História Blow Your Mind - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Teen Wolf
Personagens Aiden, Alan Deaton, Brett Talbot, Cora Hale, Corey Bryant, Derek Hale, Ethan, Isaac Lahey, Jackson Whittemore, Jordan Parrish, Laura Hale, Liam Dunbar, Lydia Martin, Malia Tate, Melissa McCall, Mieczyslaw “Stiles” Stilinski, Peter Hale, Scott McCall, Sheriff Noah Stilinski, Talia Hale, Theo Raeken, Vernon Boyd
Tags Scisaac, Sterek, Teen Wolf
Visualizações 383
Palavras 5.209
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pausa? Cadê a pausa?
Kakkakakkakkakakakakakaa
Na verdade eu já tinha esse e tenho mais outro capítulo pronto. Por isso, estou postando como presente do dia das crianças amores!!
Boa leitura!

Capítulo 18 - Las Vegas


Derek colocou as malas no chão e olhou em volta do quarto.

— Isso aqui é legal, hein? — Olhei feio para ele, que ergueu uma sobrancelha. — Que foi?

O zíper da minha mala fez barulho quando o puxei pelas bordas e balancei a cabeça. Diferentes estratégias e o pouco tempo de que dispunha enchiam a minha cabeça.

— Não estamos de férias. Você nem devia estar aqui, Derek.

No momento seguinte, ele estava atrás de mim, cruzando os braços na minha cintura.

— Eu vou aonde você for.

Apoiei a cabeça no peito dele e suspirei.

— Tenho que descer lá. Você pode ficar aqui ou ir dar uma volta a gente se vê mais tarde, tá?

— Eu vou com você.

— Não quero você por lá, Der. — Uma expressão de mágoa pesou sobre seu rosto e pus a mão em seu braço. — Preciso me concentrar para ganhar catorze mil dólares em um fim de semana. Não gosto de quem vou me tornar enquanto estiver naquelas mesas, e não quero que você veja.

Ele beijou meu rosto.

— Tudo bem, Sti.

Derek acenou para Scott antes de sair do quarto, e ele se aproximou de mim com o mesmo terno que tinha usado na festa de casais. Scott puxou meus cabelos para trás e me entregou um tubo preto. 

— Você precisa de mais umas cinco camadas de gel. Esqueceu como se joga isso?

Peguei o gel da mão dela e fiquei mais uns dez minutos me ajeitando. Assim que terminei, meus olhos começaram a lacrimejar.

—Droga, Stiles, não chora — falei, olhando para cima e dando batidinhas debaixo dos olhos com um lenço de papel.

— Você não precisa fazer isso. Você não deve nada pra ele — Scott colocou as mãos nos meus ombros enquanto eu me olhava no espelho uma última vez.

— Ele deve dinheiro pro Gerard, Scott. Se eu não fizer isso, eles vão matar o Noah.

A expressão dele era de pena. Eu o tinha visto me olhar daquele jeito muitas vezes antes, mas agora Scott estava desesperado. Ele tinha visto meu pai arruinar a minha vida mais vezes do que qualquer uma de nós seria capaz de contar.

— E da próxima vez? E da próxima? Você não pode continuar fazendo isso.

— Ele concordou em ficar longe. Noah Stilinski é um monte de coisas, mas não é desses caras que não pagam o que devem.

Atravessamos o corredor e entramos no elevador vazio.

— Você tem tudo de que precisa? — perguntei a ele, me lembrando das câmeras.

Scott bateu com as unhas em sua carteira de motorista falsificada.

— Meu nome é Tyler. Tyler Posey. — disse ele, com um impecável sotaque sulista.

Estendi a mão.

— Dylan O'brien. Prazer em conhecê-lo, Tyler.

Colocamos os óculos escuros e ficamos parados, sem nenhuma expressão no rosto, enquanto o elevador se abria, revelando as luzes de neon e o barulho do cassino. As pessoas se movimentavam em todas as direções, vindas de todas as camadas da sociedade, de todos os estilos de vida e profissões. Las Vegas era um inferno celestial, o único lugar onde era possível encontrar, no mesmo edifício, dançarinas com vistosas plumas e maquiagem de palco, prostitutas com roupas insuficientes e ainda assim aceitáveis, homens de negócios em ternos chiques e famílias inteiras. Atravessamos uma ala ladeada por cordas vermelhas e entregamos a carteira de identidade a um homem de casaco vermelho. Ele me olhou por um instante, e abaixei os óculos.

