História Born To Die - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Echo, John Murphy, Lexa, Octavia Blake, Raven Reyes, Roan
Tags Clarke, Clexa, Drama, Lexa, Octaven, Romance
Visualizações 217
Palavras 4.845
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


boa leitura.

Capítulo 17 - Regrets


...

FLASHBACK

- Então, como ela está? – Lexa tragou seu cigarro e Octavia tossiu rapidamente quando a fumaça lhe incomodou no primeiro instante.

O apartamento de Lexa era luxuoso e Octavia se perguntou como a amiga conseguia esconder seus crimes tão bem sem chamar atenção.

- Clarke não é muito de conversar e por algum motivo não parece confiar em mim – explicou. Lexa se deixou sorrir imaginando que Clarke era esperta demais e provavelmente enxergava algo de errado em Octavia.

Já era o segundo mês desde que Octavia havia sido inserida na vida de Raven e Clarke com propósito de informar a Lexa tudo sobre Clarke. Octavia notava que toda vez que relatava algo a sua amiga ela via a verdadeira Lexa, e não a assassina em série.

- Ela ainda sente sua falta – ao ouvir aquilo Lexa desviou seu olhar de Octavia – Raven me confidenciou o porquê de Clarke ser tão fechada e imprudente, ela disse que Clarke ainda sente falta daquela que a abandonou.

- Por que está me contando isso Octavia?

- Porque eu sei que Clarke é sua única chance de sair disso aqui – Octavia não tinha medo de enfrentar Lexa, quando a amiga precisava ouvir a verdade ela não hesitava em dizer – Você não faz isso por prazer Lexa, você faz isso para se punir – Lexa imediatamente olhou para a amiga com fúria nos olhos, odiava ouvir as pessoas tentando dizer o que ela devia fazer – Você não pertence a essa vida, Clarke é sua saída.

- Você não tem o direito de falar sobre minha vida quando não sabe o que se passa – Lexa caminhou até Octavia e a mesma levantou-se ficando diante da amiga – Essa sou eu, eu sou um monstro, eu mato pessoas, eu as faço sofrer!

- Mas você também as protege – argumentou nunca desviando seus olhos de Lexa – Eu sei que você acha que merece tudo de ruim que o mundo joga contra você, mas eu acredito que há mais do que ódio em seu coração.

- SAI DAQUI! – ordenou gritando, era notável a veia saltada em seu pescoço mostrando toda sua irritação.

- Da próxima vez que pensar em matar, pensa em Clarke – Octavia marchou para fora do luxuoso apartamento e pôde ouvir coisas sendo quebradas assim que saiu, Lexa provavelmente estava descontando sua raiva.

...

Lexa olhava para as duas mulheres desacordadas a sua frente, as duas estavam presas a cadeiras, as algemas prendendo seus pulsos deixava impossível à fuga das mulheres, assim como as pernas presas às das cadeiras.  Lexa havia afastado o sofá para deixar mais espaço para o que ela havia planejado, ela olhou para seu relógio de pulso e suspirou, até que percebeu que as duas estavam começando a voltar à realidade.

- Finalmente! – exclamou – Minha série favorita começa em algumas horas e eu ficaria muito irritada se vocês me fizessem perder o novo episódio – Lexa se aproximou e ficou no espaço entre as duas cadeiras, Octavia buscou por Raven e a capitã fez o mesmo com a advogada– O que? Acharam que eu ia matar vocês enquanto estavam desacordadas? Que graça isso teria? – o tom presunçoso e implicante de Lexa causou ódio em Octavia e calafrios em Raven, pois ela sabia que a mulher a sua frente não iria ter pena alguma.

- Lexa, me escuta – pediu Octavia e Lexa sorriu, se aproximou e abaixou-se ficando na altura dos joelhos de Octavia.

- Claro que eu vou escutar você, só não sei o que vou querer ouvir primeiro. Se é você gritando de dor ou implorando para eu parar quando eu cuidar da capitã ali – os lábios vermelhos de Lexa formaram um sorriso confiante, ela piscou para a advogada e levantou-se – Ah só um aviso, vamos ter uma regra nesse jogo, quem gritar alto demais a outra pagará por isso – ao dar de ombros Raven imediatamente olhou para Octavia esperando que ela soubesse como parar a amiga.

