História Charter of our love - Capítulo 14


Escrita por: ~, ~ingreysheart e ~ortcallie

Postado
Categorias Grey's Anatomy
Personagens Addison Montgomery-Shepherd, Alexander "Alex" Karev, Amelia Shepherd, Arizona Robbins, Calliope "Callie" Torres, Derek Shepherd, Mark Sloan, Meredith Grey
Tags Arizona Robbins, Callie Torres, Calzona, Grey's Anatomy, Romance
Visualizações 432
Palavras 9.885
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hellou meus amores como vocês estão nessa linda noite de sábado??
Espero que beeem! E preparados para mais um capitulo de Charter.
Não vou falar muito... além de pedir desculpas pela nossa demora <3
Bom, as musicas de hoje são
Safe inside - james arthur
Don't know whi - Norah Jones
All in my head - Tori kelly
Bom leitura <3
p.s: Na foto do cap é o Mark com a Sofia no colo... uns amores né?! Ai morrendo de amores.

Capítulo 14 - Canto de fadas


Fanfic / Fanfiction Charter of our love - Capítulo 14 - Canto de fadas

"Visualizei, mas não vou responder, da minha boca não vai ouvir nada até que eu tinha coisas pra falar, mas vou tomar vergonha nessa cara..."


Arizona Robbins.


Existem pessoas tão transparentes que ao mirarmos profundamente em seus olhos somos capazes de enxergar nossas almas refletidas diante da clareza vinda deles. Olhares são como mar de águas cristalinas, nos dão a possibilidade de visualizarmos os desejos e anseios mais escuros existentes ali.

Por anos tudo que eu tentei se resumia em manter a imensidão azul dos meus olhos claros para que Torres pudesse enxergar de forma sincera e sem máscaras a dimensão das emoções que habitavam em mim, de forma gritante e pulsante quando se diz respeito a ela, e mesmo que por vezes não fosse suficiente, eu ainda tentava mante-la consciente dos meus sentimentos por gestos e atos.

Eu desde nova a cortejava de maneira descarada e por mais que no final sempre terminasse tudo com "é brincadeira" aquele ditado sempre estava presente: "Toda brincadeira tem um fundo de verdade, Arizona" - me repreendia e sabia que existia fundamento. Meus desejos por Calliope mesmo que ditos em tons de brincadeiras sempre estiveram expostos como se uma peça de museu eles fossem.

--- Você pode repetir? - Suplicou Addison. --- Acho que não escutei direito o que acabou de dizer.

--- Na noite que você passou fora eu e a Callie acabamos dormindo juntas. - Falei de forma consciente a espera de um pré-julgamento de sua parte.

--- E você demorou esse tempo todo para me contar?

--- Addison, presta atenção em mim por um segundo. – Pedi a ruiva que estava concentrada apenas em uma parte da história que eu acabara de lhe contar.  --- Você não focou na parte principal.

--- Quero entender o motivo de você estar me contando isso dias após o ocorrido. – Indagou furiosa. --- Agora compreendo as marcas roxas que haviam espalhadas pelo seu corpo.

--- Sinto muito, Addie, não quis fazer disso um grande acontecimento ou programar nosso casamento até porque ela escolheu ele, mesmo depois da nossa noite. – Virei a taça de uma vez e senti o líquido transparente descer queimando.

--- Como ela escolheu ele? – Perguntou curiosa. --- Ela o traiu com você e ainda sim permanecerá nessa farsa? Será que não percebe que esse casamento está fadado ao fracasso?

--- Segundo a própria se ele a perdoar, vão seguir com o plano original e ela se casara em pouco tempo. – Senti o ar fugir dos meus pulmões uma tristeza dominar meu peito.

--- Ari, eu sinto tanto, meu bem. – Suas mãos seguraram a minha e ela encheu novamente minha taça. --- Vamos beber e você esquecerá por segundos isso.

--- Eu também sinto. Ela me julgou, apontou o dedo e me culpou de usar seus sentimentos, mas veja só o que me fez. Foi capaz de me dar o gosto do paraíso e me fazer acreditar nos felizes para sempre apenas para me jogar novamente no limbo e fazer-me bater na porta do inferno... – Meus devaneios foram cortados ao meio por batidas fortes na porta, seguidas pelo som da campainha. --- Está esperando alguém?

--- Não e pelo visto nem você. – Sorriu de forma doce e eu me levantei para abrir a porta. --- Veja quem é para mim, amor.

--- Você anda ultrapassando os limites do permitido, Addison. – Sorri maliciosamente para ela que riu da minha constatação. Nossa amizade era fácil e tão preciosa, eu mal podia acreditar que havia ficado longe por tanto tempo dela.

Ao abrir a porta vi três figuras paradas de forma constrangida a minha frente, na verdade quatro, Felicity estava parada atrás de Amelia, escondida e envergonhada. Sorri de forma amigável para Amélia, Karev e Cristina e dei espaço para eles adentrarem.

--- Entrem, fiquem a vontade. Addison está em casa. – Foi tudo que consegui formular.

--- Viemos falar com você, Arizona. – Cristina se pronunciou fazendo-me paralisar enquanto vejo-os caminhar e sentar ao lado de Addie.

--- Fefe, por que não vai até o quarto da Titia? – Addison chamou atenção da menina. --- Let e Sof estão desenhando lá. – Ao escutar os nomes das minhas filhas, Fefe saiu em disparada a direção do quarto me fazendo sorrir.

--- Quando vocês vão assumir? – Karev nos questionou me deixando confusa. --- Bebendo vinho branco em plena sexta feira? – Indagou em meio a uma risada. --- Isso é muito casal.

--- Arizona, não quer assumir um compromisso no momento, ela acha que me usar para aquecer sua cama em noites frias são suficientes para mim. – Sua voz brincalhona me fez dar uma careta e a vi se contorcer de dor quando me joguei em seu colo de forma livre.  

--- Você não me deixa te usar nem para isso, Addie. – Beijei sua bochecha e me empurrou para o lado fazendo todos rirem de nós.

--- Ela é hetero demais para isso. – A maneira que Yang disse tais palavras era carregada de malicia, mas coberta de brincadeira fazendo o clima ficar mais leve. Exceto por Amélia que se mantinha preocupada e envergonhada no canto.

--- Queremos nos desculpar, Arizona. – Pela primeira vez pareceu respirar. --- Percebemos nosso erro em aponta-la como culpada de todo que nos aconteceu e não olharmos seu lado e seu motivo para ter nos deixado. – Seu sorriso contido esperou uma confirmação minha para que pudesse prosseguir e eu assenti com a cabeça. --- Julgamos você e tomamos as dores de Callie, totalmente sem fundamentos, para basearmos tal escolha.

--- Sim, vocês fizeram isso. - As palavras não saíam conforme o que eu planejava em minha mente e todo ensaio que aconteceu antes se reduziam ao pó diante deles.

--- Queremos fazer parte da sua vida. - Yang abordou de maneira sutil o que não era seu forte. --- Você voltou diferente, saiu daqui como uma menina e retornou sendo uma mulher madura, de escolhas feitas e com duas filhas.  

--- Exato, duas meninas lindas que merecem o mundo e todo amor que nós como tios podemos dar. - Karev mesmo que por vezes fosse indiferente, ele sempre estava ali por mim. --- Quero poder transmitir a elas um pouco do amor incondicional que tenho por você. Acredito que as magoas existentes devido a sua partida não serão extintas de uma hora para outra, entretanto estou numa fase da minha vida que não posso me dar ao luxo de perder segundos com birras inexistentes. Quero sua amizade de volta.

