço. Sempre irão julgar-me pelo lugar onde trabalhei e acredite, estou pouco me fodendo. Viva sua vida tão insignificante e tediosa, ao ponto de se achares melhor do que os outros, ver-se apenas como ferramenta de apoio de um bando de pessoas, ou pelo seu prazer insano de diminuir os outros que não achas digno – Se antes já estavam perto, agora que havia a puxado, quase se beijavam. – Mas não ouse ameaçar meu filho, ou fazer qualquer mal a ele. Senão...Eu juro por Deus, que te faço sofrer.

 

A governanta encarava-lhe totalmente estarrecida, e nem era por causa de suas palavras. Para falar a verdade, nem as tinha escutado. E sim, por causa de seus olhos.

Os Alfas eram os únicos, na comunidade ABO – alfa, beta e ômega -, a manterem um contado quase direto com seu lobo interior. Por isso explodiam, ficavam com os olhos vermelhos e suas garras cresciam, sem falar no poder excessivamente rápido de regeneração. Todavia, nenhuma das classes se tornavam lobos por completo como os ancestrais.

E ali estava Yoo Kihyun, um ômega com os olhos num tom azul tão vívido que chegava a ser assustador. Era raro, quase único algo desse gênero acontecer com ômegas. Eles no máximo, tinham os sentidos excepcionalmente aguçados.

O instinto materno puro de um lobo, era isso que estava ocorrendo.

Aos poucos, sem ele nem perceber, seus olhos voltaram para o abismo castanho que eram e o aperto no braço foi afrouxado, ao ponto da governanta poder soltar-se de sua mão e recompor-se rapidamente. Com sua posse inabalável e cínica.

Avaliou-lhe dos pés à cabeça e com um estalo insuportável de língua, virou-se. Rumou para fora da cozinha, mas antes de sair definitivamente, balançou a cabeça e falou em tom bastante audível.

 

- Eu já sabia que não irias deixar a soberania da família Im tão fácil – Suspirou, como se estivesse entediada e nada houvesse acontecido. – Ainda bem que o que é seu, está guardado.

 

E foi embora.

Não como uma brisa que ao ir, em seu rastro fica um clima refrescante e uma paz reside no peito. Mas sim como um furacão, que deixa tudo devastado e na primeira olhada, impossível de se recompor.

Para Yoo aquela mulher, era um furacão de sentimentos negativos que queria tirar-lhe seu filho, queria tirar-lhe de perto de Changkyun e toda sua família.

As lágrimas desceram copiosamente, como uma chuva que vem sem avisar. Kihyun não sabia o que sentir, as palavras reverberavam numa repetição insuportável dentro de sua mente.

Você não passa de sua putinha, não podia sentir demais senão perderia seu tesouro.

Gostas do fato de ver meu Chang se arrastando por você? Colocou as mãos na boca para conter os soluços e foi fraco, ao pensar se aquela sentença tinha um quê de verdade.

Seu lugar é em puteiros, sendo rasgado por bêbados, porque as pessoas insistiam em julgar-lhe por uma vida que ele nunca escolheu ter?!

Você nasceu para ser tratado como uma boneca, e, não mais que isso; por mais que negasse queria ser muito mais que a superficialidade do seu título. Queria ter uma vida totalmente diferente, e queria ficar contente por estar “conseguindo” o que sonhou desde criança. Mas não tinha paz, quando é que teria afinal?

Seu lugar, entretanto, nunca vai ser na família Im...

Seu lugar, entretanto, nunca vai ser na família Im...

Seu lugar, entretanto, nunca vai ser na família Im...

 

 

 

O bebê começou a chutar furiosamente, de forma gradativa.

 

- xXx –

 

A luz da TV iluminava boa parte daquele quarto, que mais parecia uma sala de tão grande e com as coisas que possuía. Um mini sofá, um frigobar e etc.

Quando adolescente, Im gostava de se isolar ali. Seu mundo era seu quarto, ele não se importava de ser engolido pelo mundo e tudo que tinha dentro dele.