- Lexa, você não precisa fazer isso, eu

- Sabe – Lexa cortou o discurso de Raven e foi até o chão onde ela havia conseguido alguns utensílios do apartamento das mulheres – Anya pode ter sido uma vagabunda sem piedade, mas ela também era uma ótima professora – Lexa pegou uma simples caneta velha e se aproximou de Raven – Ela me ensinou como torturar pessoas com simples instrumentos – Lexa mostrou a caneta em sua mão para Raven, ela estava tão próxima da capitã que era capaz de ouvir claramente sua respiração ofegante – Acredita que com essa simples caneta eu posso arrancar seu olho? – Lexa aproximou a caneta do olho de Raven e a mesma tentou se afastar, porém era impossível.

- LEXA NÃO! POR FAVOR! – gritou Octavia.

- O que eu disse sobre regras, Octavia? – perguntou virando-se para encarar a amiga – Céus, você nunca foi boa em ouvir não é? – Lexa girou os olhos e voltou para Raven – Isso vai doer – Lexa cravou a caneta na mão de Raven, e imediatamente levou sua mão para tapar o grito de dor da capitã.

Octavia chorou ao ver o sangue descendo de uma das mãos de Raven enquanto a caneta permanecia cravada na mão da capitã, Lexa apertou ainda mais o simples objeto e percebeu as lágrimas de Raven se intensificando. Ela tirou sua mão dos lábios da capitã e olhou bem para a mulher.

- Ah não, só estou começando, ainda tenho vários brinquedinhos para usar em vocês – Raven se atreveu a olhar para sua mão e ao fazer isso sentiu uma enorme vontade de vomitar, Octavia apenas chorava tentando ao máximo não gritar para que Raven não sofresse mais ainda.

- Lexa... Le... – Raven tinha a visão turva e chacoalhou a cabeça na tentativa de fazer aquele embaraço passar – Lex... –

- Lexa, Raven está passando mal, por favor, ela

- Claro que é para ela se sentir mal, eu seria uma péssima assassina se torturasse para ela se sentir bem – a leve gargalhada de Lexa mostrou o quanto ela não se importava com o estado da outra.

- O que você quer de mim? Quer que eu admita é isso? OLHA PARA MIM! – ordenou Octavia irritada, Lexa virou-se para a advogada e sorriu, Lexa sabia que se Octavia tivesse alguma oportunidade ela acabaria com Lexa.

- Em algum momento vamos conversar Octavia, vamos ter uma breve conversa e talvez entraremos em um acordo, mas por enquanto eu vou mostrar que jamais, em hipótese alguma você deve trair alguém que tem grandes conhecimentos em tortura – Lexa pegou um martelo do chão ao lado de alguns outros instrumentos. – Ganha uma imunidade para a próxima ferramenta quem adivinhar o que vou fazer com isso.

...

- Certo – Luna sorriu e continuou a olhar para Murphy – Você quer que eu acredite que Clarke tem uma irmã gêmea que ninguém sabia sobre, e que apareceu do nada e não sabe sobre todo o rolo do Jake e da suposta irmã? – perguntou ainda desconfiada.

- Eu não espero que você acredite, eu só estou respondendo a sua pergunta, é a verdade. Agora se você não quer acreditar já não é problema meu – explicou dando de ombros como se não importasse com o que a mulher iria pensar.

- Wow! Isso daria uma bela matéria, não acha? – disse animada e internamente Murphy respirou aliviado por Luna não questionar novamente.

- Eliza é uma boa pessoa, ela não sabe nada sobre a família que a abandonou, e é melhor assim, eles já estão mortos mesmo. Eu não quero expô-la – Luna apenas concordou – Então? Eles podem ficar aqui? Se eu conseguir acertar tudo hoje, nos mudamos até o final da noite, eu prometo.

- Tudo bem, chefinho. Vai lá, eles vão ficar bem aqui comigo – assegurou tocando no ombro do jornalista – Mas tem que me prometer que se um dia resolver fazer uma matéria sobre isso vai me colocar como colaboradora.

- Isso eu posso fazer – Murphy levantou do sofá e Luna permaneceu sem se mover – Eu devo voltar em poucas horas, não deixe eles saírem daqui, qualquer coisa me liga ok? – Luna concordou novamente e observou o jornalista sair.

