História Colinho - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Porno, Pwp, Taekook, Vkook
Visualizações 514
Palavras 6.500
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Lemon, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Minha primeira e possivelmente única excursão no fandom de BTS. Só a Dedessa para me obrigar a essas coisas, viu? Feliz aniversário, preseza, muitos anos de vida e chansoo, sekai, taegi e taekook pra você <3

Dedessa é minha marida e pediu de aniversário uma putaria envolvendo taekook e only girl (in the world). Eu queria ter feito coisa melhor porque na minha opinião essa fanfic tá tipo PAVOROSA mas a dedessa gostando é o que importa então vamos que vamos

aproveitem!

Capítulo 1 - Me faça sentir


Taehyung nunca pensara em si mesmo como o tipo que se apaixonava — quem dirá como o tipo que se apaixonava com muita, muita facilidade, quase como em cenas de dorama, e ficava suspirando igualzinho colegial inexperiente pelos cantos. Tinha vinte e tantos anos, alguns poucos relacionamentos no histórico e zero paciência para se abrir com quem quer que fosse; entre sobreviver à faculdade, encher a cara nos finais de semana com o bonde, ser criador de conteúdo para uma fã base da Rihanna e manter seus animes em dia, mal lhe sobrava tempo para boas noites de sono, quanto mais para sofrer raiva com mais um namoro onde, segundo sua experiência, o sexo seria ruim, a rotina, um saco, e todo o conjunto da obra, insatisfatório.

Não, não. Nada de se apaixonar, obrigado.

Assim, vivia uma fase de relativo celibato, o jeito mais gentil que conseguia inventar para dizer que provavelmente se esquecera de como beijava na boca. Tinha alguma coisa a ver com uma batalha de línguas, né? Dane-se, Taehyung não se importava muito. Gostava de rir dos sucessivos encontros frustrados de Hoseok com suas matchs do tinder, das tentativas de Namjoon de se envolver com uma menina que gostasse das mesmas conversas profundas (e estranhas) que ele e da falta de jeito de Yoongi com Suran, sua amiga-crush-quase-namorada-o-que-você-quiser-eu-quero de longa data. Era gratificante ver todo mundo se fodendo enquanto ele estava pleno e lindo dedicando todo o seu amor para a Deusa de Barbados. Beijar para que, mesmo? Não havia necessidade.

— Então, gente — disse Namjoon, em um dos habituais finais de semana onde ele, Taehyung, Hoseok e Yoongi saíam juntos para beber, fumar e ficar andando sem rumo por aí. — Conheci uma galera gente boa na última batalha de rap underground que eu fui semana passada, sabe? — Namjoon e Yoongi batiam mais carteira em batalhas underground de rap do que Taehyung batia em sua própria casa e viviam conhecendo galeras gente boa; Taekhyung não lhe deu muita atenção. — Um dos caras me mandou uma mensagem, disse que tá tendo uma roda de violão num bairro aqui perto, cês topam chegar lá?

— Pra quê?

— Pra cantar, ué — retrucou ele, virando preguiçosamente um gole de catuaba. — E conhecer a galera legal. É sério, a galera é muito legal.

Taehyung revirou os olhos.

— A única galera realmente legal com quem você anda é a gente, Namjoon.

Namjoon faz cara feia, Yoongi deu de ombros, Hoseok era pau pra toda obra e pronto, Taehyung, indisposto o quanto fosse, não teve a menor chance; lá foram todos para a tal roda de violão, ignorando o fato amplamente conhecido de que  Taehyung detestava aquelas rodinhas com todo o fervor de sua alma — só rolava música chata e todo mundo ria da cara dele quando puxava uma música da Rihanna —, mas fazer o quê, né? Tudo pelas amizades, claro.

O tal bairro aqui perto era, provavelmente, o condomínio mais luxuoso da cidade e àquela altura, Taehyung já começava a alimentar algumas desconfianças; desde quando filhinhos de papai se enfiavam em duelos de rap underground? A coisa só ficou pior quando eles entraram em uma espécie de mansão com um jardim enorme, e o dedo de Taehyung já tava em cima do contato da polícia na discagem rápida quando chegaram nos fundos do lugar e deram de cara com a famigerada rodinha de violão, um dos caras se levantando para cumprimentar Namjoon com um sorriso empolgado.

— Ei, Nam! — Mas que raio de intimidade era aquela? — Você veio! Vou chamar os meninos, espera.

— Ele é o Seokjin — explicou Namjoon, observando o cara se afastar com um sorrisinho. — Canta bem e é gente boa pra diabo, ficamos conversando altas brisas no dia do duelo.

