História Alpha Guardians (Guardiães Alfa) - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Anjos, Demonios, guardiães, Mistério, Poderes, Romance, Sobrenatural
Visualizações 9
Palavras 4.740
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 25 - Revelações do Diário e da Fita


Fanfic / Fanfiction Alpha Guardians (Guardiães Alfa) - Capítulo 25 - Revelações do Diário e da Fita

 

Todos estamos em silêncio e ansiosos. Ninguém parece querer mexer um músculo sequer para que assim tudo comece logo e nos mostre as revelações que tanto ansiamos. Diferente do que eu havia imaginado desde que recebi a ligação do Lucca, nós não estamos reunidos na antiga propriedade dos Duff, mas sim no quarto de hospital onde a Annie está instalada, obviamente devido ao fato dela também ser uma das pessoas que mais merecem saber sobre o que há no diário, e ela infelizmente ainda não pode sair daqui. A senhora Emily subornou os donos do hospital — quando se tem muita grana, conseguir o que quer quase sempre dá certo pelo visto — e agora podemos ficar aqui o quanto quisermos, pelo tempo que desejarmos, sem ser incomodados.

Encontro-me sentado em um sofá próximo à janela, e a meu lado está Katie, que há poucos minutos decidiu segurar minha mão e até agora estamos dessa forma. Sentado no braço do sofá do outro lado da Katie está o Jack. Alice está sentada junta à sua irmã na cama, ambas abraçadas e tensas, pois sabem que as palavras que serão lidas foram escritas pela mãe delas. Eu observo a Alice e é notório o fato dela estar mais nervosa que a irmã, pois recordo-me do sentimento de culpa que ela possui por acreditar que é a responsável pela morte da mãe. Noto que o Lucca olha para mim e viro-me na direção dele. Ele está sentado em uma cadeira próximo à cama, perto das gêmeas. Ele faz sinal de positivo com a cabeça e repito o mesmo gesto, imaginando que o Lucca está agindo como sempre, querendo estar perto das pessoas que mais precisarão de ajuda. Andrew decidiu ficar em pé encostado à porta fechada do quarto e a senhora Emily está sentada em uma poltrona defronte à cama, olhando para cada um de nós, com o diário repousando em seu colo.

O diário é diferente do que eu havia imaginado. Capa dura preta, com contornos prateados e o nome "Claire Duff" escrita com o mesmo tom. É a primeira vez que descubro o nome da mãe da Alice, da Annie e do Andrew, pois até então nunca haviam retratado seu nome em voz alta. Tenho a leve impressão que o nome "Claire" é familiar para mim, e mesmo sabendo que existem inúmeras mulheres com esse nome por aí, ainda assim não consigo afastar essa sensação.

Alice se remexe inquietamente na cama, suspirando longamente indignada.

— Vamos começar com isso, ou não?

— Não entendo pra que esse drama todo — Jack complementa, representando todo o nervosismo que se apoderou de todos nós nesse quarto.

— Tudo bem, mas antes eu preciso dar alguns recados — Emily diz, mantendo sua pose de ficar olhando para cada um de nós alternadamente. — Eu sempre soube da existência desse diário, e antes que me perguntem por que eu nunca havia falado sobre isso, já respondo que preferi encontrar primeiro e falar depois, para não encherem vocês de expectativas inúteis. Pedi ajuda ao Lucca hoje mais cedo para vasculharmos o quarto da minha filha, e depois de um longo tempo encontramos um fundo falso na última gaveta do seu closet. E então encontramos esse diário lá dentro, Tenho certeza que Claire sempre quis que suas filhas soubessem sobre os mistérios e segredos que ela precisava guardar, mas também vocês três, Jack, Katie e Rayner, merecem mais do que tudo saberem desses fatos.

— Então não enrole muito senhora Emily, nos revele o que há escrito nesse diário — Katie diz nervosa e ansiosa, apertando um pouco mais nossas mãos unidas.

— Em grande parte do que há escrito nesse diário — Emily continua. — são apenas palavras pessoais de minha filha, portanto não as lerei para vocês. O mais importante está escrito nas últimas páginas.