Luna sorriu negando com a cabeça.

- O que ele acha que eu sou? Uma amadora? – se perguntou não acreditando que Murphy realmente havia caído em suas palavras.

**

- Nós conhecemos aquela mulher? – perguntou Clarke incomodada com aquele lugar, ela não se sentia bem ali, não naquele quarto, não naquele apartamento, não com aquela mulher –

- Murphy a conhece – explicou sentado ao lado de Clarke na cama desarrumada –

- Hum... Sua irmã... – as palavras de Clarke eram quase inaudíveis, e Aden percebeu que a loira tinha uma leve coloração avermelhada na altura de suas bochechas – Ela... Hum – Clarke limpou a garganta como se algo estivesse a impedindo de falar – Ela... Vai voltar logo? Não que eu esteja esperando que ela fique aqui com a gente, é só que

- Eu não sei exatamente quando ela vai voltar, mas em algum momento ela vai aparecer. Ela sempre vai voltar para voc – Aden parou suas palavras quando já era tarde demais, os olhos de Clarke gritavam curiosidade – Ela sempre volta, foi isso que eu quis dizer, ela vai voltar, alias já deve está no caminho – o garoto sentiu seu corpo aquecer em ansiedade com medo de que Clarke lhe questionasse sobre o que dissera, de acordo com Murphy, Lexa não queria que dissessem sobre o relacionamento que tinha com a loira.

- Ela disse que somos amigas, as melhores na verdade – Aden concordou com o comentário, Clarke parecia distante, lembrando-se de quando Lexa havia falado isso no hospital – Pode parecer bobo e provavelmente é, mas eu não sinto que somos amigas – Aden imediatamente olhou para a loira, ele sabia que se Lexa soubesse que Clarke nem ao menos a queria como amiga isso poderia interferir nas ações da irmã.

- Eliza, vocês são amigas, você pode confiar em Lexa – Clarke negou e Aden pensou no que deveria fazer ou dizer para que Clarke acreditasse em suas palavras.

- Quando eu acordei naquele hospital e vi sua irmã, eu senti algo estranho, é bobo, mas foi como... – Clarke se perdeu nas novas lembranças – Eu... Eu não sei explicar, mas foi algo tão esquisito que eu me assustei e acabei a assustando, eu sinto uma grande conexão com ela mesmo não tendo nenhuma memória – Aden pôde respirar novamente, o que Clarke falava não significava algo ruim – E o mais estanho é que não me aparece amizade, cheguei até a achar que erámos algo a mais, mas isso é insano.

- Bom, acredite ou não vocês são amigas e é isso que importa – Aden não queria continuar aquela conversa porque não queria se complicar por falar algo que não deveria.

- É, acho que sim. – disse um pouco desapontada.

A porta do quarto se abriu e Luna olhou para os dois ali, ela percebeu Aden olhar fixamente para ela como se Luna fosse uma ameaça, a mulher sorriu com aquilo e voltou a olhar para a loira que parecia confusa.

- Ei garoto, eu preciso falar com a loirinha ali – disse apontando para Clarke.

- Não, eu não posso deixar vocês sozinhas, não confio em você. – Luna gargalhou com a audácia do garoto, já Aden não pareceu gostar daquilo, ele não poderia deixar aquela mulher sozinha com sua irmã quando Clarke parecia vulnerável e inocente.

- Tudo bem, eu só quero saber um pouco sobre as pessoas que entraram na minha casa – Luna entrou totalmente no quarto e puxou uma cadeira próxima à mesinha, ela ficou diante dos dois a cama e dessa vez olhou somente para Aden – Eu sei da verdade, sei quem essa aí é, então ou você começa a me dar respostas ou eu vou começar a falar tudo o que sei.

Clarke olhou para o garoto e depois para Luna, ela não sabia o que estava acontecendo ali ou o que Luna queria saber, mas sua intuição gritava que algo estava errado.

...

FLASHBACK

- Ei, temos trabalho hoje – Anya jogou uma pasta de documentos para Lexa e a mulher nem ao menos se mexeu. Anya se aproximou e tocou no ombro de Lexa que imediatamente se assustou – O que houve com você? Gus disse que desde que você recebeu uma visita mais cedo que anda distraída.