Passava um jogo qualquer de basquete e seus olhos não conseguiam desgrudar da bola, que era agitada a todo momento. Pegou gosto pelo jogo, depois de ter maratonado orgulhosamente Kuroko no Basket e se apaixonado completamente pelo anime. Mas mesmo assim, era impossível decidir entre ele e seu amado Haikyuu*. Era possível ver os prêmios que havia ganhado em alguns campeonatos de basquete na sua infância, ainda exibidos na prancha grudada na parede. Não tinha livros, mas mangá até demais.

Ficar naquele quarto trazia-lhe uma nostalgia.

Me sinto diferente, mas nesse quarto a única coisa que mudou, foi eu. Pensou, quando houve um intervalo no jogo e colocou sua mente, para viajar.

Viagem essa que não foi muito longe, por causa de belas batidas na porta de seu quarto, que fizeram-lhe levantar rápido. Bufando, enquanto calçava suas sandálias jogadas em posição diferente no chão.

Seus olhos esbugalharam-se ao ver aquela pequena figura na porta, com lágrimas escorrendo por sua face que parecia uma coisa tão delicada e que não havia sido feita para isso – como as esculturas angelicais de Donatello. Fitou rapidamente a mãe colocada sobre a barriga, massageando sem parar e sentiu uma dor aguda jazer em seu peito.

 

- Kihyun! – A mão esquerda foi colocada em suas costas, como um tipo de apoio e trazendo-lhe cada vez mais perto, ao mesmo tempo que sua mão esquerda ergueu o rostinho insolente. – Aconteceu alguma coisa com nosso garoto? – Mal terminou a indagação, e sentiu pelos corpos colados, uma movimentação.

 

- Ele ‘tá chutando demais, Changkyun – Yoo respondeu, entre uma fungada e outra. – Sei que o médico falou, que isso poderia vir acontecer pois é um menino forte e Alfa pura, mas é tão desconfortável...

 

Im não esperou mais nenhuma palavra, guiando-lhe com os braços até sua cama e viu o ômega sentar nela, com uma cara de desconforto e confusão. Foi correndo até o criado mudo que existia em baixo da TV e pegou o controle do ar-condicionado, regulando o mesmo. Parou em frente de Yoo e agachou-se, tirando suas sandálias e retirando igualmente, as suas também, subiu na cama. Encostou suas costas no travesseiro fofo e com as mãos, puxou levemente Kihyun para ficar no espaço que havia entre suas pernas.

Sentiu como todo o corpo de seu ômega parecia tenso e colocou com toda cautela do mundo, as costas alheias apoiadas em seu corpo. Os dedos pareciam formigar, quando levou sua mão até a barriga saliente e acariciou, sentindo seu coração bater mais rápido, e aqueles chutes contra suas palmas. Sentiu também o cheirinho do perfume que Kihyun usava, ou o seu mesmo, aquele natural levemente tragado quando escorregou seu nariz na nuca alheia. “Shii, garotão, você está cansando seu Appa Yoo”, riu quando sentiu o filho parecer reagir a sua voz e Kihyun, acomodar-se em seus braços. “Nós te amamos mais que tudo, mesmo sem ainda nem termos ouvido seu choro ou visto seu rostinho; você também nos ama? ”, sentia-se bobo e suas bochechas esquentavam gradativamente. “Appa Yoo é lindo demais, para ficar com o rosto retorcido de desconforto, filho. ”

 

- Tenta não focar tanto nessa sensação – Aconselhou, enquanto continuava com aquele vai-e-vem. – Sabe, quando eu era pequeno quebrei o braço. Ainda me lembro de quando estava no topo do escorrego e levantei-me, gritando para o meu irmão Jaebum que ia jogar-me nos braços dele e eu confiei nele quando o mesmo garantiu que segurar-me-ia! – Trincou os dentes, indignado ao lembrar-se de tal cena. – Só que o menino que ele gostava passou bem atrás, gritando com outro no parquinho e espatifei-me com tudo, pois ele desviou o olhar. E foi assim, que também perdi uns bons dentes de leite.

 

Já tinha voltado do comercial, há um bom tempo e mesmo assim, Im nem ligou.

