História Celine Goes North - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bill Skarsgård
Visualizações 23
Palavras 4.199
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpem a demora! Eu gosto de fazer tudo com cuidado e infelizmente sou bem devagar.
Apesar disso, eu espero que vocês gostem desse capítulo :)

Capítulo 2 - "Submarine"


Celine olhou mais uma vez só para ter a certeza de que era seu melhor amigo. Não que ela não quisesse conversar com ele, só queria ver ele de longe para se acostumar com a  imagem dele na frente dela. Bill tentava chegar até a bancada do bar, mas era impedido por algum casal dançando ou alguma garota oferecendo uma bebida em troca da companhia dele. Oferecia uma desculpa qualquer e retomava o seu caminho até o bar, sem saber que era observado atentamente por Celine.

 

O rosto dele não tinha mudado tanto, a não ser no formato. Parecia mais cheio? Não. Tinha algo naquele rosto que gritava o quanto ele estava mais maduro, ela não sabia explicar o que. Desceu os olhos para o corpo dele e escondeu um riso nervoso que quase explodiu na garganta. Ele estava mais forte. Alto. E deliciosamente intimidante. Bill estava bem perto de Celine, que se virou rapidamente, com medo de ser pega olhando pra ele de uma forma tão lasciva e nervosa ao mesmo tempo.

“Três cervejas, por favor.” Até a voz dele estava mais grave. E falando em sua língua natal, era pior ainda pra ela. Celine sempre ria alto quando Bill falava em sueco. Gostava quando ele falava em inglês, porque ele gaguejava constantemente e demorava três minutos para responder uma pergunta simples. Mas dessa vez ela não quis rir.

 

Teve vontade de ouvir ele falando sueco ao pé da orelha dela.

 

Bill colocou os braços em cima da bancada negra e olhou para o seu lado esquerdo. Viu Celine tentando em vão ligar o celular mais uma vez e bufou com o símbolo que indicava que a bateria estaria fraca demais até pra ligar. Os cabelos louros não estavam tão longos como da última vez que se viram. Estavam na altura dos ombros, como se ela tivesse acabado de sair de um comercial cliché dos anos cinquenta. O vestido era justo ao corpo, mas as mãos dela estavam enfiadas nos bolsos na roupa, já que ela vivia esquecendo a bolsa junto com seus documentos. Ele voltou a olhar para o rosto dela, estava sério e quase como se ela estivesse triste. Celine colocou o celular no bolso do vestido novamente e olhou para a sua direita.

 

“Bill!” ela exclamou, se levantando da cadeira e colocando os braços ao redor do pescoço dele. Os braços de Bill passaram pela costa de Celine e ela abafou um suspiro baixo. ‘Meu deus, ele tá tão firme.’ ela pensou consigo mesma. “ Sete anos, hein?”

O corpo dela saiu do abraço logo depois que ela fez a pergunta e viu novamente o rosto do amigo. Era impossível falar com ele sem conseguir pensar em sentar na cara dele ali mesmo. Celine olhou para os lados sem graça, quando não teve resposta de Bill, que ainda estava quase anestesiado de felicidade ao ver Celine ali na sua frente.

 

“Pensei que nunca mais iria te ver, Line.” ainda tinham traços daquela voz brincalhona de 2010. O inglês dele estava melhor, ela tinha que admitir. Assim como todo o resto estava melhor. “ Ainda bem que eu estava errado.”

 

“ Sim!” a voz dela estava cheia de entusiasmo, jogando o sono que estava sentindo para longe. “ Tá sozinho por aqui?”

 

“Não. Na verdade eu -” Bill olhou para trás, como se Celine pudesse ver com quem ele estava, mas foi interrompido pelo Barman.

 

“Três cervejas.” o barman colocou as cervejas na bancada e olhou para Bill, impaciente pelo seu pagamento, já que queria conversar mais com duas garotas do outro lado da bancada, que nem tinham idade para estar em um bar.

