História A Residente - Capítulo 20


Escrita por: ~

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Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Taeyeon, Tiffany, Yuri
Tags Girls' Generation, Snsd, Taeny, Yulsic
Visualizações 360
Palavras 3.583
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha só quem não demorou muito para vim com a atualização? UAHUSHAU bicho, nem acredito. Jesus seja glorificado. Amém igreja.
Enfim, como prometido, capítulo inteiramente com o pov da Yuri, consequentemente com Yulsic, pra ninguém querer vim me dar pedrada depois :D Confesso que agora me sinto um pouco mais íntima para escrever elas e estou amando isso, porque tudo anda fluindo perfeitamente em minha cabeça. Espero que gostem.
Aproveitando, queria saber se vocês estão gostando do desenrolar da fic. Parece que tudo tá acontecendo rapidamente, mas é que quando eu resolvi escrever esta estória, quis as personagens mais intensas e profundas, em suas atitudes. Por tanto, isso foi proposital. Só para deixar esclarecido mesmo.
Sem mais delongas.
Boa leitura.

Capítulo 20 - Capítulo 19


P.O.V Yuri

Foi um árduo teste de esforço que fiz, para me manter acordada e conversar com a Tiffany. O enjoo me tomou por completa, e a mente que girava sem parar, só me fazia ansiar pela minha cama e me entregar a qualquer resquício de paz que tivesse. Mostrei todo o conteúdo do e-mail para ela, e acabei ficando com uma sensação terrível de que parecia estar obrigando-a a voltar para o Brooklyn, ainda mais sozinha. Não fiquei de acordo com a sua escolha, deixa-la ir para aquele lugar, ainda mais com o seu irmão lá, chegava a me arrepiar a espinha, e corroer a minha alma com tanta raiva que sentia deles – dele em especial. Mas ela sempre foi uma pessoa teimosa e ingênua, não importava a circunstância. Mantinha aquele olhar vago e perdido em devaneios, sempre que precisava tomar uma decisão tão complicada como esta, mas o coração mantinha-se sereno. Pacífico. Sempre convicta das suas decisões. 

Tiffany sempre foi aquele tipo de pessoa que acreditava em segundas e terceiras chances, quando na verdade não merecia dar uma sequer. Isso me irritava demasiadamente, já virou clichê eu dizer para ela que tudo tinha limites, mas sempre que parava para me escutar falando isso, me sentia ridícula - dar murro em ponto de faca, não era comigo. Decidi ir dormir, no instante em que ela afirmou com veemência, que iria voltar para ver a sua mãe. Uma sensação de incômodo me tomou repentinamente, e me afastar daquela fragilidade dela, foi a melhor coisa que fiz, ou começaríamos a discutir naquela hora da madrugada. Jamais suportei àquela atitude submissa que ela sempre tinha, como se tivesse alguma obrigação com eles.

Meu dia começou lá pelas 11am, quando acordei com o barulho estridente vindo da campainha. Havia me esquecido totalmente que as compras que acabei fazendo pela internet, chegariam hoje. Uma das coisas que eu passei a apreciar mais em LA, era essa vida “fácil” que a gente passou a ter. Saber que o supermercado havia site e que poderia fazer as compras online, nos poupou de uma boa parte do tempo, o que poderia muito bem ser melhor aproveitado pela gente.

Quando terminei de guardar toda a compra e fazer uma limpeza geral na cozinha, coloquei o café para ser feito, e depois fui separar os ingredientes para fazer um macarrão com queijo, afim de ajeitar o meu almoço. Confesso que fome não havia alguma, a ressaca foi tanta que perdi a conta, de quantos copo com água eu tomei, em meio à minha pequena faxina. Por alguma força, ainda que desconhecida por mim, deixei a cozinha quase que impecável. Peguei a minha caneca preta preferida e preenchi todo o café que havia feito, e deixei o macarrão no fogo, seguindo para o meu quarto.

Sorvi pequenos goles do café quente, enquanto me perdia em devaneios, olhando janela à fora. Aquele momento estranho em que você fixa em um ponto, mas não consegue pensar em absolutamente nada. Haviam tantas questões que eu ansiava em resolver, mas nem tudo dependia só de mim. É desgastante demais quando a gente tenta ajudar uma pessoa, enquanto ela simplesmente não se ajuda. Cada vez mais que ela cavava o buraco, afundava a minha vontade de querer ajudar.

