História AFTER 3 - Depois do Desencontro - CAMREN - Capítulo 56


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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui
Visualizações 344
Palavras 2.607
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 56 - 55


LAUREN

Quando bato na porta do escritório do meu pai, sinto meu estômago se embrulhar. Não acredito que cheguei a este ponto, pedindo conselhos para ele. Só preciso que alguém me escute, alguém que saiba como eu me sinto, ou que pelo menos possa imaginar.

"Entra, querida", ele responde lá de dentro. Eu hesito antes de entrar, sabendo que isso vai ser constrangedor, mas necessário. Sento na cadeira diante de sua mesa enquanto observo sua expressão mudar de expectativa para surpresa.

Ele solta uma risadinha. "Desculpa, pensei que fosse a Patrícia." Mas então, percebendo meu estado de espírito, ele se interrompe e me olha atentamente.

Eu balanço a cabeça e desvio o olhar. "Não sei por que estou aqui, mas não sabia para onde ir." Apoio a cabeça nas mãos, e meu pai senta na borda de sua mesa de mogno.

"Fico feliz que você tenha me procurado", ele diz baixinho, esperando minha reação.

"Eu não diria exatamente que procurei você", lembro a ele. Não quero que ele pense que se trata de alguma revelação bombástica ou alguma merda desse tipo, apesar de, de certa forma, ser. Vejo que ele engole em seco e balança a cabeça bem devagar, olhando para todos os cantos da sala menos para mim.

"Não precisa se preocupar. Eu não vou surtar nem quebrar nada. Não tenho forças para isso." Fico olhando para os quadros na parede atrás dele.

Como ele não diz nada, eu solto um suspiro.

E, claro, isso o incentiva a falar, esse sinal da minha derrota. "Quer me contar o que aconteceu?"

"Não, não quero", respondo, olhando para os livros nas prateleiras.

"Tudo bem..."

Solto outro suspiro, me rendendo ao inevitável. "Não quero, mas vou ter que falar, acho."

Meu pai parece confuso por um instante e seus olhos se arregalam, me observando com atenção, com certeza esperando alguma reviravolta.

"Pode acreditar em mim", continuo. "Se eu tivesse algum outro lugar para ir, não estaria aqui, mas a Ally é uma babaca que sempre fica do lado dela." Sei que não é bem assim, mas não quero os conselhos de Ally agora. Mais do que isso, não quero admitir para ela quanto fui escrota e o tanto de merdas que falei para Camila nos últimos dias. A opinião de Ally não significa nada para mim, mas por algum motivo é mais importante que a das outras pessoas, a não ser Camila, é claro.

Meu pai abre um sorriso triste. "Eu sei disso, filha."

"Ótimo."

Não sei por onde começar e, sinceramente, ainda não sei por que vim até aqui. Minha intenção era ir até um bar, mas de alguma forma acabei embicando o carro na entrada da garagem do meu pai. Essa é mais uma influência de Camila: ele tem sorte de eu me referir a ele como "pai", e não como "Mike" ou "babaca", como fiz a maior parte da vida.

"Bom, como você deve ter adivinhado, a Camiça finalmente me largou", admito e olho para ele, que se esforça para manter uma expressão neutra enquanto espera que eu continue, mas tudo o que digo é: "E eu não fiz nada para impedir."

"Tem certeza de que ela não vai voltar?", ele pergunta.

"Sim, tenho certeza. Ela me deu todas as oportunidades de fazer alguma coisa para impedir, e não tenta me ligar nem manda mensagem há..." — olho para o relógio na parede — "... há mais de vinte e oito horas, e não faço a menor ideia de onde ela esteja."

Pensei que fosse encontrar o carro dela parado na frente da casa de Mike e Patrícia. Tenho certeza de que esse foi um dos motivos que me trouxeram até aqui. Onde mais ela pode estar?

Espero que não tenha ido para a casa da mãe dela.

