História A Sinergia Azulada - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Drama, Naruto, Romance, Yaoi
Visualizações 12
Palavras 3.699
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Luta, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa é a minha primeira estória a ser escrita, então, por favor, meu querido leitor, faça vista grossa em relação a alguns erros que eu certamente deixei passar. De todo modo, quero adverti-lo que a história não será um drama tão pesado quanto o primeiro capítulo o é. Bem, pelo menos é isso o que planejo. Se você se deu ao trabalho de abrir esse texto, espero, de coração, que goste. Fiz com muito carinho e um bocado de dificuldade, pois não sou muito criativo. Um beijo com carinho. <3

Capítulo 1 - O azul da chuva


 Virei minha cabeça de lado um pouco porque as gotas da chuva insistiam em cair diretamente nos meus olhos e, enquanto o excesso desse líquido escorria, juntava-se às lágrimas que começavam a se formar por mais que eu não quisesse. E eu não queria. Meus olhos azuis, por certo, deveriam estar bem vermelhos agora; o meu rosto, inchado. Com toda certeza meu semblante era deprimente. Mas isso era o que podia deduzir.

O que pude ver, em verdade, era a água a escorrer por entre as marcas deixadas no solo frio daquela floresta. Talvez alguém, naquele mesmo dia, tenha passeado por ali. Ou fugido, como eu o estava a fazer.

Sacudi essas ideias para longe e me sentei, recostando-me na árvore mais próxima. Era incapaz de acreditar no que estava acontecendo.

– Então você estava aí. – Falou Sasuke, meio pesaroso, de cima do galho da árvore logo em minha frente.

– É o que parece. – Respondi, sem muita vontade de continuar a conversa.

A chuva caindo, os cabelos dele voltados para baixo, a sua pele molhada, o seu olhar denunciando sua tristeza, o vento uivante batendo nas folhas. Todo aquele ambiente me fazia sentir terrível. Ou será que era apenas o meu modo de ver tudo que estava deixando a minha realidade triste? Já não sei.

– O que vo- (...) -om isso? – A voz dele foi cortada por um trovão que iluminou a floresta. As sombras das árvores se projetaram como monstros, mas o que me assustou mesmo foi a expressão de Sasuke. Ele parecia querer me devorar.

– Naruto! Não me ignore! – Ele desceu da árvore num só pulo e andou até mim, pisando com certa força no chão. Talvez com muita força. Consegui escutar algum galho caído se quebrando quando ele deu um passo.

Ele continuou a andar em minha direção e mexeu os braços, fazendo um movimento brusco. Esperei pela pancada com os olhos cerrados, mas não foi isso o que veio. Pude sentir o calor dele se espalhar sobre o meu corpo, em oposição ao frio causado pelas roupas coladas ao corpo. Meus pés pareciam estar em uma piscina dentro do sapato alagado, e minhas meias não eram nada mais que uma segunda pele, àquela altura.

– Você não precisa fugir de mim. Eu não vou te machucar. Nunca. Você sabe disso. Sabe que eu nunca, nunca quis te magoar. Por quê diabos você insiste em não confiar em mim?!

Consegui sentir as gradações na sua voz. Ele parecia indignado e decepcionado, mas eu não sabia o que fazer. Sequer conseguia devolver o seu abraço acolhedor.

– Sasuke? – Senti ele tremer um pouco quando chamei seu nome. Havia me esquecido de que seu ouvido estava tão próximo da minha boca.

– Sim? – Ele falou sem se mover.

– Isso não é preciso. – Respondi, um tanto indiferente.

– Claro que é. – Ele me disse.

Houve um silêncio logo depois e, porque eu decidi que não discutiria com o Uchiha. Optei por somente fechar os olhos e envolvê-lo com meus braços também, por fim. Pude, inicialmente, sentir seu corpo encostar no meu toda vez que ele inspirava só para se afastar logo depois. Logo depois, observei algo que jamais perceberia de outra forma. A água que estava escorrendo em meu pescoço estava aquecida. Ele estava chorando.