 

“Eu pago, mas eu preciso de um favor.” Celine tirou vinte coroas suecas e o barman pegou rapidamente. “Pode me levar pra minha casa, Bill?” a voz dela estava mais alta, ele pensou que era pelo som alto dali. Celine coçou a ponta do nariz e olhou para o meio da pista, ainda tentando ver se Frances dançava com um cara qualquer. Viu uma mulher parecida com ela em uma mesa, um pouco perto. Mas já tinha visto tanta gente, que já tinha esquecido da roupa em que Frances veio. Bill olhou para as três cervejas, em copos desnecessariamente grandes e suspirou alto. “ Eu não pediria se fosse uma emergência, é que a minha amiga acabou entrando e eu nem vi. E a chave do apartamento fica com ela, já que eu vivo sem bolsa.”

 

Bill tentou pegar os três copos, envolvendo suas mãos nos copos segurando pela base do meio. “ Tudo bem.” a voz dele estava calma, mas as mãos estavam tão desajeitadas quanto as dele de sete anos atrás. “ Eu só preciso deixar isso daqui na mesa que eu estava e volto pra te pegar, ok?”

 

“ Ok.”



 

Ao ver Bill chegando com três copos de cerveja, as pessoas que esbarraram nele antes,  acabavam cedendo mais espaço para que ele pudesse passar, com medo de que as cervejas derramassem em quem estava dançando. Colocou os copos em uma mesa que ficava na esquerda da bancada em que Celine estava, não era tão longe dela, mas a mesa ficava meio escondida, já que ficava perto da gigantesca fila para ir ao banheiro. “ Finalmente!” Frances quase salivou ao ver a cerveja brilhar no copo e esfregou as mãos uma na outra. Bill pegou o casaco, vasculhou para se certificar se as suas coisas estavam todas nos bolsos e olhou mais uma vez para a bancada do bar. Ela ainda estava lá. “ Já vai embora?” Frances pegou o seu copo e já ia levar a boca, mas mudou de ideia. “ Fica. Você nem bebeu nada ainda.” a garota levou o copo até a boca e absorveu o gosto  meio amargo da bebida.

 

Ao lado de Frances, Alexander balançou a cabeça em negação e passou o braço pelos ombros dela. “ Vai embora.” a voz de Alex não saiu, mas falou bem devagar e sem som algum para que Bill pudesse entender.

 

Bill revirou os olhos e deu uma risada quase tímida ao perceber o que Alex queria de verdade. “ Tenho certeza que vocês podem dividir essa terceira cerveja.” ele colocou o casaco castanho e voltou a olhar para Celine. Ela estava discutindo mais uma vez com o barman, que insistia que ela deveria consumir para permanecer sentada lá. “ Prazer conhecer você, Frances. Tchau Ally.”

 

Frances sorriu com a boca fechada, já que ainda estava se deliciando com a cerveja e encostando o seu corpo contra ao do irmão de Bill.



 

Celine já estava de pé, mas com as unhas curtas cravadas na mesa e um olhar impaciente para o barman. “ Eu te dei vinte coroas e deixei o troco pra você fazer qualquer merda com ele e é assim que me agradece?” Ela se inclinou no fim da frase, dando ênfase no quanto ela estava brava.

 

“ Pra sentar aqui tem que pedir alguma coisa. Regras da casa.” ele insistiu.

 

Ela levantou as mãos em sinal de rendição e deu as costas para o barman. Nesse mesmo instante, como se tivessem coreografado cada passo, Bill deu a mão para Celine e ela a agarrou com o um sorriso leve no rosto. Sentia falta disso. Dessa compatibilidade gestual que ocorria com os dois, que era imune aos sete anos que passaram sem ver um ao outro. “ Onde fica a sua casa?”

 

“Hm!” ela estava mais alegre, mais solta. Estava aliviada por estar voltando pro conforto da sua casa e pra sua netflix. Celine vivia entre conflitos internos e sentia que não aproveitava mais a vida do mesmo jeito que era criança. Quando saía de casa e estava se divertindo com seus amigos, sentia falta de toda a sensação de conforto que estava lá e não conseguia se divertir. Mas quando ficava em casa, ficava triste ao perceber que todo mundo iria sair e que ela mais uma vez não foi mais pró ativa com suas decisões na vida. “ É perto daqui. Já passou por uma rua onde tem um monte de lojinhas e um guarda que multa Deus e o mundo?”

 

“Sim.” ele gargalhou. “ O aparelho que ele usa pra medir a velocidade dos carros vive quebrada, mas ele não admite. Meu pai já foi parado por ele e ele disse que o carro estava 100 por hora.”