--- Sou feliz pela forma acolhedora e sincera na qual abraçaram Leticia e Sofia, confesso que por muitas noites desejei que pudesse ser tomada pelos braços de vocês e embalada num carinho que sempre dividíamos antes.

--- Somos uma família, Arizona, embora eu não consiga entender perfeitamente tais atitudes suas, sou capaz de compreender parcialmente que o amor nos faz agir de maneira irracional. E confesso que pelo menos de relance acho nobre sua atitude de abrir mão de Callie pelo seu irmão, pena que ele não fora criado com tais virtudes e isso nos manteve separadas por mais tempo que o necessário. - Eu podia sentir a emoção do momento, podia sentir a vibração em cada palavra dita por Amélia. O ambiente estava tomado de uma sensação boa, havia conforto e paz. Éramos apenas amigos de infância sendo sinceros e abrindo o coração permitindo a entrada novamente de quem jamais fora esquecido.

--- Quando vocês vão se mudar? - Karev mudou de assunto bruscamente, provavelmente aquele assunto era tedioso demais para ele.

--- Daqui algumas semanas, resolvi fazer uma reforma no apartamento. - Respondi de maneira simples enquanto repousei minha cabeça no ombro de Addie. --- Tentei deixar o quarto das meninas o mais aconchegante possível, muitas mudanças em pouco tempo e elas sentiram demais isso.

--- Deveríamos fazer um open house com bastante tequila. - Cristina sugeriu nos fazendo rir.

--- Sim, e aproveitamos para cantar parabéns para Sofia, provavelmente será no mesmo dia ou semana. - Respondi de forma simples enquanto olhava minhas mãos entrelaçadas com a de Addison. Era confortável estar assim com ela, mas não chegava a ser a eletricidade que meu corpo sentia ao encostar em Calliope. Era um sentimento mútuo de amizade sincera e única.

--- Ari, não faremos nada para pequena? - Questionou preocupada.

--- Não, eu preciso me estabilizar e sempre fomos apenas nós. Sofia não tinha grandes festas de aniversario. Ano que vem farei algo, mas nesse momento não tenho como.

--- Mas esse ano é especial, é diferente, estamos todos juntos e ela estará conosco. -Amélia procurava justificativas para tal acontecimento.

--- Esse ano ela não vai ter por perto a Eliza, o Jackson, a April e a Jo. - Falei lembrando-me de meus amigos de Londres. --- É claro que eu gostaria de fazer algo grandioso para que ela esquecesse esse detalhe, que gostando ou não, é importante para a pequena, porém minha vida financeira não está estabilizada para isso. Vamos apenas comprar um bolo e cantamos parabéns.

--- Você ainda tem contato com eles? - A curiosidade na voz de Amélia me fez sorrir ao lembrar os amigos que ganhei ao longo dos anos que estive longe, entretanto eu era capaz de perceber que sua pergunta tinha a ver com apenas uma pessoa.

--- Jo e April me ligam sempre querendo falar com as meninas, saber de nós. Já Eliza ligou apenas uma vez através de Jackson e falou apenas com Leticia. - Senti um aperto forte em minha mão e sorri pelo carinho transmitido por Addison.

--- Ela te amou o suficiente para colocar sempre sua vida e sua felicidade em primeiro lugar. - Addison divagava perdida em pensamentos enquanto prosseguia como se não houvesse mais ninguém presente. --- Mesmo coberta de erros em deixar você de maneira tão patética, gostaria de conhecê-la, fez tanto por ti enquanto nos mantínhamos longe.

--- Vocês realmente estão precisando assumir esse lance. - Yang disse batendo um high five com Karev. --- Estou amando loucamente o que vejo.

Se hoje alguém me perguntasse quais são meus medos, eu saberia dizer cada um deles e poderia ir além, poderia lhe dizer onde exatamente cada um caberia. Eu poderia, somente se eu pudesse ao menos tirar proveito dos meus insanos pesadelos e minha total falta de percepção para determinadas coisas. Eu, por exemplo, não sei dizer o que é certo e o que é errado em determinadas situações, não concordo com ninguém e lanço sempre minha opinião por mais que ela não agrade a maioria. Minha mente transbordava de imagens que não existiam, momentos que não foram realizados e me perguntava quando essa loucura de ansiar por momentos inexistentes iria passar afinal Calliope havia decidido seguir seu caminho.

E mesmo que o meu medo, meu pior pesadelo estivesse se mostrando real a minha frente, eu não queria ter que me enfiar no que é considerado normal e viver presa em todos esses pensamentos que não eram meus.

Meus amigos permaneceram por algumas horas no apartamento de Addison, acabamos por beber e levamos ao fim três garrafas de vinho, e depois que foram embora ainda bebi dois copos whisky. Tudo foi o suficiente para eu mandar mensagens para a Callie, mas como não respondia eu resolvi dormir, sendo que pegar no sono naquela circunstância era caso impossível tamanha era minha alteração e por estar sofrendo precisava apenas escutar a voz rouca da latina para sentir-me bem, foi então que resolvi ligar.


--- Calliope, é a Arizona, vamos fugir? - Propus inicialmente. --- Tenha consideração por mim.

--- Arizona, nem tudo se resolve fugindo, eu não sou como...- Sua frase é cortada ao meio.

--- Como eu...pode falar, Callie.- Falei de forma embolada.

--- Está bêbada, Arizona? É obvio que sim. - Concluiu sonolenta. --- Onde você está?

--- Quero você, Calliope! Estou com saudades e preciso que venha me ver, porque eu te amo. - Praticamente implorava pela presença dela. --- Estou sofrendo, bebi para esquecer o seu casamento.

--- Eu preciso pensar no que vou fazer e como fazer, e isso envolve ficar longe de você. Estou de casamento marcado e Mark é um homem bom, não merece o que fizemos. 

--- O que fizemos? –Perguntei indignada. --- Eu não tenho compromisso nenhum com ele, Calliope e você parecia saber muito bem o que estava fazendo e tenho marcas pelo corpo que ainda provam isso.

--- Eu sinto muito, eu não queria deixar marcas em ti, estão roxas? – Sua voz ao mesmo tempo que era carregada de culpa possuía uma luxúria disfarçada.

--- Se fosse só as marcas do corpo que você estivesse deixado em mim, eu não me importaria. Você deixou marcas em minha alma que são impossíveis de cicatrizar. - Comecei a chorar. --- Ele te chama de Calliope? Só eu posso te chamar assim, escutou? Eu te odeio por me fazer mal.

--- Arizona... – Repreendeu aparentemente não querendo brigar.

--- Entretanto sei que se divertiu enquanto fazia do meu corpo território de seus desejos. A Addie viu e foi bem difícil explica-la sabia? - Prossegui sem me importar em parecer uma confusão diante dela.

--- Será que podemos conversar normalmente? Não estou com vontade de saber sobre o que a Addison pensa em relação à marcas que deixei, até porque isso não diz respeito a ela ou diz? – Disparou sem paciência e enciumada. --- Precisamos conversar seriamente.

--- Estou indo para sua casa e conversamos.

--- Ficou louca? Já são quatro horas da manhã e é perigoso. 

--- Está preocupada comigo? Callie, esquece esse casamento. – Supliquei mais uma vez. --- Você é uma idiota mesmo, eu certamente me arrependo de ter te conhecido.

--- Ah, ótimo, finalmente temos algo em comum. - Sua voz carregada de desdém fazia lágrimas silenciosas carregadas de dores escorrer pelos meus olhos. --- Arrependimento e ódio. Não esqueça-se do ódio, assim evitará de me ligar a essa hora da madrugada.