– Sasuke… Vamos para casa. – Decidi interromper a cena dramática.

– O quê? – Ele levantou a cabeça rapidamente, mas não me olhou nos olhos. – Não foi você que, agora há pouco, fugiu de lá no meio de uma tempestade?

– Não quis dizer nós dois vamos voltar pra mesma casa. Quer dizer, a sua casa. – Dei um sorriso amarelo – Quis dizer que você voltará a sua, e eu, a minha.

Sasuke finalmente me olhou no rosto. Sua expressão facial evoluiu rapidamente de surpresa a decepção. Ele baixou os ombros e começou a olhar para o chão. Depois, ele voltou a me encarar, com uma face dura.

– Naruto, não seja as-

– Não seja assim você! – Falei, tentando me conter, sem tanto sucesso. – O que você esperava? Que você dissesse que me ama, o quanto me ama, que se sente arrependido das suas atitudes e de não ter dado valor aos meus sentimentos na hora certa, e que eu simplesmente me lançasse em cima de você como se eu simplesmente pudesse passar um borrão em tudo?! – Falei sem quase respirar. Na verdade, acho que cuspi todas esses pensamentos que me estavam circulando a cabeça desde mais cedo. – Você esperou errado.

Apoiei-me na árvore atrás e me levantei. Dei as costas ao garoto pálido que ainda estava no chão, estático, e, enquanto me preparava para escalar uma árvore para voltar a minha casa, Sasuke me deu um puxão muito forte pelos pés, lançando-me sem pena contra o chão molhado. Então, ele se arrastou por cima de mim e me segurou ao apertar meus pulsos. Eu estava com o rosto encostado no solo, mal conseguia resistir.

– Você... não vai fugir... outra vez. – Resmungou Sasuke, entre soluços. Não imaginei que ele pudesse chorar. Muito menos tanto assim.

– Me largue, idiota. Vou ser picado por algum animal da terra. – A situação era tão pesada. Eu queria mesmo sair dali. Sentia-me sufocado não só pelo cheiro de barro insuportável, como também por sua tristeza contagiante. Eu realmente queria que ele me deixasse ir, mas ele me apertou mais forte ainda.

– Está tudo… bem. Sasuke, eu… eu prometo te ouvir. Não vou fugir de novo. En-então, você… poderia me soltar, por-por favor. Estou ficando… sem ar… – Preferi ceder. Eu realmente não queria ter de ouvi-lo dizer mais sobre como se sentia. Ele riu de mim quando descobriu que eu gostava dele. Humilhou-me e fez pouco dos meus sentimentos. Agora, que ele estava em meu lugar, queria fazê-lo aprender que isso é errado. Na verdade, eu queria fazê-lo sofrer também. Sim. Era isso mesmo.

– Vai mesmo? – Ele usou um tom de voz que expressava incredulidade. Não podia culpá-lo. Antes de sair quase aos pulos (não de alegria) da casa dele, dei-lhe um soco cruel no estômago. Eu realmente não queria mais ouvir aquela baboseira que ele dizia. – Eu vou te soltar, mas não esqueça que eu sei onde você mora.

– Sim, sim, eu sei disso. – Respondi, sentado, enquanto massageava os meus pulsos recém-amassados contra o chão. Minhas mãos formigavam porque a circulação nelas quase parou. – Mas eu não abriria a porta para você, de qualquer jeito, então essa informação é inútil. – Soltei uma risadinha quando falei isso, e olhei nos olhos dele, que parecia um pouco mais animado também.

Ele se levantou e deu de ombros, virando as costas para mim. Vi que suas mãos subiram até a sua face e sei que ele as usou para limpar os líquidos correntes, o que era um bocado inútil, porque a água da chuva continuava a escorrer desde os seus cabelos negros até o seu queixo delineado. Uma ou outra gota mais atrevida descia pelo seu pescoço, indo ao encontro da gola de sua camisa azul-escura. Certamente, ela passaria pelo seu peitoral, desceria pelos seus músculos definidos do seu abdômem e seria absorvida pela sua calça preta. Se ela não fosse-

– Naruto? – Sasuke interrompeu meus pensamentos quando me ofereceu sua mão para que me levantasse. Aceitei a ajuda e me ergui. – Vamos para a minha casa. Você precisa de um banho, está fedendo a terra e suor. – Ele falou, com um tom superior, enquanto nós começamos a correr.