 

“Mas o Stellan dirige feito uma tartaruga.” Celine falou sem querer e logo tapou a boca com os dedos, com receio da resposta de Bill. O rapaz olhou para ela com uma expressão séria. Colocou as mãos no bolso, achou as chaves e indicou o carro. “ Ele até parece uma.” Bill soltou uma gargalhada mais alta ainda e sacudiu a cabeça, tinha esquecido o quanto ela era engraçada.  Mesmo assim, ela não pode deixar de notar que Bill parecia estar diferente. É óbvio que sete anos podem fazer uma pessoa mudar bastante, mas ela pensou que Bill não mudaria tanto assim.

 

Ele ria e às vezes gargalhava de algo que ela dizia, porém, logo cerrava os lábios. Como se sorrir ou se sentir feliz fosse uma coisa inapropriada naquele momento.  “Pois é… Eu moro no prédio em que aquele guarda fica praticamente de plantão.”

 

Bill não respondeu. Voltou a ficar sério e abriu a porta do carro e Celine fez o mesmo. “ Tudo bem, Bill?”

 

Ele forçou seu rosto a fazer um sorriso, por mais que seus olhos indicassem o quanto ele estava chateado. Não por ter que ir embora ou pela carona que estava dando, mas sim por outra pessoa. “ Só cansado.”

 

Celine percebeu que suas tentativas de arrancar mais uma risada de Bill não estavam dando certo e se calou de vez. Olhou para a janela, viu as luzes da cidade de Estocolmo e deitou a cabeça no banco do carro. Amava a sensação de ser levada pelo carro, ver os muros, os prédios altos e a vida daquela cidade pela madrugada. Teve vontade de abrir o vidro e sentir o cheiro do vento lá fora. Riu consigo mesma ao lembrar que o seu melhor amigo de infância estava ali do lado, tão pertinho. Quis segurar a mão livre dele, que repousava na coxa enquanto dirigia. Do mesmo jeito que faziam quando eram crianças e contavam segredos sobre a família um do outro. Olhou para Bill, estendeu sua mão pequena para alcançar a mão dele.

 

Em questão de segundos, retraiu sua mão para voltar até sua própria coxa. Olhou para o rosto dele mais atentamente e logo percebeu. Ele não estava cansado. Estava triste.

 

Pensou rapidamente, antes que ele entrasse na avenida que daria certo na entrada da rua do seu prédio. Bill não poderia ficar sozinho hoje e ela não iria conseguir saber o que ele tinha de verdade. Só ia desabafar quando a causa da tristeza estivesse quase saindo da garganta. “Biil?”

 

“Oi, Line.” a voz dele estava mais firme, como se estivesse percebendo o que Celine já tinha a certeza. “ É subindo nesta avenida direto, não é?”

 

“Posso ficar na sua casa hoje?” ela se virou completamente para ele, ficando de costas para a porta do carro. Ele finalmente deixou de olhar para a avenida e olhou para Celine, com um pouco de espanto nos olhos. Celine estranhou, já que de acordo com a lógica, ela era  ainda a sua melhor amiga.

 

Mas Celine notou que se passaram sete anos. Não sete dias ou sete semanas. Ficaram longe, sem contato e sem saber o que um sentia sobre a vida e coisas assim. Eram quase dois estranhos um para o outro e ela não sabia como administrar isso. Como se volta a ter aquele contato nostálgico e bem que eles tinham sete anos atrás? Ou todo o companheirismo e amor que sentiam desde crianças? Eles teriam que se conhecer de novo, talvez? Nem ela sabia, imagine ele.

 

Bill não olhou para Celine daquele jeito por estes motivos. O motivo tinha um nome estabelecido.  Alguém que ele sempre viu um futuro junto, fez planos e esses planos já estavam decorados na ponta da língua. “ Eu não tenho a chave da minha casa comigo, mas eu posso ficar no apartamento vizinho enquanto a minha amiga não chega.” a voz de Celine estava com um tom meio incerto, com vergonha de ter achado que iria voltar a ter aquilo que tinha com Bill e só ter faíscas daquela amizade toda. “É nesse prédio da frente.” o prédio rosa tinha um restaurante, especializado em cozinha francesa no térreo e ainda funcionava com uma clientela cheia, considerando a madrugada um pouco fria que fazia na cidade. Bill desligou o carro, na porta do prédio de Celine e respirou fundo, analisando os prós e os contras da sua decisão. Ela retirou o cinto de segurança e fez o que queria ter feito desde o início.