— A qualquer hora hoje seria ótimo — falei, entediado.

Ele devolveu nossa identidade e se pôs de lado para que entrassemos. Passamos pela ala de caça-níqueis, pelas mesas de blackjack e paramos perto da roleta. Examinei o salão, observando as diversas mesas de pôquer, e resolvi ficar naquela onde estavam sentados os jogadores mais velhos.

— Aquela — falei, apontando com a cabeça para o outro lado do salão

— Já comece agressivo, Stiles. Eles nem vão saber o que os atingiu.

—Não, eles são a velha guarda de Vegas. Tenho que fazer um jogo inteligente dessa vez.

Fui caminhando até a mesa, exibindo meu sorriso mais charmoso. Os nativos podiam sentir o cheiro de um vigarista a quilômetros de distância, mas eu tinha duas coisas a meu favor que encobriam o rastro de qualquer golpe: juventude e... Lábia.

—Boa noite, cavalheiros. Se importam se eu me juntar a vocês? Eles nem ergueram o olhar.

— Claro, doçura. Sente aí e fique bonitinho. É só não falar.

—Eu quero jogar — eu disse, entregando a Scott os óculos escuros. — Não tem muita ação nas mesas de blackjack.

Um dos homens mordia a ponta do charuto

— Essa é uma mesa de pôquer, boneco. Pôquer fechado. Melhor você tentar a sorte nos caça-níqueis.

Eu me sentei na única cadeira vazia, me exibindo ao cruzar as pernas.

— Eu sempre quis jogar pôquer em Las Vegas. E tenho todas essas fichas... — falei, colocando minha pilha sobre a mesa. — E sou muito bom no pôquer online.

Os cinco homens olharam para minhas fichas e depois para mim.

— Tem uma aposta mínima, meu bem — disse o carteador, que distribui as cartas no jogo.

— De quanto?

— Quinhentos, boneco. Escuta... não quero fazer você chorar. Faça um favor a si mesmo e escolha um reluzente caça-níquel.

Empurrei minhas fichas para o centro da mesa, dando de ombros da maneira como faria um garoto impulsivo e confiante demais antes de se dar conta de que acabara de perder a poupança da faculdade. Os homens se entreolharam. O carteador deu de ombros e jogou suas fichas.

— Jimmy — disse um dos jogadores, estendendo-me a mão. Quando o cumprimentei, ele apontou para os outros. — Mel, Pauli, Joe e esse é o Winks.

Olhei para o homem magrelo que mascava um palito de dentes e ele piscou para mim.

Assenti e fiquei esperando com falsa expectativa enquanto eram distribuídas as cartas da primeira mão. Perdi de propósito as duas primeiras, mas lá pela quarta eu estava ganhando. Os veteranos de Las Vegas não demoraram tanto quanto Laura, a irmã de Derek, para me sacar.

— Você disse que jogava online? — Pauli me perguntou.

— E com o meu pai.

— Você é daqui? — Jimmy sondou.

— De Wichita — respondi.

— Ele não é nenhum jogador de pôquer online, disso eu tenho certeza — resmungou Mel.

Uma hora depois, eu havia tirado dois mil e setecentos dólares dos meus oponentes, e eles estavam começando a suar.

— Passo — disse Jimmy, jogando as cartas na mesa com o cenho franzido.

— Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, nunca teria acreditado — ouvi alguém dizer atrás de mim.

Scott e eu nos viramos ao mesmo tempo, e meus lábios formaram um largo sorriso.

— Gabe — balancei a cabeça. — O que você está fazendo aqui?

— Este lugar em que você está dando golpe é meu, Docinho. O que você está fazendo aqui?

Revirei os olhos e me virei para meus novos amigos, que me olhavam desconfiados.

— Você sabe que odeio isso, Gabe.

— Com licença — ele disse, me puxando pelo braço e me fazendo ficar em pé.

Scott olhou para mim com um ar vigilante enquanto eu era conduzido para longe dali.