– Seu cheiro também não é nada agradável: além da terra e do suor, você está podre a sal de lágrimas, chorão. – Sasuke me olhou, inconformado, como se eu tivesse feito algo terrível. E eu fiz: pisoteei o ego dele.

– Não diga asneiras, imbecil. Não estava chorando. Era a água da chuva. Por quê raios eu choraria?

– Por mim? - Respondi com pressa. Percebi que ele estava desequilibrado e quis aproveitar a situação.

– Eu… Preciso prestar atenção no caminho. Não posso ficar de papo contigo, conversamos em casa. Olhe pra frente também. - Estava me divertindo com o desconcerto dele. As frases entrecortadas só demonstravam que ele estava sem jeito. Por estar escuro, não conseguia ver seu rosto com nitidez, mas podia apostar que ele estava corado. Soltei uma risada ao pensar que ele, talvez, estivesse mesmo gostando de mim. Afinal, um amigo não iria tão longe por outro se ele estivesse apenas brincando comigo. Ou iria? Não. Eu não quero me enganar. Ele certamente tem uma intenção por trás. Como foi que ele descobriu que gostava de mim do dia para a noite? Aliás, como ele poderia passar a sentir algo assim, tão de repente? Minha cabeça estava a mil.

– Qual é a graça? – Ele perguntou, desviando o olhar na minha direção.

– Não-vou-te-dizer. – Falei, de modo prepotente, lançando-lhe um olhar lateral e um meio sorriso. – “Eu preciso prestar atenção no caminho. Olhe pra frente também” – Respondi, tentando imitar a voz indiferente dele, mas não consegui me controlar e ri sonoramente. De forma um tanto escandalosa, admito.

– Tsk. – Ele deu um estalo forte na língua, obviamente para que eu ouvisse.

Fomos o resto do percusso em silêncio, até chegarmos ao portão de ferro da floresta da Folha e o pularmos. Havia uma passagem normal, mas portas são irritantes. Pular a cerca é mais divertido. Quero dizer, algumas cercas, pelo menos…

 

 

 

 

Eu não sabia porque gostava tanto dele. Claro que eu não admitiria, mas eu o amava, e estava com muito medo de me deixar enganar pela conversa adocicada dele. Sabendo quem era meu amigo, e a quantidade (que eu tenho conhecimento) de garotas ele já pegou, e de tantas outras que só não passaram a mão e outras partes do corpo nele porque ainda não tiveram a chance, eu achava muito surreal ele ter se declarado para mim.

Estava pensando isso tudo enquanto estava em pé no tapete carmesim da sala dele. A intenção era de não molhar o assoalho de madeira, mas não entendi a razão de poder molhar o tecido. Ele parecia caro. A TV ainda estava ligada, mas agora outro programa estava a passar. Mais cedo naquele dia, nós estávamos no sofá de couro assistindo a um filme de guerra. Engraçado que nós somos contra as guerras entre ninjas, mas não dispensamos um bom combate. Talvez na ficção seja divertido; não na realidade.

– Eu preparei o banho. – Sasuke falou assim que atingiu o último degrau da escada que levava até o andar superior. Percebi que ele já tinha tomado o seu próprio, pois sua pele voltou àquela alvura brilhante de sempre. – to? ruto. Naruto! – Dei um pequeno salto com o susto. – O que há com você? Está mais abobalhado que o normal… – Ele falou essa última frase em um tom baixo, fazendo com que aquilo parecesse uma lamentação. – Desculpa por eu ser eu. – Sorri em sua direção com uma expressão que eu não sei descrever, para disfarçar. A verdade mesmo é que eu estava um pouco receoso de tomar banho ali. Mas eu realmente precisava de um. Estava congelando. Atravessei a sala olhando para o teto colorido de um azul profundo que me causava sonolência e o alcancei na escada.