A senhora Emily abre o diário, folheando as páginas até chegar no ponto onde ela queria. Mesmo um pouco distante, eu pude notar que a caligrafia escrita nesse diário é magnífica, uma das mais belas que já vi. A senhora Emily volta a olhar para cada um de nós, depois leva sua atenção para as folhas no diário e começa a ler:

 

"Bem, posso afirmar que essas serão as minhas últimas palavras escritas nesse diário, e espero que algum dia minhas queridas filhas possam encontrá-lo e lê-lo. Dedico também essas palavras para o pequeno Rayner — que acredito está bem maior quando estiver lendo essas palavras — e aos demais Alpha Guardians.

Preciso dizer inicialmente que eu sempre fui uma pessoa comum, que tinha um emprego chato, passava o dia todo fazendo o que não gostava e obtinha pouco tempo de descanso. Mesmo assim, eu não tinha do que reclamar em minha vida. Tudo parecia seguir nessa mesma monotonia, até o dia da morte do meu irmão Nicolas e de sua esposa.

Eu estava em casa, no meu escritório, sentada em minha mesa repleta de documentos para serem lidos, e minha enxaqueca parecia querer explodir minha cabeça. Quando faltava cerca de dez minutos para uma da manhã meu celular começa a tocar. Rapidamente estranhei receber um telefonema a essa hora, e estava prestes a não atender, mas algo dentro de mim, talvez um instinto ou algo parecido, me dizia que era algo importante. Peguei meu celular e vi que era o número do meu irmão, e exatamente aí comecei a sentir medo de que algo ruim deve ter acontecido.

Atendi a chamada, porém eu só conseguia ouvir estática e nada mais do que isso. Tentava a cada segundo, com o desespero só aumentando, orando para que ele atendesse logo, porém não adiantava. A chamada durou quarenta segundos até cair. Tentei retornar mas só dava na caixa de mensagem. Simplesmente eu estava a um impasse de entrar em pânico. Sem falar a ninguém, peguei as chaves de meu carro e saí em alta velocidade rumo à casa dele. O cursor mostrava que eu ultrapassa o limite dos cento e quarenta quilômetros por hora, mesmo eu dirigindo dentro da cidade e em meio a uma chuva torrencial. Afirmo que no momento eu estava contando com a sorte de não haver muitos veículos circulando àquela hora da madrugada, e só pensava em encontrar o Nicolas, sua esposa Anna e seu filho Rayner bem.

Como se uma maré de azar tivesse se abatido sobre mim, acabei entrando em um congestionamento devido a um acidente em algum ponto à frente, justamente por onde eu precisava ir. Eu já não sabia mais o que fazer, e foi então que as coisas começaram a mudar completamente em minha vida. Ao olhar, sem motivo aparente, para meu lado direito eu vejo uma garota de longos cabelos branco prateados me encarando. Eu quase enfartei com o susto, e precisei de alguns segundos para me recuperar. Depois de alguns segundos eu fiz a primeira pergunta  que me veio em mente: "Como entrou aqui?". Eu poderia ter perguntado quem ela era, ou planejado algo melhor, mas naquele instante eu estava sem cabeça para isso.

Essa garota apenas respondeu com uma outra pergunta: "Quer ajudar a Anna?". Esse nome só me referia a esposa de meu irmão e como eu não tinha nada a perder eu respondi que sim, e as coisas impossíveis novamente voltaram a acontecer. Em um segundo, estávamos presas em um engarrafamento, em outro, já estávamos paradas com o carro em frente à casa de meu irmão, como uma verdadeira mágica. Eu não tive tempo de perguntar como aquilo aconteceu, pois minha mente ainda estava em fase de processamento e aceitação, e com isso essa garota misteriosa já não se encontrava mais dentro do veículo. Eu mesma saí e virei-me na direção da casa e precisei fechar a boca para não engasgar com o que vi. A casa estava completamente em chamas, e diante de mim, enormes asas brancas e brilhantes haviam surgido nas costas da garota, e ela rapidamente flutuou até uma janela aberta do primeiro andar, onde sei que é o quarto do Nicolas e da Anna. Eu já me encontrava completamente ensopada e estava me dirigindo à porta da frente quando a mesma se abre e a garota sai, agora sem asas e segurando um garoto de sete anos em seus braços. Ela parece ter cerca de doze para treze anos e conseguia levar o meu sobrinho como se não fosse nada.