O pai de Gabe gerenciava o cassino, e para mim era uma grande surpresa ver que ele havia se juntado aos negócios da família. Costumávamos perseguir um ao outro pelos corredores do hotel, e eu sempre o vencia quando apostávamos corrida de elevador. Ele tinha crescido desde a última vez em que o vira. Eu me lembrava dele como um pré-adolescente magro, alto e desengonçado, mas agora o homem à minha frente era um bem-vestido gerente de cassino, nem um pouco desengonçado e com certeza muito másculo. Ele ainda tinha a pele morena e sedosa e os olhos castanhos de que eu me lembrava, mas o resto era uma agradável surpresa.

— Surreal. Achei que fosse você quando passei por aqui, mas não conseguia acreditar que você tinha voltado. Quando vi esse mocinho limpando a mesa dos veteranos, eu soube na hora que era você.

— Sou eu — falei.

— Você está... diferente.

— Você também. Como vai seu pai?

— Aposentado — ele sorriu. — Por quanto tempo você vai ficar aqui?

— Só até domingo. Tenho que voltar para a faculdade.

— Oi, Gabe — disse Scott, me pegando pelo braço.

— Scott — ele riu baixinho. — Eu devia ter me ligado. Vocês são sombra um do outro.

— Se os pais dele soubessem que eu trouxe o Scott aqui, isso teria acabado há muito tempo.

— Que bom te ver, Stiles. Posso te pagar um jantar? — ele me perguntou, analisando o meu terno.

— Eu adoraria saber as novidades, mas não estou aqui para me divertir, Gabe.

Ele estendeu a mão e sorriu.

— Nem eu. Me passa sua identidade.

Meu queixo caiu. Eu sabia que tinha uma luta nas mãos. Gabe não se renderia ao meu charme com tanta facilidade. Eu teria que lhe contar a verdade.

— Estou aqui por causa do Noah. Ele está metido numa encrenca.

Gabe se afastou um pouco.

— Que tipo de encrenca?

— A de sempre.

— Eu queria poder ajudar. A gente tem uma história antiga, e você sabe que respeito o seu pai, mas também sabe que não posso deixar você ficar aqui.

Agarrei o braço dele e o apertei.

— Ele deve dinheiro pro Gerard.

Gabe fechou os olhos e balançou a cabeça.

— Meu Deus!

—Eu tenho até amanhã. Estou te pedindo um grande favor. Fico te devendo essa, Gabe. Só me dá até amanhã, por favor.

Ele encostou a palma da mão no meu rosto.

— Vamos fazer assim... Se você jantar comigo amanhã, te dou até a meia-noite

Olhei para Scott e depois para ele.

— Estou acompanhado.

Ele deu de ombros.

— É pegar ou largar, Stiles. Você sabe como as coisas funcionam aqui. Você não pode conseguir algo a troco de nada.

Suspirei, derrotado.

— Tudo bem. Encontro você amanhã no Ferraro’s, se me der até a meia-noite.

Ele se inclinou e beijou o meu rosto.

— Foi bom te ver de novo. Até amanhã... às cinco, ok? Preciso estar aqui embaixo às oito.

Sorri enquanto ele se afastava, mas meu sorriso se desvaneceu com rapidez, assim que vi Derek me encarando da mesa da roleta.

— Ah, merda! — disse Scott.

Derek fuzilou Gabe com o olhar quando ele passou, depois veio até mim. Enfiou as mãos nos bolsos e olhou de relance para Gabe, que estava nos observando de soslaio.

— Quem era aquele cara?

Assenti na direção do meu velho amigo.

— Gabe. A gente se conhece há muito tempo.

— Quanto tempo?

Olhei para trás, para a mesa dos veteranos.

— Derek, depois a gente conversa.

— Acho que ele desistiu da ideia de ser ministro batista — disse Scott, olhando na direção de Gabe com um sorriso de flerte.

— É seu ex-namorado? — ele me perguntou com raiva. — Achei que você tinha dito que ele era do Kansas.

Olhei para Scott com impaciência e depois segurei o queixo de Derek, para que ele prestasse total atenção no que eu estava falando.

—Ele sabe que não tenho idade para estar aqui, Der. Ele me deu até a meia-noite. Eu te explico tudo depois, mas agora tenho que voltar para o jogo, tudo bem? 

Dava para ver os movimentos de seu maxilar sob a pele, e então ele cerrou os olhos e respirou fundo.

— Tudo bem. Te vejo à meia-noite. — E se curvou para me dar um beijo, mas seus lábios estavam frios e distantes. — Boa sorte.

Sorri enquanto ele se misturava à multidão, depois voltei a atenção aos homens à mesa.

— Cavalheiros?

