História A Granting Pirate TWICE OUAT - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time, TWICE
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Chaeyoung, Mina
Tags Chaeyoung, Michaeng, Mina, Once, Once Upon A Twice, Oncers, Ouat, Twice
Visualizações 26
Palavras 5.628
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Fluffy, Luta, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Algumas explicaçõezinhas:

> Esta história é um evento aleatório de um Universo Alternativo onde as meninas de TWICE são personagens da série Once Upon Time.

> Talvez eu faça mais one shots que possam ser conectadas a esta, mas ainda não tenho certeza.

> Os eventos nesta história aconteceram ANTES da maldição da Evil Queen (Rainha Malvada).

> Se você não conhece TWICE ou ONCE UPON A TIME, acredito que isso não será um problema, porque a história é bastante alto explanatória.

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Já peço desculpas por qualquer erro! Eu originalmente escrevi essa história em inglês, e na hora de traduzir é provável que algo tenha passado despercebido por mim, mas não creio que isso interfira na leitura.

De qualquer forma, espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Estávamos caminhando por volta de trinta minutos agora. O homem da Taberna havia dito que encontraríamos o capitão perto das docas naquela hora. Chaeyoung e eu não tínhamos muito tempo, já que aparentemente o pirata deixaria a cidade com sua tripulação naquela mesma tarde, o que não nos dava muito tempo para convencê-lo de conceder nossos desejos.

"Mina, esse homem, Capitão Gancho, tem certeza de que ele é confiável? Só ouvimos coisas ruins sobre ele até agora." Chaeyoung perguntou, enquanto caminhávamos em direção às docas, já podendo ver os navios.

"Ele não é, mas eu acredito que ainda haja alguma honra dentro dele." eu respondi, meus olhos fixos no navio que eu presumi ser o Jolly Roger.

"Como você pode ter tanta certeza disso?” ela perguntou.

"Eu não tenho, mas não permitirei que o medo me impeça de conseguir o que eu quero. Você vai?” eu finalmente olhei para ela, seu rosto mudando de incerteza para determinação.

"Arrisquei minha pele para lutar pelo que eu acredito. Aprendi o que era honra pela guerreira mais honrada. Pareço alguém que teria medo de um pirata com uma só mão?"

Eu sorri com sua resposta. Nós não nos conhecíamos por mais de um ano, mas eu conhecia a baixinha o suficiente para saber que ela era orgulhosa demais para desistir assim. Às vezes eu me perguntava se ela era assim antes de ser aprendiz de Mulan, mas ela nunca me deu muito espaço para perguntar sobre sua vida antes da guerra. Bem, não era como se o contrário tivesse acontecido, então pensei que era justo.

"Aquele é o navio?" ela perguntou, apontando para o enorme barco que eu presumi ser o Jolly Roger.

"Eu acho que sim." respondi.

Caminhamos para mais perto das docas, parando logo à frente da entrada do navio, onde o homem com um gancho no lugar de sua mão esquerda estava falando com um de seus homens. Suas costas voltadas para nós, até que o homem com quem ele estava falando o avisou sobre nossa presença.

"Posso ajudar as moças?", ele perguntou, um sorriso descontraído e charmoso vestindo seu rosto.

"Você é o Capitão Gancho, certo?" perguntei, recolhendo toda a coragem que eu pude encontrar para não transmitir nenhuma hesitação ou medo.

"Bem, se esse gancho diz alguma coisa" ele ergueu seu braço direito, causalmente mostrando seu gancho, "acredito que eu seja o homem".

"Bom." eu disse, "Porque temos alguns pedidos que achamos que você poderia nos conceder".

O homem ergueu uma sobrancelha. Seu sorriso sendo substituído por uma expressão intrigada. Ele nos analisou por alguns segundos antes de perguntar:

"E o que um pirata como eu poderia conceder duas crianças perdidas?"

"Nós não somos crianças!" disse Chaeyoung, e eu coloquei meu braço em sua frente antes que ela pudesse se deixar dominar por seu pavio curto.

Chaeyoung podia ser muito paciente com algumas coisas, mas não para com outras. Principalmente para com aqueles que duvidassem de seu valor como guerreira ou humana.

"Disse o duende com cara de bebê!" ele zombou, e agora eu tinha que literalmente segurar minha amiga para que ela não pulasse no pescoço do pirata.

"Não seja boba, Chae! Ele só está nos provocando!"

Quando notei que minha amiga não iria mais atrás do pirata, finalmente voltei meus olhos para o homem.

"Além disso, ele está certo. Somos crianças, perdidas.” eu comecei, "E ouvi dizer que não somos as primeiras com as quais ele lida. Estou errada?"