Eu o peguei dos braços dela e passei a analisá-lo, ver se tinha algum problema com ele, e suspirei aliviada quando vi que não havia ferimento algum. Perguntei a garota onde estavam meu irmão e sua esposa, e ela respondeu simplesmente: "Não suportaram". Foi um choque para mim, eu queria desabar ali mesmo e não me levantar com o choque da realidade, porém essa garota nos obrigou a voltar para dentro do carro e sairmos dali urgentemente, pois eles — seja lá quem fossem — poderiam retornar.

Dessa vez não houve truque de mágica nem nada do tipo, apenas voltamos para dentro de carro e dirigi em silêncio de volta à minha casa, Já sabendo que o caminho que uso de costume estava interditado, eu fiz um processo mais longo a fim de evitar ficar parada na estrada novamente. Quando finalmente chegamos já passava das três da manhã. Meu marido e minha mãe estavam acordados nos esperando. No começo eu fiquei surpresa por ver minha mãe ali presente, porém eu deveria imaginar que meu marido ligaria primeiramente para ela caso alguma coisa acontecesse comigo, e como eu saí sem avisar, foi exatamente isso que aconteceu.

Após os abraços de alívio que recebi e dos sermões por eu ter saído tão tarde sem avisar a ninguém -— como se eu ainda fosse uma garota em sua fase de adolescente querendo fugir para ir em uma festa escondida — eu explico a eles tudo o que sei sobre o que aconteceu, o que não é muita coisa. Aquela garota misteriosa, com poderes estranhos, provavelmente sabe mais e pedi para que ela contasse a verdade para todos nós. Ela havia aceitado dizer e pediu para que o que ela falasse fosse gravado, pois iria soar demais para nós e precisaríamos ter de ouvir tudo novamente depois, com mais calma, e que caso algo acontecesse com ela, nós já saberíamos de toda a história. Mesmo o pedido dela soando estranho, eu não podia deixar de acreditar que seria verdade, já que ela em momento algum me pareceu ser uma simples pessoa.

A gravação foi feita em um quarto de hospedes como uma espécie de interrogatório, eu fazia as perguntas e ela respondia, e apenas nós duas falávamos. O pequeno Rayner dormia e meu marido e minha mãe apenas observavam, e tudo que ela dizia parecia sair de um conto fictício, mas mesmo nenhum de nós tinha a audácia de discordar daqueles fatos. Não sei explicar, mas sua voz demonstrava uma certa tranquilidade mesmo transparecendo sofrimento também pela perda, e isso era mais que suficiente para vermos que ela não estava contando mentiras. Eu irei deixar a fita com a gravação junto com o diário, para vocês ouvirem a história diretamente dessa garota. E foi exatamente assim que acabei me envolvendo nisso tudo. Durante cerca de duas semanas eu cuidei do Rayner, porém eram raros os momentos em que ele parecia se tranquilizar ou se divertir com minhas filhas, pois ele a todo momento gritava de desespero ao lembrar do que havia visto naquela noite. Foi então que decidi perguntar a garota, chamada Wendy, se ela poderia fazer algo a respeito. Ela respondeu que sim, que poderia fazer com que as lembranças terríveis daquela noite fossem mantidas seladas em sua mente, porém isso poderia fazer com que mais parte de suas memórias acabasse sendo envolvidas, pois mesmo para ela não seria uma tarefa fácil. Mesmo assim, pedi para que ela fizesse isso, tanto no pequeno Rayner, quanto em meu marido e em minha mãe enquanto eles dormiam, pois assim apenas eu poderia recordar de todos os fatos,e fosse a única a correr grandes riscos. Nenhum dos três realmente pareciam não lembrar do que aconteceu, mas ao mesmo tempo eu não me sentia mais uma pessoa digna de cuidar do Rayner, então pedi para que a Wendy o levasse à algum lugar ao qual ele fosse criado bem, e assim ela fez. Foi a última vez que vi os dois. Passei os últimos anos a procura dos demais alphas, e sinto muito informar que só consegui a localização de três deles, mas ainda acredito que podemos encontrar os demais e evitar que o fim da raça humana aconteça.

