História Blue Eyes [Malec] - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias As Peças Infernais, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Aline Penhallow, Amatis Graymark, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Imogen Herondale, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), James "Jem" Carstairs, Lady Camille Belcourt, Luke Graymark, Magnus Bane, Maia Roberts, Maryse Lightwood, Sebastian Morgstren, Simon Lewis, Tessa Gray, Will Herondale
Tags Alec, Amor, Beijo, Clace, Drama, Magnus, Malec, Sizzy
Visualizações 192
Palavras 4.624
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yo!

"Um dia a verdade iria começar a aparecer..."


Boa leitura!

Capítulo 30 - Bad day


Você fica na fila apenas para atingir um novo patamar
E você está forçando um sorriso com o café para viagem
Você me diz que sua vida tem estado fora de controle
Você está caindo aos pedaços toda hora
E eu não preciso seguir em frente.

Daniel Powter - Bad Day

 

Já fazia anos, muitos anos e ali estava ele. Sentado na enorme cadeira de couro escuro, uma grande taça de vinho nas mãos. Os olhos escuros estavam presos nas estrelas do céu e ele se lembrava de Jocelyn naquele momento. Sua esposa. A única mulher que tinha tudo para ser dele e que era dele. O maior erro que cometeu ao se deixar levar por um amor quase cego. O casamento havia durado quase oito anos, mas o primeiro filho só havia vindo quando completaram cinco. Jocelyn nunca quis ser mãe, mas ela o amava e aceitou ter o primeiro. Jonathan Christopher Morgesterns. Um lindo menino. Jonathan era todo ele, cabelos loiros, quase platinados de tão claros, olhos negros como a mais sombria noite. Perfeito.

Valentine abriu um sorriso nostálgico e girou a taça em mãos. Era um casamento mais do que perfeito e uma sociedade com as famílias que compunham a Clave, tão perfeita quanto. Ele seria o melhor presidente para aqueles que estavam no Ciclo principal. Mas então houve um boicote e mesmo com todas as suas negativas, Imogen Herondale tomou a cadeira principal. Sua cadeira. Isso fez com que o homem franzisse o cenho e apertasse os olhos de forma irritada.

Aquilo foi o maior erro que aquele bando de idiotas poderia cometer. Uma mulher com tanto poder em mãos, só poderia fazer coisas idiotas. E para não ver o império que construiu com tanto ardor ser detonado por um bando de imbecis, fez o que achou correto, pegou suas ações e passou a desviar projetos para a própria empresa. Rendia lucro dobrado e conseguia ficar atento ao andamento de seu império. Era Imogen cometer um erro, um pequeno erro e tudo estaria perfeito. Mas ela não errou, ao menos, não erros que fizeram com que os sócios se virassem contra ela e isso o enfureceu.

Ele aspirou forte e apertou a taça em mãos. Tinha um plano e tudo teria saído de forma perfeita, se  Jocelyn não tivesse estragado tudo. Mostrando os documentos para Lucian – até então se braço direito – os dois traidores fizeram com que tudo derrocasse. A denúncia foi feita e em dois anos, todo o império de sua família, toda a sua vida, havia se perdido. O divórcio e a briga pela guarda de Jonathan foi o golpe final. Jocelyn havia desistido da sua metade na empresa e o processo se encerrou ao não ter provas o suficiente contra Valentine.

- Aquela vadia! – Exclamou de forma cansada. Demorou seis meses para que descobrisse o motivo dela ter ido embora do país e levado o filho com ela. Estava grávida novamente e estava acompanhada de outro homem. Lucian.

A taça ganhou um trincado por causa do aperto firme e enfim espaço no chão, quando ele a deixou cair. Havia ido atrás da ex-esposa e trazido o filho de volta. Fazer uma explosão acontecer com eles dentro do avião, foi à coisa mais simples. Desde então, estava morto e Jonathan também. Nunca havia tido interesse na outra criança, mas havia ficado de olho em Jocelyn, até a mesma se casar e morrer.  Então, perdeu novamente o interesse, sabia que era uma garota, mas não havia se interessado em conhecer ou se aproximar, não fazia questão de saber se a filha era sua ou não.

