História A whole without parts - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Austin Mahone, Camila Cabello, Demi Lovato, Fifth Harmony, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Austin Mahone, Camila Cabello, Demi Lovato, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Shawn Mendes
Tags A Whole Without Parts, Austin Mahone, Cabellegend, Camila Cabello, Camren, Câncer, Demi Lovato, Doação De Órgãos, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, Lesbicas, Norminah, Romance, Shawn Mendes
Visualizações 242
Palavras 3.389
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Fluffy, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oiii, pessoinhas!!!
Como cês tão?? Espero que estejam bem.

Mais um capítulo da minha fic xodozinha pra vocês. Dessa vez teremos três músicas: Everything - Lifehouse; Warrior - Demi Lovato; Stronger - Kelly Clarkson. As duas últimas ficam ao critério de vocês para ouvir ;)
Todas as músicas estão disponíveis na playlist da fanfic no spotify.

Boa leitura^^

Capítulo 12 - Kill em with kindness


Fanfic / Fanfiction A whole without parts - Capítulo 12 - Kill em with kindness

08 de maio de 2017, 07:35 AM.

O pior dia da minha vida havia chegado: meu primeiro dia de aula depois de mais de um ano sem estudar. Pode até parecer exagero da minha parte chamar de pior dia da minha vida, mas, na verdade, eu tinha pavor da escola agora. Antes de perder o braço, me sentia segura em relação como as pessoas iriam me tratar, perdi meu braço recentemente e agora tenho medo de como as pessoas irão reagir.

Aqueles ratos da escola são perversos com alguém diferente. Me recordo de um garoto que estudava na mesma sala que eu, ele tinha uma síndrome que fazia com que seu corpo realizasse movimentos involuntários, suas pernas, principalmente, não paravam de se mexer. Então, ele começou a ser intimidado por conta disso, as pessoas falavam que ele havia sido eletrocutado e desde então não parou mais de se mexer.

Era ridículo.

Lauren, por outro lado, me fazia colocar pensamentos positivos na cabeça. A escola pode ser ruim, mas ela também tem uma parte boa que vale a pena desfrutar, ela dizia.

— Como estou? — perguntei para Lauren que estava sentada na cama, esperando eu me arrumar.

Ela abriu um daqueles sorrisos verdadeiros.

— Nem preciso falar que você está extremamente linda. — seus olhos brilhavam como se estivesse vendo a coisa mais linda na sua frente, e eu era essa coisa linda. Estranho, não? — Na verdade, você está sempre linda, Cabello. As vezes fico me perguntando se você é real ou não.

— Mas também não é pra tanto, Lauren. — falei, sentindo minhas bochechas esquentarem.

Eu tinha me arrumando muito hoje, meu rosto pesava de maquiagem e meu corpo vestia a minha melhor roupa. Eu parecia estar bonita mesmo.

— Faço questão de exagerar sim, não ouse falar o contrário.

— Lauren…

A porta do quarto foi aberta, o pequeno corpo, vestido com o uniforme da escola, veio correndo em direção à Lauren.

— Lolo! — Sofia pulou nos braços da garota maior, a abraçando como um macaquinho abraça sua mãe.

Apesar de se conhecerem há pouco tempo, Sofia e Lauren acabaram construindo uma bela relação. Pareciam até irmãs.

Sofia me perguntava toda hora por Lauren, ela realmente sentia a falta da Jauregui. Quando, às vezes como hoje, ela vinha aqui em casa, minha irmã fazia a festa, ela adorava Lauren mais do que adorava sorvete de chocolate.

— Oi, minha princesa. — falou divertida, ela colocou a pequena no colo, ficando de frente à ela — Já tomou café da manhã hoje?

— Aham.

— Que bom, meu amorzinho. Você precisa de muita energia já que é ligada nos duzentos e vinte o tempo todo. — Lauren deu algumas cutucadas na barriga de Sofia, fazendo a pequena rir.

A única coisa que eu poderia fazer diante daquele show de fofura era apenas observar e sorrir. Me sentia extremamente feliz sobre a amizade das duas.

— Parece que fui esquecida. — falei irônica.

As duas me olharam ainda sorrindo.

— Olha, Sofia. Parece que sua irmã está com ciúmes. — Lauren falou baixinho para a pequena.

— Oh, é mesmo. — minha irmã sussurrou — Kaki, a Lolo falou que ama só eu e não você.