Tudo o que eu tinha para contar é isso, agora vocês precisam ouvir a gravação para entenderem melhor o que está acontecendo com o mundo e que a realidade é totalmente diferente do que aparenta ser. Alice, Annie, Andrew, meus queridos filhos, eu nunca contei nada a vocês porque queria evitar que fossem envolvidos nesse mundo cruel tão jovens, mas espero que possam entender tudo e assim façam um trabalho melhor do que eu. Meu amor, mãe, peço desculpas por ter mexido com a memória de vocês sem avisar, mas foi para um bem maior. Rayner, se estiver lendo isso também, eu te peço perdão por não ter chegado a tempo de ter salvado seus pais, mas saiba que eles sempre te trataram bem, e te amaram mais do que tudo, mesmo com as circunstâncias. Nunca duvide do amor deles, e nunca deixe de vê-los como seu pai e sua mãe. Bom, agradeço a paciência de ter lido até aqui.
                                                                                                                                                                                 Ass: Claire Duff"

 

Ninguém falou nada após a senhora Emily terminar de ler o diário, apenas ficamos a observando retirar uma pequena fita de seu bolso e se dirigir até um rádio antigo que ela havia trazido consigo. Eu ainda tentava absorver as informações reveladas antes de ter que processar as que ainda virão, porém é muita coisa no que pensar. Meu pai chamava-se Nicolas e minha mãe Anna, saber disso me deixou um pouco contente, já que eu não lembrava de seus nomes. Não apenas isso, mas também saber que sou primo da Alice e da Annie também me deixou em choque.

A senhora Emily deixa tudo preparado e coloca a fita para tocar, voltando a se sentar em sua poltrona em silêncio, tentando não transparecer a dor e tristeza que invadem seu ser...

 

" — Estamos aqui, minha mãe Emily, meu marido Paul e eu Claire, diante de uma garota chamada Wendy, e ela irá nos contar exatamente a verdade sobre os últimos fatos acontecidos. Por favor Wendy, pode começar."

Ouvimos de início a voz da Claire fazendo a introdução, e mesmo que a gravação de áudio esteja com ruídos, não há problemas para se ouvir atentamente tudo que é dito.

" — Bem, eu me chamo Wendy, como vocês já sabem, e não sou humana, ou melhor dizendo, não nasci humana, apesar de estar a caminho de me tornar uma de vocês.

— Pode explicar isso melhor?

— Claro, vocês entenderão quando eu contar tudo, desde o começo. Vocês conhecem a história da criação dos seres humanos?

— Claro que sim, está escrito na bíblia, se não me engano.

— Pois bem, nosso Pai, ao qual vocês humanos, em sua grande maioria, costumam chamá-lo apenas pela sua representação, ou seja, por Deus, criou inicialmente o plano divino, a dimensão santa, ou entre outras palavras, o paraíso. Nele, nosso Pai fez a nós, anjos, seres devotos completamente a seguir e respeitar suas palavras. Um tempo após, nosso Pai também criou outros três planos, e um deles é exatamente esse ao qual estamos, o plano mortal. Aqui, nosso Pai criou todos os seres vivos que habitam ou já habitaram, incluindo vocês, seres humanos. Porém as coisas começaram a mudar no instante em que nosso Pai ordenou que os anjos passassem a proteger e guiar os humanos, e que esses novos seres receberiam uma maior atenção do que nós. Já podem imaginar que nem todos nós concordamos com isso...

— A guerra civil entre os anjos...

— Exatamente. Alguns de meus irmãos rejeitaram a ideia de se sentir inferiores a seres imperfeitos, capazes de cometer pecados sem se importar com as consequências, e tentaram persuadir nosso Pai a voltar atrás com essa decisão, porém não obtiveram êxito. Então eles, com liderança do arcanjo Lúcifer, criaram uma revolta na dimensão santa, com intenção de obter o controle e fazer as regras conforme eles achassem melhor. Não apenas isso, mas também começaram a intervir no plano mortal, levando os humanos a cometer crimes e pecados um atrás do outro. Era de se esperar que uma guerra entre nós acontecesse, mas como nós, que decidimos acatar as palavras de nosso Pai, éramos a maioria, liderados pelo arcanjo Miguel, nós expulsamos os agora chamados anjos caídos do plano divino, e os prendemos no plano inferior, o tão conhecido inferno. Para realmente mantê-los presos lá, nosso Pai criou 66 selos de proteção espalhados pelo plano mortal para evitar que todos os planos pudessem se conectar e haver passagens por livre e espontânea vontade. Apenas nós anjos tínhamos a autorização de vir ao plano mortal caso fosse necessário.