- Pai? – A voz grave do rapaz o fez se virar e sorrir abertamente. Ambos tinham um sorriso um tanto maníaco no rosto.

- Notícias?

- Os Lightwood estão pendendo dentro da presidência e Imogen se destituiu do cargo. O carro está preparado esta noite.

Valentine sorriu e consentiu. Uma noite e seu espaço na Clave estaria livre novamente.

- Algo mais?

- Hum, parece que Clarissa está envolvida com um deles. – Ele ergueu a sobrancelha de forma curiosa.

- Eu deveria ter conhecimento de quem é Clarissa?

- Filha de Jocelyn.

Valentine fez um gesto de descaso com ambas as mãos e voltou o olhar para a janela.

- Mate-a junto com os outros. – Foi a ordem final. Jonathan consentiu, mesmo que o pai não pudesse ver. Dando as costas ao homem novamente distraído, deixou a sala.

--

A porta bateu e ele pegou celular. Sentia o olhar de Camille lhe seguindo e não se importou.

- Alec? – O tom saiu falsamente brando ao telefone – precisava falar com você. É meio urgente, podemos nos encontrar? – Havia o som de risadas ao fundo e Sebastian revirou os olhos – Sim, preciso falar com você é uma coisa importante. Por favor. – As palavras queimaram de forma nojenta em sua língua – tudo bem, obrigada, amigo.

Camille começou a rir, mas engoliu ao sentir a ponta afiada de uma faca – tirada sabe-se lá de onde – sendo pressionada contra sua bochecha.

- Não seja tão mal-humorado.

- Não seja uma inútil. – Ele caminhou a passos pesados e ela o seguiu, como o fantoche que sempre foi. Havia um carro prata a espera e ele entrou, Camille entrou em seguida e o motorista dera partida. Era um caminho sem volta e a Belcourt olhou pela janela fumê, sabendo que não retornaria novamente para aquele prédio. Havia se passado um ano e novamente tinha falhado. – Dê adeus princesa.

Era um plano tão simples e tão concreto, mas de novo ela não conseguiu e eles já tinham os documentos, não havia mais nada para ela. Os olhos verdes brilharam de lágrimas contidas, mas ela não choraria, ela não iria gritar, não iria fazer nada, apenas aceitaria o seu destino e rezaria para que alguém enterrasse seu corpo de uma forma digna depois.

**

Alec se remexeu inquieto no colo do namorado e Magnus ergueu a sobrancelha. O moreno estava daquela forma desde que desligara o telefone. Ele se remexeu novamente e as mãos foram de forma automática para a cintura esguia na tentativa de contê-lo antes de ficar desconfortável. Ao lado dos dois, Isabelle e Clary mantinham uma conversa sobre unhas pintadas e Jace e Simon brigavam apenas pelo olhar. Fazia um ano que estavam os seis naquilo. A nova chance enfim dando certo.

- Bebê, você está com algum problema? – Magnus sussurrou quando o moreno se remexeu novamente sobre seu colo. Estava começando a perder o ar – Por que está ficando complicado.

Alec o olhou por cima do ombro, já que estava com as costas encostadas no peito másculo do namorado. Passou alguns segundos até que finalmente entendesse o que o outro queria dizer e corou em sete tons diferentes, causando uma risada baixa vinda de Magnus. O Lightwood suspirou e negou, era péssimo em mentir e Magnus ainda não gostava de Sebastian, não seria interessante falar que o amigo precisava dele e que ele iria ajudar.

- É que eu preciso sair. – Falou acanhado e mordeu o lábio inferior com certa força – Problemas com meu grupo. Sabe como é, parceiros idiotas. – Ele finalmente desviou o olhar, era um fraco de quando mentia.

Magnus suspirou alto e assentiu, era mentira – ele sabia - e não estava confortável em saber daquilo, mas não iria forçar Alec com a verdade. Encolheu os ombros minimamente lembrando de uma situação parecida, quase brigaram, quase gritaram um com outro e tempos depois o moreno assumiu o que tanto incomodava no momento em questão. Aprendeu ali sobre os limites básicos que teria com aquela relação.