– Que diabos você está fazendo? – Sasuke me interpelou.

– Observando a sua casa. Ela é linda. – Tentei desconversar.

– Você já esteve aqui antes. Muitas vezes. – Ele me lançou um olhar de desconfiança, apertando os olhos. – E já deveria saber que não há nenhuma porta secreta. Você não tem para onde fugir. – Ele completou, ressaltando que eu não sairia dali tão cedo.

– Não sou do tipo que foge. – Disse, com certo ar orgulhoso.

– Não do tipo que foge duas vezes. – Ele abriu caminho para mim, e me acompanhou a subida inteira segurando-me pelos ombros. Não pude evitar me sentir uma criança. Reparei que a chave da porta estava do lado de fora do quarto. Eu bem que poderia trancá-lo lá… – Não de mim, Usuratonkachi. – Ele falou ao meu ouvido quando entramos em seu quarto. Senti minhas pernas falharem um pouco quando ele me abraçou por trás.

– Sasuke, pare de me provocar. É sério. – Dei uma leve cotovelada no estômago dele.

– Ouch. – Lancei-lhe um olhar de soslaio e ele sorriu. Em seguida, puxou meu braço e me conduziu até o banheiro, carregando-me pelo braço direito. – Conseguia sentir meu pulso ferver sob o toque dele.

Sasuke me largou e se virou, dando-me as costas e saindo do banheiro. Eu realmente estava pensando em ir embora, mas a chuva continuava a cair lá fora. Não só isso, mesmo que eu fosse, não poderia evitá-lo pelo resto das nossas vidas. Nós até estávamos no mesmo time. Era impossível sair daquela situação.

Reparei que ele estava usando uma camisa branca sem mangas. Eu conseguia ver o desenho dos bíceps dele se contorcendo cada vez que ele movia os braços para buscar algo dentro das gavetas. Ele estava procurando algo para eu vestir? Uma roupa dele? Com seu aroma? O perfume do Uchiha tinha um aroma muito masculino, algo entre o vento das colinas e a brisa do mar. Era intenso e mágico, contrastando com o meu cheiro suave de leite e baunilha de todo dia. Ficaria completamente imerso em seu cheiro se ele me desse uma roupa sua para usar.

Ele, então, tirou a camisa. Com que finalidade, não sei, afinal, estava frio. Achei melhor não perguntar. Sentei-me nas extremidades da banheira para aproveitar o vapor quente que subia pelo meu corpo, causando-me uma imensa sensação de alívio. Lancei a toalha com a qual estava enrolado sobre uma caixa de madeira que estava por perto e senti uma vontade enorme de me lançar dentro da água. Mas eu não poderia entrar ainda de roupa, e não poderia tirá-la e porque o Sasuke estava por perto. Por fim, eu não fecharia a porta, considerando que ele poderia abri-la a qualquer momento, e eu definitivamente não queria que ele me visse sem roupa. Era muito arriscado.

– Sasuke, por quê tanta demora? Eu estou congelando. – Resmunguei entredentes. Ele não faria aquilo de propósito. Ou faria…?

– Estou procurando uma roupa que cubra os seus ossos. Mas nem tanto… – Ele me lançou um sorriso… Sacana? Era aquilo mesmo ou estava vendo coisas? Não, deveria ser o frio. Eu certamente tinha começado a delirar.

Sasuke caminhou em minha direção e pendurou uma roupa, que deveria ser dele, num cabide metálico que estava preso na parede azul-piscina do banheiro. Os Uchihas eram doentes por azul, ou era só na casa dele mesmo?

– Levanta, Naruto. – Minha divagação foi interrompida pela voz dele. Levantei-me com um pouco de afobação e escorreguei na água poça de água que eu mesmo havia formado no piso. Fui segurado por Sasuke, que me pegou no meio caminho para cair, ao me abraçar com apenas uma braço, enquanto a outra mão parou o meu braço esquerdo no ar, puxando-o em direção a ele. Habilmente, ele me puxou contra si, me fazendo ficar de pé, por fim.