--- Você me odeia? Achei que me amava, mas é claro que não me ama, só sabe me humilhar. - Disse soluçando. --- É só não me atender quando eu te ligar.

--- Quando te humilhei, Arizona? - Indagou soltando uma risada. --- Não sabia que era você.

--- Se prefere mentir para si. - Minha respiração se acelerou e me senti impulsiva. --- Meu coração está cansado de apanhar, para de me maltratar, por favor. - Pedi cessando meu choro. --- Já que não me quer tem quem queira.

--- Quem te quer? - Questionou no automático. --- Não diga que é a Addison, pois estou farta de vocês duas.

--- Se o ciúmes te correi dessa maneira em relação a nós duas, por que não assume o fato que seu casamento não passa de uma mascara para um amor imortal?

--- O álcool subiu além da conta para sua cabeça, Arizona. Não tens consciência do que estás dizendo. 

--- Se você se casar eu irei me jogar da ponte. - Dramatizei apenas para comovê-la. --- Então não se case porque não quero morrer. Faria isso por mim?

--- Impossível conversar com você. - Bufou. ---Mando para ti o endereço de uma ponte certeira para tal acontecimento. Até mais, Arizona.

--- Calliope...

 

Calliope Torres.

 

Sabe aqueles dias que antes mesmo de se iniciar já se tem uma noção de que serão difíceis? Então, estava vivendo um desses. Deitada não tive vontade de acordar, buscava sono onde não havia mais, queria de todas as formas prolongar a vida na cama, muito mais focada no passado que não podia recuperar e no futuro que não fazia ideia de como seria. Queria apenas me perder nos meus sonhos até muito mais tarde e esquecer que existia um mundo fora do quarto, mas eu tinha que sair daquele estado de indisposição física e psicológica para ir até o Sloan, mesmo não sabendo como contar.

--- Bom dia. - Desejei chegando a mesa e sentando-me para tomar café. 

--- Bom dia. - Escutei o cumprimento de minha avó e minha prima em uníssono.

--- Callie, hoje irei na última prova do buffet, troquei algumas coisas para dar combinação à sabores do que será servido. - A mais velha informou-me com animação. --- Quer ir junto?

--- Não, vovó. - Falei sem interesse algum. --- Tenho que conversar com o Mark e ele já deve estar chegando para me buscar.

--- Você realmente quer se casar? - Helena perguntou tomando um pouco de suco. --- Todos os preparativos do seu casamento estão nas mãos de terceiros e até agora não vi de fato vontade de estar por dentro do que fazemos vindo da sua parte.

--- É obvio que quero me casar, eu... - Olhei para uma fatia de queijo a minha frente e enfiei na boca por não saber ao certo o que dizer. --- Tenho que ver meu vestido de noiva. - Limitei por fim.

--- Achei seu vestido bonito, porém simples. - Minha avó opinou fazendo-me sorrir. --- Se não houvesse a renda floral seria um desastre de tão sem graça.

--- Vovó, eu o escolhi e achei lindo, não quero nada extravagante como já havia dito. - Ouvi a campainha tocar e a empregada passar por nós para atender. --- Deve ser o Mark. - Levantei-me dando um beijo na testa de Helena. --- Vou indo. - Abracei rapidamente minha avó. --- Depois me diga como foi a degustação do buffet. - Pedi tentando mostrar interesse. --- Por favor, nada de damasco com cheddar.


* Escutem safe inside do James Arthur.


Logo que cheguei a sala, encontrei o Sloan sentado no sofá, eu soltava o ar preso nos meus pulmões a cada passo que dava, sentia minhas pernas bambearem de acordo com meu grau de nervosismo. Seria uma conversa dificil, eu particularmente não sabia como iniciar e de certa forma a primeiro momento não queria que fosse ali. Ao ar livre sentiria-me mais segura, assim ele conteria uma possível explosão apesar de ser muito calmo, as vezes era até demais.

--- Oi. - Falei sem jeito e ele levantou-se vindo em minha direção. --- Como você está?

--- Estou bem. - Deu-me um selinho. --- Depois de quase uma semana sem ver minha noiva acho que sobrevivi. - Brincou.

--- Desculpe-me por isso. - Respondi com tom de culpa. --- Quer ir ao jardim? - Indaguei sabendo que de prontidão aceitaria.

--- Adoraria. - Sorriu para mim e entrelaçou nossos dedos. --- Esse convite significa que temos que conversar seriamente, você só me chama para ir lá quando tem algo para me contar e não sabe exatamente como. - Concluiu enquanto atravessamos a porta. --- Desde a adolescência é assim.

Caminhamos sobre o chão de pedras levando nossos passos para a grama, o local ficava atrás da mansão e tinha cadeiras e mesas para quem gostasse de ficar ali, era o meu lugar predileto para ler. Sentamos em um banco branco resolvi encontrar a beleza escondida nas flores rosas de uma árvore a minha frente, senti o sol acariciar o meu rosto cansado e tive as energias renovadas, só então abri minha boca para falar, acabando com o silêncio desconfortável.

--- As coisas acontecem sem que esperamos, achamos que está tudo bem, que sabemos controlar e superar determinadas situações, mas quando vemos estamos afundando no erro e eu estava quase ficando submersa quando resolvi que não poderia deixar-me naufragar, não outra vez e é isso que me leva a ter essa conversa contigo. - Olhei-o e vi seu cenho franzir em desentendimento, talvez. --- A quase uma semana eu fui ao apartamento da Addison para desculpar-me pelo que fiz, ela no momento em que tinha minha companhia necessitou sair deixando-me cuidando da Sofia. A Arizona não estava em casa, só chegou depois de algumas horas e pedi para colocar a menina para dormir e assim logo após conversaríamos. - Desvirei meus negros dele e fui mirar os pássaros que voavam de um canto a outro. --- Não houve somente uma conversa, entende? 

Notei que a vida me pegava e puxava exigindo que eu saísse da minha zona de conforto, testando meu autocontrole e caráter. As situações abraçavam-me bem apertado para que eu não fugisse delas, deixando meu coração em um ritmo acelerado. Mas foi essas circunstâncias inusitadas que me tornou quem eu sou.

--- Diga-me com todas as letras. - Pediu de forma serena.

--- Eu... - Seria tão duro dizer tal frase. --- Eu...

--- Vamos, Callie. - Incentivou-me colocando a mão em meu ombro. --- Liberte-se disso. Faça por você e não por mim, até porque já imaginava a dias quando liguei para cá, tarde da noite, e sua presença foi negada pela empregada, falei com Amélia e Meredith, as duas disseram onde havia ido sem cogitar maldade na informação soltada ao vento. - Ele reconheceu o surpreendente deixando-me em transe. --- Diga em voz alta o que fez, assim não mais cometerá tal erro, pois tua vergonha pelo feito e por outras pessoas saberem sempre estará com você. Então mais uma vez, diga-me em voz alta.

--- Eu te traí com a Arizona. - Falei com a voz embargada segurando meu choro. --- Me desculpe por isso, você não merecia e me sinto muito mal por isso.

--- Como ficamos? - Indagou estalando os dedos sem muito me encarar.

--- Acho que você que tem que dizer. - Respondi com meus olhos marejados. --- Eu estou arrependida.

--- Eu acredito no amor e acho que ele mereça uma segunda chance. - Olhou-me e minhas lágrimas escorreram. --- Se caso não fosse errar de novo tentaria passar por cima disso, mas como eu disse, o amor merece uma segunda chance e creio que você queira dar uma a Arizona.

--- Não, eu não quero! - Falei de imediato. --- Quero ficar com você. Irá me perdoar?