Era o tipo de batalha que de cara, já deveria deixar o pano branco cair no chão. Eu desisto. Eu me rendo. Você venceu. Faça o que quer da sua vida. Tome as rédeas dela e a ministre do jeito que você bem entender. Deveria optar por isso, não deveria? Mas arrependimento era algo que nunca me apeteceu em hipótese alguma. Era muito mais fácil para mim lutar pelo o que acreditava, a ter que ficar parada, assistindo de camarote todo o sofrimento de uma pessoa que era importante demais em minha vida. Mas eu sabia também reconhecer uma batalha, quando perdida por mim.

Resolvi ligar para os meus pais, que haviam voltado para a Coreia, com o pensamento de que eles pudessem fazer algo para que Tiffany pudesse escutar eles, já que eu não conseguia surtir mais efeito algum sobre ela. O fato de eles nunca terem gostado dos EUA, não os impediram de voltar para a sua Terra natal, somente quando eu e Tiffany já estivéssemos encaminhadas na vida. E foi o que fizeram, assim que passamos na residência. Lembro que quando era criança, morei em vários lugares diferentes, por conta do emprego do meu pai. Mas o Brooklyn havia sido o último lugar, e com as coisas que nos deparamos por lá, a sua aposentadoria chegou em uma hora oportuna. A Coreia era o seu lar, e o seu desejo de findar as suas raízes nativas, nunca passou despercebido. Ele amava o seu país.

No momento em que peguei o celular para desbloquear a tela e discar no número da minha mãe, vejo uma chamada aparecendo. Respirei profundamente, tentando afastar a impaciência que me acometeu, ao ver o nome do Charlie.

- Fala seu gay. – Respondi sem um pingo de animação no tom de voz e tomei um gole do café, voltando para a cozinha.

- Bicha tu está viva? Eu fiquei com medo de te deixar voltar sozinha. – Escutei a sua gargalhada do outro lado da linha, acabando por me preencher de uma forma divertida. Mas lembrar daquela noite, era tudo o que eu não precisava nesse exato momento.

- Que medo o que, não sabe que Deus protege os bêbados? - Brinquei. Mudei a direção dos meus pensamentos para tentar me alegrar momentaneamente, enquanto colocava a caneca em cima do balcão. – O que é que tu mandas filho?

- Eu imagino que sim. – Respondeu com uma leve agitação em seu tom de voz. – Vai rolar food truck hoje no campus da universidade, está afim? Podemos chegar umas 2 horas antes de iniciar o plantão.

- Opa, sério? Me parece ótimo. – Caminhei até o armário e peguei um prato. – Mas, você chamou mais alguém? - Indaguei meio receosa de ter que lidar com Sarah, fora do ambiente de trabalho.

- Ninguém, só eu e você mesmo. Acho que quando Peter sair do trabalho, já será a hora que teremos de voltar para o hospital, então ...

- Tudo bem então, às 4pm ok? - Respondi mais animada pela sua resposta.

- Ok, até lá.

- Okidoki.

Assim que nos despedimos, tratei de terminar de fazer o meu almoço e mandar uma mensagem para minha mãe.

***

Saímos de um truck de cachorro-quente gourmet, equilibrando nossas bandejas com o refrigerante, e seguimos para o gramado imenso, coberto por mesas e cadeiras de metais. O campus estava consideravelmente cheio, com vários trucks dispersos por todo o ambiente arborizado. O cardápio era variado e se estendia desde comida árabe à comida italiana, tinha para todos os gostos e para ninguém colocar defeito. Olhei por todo o lugar ao meu alcance e todas as mesas haviam sido ocupadas. Alguns grupos de estudantes estavam alojados pelo gramado, então eu e o Charlie decidimos fazer o mesmo. Nos sentamos um pouco mais afastados das mesas, procurando um lugar mais tranquilo para conversar melhor e relaxar antes do nosso turno.

- Esses trucks são das famílias de muitos estudantes do campus - Charlie mostrou o seu conhecimento, nas vidas alheias. Me perguntava sempre como ele e o Peter ficavam sabendo das coisas. 

- Jura? - Dei uma dentada grande no cachorro quente. – Como você sabe disso? - Não me importei em perguntar com a boca cheia. Peguei o guardanapo e limpei o canto da boca que escorregava catchup.

- Fundos de garantia para a formatura. – Falou como se fosse o expert no assunto. – Mas como foi chegar em casa ontem? Pensei em te ligar quando cheguei em casa, mas Peter dormiu comigo. – Sorriu sugestivo, me fazendo revirar os olhos.

- Sei lá bicho. – Dei de ombros e tratei de morder outro pedaço do cachorro quente. – Tiffany ficou puta com a minha cara.

- Eu não entendi nada do que rolou ontem. Num instante você estava bem, no outro beijou a Sarah, depois saiu do pub e voltou parecendo que estava possuída. Misturou as bebidas todas, só não misturou com reboco de parede porque não era líquido. Surtou?