Ela sorriu destacando suas covinhas e seus dentes cheios de janelinhas.

— Ah, sério? Pois diga a ela que eu amo só você também. — revidei, brincando.

— Mentira, Kaki. Você gosta da Lolo, lembra? Você não pode gostar mais de mim do que da sua namorada.

Fiquei paralisada, olhando incrédula para Sofia e depois para Lauren que sorria boba para mim. Não era nenhuma novidade para a Jauregui saber que a amo, mas mesmo assim me sentia nervosa em relação à isso.

— Você tem quase razão, Sofia. — seus olhos verdes estavam fixados nos meus, em uma tonalidade muito mais verde — Como eu sou sua namorada e Sofia é sua irmã, a Camila tem o dever de amar nós duas igualmente.

— Não vai ser muito difícil, Lauren. — sorri, caminhando até a cama onde elas estavam. Sentei ao lado de Lauren, depositando um beijo em sua têmpora — Eu amo vocês duas.

Sofia nos olhava com as pupilas brilhando, a pequena parecia torcer para que nós ficássemos juntas.

— Por falar em namorar, eu fiz isso pra vocês. — voltamos nossos olhos para ela. A pequena pulou do colo de Lauren, correu em direção à mochila que havia jogado no chão e lá de dentro tirou uma folha de papel — Ontem, na aula de artes, a professora mandou a gente desenhar o que a gente achava sobre o amor. Aí eu desenhei vocês, eu, papai e a mamãe.

Ela entregou a folha para nós duas. Haviam cinco pessoas desenhadas, em palitos. Dois deles estavam sem uma perna e o outro sem o braço, com um coração vermelho entre eles. Era Lauren e eu.

Nós duas nos olhamos, mergulhei profundamente nas pupilas verdes, parecia o paraíso. Ela sorria para mim envergonhada, tão fofa e inocente.

Depois ela mandou a gente ir pra frente da turma falar sobre o que desenhou. — ela continuou — Eu falei primeiro do papai e da mamãe, depois eu falei de vocês duas.

— É? E o que você falou? — Lauren perguntou completamente encantado pela inocência de Sofia, passando o polegar sobre as bochechinhas rosadas dela.

— Que a Kaki não tinha o braço e você não tinha a perna, mas mesmo assim uma completa a outra.

Meu coração errou as batidas ao ouvir aquilo. Meu peito enchia-se de ar para depois soltá-lo em um longo suspiro.

— Isso foi muito bonito, Sofia. — Lauren falou.

— Vocês gostaram? — perguntou em expectativa.

Era impossível falar não, tinha sido a coisa mais linda e pura que eu tinha ouvido.

— Sim. — falamos em uníssono — Tudo que você falou é a mais pura verdade, não é, Cabello?

Sua respiração bem próxima de meu rosto, me pegou de surpresa. Eu queria beijá-la, minha boca ansiava por isso, mas não iria fazer na frente de Sofia.

— Sim… sim. — balancei a cabeça, jogando os meus pensamentos para outro lugar — Acho que deveria falar isso também no dia do meu casamento com Lauren.

— Oh, vocês vão se casar? — ela abriu a boca, totalmente surpresa.

— Sim, daqui a algum tempo você vai nos ver vestidas de noivas em cima do altar. — Lauren falou com um sorriso gigante no rosto, sim, vamos.

A porta do quarto abriu novamente, era o papai, mas dessa vez sem aquela cara de mal dele. Após conhecer Lauren melhor, ele acabou gostando dela, já não se importava em me deixar sozinha com ela ou sair.

— Sofia, vamos!

A pequena veio até nós e deu um beijo na minha bochecha e outro na de Lauren. Colocou a mochila nas costas e correu em direção à porta, sumindo posteriormente.

Ficamos só eu e Lauren alí dentro, em um ensurdecedor silêncio.

Sua mão em minha perna, me pegou desprevenida.

— Você me completa, sabia? — ela me olhou séria e depois um pequeno sorriso formou em seu rosto.

— Claro que eu sei. — sorri — Uma completa a outra. — falei quase em um sussurro.

— Acho que a sua boca precisa completar a minha também. — A pele branquinha dela logo sumiu dando espaço para bochechas vermelhas de vergonha.

Eu sentia sua respiração queimar os meus lábios, até que estes foram finalmente selados.

A boca dela era tão macia.

Foi apenas um selinho, demorou uns três segundos, mas foi o suficiente para torná-lo infinito.

