História A morte não é algo ruim - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol
Tags Boyxboy, Chanbaek, Depressão, Exo, Suícidio, Yaoi
Visualizações 124
Palavras 2.067
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


pessoal quase eu ia esquecendo de postar (de novo q) mas cá estou eu, postando maravilhosa <3
Jájá respondo os comentários de vcs do último capítulo ♡♡♡♡
A estória já está se desenvolvendo, estou ansiosa para postar o próximo ><'
Leiam <33

Capítulo 4 - 4; E não deixe alguém morrer sozinho


FINAL DE OUTUBRO, 1996

CHANYEOL

* * *

Estou deitado na minha cama, deitado todo torto e pensando em vender a minha parte na empresa do meu avô. Mas não faz sentido eu querer vender, quero dizer, vou ganhar muito dinheiro fazendo isso? Vou. Mas eu irei morrer de qualquer forma e eu não tenho filhos para deixar algum dinheiro. Parando para pensar, e sou uma pessoa tão solitária, quero dizer, eu não tenho namorada, não tenho irmãos e o meu avô, a melhor pessoa que conheci, morreu há um ano. Eu sou sozinho. Olha só eu, bonito, rico, posso ter a pessoa que eu quiser, mas sou sozinho. E 'pra completar: Vou morrer daqui há 4 meses. Tem como ficar pior? Tem. Fui rejeitado por um garotinho.

Isso não saiu da minha cabeça durante todo esses 6 dias após aquele pequeno rabugento me dar um fora ao vivo, sem ao menos cogitar. Mas por que eu me importo mesmo? Quer dizer, o azar é completamente dele por perder a oportunidade de beijar meus lábios enquanto ainda há tempo, porque depois ele vai querer beijar um cadáver e isso não vai ser legal.

Isso me deixa frustrado, puxa vida. Melhor eu não pensar mais nisso, é, eu não preciso pensar em coisas que me deixam ‘pra baixo, afinal, eu sou Park Chanyeol, muitas pessoas morreriam para estar no meu lugar! Quer dizer... não se soubessem que eu estou morrendo.

Tem uns dias que Kim Minseok me receitou alguns remédios, comprei todos e estou tomando diariamente, Minseok disse que os efeitos da quimioterapia serão bem mais piores que os efeitos desses remédios. Os remédios que estou tomando são fortes demais e me fazem sentir tonto, fora que me fazem vomitar até o meu café da manhã, mas eu não posso deixar de comer senão as coisas pioram. Não quero nem pensar na quimioterapia, começamos a fazer depois de amanhã, meu estômago já dói só de saber que vou perder meu cabelo, coitado, viveu tão pouco. Eu vou morrer, sei que vou, mas ainda quero viver mais que 4 meses, por isso vou fazer essa porcaria. E também porque Minseok insistiu muito. Não quero morrer daqui a 4 meses, quero viver no minimo 1 ano, eu sei que posso aguentar 1 ano.

Ouço meu celular tocar e pego ele debaixo do travesseiro, atendo percebendo ser Yifan. Meu melhor amigo desde a 5ª série.

— Hey. — digo assim que atendo.

Hey Chan, faz dias que não te vejo. — ele diz, a voz baixa e suave, parece até que está chapado.

— Sei, ando muito ocupado.

Percebi, não atende minhas ligações e nem me retorna depois, você pelo menos vê que eu liguei…? Enfim, não quer sair mais tarde? Sei lá, tomar uma cervejinha, dormir com garotas, não sei, só quero sair de casa com meu melhor amigo nesse fim de semana tedioso.

— Realmente, muito tedioso.

Vamos?

Sinto meu estômago revirar e já sinto o vômito passando pela minha garganta, corro para o banheiro e vomito todo o meu almoço dentro do vaso sanitário. Minha garganta arde e um gosto azedo fica em minha língua, é horrível.

Pego o telefone que há pouco joguei no chão e ponho na orelha.

— 'Pô cara, eu... — falo com dificuldade, minha garganta ainda dói. — eu acho que não posso ir, talvez outro dia.

— 'Tá tudo bem, cara? — perguntou em um tom preocupado.

— Só um pouco enjoado.

Deveria ir no médico, Chanyeol. Você vive trabalhando, deve ser o estresse, ultimamente você anda tão ocupado, até está fugindo de mim. — não consigo distinguir se ele falou sério ou está só brincando.

— Eu irei. Até mais.

Até.