— Ele não é muito... — Taehyung hesitou. — Flower boy para estar naquele tipo de lugar?

Namjoon, Yoongi e até Hoseok lhe lançaram um olhar de esguelha.

— Taehyung. — Yoongi parecia entediado. — Você está falando besteira.

— Mas...

— Ei! — O tal Seokjin voltou arrastando consigo mais dois garotos, um meio escondido atrás do outro. — Trouxe eles. Vamos fazer as apresentações?

— Então. Esses são Yoongi, o Suga... Hoseok, o J-hope... E esse daí é o Taehyung. Ele não vai muito nos duelos e o apelido dele é ridículo, então ficamos só com o nome mesmo. Taehyung. — Namjoon deu um risinho. — Para de fazer cara feia, Taehyung, você sabe que é verdade.

Era verdade. Taehyung tinha uns dezesseis anos quando escolhera V para ser seu apelido no underground e se arrependia profundamente por isso, apesar de, depois de conhecer Rihanna e ser salvo por ela, quase não freqüentar mais aqueles ambientes. Revirou os olhos.

— Prazer, prazer, prazer.

Seokjin lhe enviou um sorriso brilhante.

— Ei! Sou o Seokjin, mas quase todo mundo me chama de Jin, só. Esse daqui é o Jimin e o que está usando o Jimin como escudo pra não mostrar a cara é o Jungkook. Não liguem muito pra ele, ele é tímido.

Jungkook endireitou o corpo para dar um oizinho e Taehyung descansou os olhos nele pela primeira vez, sentindo o coração falhar uma batida, o queixo começar a cair e uma onda de sem graça dominá-lo inteiro.

Sim, Taehyung nunca pensara em si mesmo como o tipo que se apaixonava — mas foi ali, diante do rosto claramente desconfortável de Jungkook, que Taehyung sentiu a coisa acontecer depois de tanto tempo. Where have you been all my life, gato, quis cantar, entendendo completamente como Rihanna se sentia, precisando de se bater mentalmente para lembrar que o preconceito contra fãs de pop era uma realidade naqueles espaços. Não podia se deixar mostrar. Jungkoook era bonito, claro, muito bonito, mas era só; não seria a primeira vez que Taehyung se via deslumbrado pela aparência de alguém.

Deslumbramento, ele disse para si mesmo enquanto sentava na rodinha e presenciava uma morte lenta e dolorosa ao som de alguma música preguiçosa e sem pulso nenhum do Nirvana, ou do Pearl Jam, ou sei lá. Todas as bandas eram iguais, mesmo.

Só deslumbramento.

<<>> 

Tímido, com todo o respeito por Seokjin, era uma qualidade bastante gentil para atribuir a Jungkook, que parecia ter a mesma desenvoltura social de uma porta emperrada. Sendo aquela turma a única realmente gente boa para caralho que Namjoon já apresentara ao bonde, o processo de começarem a sair juntos se desenrolou de maneira quase natural; quando Taehuyung deu por si, estavam os sete em um único grupo do whatsapp, Jimin se tornara uma presença carimbada em seu privado, Seokjin passara a patrocinar um role pior do que o outro e Jungkook... Bem.

Ele parecia um fantasma, às vezes. Não aparecia nos grupos, falava pouquíssimo, mesmo sob o efeito da bebida, e fugia das atenções que Taehyung não tão discretamente procurava lhe dedicar com todo o tato que não possuía — as rejeições geravam momentos estranhos, de extremo sem graça, que faziam Taehyung se perguntar, pela milésima vez, o que tinha enxergado naquele que parecia ter o mesmo molejo de uma pedra ambulante. Ele não tinha ficado menos bonito com o tempo, não — na verdade, Taehyung começava a achá-lo cada vez mais gracinha, mesmo a contragosto —, mas o ridículo de suas tentativas frustradas começava a pesar dentro de si.

Estava disposto a desistir e ficar secando o menino até desidratar-lhe todas as células quando, em um dos seus stalks não tão saudáveis assim pela internet — Jungkook não usava facebook, nem twitter, então Taehyung se virara com o que conseguia —, deu de cara com um canal suspeito no youtube chamado Mad Bunny. Coincidência ou não, aquele também era o nome de Jungkook no underground — e as pessoas rindo do “V” de Taehyung, tsc —, e embora ele estivesse mais ou menos certo que Jungkook não era a única pessoa do mundo a ter mau gosto para apelidos, resolveu dar uma chance e abrir o link. Não tinha nada para fazer mesmo.