Meus olhos ainda estavam fechados, o arrepio de sentir seus lábios ainda percorria todo meu corpo. Eu não parecia estar lúcida, não mesmo! Parecia que eu estava drogada, via uma explosão de cores quentes tomar conta da minha fria alma preta e branca.

Abri meus olhos, aquela linda garota estava alguns centímetros de distância do meu rosto, sorrindo e mordendo os lábios. Acho que alguma coisa acabou de molhar aqui, e não foi meus olhos. O chocolate dos meus olhos foi derramado sobre todas as estrelas daquele universo.

— Se eu pudesse, agarraria você agora mesmo nessa cama. — aquela voz sexy foi o que bastou para que os meus sentimentos entrassem em colapso. Eu amava e odiava ao mesmo tempo quando ela me provocava.

— E por que não pode? — sussurrei, chegando mais perto de seu corpo.

— Isso demoraria muito tempo, sabe? — seus dedos afundaram em minhas mechas, depois desceram pela minha têmpora até pararem no canto da minha boca — Tirar a roupa, transar e depois vesti-las de novo, tomaria longas horas. Sua mãe não iria gostar nada do barulho que iriam fazer.

Eu necessito confessar, aquilo estava me deixando excitada. Como Lauren conseguia ser tão fofa ao ponto de me sufocar com aquele fofura e de uma hora para outra se transformar no próprio diabo?

— Vamos? — falou ao levantar.

Eu apenas levantei sem falar nada, não porque não sabia o que dizer, aliás minha mente estava lotada de pensamento, mas sim porque eu não conseguia falar nada mesmo, havia algo preso na minha garganta.

Lauren Jauregui, eu te odeio por sempre me deixar sem fôlego e sem fala.

*****

Lauren tinha me deixado bem em frente ao Miami Senior High School. Era a escola que eu tinha frequentado antes do acidente acontecer. Ainda lembro do último dia que passei aqui, me despedi de todo mundo, sentia que iria partir dessa para melhor, o que acabou não acontecendo.

Havia vários alunos, dezenas deles, espalhados pelo lado de fora do colégio.

Como sempre, passei a ser o centro das atenções, o alien.

Parem de olhar para mim!

Passei por um grupo de quatro garotas, estavam concentradas nos meninos do time de futebol, mas logo que me viram, focaram a atenção somente em mim.

“Aquela não é a garota que sofreu um acidente ano passado?”

“Sim, é ela. Perdeu um braço e parece que a beleza também”

A loira do grupo riu.

Okay, Camila. Não deixe isso te afetar, não deixe, não deixe… droga!

Nem cinco minutos que cheguei aqui e já fui apunhalada na alma, essas pessoas são podres.

O sinal tocou. A minha sala era a 2, no final do corredor.

Parei em frente aos armários, 262, 262, 262… achei! Abri a porta, tive dificuldade em colocar alguns livros lá dentro por conta da prótese.

Eu já estava me preparando para algum professor me reconhecer e fazer mil perguntas sobre meu braço e o acidente.

— Camila?

Enquanto eu arrumava as minhas coisas no armário, uma voz aveludada surgiu atrás de mim.

Me virei dando de cara com uma morena, pele extremamente branca e óculos de grau. Amanda.

Eu tinha estudado com ela no segundo ano. Não éramos tão amigas, nos falávamos às vezes e até fazíamos trabalho juntas.

Não sabia que você iria voltar a estudar. — ela me abraçou, bem apertado por sinal.

— Eu só vim, porque meus pais me obrigaram. — sorri para ela, após me soltar de seus braços.

— Ah, entendo. Pais são chatos as vezes. Mas como está se sentindo? Ouvi falar que você perdeu o braço.

— Eu não sei o que sinto no momento, talvez medo e raiva por estar aqui e sim, eu tive que amputar o braço, hoje uso uma prótese que só me atrapalha.

— Lamento muito. — ela me olhou triste.

O sinal tinha tocado outra vez, os alunos já estavam se movimentando para suas respectivas salas.

— Temos que ir pra sala, o diretor não irá gostar nada de nos ver aqui fora depois do sinal ter tocado.

Ela me puxou pelo pulso, ajeitei minha mochila nas costas e seguimos para o final do corredor.

Logo ao entrar na sala junto com Amanda, avistei Demetria sentada no fundão jogando bolinhas de papel em um garoto à frente. Não posso crer que irei estudar com essa coisa.