— Após essa guerra, tudo se tranquilizou?

— Por um tempo sim, porém as consequências foram maiores do que imaginávamos. Não sabíamos que uma batalha entre anjos afetaria tanto nosso Pai, e um certo dia Ele nos reuniu, apresentando o chamado "a profecia do fim". Segundo palavras do nosso Pai: "Haverá uma época em que os planos entrarão em conflito e o fim dos tempos estará mais próximo. Será exatamente nesse momento que os Alpha Guardians surgirão, os únicos seres capazes de guiar o futuro de tudo que há criado." Não havia mais nada a acrescentar, mesmo que nós tenhamos ficado em dúvida sobre o que a profecia significava. Porém as coisas mudaram completamente após isso.

— O que aconteceu?

— Nosso Pai, logo após deixar essa última profecia conosco, desapareceu. Tentamos de tudo para encontrá-lo, mas foi em vão. O plano divino estava em desordem, pois nós, anjos, fomos criados para seguir ordens estabelecidas pelo nosso Pai, e se Ele não está presente, não fazia sentido. Então alguns de nossos irmãos, aqueles mais poderosos, assumiram o trono e decidiram guiar nossos destinos até nosso Pai retornar. Não havia problema com isso, pois continuávamos como antes, até que o dia prometido enfim chegou.

— Não me diga... O dia da profecia?

— Exatamente, porém não foi para todos como estávamos esperando. Eu e mais sete irmãs recebemos um chamado para seguirmos até um ponto isolado do plano divino. Eu estranhei o pedido, mas mesmo assim eu sempre segui as regras perfeitamente, então fui como ordenado. Quando chegamos no local, ficamos surpresas ao ver sete bebês deitados sobre lençóis na grama. Estávamos surpresas pois não havia nenhum anjo bebê, nem mesmo criança, já que fomos criados praticamente na mesma faixa etária, mesmo que o senso humano não se equivale ao nosso. Analisamos os bebês e notamos que eles eram um tipo de ser diferente do que já havíamos visto antes. Possuem auras angélicas, mas isso apenas internamente; tem corpos humanos, mas possuem um poder latente superior a qualquer outro que eu já havia sentido antes. Não haviam dúvidas, chegamos a conclusão que esses bebês poderiam ser os Alpha Guardians da última profecia deixada pelo nosso Pai.

— Mas, se vocês receberam esses bebês no plano divino, por que então estão aqui no plano mortal?

— Nossa intenção inicialmente foi manter os bebês escondidos no plano divino, já que se apenas nós oito havíamos recebido o chamado para encontrá-los, então não devíamos espalhar sobre isso para todos. Por um tempo estava dando certo, até que acabamos sendo encontradas por falha nossa e a história de que os Alpha Guardians já estavam sobre nós se espalhou. O alto escalão exigiu que apresentássemos e entregássemos os bebês para eles, e quando não deram importância às nossas palavras sobre o fato de que apenas nós havíamos recebido o chamado para encontrá-los, entendemos o motivo para que apenas nós oito havíamos recebido a chamada para encontrar os alphas..

— Isso porque provavelmente Deus, supondo que foi Ele realmente que enviou os bebês, já sabia que a maioria dos anjos não podiam mais ser de confiança.

— A única saída que tivemos foi fugir do plano divino e vir para o plano mortal, pois havíamos notado que nem mesmo nossos poderes angelicais eram capazes de sentir a presença dos Alpha Guardians, assim como sentimos a alma de cada humano que vive aqui na Terra. Não apenas isso, mas qualquer ser que esteja próximos a eles, dentro de um raio de pelo menos um quilômetro de distância, também não consegue ser detectado. E assim fizemos, nos espalhando por todo o planeta Terra, encontrando pessoas que não se importassem em nos ajudar a manter uma aparência comum, como por exemplo, a criação de uma família, já que mesmo com essa vantagem de não sermos localizados, se por algum motivo realmente eles nos encontrassem, seria apenas de um por um, e não todos juntos. Decidimos que deveríamos cuidar dos bebês, para que assim eles pudessem crescer e aperfeiçoar seus poderes, para que a profecia possa enfim ser completada.