— Sente-se, Dylan O'brien — disse Jimmy. — Vamos recuperar o nosso dinheiro agora. Não gostamos de ser roubados.

— Façam o seu pior — sorri.

— Você tem dez minutos — sussurrou-me Scott

— Eu sei — respondi.

Tentei bloquear a ideia de tempo e o joelho de Scott se mexendo nervosamente debaixo da mesa. O prêmio da rodada já estava em dezesseis mil dólares, o mais alto da noite, e era tudo ou nada.

— Nunca vi alguém jogar assim, menino. Você fez um jogo quase perfeito. E ele não tem nenhum tique, Winks. Você notou? — disse Pauli.

Winks assentiu, e seu comportamento animado se evaporava um pouco mais a cada rodada.

— Notei. Nenhum gesto, nenhum sorriso, até os olhos dele continuam com a mesma expressão. Isso não é natural. Todo mundo tem um tique.

— Nem todo mundo — disse Scott, com um sorriso orgulhoso.

Senti um par de mãos familiares encostar nos meus ombros. Eu sabia que era Derek, mas não me atrevi a me virar, não com três mil dólares no meio da mesa.

— Vamos lá — disse Jimmy.

As pessoas em volta da mesa aplaudiram quando abaixei o que tinha em mãos. Jimmy foi o único que chegou próximo, com uma trinca. Nada de que meu straight não desse conta.

— Inacreditável! — disse Pauli, jogando seu par de dois na mesa.

— Estou fora — resmungou Joe, levantando-se e afastando-se da mesa com raiva.

Jimmy foi mais elegante.

— Posso morrer hoje sabendo que joguei com um grande adversário, menino. Foi um prazer, Stiles.

Fiquei paralisado.

— Você sabia?

Ele sorriu. Os anos de fumaça de charuto e café manchavam seus grandes dentes.

— Já joguei com você antes. Faz seis anos. Fazia muito tempo que eu queria uma revanche — E estendeu a mão para me cumprimentar. — Se cuida, menino. Diga ao seu pai que Jimmy Pescelli mandou um alô.

Scott me ajudou a coletar os meus ganhos, e me virei para Derek, olhando para o relógio.

— Preciso de mais tempo.

— Quer ir tentar as mesas de blackjack?

— Não posso perder dinheiro Der.

Ele sorriu.

— Você não consegue perder, Sti.

Scott balançou a cabeça.

— Blackjack não é o jogo dele.

Derek assentiu.

— Ganhei um pouco. Tenho seiscentos dólares. Pode ficar com o dinheiro.

Isaac me entregou as fichas dele.

— Só consegui trezentos. São seus.

Soltei um suspiro.

— Valeu, pessoal. Mas ainda faltam cinco mil.

Olhei para o relógio de novo, depois ergui a cabeça e vi que Gabe estava se aproximando.

— Como se saiu? — ele me perguntou, sorrindo.

— Ainda faltam cinco mil, Gabe. Preciso de mais tempo.

— Fiz tudo que eu podia, Stiles.

Assenti, sabendo que já tinha pedido demais.

— Obrigada por me deixar ficar.

— Talvez eu consiga fazer meu pai conversar com o Gerard por você.

— Esse é um problema do Noah. Vou pedir a ele uma extensão do prazo.

Gabe balançou a cabeça.

— Você sabe que isso não vai acontecer, Docinho, não importa com quanto dinheiro você apareça. Se for menos do que ele deve, o Gerard vai mandar alguém atrás dele. E você, fique o mais longe possível.

Senti meus olhos arderem.

— Eu tenho que tentar.

Gabe deu um passo para frente, se inclinando para manter a voz baixa.

— Entre em um avião, Stiles. Está me ouvindo?

— Estou — falei, irritado.

Ele suspirou, e seus olhos ficaram com um ar pesado de empatia, depois me abraçou e beijou meus cabelos.

— Sinto muito. Se eu não corresse o risco de perder o emprego, você sabe que eu tentaria pensar em alguma saída.

Assenti, afastando-me.

— Eu sei. Você fez o que pôde.

Então se curvou para beijar o canto da minha boca e saiu andando sem dizer mais nenhuma palavra.

Olhei de relance para Scott, que observava Derek. Eu não me atrevia a encontrar o olhar dele; não conseguia nem imaginar sua expressão de raiva.