 

Encaixou sua mão esquerda na bochecha de Bill, com os olhos cheios de carinho e a boca esticada em um sorriso franco. Teve certeza que esse seria mais uma despedida dele e que só iria rever o rapaz dez anos depois, quem sabe. “ Eu amei te ver hoje.” Colocou a mão direita e envolveu as maçãs do rosto dele em suas mãos. Puxou o rosto dele contra o seu e beijou a testa macia de Bill, que sorriu com o gesto. “ Um dia a gente se vê por aí. A cidade é grande, mas não o suficiente pra mim.”

 

Celine soltou as mãos do rosto de Bill e se virou para a porta do carro. Colocou os dedos na porta, para poder sair, mas Bill segurou seu braço logo em seguida. “ Line, pode ficar comigo essa noite?”

 

Ela sorriu como se ele estivesse pedindo para ela fazer a coisa mais óbvia do mundo. “ Claro.” Foi tudo o que ela conseguiu dizer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celine entrou na casa de Bill enquanto ele fechava a porta e recolhia algumas sujeiras que ficaram ao chão, com vergonha da sua desorganização típica de um adulto em conflitos. Retirou o caso e deixou na mesa da cozinha , sem se importar se ia passar a noite fora do armário. Ele quis abraçar Celine, contar tudo o que aconteceu de sete anos pra cá, rir dos assuntos mais aleatórios que pudesse pensar e contar sobre Alida.

 

Alida.

 

Até o som do nome da sua ex namorada era estranho de pronunciar. Como se fosse algo distante e quase se apagando aos poucos. Como acordar e tentar se lembrar do sonho que teve. Viu que Celine estava de costas para ele, absorta na decoração desorganizada da recente casa de Bill, as caixas que ainda estavam jogadas ao chão, pelos cantos da casa e algumas garrafas de vinho. Era como se algo da casa estivesse faltando. Uma sensação de conforto quando se chega ou coisa assim. Bill pegou as garrafas e levou ao lixo da cozinha, com vergonha da falta de cuidado que tinha com a sua própria casa. A festa que tinha dado aos seus amigos mais próximos na semana passada, ainda era visível aos olhos de quem chegava.

 

Uma bituca de cigarro presa ao chão, perto do sofá. A mancha de cerveja que ainda era bastante visível e mais outra garrafa ao chão. Ela sorriu ao ver que Bill estava fazendo o que queria fazer desde bem novo. Gostava de fazer a mesma coisa que seus pais e a sua família em geral faziam, dar uma festa, receber os amigos e fazer uma boa comida. Ele sempre gostou de ter pessoas em casa, conhecer novos amigos através dos que já conhecia, conversar com eles sobre política, música, a vida e coisas assim. Bill sempre deixava a porta aberta para quem quisesse aparecer em sua casa nesses dias de festa e Celine achava isso muito idiota. Sempre o lembrava do que tinha acontecido com a mulher de Roman Polanski, mas ele sempre retrucava que aquilo ali não era L.A.

 

Viu o amigo voltar da cozinha e ficou sem saber o que fazer. A ideia era só dormir na casa dele até o dia amanhecer e Frances se lembrar que tem uma casa pra voltar. Nenhum dos dois falou nada depois de terem saído do carro e o silêncio já tinha virado um elefante na sala. Celine cruzou os braços, sem se sentir acolhida na casa de Bill, teve a sensação de que Bill sentia o mesmo.

 

Os dois se arrependeram profundamente de terem dormido juntos sete anos atrás. Obviamente que eles não sentiram isso na manhã seguinte, mas durante os anos que se seguiram, Celine e Bill esqueceram do que aconteceu naquele natal de 2010. Como se tivesse adormecido. Um sentimento submerso depois de anos de distância e que só voltou agora. Queriam discutir sobre isso, sobre como ficaria a amizade deles agora e como eles estavam. Não sabiam como e tinham receio do que as respostas dessas perguntas iam causar.