Um sorriso de lado se formou nos lábios do homem.

"Você fez sua lição de casa, moça" ele disse "Então, posso saber o que as duas garotinhas querem com um belo pirata como eu?"

Enquanto ele falava, notei que ele gesticulava bastante. Perguntei-me se era uma forma dele mostrar confiança e poder, ou se era apenas uma mania aleatória dele.

"Minha amiga quer uma carona para a terra que você está indo, ela tem ouro suficiente para pagar pela viagem." eu disse, enquanto Chae mostrava o saco cheio de ouro que recebemos da generosa princesa que havíamos ajudado mais cedo.

"Estou vendo", ele disse, analisando o saco nas mãos dela, "E você?"

Endireitei minhas costas, este foi o momento que esperei por anos, não poderia voltar atrás agora. Toda a coragem que tinha dentro de mim eu tinha que usar naquele momento. Tinha que expressar meus desejos, e daquela vez, eu os faria serem ouvidos.

"Eu quero fazer parte de sua tripulação." eu disse, olhos fixos nos azuis do pirata.

De repente, ele e os outros no navio explodiram em risadas.

"Vocês ouviram isso, companheiros?! Ela quer entrar para nosso navio!" ele gritou para os outros, como se eles já não estivessem rindo o suficiente sobre minha declaração.

"O que é tão engraçado?" Chaeyoung interferiu, "Você não acha que ela é digna porque é mulher?!"

O sorriso do pirata desapareceu um pouco, agora apenas deixando um sorriso pequeno no canto de seus lábios.

"Ela não é uma mulher, é uma menina", afirmou ele.

"E qual a diferença? Você tem medo de meninas?" era a vez de Chaeyoung provocar o pirata, e mesmo não achando aquilo sábio, não pude deixar de sorrir com seu troco.

"Se está insinuando que eu subestimo o poder de uma mulher, você está errada, meu amor." ele disse, agora dando alguns passos para mais perto de nós.

Seus olhos suavizavam enquanto se aproximava, e eu poderia jurar que havia um mar de tristeza por trás daqueles círculos azuis.

"Eu já tive uma mulher em minha tripulação. Ela era a marinheira mais esperta, mais corajosa e malandra que já pisou em meu navio." ele começou, seus olhos presos nos de Chaeyoung "Não sou idiota de subestimar o valor de uma mulher..." ele mudou seus olhos para mim, e eles, por algum motivo chateados e feridos, encontraram os meus, "ou menina".

"Então, por que riu do que ela disse?” insistiu a baixinha.

Ele andu para trás, agora sua áurea descontraída havia voltado.

"Porque não é tão fácil entrar no meu navio! Você deve ser digno! Deve provar que estamos deixando um verdadeiro pirata andando dentro do meu querido Jolly Roger!"

"E quem disse que ela não é digna?!” insistiu Chae.

"Ela, assim como você, é uma criança! Pareço uma babá? Você vê uma mamadeira ou um gancho afiado em minha mão esquerda?!"

"Então permita-me provar o meu valor." eu finalmente intervi a discussão.

Parecia que minha súbita atitude havia pego o pirata desprevenido.

"Posso saber como você vai fazer isso?" ele perguntou, um sorriso curioso e provocante em seus lábios.

Retirei minha espada de meu cinto e me posicionei em uma pose de batalha.

"Lute contra mim em seu próprio navio! Se eu ganhar, você me permite ficar sob minhas condições. "

"Posso saber quais as condições?" ele perguntou, fazendo sinal para seus homens pararem com a zombaria.

"Não interferirei na sua vida fora da lei, mas não espere que eu roube dos pobres ou mate vidas inocentes".

Ele soltou uma pequena risada.

"Deixe-me ver, nós temos uma moça jovem e decente tentando nos acompanhar em nossa vida de pirata?! Ouça, meu amor. Você tem alguma ideia sobre o tipo de vida que temos? "

"Eu conheço o tipo de vida que você costumava ter" eu respondi.

Ele franziu o cenho, e eu se aproximar de mim novamente, enquanto parecia procurar o significado de minhas palavras.

"E que vida era essa?"

Eu endireitei minhas costas consciente de que, por enquanto, precisávamos de uma conversa, não de uma luta.

"Um marinheiro da marinha. Marinha real. Aquele que salvou meu pai de morrer nas mãos do oceano."

Ele fixou seus olhos nos meus, sua testa franziu ainda mais.

"Yachi... Você é filha dele?"

Eu assenti. Seus olhos pareciam procurar qualquer característica de meu pai em meu rosto.

"Infelizmente, ele não lhe contou toda a história, menina." ele disse, finalmente recuando.