— Meu irmão já sabia de tudo isso?

— Ele deveria saber de tudo, para que assim pudesse escolher em nos ajudar ou não. Se recusasse, apenas apagaríamos a memória dele referente aos últimos minutos, assim não recordaria da história e não correria risco nem a si mesmo, nem a nós.

— Por que ele nunca nos contou sobre tudo isso? Somos a família dele.

— Precisa entender que contar sobre quem somos e nosso plano, poderia nos prejudicar de todas as formas possíveis. O Nicolas, seu irmão, aceitou todos os termos, até mesmo de esconder de vocês, pois ele havia se apaixonado pela Anna, e mesmo a Anna sendo um anjo, ela havia se apaixonado por ele também.

— Pensei que anjos não tinham sentimentos humanos.

— Eu também acreditava nisso, até fugirmos para cá. Com o passar dos meses, nosso lado angelical foi sendo suprimido pela necessidade humana. Não me refiro a fome, sede, sono ou coisas do tipo, pois nós realmente não precisamos, mas sim os sentimentos humanos: preocupação com os bebês como se fossem realmente nossos filhos; o amor que algumas de minhas irmãs começaram a sentir por humanos; o carinho e afeto; até mesmo a raiva e ciúmes, dentre outras.

— Você disse que conseguiam se manter escondidos dos anjos, mas pelo que me parece, foram eles que encontraram meu irmão e a Anna, ou foram outras pessoas, ou seres, que estavam atrás deles?

— Bem, essa parte é um pouco complicada de explicar. Quando nos separamos, eu acabei por ficar com a Anna, já que oito de nós viemos, porém só haviam sete Alpha Guardians. Não entendo o motivo para uma de nós ter sido chamada acima da conta necessária, mas deve haver algum motivo. Por cerca de sete anos vivemos tranquilos, vivendo uma vida humana comum, socializando-se com os humanos da vizinhança e tudo o mais. Éramos conhecidos como os novos vizinhos, mesmo se passando o tempo, pois depois de nós ninguém mais se mudou para aquele bairro. Como a Anna havia encontrado o Nicolas e eles já faziam os papéis de pai e mãe, eu transmutei meu corpo para o de uma garotinha de oito anos naquela época, para ser a irmã mais velha. A cada ano que o Rayner ganhava, eu fazia mudanças em meu próprio corpo para parecer que também estava envelhecendo. Mesmo nós, anjos, não termos o envelhecimento que corpos humanos tem, podemos modificar nossa estrutura como bem entendermos, só deveríamos tomar cuidado para não demonstrar aos outros humanos quem realmente somos. Para vocês entenderem, não podemos manter nossa verdadeira forma nesse plano, pois se tentássemos seria impossível esconder dos humanos, e assim seríamos encontrados, mesmo com o fator anti-detecção dos alphas. Enquanto nos mantivéssemos em silêncio, tudo ficaria numa boa. Pelo que eu sei, nem a Anna e nem eu poderíamos ficar afastadas demais do Rayner, e até mesmo quando ele ia para escola, nós duas escondidas, tínhamos de acompanhá-lo, mantendo uma boa distância para não parecer suspeito. Como eu disse, tudo ia bem, conforme havíamos planejado, até algumas coisas começarem a acontecer.

— Que coisas?