Sentei na última cadeira da primeira fila, que ficava bem próxima da de Demetria. Amanda sentou ao meu lado.

Olhei para ela de canto, aquele olhar terrível estava sobre mim. Aquela garota parecia ser meu pior pesadelo. Ela deu um sorriso diabólico e virou-se para frente na hora que o professor entrou na sala.

— Bom dia, turma! Como foi o final de semana de vocês?

Um velho, com barba branca e rosto cansado entrou na sala com um sorriso gigante no rosto. Mais uma daquelas pessoas estranhas que são felizes logo em uma segunda-feira de manhã.

— Esse cara é muito chato! — Amanda sussurrou para mim.

— Espero que tenha sido melhor do que o meu.

Ele jogou o olhar sobre a turma. Eu estava rezando para que não me visse, odiava ter que me apresentar na frente de pessoas desconhecidas. Porém, o velho acabou percebendo a minha presença. Merda!

— Oh, temos uma aluna nova aqui. Por favor, se apresente.

Levantei devagar, todo mundo resolveu prestar atenção em mim. Foi desconfortável.

— Humm, meu nome é Camila Cabello. — forcei um sorriso simpático.

— É sua primeira vez aqui?

— Não, eu já estudava antes aqui, tive que parar os estudos por conta de um acidente.

— Oh, isso é triste. Mas você está bem agora?

— Sim.

A sala inteira começou a cochichar de mim.

— Que bom. — um sorriso apareceu entre o seu bigode grande — Okay, turma. Vamos começar a nossa aula, hoje iremos dar introdução a geometria. Quero que prestem atenção e copiem tudo que eu escrever.

Ele começou a fazer os primeiros rabiscos no quadro. Eu amava geometria, era a parte mais fácil que eu achava de matemática.

Quando fui pegar uma caneta dentro do meu estojo, percebi que a única mão com que eu costumava escrever era a amputada. Outra vez a vida resolveu me foder!

Respirei fundo, eu iria tentar segurar aquela caneta de qualquer jeito.

— Tudo bem, prótese… você só precisa colaborar. — falei baixo.

Em um primeiro momento, consegui pegar a caneta com a prótese, mas ela escorregou e caiu no chão.

— Droga…

Não sei como escrever com a esquerda. E agora?

A frustração logo se infiltrou em mim. Por que tem que ser tão difícil pra mim?

— Está com algum problema, Camila? — Amanda perguntou me olhando por cima dos óculos.

— Eu não consigo escrever com a prótese.

— Espera, me dá o seu caderno. — esticou os braços e eu o entreguei junto com a caneta — Eu copio para você.

— Mas e o seu? — arqueei uma sobrancelha.

— Eu faço depois, não tem problema. Tudo bem?

Pensei por alguns segundos. Não queria ser o fardo de alguém, eu deveria ter praticado os exercícios com a mão que o fisioterapeuta ensinou. Eu sou inútil até para escrever… Mas mesmo assim, foi muita gentileza da parte dela me ajudar.

Assenti.

Odeio ter que me sentir assim, impotente. Ter que precisar da ajuda de alguém para tudo, não tanto como hoje, mas depois de um mês de amputação, minha mãe e meu pai faziam tudo por mim, me ajudavam a comer, vestir roupas, etc. Eu me sentia como um bebê.

E era chato ter que conviver com seus pais vinte e quatro horas por dia no seu pé, perguntando se você precisa de algo, ou o mais doloroso: ter que vê-los fingir que está tudo bem e depois ouvir seu choro escondido na cozinha tarde da noite.

As vezes sinto que a vida é injusta, eu não mereço passar por isso, ninguém merece, mas vem a porcaria da vida e faz com que você só se foda.

Mas às vezes sinto que isso foi necessário, sabe? Eu aprendi alguma coisa com meu braço amputado, eu comecei a ver a vida como ela realmente é. Nada nesse mundo é um conto de fadas, uma hora a ficha cai e você acaba vendo o quão monstruosa ela é.

Eu penso que, talvez, se não tivesse acontecido isso comigo, a minha vida seria uma merda. Hoje eu tenho as pessoas mais importantes do meu lado, eu não preciso de pessoas tóxicas quando eu tenho meus pais, minha irmãzinha, Alexa, Ally e os outros membros do grupo de música, Lauren e Dinah.