O homem tirou um cantil de seu cinto e acariciou o objeto com o polegar. Seus olhos distantes observando a achatada garrafa.

"Eu só cheguei à marinha graças ao meu irmão. Sem ele, eu não seria nada além de um bastardo covarde e bêbado." ele disse, colocando o cantil de volta ao seu cinto.

Perguntei-me por que ele pegou o cantil se ele iria beber nada, mas decidi dar de os ombros. Não era da minha conta, afinal.

"Ainda assim salvou meu pai!" eu insisti.

O pirata riu, e pude sentir um pouco de amargura em seu ato.

"Seja lá o que seu pai falou sobre mim, eu não sou mais aquele homem. Talvez a parte do bêbado eu ainda mantenha, mas fora isso..." ele suspirou, "Ouça, filha. Se eu fosse você eu voltaria para seu pai. De qualquer forma, eu o conheci há séculos, como você ainda tem essa idade?"

"Ele se tornou um marinheiro em sua terra. O capitão mais respeitado e confiável que o rei poderia ter, como o próprio rei costumava dizer." comecei a responder, "No entanto, durante uma tempestade mágica, ele foi levado por um furacão, que levou o seu navio para uma terra onde o tempo não passa."

"Sim, há algumas dessas!" ele comentou, vagamente olhando para o céu.

"Depois de conhecer minha mãe lá, eles conseguiram escapar dessa terra e construir sua novamente a vida de um marinheiro respeitado em nosso reino".

"Yachi teve uma aventura e tanto, hein?" o pirata comentou, "E agora, sua filha quer ter um pouco de excitação em sua vida também?"

Ele começou a andar em direção ao convés.

"Desculpa, meu amor. A vida de um pirata não é um joguinho de crianças. Eu aconselharia você e sua amiga irritadinha a voltar para casa antes de perder minha paciência." disse ele, indo em direção ao leme.

"Eu posso ser uma criança, mas não estou aqui para jogar." eu disse, entrando no navio, o que causou uma coleção de espadas mirando meu pescoço.

Ter um grupo de homens sujos apontando suas espadas para mim estava longe de uma situação agradável, mas não pude deixar de fixar os olhos no capitão. Eu havia passado por muita coisa para chegar até ali, eu não iria voltar atrás agora.

"Por favor, menina, afaste-se do meu navio. Não é meu desejo te machucar, mas se você insistir com isso, não vou ter outra escolha." o homem com o gancho me avisou.

"Eu amo o oceano." comecei, olhos ainda fixos nele, "Mas meu pai tinha muito medo de me perder e nunca me permitiu chegar nem perto de seu navio".

"Ai, que peninha!" zombou um pirata sujo e aleatório, tocando meu pescoço com sua espada.

"Não a toque, Ross!" advertiu o capitão, "Exceto se eu mandar.”

Ross afastou a espada de meu pescoço, mas estava claro que ele não estava feliz com a ordem de seu capitão.

"Durante a guerra contra a China, meu pai morreu.” eu disse, e pude ver tristeza nos olhos do pirata depois da minha declaração, "Minha mãe morreu quando eu era criança, então eu fui deixada sem ninguém além de mim mesma e uma terra em guerra."

O pirata não disse nada, apenas engoliu a seco antes de descer os degraus até ficar de frente para mim.

"Estou feliz que seu pai tenha construído a vida que ele sempre quis, mas não sou um tio perdido para você, menina." ele disse, seus olhos agora trazendo compaixão e, pelo que eu podia ler em seus olhos, culpa.

O capitão tirou um saquinho de seu bolso e me entregou.

"Há uma boa quantidade de ouro nesta bolsa. Use-o para construir uma nova vida. Isso é tudo o que posso lhe dar.”

"Eu não enfrentei o rei, escondi-me todos os dias e as noites de seus guardas, temendo ser esfaqueada ou pior a cada segundo da minha juventude apenas para pegar seu dinheiro e desistir da vida que eu sempre sonhei tão facilmente". disse, sem nem sequer tocar no saco de ouro.

"Você não tem ideia de como é a vida de um pirata, meu amor", ele disse, e talvez fosse só eu, mas senti um certo tom paternal vindo de suas palavras.

"Eu não quero ficar em seu navio para sempre, capitão. Apenas o suficiente até conseguir um navio para mim mesma e me tornar uma capitã." eu disse.

"Acha mesmo permitirei que você faça de mim e de meu navio um degrau para uma vida de capitã?!" ele perguntou.

"Eu só quero aprender com o melhor.”

O pirata observou-me por um momento. Eu não tinha certeza do que estava passando por sua mente, mas estava certa de que eu, de alguma forma, havia tocado seu coração.

