História Até que o Inferno os separe - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Taekook, Vkook
Visualizações 232
Palavras 1.489
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Seokjin


 

 

Jungkook estava seguindo o choro. Sentiu-se um pouco atordoado quando se deu conta de que estava correndo, e por isso acabou tropeçando e caindo no chão liso. Era como se tivesse acabado de acordar enquanto corria e a sensação era de fato perturbadora, então ele não se reprimiu por continuar no chão por mais alguns segundos.

Continuava ouvindo o choro e pelo tom, podia facilmente dizer que era de um bebê, todavia, ainda era difícil discernir por que se importava tanto. Me importo, certo? Certo.

Era de noite e estava na rua. Quando se levantou, teve que lidar com o incômodo de suas roupas um pouco úmidas e sujas, já que aparentemente havia chovido há pouco tempo e o asfalto ainda estava molhado. Não havia estrelas e nem Lua no céu, mas sim a precária iluminação urbana provinda de alguns postes de luz que falhavam vez ou outra. Estendiam-se por toda a rua e Jungkook não conseguia ver seu fim. Não havia casas ou pessoas, e isso o lembrou de que não estava em sua própria realidade. Havia construções, sim, mas escuras demais para o rapaz conseguir concluir o que eram.

Pôs-se a correr novamente, desta vez mais motivado. Era sua missão ali, não era? Logo encontraria alguém que lhe explicaria tudo. Jungkook estava começando a pegar o jeito da coisa e se perguntou por quantos universos mais teria de passar até que pudesse encontrar Taehyung.

Correu tanto que perdeu a noção de tempo. Embora suas pernas ficassem cansadas, sua respiração jamais se desregulava, e assim Jungkook correu o suficiente para chegar até o fim daquela rua que antes, parecia eterna. Ela terminava com um muro alto em que alguns insetos rastejavam, mas a já precária iluminação não fazia efeito algum ali e Jungkook podia ouvir apenas os zunidos que os animais produziam. Encostado ao muro, havia uma caçamba de lixo enferrujada e aberta, e era ali que o bebê estava.

O Jeon se aproximou com cuidado, um arrepio lhe subindo pela espinha mesmo que não houvesse vento ou som diferente dos insetos. Talvez fosse o suficiente. Olhou para os lados esperando encontrar alguém, mas não havia nada, e por isso ele se forçou a continuar andando até que pudesse ver o que tanto chorava.

Mas não era o que pensava.

Quando enfim pôs os olhos naquilo, o choro cessou e por um momento, nada foi ouvido. Era apenas uma massa disforme, rosada, que vagamente lembrava um bebê. A pele enrugada e suja, um pouco gosmenta, o rosto largo e achatado; grandes bolotas negras e enrugadas como uma uva passa pareciam ser seus olhos e quatro fios mirrados que deveriam ser seus braços e pernas se desprendiam da massa maior. Jungkook podia ver ainda as mãos, menores que suas unhas, ainda que os dedos fossem perfeitamente delineados; e podia as ver se mexendo.

Deu um passo para trás quando um súbito desconforto lhe atingiu – sabia que não era só pelo que acabara de ver. Outro calafrio lhe percorreu o corpo e quanto se virou para trás, quase instintivamente, a viu.

— Jin — murmurou.

A moça, a alguns metros de si, encarava-lhe com um misto de mágoa e ódio. Jungkook podia sentir isso. E era Jin, não havia dúvidas, e não houve mesmo quando sua imagem tremeluziu e ela se transformou em outra coisa. Agora era um rapaz de cabelos castanhos e lisos, muito parecido com a mulher de outrora, e Jungkook também o conhecia. Fora seu cunhado, afinal.

Seokjin não usava a camisola que sua irmã vestia e suas roupas não estavam ensanguentadas em seu baixo ventre. Jungkook estava estático demais para fazer qualquer coisa e a feição que Seokjin carregava – neutra, mas ao mesmo tempo intimidadora – não o ajudava em nada. Sentiu-se tímido de repente e a vergonha por seus atos lhe caiu sobre os ombros, mas tentou afastá-la rápido. Não conseguiu.

O outro rapaz vestia roupas simples, muito parecidas com as suas, e mesmo que fosse apenas alguns centímetros mais alto, parecia muito maior. Ambos se mantiveram naquela troca de olhares confusa, silenciosos e estáticos, até que o mais alto se virasse para seu lado direito e começasse a andar na direção de uma das construções. Jungkook sabia que deveria segui-lo, mas esperou que Seokjin desaparecesse ali dentro para o fazer.

E quando o fez, correu. Estava com pressa, queria sair dali rápido, mas de algum jeito sabia que não conseguiria. Desde quando não pensava em Seokjin? Oh, provavelmente nunca pensou nele de forma apropriada. Sua irmã, pelo contrário, foi um fantasma em suas memórias por muito tempo, até que a esqueceu também. Agora, desejava esquecê-los de novo.