— O que é que tem às cinco? — ele quis saber, com a voz gotejando uma raiva controlada.

— O Stiles concordou em jantar com o Gabe se ele deixasse ele ficar aqui. Ele não teve escolha, Derek — disse Scott,

Eu podia notar pelo tom de voz cauteloso dele que raiva era pouco para definir o que Derek estava sentindo.

Ergui o olhar para ele, que me olhou furioso, com a mesma expressão de traição que Noah tinha no rosto na noite em que se deu conta de que eu havia tirado a sorte dele.

— Você tinha escolha.

— Você já lidou com a máfia, Derek? Lamento se seus sentimentos estão feridos, mas um jantar de graça com um velho amigo não é um preço alto a se pagar para manter o Noah vivo.

Eu podia ver que ele queria soltar o verbo, mas não havia nada que ele pudesse dizer.

— Vamos, pessoal, temos que encontrar o Gerard — disse Scott, me puxando pelo braço.

Derek e Isaac nos seguiram em silêncio enquanto descíamos a The Strip até o prédio de Gerard. O trânsito, tanto de canos quanto de pessoas, estava começando a aumentar. A cada passo, eu tinha uma sensação de náusea e vazio no estômago. Minha mente estava a mil, pensando em um argumento convincente para persuadir Gerard. Na hora em que batemos à grande porta verde, que eu já tinha visto tantas vezes antes, eu estava completamente decepcionado.

—Não foi surpresa alguma ver o imenso porteiro — negro, aterrorizante e maciço —, mas fiquei pasmo ao ver Gerard parado ao lado dele.

— Gerard — falei, quase sem fôlego.

— Ora, ora... Você não é mais o Lucky Thirteen, hein? O Noah não me contou que você tinha ficado tão bonito. Eu estava esperando por você, Docinho. Ouvi dizer que tem um pagamento para mim.

Assenti e Gerard fez um gesto, apontando para os meus amigos. Ergui o queixo para fingir confiança.

— Eles estão comigo.

— Receio que seus companheiros terão que esperar do lado de fora — disse o porteiro, em um tom grave incomum.

Derek me pegou pelo braço imediatamente.

— Ele não vai entrar aí sozinho. Eu vou junto.

Gerard olhou para ele e engoli em seco. Quando o chefão ergueu o olhar para o porteiro com os cantos da boca virados para cima, relaxei um pouco.

— É justo — disse Gerard. — O Noah vai ficar feliz em saber que você tem um amigo tão bom.

Então o segui para dentro, me virando para ver o olhar preocupado no rosto de Scott. Derek segurava firme meu braço, se colocando de propósito entre mim e o porteiro. Seguimos Gerard até entrarmos em um elevador, subimos quatro andares em silêncio e depois as portas se abriram.

Havia uma grande mesa de mogno no meio de uma sala ampla. Gerard foi andando com dificuldade até sua luxuosa cadeira e se sentou, fazendo um gesto para que ocupássemos as duas cadeiras vazias do outro lado da mesa. Quando me sentei, senti o couro frio sob mim e me perguntei quantas pessoas tinham estado ali, naquela mesma cadeira, momentos antes de morrer. Estiquei a mão para segurar a de Derek e ele apertou a minha, restaurando-me a confiança.

— O Noah me deve vinte e cinco mil. Acredito que você tenha o valor total — disse Gerard, rabiscando algo em um bloco de notas.

— Pra falar a verdade — fiz uma pausa, pigarreando —, faltam cinco mil, Gerard. Mas eu tenho o dia todo amanhã para conseguir o restante. E cinco mil não é problema, certo? Você sabe que eu sou bom nisso.

— Mieczyslaw — disse Gerard, franzindo o cenho —, assim você me decepciona. Você conhece minhas regras muito bem.

— Por... por favor, Gerard. Estou pedindo que você pegue os dezenove mil e novecentos, e amanhã eu te trago o resto.

Os olhos pequenos de Gerard se revezaram entre mim e Ferek. Foi nesse momento que notei que dois homens deram um passo à frente, saídos de cantos escuros da sala. A pegada de Derek na minha mão ficou mais apertada, e prendi o fôlego.

— Você sabe que não aceito nada além do valor total. O fato de você estar tentando me entregar menos que isso me diz algo. Sabe o quê? Que você não tem certeza se vai conseguir tudo.

Os capangas deram mais um passo à frente.