--- Estou magoado. - Confessou com seriedade. --- Irá cometer esse erro novamente?

--- Não. - Disse pegando em sua mão. --- Por favor, me perdoa.

--- Preciso pensar, Callie... as coisas não são tão fáceis quanto pensa. - Levantou-se e deu um beijo em minha testa. --- Confiança é como um vaso, depois que se quebra jamais volta a ser como antes, sempre faltará pequenos cacos que mesmo imperceptíveis são essenciais. Fique bem.

--- Mark, eu... - Segurei seu punho.

--- Caráter é uma linha reta não faz curva, você acabou comigo sem me tocar fisicamente. - Algumas lágrimas desceram por seu rosto. --- Eu já sabia, mas tentei me enganar, porém não sou surdo quanto ao que saiu de sua boca. - Soltou-se vendo-me chorar. --- Me dê um tempo para te perdoar, preciso dele e pense no que realmente quer.

Tínhamos tudo, tudo o que um casal precisava para ser feliz. Tínhamos tantos planos guardados à sete chaves para que ninguém pudesse invejar e pretendíamos com afinco um dia realizá-los, tínhamos nosso espaço, respeito e vontade. Estava ao nosso alcance o dia e as vezes até à noite inteira ao nosso favor, infelizmente não foi o suficiente para que me fizesse pensar bem antes de errar. Ele tinha muito amor, mas como nem tudo é um mar de rosas pude descobrir que só era de sua parte, amar não é tão simples quem dirá amar por dois e Sloan tentava arduamente somente para não viver sem mim.

Mark sustentava dois corações sem que pudesse manter o meu na mesma frequência, quando havia uma queda de batimentos da minha parte ele tentava fazer de tudo para ser o meu desfibrilador. Tínhamos tudo, e eu preferi ir buscar outro amor - achando ser amor - e não pensei no que pudesse acontecer, só pensei em mim mesma e no desejo desmedido que sentia no momento. Sei que no fundo Sloan não esperava que eu o ferisse de tal forma, quando saiu caminhando tinha certeza que não conseguiria parar de me imaginar com Arizona, não importaria o que eu dissesse ou fizesse, tudo em questão de segundos mudou. Eu um dia troquei uma vida por uma noite, mesmo podendo ser apontada com tal atitude no fundo jamais me arrependi por completo, apenas por ter o magoado.


*Don't know why - Norah Jones.


Entrei para dentro de minha casa e tranquei-me na sala de música, coloquei o som para tocar no volume máximo e dancei sozinha para esquecer dos problemas. Dancei até a música que Arizona gosta, mas não por ela, e sim porque eu já a escutava antes da loira e continuei a ouvi-la depois dela, aliás... ô música boa. Por fim cansei, sempre cansava por perceber que ainda não tinha atingindo um grau de amnésia capaz de apagar meus erros e foi quando vi que o melhor era sentir ao máximo, assim desgastaria o que me sufocava, talvez essa fosse a maneira certa de agir. Sentei-me de frente ao piano e toquei.


I waited 'til I saw the sun

I don't know why I didn't come

I left you by the house of fun

(Eu esperei ate eu ver o sol

Eu não sei por quê eu não vim

Eu te deixei na casa das primas)


I don't know why I didn't come

I don't know why I didn't come

(Eu não sei por quê eu não vim

Eu não sei por quê eu não vim)


When I saw the break of the day

I wished that I could fly away

Instead of kneeling in the sand

Catching teardrops in my hand

(Quando eu vi o final do dia

Eu desejei poder sair voando

Em vez de ficar ajoelhada na areia

Aparando as lágrimas com a mão)


My heart is drenched in wine

But you'll be on my mind

Forever

(Meu coração esta encharcado em vinho

Mas você estará na minha mente

Para sempre)


Estava me responsabilizando pelo que me tornaria, não era minha pretensão querer continuar a jogar a culpa na Arizona de como andavam as coisas naquele momento. Eu tentei, Mark tentou, não foi o suficiente. Melhor assim, hoje penso dessa forma, Robbins soube antes de mim que o amor - seja ele de uma parte ou das duas - as vezes não é suficiente. Não queria mais ser a vítima dessa história, não queria que ela tivesse vítimas.

Apaguei o número da loira do meu celular, perdi todas as nossas fotos salvas em uma pasta especial e estava tudo bem. Queria continuar a tentar dar certo e tinha certeza que Sloan também. Arizona? Não dávamos mais certo juntas, desejava que fosse feliz.  Uma revolução está acontecendo aqui. espero que ela aconteça aí também. Hoje me pergunto, "por onde você andou?" Naquela fase não reconhecia a mim mesma, mas estou de volta. Aquela Callie não prevaleceu.


Out across the endless sea

I would die in ecstasy

(Lá longe, no meio do mar sem fim

Eu poderia morrer em êxtase)


But I'll be a bag of bones

Driving down the road along

(Mas eu seria um saco de ossos

Dirigindo ao longo da estrada)


My heart is drenched in wine

But you'll be on my mind

Forever

(Meu coração esta encharcado em vinho

Mas você estará na minha mente

Para sempre)


Something has to make you run

I don't know why I didn't come

I feel as empty as a drum

(Alguma coisa te fez fugir

Eu não sei por que eu não vim

Eu me sinto vazio como um tambor)


I don't know why I didn't come

I don't know why I didn't come

(Eu não sei por quê eu não vim

Eu não sei por quê eu não vim)


E mesmo depois de tudo no fim da tarde eu tive que sair e não me importei em ficar com sorrisos estampados para deixar claro de que estava tudo bem, pouco me importei com a competição camuflada tão ridícula de quem estava tudo cada vez melhor com a aproximação do casamento. Eu não me importava mais com isso, não precisava mais provar uma falsa felicidade imersa em incertezas.

Fui de carro até o ateliê de Addison, o trânsito estava tranquilo e isso não causou-me estresse sendo possível logo chegar. O estacionei no local adequado, desci apertando o botão de alarme e segui para dentro do espaço onde a ruiva trabalhava. Fui recebida por uma assistente que me levou a sala em que a estilista estava, assim que adentrei levantou-se da cadeira em frente a sua mesa para cumprimentar-me com um abraço. Falamos algumas coisas básicas como por exemplo de que forma estava nossas vidas, era o típico jeito introdutório a uma conversa e em seguida a vi tirar meu vestido de noiva da caixa.

--- Está preparada? - Perguntou com um sorriso o segurando. --- Faremos os ajustes finais, terão só mais duas provas antes do casamento a partir de hoje.

--- Ele ficou lindo. - Tirei a blusa que vestia, não me importava em ficar de lingerie em sua frente, mesmo tendo um provador.

--- Também o amei, achei literalmente o seu perfil. - Falou enquanto eu tirava as calças. --- Você o usará com coque?

--- Sim, queria dar destaque ao par de brincos que irei pôr. - O peguei de suas mãos e passei a colocá-lo com sua ajuda.

Ele era longo com um decote "v", na altura da barriga havia transparência em segunda pele nude e aplicações de renda floral. Sua cauda era fixa e em determinadas partes do vestido havia botões de cristais. Era extremamente branco contrastando perfeitamente com meu tom moreno.

--- Como está se sentindo, Callie? - Questionou enquanto olhava-me no imenso espelho, no meu íntimo não sabia responder tal pergunta. --- Ele ficou perfeito em você. - Arrumava a cauda, esticando-a. --- Não me parece feliz, desde que entrou nele não deu um sorriso de satisfação.

--- Eu estou, só que... - Passei as mãos por minha barriga. --- Falta tão pouco para me casar, chega a ser inacreditável.