- Não é da sua conta – retrucou não se importando se estava sendo rude ou não – O que quer Anya? Hoje não estou em um bom dia.

- Temos trabalho hoje – respondeu apontando para a pasta que havia jogado em Lexa.

- O que ele fez? – perguntou ao ver a foto do homem no dossiê.

- Desde quando nos importamos com isso? Nosso dever é cumprir o trabalho e receber a grana, que se dane o que o alvo fez ou não – Lexa só conseguia pensar nas palavras de Octavia, e isso estava ocupando sua mente mais do que o necessário. – Lexa!

- Eu já entendi, estarei pronta – Lexa levantou e Anya segurou seu braço, não se importando com o olhar furioso de Lexa ao ser tocada sem permissão.

- Você sabe que não podemos cometer nenhum erro em nossas missões, se você acha que não está bem para ir é melhor ficar aqui, eu não posso arriscar, eu nunca arrisco – Lexa tentou se soltar, porém Anya apertou ainda mais o braço da garota.

- Eu não vou dar para trás – ao ouvir aquela afirmação Anya deixou Lexa ir.

...

Lexa olhou para sua mão, havia sangue ali, porém não era o seu, ela olhou para o martelo ao chão e o ombro de Octavia que estava deslocado depois de receber a pancada da ferramenta, a advogada havia apagado de dor e Raven chorava silenciosamente, ela sabia que se alguém além de Lexa ouvisse seu choro quem sofreria as consequências seria Octavia. Lexa olhou para Raven e abaixou-se.

- Você ainda não sabe a dor que eu senti – comentou dessa vez sem nenhum sorriso ou tom sarcástico, suas palavras estavam carregadas de raiva e ressentimento – Quando ela caiu nos meus braços com um tiro na cabeça, você não tem ideia do que eu senti – Raven continuava a chorar e Lexa não parecia ter remorso algum – Quando eu corri para o hospital, quando eu fiquei horas tentando me preparar para o anúncio de sua morte, você não tem ideia do que eu passei, tudo o que está sentindo agora não chega perto da angustia que eu senti – Lexa levantou e Raven olhou para sua noiva, ela conseguia ver o ombro inclinado para trás e isso a fez chorar ainda mais.

- Meu departamento... – Raven usou toda sua força de vontade para poder falar – Ele foi destruído... e eu como responsável não estou lá, é questão de tempo para que alguém da polícia venha me procurar aqui, eles vão pegar você Lexa – Lexa pegou uma furadeira e apertou o botão vendo a ponta da ferramenta girar rapidamente e fazer um barulho angustiante.

- Já chega – as duas mulheres olharam para trás e viram Octavia ainda fraca, ela piscava e sua cabeça balançava lentamente sem sua permissão. – JÁ CHEGA! – Octavia tentou sair da cadeira, mas ao mexer seus braços gritou de dor ao sentir a dor infernal em seu ombro.

- Quer saber? – Lexa parou a furadeira e pôs de volta no chão. Lexa se aproximou de Octavia e levou sua mão ao ombro da mulher que murmurou em dor, em um movimento rápido Lexa pôs o ombro de Octavia no lugar e a advogada não aguentou e gritou de dor – Você sempre foi a única que me enfrentou, você quer acabar comigo Octavia? – Lexa pegou as chaves de tirou as algemas da advogada e a deixou livre, porém a advogada não se moveu. – Essa é sua chance, me mate agora e acabe com o que você começou – Lexa se afastou e mostrou as ferramentas – Já que você nunca jogou limpo pode usar qualquer arma que quiser – apontou para as diversas ferramentas ali.

- Octavia não! – ordenou Raven, ela não iria deixar Octavia fazer aquilo. Quando Raven quase matou sua melhor amiga ela sentiu uma culpa que iria consumi-la por inteiro, ela sabia que se Octavia fizesse o mesmo com Lexa iria se arrepender.

- Vamos Octavia! – ordenou. Octavia levantou da cadeira e demorou algum tempo para se acostumar com a sensação de tontura.

- Eu não quero fazer isso Lexa... – o sussurrou Octavia em mistura dor e arrependimento – Eu não

Lexa deu um soco no estômago de Octavia e depois em seu queixo, a mulher cambaleou para trás e Lexa a empurrou contra a parede.