— Eu posso conseguir o seu dinheiro, Gerard — eu disse, dando risadinha nervosa. — Ganhei oito mil e novecentos em seis horas.

— Então você está me dizendo que vai me trazer oito mil e novecentos em mais seis horas? — Gerard abriu um sorriso diabólico.

—O prazo é só amanhã à meia-noite — disse Derek, olhando de relance para trás e então observando a aproximação dos homens que vinham das sombras.

— O... o que você está fazendo, Gerard? — perguntei, com a postura rígida.

— O Noah me ligou hoje. Ele me disse que você está cuidando da dívida dele.

— Estou fazendo um favor a ele. Eu não devo nenhum dinheiro a você — falei sério, meu instinto de sobrevivência vindo à tona com tudo.

Gerard apoiou os cotovelos curtos e grossos na mesa.

— Estou pensando em ensinar uma lição ao Noah, e estou curioso para saber até onde vai a sua sorte, menino.

Derek levantou como um raio da cadeira e me puxou atrás dele. Então fomos de costas em direção à porta.

— O Josiah está do lado de fora, meu jovem. Para onde exatamente você acha que vai fugir?

Eu estava errado. Quando estava pensando em persuadir Gerard a ser racional, eu deveria ter previsto a vontade de Noah de sobreviver e a predileção de Gerard por vingança.

— Derek — falei em tom de aviso, observando os capangas se aproximarem de nós.

Ele me empurrou mais para trás e se aprumou.

— Espero que você saiba, Gerard, que, quando eu derrubar os seus homens, não é com a intenção de te desrespeitar. Mas eu estou apaixonado por esse moço e não posso deixar que você o machuque.

Gerard irrompeu em uma risada cacarejante.

— Tenho que lhe dar algum crédito, meu filho. Você é o cara mais corajoso que já passou por essa porta. Vou te preparar para o que você está prestes a enfrentar. O camarada mais alto à sua direita é o David. Se ele não conseguir derrubar você a socos, vai usar a faca que tem no coldre. O homem à sua esquerda é o Dane, meu melhor lutador. Aliás, ele tem uma luta amanhã, e nunca perdeu nenhuma. Tome cuidado para não machucar as mãos, Dane. Apostei alto em você.

Dane sorriu para Derek com olhos selvagens e divertidos.

— Sim, senhor.

— Gerard, para com isso! Eu posso conseguir o dinheiro pra você! — gritei.

— Ah, não... Isso está ficando interessante muito rápido — Gerard deu uma risada abafada, se recostando na cadeira.

David foi para cima de Derek, e levei as mãos à cabeca. O homem era forte, mas desajeitado e lento. Antes que ele pudesse dar um golpe ou tentasse pegar a faca, Derek o incapacitou, empurrando o rosto de David para baixo e dando-lhe uma joelhada certeira. Quando Derek deu um soco, não perdeu tempo, usando no rosto do cara toda a força que tinha. Dois socos e uma cotovelada depois, David estava no chão, caído em uma poça de sangue.

Gerard jogou a cabeça para trás, rindo de um jeito histérico e socando a mesa, com o deleite de uma criança vendo desenho animado no sábado de manhã.

— Bom, vá em frente, Dane. Ele não assustou você, assustou?

Dane abordou Derek com mais cautela, com o foco e a precisão de um lutador profissional. Seu punho cerrado voou em direção ao rosto do meu namorado com uma velocidade incrível, mas Derek conseguiu desviar, golpeando-o com o ombro com toda a força. Os dois caíram de encontro à mesa de Gerard, e então Dane agarrou Derek com os dois braços, jogando-o no chão. Eles se engalfinharam no chão por um instante, depois Dane conseguiu se levantar, se preparando para socar Derek, que estava preso debaixo dele. Cobri o rosto, incapaz de assistir.

Ouvi um grito de dor, então ergui o olhar e vi Derek segurando Dane pelos cabelos volumosos e desgrenhados, acertando um soco atrás do outro na lateral da cabeça do capanga. O rosto de Dane batia com força na mesa de Gerard a cada golpe que ele levava. Quando Derek o soltou, ele mal conseguia ficar em pé, desorientado e sangrando.

Derek o observou por um instante e depois o atacou novamente, rosnando a cada ataque, mais uma vez usando toda sua força. Dane se esquivou e acertou o maxilar de Derek com os nós dos dedos.

Derek sorriu e ergueu o dedo.