 

“Ainda bebe vinho?” a voz de Bill estava mais grave desde a última vez em que ela o viu. O som não era familiar, mas achava engraçado depois de certo tempo. Ele tinha uma garrafa de Pinot Noir nas mãos e não tinha taças. “Se importa se for sem taças?”

 

“Acho que eu não preciso dessa cerimônia toda de taças, não é?” Celine se sentou ao chão, encostou sua costa no sofá e passou uma mecha dos seus cabelos que teimava em cair na ponta do nariz. Bill a imitou e passou a garrafa já aberta para as mãos da garota, que bebeu dois goles e fez uma careta feia.

 

Bill tomou goles mais demorados que ela e passou os dedos no gargalo da garrafa. “Ainda somos amigos, não é?”

 

“Sempre.” ela disse isso com sinceridade e se não sentisse o mesmo, iria falar do mesmo jeito. “Já quer me contar o que aconteceu?”

 

Ele pensou em retrucar, mas não teria sentido. “ Eu sinto como eu te conheço, mas ao mesmo tempo desconheço.” Estava cansado, precisava ter uma conversa sincera com alguém que confiava. Pela primeira vez em meses, estava aliviado de verdade. “Tanta coisa mudou em mim e eu não vejo mais as coisas do mesmo jeito que eu via sete anos atrás.” A boca dele ainda sentia o sabor do vinho, ofereceu a garrafa para Celine, que recusou prontamente.

 

“Nem eu.” ela riu baixo, com vergonha das coisas e do que fazia quando era adolescente. “ Lembra que a gente fez aquilo tudo no natal e nenhum dos dois pensou em camisinha?” o rosto dela ficou vermelho, fixou seu olhar no chão da sala e não quis olhar no rosto dele. “ Eu era muito descuidada! Imagina se eu fico grávida, ou pego uma doença ou os dois ao mesmo tempo?”

 

“Então você ficou paranóica com o passar dos anos?” Bill tomou outro gole, a voz estava mais solta e grave ao mesmo tempo.

 

“Com certeza.”

 

“Ainda gosta de Miles Davies?” a cabeça dele deitou na beira do sofá, ainda com os olhos acompanhando cada parte do rosto de Celine.

 

“Ainda.” ela sorriu com a lembrança. Bill e ela abrindo a caixa empoeirada de vinis do pai, colocando um vinil pela primeira vez e dançando na frente do tocador enquanto o Jazz de Miles davis ecoava pela sala.

 

A palavra ainda soou como se ela já tivesse experimentado de tudo na vida.”Ainda? Parece algo que uma pessoa mais velha e sábia diria.”

 

“Me sinto velha, mas não me sinto sábia.”  Celine imitou a posição de Bill, ficando poucos centímetros longe do rosto dele.  Conseguiu sentir o cheiro do cigarro que ele fumou pela tarde, de um perfume que ele passou antes de sair de casa e do vinho que saía do hálito quente. Pegou a garrafa das mãos de Bill e bebeu três goles demorados. O gosto da bebida não ardia tanto assim, o que indicava que ela já estava ficando um pouco bêbada. “ Quer dormir?”

 

“Sim.” ele admitiu. Tocou a boca da garrafa com os dedos e colocou a mão livre no queixo, apoiando o seu braço na beira do sofá. “ Sofá ou cama?”

 

“Cama.” Ela levantou rapidamente, deixando Bill com a garrafa e parada na frente dele, esperando que ele indicasse onde ficava o quarto. “ E você não vai dormir no sofá, isso é muito ridículo.”

 

“Sexista da minha parte?” ele se ergueu também, levando o resto do vinho aos lábios e terminando a garrafa que já estava aberta desde ontem. Ele estava mais solto, mais leve e descontraído do que antes.

 

Celine sorriu ao ver que Bill continuava o mesmo que gritava ‘ poder ao povo’ com ela na varanda de sua casa. “ Sim, Istvan.”

 

“A sua pronúncia melhorou bastante.” O rosto dele já estava inclinado, perto ao dela. Não teve desejo de beijar Celine, só queria ver o rosto dela de perto para que ela caísse na gargalhada.  Mas ela estava séria.

 

“O seu inglês também.”