- VOCÊ ME TRAIU! – Lexa segurou o pescoço de Octavia e o apertou, quando viu o rosto de Octavia ficar cada vez mais vermelho, ela a soltou e a jogou no chão. – De todas as pessoas que poderia fazer isso, você foi minha maior decepção – Lexa pegou a algema do chão e pressionou o objeto contra o pescoço da advogada, como um colar apertado.

- Lexa, por favor! POR FAVOR! – implorou Raven.

Ao ouvir o clamor de Raven, Octavia encontrou forças que não sabia ter e levou suas mãos para os braços de Lexa, suas unhas cravaram tão forte na pele delicada de Lexa que a mulher acabou afrouxando a pressão no pescoço de Octavia e foi quando a advogada a empurrou para o lado, Octavia pulou sobre o corpo de Lexa e tentou correr, mas a mulher segurou a perna da advogada fazendo-a cair novamente, Octavia esticou o braço o mais longe que pôde, quando Lexa a trouxe de volta para ela, Octavia pegou uma faca e acertou o rosto de Lexa. A mulher soltou a advogada, e passou seus dedos sobre o rosto, ela não sabia o tamanho do corte, mas imaginou que havia um risco de sangue ao final de sua sobrancelha até a maçã de seu rosto.

As duas ficaram em pé uma diante da outra, elas se olhavam de maneiras diferentes, Lexa só conseguia sentir seu ódio aumentando, já Octavia parecia se arrepender de cada ação que fazia. Raven já não sabia o que fazer, ela sabia que de alguma forma aquilo acabaria mal.

- Eu não queria fazer isso... Eu – Octavia parou de falar, sua mão trêmula ainda segurava a faca, ela não se atrevia a soltar e ficar indefesa de novo.

- Por quê? Por que me traiu? – perguntou sem se aproximar ou fazer qualquer movimento brusco, ela apenas olhava para a mulher que costumava conhecer.

- Eu não tive escolha. Eu não tive escolha – repetiu fechando os olhos, quando os abriu olhou diretamente para Raven, as lágrimas caiam ao imaginar algo pior acontecendo com a pessoa que ela mais amava – Eu fui obrigada a trair você para manter Raven viva – Lexa não esboçava nenhuma emoção, e Octavia se perguntou se algum dia viu Lexa tão cruel como naquele momento – Sim, eu entreguei você a Robert para que vocês pudessem criar algum laço, e então ele fosse tirado de você, eu fiz isso porque eu não tinha outra opção Lexa!

Lexa andou até Octavia lentamente, a advogada não se moveu porque percebeu que Lexa já não parecia querer brigar mais, a mulher ficou diante de Octavia, suavemente alcançou a mão da amiga e pegou a faca, seus olhos não deixaram os da amiga em momento algum, eles entregavam o quão exausta Lexa estava em lutar com sua amiga.

- Lexa – chamou Octavia prestes a pedir perdão.

Lexa pegou a faca e empurrou contra o abdômen de Octavia, uma única lágrima caiu de um dos olhos de Lexa e parou quando encontrou o sangue em seu rosto. A advogada abriu a boca e ainda piscando olhou para seu abdômen, o ponto vermelho já se espalhava sobre a blusa, Lexa continuava a olhar para a mulher a sua frente.

- NÃO! – gritou Raven em desespero.

Lexa tirou a faca e empurrou Octavia para trás, a mulher caiu ao chão e levou suas mãos ao abdômen na tentativa de pressionar o ferimento.

- Você não vai morrer com isso, não perfurou nenhum órgão – comentou olhando para a mulher ao chão – Mas você pode morrer por hemorragia, você tem quatro horas para se salvar Octavia.

- Eu faço o que você quiser, Lexa. Por favor, me diga o que quer que eu faça, só não a deixe morrer – implorou Raven tão quebrada emocionalmente, que a dor física já não parecia infernal.

- Eu quero o nome de quem mandou você me trair, eu quero saber quem fez isso – Lexa se abaixou para olhar a mulher deitada ao chão incapaz de ter forças para ir contra Lexa.

- Eu... Eu não posso – murmurou. – Eu não posso...

- Você vai mesmo deixar Raven assistir você morrer, e passar sua vida inteira se culpando por não poder ter feito nada? Isso sim é cruel – Lexa tirou um cigarro do bolso de seu sobretudo e o acendeu, sentou-se ao lado da cabeça de Octavia esperando por uma resposta.