- Tudo bem. – Remexeu o nariz mostrando certo incômodo e Alec se virou no colo dele, colocando uma perna de cada lado do corpo do namorado e o abraçando pelo pescoço. Os dedos brancos acariciaram a nuca de Magnus e ele sorriu curto – não gosto que minta para mim. – Foi sincero e ganhou um beijo leve em resposta – e nem que tente me comprar com beijos quando o assunto é sério.

- Se eu te contar, você vai ficar irritado – disse com um sorriso e em um tom leve de brincadeira – não quero te deixar bravo. Eu fico sem beijos quando isso acontece.

O beijo se iniciou após isso. As línguas se acariciaram levemente, tirando um suspiro de ambos os lados. Alec apertou os fios curtos da nuca de Magnus e ganhou uma mordida no lábio inferior por conta da ousadia. Começavam a ficar ofegantes, mas respirar era algo sem propósito perto do que eles precisavam no momento.

- Eu não sei se vocês lembram, mas tem quartos de sobra aqui!

Jace comentou de forma um tanto sarcástica e sem parar o beijo, Alec ergueu a mão e mostrou o dedo do meio para o irmão mais novo. Causando uma curta onda de risadas entre os outros. Eram crianças grandes e crescidas. Aproveitavam e se divertiam como podiam, quando as responsabilidades amansavam e as vidas se mostrava mais calma.

- Ele está certo... – Isabelle murmurou e o moreno enfim revirou os olhos, quebrando o beijo e olhando para os demais.

- Vocês notaram que estão no apartamento do meu namorado, nos atrapalhando? – Ele sorriu falsamente e saiu do colo de Magnus que continha um sorriso no rosto.

- Acho que ele está nos mandando ir embora.

- Seu namorado é um gênio, Iz. - Jace se ergueu do chão e arrumou as próprias roupas, logo se jogando ao lado do cunhado. – Pena que o seu boy me ama Alec e não quer que eu vá. Não é querido? – Ele abriu um sorriso cheio de dentes para Magnus e ganhou um revirar de olhos entediado do cunhado – Assim magoa.

- Barbie oxigenada, não torre minha paciência.

Alec riu contido e se levantou em fim, passando as mãos nos cabelos e entrando para o quarto de Magnus. O rapaz perdeu o tom de troça assim que viu o moreno sumir pelo corredor e respirou fundo, tentava acalmar o corpo e adquirir paciência. Não era a primeira vez que Alec mentia, e não era a primeira vez que não perguntava.

Jace pareceu perceber a inquietação já que ficou sério e ergueu a sobrancelha para Magnus.

- Problemas no paraíso, querido? – O tom era baixo e não chamou a atenção de nenhum dos outros três. Isabelle e Clary haviam entrado em uma disputa sobre tamanhos de bustos e Simon estava definitivamente enrascado, já que era o único ali daquela sala que já havia visto as duas nuas na situação de poder medir aquilo. – Ignorar minha pergunta não é uma opção cunhadinho.

- Idiota! – Magnus bradou no mesmo tom e se levantou do sofá, chamando Jace com a cabeça, para irem em direção a cozinha. O loiro ergueu a sobrancelha novamente, a dúvida estampada em seu olhar. Magnus revirou os olhos diante daquilo – Normalmente eu falaria com Catarina, mas já que ela está na puta que pariu, vai ter que servir você. Então, anda logo.

Jace enfim se levantou e seguiu o cunhado apartamento a dentro, ainda maldizia o lugar por ser grande naquele ponto, mas havia a bela vantagem de ninguém conseguir escutar nada que acontecia tanto na sala, quanto na lavanderia.

--

Já fazia anos que conhecia aquele lugar e mesmo assim, sempre que entrava no quarto do namorado, Alec revirava os olhos por causada bagunça de esmaltes e maquiagem pela mesinha de cabeceira, sobre uma boa parte da cama e sobre a pia do banheiro. O Lightwood suspirou nem um pouco surpreso ao entrar no outro cômodo e se deparar com a enorme bagunça ali também. Era uma qualidade e um defeito que Alec amava naquele rapaz.