Sinto que eles estão me curando lentamente, me dando forças para não desistir, principalmente a Lauren. Não consigo imaginar minha vida sem ela, seria vazia, não teria ninguém para me fazer sorrir verdadeiramente ou refletir sobre as coisas, não teria ninguém para virar a madrugada conversando sobre coisas aleatórias.

Não posso reclamar de nada.

Em relação à minha prótese e autoestima, as coisas começam a ficar diferentes. É delicado ainda me olhar no espelho e me achar bonita. Amar alguém é fácil, difícil é falar eu te amo para si mesma.

Pode levar algum tempo até que eu comece a me enxergar por outro ângulo, não posso desistir de mim, não agora que estou tendo tanta sorte.

*****

12:03 PM.

As aulas tinham acabado, eu guardava alguns livros no armário. Com quatro horas convivendo com as pessoas daqui, cheguei a conclusão que não foi tão ruim, claro que tiveram alguns idiotas, mas fora isso foi ótimo.

Há alguns minutos atrás, eu acabei esbarrando na minha antiga professora de música, a Senhora Johnson. Ficou muito feliz em me ver, ainda me incentivou a continuar com a música, que eu era muito boa para parar com isso. Vim para esse mundo com um único propósito: tocar as pessoas através da música, fazê-las felizes com músicas.

Isso me fez lembrar do meu antigo lema: cante uma música e veja seus problemas desaparecerem.

Era isso que eu iria fazer.

Me senti feliz pelo elogio da Senhora Johnson, até bastante motivada para ir hoje ao ensaio. É tão bom sentir isso, parece que seus demônios te dão uma trégua, as coisas negativas saem da sua cabeça e as positivas ficam.

Coisas positivas…

Lauren.

Ainda posso sentir aqueles magníficos lábios grudados nos meus por poucos segundos. O gosto de cereja do batom dela. Eu precisava vê-la logo, precisava dos seus lábios, do seu corpo. Ela estava me deixando louca.

— Hey, Camila.

Uma voz feminina e familiar ecoou em meus tímpanos. Demetria!

O que você quer? — falei com grosseria, eu não suportava essa garota de nenhuma forma.

— Nada. Só estou admirando a sua coragem de voltar aqui e estudar. Não se sente bem com isso? — ela tinha as mãos mergulhadas nos bolsos da jaqueta, um cigarro aceso nos lábios e aquele sorriso que eu tanto odiava.

— Como assim? — perguntei confusa.

— Se sentir bem no meio de pessoas normais. É como um extraterrestre no meio de humanos, não é?

— Não estou afim de escutar suas merdas hoje, Demetria. Com licença. — empurrei seu corpo da minha frente com força, ela sempre tinha um jeito para me irritar.

— Wow! Parece que agora ela não liga mais para a opinião de ninguém. — falou sarcástica, batendo palmas atrás de mim.

— E eu não ligo! — falei virando as costas.

— Ah, Camilinha, para! Você não engana ninguém, sempre foi uma fraca, sei que quando chegar em casa, vai se trancar no quarto e chorar o dia inteiro. — arrancou o cigarro do lábio, jogando-o no chão e depois o pisando — Você é como um cigarro, sempre é pisado por alguém depois que te usam.

— Por que gosta tanto de me diminuir? Qual é a sua? — cruzei os braços, apertei meus pulsos para a minha mão não entrar em contato com a cara dela.

— É divertido. — riu.

— É divertido brincar com coisas que machucam as outras pessoas? Será que você não sabe o que é se colocar no lugar do outro? — ela negou ainda sorrindo — Pois bem, nada disso é engraçado, dói e às vezes mata. Acho que a única coisa anormal aqui é o seu pensamento ridículo.

Ela engoliu em seco e se calou.

— Me arrependo de ter te amado. — a olhei de cima a baixo, com desdém — Você é tão desprezível que precisa diminuir alguém para se sentir melhor, lamento muito que sua mãe não tenha te abortado, seria um favor para o mundo não te ter aqui.

Virei as costas para ela, sem olhar uma única vez para trás, eu tinha a cabeça erguida como uma pessoa poderosa e um sorriso torto. Calar a boca de um ignorante era a melhor coisa do mundo, matar com bondade era prazeroso, acho preciso aderir a isso.


Notas Finais


Sofia minha personagem favorita, um amorzinho aaaaaa ❤
Finalmente, um selinho aconteceu entre essas desgraçadas. Já posso morrer em paz 😂
E esse pisão na Demetria no final? 😱, essa fudida mereceu mesmo.

Espero que tenham gostado ❤


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