Encerro a ligação e encosto-me na parede do banheiro. Não, eu não contei para ele sobre o câncer, e por que contaria? Não quero que ninguém saiba, ninguém mesmo, não quero que ninguém sinta pena de mim ou me trate diferente só porque fui diagnosticado com câncer. Não, não quero pessoas artificiais ao meu lado, tenho câncer mas isso não significa que eu sou um coitadinho, eu ainda tenho o meu orgulho.

Mas sabe, ninguém sabe como o câncer vem, ninguém pode impedir, uma hora eles vão ter que saber, mas de preferência, espero que só saiba quando eu estiver morto e dentro do caixão. Não quero que ninguém sofra comigo, que sinta as minhas dores, todos têm suas vidas para viver, por que eu iria atrapalhar a vida deles com a minha? Eles merecem ser poupados disso, pelo menos os meus amigos, a minha mãe, todos a minha volta, merecem suas felicidades, e, convenhamos, saber que alguém próximo a você está morrendo não algo muito feliz.

Me levanto do chão rápido e me sinto tonto, ultimamente fazer coisas que antes eram normal para mim, se tornaram coisas cansativas demais, uma das desvantagens do câncer é se sentir cansado em fazer as coisas mais fáceis de fazer do mundo. Mas a desvantagem principal é a de se estar morrendo e você saber. Porque a maioria das pessoas não sabe quando vai morrer, mas uma pessoa que tem câncer sabe, ela sente isso todos os dias, o seu corpo a avisa todos os dias, como um lembrete de “Hey, não fique tão feliz hoje, você ainda vai morrer”. Eu meio que ainda estou tentando aceitar isso.

Volto para a cama e durmo até de noite, tendo um sonho estranho onde eu sou rei da inglaterra, mas aquele garoto, tal de Baekhyun, rouba o meu trono. Mas ele fica tão atraente usando aquela coroa, que droga. Até no sonho me sinto esquisito.

Acordo ouvindo o barulho da campainha estridente que faz meu ouvido doer, me levanto da cama sentindo mais frio que o normal, então ponho o casaco e coloco as pantufas de coelhinho. Saio do quarto e atendo a porta, dou de cara com um baixinho que usa uma máscara branca e uma touca preta. Seus olhos são grandes.

— Park Chanyeol? — pergunta com a voz baixa.

— Uhum. — afirmo. — quem é você?

Ele abaixa a máscara e permanece sério. Dá medo. Mas sinto que já vi esse olhudo em algum canto.

— Do Kyungsoo, eu poderia conversar com você?

— Olha, se você for uma daquelas pessoas da igreja que...

— Não, eu vim falar sobre alguém que talvez te interesse muito.

Bufei.

— Ninguém me interessa, desculpa.

Ia fechar a porta, mas as mão do outro foram mais ágeis e seguraram a porta. Senti aquilo como um tipo de desafio.

— Nem Byun Baekhyun? — disse baixo.

Arregalo os olhos e olho para ele, em seguida deixo que ele entre. O rapaz se senta no sofá enquanto olha por toda a minha enorme — e desnecessária — sala de estar.

— Bonita a casa.

— Pois é, né? Era do meu avô, ele deixou 'pra mim porque sou o único neto dele, desde pequena queria ser dono dela, acho ela muito bonita e... — parei de falar ao notar que o rapaz me olhava com um semblante estranho. — Enfim, Kyungsoo, né? O que você quer? Não me diz que você é... O namorado do Baekhyun? Droga. Foi mal cara, eu não sabia que ele já era comprometido, foi mal mesmo.

Ele relaxou as costas no sofá e deu uma risada baixa.

— Eu quero que você saia com o Baekhyun, Chanyeol. Quero não, preciso.

Franzi o cenho, não entendi.

—Oi? Como assim? Você não... é o namorado dele?

Ele balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Baekhyun não tem namorado, Chanyeol. Na verdade, nem amigos ele tem.

— Por quê? — pergunto me sentindo um pouco mal por aquele garoto.

— Isso... É um pouco complicado, Chanyeol. Eu só preciso de verdade que você saia com ele, é importante que você faça isso.

— Mas por quê? Por que eu tenho que fazer isso? — pergunto meio desesperado.

— Porque o Baekhyun não sai, Chanyeol. Ele não sai, simplesmente não sai. Nem para comer, ele come dentro do quarto. Ele simplesmente não sai.

Fiquei mais confuso ainda.

— Por quê...?

Kyungsoo suspirou.

— Eu não posso te contar muitos detalhes por causa do sigilo médico, mas o Baekhyun sofre de uma doença mental crônica chamada sociofobia. E essa doença acabou trazendo consigo a sua síndrome do pânico e depressão.

Me senti desnorteado, meu rosto pareceu ficar vermelho.

— M-me explica isso... Por favor. Eu quero entender.