Amor. Alguns anos atrás ele se recusaria a sequer pensar na probabilidade de se apaixonar por alguém, agora tudo parecia tão certo e no lugar. Haviam passado três anos longe e simplesmente é como se tivesse recomeçado de onde tinham parado. Se beijavam como se fossem aqueles dois adolescentes agarrados no canto do sofá do Loft, ouvindo as risadas dos outros, as brincadeiras. Com expectativa de um futuro juntos.

- Droga! – Murmurou alto ao ouvir o som do celular novamente. Tirou o aparelho do bolso apenas para ver o rosto de Sebastian na tela. O garoto de cabelos platinados lhe deixava com uma sensação inquietante, era ruim de fato, mas ainda eram amigos e Magnus não suportava ouvir o nome do outro. Então, sempre que precisava encontra-lo, mentia. Mesmo sabendo que o namorado não acreditava nem um pouco nisso.

- Alec? – A voz do outro era grossa e o moreno resmungou na linha – Você ainda vem?

- O que está acontecendo? – Tinha curiosidade na voz do Lightwood e muita incerteza no que iria fazer. – Espero que seja algo grave, porque estou literalmente deixando meu namorado e meus irmãos no mesmo cômodo, apenas para sair e encontrar você.

- Bom saber que sou importante a esse ponto, gatinho. – Ele revirou os olhos. Havia aquela parte idiota das brincadeirinhas, dos apelidos e a intimidade que o loiro achava que tinham – Estou naquele parque, na nossa árvore.

- Não seja tão idiota! – Respondeu mal-humorado – Espero que se enforque nela antes de eu chegar – e desligou a chamada.

Os olhos azuis vislumbraram o espelho e Alec tentou sorrir, mas saiu mais falso do que o esperado. Fazia parte da época, quando as lembranças faziam aniversário e tudo voltava para sua mente de uma forma perturbadora. Ele preferia dormir longe de Magnus durante esses dias, mas as vezes simplesmente não conseguia se manter distante do namorado. Estar com Magnus era sentir suas feridas se fecharem por certo tempo, mesmo que, sempre que olhava para o próprio corpo, relembrava de tudo e voltava a sangrar. A falsa paz era gostosa, até o momento em que ela acabava.

--

- Está me dizendo que tem um ano que vocês estão juntos e não transaram ainda? – Jace piscou e os olhos dourados cintilaram.

- Jura? – Magnus questionou a contragosto – De tudo o que eu disse, você só escutou isso?

- Não. Eu ouvi o blah, blah, blah, sobre a distância as vezes e as mentiras para ele sair e tal – deu de ombros fazendo pouco caso – Mas quanto a isso. O Alec sempre foi muito estranho. Depois da festa ele ficou um pouco emo.  – Magnus ergueu a sobrancelha com os dizeres – Ah, você sabe... – o loiro olhou ao redor e abriu um sorriso ladino, quase safado – o que ele fez, em público. A orgia. – Jace riu alto da carranca do cunhado – por isso me espanta vocês não terem transado ainda. O cara já fez sexo com três ou quatro pessoas de uma vez, mas está te negando. Já parou para pensar o que isso significa?

Magnus mordeu o lábio inferior e piscou. Estava indeciso sobre dar um tapa na cara do cunhado ou refletir sobre o que ele disse. A segunda opção pareceu mais viável e mesmo a contragosto ele o fez.

- Vocês conversaram sobre o tempo em que ele ficou na Irlanda? – Jace quebrou o pequeno raciocínio que Magnus começava a criar – Ele me contou de alguns caras que ficou por lá. – Disse distraidamente – talvez ele se envergonhe de ter ficado com outras pessoas durante esse tempo. – Jace parecia perdido nas próprias teorias e Magnus sentiu o estômago revirar com o pensamento – Ou talvez ele não queira dar esse passo com você. Pode parecer meio ridículo falar isso, mas o Alec é estranho. Ele não parece ser do tipo de se apegar a sentimentos. – Piscou, os dois grandes olhos dourados tremeluzindo novamente – Ele já foi apaixonado por mim e esqueceu disso em menos de um ano. Cara, quem em sã consciência consegue não se apaixonar por mim? – Disse parecendo ultrajado e Magnus revirou os olhos – depois veio você, mas antes veio aqueles três que, até hoje ele não me contou os nomes. Teve aquele ruivo na época do colégio e os da Irlanda. – Jace afastou a cadeira e se levantou – Pergunte a ele. Talvez seja outra pessoa agora. Três anos é muito tempo para um sentimento continuar igual.