"Eu não sou o tipo de pirata que você quer ser, meu amor." ele disse, "Você é uma boa moça. Melhor trabalhar para ser uma marinheira."

"Meu reino não tem espaço para mulheres em sua marinha ou em seu exército. Para não mencionar que eu nunca serviria aquele tirano que se chama rei.” eu disse com firmeza.

"Então, procure outro reino" disse ele, passando por mim.

"E arriscar em acabar servindo a outro tirano? Não, obrigado." Respondi, decidida.

"Alguns me chamam de tirano também, sabe?" ele ressaltou, vagamente acariciando a borda do navio.

"Ao menos você é aberto enquanto a isso! Não esconde suas ações por trás de falsas boas intenções.” eu insisti.

Tentei me aproximar dele, mas seus homens não me permitiram.

"Eu só quero começar de novo." eu disse, olhos esperançosamente procurando pelos dele, "Eu só quero uma chance para tentar."

O capitão tomou um tempo para pensar. Sua mão tocava vagamente a borda do navio.

"Pegue sua espada" disse ele, finalmente se movendo.

Os outros piratas engasgaram com as palavras do capitão. Também me engasguei, mas por outro motivo. Ele realmente havia decidido me dar uma chance?

O capitão ordenou que seus homens recuassem, e agora eu podia ouvir que os arredores do navio lotavam. Era uma cidade pequena, era natural que as pessoas ficassem curiosas com lutas.

Posicionei minha espada e meu corpo para a batalha, enquanto o pirata tirava a espada de seu cinto antes de espalhar os braços ligeiramente.

"Anda, mocinha! Mostre-me o que você tem!"

Antes de começar meu duelo, olhei para Chaeyoung, que assentiu para mim de forma encorajadora. Aquela pequena havia aprendido com a melhore, e se eu havia aprendido com ela, eu tinha que ser pelo menos decente naquela luta de espadas, mesmo que minha verdadeira força fosse em outras habilidades.

Saber que Chaeyoung estava torcendo por mim era tudo o que eu precisava para ter coragem de fazer meu primeiro golpe, um que o capitão bloqueou sem esforço. Recuei e tentei outro golpe que falhou como assim como o outro. Nós fizemos isso por algumas vezes antes dele fazer primeiro golpe, que eu evitei com sucesso.

Era cada vez mais difícil seguir os movimentos do pirata, o que significava que eu tinha que terminar aquele duelo o mais rápido possível. Quando ele usou sua espada para cortar uma corda e me golpear com uma madeira do navio, pulei de volta em um rodopio, cortando outra corda e quase o atingindo com outra madeira. Ele pulou no convés chutando algumas caixas na minha direção, da quais desviei com dificuldade.

O pirata correu para o outro lado do convés, segurando uma corda e usando-a para atravessar o navio enquanto se pendurava pela mesma e chutando minha espada no processo. Quando tentei pegá-la, ele já estava com sua lâmina contra minha garganta.

"Desculpa meu amor. Acredito que seus dias de pirata terminaram antes mesmo de começar.” ele disse.

Olhei para ele. Não estava pronta para desistir tão cedo, e com isso em mente, golpeei o chão, onde uma madeira solta acabou batendo atingindo onde dói (no homem). Enquanto ele caia de joelhos rugindo de dor, eu consegui recuperar minha espada e desarmar o pirata antes que ele tivesse a chance de se recuperar.

"Como sabia sobre a madeira solta?" ele perguntou, encontrando força para se levantar.

"Eu a notei antes, quando você claramente evitava ela enquanto lutávamos." eu disse, entregando-lhe a espada e preparando-me para reiniciar a luta.

"O que é isso?" ele perguntou.

"Não foi um movimento justo. Eu ainda não ganhei ainda.” eu disse, e percebi que um sorriso se formou nos lábios do pirata antes dele fazer seu primeiro golpe contra mim.

Eu bloqueei sua espada um par de vezes, antes de girar e quase atingi-lo com uma madeira novamente, depois de cortar uma corda. Ele conseguiu escapar e, no processo, tomou outra corda e puxou algo do mastro que eu não tive tempo de ver porque ele me desarmou logo após, me fazendo tropeçar nas caixas que ele havia chutado anteriormente.

Ele apontou sua lâmina na minha direção novamente, e eu notei que ele apenas tinha desembrulhado a vela, nada havia caído do mastro, ele só queria me distrair.

"Acredito que você não tenha outro plano desta vez, estou certo?" ele sorriu para mim.

E com a minha falta de resposta, ele devolveu a espada ao seu cinto e me ofereceu sua mão.