Não consegui conter uma gargalhada, por causa da maneira descontraída que o Charlie repassou toda a cena na minha cabeça. – Eu não lembro de muita coisa. – Enfiei o dedo melado de molho na boca. – Tá que beijei a Sarah, mas sei lá, foi algo tão espontâneo. Não pensei, só fiz – Encarei brevemente o último pedaço do meu cachorro-quente e voltei a encarar o Charlie. – A Jessica apareceu por lá, depois que eu beijei a Sarah.

- Jessica? A doutora? - Indagou com o cenho franzido, num misto de confusão e surpresa. – Mas ela foi para beber ou foi falar com você? Aconteceu alguma coisa no plantão?

- Falar comigo. – Soltei de vez e peguei o refrigerante, deixando o Charlie visivelmente mais confuso. – Pelo menos foi o que pensei. – Respirei fundo e suguei o refrigerante pelo canudo. - Olha, preciso te contar uma coisa, não é nada demais, foi só algo que aconteceu entre a gente. Mas ninguém sabe disso ainda.

- Não me diga que você está pegando a ice doctor?! - Estreitou os olhos e sorriu malicioso. – Ué, mas ela não é casada com a outra lá?

- Sei lá, acho que estão no meio de uma separação. Mas a gente se beijou no elevador, quer dizer, eu a beijei. – Abri um sorriso sugestivo. – E né, ela não fez nada. Então ... quem cala consente – Limpei a garganta com o resto de coca e peguei o segundo cachorro-quente, na minha bandeja.

- Não brinca comigo? OH MEU DEUS

- Não é brincadeira, mas não deu em nada e acho que nem vai dar. – Admiti com um certo tom de melancolia, mais do que eu gostaria de ter demonstrado. – Ela me parece ser complicada demais. Enfim, por isso eu saí do pub, porque eu havia convidado ela para vim com a gente, e ela disse que não podia, ficou lá enrolando e dizendo umas coisas, que não era tão simples e tal. Mas me apareceu bem na hora que beijei Sarah. – Larguei a metade do cachorro quente na bandeja, me sentindo já bastante saciada. – Foi tudo tão confuso.

- Você acha que ela voltou depois para ficar com você? - Pegou o refrigerante e virou a lata na boca.

- Ficar comigo? - Arqueei a sobrancelha, achando aquela pergunta extremamente curiosa. Decidi deitar no gramado de barriga para cima, fitando o emaranhado de cores no céu. – Não sei. – Encarei a imensidão azulada com poucas nuvens, sentindo o leve esquentar do sol em minha pele, indicando que já iria se pôr. – Sabe quando você sente que a pessoa quer, mas no fundo tem receio de alguma coisa?

- Vai terminar de comer o seu?

- O que? - Virei a cabeça para ele, enquanto pegava o restante do meu cachorro quente. - Aff não, pode comer.

Voltei a encarar a grande imensidão. Repousei minhas mãos em minha barriga e fiquei numa conversa muda comigo mesma, sentindo a minha respiração lenta. Por um breve momento, pude me arrepender amargamente de ter perdido esse dia maravilhoso. O dia havia acordado absolutamente lindo, o sol forte que cintilava no céu, durante todo o dia, me deixou com inveja dos tantos Angelinos que deveriam estar desfrutando dele. Sabia que a minha rotina era bastante corriqueira agora, mas entre um plantão e outro, sempre me sobrava algumas horas para relaxar e aproveitar. Mas graças ao convite do Charlie, pude apreciar um pouco desse restinho de tarde.

Quando iniciamos o plantão, resolvi passar rapidamente na ala da nutrição para ver Tiffany, e entregar a chave do carro. Quando Peter me contou que ela havia ido para o vestiário, segui diretamente para lá. Ela se encontrava sentada no banco, encarando o celular repousado em seu colo. Fiquei parada na porta, por uns segundos incontáveis, encarando a sua postura firme, quando resolvi anunciar a minha chegada.

- Hey, fiz macarronada. – Dispersei do seu devaneio e ela me olhou imediatamente, com uma certa impassibilidade. – Arrumei a bagunça da cozinha também. – Forcei um sorriso, tentando obter o mesmo em resposta.

Tiffany nada respondeu, apenas levantou-se do lugar, enfiando o celular no bolso da calça e seguiu para o seu armário. Estava totalmente alheia à minha presença. Sua atitude fria e rígida, denotada uma certa irritação, mas sabia que o seu interior era pura fragilidade. Ela estava em um conflito interno, e isso muito me preocupava.