Jace deixou a cozinha sob o olhar atento do cunhado. Magnus tinha os pensamentos confusos, nada do que o loiro falou parecia ser coerente ou certo. Ele gemeu baixo e bateu a testa contra a mesa de madeira.

- Lovely?

A voz de Alec o tirou do torpor confuso e Magnus colocou um sorriso falso nos lábios. Os olhos se encontraram e ambos sabiam que alguma coisa estava errada.

- Já está indo? – Ele se levantou e se aproximou do namorado. Alec consentiu – Ganho um beijo de despedida?

- Quantos quiser. – As mãos do Lightwood escorregaram pelo pescoço do mais velho, aproximando os rostos. Alec fechou os olhos se entregando ao beijo lento. As mãos de Magnus tomaram posse na cintura esguia e logo escorregaram para a bunda do outro, fazendo com que o beijo se aprofundasse e que o moreno arfasse. – Mag... – Murmurou quando Bane atacou seu pescoço, causando arrepios pelo corpo – Lovely... – chamou novamente, mas parecia simplesmente não estar sendo escutado, já que Magnus voltou a toma-lo com um beijo forte.

Os corações batiam descompassados e Alec arregalou os olhos quando uma das mãos do namorado invadiram sua camisa, acariciando sua pele por baixo. Magnus sentiu o Lightwood tremer e parou. Afastou-se dois passos, o bastante para olhar nos olhos azuis e ver muito mais do que carinho ou desejo, mas também nervoso, receio e uma pitada de medo. Aquilo o deixou confuso e Alec fechou os orbes, impedindo que qualquer sentimento estivesse estampado em seu rosto quando os abriu novamente.

- Bom passeio.

A despedida foi seca e Alec apenas deu as costas, Magnus encolheu os ombros ao ouvir a porta bater. O sentimento de insegurança havia tomado posse de seu corpo e estava novamente dividido entre perguntar ao Lightwood o que estava acontecendo ou em simplesmente acreditar nas palavras de Jace. Ele ouviu algo tocar e olhou sobre a mesa, lugar onde Alec havia deixado o celular. Sequer havia percebido que o moreno tinha trazido o aparelho e ele estava ali, gritando em alto bom som.

Ele se arrependeria disso cinco minutos mais tarde, mas se aproximou da mesa. O nome “Sebastian” brilhava na tela e Magnus sentiu-se péssimo ao pegar o celular do namorado e atender.

- Gatinho? – Ele odiava aquela voz, era um fato – Estou te esperando ainda. Até logo.

Talvez fosse o ciúme, talvez fosse a dor, talvez fosse toda aquela situação estranha, mas Magnus sentiu o mundo girar e a opção de acreditar em Jace, ficou cada vez mais fácil de seguir.

**

O parque lhe trazia boas lembranças e Alec sempre sorria ao observar as árvores mais ao fundo. Os primeiros encontros depois da volta dele e de Magnus havia acontecido entre aquelas árvores, quase à beira do lago. E mesmo que houvessem passado a ir a cinemas e outros lugares mais interessantes, aquele parque sempre guardaria os melhores encontros da vida de Alec.

Ele andou até o meio das árvores e se escorou, revirando os olhos com tédio. Apalpou o bolso da calça e notou que estava sem o celular. Um breve desespero se acometeu dele ao lembrar que havia esquecido sobre a mesa da cozinha. Estava seriamente compelido a ir embora, quando foi agarrado por trás.

- Não faça isso. – Disse de forma seca e se afastou do garoto de cabelos platinados. Os olhos de Sebastian brilhavam de forma quase demoníaca e Alec desviou o olhar para o chão, encontrando os tênis caros do garoto, manchados de vermelho e marrom. – Não posso demorar. O que você quer?

- Nossa, gatinho! – Ele disse de forma ultrajada, mas um sorriso sem vergonha nos lábios – se está com tanta pressa, por que veio?