Não sei exatamente a razão. Acho que foi o cheiro dele, o abraço, o peso da situação, a confusão na minha cabeça, o desejo dele e, porque não dizer, o meu próprio desejo de tê-lo para mim. Deve ter sido o conjunto de tudo isso que me impediu de o parar quando ele juntou os nossos lábios. Eu queria aquilo e não queria. Enquanto me decidia, ele se apressou e arrancou a minha blusa encharcada.

Ele afastou um pouco a cabeça e depois encostou sua testa na minha. Nesse meio tempo, eu vi que seus olhos estavam dilatados. Minha situação não era muito melhor. Eu podia sentir todo o meu corpo queimar de dentro para fora. Conseguia ouvir as pancadas do meu coração e a minha pele aquecer a cada respiração acelerada dele. Suas mãos estavam me arranhando carinhosamente as costas, mas, sem aviso nenhum, ele me deu um beliscão. Automaticamente, soltei um “ai” dolorido e ele aproveitou o deslise para invadir minha boca de vez.

Quando nossas línguas se tocaram, pude sentir meu sangue ferver. Ele me envolveu na sua com tanto carinho que eu realmente acreditaria, se dissesse, que ele estava se sentindo como eu. Será? Será que Sasuke realmente se apaixonou por mim? Se fosse verdade, então isso significava que nós poderíamos sair juntos durante a noite para visitar os festivais, e então ele atiraria em um alvo com a mira perfeita dos olhos incríveis dele, ganhando um prêmio que ele me daria como presente. Talvez um urso? Ou uma travessa gigante de lámen. Outro dia, nós visitaríamos o Ichiraku e pediríamos o mesmo prato. Depois, nós pararíamos no lago azul para observar os vaga-lumes e então…

Meu pensamento foi interrompido subitamente pelas mãos do Sasuke, que abandonaram minhas costas e agora estavam apertando minha bunda. O contato pele a pele me fez perder toda a força das pernas, e eu quase desabei. Só não caí porque, nesse mesmo momento, reparei no que estava acontecendo.

O Uchiha não gostava de mim porcaria alguma. A questão não era ser eu que estava ali. Ele só estava muito excitado e queria, de alguma forma, livrar-se daquela tensão. Afinal, ele sabia que eu era a fim dele, então eu seria fácil. Uma fúria inexplicável subiu dos meus pés e encontrou com o meu ódio que descia da cabeça. O choque dessas energias criou um embrulho no meu estômago e uma dor no meu coração. Eu estava desmoronando.

– Está tudo bem? – Sasuke perguntou, baixando a cabeça para ficar da minha altura e me olhando nos olhos.

– Eu te odeio. – Grunhi em um baixo tom.

– Naruto? – Ele insistiu. – Eu não entendi o que você dis-

– EU TE ODEIO! – Gritei. Ele deu um passo para trás, sem entender o que estava acontecendo, e colocou seus braços na frente do corpo, como se estivesse se preparando para lutar. Mas eu não iria enfrentá-lo. Eu queria sumir. O quê ele pensava que eu era? Definitivamente, não um objeto sexual para atender aos seus desejos.

Olhei para a porta e o olhar dele me acompanhou. Dei um pequeno salto, empurrei-o com a mão contra a parede e corri até a porta na diagonal do banheiro. Ele veio logo em seguida, mas a fração de segundo entre ele ter percebido minha intenção e eu ter agido foi mais que o suficiente. Fechei a porta por fora. Eu não sabia se ele tinha outra chave, mas eu teria tempo suficiente para sair da casa dele.

– VAI FUGIR OUTRA VEZ!? – Ouvi-o gritar, com um tom de voz que não escondia sua frustração, mas eu não respondi.

Desci as escadas com a pressa de um trem, até que bati, com uma força bem significativa, em alguma coisa na sala. Não era bem uma coisa. Era o Itachi. Ótimo, agora eu estava salvo da volúpia sexual do seu irmão.