- O que foi agora? Não vai falar comigo? - Desencostei da porta e segui para o seu armário.

- Por que sua mãe me ligou Yuri? - Indagou, no modo em que tirava a bolsa de dentro do armário, sem se importar em me olhar.

Só queria que você conversasse um pouco com ela.

- Para que? Para tentar me fazer mudar de ideia? Por favor, sabemos o que você está tentando fazer. - Falou ríspida.

- Cuidando de você, é o que estou tentando fazer. Não está muito claro para você? – Aumentei o tom de voz, enquanto ela batia a porta do seu armário.

- Não é a sua vida Yuri, muito menos essa decisão cabe a você ou os seus pais. - Ela pegou a chave bruscamente da minha mão e enfiou a bolsa tira colo, seguindo diretamente para a saída. – Agradeço a sua compaixão, mas não se envolva mais nisso.

Meneei a cabeça, inalando o ar profundamente e o soltei em exasperação, seguindo logo atrás dela. Me deparei com a Taeyeon que estava parada a meio metro da porta do vestiário, encarando Tiffany que entrava no elevador e se misturava ao pequeno fluxo do ambiente.

- Sinto muito por isso. – Lamentou-se assim que me viu parar e olhar para a direção do elevador. – Concedi à ela, 3 dias de folga para ir visitar a mãe.

Voltei minha atenção para ela, totalmente desacreditada das suas palavras. – Não deveria ter feito isso. Talvez a mãe dela tivesse merecido, quem sabe seja mãe de verdade na outra encarnação. – Respondi com uma certa rispidez, jogando toda a raiva para cima da mulher que parecia ter ficado surpresa com o que acabei de falar, e segui para a enfermaria.

Iniciei o meu plantão, com a cabeça aturdida e humor mais ácido do que uma fruta cítrica. Problemas com Tiffany. Problemas com a Sarah. Chateação com a Jessica. Algo lá no fundo, mas bem fundo e perdido em meu âmago, dizia que o meu plantão iria ser mais longo do que eu imaginava. Por sorte, Charlie ficou escalado para as cirurgias na pediatria, enquanto que eu fiquei na neurologia - o que não achei de todo um ruim afinal, não trabalharia diretamente com a Jessica e seria menos um problema para encarar.

A única coisa desconfortável, era as olhadas furtivas que a Sarah me lançava, sempre quando eu chegava na recepção para atualizar os prontuários dos pacientes, que ficaram designados para mim neste plantão. Não me importei com nenhuma delas. Existiam coisas mais conflitantes para eu lidar, do que com o seu nível de imaturidade. Para uma mulher que já tinha uma filha, e apesar da pouca idade, esperava uma postura mais madura, principalmente quando não havia questão emocional envolvida – pelo menos não da minha parte. Poderia encarar um beijo, de uma forma mais simplista e com irrelevância.

Assim que saí da minha primeira neurocirurgia, no meio da madrugada, resolvi fazer uma parada na cafeteria e descansar um pouco. 8 horas seguidas em pé, no meio de uma SO, fez com que todos os músculos do meu corpo, reclamassem em uníssono. Peguei um copo com café e me sentei em uma das mesas vazias. O ambiente consideravelmente gélido, fez com que eu me arrependesse de não ter pego o meu capote. Meu corpo tremia levemente, numa tentativa frustrada de gerar calor. Sorvi um grande gole do café, sentindo meu corpo começar a relaxar pela quentura do líquido. 

Até agora, durante o meu plantão, não havia visto Jessica. Por mais que eu tivesse sido designada para a área de neuro, eu sempre a via perambulando pelos corredores, entre uma cirurgia e outra, entre um paciente e outro. Não sabia se me sentia triste ou aliviada por isso. Parte de mim queria vê-la, saber como estava e quem sabe se tivesse um pouquinho de sorte, uma explicação por tudo o que aconteceu na noite passada, que se tornou confusa para mim. Mas a outra parte não fazia questão de entender, e até disparou um alarme dentro de mim, indicando que era para me afastar de uma pessoa visivelmente complicada. Confusa. Até mesmo insólita, mas de uma maneira diferente. Nunca havia conhecido uma mulher tão instável quanto ela.

Retirei o celular do bolso juntamente com o fone do ouvido, e liguei a minha playlist no modo aleatório, enquanto desfrutava do meu pequeno momento de paz interior. Duas coisas que me apeteciam em demasia: música e café - e não precisava absolutamente de mais nada para ficar em paz comigo mesma. Sorvia pequenos gole do líquido fumegante e balançava as pernas ao som de uma música mais agitada, deslizando o indicador na tela do meu celular para navegar pela internet. Com a cabeça baixa, e totalmente alheia às outras pessoas, naveguei por alguns sites aleatórios, perdida na iluminação da tela, que pairava em meu rosto.   