- O, está tudo bem, meu amor. Eu vou ficar bem, ninguém vai fazer nada contra mim, por favor, diga Lexa o que ela quer... Por favor... Por favor... – Octavia fechou os olhos e as lágrimas saíram mesmo assim, ela conseguia sentir a dor nas palavras de Raven, mesmo não tendo a visão da mulher.

- Eu... Eu não fiz nada que você não faria – Octavia continuava de olhos fechados, de uma forma estranha ela se sentia melhor assim – Você seria capaz de fazer tudo para proteger Clarke, se você... Se... Se você estivesse no meu lugar... Você não teria feito diferente.

- Se eu estivesse no seu lugar eu faria o óbvio a se fazer, eu de imediato contaria quem havia me ameaçado, então mataríamos antes que essa pessoa pudesse arruinar tantas vidas. Eu protegeria não só Clarke, mas as pessoas inocentes que não tinha nada a ver com o assunto.

- Não, você não faria isso. Você colocaria Clarke em primeiro lugar.

- Você sempre achando que me conhece, mas às vezes eu acho que você não sabe nada sobre mim.

- Você matou seu pai sem hesitar, fez isso para proteger Clarke. – Lexa parou o cigarro próximo à boca, e o apagou no ombro de Octavia que prendeu o grito de dor – Você traiu seu pai!

- Não, eu só escolhi deixar na minha vida quem sempre se importou comigo, quem esteve ao meu lado nos momentos ruins e nos bons, ele era um estranho esperando recuperar um momento perdido, ela é a pessoa que diariamente me salva. Nossa situação não é nada igual – Lexa levantou e Octavia temeu o que viesse a seguir – Eu vou perguntar mais uma vez, quem está por trás disso Octavia?

- Eu não posso, eles vão matar Raven...

Lexa tirou sua arma e depois pegou uma espécie de cano e o colocou na ponta da arma, era um silenciador, qualquer tiro que fosse disparado ali não poderia ser escutado por ninguém.

- Quem está por trás disso Octavia?! – Lexa se aproximou da amiga e olhou para o corpo ao chão. Octavia negou com a cabeça e Lexa disparou o primeiro tiro, Raven gritou ao sentir algo na altura de seu braço. Octavia tentou levantar, mas não conseguiu, estava perdendo muito sangue e forças. – Eu ainda tenho duas balas e elas podem fazer um estrago.

- Essa não é você... Lexa... Essa não é você... – Lexa não tirou os olhos da mulher ao chão, o sangue cada vez mais se espalhando pelo o tapete branco. – Clarke jamais perdoaria você quando descobrir que matou a melhor amiga dela, ela jamais perdoaria você por isso, nem você se perdoaria... Por favor, se você fizer isso não tem volta, dessa vez Clarke não ira perdoá-la.

- VOCÊ PENSOU NISSO ANTES DE ATIRAR EM CLARKE?! PENSOU NISSO QUANDO VIU QUE EU TINHA ACABADO DE PERDER ROBERT, E AINDA SIM QUIS ME TIRAR CLARKE?! PENSOU NISSO QUANDO QUASE TIROU A VIDA DA PESSOA QUE EU MAIS AMO?! – Lexa então se irritou com o falatório de Octavia, seu salto pressionou o ferimento no abdômen e Octavia tinha certeza de que apagaria com tanto dor.

- FUI EU! FUI EU! – gritou Raven entre choro. Lexa voltou para a mulher presa a cadeira, indefesa e ferida – Eu queria ter acertado você, eu queria que isso tudo acabasse então pensei que talvez com você morta resolvesse todos os problemas, mas então Clarke ficou no meio quando eu já tinha atirado e pegou nela – Raven nunca pensou ficar tão indefesa e destruída como naquele momento – Eu não queria isso, eu não queria ter atirado em Clarke, eu não queria...

Lexa destravou a arma e estava pronta para atirar.

- CLARKE! PENSA EM CLARKE! Pensa em Clarke... – gritou Octavia achando que aquilo faria algum efeito em Lexa. A mulher segurava a arma tão forte que em um universo alternativo talvez ela seria capaz de esmagar aquela arma com tanta força que colocava ali.