"Não se preocupe, menina," ele disse, depois que eu estava de pé novamente, "você se mostrou digna de uma segunda chance."

Dizendo essas palavras, ele me entregou minha espada.

"Então, onde está a sua espada?" perguntei, notando que ele nem se quer tocava em seu cinto.

Ele riu enquanto coçava sua própria barba.

"Não sou eu quem você vai enfrentar, meu amor." ele disse, apoiando-se na borda do navio.

Franzi o cenho com sua resposta.

"Sua amiga," ele apontou para Chaeyoung, "vejo que ela tem uma espada. Vamos mudar nosso acordo, pode ser?"

O pirata se afastou da borda e se dirigiu a Chaeyoung.

"Lutem, e quem ganhar, terá seu desejo foi concedido".

Sua declaração estava longe de ser uma boa notícia. Chaeyoung não tinha outra escolha além de ir ao País das Maravilhas. Uma vida dependia disso. Não era uma escolha.

"Mina!" eu ouvi sua voz me acordar de meus pensamentos.

Olhei para ela, e vi aqueles olhos encorajadores olhando para mim novamente.

"Sempre há outra maneira de viajar entre reinos!" ela ressaltou.

"Não quero saber!" eu disse com firmeza, "A única maneira que eu poderia ganhar era se você quisesse, e eu não a perdoaria se você o fizesse!"

"Você está se subestimando! Ainda assim, não aceitarei este acordo."

"Espero que as mocinhas estejam conscientes de que, sem luta, não haverá desejo sendo concedido" o pirata interferiu.

Chaeyoung suspirou, antes de tirar a espada de sua bainha. Eu não fiz mesmo, só me aproximei dela até que estivéssemos cara a cara.

"Nós duas sabemos que eu não sou nenhum adversário para você. Então, se essa luta terminar com minha lâmina contra sua garganta, nunca mais olhe nos meus olhos novamente "

Chaeyoung sorriu.

"E depois eu sou a orgulhosa, né?!" ela brincou, mas eu mantive minha expressão severa.

"Chame como quiser, mas nunca a perdoaria por arriscar a vida de Tzuyu em troca de meus desejos." eu mantive meu tom firme.

O sorriso de Chaeyoung se desvaneceu e seu cenho se franziu fortemente.

"Você me ofende ao pensar que eu faria tal coisa." disse a garota.

"Você acabou de dizer que sempre há outra maneira de viajar entre reinos." eu a lembrei.

"Isso foi antes de saber que não tínhamos outra chance senão lutar!"

"Isso arriscaria a vida de Tzuyu de qualquer maneira!" eu levantei a voz, e eu pude ver o corpo da pequena estremecendo um pouco com minha súbita mudança de volume.

Em todo o tempo passamos juntas, não lembrava de se quer uma vez que levantei minha voz perto de Chaeyoung, pior ainda contra ela.

"Peço desculpas por querer ver todos os meus amigos conseguindo seus finais felizes!" ela disse, sua voz falhando levemente.

Era evidente que minhas palavras haviam machucado. Chaeyoung se preocupava tanto com aqueles que amava que ouvir minha acusação de que ela não se importava com a saúde de Tzuyu provavelmente era a maior ofensa que eu poderia dizer a ela. Eu iria querer machucá-la, nunca, mas eu precisava encorajá-la a vencer aquela luta. Permiti-la a me derrotar.

"Se os nossos fins felizes é o que você quer," comecei, aproximando meu rosto do dela, e olhando diretamente em seus olhos, "então levante sua espada e lute como a guerreira que eu sei que você é."

Eu recuei, tirando minha espada de meu cinto e me preparando para lutar. Com o canto dos meus olhos, pude ver o capitão nos observando de forma casual, sentado no degrau do convés.

Mudei meu olhar para Chaeyoung, que agora estava em sua posição de combate. Se ela realmente não se abstivesse, aquela batalha não duraria muito. Olhei diretamente nos olhos dela e foi a primeira vez que vi aqueles círculos castanhos tão feridos por causa de mim. Ela parecia irritada, mas eu a conhecia melhor do que aquilo. Ela estava ferida. Eu me odiava por ser a causa daqueles olhos lacrimejados, mas aquilo era para o melhor, o melhor para ela e para as meninas.

Eu dei o primeiro golpe, não podia mais encarar aqueles olhos tristonhos. Minha espada encontrou a dela, e elas se encontraram algumas vezes antes da garota levantar uma caixa com o pé e chutá-la em minha direção. Usei minha espada para desviar o objeto, e antes da espada de Chaeyoung apontar para meu corpo, voltei a girar, cortando uma corda e fazendo cair uma vela em sua direção. A pequena conseguiu escapar do tecido, e eu a surpreendi com um salto. Nossas espadas se encontraram de novo, e desta vez trancaram com a pressão de nossa força. Os olhos da baixinha colaram mais uma vez nos meus.