Mesmo não tendo total concentração do momento, por estar carregando um serzinho que chutava com energia, Kihyun ainda conseguia observar. Como Changkyun queria arrancar um sorriso de sua pessoa, para tirar a face de dor. Como falava de sua infância, sem nenhuma força contrária de fazer sua pessoa conhecer-lhe cada vez mais. Como lhe tratava de forma delicada, cuidadosa e sua voz mansa, conseguia reverberar por todo o quarto.

 

- Chang...Você promete que vai proteger nosso filho de qualquer mal? – Perguntou, quando Im deu uma pausa considerável para responder.

 

- Claro, não só nosso filho. Você tambémEu não me perdoaria, se perdesse novamente alguém com tanto significado. – A todo custo, de tudo e todos.

 

- Promete?

 

- Por tudo que é mais sagrado, sim.

 

- Ontem antes de cair no sono, com os olhos fechados mesmo.... Fiquei imaginando como nosso garoto vai ser – Yoo começou a falar tranquilamente para surpresa do Alfa, apoiando a cabeça em seu ombro. – Algo me diz, que ele vai ter de aparência; uma mistura perfeita nossa. Mas os lábios, vão ser iguais aos seus e o mesmo cabelo...

 

E como plano de fundo, um jogo de basquete era completamente ignorado. Enquanto dois noivos conversavam, e os chutes aos poucos ia diminuindo a frequência sem nem perceberem. Changkyun escutava aquela voz melodiosa e sorria, Kihyun mantinha os olhos fechados. Estava cansado e nunca pensou, que os braços de Im poderiam ser melhores do que seu travesseiro. Changkyun percebeu o cansaço alheio e aos poucos, foi diminuindo a altura de sua voz, até tornar-se um zumbido ignorado pelos ouvidos de um ômega adormecido.

Não ousou mover-se, tanto que ficou na mesma posição por alguns minutos até uma empregada entrar e arregalar os olhos, pediu silêncio em tom baixo e apontou, para que a mesma pegasse o cobertor em seu guarda-roupa. E ao receber, cobriu aquele corpo, deitando-se também melhor na cama junto com ele. Seu abismo castanho admirava traços delicados, que finalmente tinham um descanso depois de tudo e pensou.

No quanto parecia tão certo, estar assim juntinho com ele.

 

- xXx –

 

O homem chegou com um ar tempestuoso, maior do que o habitual. Saindo de seu carro, sem se preocupar com o som estrondoso ao bater a porta com força e nem olhou para o céu, de uma noite especialmente cheia de inúmeras estrelas. Parecia estar queimando dentro do terno e a gravata, mais queria criar vida e lhe sufocar. Tirou com uma afobação disfarçada o celular do bolso, discando um número decorado há anos.

O ar gélido da noite proporcionava pequenos tremores internos, e o nervosismo de escutar os bipes da chamada ainda não atendida, só contribuía para tal estado.

 

- Alô? – A voz agraciou seus ouvidos.

 

E Sr. Im pode respirar aliviado, depois de soltar um “Volte imediatamente para Seul, Jaebum; é uma emergência que tens de me ajudar” e desligar como se não tivesse ocorrido absolutamente nada.

Mesmo que sua cabeça fosse uma coisa atolada de pensamentos, não poderia deixar transparecer nenhum sentimento, nenhuma fraqueza. Adentrou na mansão e respirou o fruto de um poder, a residência reformada e passada por toda a família. Eu não escolhi ser um Im, isso que me escolheu muito antes de tudo e um rei, nunca reclama do peso de sua coroa estando no castelo. É, não estava queimando em seu terno. Estava perfeito como sempre. E sua gravata? Bem arrumada, como sempre.

E quando Jaebum, perguntou-lhe o motivo de tudo aquilo, respondeu sem excitar;

 

- Proteger a família e quem irá entrar na mesma


Notas Finais


Adivinha quem decidiu criar um novo perfil no ss? eu, ele @eimonstax

Gente, muita merda aconteceu na minha vida nesse meio tempo e ontem, ou ante-ontem, tentei suicídio e ainda estar aqui é algo que me assusta. Mas tudo bem, todo mundo tem suas recaídas e o que importa é; voltei com o amor da minha vida, estou tentando me levantar novamente e eae, gostaram do cap? O Ápice está chegando ~~


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