"Você já fez isso antes", meu pai começa. "Vocês duas sempre dão um jeito de..."

"Você não está ouvindo? Eu disse que ela não vai voltar", interrompo, bufando.

"Estou ouvindo, sim. Só queria saber por que essa vez é tão diferente de todas as outras."

Quando me viro para encará-lo, puta da vida, ele está me olhando com uma expressão impassível, e preciso me segurar para não me levantar e dar o fora de seu escritório cafona.

"Eu só sei que é. Não sei por quê — e você deve estar me achando uma imbecil por ter vindo aqui —, mas a verdade é que estou cansada, pai. Estou cansada de ser assim, caralho, e não sei o que fazer."

Porra. Eu estou parecendo desesperada e patética.

Ele abre a boca para responder, mas muda de ideia e não fala nada.

"Eu acho que a culpa é sua", continuo. "De verdade, acho que a culpa é sua. Porque, se você estivesse por perto, talvez pudesse ter me ensinado como... Sei lá... como não tratar as pessoas que nem lixo. Se eu tivesse um homem em casa quando era criança, talvez não fosse tão escrota com as mulheres. Se não conseguir me entender com a Camila, vou terminar que nem você. Quer dizer, antes de você virar isso." Faço um gesto apontando para seu colete de lã e sua calça social bem passada. "Se eu não encontrar um jeito de parar de odiar você, nunca vou conseguir..."

Não quero terminar essa frase na frente dele. O que quero dizer é que se não conseguir deixar de odiá-lo, nunca vou ser capaz de demonstrar meu amor por ela e tratá-la como deveria, como ela merece.

Minhas palavras interrompidas pairam no ar do escritório com revestimento de madeira nas paredes como um espírito torturado que nenhum de nós dois sabe como exorcizar.

"Você tem razão", ele por fim concorda, me pegando de surpresa.

"Tenho?"

"Tem. Se tivesse um pai para ensinar a você como tratar uma mulher, não que Clara não tenha ensinado, mas ela não sente isso da mesma maneira. Se eu estivesse presente saberia melhor como lidar com essas situações, e com a vida como um todo. Eu também me culpo pelo seu..." — vejo que ele está procurando a palavra certa e me inclino um pouco para a frente — "... comportamento. Você é assim por minha culpa. Tudo isso se deve a mim e aos erros que cometi. Vou carregar essa culpa pelo resto da vida e sinto muito pelos pecados que cometi, filha." Sua voz fica embargada no fim, e de repente eu me sinto... eu me sinto...

Extremamente enojada. "Ah, que ótimo. Que bom que você pode ser perdoado, mas o resultado disso tudo é a pessoa que eu sou hoje! E eu, o que eu vou fazer?" Começo a puxar a pele ao redor das unhas e percebo que meus dedos não estão arrebentados pela primeira vez em um bom tempo. Por algum motivo, isso faz minha raiva diminuir um pouco. "Eu preciso fazer alguma coisa", digo baixinho.

"Acho que você deveria conversar com alguém", ele sugere.

Mas sua resposta não é satisfatória, e a raiva volta. Não brinca que eu preciso conversar com alguém? Não me diga, porra. 

Faço um gesto com o braço para nós dois. "Não é isso que estamos fazendo aqui? Conversando?"

"Estava me referindo a um profissional", ele responde sem se alterar. "Você vem guardando muita raiva desde a infância e, enquanto não conseguir se livrar disso, ou pelo menos conseguir lidar com esse sentimento de um jeito mais saudável, acho difícil fazer algum progresso. Eu não posso ajudar nesse caso. Fui eu que causei esse sofrimento todo e quando você estiver com raiva não vai querer ouvir o que eu tenho a dizer, mesmo que seja para ajudar."

"Então vir até aqui foi uma perda de tempo? Você não pode fazer nada por mim?" Sabia que era melhor ter ido para o bar. Eu já poderia estar no meu segundo uísque com Coca-Cola.