--- A burrada que você irá fazer verdadeiramente é. - Falou e a repreendi com o olhar. --- Desculpe-me. - Colocou uns alfinetes para marcar a alça um pouco larga. --- Agora eu poderia dizer que a Arizona sofrerá muito, mas tem eu que posso consolá- la da melhor maneira. - A sua frase em duplo sentido causou-me irritação. --- Porém e você? Irá se enfiar em algo fracassado e não se dá conta.

--- Addison, por favor! - Pedi não querendo críticas a respeito. --- Já tomei minha decisão.

--- Isso simboliza que posso ficar com a Arizona? - Indagou provocativa e tomei-me de ciúmes tentando manter o máximo o autocontrole.

--- Já entendi ser típico seu querer tudo que é meu. - Ataquei, mas logo me arrependi e a vi gargalhar. --- Desculpe-me.

--- Poderia te alfinetar nesse exato momento, mas não me darei o trabalho. - Disse afastando-se. --- Ver você quebrar a cara vai ser melhor do que posso imaginar. Pense naquele ditado, quem avisa amigo é. - Sorriu para mim. --- Sei que está maltratando a todos que criticam esse casamento e não sei se percebeu, mas está perdendo não só a Arizona como também a minha amizade.

--- Falei sem pensar...

--- Não sou obrigada a sempre perdoar sua falta de filtro que demonstra a veracidade de seus pensamentos. - Olhou o vestido de longe para ver como estava em meu corpo. --- Você se perdeu na sua própria tentativa de fuga, espero que um dia se ache.

Desviei meu olhar de seus verdes e mirei a mesa repleta de revistas de moda, desenhos e tinha alguns de lojas de brinquedos. A tela do computador estava aberta na página de um departamento infantil famoso, lembrei-me imediatamente do aniversário da Sofia e vi uma brecha para mudarmos de assunto.

--- Está procurando um brinquedo para presentear a Sofia? - Questionei mirando-a através do espelho.

--- Sim, mas até agora não encontrei nada. - Bufou em frustração. --- Falta duas semanas para o aniversário dela e quero dar algo especial.

--- A pequena quer festa, mas me disse que a Arizona não irá fazer. - Informei erguendo os braços para Addison tirar uma medida. --- Já pensou em dar uma festa a ela?

--- A Ari não quer porque ainda não está estabilizada, querendo ou não isso rende bastante custos, principalmente sendo infantil. - Disse com sinceridade. --- Mas adoraria dar uma de presente para a Sofia.

--- Vamos fazer juntas! - Propus com entusiasmo. --- Podemos planejar uma surpresa, conheço uma boa empresa de decoração e buffet, eles são eficientes e conseguiram planejar tudo até o dia do aniversário.

--- Mas está muito em cima da hora, teremos que pagar o dobro para organizarem tudo.

--- Eu pago o que for preciso, Addie. - Decretei sem hesitar. --- Você pode cuidar da roupa da menina e de enrolar a Arizona, o resto fica comigo.

--- Não sei, Callie... - Relutava em aceitar.

--- A Sofia falou para mim que queria uma festa da Bela e a fera, acho justo realizarmos esse desejo, é até uma forma das três sentirem-se acolhidas. 

--- Ok, eu aceito. - Concordou por fim. --- Será no dia do aniversário dela mesmo? Temos que começar cedo porque ela dorme cedo.

--- Claro, temos que ligar logo para as pessoas distantes como avós e amigos da Arizona em Londres. - Falei com um sorriso no rosto. --- Assim que chegar em casa entrarei em contato com a decoração e buffet.

--- Pagarei parte do que eles cobrarem. - Disse abrindo o feixo do vestido para eu tirar. --- Callie, mantenha uma dieta até o dia do casamento, tente manter o seu peso.

Fiquei por cerca de meia hora conversando sobre o que faríamos na festa, combinamos provisoriamente alguns detalhes e sentia-me bem em estar preparando tal surpresa para a criança que sempre enchia meu coração de amor e fazia-me querer roubá-la para mim tamanha era nossa conectividade.


       •••

Arizona Robbins.


Na infância eu amava ouvir histórias de finais felizes, posso lhe dizer de maneira exata quantas vezes foram que minha mãe não se deitou ao meu lado e contou-me historias onde o príncipe encantado e a princesa ficavam juntos no final, toda noite o ritual era o mesmo, eu deitava e minha mãe se deitava ao meu lado e lia intermináveis historias de amor. Eu acreditava em finais felizes, mas vivia na pele que meu final feliz não significava casar com a minha princesa. 

Até porque minha princesa estava de casamento marcado e apesar de sua incrível teimosia em assumir que o amor, o qual jurava que havia adormecido, estava plenamente acordado e vivia intensamente dentro de si, preferia se casar com outro alguém. Eu sabia de tal fato, porém não havia como converter sua constatação errônea e em nossa ultima ligação apenas me certifiquei que havia perdido a luta, mas não a guerra. Não estava disposta a desistir tão fácil. Um amor que sobrevive à marcas do tempo de forma inteira e pulsante era a certeza que sobreviveria eternamente afinal apenas o amor verdadeiro é único a esse ponto.


--- Arizona, vocês estão prontas? – Perguntou Addison afobada pelo telefone. --- Estou chegando  em cinco minutos, quero todas vocês lá na portaria.

--- Me dê mais dez minutos, Addison. – Pedi tentando arrumar o laço perfeitamente no cabelo de Sofia enquanto Leticia colocava o sapato. --- Não entendo o motivo de sair conosco no dia do aniversario da Sofia dessa maneira, e outra Addison Montgomery, pode me explicar por que sinto que estamos vestidas de princesas?

--- Surpresa. – Disse gargalhando. --- Se apresse que não posso esperar.


Um dia antes do aniversario de Sofia, Addison apareceu praticamente de madrugada em nosso apartamento, eu havia me mudado há alguns dias, meu mais novo lar ainda parecia uma zona de guerra, entretanto as meninas mesmo que limitadamente estavam me ajudando a arrumar em seus devidos lugares algumas coisinhas. Ela estava com uma cara de cansada e um pouco desleixada para o meu gosto, seu rosto abatido demonstrava que necessitava de uma boa noite de sono, mas não ousei perguntar quando vi em suas mãos sacolas, milhares de sacolas diferentes. Quando questionei o que era, a ruiva me ignorou e chamou pelas meninas distribuindo presentes.

Eu podia imaginar o que Addison estava aprontando, era deveras estranho o fato dela aparecer assim, mas apenas aceitei ao ver minhas filhas sorrindo feito bobas ao olharem seus presentes. Sofia havia ganhado um vestido amarelado idêntico ao da Bela do filme “A bela e a Fera”. Já Maria Leticia tinha sapatilhas brilhantes nas mãos e seus olhos brilhavam feito ouro e diamantes ao puxar uma roupa parecida com a da Aurora de "A bela adormecida". O sorriso que elas tinham eram os mais bonitos já vistos por mim. Mas a felicidade de ambas se transformaram em fogos de artifícios quando minha amiga puxou de uma sacola perdida no meio de todas um vestido azul curto para mim, eu me tornei a "Cinderela".

--- Mamãe, ela já está pronta e tia Addie já está na portaria. – Leticia me informou enquanto me puxava a força dos meus devaneios e lembranças.

--- Sofia, você está linda, minha filha. – Beijei sua testa. --- Você também, meu amor. - Acariciei a Letícia. --- Minhas princesas.

--- Somos as mais belas princesas do reino! - Gritavam e pulavam animadas.