- Por que eu sou um idiota! – O Lightwood assumiu fazendo Sebastian rir alto e se aproximar um pouco. De forma automática, Alec se afastou – o que quer comigo, afinal?

Nunca havia sido bom ficar ao lado de Sebastian e Alec nunca compreendeu o motivo de ter feito amizade com o loiro. Principalmente porque todos os outros pareciam odiar o rapaz. Isabelle parecia ter enjoos sempre que ouvia o nome dele, Jace e Magnus pareciam a ponto de matar um – mas Alec ligava essa reação ao ciúme deles – e Clary parecia ficar mais branca do que nunca. Talvez por sempre ser do contra de todos, ele confiava parcialmente no Velarc, não sua vida, mas sua amizade. Ou talvez por que o garoto o lembrava Jace, aquele Jace do início de sua paixonite e isso o deixava levemente frágil diante disso.

- Preciso te contar uma coisa, mas não quero que me odeie ou algo do tipo – o nervosismo era fingido e Alec não precisou adivinhar para ver a farsa por trás das ações do outro – é algo sério.

Alec puxou o ar com força.

- Se for dizer que está apaixonado pela minha irmã e que quer ficar com ela – iniciou com tédio – Sinto te dizer, mas ela está com o Simon e blah, blah, blah. Poupe o discurso. Posso ir embora?

Uma comichão se acometeu do corpo do Lightwood e ele queria ir, queria sair de perto do garoto loiro e voltar para perto do namorado. Voltar para sua segurança. Os olhos negros brilharam com força e Sebastian avançou alguns passos, fazendo Alec bater com as costas na árvore.

- Não é por ela. – Estavam próximos e Alec franziu o cenho. Sebastian cheirava a cereja e sangue. – Por você. – E o beijou. As bocas ficaram unidas por exatos vinte segundos, tempo para que o choque deixasse o corpo de Alec e o moreno reagisse, empurrando o loiro para longe e estapeando-o no rosto.

O som de um tilintar chamou a atenção dos dois e Alec viu, enquanto Sebastian se afastava trôpego por conta do golpe. Brilhar no chão um punhal. Gelo subiu pelo corpo de Alec e ele correu. Não deveria ter ido. Agora tinha na boca o gosto de cereja e na mente a imagem dos olhos negros e gelados lhe encarando. Olhar Sebastian nos olhos, era como encarar o próprio Lúcifer.

--

O loiro se abaixou e tomou o punhal em mãos novamente. A arma ainda estava manchada com o sangue de Camille. O rapaz revirou os olhos ao ver o Lightwood se afastar e cuspiu no chão, sentindo nojo do que tinha acabado de fazer.

- Desgraçado!

O brado deixou a garganta dele e a arma foi passada contra o tronco da árvore sendo limpa. Mais dois segundos e teria enterrado a ponta afiada contra as costas do Lightwood. Teria finalmente cumprido a missão que Camille a tanto falhou. Derrubaria Lightwood por Lightwood. Então membro por membro da Clave, até que o poder voltasse para as mãos de Valentine. Então mataria o pai e seria o detentor de todo o poder tecnológico existente na atualidade. Seria o mestre de gerações. Um novo Deus do submundo tecnológico.

**

O apartamento estava silencioso quando Alec voltou. Não havia ido direto, tinha parado em uma loja qualquer e usado o banheiro. O gosto de cereja não saia de sua língua e o nojo fez seu estômago girar. Ele pensou em Magnus e em como iria encarar o namorado depois daquilo, como iria contar sobre o beijo. Com as mentiras que contava, como iria fazer Magnus acreditar que ele simplesmente não queria nada daquilo?

Eram as mesmas perguntas que ele fazia, sempre que pensava em contar sobre o seu passado. Como explicar que ele não queria nada do que tinha acontecido? Como mostrar para Magnus que não estava feliz naquele dia, que havia sido uma violação e não uma orgia. Nunca chegava a uma conclusão, então, apenas se deixava ser beijado e torcia no fundo de sua alma para não ter nenhuma crise enquanto estivesse próximo do namorado.

- Lovely?

- Na cozinha!