"Não foi perda de tempo. Foi um grande passo no seu esforço para melhorar." Ele faz contato visual comigo outra vez, e literalmente consigo sentir o gosto do uísque que poderia estar tomando agora em vez de estar tendo esta conversa. "Ela vai ficar muito orgulhosa de você", ele acrescenta.

Orgulhosa? Por que diabos alguém teria orgulho de mim? Chocada por eu estar aqui talvez, mas orgulhosa... Ah, não.

"Ela me chamou de bêbada", confesso sem pensar no que estou dizendo.

"E é verdade?", ele pergunta, com a preocupação bem clara na voz.

"Não sei. Eu acho que não sou, mas sei lá."

"Se você não sabe se é alcoólatra, é melhor tentar descobrir antes que seja tarde demais."

Observo o rosto do meu pai e consigo ver claramente o medo em seus olhos. Ele está com o medo que eu deveria ter. "Por que você começou a beber, aliás?", resolvo questionar. Sempre quis saber por que ele começou a beber, mas nunca consegui perguntar.

Ele solta um suspiro e passa a mão pelos cabelos curtos. "Bom, eu e sua mãe não estávamos em um bom momento, e tudo começou a degringolar quando eu saí uma noite e enchi a cara. Eu não consegui nem voltar para casa. Mas acabei gostando da maneira como me senti, apesar de tudo. Beber anestesiava a dor que eu estava sentindo e depois desse dia virou um hábito. Eu passava mais tempo naquele maldito bar do outro lado da rua do que com você e com a sua mãe. Cheguei a um ponto em que não conseguia fazer mais nada sem beber, mas também não estava fazendo muita coisa com a ajuda da bebida. Era uma batalha perdida."

Não me lembro de quando meu pai ainda não era um bêbado. Pensei que ele sempre tivesse sido assim, desde antes de eu nascer. "E que coisa dolorosa era essa da qual você queria fugir?"

"Isso não importa. O que importa é que eu finalmente acordei e nunca mais bebi."

"Depois de abandonar a gente", eu lembro.

"Sim, filha, depois que eu fui embora de casa. Vocês iam ficar melhor sem mim. Eu não estava em condições de ser o pai ou o marido de ninguém. Sua mãe fez um ótimo trabalho criando você — eu queria que ela não tivesse sido obrigada a fazer isso sozinha, mas foi melhor assim do que comigo por perto."

A raiva cresce dentro de mim, e aperto com força os braços da cadeira. "Mas você está conseguindo ser um marido para a Patrícia, e um pai para a Ally."

Pronto, falei. Tenho um ressentimento do caralho desse cara que foi um bêbado cretino a minha vida toda — que fodeu a minha vida —, mas que no fim conseguiu casar outra vez, arrumar outra filha e começar uma vida nova. Isso sem falar que ele é rico agora, e eu cresci na merda. Patrícia e Ally estão desfrutando daquilo que era para ser meu e da minha mãe.

"Sei que é isso que parece, Lauren, mas não é verdade. Conheci a Patrícia dois anos depois de parar de beber. Ally já tinha dezesseis anos, e eu nunca quis fazer o papel de pai dela, mas ela também cresceu sem nenhum homem em casa, então me aceitou prontamente. Não era minha intenção formar uma nova família e substituir você — isso nunca vai acontecer. Você nunca quis manter contato comigo — e eu entendo —, mas eu passei a maior parte da minha vida nas trevas, filha — nas trevas mais profundas e terríveis. E a Patrícia foi minha luz no fim do túnel, assim como Camila é para você."

Meu coração quase para de bater quando ele fala em Camila. Eu estava tão envolvida nas lembranças da minha infância de merda que consegui parar de pensar nela por um momento.

"Sou muito grato por Patrícia ter aparecido na minha vida, e isso vale para Ally também", Mike continua. "Daria qualquer coisa para ter com você a relação que tenho com ela. Talvez um dia isso aconteça."