"Não se subestime!" disse ela, um pouco ofegante pela força que ela estava usando para empurrar minha espada.

Nossas espadas se separaram, e ela deu outro golpe do qual mal consegui esquivar. Usei a ajuda de uma corda para pular diretamente para o convés, chutando um barril em sua direção. Ela pulou o objeto rolante, e no momento em que saltei para fora do convés, ela apunhalou um barril ao meu lado, fazendo com que o vinho jorrasse em minha direção. Recuei, quase não vendo nada graças ao vinho em meus olhos. Senti Chaeyoung me desarmando. Eu havia perdido o duelo.

"Maravilha! Agora vou ter que usar seu dinheiro para comprar outro barril de vinho!" disse o capitão, acenando para seus homens tirassem o barril dali.

"Você não nos deu regras," defendeu Chaeyoung, devolvendo sua espada a sua bainha.

"Verdade, não dei.” o pirata concordou, "Mas você está no meu navio, então tente ter cuidado durante a nossa viagem, ok, meu amor?"

Ele pegou algo de uma caixa perto do convés, e depois de notar que era uma toalha, ele me entregou.

Agradeci e limpei-me como pude.

"Bem, vamos sair ao pôr-do-sol." ele avisou, "Limpem essa bagunça, façam o que precisam fazer, mas esteja aqui antes de sairmos. Não esperamos ninguém."

"Ok!" Chaeyoung assentiu, entregando-lhe o saco de ouro, mas, para nossa surpresa, ele recusou.

"Você vai precisar disso quando chegarmos ao País das Maravilhas. Acredite, será útil." ele disse, dirigindo-se para a entrada e saída do navio, "E filha do Yachi!" ele começou, se virando antes de sair, "Se você deseja acompanhar o sua amiga na viagem, se inclua nesta carona."

Dizendo isso, o pirata se afastou, deixando-nos em um silêncio incómodo e uma bagunça para limpar.

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Mantivemos nosso silêncio enquanto fizemos nosso trabalho. Havíamos cortado tantas cordas, chutado e quebrado tantas caixas que acabaram causando uma verdadeira bagunça.

O sol já estava apontando para o mar quando terminamos nossos deveres. Eu observava o horizonte quando alguém cutucou meu braço. Para minha surpresa, Chaeyoung estava me oferecendo um frasco de água. Peguei com um aceno e tomei metade da garrafa.

"Obrigada!" agradeci, devolvendo o frasco para ela.

Ela pegou com um aceno e voltou para o banquinho ao lado da entrada que estava descansando antes. A observei por um tempo, mas a menina não retornou meu olhar, então não insisti e voltei minha atenção para o horizonte ao meu lado.

"Atenção, companheiros!" gritou o Capitão Gancho, entrando no navio, "E companheiras!" ele acrescentou acenando para mim e Chaeyoung, "Este navio está prestes a navegar!"

Enquanto os marinheiros preparavam o navio para a viagem, o capitão andou em minha direção.

"Se você não irá ficar, eu aconselharia você a sair agora" ele me disse.

Eu balancei minha cabeça.

"Não. Eu ficarei." eu disse, olhando para uma pensativa Chaeyoung.

"Eu presumi." ele deu uns tapinhas no meu braço e dirigiu-se ao convés principal.

Voltei meus olhos para o horizonte. O sol quase tocava a água agora. Era uma visão tão bonita, minha favorita, na verdade. Aquilo machucava meu coração, saber que não poderia ficar para ver aquele esplêndido horizonte todos os dias. Viajar por todos os lugares, cada terra e reino. Era meu sonho desde de que eu podia me lembrar, no entanto, nenhum sonho valia a vida de minha amiga. Tzuyu precisava daquela cura, cura essa que só podia ser encontrada no País das Maravilhas.

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Eu poderia passar uma vida assistindo as madeiras do navio fazer ondas ligeiras na água, enquanto ele se dirigia para a frente. O céu era uma mistura de cinza, branco e laranja, o sol quase estava dormindo nos braços do oceano, e o cheiro de água parecia hidratar meus pulmões. O vento contra meu rosto e meu cabelo me dava uma sensação de liberdade que nada mais conseguia me transmitir. Eu só queria aproveitar cada segundo daquilo.

"Vejo que você é realmente uma amante do mar, meu amor." disse uma voz se aproximando, e logo que girei minha cabeça pude ver o capitão sorrindo para mim.