Quando se aproximou do prédio, ele enfim se iluminou. Parecia ser um açougue e Jungkook podia sentir o cheiro de carne crua, mas também de algo podre. Estava numa sala iluminada, a luz forte chegando a ser inconveniente, e no centro dela havia uma espécie de balcão de metal completamente sujo de sangue. Havia sangue nas paredes, bem como no chão, e até mesmo um pouco no teto. Tudo era branco e o vermelho se contrastava ainda mais; o Jeon se viu enjoado.

Havia apenas uma saída dali, uma abertura escura que provavelmente levaria para outro cômodo, mas que nem mesmo tinha porta. Jungkook se forçou a andar naquela direção mesmo quando ouviu um grito fino e conhecido porque sabia o que iria ver e não podia mais procrastinar.

Embora quisesse.

Aquela era outra sala muito parecida com a anterior, mas em cima da mesa metálica havia Jin, muito diferente do que Jungkook se lembrava – ainda mais magra, os cabelos secos como palha, olheiras fundas debaixo dos olhos e a expressão contorcida na mais pura dor. Vestia uma camisola de hospital e as pernas abertas acolhiam as mãos de algum homem que usava pinças, tesouras, agulhas, e mesmo assim não era um médico de verdade. Jungkook sabia. Os pulsos de Jin estavam amarrados com tiras de couro à mesa bem como os tornozelos e ela se debatia enquanto gritava, tão alto e cortante que Jungkook precisou se controlar para não gritar também. Queria que o homem parasse de fazer aquilo, queria fazê-lo parar, queria não ver mais o sangue escorrendo para fora de Jin como uma cachoeira, e queria não ter visto a massa disforme que ele arrancou de dentro dela, mas não pôde fazer nada além de assistir.

Quando viu Seokjin encostado em outra abertura, quase agradeceu por vê-lo ali, pois enfim poderia sair daquela sala. Precisou passar pelos dois no centro do cômodo para isso, mas ninguém parecia vê-lo, e Jin estava suja e nojenta o suficiente para causar alguma repulsa no Jeon e até um pouco de compaixão, mas nada mais que um pouco. E isso logo se transformou em nada, mesmo que ele visse em seus olhos abertos e vazios que estava morta.

Seokjin havia desaparecido de novo, mas Jungkook se enfiou naquela nova sala e não se incomodou quando se viu perdido num vazio negro. Não havia mais os gritos de Jin, mas agora parecia também não haver chão ou teto ou paredes ou nada. Nada além de duas pessoas um pouco longe dali, ainda que ele não soubesse onde ali fosse. E mesmo que não quisesse, forçou-se a andar na direção deles.

Por Taehyung.

Eu faço isso por Taehyung.

Eu fiz aquilo por Taehyung.

E conseguiu se convencer.

— Jungkookie.

Havia piscado, uma vez apenas e tão rápido, mas agora via que não eram duas pessoas alheias. Era ele mesmo e Jin, à sua frente, limpa e um pouco mais corada, mais saudável, ainda que com suas roupas simples e baratas. Despertava-lhe afeição, agora. Ela tinha um sorriso infantil no rosto ingênuo que acentuava ainda mais suas feições pueris, mas seus olhos pequenos e negros lhe encaravam de forma desconfortável, quase temerosa, e ele já sabia por quê.

Eu estou grávida! — ela disse, apesar de tudo, animada.

Quase no mesmo instante, algo em seu bolso vibrou. Jungkook enfiou a mão ali dentro, o olhar fixo de Jin ainda sobre si, e tocou a chave que continuava consigo. Além dela, havia também seu celular, e quando o tirou do tecido, pôde ver na tela uma notificação.

Mensagem de Taehyung.

Ele sabia que não era real, apenas sua lembrança, e quando ergueu os olhos para a garota novamente, não sentiu nada mais do que repulsa.

Por Taehyung.

Eu faço isso por Taehyung.

Atrás dela, Seokjin apareceu. Jungkook não pôde dizer se ele sempre esteve ali ou chegou de mansinho, mas mesmo tão parecido com Jin, seu olhar pesado intimidava o Jeon; uma pena que não o fizesse se arrepender.

Vamos ter um filho, assim como sonhamos — ela continuou, tão presa no rosto do namorado – do namorado? – que não via nada mais. Jungkook se lembrava de quando conversavam sobre o futuro e de quando ele mesmo falava sobre crianças, mas isso fora antes de Taehyung.

Por isso, desta vez, não hesitou.

Não vamos, não.

E não se arrependia.

 

 


Notas Finais


preciso ir rapidinho, nenês
amanhã edito tudo, ok? espero que tenham gostado ♥

xx


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...