Não escutava nada ao meu redor, a não ser a música alta em meus ouvidos, que me embalava e fazia com que eu me tele transportasse para uma outra dimensão. Um nível a mais, melhorando repentinamente o meu humor. Quando peguei novamente o copo de café para bebericar, a vi sentada na cadeira em minha frente. Jessica estava acompanhada de uma salada de frutas, totalmente concentrada em suas colheradas. Há quanto tempo estaria ali? Segundos? Minutos? Senti meu coração começar a palpitar. Seu rosto parecia mais abrandado. Seus cabelos castanhos-ruivos, estavam perfeitamente presos em um rabo de cavalo, com leves ondas nas pontas. Fitei a figura serena à minha frente, e pude sentir um calorzinho me aquecer por dentro.

- Ressaca? - Vi seus lábios se moverem, mas não pude escutar o que ela havia dito.

Por questão de educação, resolvi desligar a música e retirar os fones do meu ouvido. E por outra questão que, um tanto desconhecida por mim, resolvi sucumbir à sua presença que fora repentina. - Perguntou alguma coisa doutora?

Seus olhos encontraram os meus, e com um leve sorriso, ela falou novamente. – Perguntei se você estava com ressaca.

- Ah sim. – Devolvi o sorriso fraco e segurei o meu copo com firmeza, mais por não saber aonde pôr as mãos, com um certo nervoso. – Um pouco, me sinto muito cansada.

- Compreendo. Ficou na neurologia hoje? - Abandonou a sua salada e pegou o guardanapo.

- Sim.

- Semana que vem eu irei fazer outro transplante, e como da outra vez eu solicitei o Charlie, coloquei você nessa. – Me olhou com atenção. – O que me diz?

- Sério? - Respondi mais animada do que desejei. – Quer dizer, uau.

- O que foi? - Seu cenho estava adoravelmente franzido.

- Desculpe, mas essa sua mudança repentina de humor, acabou me pegando de surpresa. – Peguei o copo de café e sorvi o último gole, enquanto a encarava. – Achei que não quisesse me ver, ou falar comigo, sei lá.

- Isso seria impossível Yuri, trabalhamos juntas, é inevitável. – Seus olhos me fitavam com atenção, e eu apenas balancei a cabeça, fazendo sinal de positivo.

- Eu sei, mas é que ontem, as coisas ficaram confusas. – Apertei levemente um lábio no outro, meio apreensiva. – Eu só não queria que ficasse clima ruim por conta do beijo, ou que você ache que estou forçando as coisas, sei lá. Você é casada e eu simplesmente não pensei nisso.

- Não se preocupe. – Falou tirando uma caneta do bolso do seu guarda-pó e puxou a minha mão. – Como não tenho papel aqui, e imagino que você também não tenha, vou deixar meu número pessoal com você e depois você anota no seu celular. – Começou a rabiscar a minha mão, com a sua caneta esferográfica preta.

- Por que? - Indaguei curiosa, sentindo um friozinho gostoso na barriga, num misto de surpresa e agitação.

- Trabalho aqui há muitos anos Yuri, e durante todo esse tempo, conhecendo e ajudando muitas pessoas, ninguém se interessou, ou até mesmo se importou em me conhecer. Tiram conclusões ao meu respeito, baseadas em fofocas. – Ela abriu um sorriso. - Aparentemente você é a única, agora que estou divorciada. – Ela enfiou o bocal na sua caneta e a guardou novamente. – E ao invés de se entupir com junk food nesses truck’s, eu posso cozinhar algo decente para a gente comer.

- Por mim está ótimo. – Encarei os números em minha mão por um segundo e voltei a fita-la com um sorriso.

- Te vi deitada no gramado hoje. – Foi direta. Levantou da cadeira e pegou o restante da sua salada. – Preciso voltar, tenho um marca-passo para colocar agora, mas não é tão excitante quanto um transplante. Bom plantão. – Piscou o olho ao se despedir.

- E Jessica?! – A chamei, assim que ela começou a se afastar. Levantei da cadeira e repousei minhas mãos na mesa enquanto ela se virava novamente para mim. – Só para você saber, a Sarah não é minha namorada.

- Agora eu sei. – Ela abriu um sorriso, revelando suas covinhas tentadoras e perdeu-se num fluxo constante de pessoas.

  


Notas Finais


E agora, será que Yulsic sai? UAHSAUASUAHS
Obrigada pelo constante apoio.
Voltarei novamente em breve !


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