Caminhei com as duas saltitantes a minha frente e vi a felicidade contagiante que tinham. Naquele dia Eliza só havia sido pauta duas vezes o que era uma grande evolução. Vi minhas filhas saírem em disparada ao enxergar o carro de Addison estacionado perto da portaria e pararem no mesmo instante se dando conta que poderiam e levariam uma grande bronca da minha parte se saíssem sem dar a mão.

--- Desculpa, mamãe. – Let continha um sorriso envergonhado no rosto e Sof um sorriso sapeca.

Posicionei as duas no banco de trás e depois de prendê-las no cinto devidamente, me sentei ao lado de Addison e percebi que ela usava um vestido verde típico da Ariel o que me fez revirar os olhos.

--- Quando vai me contar o que está aprontando? – Indaguei depositando um beijo singelo em sua bochecha, enquanto a ruiva dava partida.

--- Promete não querer me matar? – Desviou o olhar rapidamente da rua e me deu um sorriso gigante. --- Eu e a Callie montamos uma pequena festa surpresa para a Sofia.

--- Addison!! – Repreendi a ruiva e ouvi sua gargalhada. --- Eu não posso pagar por isso.

--- É um presente nosso, por favor, não julgue antes de chegar ao local. – Pediu afagando minha bochecha.

--- Titia, obrigada. – Leticia disse de forma carinhosa e Sofia não parava de tagarelar sobre sua roupa.

 

     *All in my head - Tori Kelly

 

Mantive-me em silencio até chegarmos ao local, minha mente gritava perguntas sem respostas em relação a atitude de Calliope. Havia me colocado para escanteio novamente e decidido seguir adiante com sua ideia enlouquecedora de que casaria daqui alguns meses. Apesar de minhas esperanças ainda estarem completamente acesas em relação a nossa volta, havia uma fagulha de medo em meu coração e eu temia que ela alastrasse e se transformassem em um fogaréu.

--- Chegamos. – A voz de Addison era alta e fez as meninas vibrarem. --- Sorria e permita-se ser feliz completamente.

Eu sabia que ela me falava com rodeios e de forma mansa para me convencer e me ver buscando sentido do que acabava de ouvir, se Addison fosse direta comigo provavelmente eu a acusaria e não aceitaria o que ela estava me oferecendo de bom grado.

--- Matarei você mais tarde. – Sussurrei para Addison enquanto a mesma fez cara de desentendida e sai do carro para retirar a pequena Sofia saltitante.

--- Vocês duas se comportem, por favor. – Pedi segurando a mão de Leticia e a vi agarrar a mão de Sofia que mantinha a sua com Addison.

--- Que bela cena que vejo a minha frente. – Karev disse enquanto mantinha sua mão de maneira possessiva na cintura da Izzie. --- Podemos entrar? Não aguento mais essa roupa e acabei de chegar. - Estava como um príncipe. --- Odeio-te, Addison.

E foi então que percebi que sua roupa mesmo que simples parecia ter acabado de sair de um livro, dos livros que minha mãe lia para mim e passei a ler para minhas filhas. Estava extremamente encantador, era o Romeu e sua esposa ainda grávida parecia com Julieta. 

--- Vamos entrar antes que Arizona resolva matar-me.

Havia um problema que eu havia adquirido no acidente e me fazia sentir constantemente uma tremenda falta de ar e tudo parecia piorar quando me via em uma situação estranha, ou um desconforto emocional e uma vontade de chorar estavam presentes. Me faltava o ar, me dava uma agonia e eu não sabia em que me agarrar e dizia mentalmente que eu deveria contar de um até três e respirar profundamente, trazendo o ar de fora para encher meus pulmões e facilitar minha respiração. Entretanto, o que eu realmente precisava era de amor para encher meu coração, ou melhor, a volta de um amor, mas como nada era como queríamos pude avistar Calliope, vestida de Jasmine do Aladdin, de mãos dadas com Sloan, que estava como um príncipe.

Eu queria fugir, correr e me esconder em algum canto, fechar os olhos e imaginar uma saída diferente para o que eu vivia, contudo, eu tinha que me fazer de forte e manter um sorriso no rosto, minhas filhas corriam por todos os cantos e eram só sorrisos. Addison se mantinha ao meu lado enquanto cumprimentava algumas pessoas e eu podia ver a cara fechada de Calliope de longe quando nossos olhos se encontraram, ela desviou o olhar achando quem não devia.

Meus olhos seguiram os seus e vi April, Harriet, Jo e Jackson ao longe, um sorriso enorme dominou meu rosto quando compreendo que eles estavam ali pela minha pequena filha, mas logo o sorriso desmanchou quando avistei Eliza. Por fora eu estava me fazendo de forte, mas por dentro eu podia sentir o aperto no peito em vê-la novamente. Seu cabelo estava longo, nutria a mesma expressão séria e angelical ao mesmo tempo, notei que havia trocado a cadeira de rodas e estalava os dedos demonstrando ansiedade.

--- O que ela está fazendo aqui? – Questionei de forma fria, porém me detive quando vi Sofia e Leticia correrem em sua direção, se jogarem sem cerimonias em seu colo ignorando completamente os presentes e só absorvendo a presença deles depois de receberem abraços e beijos da tia Mimi.

--- Arizona, mantenha a calma. – Addison pediu se posicionando em minha frente e fazendo meus olhos encontrarem os seus. --- Olha o sorriso de Sofia e Leticia e mantenha em mente que isso é tudo no momento.

--- Quem a convidou? –Indaguei confusa.

--- Eu convidei seus amigos, acho que eles a convidaram. – Segurou meu rosto entre suas mãos. --- Ela é importante para as meninas, vá falar com todos e mantenha o mesmo sorriso no rosto que surgiu quando viu Callie e Mark juntos.

--- Você tem a consciência que ele era falso, certo?

--- Sim, mas ninguém além de nós duas precisa saber. – Sorriu de forma terna para mim. --- Vamos fazer as honras.

--- Karev tem razão, estamos virando um casal. – Murmurei sorrindo e ela segurou minha mão.

--- Então seremos um. – Piscou para mim. --- Pelo menos por enquanto.

--- Você é incrível! Vamos enfrentar mais um leão.

--- Não sozinhas. – Escutei a voz de Amélia. --- Não mais.

Antes eu sempre tinha a sensação de que alguém estava me observando, notando meus defeitos e qualidades, desejando uma falha minha para jogar-me na cara que eu havia feito escolhas erradas e por isso meu destino havia selado de maneira tão incorreta e injusta. Eu andava sem nem ao menos me mover, talvez isso seja um paradoxo instigante, um pouco triste, melancólico e sem fim.

Passei a reparar na decoração da festa, as mesas eram douradas e com sofás azuis com ornamentação simbolizando ouro. Tudo demonstrava ser um castelo, as bebidas servidas em taças, pratos e talheres eram especiais e o buffet parecia ter sido escolhido a dedo. A mesa do bolo estava maravilhosa e ele tinha três camadas, sendo respectivamente uma dourada, branca e azul. Observei Felicity correndo de um canto a outro como branca de neve, já Zola vestia Elena de Avalor.

Os caminhos tortuosos da vida são simbólicos, os que mais me irritava eram os caminhos que eu tinha que percorrer dentro de mim mesmo. Não tinha mapas para vasculhar esse lugar. Eu me sentia uma pessoa perdida em uma cidade grande na qual acabara de chegar. Eu não tinha consciência do que fazer, na verdade não sabia como fazer para concretizar tudo que se passava em minha mente.