"Mesmo que meu pai nunca tivesse me permitido entrar em seu navio, sempre gostei de admirar o oceano." eu disse, retornando o sorriso dele.

Ele manteve seu sorriso antes de mudar seus olhos para o horizonte à nossa frente. Eu fiz o mesmo e ficamos assim por um tempo.

"Ainda não entendo porquê você quer essa." ele disse, sem tirar os olhos do oceano.

"Pensei que você também fosse um amante do mar?" eu fiz uma careta.

"Eu sou." ele se apressou em dizer, "O mar é minha terra. O Jolly Roger, meu lar e o maior amigo.”

Ele abaixou a cabeça, mas pude ver seus olhos distantes.

"Mas é uma vida solitária, meu amor." ele continuou, "Não importa quantos homens eu tenha ao meu redor. Há um buraco no meu coração que não pode ser preenchido."

Ao dizer sua última frase, ele finalmente ergueu os olhos para mim.

"Perdi aqueles que faziam essa vida valer a pena. A vida de um pirata, embora vazia, é tudo o que eu tenho."

O observei por alguns instantes. Seus olhos azuis cheios de lágrimas. Eu nunca acreditaria que ele fosse o famoso Capitão Gancho, o pirata implacável e arrogante, apenas olhando para ele naquele momento. Não naquele momento.

"Eu troquei a vida de marinheiro pela de pirata quando meu irmão, minha única família, morreu em meus braços." ele começou, "eu estava sozinho, mas você não está."

Foi minha vez de abaixar a cabeça. Eu não tinha ideia de que aquele pirata tinha um passado tão infeliz.

"Eu adoraria ter você em meu navio,” ele disse, "mas posso deixar você ficar quando você já tem uma família."

O pirata virou a cabeça e, seguindo sua ação, pude ver o que, ou quem, ele estava olhando. Chaeyoung ainda estava sentada em seu banquinho, pensativamente olhando o frasco em suas mãos.

Volteamos nossas cabeças e nossos olhos se encontraram.

"O oceano sempre estará aí, mas, infelizmente, aqueles que amamos tem data de validade.”

Ele bagunçou meu cabelo e dirigiu-se a sua cabine.

Suspirei e retomei meus olhos para o horizonte. O céu tinha um tom mais forte de laranja agora, um que logo seria substituído por um tom azul escuro. Eu tinha que confessar que uma parte de mim não estava surpresa com a sabedoria do pirata. Embora muitos tivessem apenas coisas ruins a dizer sobre ele, meu pai tinha visto seu lado generoso, e agora eu também havia testemunhado tal lado.

Dei uns tapinhas na borda do navio. Ato aleatório que talvez tivesse sido um pedido inconsciente de boa sorte. Enfim, colecionei toda minha coragem e peguei um banquinho, colocando-o ao lado de Chaeyoung. Sentei, enquanto a menina não movia um músculo.

Aquela não seria uma tarefa fácil. Em um ano inteiro de enfrentando cavaleiros, ladrões e bruxas juntas, nunca havíamos brigado sequer uma única vez. Ironicamente, havíamos tido dois tipos de “briga” naquele mesmo dia.

"Posso beber um tico mais de água?" perguntei, ainda sem saber como eu começaria aquela conversar.

Eu sabia que "Me desculpe" era a forma necessária de começar, mas ainda tinha medo de sua resposta.

Ela me entregou o frasco, nem sequer me espiando por um segundo. Peguei a garrafa e tomei um pouco. Suspirei, tendo tomando toda coragem que consegui para pronunciar as minhas próximas palavras.

"Me desculpe."

Ela não respondeu, nem sequer se moveu, e eu me perguntei o quanta dor minhas palavras anteriores haviam causado. Chaeyoung tinha um coração de ouro. Ela amava Tzuyu, e arriscar sua vida nunca seria uma opção para ela. Minhas palavras foram duras, mas ainda estava convencida de que foram necessárias.

"Eu conheço seu coração." eu continuei. Aquele silêncio era muito angustiante para eu lidar com ele por mais tempo, "Eu sei o quanto você se importa com ela, sei que você nunca arriscaria sua vida assim."

"Talvez sim." ela disse, limpando suas botas com um tecido que havia tirando do bolso, "Talvez eu já tenha arriscado."

Eu franzi a testa, confusa com suas palavras.

"O que quer dizer?"

Chaeyoung parou de limpar suas botas, mas não voltou seu olhar para mim, só ficou parada, observando seus sapatos semi limpos. Alguns segundos depois, ela pegou algo dentro de sua bota, um frasquinho de vidro com algum líquido verde brilhante dentro dele. Ela me mostrou o frasco.

"O que é isso?" perguntei.