FLASHBACK

- Não, por favor, não! Eu não fiz nada, eu não fiz nada, eu juro – pediu o homem indefeso ao chão, Lexa segurava uma arma que iria tirar a vida daquele inocente homem – Isso é por causa que eu não concordei com a obra no Centro? Eu não poderia assinar aquilo, iria destruir centenas de lares de pessoas inocentes, eu não poderia assinar aquilo – explicou nervoso.

- Lexa, atira logo! – ordenou Anya que estava de vigia na porta do escritório do homem.

- Por favor, eu sou um bom homem, eu tenho filhos... Por favor – Lexa hesitou – Eu não posso assinar isso, eu não conseguiria viver com a culpa de tirar os lares daquelas pobres pessoas.

Lexa ouviu o que parecia ser a voz de Clarke, e olhou ao redor, ela não estava ali, estava em sua mente. Ela ouvia a voz rouca e por um momento a emoção tomou conta de si.

- Eu não posso fazer isso, não com inocentes... – sussurrou para si.

Lexa se afastou do homem, ela sentiu sua arma sair de sua mão, Anya pegou o objeto e deu três tiros certeiros na cabeça do homem, olhou para Lexa como se estivesse decepcionada. Anya saiu do escritório e Lexa a acompanhou calada, ninguém falou nenhuma palavra, mas a mulher sabia que Anya havia ficado irritada com sua falha. Pela a primeira vez desde que entrara naquele mundo ela não conseguiu concluir sua missão, o estupido conselho de Octavia a fez parar. Foi então que a mulher decidira que a partir daquele dia só iria matar quem merecia, quem tinha um histórico que não faria falta se fosse apagado do mundo. Desde então passou a cumprir sua nova regra, ela pensou que talvez se em algum dia no futuro tivesse uma nova chance com Clarke, ela teria uma maior oportunidade se sua consciência não estivesse tão suja.

...

Lexa abaixou sua arma e Raven pôde respirar aliviada, Lexa foi até Raven e tirou todas suas amarras, Raven levantou da cadeira com dificuldade e caminhou até Octavia. Lexa olhou para as duas ali e caminhou para fora do apartamento, colocou sua mão na maçaneta, olhou para trás e viu as duas mulheres de costas sentadas ao chão, Raven falou algo para Octavia, porém Lexa não entendeu.

- Ei – chamou Lexa, as duas viraram a cabeça para encontrar Lexa ainda ali. Lexa atirou e um novo grito ecoou. Ao ver aquela cena de desespero ela se lembrou de como parecido foi quando segurou Clarke em seus braços – Agora sim você sabe como eu me senti.

Lexa fechou a porta mesmo ouvindo os gritos de desespero do apartamento que acabara de deixar.

A mulher correu para as escadas de emergência e desceu o mais rápido possível. Ela pegou o celular e viu que tinha uma nova mensagem de Murphy informando o endereço novo, a mulher correu pelo o estacionamento e apontou a arma para um homem que acabara de sair do carro, ele entregou a chave do veículo e Lexa entrou, deu partida no carro e seguiu para fora dali, ela chorou pelo caminho, ela sentia tanta dor e arrependimento, mesmo quando seu orgulho tentava lhe deixar bem com isso.

Lexa parou o carro quando suas mãos ficaram trêmulas demais, ela estacionou de forma desajeitada e saiu do veículo, deixou a porta aberta e correu pelo o Central Park, ela correu até finalmente conseguir um espaço só seu, não havia ninguém ali, apenas o verde das árvores e gramas e um pequeno lago a sua frente, ela caiu de joelhos. Chorou e gritou todos os seus demônios, era como se quisesse tirar toda dor acumulada, ela pensou nas palavras de Raven sobre tudo se resolver com a morte de Lexa, a única bala da arma a fez se perguntar se aquela não seria a única forma de tudo ficar bem. Lexa pegou a arma e fechou os olhos, ao pensar em Clarke ela sentiu suas lágrimas descerem, céus! Como ela estava exausta de tudo.

- Sabe, eu amo esse parque, odeio a cidade e as pessoas fúteis daqui, mas amo esse lugar – Lexa olhou para a pessoa que apareceu ao seu lado sem ela nem ao menos sentir. Trocaram olhares, porém nenhuma palavra.

 


Notas Finais


WITS amanhã.


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