Entretanto, parecia que pela primeira vez depois de um tempo, minha vida havia tomado um rumo e as coisas estavam fluindo, me envolvendo, me alegrando e me dando um sentido completamente novo, quando Addison estendeu a mão para me resgatar, ou melhor, me apresentar a cidade grande, ela havia feito minha vida se mover de forma lenta, porém quando todos os outros se puseram ao meu lado os níveis subiram, eu passei de fase, as soluções chegavam de forma imediata e eu conseguia resolver questões pessoais rapidamente e de forma eficiente.

Nada mais era igual a antes, exceto pelo sentimento que eu nutria por Calliope, mas de resto tudo estava modificando e renascendo. E por meros momentos eu acreditava que a felicidade poderia chegar enquanto eu trilhava caminhos novos. 

--- Mamãe, mamãe... - Sofia correu ofegante em minha direção. --- A titia Mimi voltou! - Falou sorrindo para mim. --- Vem falar com a titia.

--- Eu já irei, meu amor. - Agachei para arrumar seu vestido. --- Você tem que falar com a tia Callie e agradecer pela festa, dê uma abraço muito apertado nela, ok?

--- Agora, mamãe? - Olhou para Eliza como se preferisse ficar com a morena. --- Pode ser mais tarde?

--- Sua Titia mimi não vai embora agora, só mais tarde. - Sorri e ela retribuiu.

A vi ir em direção a latina que estava sentada ao lado de Sloan com sua avó e prima. Quando Sofia parou em sua frente a morena a pegou em seu colo dando um abraço apertado, observei Mark acariciando os fios negros de minha filha e os três dividiram um carinho mútuo. Montgomery me observava, porém logo tomou a atitude de me puxar e fomos em direção ao grupo, sentia-me envergonhada por ter que encarar o noivo de Callie, mas mesmo assim aproximei-me deles.

--- Arizona! - Dona Luísa exclamou e levantou-se para me abraçar. --- Você está linda, minha filha. - Beijou meu rosto demonstrando todo seu carinho por mim. --- Fiquei chateada por não ter vindo me ver assim que voltou.

--- As circunstâncias não me permitiram, mas estava ansiosa para reencontrá-la. - Meus olhos encheram-se de lágrimas, Luísa sempre foi como minha avó e estava emocionada por revê-la. --- Senti muito sua falta.

--- Não mais do que eu. - Respondeu ainda em um abraço apertado. --- Quero que venha me ver essa semana para colocarmos a conversa em dia. - Convidou-me. --- Não chore pois borrará a maquiagem, estou contendo minhas lágrimas. - Confessou fazendo-me rir. --- Você e seus amigos também são meus netos. - Era adorável.

Notei que Callie nos mirava de forma indecifrável, Mark nem direcionava seu olhar a mim, apenas brincava com Sofia que ria sem parar. O rapaz tinha uma alma incrível a ponto de não deixar nossos atritos caírem sobre minhas filhas, isso me tranquilizava absurdamente. Luísa apresentou-me Helena, a jovem era parecida com a prima e tinha uma simpatia sem tamanho. 

--- Cadê a sua outra menina? - A mais velha indagou. --- Quero conhecê-la também.

--- A mandarei vir aqui falar com a senhora. - Sorri e encarei a Addison. --- Já voltamos. 

Refizemos o caminho para perto de meus amigos londrinos novamente e recebi um abraço caloroso de todos eles, meus olhos se encontraram com os da mulher a minha frente, ela sorria envergonhada.

--- Addison Montgomery, prazer. – A ruiva tratava de se apresentar formalmente me fazendo revirar os olhos e desistir da batalha que travava com Eliza.

--- Me chamo Jo. – Minha amiga tinha um sorriso meigo nos lábios e feliz, seus cabelos estavam soltos e uma maquiagem fraca dava ela um ar juvenil o que me fazia lembrar das nossas incansáveis saídas durante a faculdade.

--- Eliza Minnick, mas você provavelmente já deve saber disso. – Ela disse a contra gosto e nossos olhares se encontraram novamente.

--- Certamente e devo dizer que é um prazer enorme conhece-la pessoalmente. – Sempre cordial a ruiva tentava aborda-la de forma parcial. --- Bom, vou acompanhar vocês até a mesa.

--- Eu gostaria de conversar com você em particular, Arizona. – Seu sorriso envergonhado e nervoso estava presente, ela segurava minha mão como se aquilo ainda fosse natural entre nós. --- Desculpe-me.

--- Talvez não seja o momento, Minnick. –Mas percebi que já era tarde e o restante dos presentes já haviam se afastado o suficiente de nós.

--- Eu sinto muito pela forma na qual as deixei.

--- Eliza, não vá por esse caminho. – Repreendi-a impaciente.

--- Não estou dizendo que não faria novamente ou que não deixaria você outra vez. – Gargalhou me olhando enquanto bufei irritada. --- Eu deixaria e você conhece meus motivos e me dá razão, por isso me odeia mais. Sempre nutriu por mim o amor que nutria por Jo e April e erramos ao nos envolver tanto.

--- Compreende que poderia ter nos poupado de muitas coisas? – Indaguei furiosa. --- Era só ter negado meu pedido de casamento.

--- Sabe que eu não poderia, sempre te amei. Me tornei louca por você no momento exato que entrei naquele bar e a vi sentada com aquela blusa branca que é a minha favorita, linda e bebendo algo sofisticado enquanto aquele bar clamava por uma tequila e cervejas. – Riu sozinha de sua própria constatação me fazendo sorrir de leve. Eu sentia falta dela, eu sentia falta da amiga que ganhei ao conhecê-la. --- Erramos em muitas coisas e eu gostaria apenas de manter contato com as meninas, sinto falta delas.

--- Imagina que seja fácil assim te perdoar? –Meus olhos furiosos fuzilaram os seus e ela manteve a pose durona de sempre.

--- Sei que não é, mas amo essas meninas, quero acompanha-las. Não pode me negar isso. – Tentei me retirar correndo e me afastar de sua presença, mas novamente ela segurou minha mão me impedindo de dar um passo adiante. --- A Callie está segurando a mão da pessoa errada, espero que você não me decepcione.


Calliope Torres.


Vendo tudo se realizar como o esperado, eu realmente queria do fundo do meu coração que aquele dia estivesse sendo um dia especial para a Sofia e que momentos parecidos se repetissem por várias e várias vezes, não deixando faltar uma coisa que é essencial na sua vida, o amor. Quando a vi chegar e seus olhos brilharam diante do que lhe foi preparado, tive a certeza que tínhamos feito o certo. Arizona a segurava pela mão e a menina queria soltar-se para correr por cada espaço do local. Eu mantinha-me parada ao lado de Mark, havíamos conversado e nos entendido novamente, tudo estava tranquilo entre nós, só não sabia como reagiria ao ver a loira.

Logo nos primeiros momentos de festa chegaram os amigos de Arizona de Londres, era o mesmo casal que havia encontrado no hospital junto a uma criança, estavam acompanhados de duas outras mulheres sendo uma delas a Eliza. Assim que as meninas notaram a presença da ex madrasta simplesmente largaram tudo o que estavam fazendo e correram para os braços da morena. Pude ver o quanto as pequenas a amavam, era um espaço único que Minnick garantiu no coração de ambas e ninguém poderia tentar tomar, parecia impossível.
A presença da ex noiva de Robbins passou a me incomodar no momento em que percebi que para as meninas, havia apenas aquela mulher na festa, tanto Sofia quando Letícia a cercavam o tempo inteiro, assim que uma saía de perto a outra aproximava-se. Eu estava complemente perdida naquela imagem enquanto estava sentada apoiando minha cabeça no ombro do Sloan, mantendo nossas mãos entrelaçadas sobre minha coxa.