"Uma porção.” ela respondeu, "Uma porção que pode me transformar em uma sereia completa. Uma que pode me fazer viajar entre reinos."

Meus olhos arregalaram. Se ela tinha aquilo aquele tempo todo, por que não usou antes? Cada segundo que desperdiçavam era um passo de Tzuyu mais perto da morte. Eu ia perguntar a ela sobre isso, mas então algo me veio à mente. Chaeyoung ficava aterrorizada só em pensar em ficar debaixo d’água. Talvez fosse por isso que ela estava tão quieta durante a viagem até agora.

Os olhos da menina estavam cheios de água, e era evidente que elas as segurava para não caírem. Toquei a mão que estava segurando a porção.

"Está tudo bem, Chae. É compreensível que você tenha medo."

Chaeyoung era uma garota forte. Assim como Mulan, ela entrou para p exército do rei fingindo que ser um rapaz. Treinada por Mulan, ela se tornou um verdadeiro prodígio dentro do exército. Mas foi depois da primeira guerra, quando descobriram que ela tinha uma aliança com o inimigo (Mulan, que assim como ela, não desejava nada mais senão paz entre os reinos), que a pequena teve de fugir com seu amigo, o único que sabia sobre sua verdadeira identidade além de Mulan. Ambos se tornaram traidores para o nosso reino, e foi quando eles estavam correndo ao pé do mar, que seu amigo morreu, bem na frente dela, pelas mãos de sereias vingativas.

Eu abracei a baixinha, quem agora estava chorando até soluçar.

"Tudo bem." eu disse, acariciando seus cabelos.

"Não, não está!” ela insistiu, "Eu peguei a porção porque pensei que poderia usá-la, mas não pude!"

Eu a abracei mais forte.

"Eu poderia ter a usado isso em seu lugar." eu disse.

"Não!" ela disse, "O homem que me deu a porção usou meu cabelo para fazê-la. Só posso usá-la!"

A menina soluçou em meus braços por pelo menos dois minutos completos, antes de quebrarmos o abraço e eu limpar suas lágrimas.

"Está tudo bem! Não importa mais. Estamos prestes a chegar ao País das Maravilhas. Tzuyu ficará bem!" eu disse, tentando levantar a cabeça da menina, "Ok?"

Chaeyoung assentiu. Seu rostinho fofo todo molhado e vermelho depois de tanto chorar.

"Vem aqui!" eu a abracei novamente, e desta vez foi breve.

Nós não quebramos o abraço, ela simplesmente deslizou até meu ombro, descansando sua cabeça lá enquanto entrelaçávamos nossas mãos e observávamos o sol desaparecer, dando espaço a um céu azul escuro sem lua.

"Segurem-se, companheiros! Estamos prestes a ir para o País das Maravilhas!" gritou o capitão, e seus homens apressaram-se a preparar o navio para seja lá o que estava prestes a acontecer, "Mocinhas, se preparem! Um mar agitado estamos prestes a enfrentar!"

Dizendo aquilo ele jogou algo, um feijão brilhante, pelo que eu pude ver, em direção ao oceano.

Poucos segundos depois, pude entender seu aviso. Um redemoinho gigante havia se formado no mar. O navio começou a tremer, e Chaeyoung e eu nos seguramos em algumas cordas buscando equilíbrio e segurança.

Eu vi o capitão correr em direção ao leme do navio.

"Próxima parada: País das Maravilhas!" ele sorriu, e mal consegui escutar suas palavras graças ao vento duro e às águas severas.

Trouxe Chaeyoung para mais perto de mim, ainda me certificando de segurar as cordas com firmeza. A pobrezinha estava aterrorizada com tudo aquilo. Água por toda parte, tudo estava tremendo, e por um momento pensei que seríamos jogados para fora do navio.

Foi só quando passamos pelo buraco do mar, quando o navio descansou pacificamente sobre uma água calma, que pudemos respirar aliviados.

"Aí está!" disse o capitão, movendo-se para o convés, "O País das maravilhas!"

Chaeyoung e eu trocamos um olhar, e mesmo que ainda estivesse tremendo da cabeça aos pés, ela conseguiu espelhar meu sorriso. Nós conseguimos. Finalmente chegamos ao País das Maravilhas. Finalmente encontraríamos a cura de Tzuyu.


Notas Finais


Obrigada por ter lido!

Talvez eu faça mais fics seguindo esse universo alternativo, não sei, mas independente disso, espero que tenha tido uma leitura minimamente agradável!

Se quiser comentar alguma coisa a respeito da one shot, ou tenha alguma dúvida sobre ela, por favor, não se cale! Ficarei feliz em responder seu comentário.

É isso, até a próxima!


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