História Aquilo que o outono levou embora - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Arrependimento, Drama, Original, Outono, Remorso, Romance, Shoujo, Tragedia
Visualizações 6
Palavras 1.637
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi
To até envergonhada de demorar tanto pra postar, é que ás vezes você fica com uma vontade de morrer que nem tem vontade pra nada :P
Mas obrigado por todos os comentário e favoritos e a todos que leem a história <3
Esse é um capitulo especial como o do passado da Annie, mas dessa vez será do Merle
Espero que gostem e boa leitura <3

Capítulo 10 - O maldito mar em que minha alma se afoga


Fanfic / Fanfiction Aquilo que o outono levou embora - Capítulo 10 - O maldito mar em que minha alma se afoga


  Começamos a caminhar tendo o céu negro, acima de nós, como companhia. A brisa calma soprava em seus cabelos ruivos enquanto eu a guiava segurando em sua mão.
  Depois de um tempo, finalmente chegamos ao local que eu queria leva-la. Era a praia. Eu havia decidido contar a ela meu passado, naquela noite, tendo como testemunha as brilhantes; e que lugar mais adequado seria para relatar-lhe aquela lastimável história.
  Eu a amava e não podia mais esconder algo assim dela, afinal, ela me contara a sua vida também. Um passado tão trágico que eu posso afirmar que foi mais pesado que o meu. Na verdade, os dois foram horríveis igualmente. Os dois mantém um sentimento de culpa igualmente. Esse é um dos piores sentimentos que um ser humano pode ter, pois não é algo efêmero como uma chuva torrencial em uma tarde de domingo. Não, a culpa não é assim. A culpa se mantém cravada em sua alma até você não mais suportar o peso dela. A culpa te sufoca, te machuca, te afoga em um mar de desespero. A culpa te mata aos poucos enquanto você grita clamando por socorro até sua voz sumir completamente e sua garganta começar a sangrar.
  Nossos pés sobre a areia na beira do mar. O maldito mar em que minha alma sórdida se afoga. Eu tinha ódio desta água salgada tanto quanto tinha de mim mesmo. Aquela água que a levou embora, para longe de mim, naquele dia quente de verão.
  Olhei para o lado, Annie me encarava com questionamento esperando pelas palavras que eu devia falar naquele momento. Eu apenas esbocei um pequeno sorriso e olhei novamente para frente, fixando minhas orbes azuis tão quanto o cruel mar nas ondas que se elevavam. Fechei os olhos e enchi meus pulmões com o ar da noite, preparando-me para meu relato trágico.
  -Annie, você gosta do mar? - perguntei. Minha voz era trêmula e sem vida, como a de quem canta um doce acalanto.
  -Não gosto dele, pois tenho medo. É imenso demais, é fundo demais, é escuro demais, é frio demais, salgado demais. Então, tenho medo. Mas eu gosto dele, pelo mesmo motivo dele ser imenso demais, fundo demais, escuro demais, frio demais, salgado demais. Então, eu gosto dele.
  -Entendo.
  -E você? Gosta do mar?
  -Não, eu o odeio. Do fundo do meu coração, eu o odeio. O odeio mesmo que a culpa não tenha sido dele, mas preciso dividir esse peso com alguém, então, por quê não ele? Egoísmo, não? É, sou egoísta. E esse egoísmo me tirou a pessoa mais importante para mim. Eu sempre fui assim, desde criança. Se eu tivesse mudado, ela ainda estaria aqui. Ainda estaria aqui com aqueles belos cabelos cor de palha, sorrindo, me abraçando, rindo. Eu me arrependo.
  -É sobre sua história? Você vai me contar?
  -Sim, quero compartilhar isso com você.
  -Tudo bem, eu estou aqui te ouvindo e vou permanecer ao seu lado.
  Nos sentamos na areia e eu comecei meu relato. Annie em nenhum momento retirou os olhos de mim, e no final dele, esboçou um pequeno sorriso como se ela pudesse sentir o peso emocional que saiu de meus ombros depois de eu a contar tudo.
  -Eu realmente não sei por onde devo começar. - fechei os olhos e os abri lentamente como se tentasse lembra-me de todos os fatos. - Quando a minha mãe estava grávida de mim, os médicos diziam que o parto seria extremamente perigoso, e que se ela não morresse durante a cesária, ficaria com sequelas pelo resto da vida. Essa é uma das primeiras coisas pelas quais eu me arrependi. Ter nascido. 
  "Meu pai, já não gostava muito de mim enquanto eu estava na barriga dela, pelo simples fato de eu não ter sido "planejado". Ter um bebê o forçaria a se casar com minha mãe e o privaria da liberdade de se envolver com quantas mulheres quisesse. O ódio que ele tinha por mim piorou ainda mais depois da notícia dos médicos e ele começou a insistir que minha mãe deveria me abortar o quanto antes. Dizia que eu estava na barriga dela apenas para criar o caos. Eu soube que eles brigavam quase todos os dias por minha causa. Minha mãe defendendo-me e dizendo que mesmo se ela morresse eu viveria, e meu pai dizendo que eu era uma criança amaldiçoada que não deveria existir.
  A culpa era toda minha.
  Então, chegou o dia do parto, e eu, eu a matei. Ela não sobreviveu, mas eu estava lá. Vivo, respirando, enquanto ela estava fria e sem vida.