--- Callie? - Addison chamou-me e eu a olhei. --- Será que podemos falar rapidinho sobre o seu vestido de casamento? - Indagou sem eu entender, pois aquele não era o momento para isso.

--- Já volto. - Selei meus lábios ao do Sloan e segui a ruiva que caminhava em direção a um lugar reservado. --- O que houve? - Questionei quando adentramos no corredor.

--- Não houve nada. - Sorriu para mim e logo avistei Arizona parada no início da sala de música. --- Ela quer falar com você e usei a desculpa do vestido para não causar problema no seu relacionamento.

--- Quero agradecer. - Robbins falou antes que eu pudesse dizer alguma coisa. --- Não tive oportunidade de fazer isso antes, mas quero agradecer de todo o meu coração pelo que fez por Sofia. - Sorriu emocionada para mim. --- Nunca vi minha filha tão feliz como está hoje e isso graças a você junto a Addie.

--- Eu adoro a Sofia, sempre que necessário farei o impossível por suas filhas, aliás são minhas sobrinhas e a felicidade delas é a minha. - Falei e ela de imediato me envolveu em seus braços, acabei por retribuir o gesto de carinho. --- Eu tenho que ir por causa do Mark... não podemos ficar tão próximas depois do que aconteceu.

--- Entendo. - Deixou uma lágrima solitária cair. --- Não irá conversar comigo antes de se casar? Mesmo depois de tudo que aconteceu?

--- Eu seria um ser humano horrível se fizesse isso, então vamos nos encontrar amanhã no The Cooffer. - Sugeri um tanto quanto nervosa. --- Nos encontraremos as quatro horas, pode ser?

--- Para mim está ótimo. Falaremos sobre nosso fim?

--- Certamente. - Sorri de lado.

--- Está tudo bem? Parece um pouco pálida. - Reparou.

--- É só um mal estar. - Dei um beijo em seu rosto. --- Fique bem, nos vemos amanhã. - Falei afastando-me. 

A dor emocional que eu sentia naquele momento era maior que qualquer dor física, depois de muitas brigas com ela, horas sem conversar, eu tomei uma decisão de ser feliz com o Sloan. Quando voltei para mesa sentei ao lado de minha avó, Mark estava conversando com Alex e escutei uma pergunta vinda de dona Luisa sobre como eu estava, eu sorri quando a vontade era de chorar, e respondi - “Eu superei.” Mas de verdade? Aquilo partia meu coração, era como se eu estivesse levando uma surra no peito, só me trazia mais vontade de querer a Arizona de volta, mas eu pensava: “Porque insistir em algo que não dava mais certo? Porque insistir em algo que só me machucava e me fazia querer sumir?” - Era minha obrigação superar e lutar contra as recaídas que surgiam toda vez que encontrava a loira.

--- Tia índia! - Letícia veio em minha direção e sentou-se em meu colo. --- Onde você estava?

--- Estava com sua tia Addison falando sobre meu casamento e a senhorita, onde estava?

--- Eu estava aqui falando com a vovó, mas você não estava. - Respondeu sorrindo e passou seu braço por meu pescoço.

--- Agora estamos aqui. - Beijei sua bochecha e a vi bocejar. --- Está com sono?

--- Sim, a Sofia também. - Confessou deitando o rosto no vão de meu pescoço. --- Já vamos cantar parabéns? 

--- Sim, vamos. - Falei e chamei a cerimonialista para irmos para o momento final.

As pessoas reuniram-se ao redor da mesa e Sofia subiu em um banquinho em frente ao bolo, começamos a cantarolar as musiquinhas especiais para o momento acompanhadas de palmas. No fim o bolo foi partido chegando ao momento dos três primeiros pedaços, a menina sabiamente entregou um para a irmã e o outro para a mãe, logo que chegou no terceiro ninguém imaginava para quem entregaria, mas manteve a tradição que tinha em Londres entregando para Eliza. Eu entendia tal atitude da pequena, mas no fundo senti um pouco de ciúmes, mas não deixei transparecer. Todos voltaram as suas respectivas mesas e Letícia continuou a me acompanhar.

--- Vou dividir meu pedaço com você. - Ela disse sentando-se novamente em meu colo.

--- Não precisa, meu bem. - Falei sorrindo. --- Estou cansada e um pouco enjoada.

--- Posso dormir com você? - Indagou olhando-me abocanhando o bolo. --- Eu peço a mamãe.

--- Por mim tudo bem. - Era impossível negar aquele pedido. --- Daí amanhã te levarei para o seu apartamento.

--- Oba! Obrigada. - Abraçou-me de forma desengonçada. --- Eu gosto muito de você.

--- Eu te adoro, meu anjo.

Não demorou muito para a comemoração chegar ao fim, todos começaram a se despedir para ir embora e Arizona com muito custo autorizou a Letícia para dormir comigo. Depois de acertar detalhes com a equipe de limpeza fomos para a casa de minha avó e subimos para o meu quarto. A menina já não aguentava mais de sono e senti pena em mandá-la tomar um banho, apenas ajudei-a a se desfazer do vestido e deitou-se em um lado da cama apenas de calcinha, já que não havia roupas dela comigo. Fiquei ao seu lado acariciando seus fios dourados, até que pegou no sono e levantei-me para fazer minha higiene antes de dormir.

Depois de um banho demorado coloquei minha camisola e deitei-me, momentos depois senti-a me abraçando pela cintura e acabei colocando-a com a cabeça apoiada em meu antibraço. Apesar de o dia anterior ter sido repleto de alegria, a menina acordou de madrugada chorando porque havia tido um pesadelo. Chamou-me algumas vezes até que despertei e a vi sentada ao meu lado.

--- Tive um sonho ruim. - Resmungou assustada. --- Estou com medo, um homem estranho me pegava e minha mãe ficava chorando.

--- Foi só um pesadelo, meu bem. - Falei colocando-a deitada ao meu lado. --- Eu estou aqui com você.

--- Mas e se acontecer, tia índia? – Perguntou tristemente se aninhando em meu peito.

--- Não irá, meu bem, estou aqui para proteger vocês. – Beijei seus cabelos e mantive um afago delicado neles.

--- Eu, a mamãe e a Sofia? – Indagou de maneira inocente. --- A mama sempre diz que estamos juntas para tudo, você também pode, tia?

--- Sim, protegerei vocês três. – Mesmo que minha promessa fosse falha, algo dentro de mim gritava ser verdadeira, pois meu sonho era protegê-las com tudo de ruim que existia e pudesse atingi-las. --- Agora durma, estarei aqui.

--- Boa noite, titia. - Falou abraçando-me forte.

Estava em uma fase de negação, não sei diferenciar sentimentos e só tinha certeza do meu amor pelas meninas. Andava por aí quieta na minha, estava ausente de tudo e de todos. Sem vontades, nem expectativas. Era como se tudo aqui dentro estivesse dormindo, ou tirando longas férias e talvez somente acordasse no dia do meu casamento. Eu estava viva, mas não estava vivendo... apenas existia.


"Mas se o seu telefone tocar, lá pras três ou quatro da manhã, eu não voltei atrás, eu já bebi demais, faça o que sempre fez, não me atenda nenhuma vez..."


Notas Finais


Vestido de noiva da Callie: http://www.novanoiva.com.br/colecao-vestidos-noiva/index/colecao/poeme/modelo/mary

Casa da avó da Callie: https://t.co/pSMqL8iz5p?amp=1

Como estamos??? Um pouco perdoadas pela demora certo? Espero que sim!
Espero que tenham gostado!
E que estejam preparadas, pois o próximo promete fortes emoções!
Beijos babs!


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