 

Bill sentiu que não aguentaria mais. Teve a sensação de que as palavras estavam presas na garganta e queriam sair a qualquer custo. Celine não tinha comido nada antes de sair com Frances e Bill não tinha comido muita coisa, mas estava segurando bem a bebida.  Ela pegou a mão dele e puxou para o corredor estreito, sem saber se aquele era o caminho para o quarto de Bill.

 

Ele a corrigiu, fazendo Celine dar três passos para trás e entrar no quarto escuro de Bill. Eles não se importaram em ligar a luz ou trocar de roupa. Tiraram os calçados, arrastaram o cobertor com os lençóis e deitaram na cama. Bill se sentiu culpado quando os pés gelados de Celine tocaram os seus e as mãos dela passaram pelos cabelos dele. “ Vai me contar o que tem de errado, Istvan?”

 

“Alida foi embora seis meses atrás.”

 

“Quem?”

 

“A minha ex namorada.” Bill não conseguia ver o rosto de Celine direito, mas sentia os olhos dela fixados no rosto dele. O que fez com que o corpo dele ficasse mais relaxado. “ Sabe quando uma relação não cresce mais? Era isso. Nós éramos duas pessoas que se amavam muito, só que a nossa relação não ia pra lugar nenhum.”

 

“E o que aconteceu?”

 

“Ela terminou tudo.” Bill deitou com o estômago virado para baixo, deixou a sua mão esquerda entreaberta no meio da cama e fechou os olhos. “ E eu não sei como viver sem uma pessoa do meu lado. Sem ela do meu lado.” Celine agarrou a mão de Bill, como um reflexo involuntário. “ O que eu faço, Line?”

 

“Eu não sei. Eu não posso tirar essa tristeza daí.” Celine também se revirou para ficar na mesma posição de Bill. “ Ainda quer ela de volta?”

 

“Eu só quero que ela seja feliz, mesmo que eu não esteja lá.” Celine sorriu com a resposta de Bill, teve orgulho de ser amiga de uma pessoa tão madura.

 

Bill falou por mais um tempo, mas Celine já estava em uma outra dimensão do sono. Ele só parou de falar quando ouviu um ronco baixo sair da garganta dela. Riu com o som incômodo que ficava um pouco mais alto a cada minuto e se deixou levar pelo sono e a leve embriaguez do vinho.

 

Mas as mãos não se desgrudaram um minuto sequer.



 

Como um submarino escondido no meio do mar, existiam muitos outros conflitos na cabeça dos dois que não subiam para a superfície. Não eram verbalizados e ocasionaram em mais problemas. Celine e Bill mudaram de posição diversas vezes durante o sono. As mãos se soltaram, mas o corpo dela se encolheu para caber no abraço solto dele. Os lábios um do outro estavam perto, a respiração baixa de ambos e os suspiros entrecortados que ele soltava de vez em quando eram os únicos sons que saíam daquele quarto.

 

O quarto começava a clarear sem pressa. O quarto de Bill podia ser visto com mais detalhes agora. A cama era grande, branca e gritava de longe sobre o quanto era confortável.  As paredes tinham uma cor de madeira, uma poltrona perto da janela cheia de livros se mostrava com a claridade e os cabelos de Celine ganhavam uma cor mais clara pelo contraste com o branco intenso do travesseiro. Celine abriu seus olhos devagar, adaptando os olhos com a fraca claridade que se instalava no quarto. Olhou para os seus pés, para a mão de Bill que a abraçava pela cintura e as mãos dela que envolviam o pescoço dele.


 

Viu a boca entreaberta e sem perceber, se inclinou para mais perto do rosto de Bill. Os lábios estavam tão próximos que, se ele fizesse qualquer movimento já seria tarde demais. Soltou uma mão do pescoço dele e colocou quase perto da cabeça. Quis tocar os cabelos dele e empurrar o rosto dele para si.

 

Ela parou.

Raciocinou.

 

Ele não é seu.’ Sua consciência ecoou na sua cabeça.


 

Recuou a sua mão e a colocou mais uma vez no pescoço de Bill. Deitou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos com força, tentando forçar a si mesma a dormir novamente. Não conseguiu.



 

Ele não é seu.’ Sua consciência ecoou na sua cabeça mais uma vez, como uma serenata.


 









 



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