— Essa foi a sua vez.

Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Derek tinha deixado o capanga do Gerard acertá-lo. Ele estava se divertindo. Eu nunca o tinha visto lutar sem limites. Era um pouco assustador vê-lo liberar tudo que tinha em si naqueles matadores treinados e mesmo assim sair ganhando. Até aquele momento, eu não tinha me dado conta do que ele era capaz.

Com as perturbadoras risadas de Gerard ao fundo, Derek terminou de derrubar Dane, acertando o cotovelo bem no meio da cara dele e nocauteando-o antes que ele chegasse ao chão. Fui acompanhando o movimento até ele cair no tapete importado de Gerard.

— Que jovem incrível! Simplesmente incrível! — disse Gerard, batendo palmas e deliciando-se com aquilo.

Derek me puxou para trás dele enquanto Josiah preenchia o vão da porta aberta com seu físico gigantesco.

—Devo cuidar disso, senhor?

— Não! Não, não... — disse Gerard, ainda exultante com o desempenho improvisado de Derek. — Qual é o seu nome?

Meu namorado ainda respirava com dificuldade.

— Derek Hale — disse ele, limpando o sangue das mãos na calça jeans.

— Derek Hale, acredito que você possa ajudar o seu namoradinho aqui a sair dessa encrenca.

— E como seria isso? — ele perguntou, soltando o ar.

— O Dane tinha uma luta amanhã à noite. Eu apostei alto nele, mas não me parece que ele esteja em condições de lutar tão cedo. Sugiro que você assuma o lugar dele e ganhe uma grana pra mim, e eu perdoo os cinco mil e cem restantes da dívida do Noah..

Derek se virou para mim.

— Stiles?

— Você está bem? — perguntei, limpando o sangue do rosto dele.

Mordi o lábio, sentindo meu rosto se enrugar em uma combinação de medo e alívio.

Derek sorriu.

— O sangue não é meu, baby. Não precisa chorar.

Gerard se levantou.

— Sou um homem ocupado, meu filho. Topa ou passa?

— Topo — disse Derek. — É só me dar as coordenadas e estarei lá.

—Você vai lutar com o Brock McMann. Ele não é nenhuma mocinha. Foi expulso do UFC no ano passado.

Derek não se incomodou com a informação.

— É só me dizer onde preciso estar.

O sorriso de tubarão de Gerard se espalhou pelo rosto.

— Eu gosto de você, Derek. Acho que seremos bons amigos.

— Duvido — Derek respondeu.

Ele abriu a porta para mim e manteve uma posição protetora e preparada para o ataque, até o momento em que saímos pela porta da frente.

— Meu Deus! — Scott gritou ao ver o sangue cobrindo as roupas de Derek. — Vocês estão bem?

Ele me agarrou pelos ombros e analisou meu rosto.

— Estou bem. Só mais um dia no escritório. Para nós dois — falei, secando as lágrimas.

Derek me agarrou pela mão e fomos correndo até o hotel, com Isaac e Scott nos seguindo bem de perto. Poucas pessoas prestaram atenção na aparência de Derek. Ele estava coberto de sangue e parecia que só alguns ocasionais forasteiros notavam.

— Que diabos aconteceu lá? — Isaac por fim perguntou.

Derek tirou as roupas, ficando só de cueca, e sumiu dentro do banheiro. O chuveiro foi ligado e Scott me entregou uma caixa de lenços de papel.

— Eu estou bem, Scotty.

Ele suspirou e empurrou a caixa para mim mais uma vez.

— Não está, não.

— Não foi a minha primeira vez com o Gerard — falei.

Meus músculos estavam doloridos como resultado das vinte e quatro horas de tensão pelas quais havia passado.

— Foi a primeira vez que você viu o Derek atacar alguém como um louco — disse Isaac. — Já vi isso acontecer uma vez e não é nada bonito.

— O que aconteceu? — insistiu Scott.

— O Noah ligou para o Gerard e passou a responsabilidade para mim.

— Eu vou matar o Noah! Vou matar aquele filho da puta! — gritou Scott

— O Gerard não ia me considerar responsável, mas ia ensinar uma lição ao Noah por ter enviado o filho para pagar a dívida. Ele chamou dois de seus malditos cães de guarda pra cima da gente e Derek os derrubou. Os dois. Em menos de cinco minutos.