— Ontem à noite, recebemos a notícia anônima de que a Merlin, uma de nossas irmãs, que cuidava de um dos Alphas, havia sido encontrada e morta no Canadá. Entramos em choque, tentamos descobrir se a informação era real, e realmente era. Tentamos entrar em contato com as demais, porém não conseguimos contatar nenhuma delas. Passamos a acreditar que talvez fossemos as últimas sobreviventes, então a Anna e eu entramos em um consenso. Hoje mais cedo eu retornei escondida para o reino divino, tomando o maior cuidado para não ser detectada. Mesmo que na teoria a segurança dos anjos seja perfeita, na prática não é levada muito a sério, pois nenhum deles sequer imaginam que o plano divino seria invadido por alguém. Foi mais difícil do que eu imaginava, quase fui descoberta várias vezes, mas enfim consegui uma informação de um irmão que trabalha próximo do topo, e mesmo vivendo no plano divino, compadece à nosso favor e causa. Não confiei plenamente nele, e cheguei a pensar que poderia ser uma armadilha, mas mesmo assim eu precisava de informações. Segundo o que ele disse, os arcanjos do alto escalão nunca haviam desistido da busca por nós e pelos alphas, porém se frustravam por não conseguir nos detectar. Então eles tomaram algumas decisões drásticas.

— Quais foram elas?

— Primeiro, decidiram contratar humanos, ou seja, começaram a intervir diretamente entre os humanos, o que para eles deveriam ser um grande crime, mas lógico que não se importam mais com isso. Assim sendo, quando tinham algumas pistas de que algumas de nós estavam em algum local na Terra, eles tentavam entrar em contato com aquelas pessoas mais religiosas, os apresentando como os verdadeiros anjos, e dizendo que nosso Pai haviam dado uma missão para eles. Imagine só até onde eles chegaram. Inventaram mentiras envolvendo o nome do nosso Pai para fazer humanos investigarem por eles, descobrirem nossas localizações e assim entregar todos os detalhes a eles. Isso é um pecado absurdo que estão cometendo. Resultado: encontraram seis de nós, sendo a mais recente exatamente a Merlin, e hoje a noite por fim encontraram a Anna, e o Nicolas acabou sendo morto também por tentar ajudar. Porém, pelo que me foi informado, mesmo matando minhas irmãs a sangue frio, eles ainda não conseguiram capturar nenhum dos alphas, assim como foi hoje. Ou seja, esses garotos, mesmo ainda sendo crianças, já são fortes o suficiente para se manterem sozinhas.

— Então está dizendo que os anjos estão matando sem piedade outros anjos apenas por quererem os alphas para eles?

— Ah não, eles não iriam sujar suas próprias mãos tão fácil assim.

— O que quer dizer com isso?

— Entramos na segunda decisão inimaginável ao qual eles chegaram: decidiram se unir aos anjos caídos, prometendo-lhes retorno ao plano divino.

— O QUE?!

— Pois é, eu quase surtei ao saber disso. Os miseráveis do alto escalão simplesmente acharam que poderiam perdoar os pecados dos anjos caídos facilmente se eles prometessem ajuda para nos matar e capturar os alphas e entregassem aos arcanjos no plano divino. Mas sinceramente, de tudo que vi até esse momento, esse acordo não vai terminar bem. Na teoria eles podem estar se ajudando, mas na prática é diferente. Os anjos estão apenas blefando sobre a promessa de retorno e perdão, e os anjos caídos se rebelaram contra obedecer ordens, acreditam mesmo que agora eles mudariam seus pensamentos? Quando os alphas forem capturados, se assim eles conseguirem, haverá uma outra guerra entre anjos, e sinto muito informar, mas acredito que dessa vez acontecerá aqui no plano mortal, e os humanos se tornarão as vítimas.

— Isso poderia ser...?

— O fim dos tempos ao qual a profecia se refere? Eu acredito que sim. O que precisamos fazer agora é encontrar cada um dos alphas e criá-los, treiná-los a se tornarem aptos para uma guerra. Antes pensávamos que a separação era a melhor opção, hoje é totalmente diferente, então quando eles tiverem um pouco mais velhos teremos que uni-los, nem poderemos esperar que cheguem a maioridade humana. Ainda não sei quem realmente são os alphas, onde papai está, ou o que exatamente irá acontecer daqui pra frente, mas não temos muito tempo, e os Alpha Guardians são a nossa única salvação

 

A fita então acaba, as últimas palavras ainda ecoando pelo ambiente, penetrando em nossas mentes, forçando-nos a aceitar toda a realidade que está acima do que pensávamos e esperávamos...


Notas Finais


"Próximo Capítulo: 26 - Ganância Por Poder"


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...