Dá para ver que meu pai está sem fôlego depois dessa longa confissão, e eu não sei o que dizer. Nunca tive esse tipo de conversa com ele, nem com ninguém na vida além de Camila. Ela parece ser a exceção em tudo.

Não sei o que falar para ele. Não o perdoo por ter fodido a minha vida e ter preferido a bebida à minha mãe, mas estava falando sério sobre tentar perdoá-lo. Se não fizer isso, nunca vou conseguir ser normal. Na verdade, acho que de qualquer maneira não conseguiria ser considerado "normal", mas quero pelo menos ser capaz de passar mais de uma semana sem quebrar nada nem bater em ninguém.

A humilhação estampada no rosto de Camila quando a coloquei para fora do apartamento ainda está viva na minha mente. Em vez de tentar lutar contra os fatos como sempre fiz, decido aceitá-los. Não posso esquecer do que fiz com ela — não vou mais me esquivar das consequências dos meus atos.

"Você não falou mais nada", meu pai comenta, interrompendo meus pensamentos. A imagem do rosto de Camila começa a desaparecer, apesar de eu tentar mantê-la na cabeça. O único consolo que tenho é saber que em breve ela volta para me atormentar.

"Eu realmente não sei o que dizer. Isso tudo é demais para mim. Não sei nem o que pensar", admito. A sinceridade das minhas palavras me deixa apavorada, e fico esperando que ele torne tudo ainda mais constrangedor.

Mas não é isso que acontece. Ele balança a cabeça e fica de pé. "Vamos jantar um pouco mais tarde hoje. Se quiser ficar..."

"Não, eu estou fora dessa", respondo com um grunhido. Quero ir para casa. O único problema é que Camz não está lá. E é tudo culpa minha.

Encontrei com Ally no corredor quando estava saindo, mas passei direto sem dizer nada, porque não queria nenhum conselho seu. Eu deveria ter perguntado onde Camila está — estou desesperada para saber. Só que também me conheço muito bem e sei que iria até onde ela estivesse e tentaria convencê-la a ir embora comigo. Preciso estar com ela, onde quer que ela esteja. Ouvir a explicação do meu pai sobre por que ele foi um pai de merda para mim foi um passo na direção certa, mas não vai fazer com que eu me transforme em alguém controlada de uma hora para outra. E se Camila estiver em algum lugar que eu não queira — com Keana, por exemplo...

Ela está com Keana? Puta que pariu, será que está? Eu acho que não, mas ela não tem muitos amigos, porque nunca deixei. E se ela não está com Ally...

Não, ela não está com Keana. Não pode estar.

Continuo tentando me convencer disso enquanto subo até nosso apartamento. Chego até a desejar que o imbecil que invadiu nossa casa esteja de volta. Eu preciso de uma boa válvula de escape para minha raiva.

Sinto um calafrio percorrer todo o meu corpo. E se Camila estivesse em casa sozinha durante a invasão? A imagem de seu rosto vermelho e coberto de lágrimas, como nos meus pesadelos, me vem à mente, e meu corpo todo se enrijece. Se alguém tentasse machucá-la, seria a última coisa que faria na vida.

Eu sou uma puta de uma hipócrita! Estou pensando em matar alguém que pudesse machucá-la, sendo que eu fiz justamente isso.

Depois de tomar um copo d'água e olhar para o apartamento vazio por alguns minutos, começo a ficar inquieta. Para me ocupar, começo a mexer na coleção de livros de Camila. Ela deixou muita coisa para trás, e sei que deve ter sido difícil. Mais uma prova do quanto eu faço mal a ela.

Um caderno com capa de couro escondido entre duas edições diferentes de Emma chama minha atenção. Quando o pego e começo a folhear, vejo que todas as páginas estão preenchidas com a letra de Camila. Será que é algum tipo de diário que eu não sabia que ela estava escrevendo?

Introdução às Religiões do Mundo, é o que está escrito na primeira página com uma letra toda caprichada. Sento na cama com o caderno na mão e começo a ler.



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