— Então o Gerard deixou vocês irem embora? — Scott quis saber. Derek surgiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, e a única evidência da briga era uma marca vermelha na maçã do rosto, logo abaixo do olho direito.

— Um dos caras que eu derrubei tinha uma luta amanhã à noite. Vou assumir o lugar dele e, em compensação, o Gerard vai perdoar os cinco mil que faltam da dívida do Noah.

Scott se levantou.

— Isso é ridículo! Por que estamos ajudando o Noah, Stiles? Ele te jogou aos lobos! Eu vou matar o Noah!

— Não se eu matar primeiro — disse Derek, borbulhando de raiva.

— Entrem na fila — falei.

— Então você vai lutar amanhã? — Isaac perguntou.

— Num lugar chamado Zero’s. Às seis horas. É com o Brock McMann, Isaac.

Isaac balançou a cabeça.

— De jeito nenhum. Nem ferrando, Der! O cara é um maníaco!

— É — disse Derek —, mas ele não está lutando pelo garoto dele, não é? — Ele me aninhou em seus braços, beijando o topo da minha cabeça.— Você está bem, lindo?

— Isso é errado. Isso é errado em tantos sentidos. Não sei com qual deles devo tentar te convencer a não fazer isso.

— Você não me viu hoje? Vou ficar bem. Eu já vi o Brock lutar. O cara é duro na queda, mas não é imbatível.

— Eu não quero que você faça isso, Der.

— Bom, eu não quero que você vá jantar com seu ex-namorado amanhã à noite. Acho que nós dois vamos ter que fazer algo desagradável para salvar a pele do seu pai imprestável.

Eu já tinha visto isso antes. Las Vegas muda as pessoas, cria monstros e homens arruinados. Era fácil deixar as luzes e os sonhos roubados penetrarem no sangue. Eu já tinha visto a enérgica e invencível expressão no rosto de Derek muitas vezes antes, e a única cura era um avião de volta para casa.

 

***

 

Gabe franziu a testa quando olhei mais uma vez para o relógio.

— Você tem outro compromisso, Docinho? — ele me perguntou.

— Por favor, para de me chamar assim, Gabe. Odeio esse apelido.

— Eu odiei quando você foi embora também, o que não te impediu de ir.

— Essa conversa já deu. Vamos simplesmente jantar, tudo bem?

— Tudo bem. Vamos falar sobre o seu novo namorado. Qual é o nome dele? Derek? — Assenti. — O que você está fazendo com aquele psicopata tatuado? Ele parece um rejeitado.

— Seja legal, Gabe, ou eu vou embora.

—Não consigo acreditar como você mudou. Não consigo acreditar que você está sentado aqui, bem na minha frente.

Revirei os olhos.

— Desencana.

— Aí está ele — disse Gabe. — O garoto de quem eu me lembro.

Baixei o olhar para o relógio de pulso.

— A luta do Derek começa em vinte minutos. É melhor eu ir.

— Ainda temos a sobremesa.

— Não posso, Gabe. Não quero que ele se preocupe, pensando se vou ou não vou aparecer. Isso é importante.

Ele deixou os ombros caírem.

— Eu sei. Sinto falta dos dias em que eu era importante.

Coloquei minha mão na dele.

— A gente era criança. Isso foi há uma vida.

— Quando a gente cresceu? Você estar aqui é um sinal, Stiles. Achei que nunca mais te veria e você está aqui, sentado na minha frente. Fica comigo.

Balancei lentamente a cabeça em negativa, hesitante em magoar meu amigo mais antigo.

— Eu amo o Derek, Gabe.

A decepção dele obscureceu o largo sorriso que tinha no rosto.

— Então é melhor você ir.

Dei um beijo no rosto dele e saí voando do restaurante, pegando um táxi.

— Para onde? — perguntou o taxista.

— Para o Zero’s.

Ele se virou para trás, me olhando de cima a baixo.

— Tem certeza?

— Tenho! Vamos! — falei, jogando o dinheiro sobre o banco.

 


Notas Finais


Qualquer erro mil desculpas , eu até tento acertá-los , mas às vezes passa despercebido.
Obrigada aos 106 favoritos!
Obrigada aos comentários!
Talvez amanhã ou talvez até hoje mesmo eu poste o outro que já tenho pronto, mas depois terei que focar apenas nos meus relatórios, que por acaso desde ontem que tô lutando.
Até!


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