  Quem você acha que escolheu meu nome pelo significado trágico e fúnebre que há por trás dele? Acho que você já deve imaginar a resposta.
  Desde que eu tinha três anos, meu pai sempre fez questão de me dizer que a culpa de minha mãe estar a sete palmos em baixo da terra, era minha. Todos os dias ele me dizia isso, até mesmo me batia. Me batia por ser um empecilho. Me batia por ter matado minha mãe. Me batia por eu ter nascido e ainda estar vivo. Sabe, é demais para uma criança tão pequena aguentar. Era uma tortura psicológica enorme que me cobria todos os dias e, mesmo eu ainda tentando dizer que era mentira, que a culpa nunca fora minha, que eu não a tinha matado, meu cérebro começou a ruír e eu acreditei das palavras dele. Ele era meu pai. Devia ter sido um pai!
  Quando eu fiz sete anos, meu pai percebeu que já havia cumprido com o que queria. Eu já me odiava tanto quanto ele. Então, ele parou de me bater, mas continuou a dizer que a culpa de todo o mal que acontecia era minha. Somente minha. Se negócios dele iam mal, a culpa era minha. Se ele pegasse uma gripe ou algo do tipo, a culpa era minha. Se ele começasse a gastar dinheiro com bebidas, jogos de azar e mulheres, a culpa era minha. Apenas minha.
  Meu pai certa noite voltou para casa com uma mulher que eu não conhecia, eles passaram a noite inteira no quarto e seis meses depois a mulher retornou dizendo que estava grávida e que o filho era dele.
  Meu pai xingou-a de todos os nomes que vieram a mente, mas quando a criança nasceu, a mulher deixou o filho com ele e sumiu pelo mundo.
  Era uma menina. Diferente de mim, ele a colocou um nome belo. Aurora. Ele me odiava, mas gostava dela.
  Não posso dizer que a odiava, pois estaria mentindo. Eu a amava. Ela me alegrava, deixava os dias tristes coloridos e belos. Me defendia quando meu pai dizia qualquer coisa maldosa.
  Mas como eu disse, sou egoísta. Egoísta demais.
  Quando ela tinha oito e eu dezessete anos de idade, aconteceu aquilo.
  Era uma manhã de verão. Eu estava com raiva de alguma coisa que nem ao menos me recordo. Devia ser algo tão bobo, tão idiota, mas que me fez fazer a pior coisa da minha vida. Nós três, meu pai, minha irmã e eu fomos a praia mesmo eu estando extremamente bravo. Meu pai me pediu para olha-la dizendo que iria ao banheiro. Eu apenas assenti, mas quando Aurora disse que nadaria no mar em uma parte mais afastada da praia, eu apenas gritei a ela que não me importava e que ela podia fazer o que bem entendesse, até mesmo afundar naquele mar. Maldito pedido. Maltido grito.
  Eu vi como ela ficou triste. Vi como ela saiu correndo, mas não fui atrás. Eu podia ter mudado aquilo. Podia ter a segurado ali. Podia ter ido com ela. Mas eu não fui.
  Depois de alguns minutos eu vi algumas pessoas aglomeradas, e então, eu descobri que ela havia se afogado e morrido. Por culpa do mar. Por culpa do meu egoísmo. Por minha culpa.
  Eu estava completamente em choque que nem ao menos consegui chorar. Eu não conseguia digerir o que havia acabado de acontecer. Eu não conseguia raciocinar. Não conseguia acreditar que ela estava morta.
  Eu já estava me culpando o suficiente sozinho, mas as pessoas decidiram dar um empurraozinho para que eu caisse de vez dentro do abismo do arrependimento. Todas as pessoas que ficaram sabendo do ocorrido me culparam. Me culparam ainda mais por saber que eu nem sequer chorei naquele dia. Elas não entendiam como era ter sua irmã tão amada engolida pelo mar por sua culpa. Não entendiam que por mais que eu morresse por dentro e quissesse chorar, as lágrimas não viam. Irônico como agora o que mais eu sei fazer é chorar por ela.
  Meu pai me bateu muito aquele dia e me proibiu de ir ao velório de minha irmã. Me proibiu de me despedir. Me proibiu de me desculpar com ela.
  Foi naquele dia que eu comecei a fumar e a beber. Comprei um uísque barato e um cigarro qualquer e fiquei em meu quarto tentando chorar, mas não conseguia. Eu me odiava. Me odiava tanto que naquele momento eu pensei em me matar, mas decidi que eu deveria viver apenas para sofrer.
  No dia seguinte ao velório, por onde eu passava pessoas me encaravam e me diziam palavras de ódio. Meu pai nunca mais falou qualquer coisa comigo e alguns garotos da vizinhança começaram a me espancar por "matar minha própria irmã". Esses garotos eram amigos do Joseph, mas felizmente ele havia se mudado antes do acontecido. Com certeza deve ter ficado sabendo do que aconteceu por um deles.
  Depois que eu fiz dezoito, sai de casa e comecei a viver por conta própria, ainda me corroendo, por ter matado minha mãe e minha irmã, nunca podendo pedir perdão. No fim, era eu quem estava se afogando "
  Annie apenas me envolveu em um abraço caloroso e não precisou dizer qualquer palavra.


Notas Finais


Obrigado por terem lido :3
Até o próximo, eu vou tentar postar o mais rápido possivel, é que minha internet ás vezes não colabora também, espero que entendam e me desculpem pela demora e qualquer erro <3


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