— C-Chanyeol, eu não posso falar muita-

— Conta, conta ou eu não ajudo em nada. E eu estou falando sério.

Kyungsoo suspirou, parecia mais difícil para ele falar do que para mim ouvir.

— Baekhyun não consegue falar com pessoas, não consegue ver pessoas e muito menos sair de casa. Ele se sente nervoso e ansioso, mais que uma pessoa normal, o coração dele bate muito rápido e as mão ficam geladas, ele não consegue respirar e todo esse seu medo faz que ele fantasie que as pessoas estão o julgando. Eu sou psicólogo dele há 4 anos, aparentemente, ele está no mesmo estado há exatos 6 anos e 9 meses, a psicoterapia não está funcionando por mais que eu diga que está, não está, e os antidepressivos e os sedativos não estão ajudando muito também, porque ele não sai nem do quarto. E quando sai... Ele surta. — respirou, parecia aliviado em ter tirado tanta coisa da cabeça.

— "Surta"? — minha cara era de quem estava muito chocado.

— Quebra tudo e chega até a ser violento.

— Mas, isso não é esquizofrenia então? Quer dizer, eu não sei muita coisa, mas o meu avô era esquizofrênico e ele também era assim às vezes.

— Não. No começo eu achei que fosse uma esquizofrenia de humor, onde ele se sente ansioso e paranoico, mas Baekhyun nem sempre foi assim, alguns fatos ocorreram para que o levasse à esta condição. Baekhyun não é sociável e não vai a escola desde os 17 anos e realmente não tem amigos, não sai e não fala com absolutamente ninguém que não conhece e até com quem ele conhece — levantou a cabeça que antes estava abaixada. — isso até antes de você aparecer, claro.

Ergui as sobrancelhas.

— Eu aparecer?

— Sim, sr. Park, ele falou com você, aliás, falou mais de uma palavra, fiquei impressionado com aquilo. Por acaso, na noite em que vocês se conheceram, Baekhyun disse mais alguma coisa?

Engoli seco.

— Ele estava com medo aquele dia, mas estava um pouco calado, só me brigou e disse que estava com medo. E ele chorou... Chorou muito.

Kyungsoo coçou o queixo.

— Estou dizendo... Baekhyun nunca fala com pessoas, quem dirá chorar na frente de pessoas. Você fez ele fazer coisas que ele nunca fez durante 6 anos, Chanyeol. O tratamento do Baekhyun já passou por muito tempo e eu estou começando a ficar sem esperanças. Então por favor, ajude o Baekhyun a superar esse trauma. Por favor, eu imploro.

Seu olhar era de dor, claro que era. Já é difícil para mim saber que existem pessoas nessas condições, imagine para ele, que convive com isso todos os dias, que vê alguém sofrendo daquele jeito e não pode fazer praticamente nada para ajudar. Deve ser horrível.

— Como ele ficou assim? — pergunto cortando o silêncio.

— Eu realmente... Não posso contar. Mas se você quiser saber mesmo, pode perguntar a ele. Quem sabe ele te fale. Acredito que ele possa melhorar se você conversar com ele.

Senti meu peito apertar, veja bem, é exatamente por isso que eu não quero que as pessoas saibam do câncer, porque elas vão sentir por mim a mesma coisa que eu estou sentindo pelo Baekhyun agora: pena. Eu queria não sentir, mas realmente me sinto mal por ele.

Ele não parecia ser assim quando eu o conheci, não parecia mesmo, e isto só me faz perceber como as pessoas não aparentam ser o que elas realmente são. Baekhyun tem sociofobia, eu tenho câncer. Estamos morrendo aos poucos e sozinhos. Quantas pessoas morreram por aí sozinhas? Muitas. Um número incontável de pessoas já sofreram sozinhas, caladas, não porque não querem falar com outras pessoas, mas porque simplesmente não conseguem. Mas, se depender de mim, menos uma pessoa no mundo vai morrer só. Porque, enquanto eu viver, eu prometo que Byun Baekhyun não estará sozinho nem um segundo sequer.

— É por isso que eu não posso diagnosticá-lo com esquizofrenia, Sr. Park. — continuou, parecia triste.

— Por quê?

— Porque, aparentemente, esquizofrenia não tem cura… E eu acredito que Baekhyun possa viver como uma pessoa normal novamente sem ajuda de remédios, porque fobia social há cura com terapia, e eu quero muito acreditar que ele pode ser curado. Eu só preciso que você me ajude.

Eu sou a cura para Byun Baekhyun.


Notas Finais


espero que tenham entendido algo, amo vcs eh isto, ATÉ DOMINGOOOOOO <3


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