– Naruto? – Ele me olhou com seriedade. Senti um pouco de… algum sentimento pesado em sua voz. Talvez… Raiva?

– NARUTO! EU NÃO VOU TE PERDOAR SE VOCÊ NÃO VOLTAR AQUI AGORA! COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE ME PROVOCAR E ME LARGAR NESSE ESTADO?! – Sasuke esbravejou de dentro do quarto. Sua voz soou um tanto desesperada. Quase tive pena, mas não fui eu quem o provocou, e sim o contrário. Ele que se resolvesse no banheiro com suas próprias coisas.

– O quê é isso tudo, Uzumaki? Você machucou o meu irmão? – Itachi perguntou sem nenhum resquício de passividade no rosto. Eu me levantei.

– Não! Jamais faria isso, você sabe. – Fiquei um tanto nervoso pois ele não parava de me atacar com os olhos.

– Claro que não. – Ele largou a mala que trazia consigo. – Eu sei bem o que você fez. E eu não gosto nada disso!

– I-tachi?! – Dei alguns passos para trás, enquanto ele avançava sobre mim. Consegui desviar do primeiro impacto dos punhos dele, mas não do segundo, que me acertou diretamente no rosto. Mas eu consegui me manter de pé, e corri até o outro lado rapidamente para tentar sair dali. Eu não entendia a razão do ataque de fúria do irmão de Sasuke, mas entendi que não era seguro ficar para descobrir.

Ele pulou em cima do sofá e eu evadi para trás, colidindo com uma das pilastras que ficavam ao lado da televisão. O jarro de flores sobre ele caiu junto, fazendo um estardalhaço.

– NARUTO? – Sasuke gritou outra vez. – O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO? Desviei minha atenção por um instante e, no outro, só tive tempo de experimentar um doloroso golpe no estômago. Soltei um grunhindo de dor que, creio eu, não foi muito discreto.

– NA-NARUTO? O QUE ESTÁ HAVENDO? – Senti a voz de Sasuke falhar. Ele estava preocupado? Isso não importava. Eu estava sem forças para responder e tampouco para me manter em pé. A correria de mais cedo e as emoções que a seguiram deixaram meu corpo e mente exaustos.

– Eu não vou aceitar que brinque com meu irmão. – Itachi falou com a voz fria, sentoando-se nada carinhosamente sobre meu estômago. Eu meu contorci com o impacto na minha carne dolorida.

– Que droga, Itachi. Foi ele que… – Tentei me justificar, mas fui impedido por uma pancada direta no meu rosto. A força foi tanta que minha cabeça ricocheteou no chão.

– SASUKE! – Gritei, sem pensar no que estava fazendo. Minha visão começou a falhar.

– NARUTO?! – Sasuke gritou de volta. Ouvi, um barulho alto vindo lá de cima. O que ele estava fazendo? Eu não tinha muito o que fazer. Não conseguia mover nada em meu corpo: suas pernas estavam entrelaçadas nas minhas e ele conseguia prender minhas duas mãos apertando-as juntas com uma só.

Recebi outro soco certeiro. O gosto forte de sangue em minha boca denunciava que eu estava machucado. Um bocado.

– Itachi! Que merda é essa?! – Ouvi a voz de Sasuke. Acho que ele estava falando em um tom alterado, mas já estava perdendo tos sentidos. Apenas pude abrir meus olhos para perceber que Sasuke tinha uma aparência assombrada no rosto. – Não o machuque mais! – Ele falou, em tom autoritário.

– Então vocês dois têm mesmo esse tipo de relação? – Ouvi Itachi falar. Mas não conseguia mais virar meu rosto. Já nem conseguia mais ver nada. Só então percebi que a chuva havia parado. O único som ali era a voz do Uchiha. A única presença era da escuridão a qual parecia querer me engolir para um sono profundo. – Repulsivo. – Pude ouvi-lo concluir, logo antes de parar de resistir contra as trevas que me abraçavam.


Notas Finais


Obrigado por ter lido até aqui.


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