Alec jogou as chaves de qualquer jeito na estante e seguiu direto para o local indicado. A cena era peculiar e o Lightwood ergueu a sobrancelha. Magnus estava sentado, olhando seu celular desligado sobre a mesa e uma xícara de algo que havia sido quente algum momento ao lado.

- Mag?

- Sebastian...sério, Alexander? – O olhar de Magnus fez com que Alec travasse. Os olhos verde-dourados brilhavam tristes, enfurecidos, magoados – De tantos para você fazer isso. Logo o Sebastian?

- Eu posso explicar. Juro que posso.

- Explicar o que? – Magnus afastou a cadeira e se levantou – é por causa dele que está se afastando de mim? – A pergunta não parecia retórica e Alec só pôde negar – Tem dias que você simplesmente não me quer por perto. Eu quero saber que merda está acontecendo, Alec. Estou cansado de ver tudo e continuar calado. Estou cansado das suas mentiras.

- Amor, calma! – O Lightwood apertou os olhos e respirou fundo – eu não estou me afastando de você, Magnus. Eu só...é um mês complicado. – Alec desviou o olhar – Só...está tudo complicado agora.

- Jace me disse que você poderia estar com vergonha. – Os olhos azuis fixaram nele novamente – por que teve outras pessoas enquanto estávamos separados. Disse que poderia ser reflexo da sua “festinha” do passado – não era intenção ferir, mas as palavras doeram e Magnus não pareceu notar o que tinha dito – Que talvez não queira dar outro passo comigo. E eu realmente não acreditei em nada do que ele disse. Mas ainda quero entender o que tudo isso é, o que nós somos para você?

O silêncio rendeu por um curto tempo e Alec parecia um pouco mais pálido que o normal. Mas ele não queria conversar, não naquele momento. Já que seria obrigado a revelar motivos, e seus motivos não eram para ser ditos assim, do nada.

- O que somos? – Ele se aproximou – Somos tudo Magnus. Eu te amo. – Saiu sincero e seus dedos correram o rosto bronzeado – Pelo anjo, não ouça as asneiras do Jace. Ele não sabe de nada.

- E alguém sabe? – Magnus iria se afastar, mas Alec não deixou. Segurando o rosto do namorado com as duas mãos, encostou as bocas, mas sem beijar de fato.

- Nunca duvide do quanto eu te amo.

A língua de Alec era quente e molhada contra a boca de Magnus, o rapaz cedeu e o beijo finalmente aconteceu de verdade. Alec passou a empurra-lo vagarosamente pela cozinha e logo para a sala.  O caminho era feito com beijos e Magnus não precisou pensar muito no que Alec pretendia fazer.

- Eu quero você, Magnus. – Sussurrou – Eu preciso de você!

Sebastian ficou esquecido no fundo da mente de Alec, enquanto os lábios de Magnus traçavam caminho da sua boca para seu pescoço. O Lightwood fechou os olhos e tentou se entregar ao momento. Mesmo sentindo o corpo se retrair a cada toque, mesmo sentindo os olhos marejarem quando enfim foi deitado na cama.

“Controle-se” era a primeira vez, era Magnus e ele não iria o machucar. Mas seu corpo parecia não entender isso, já que as lágrimas vieram levemente e ele ofegou alto quando uma mordida foi deixada em seu pescoço.

 - Pretty boy.

Alec não abriu os olhos e mal percebeu quando soluçou. “Controle”, ele escorreu por seu rosto e tudo parou. Os beijos, os carinhos.

- Alexander, por que você está...

- Me desculpa!

Pediu no meio do sussurro e tampou o próprio rosto. Seria sempre assim? Ele que tinha tantas armaduras, estava ruindo na frente da única pessoa que, tinha certeza absoluta. Podia entregar seu corpo e sua alma. Estava ruindo na frente da pessoa que amava e porque amava, ruía. Magnus não merecia alguém daquela forma. O mesmo desespero de quando tinha dezessete anos abateu sobre seu corpo. Os anos poderiam passar, mas isso não mudava o fato de que continuava sujo, destruído, violado. E nem mudaria o fato de que Magnus merecia alguém melhor.


Notas Finais


A todos que estão acompanhando a nossa reta final, agradeço imensamente.

Até a próxima.


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