Era um canal de covers e bastou abrir o primeiro vídeo para que Taehyung reconhecesse o timbre característico de sua mais recente crush. As interpretações não eram ruins — Jungkook cantava bem e tinha uma interpretação legal; colocava emoção no que performava —, mas todas as músicas escolhidas variavam do questionável ao ruim; por que todo mundo do underground tinha uma fascinação tão grande com The Ramones? Ou com Led Zeppelin? Iron Maiden? Pelo amor. Mesmo em sua época mais roqueira rebelde, Taehyung nunca entendera o apelo daquelas músicas, mas...

Dizem que no amor e na guerra tudo é válido e foi isso que Taehyung usou para convencer a si mesmo quando, no próximo role, pegou sua fiel garrafa de Natasha e escorregou para perto de Jungkook na rodinha de violão — estavam tocando Nirvana de novo, queria morrer — e disse, como quem não quer nada:

— Hey. Achei seu canal de covers.

Jungkook, que acompanhava a música baixinho por baixo da respiração, arregalou os olhos para si:

— Achou? Mas como?

— Ah... — Taehyung bebeu um gole de vodka e deu de ombros. — Um twitter que eu acompanho indicou seu canal e eu acabei reconhecendo a sua voz. Tu canta bem, hein? Já tô ansioso por mais.

— Sério?

Taehyung sorriu.

— Sério! Quando sai o próximo?

Jungkook suavizou a expressão, arriscando um sorrisinho de lado e ficando dez vezes mais gostoso no processo; Taehyung morreu e voltou umas cinco vezes só naquele curto de espaço de tempo.

— Ah, sério? Brigado, cara. Eu tenho uns... — Puxou o celular e o fone de ouvido no bolso. — Uns que eu não publiquei ainda, sabe? Ou que não vou publicar, porque a música não é assim tão boa...— Encarou-o bem nos olhos, cheio de expectativa. — A gente pode afastar um pouco da rodinha, sabe, para eu te mostrar... Quer ouvir?

Taehyung se sentiu chorar de tristeza por dentro.

— Claro! — Abriu um sorrisinho. — Vamos?

>><< 

 

Foi como alimentar um monstro — de repente, Jungkook também se tornara uma presença carimbada em seu privado e Taehyung tinha toda uma playlist de músicas horríveis no celular, sugestões pavorosas de Jungkook que ele continuava baixando por ser um verdadeiro frangote. Custava dizer que não gostava mais de ouvir aquelas coisas, mas que continuava freqüentando o underground porque a vida curara seu mau gosto musical, mas não seu mau gosto para amigos? Não devia, mas Taehyung simplesmente não conseguia se obrigar a dizer (escrever) as palavras.

Jungkook ia mandando áudios, Taehyung ia baixando, eles conversavam bastante nos roles, Jungkook começava a parecer menos uma porta emperrada e mais uma pessoa cheia de encantos e...

— Ei, Taehyung — disse, em uma outra rodinha onde, para variar, todos faziam freestyle de rap ao invés de tocar música ruim.  Freestyle era uma coisa que Taehyung costumava gostar, mesmo após ser salvo por Rihanna, mas a dita cuja tinha lançado uma música naquela mesma noite e ele não estava em casa para surtar no twitter, então não aproveitava o rolê como provavelmente o faria em dias normais; só sabia beber Natasha para afogar as mágoas e, por dentro, chorar horrores. — Taehyung? Ei, desculpa, cê tá distraído, né? — Quase morreu de susto quando Jungkook o cutucou no braço e observou-o dar um sorrisinho sem graça. — Tava pensando. Cê bem que podia gravar um cover comigo, né?

Taehyung franziu as sobrancelhas, bêbado demais para absorver as coisas de uma maneira inteligente. Podia?

— Eu posso?

— Pode, não? Eu nunca te ouvi cantando, mas o Namjoon fala bem de você, que você canta muito bem, mesmo não participando mais dos duelos, e tal. Inclusive, por que você não participa mais dos duelos?

Fui salvo dessa realidade miserável pela encarnação de deus na terra, só isso, nada demais.

— Comecei a gostar de música pop — explicou Taehyung, que nunca fora muito bom em contar mentiras quando sóbrio, quem dirá alterado, com um dar de ombros. — Especificamente de uma artista específica e... Perdeu a graça, eu acho? Além disso... — Deu um risinho. — As pessoas eram muito homofóbicas, sabe? Muitos dos duelos eu não vou mais porque eu não tenho sossego, as pessoas ficam me enchendo o saco... Eu ainda saio com os meninos, mas de resto. Sei lá. Não é uma cultura que me aceite.

E Taehyung, bêbado, que vinha conversando com Jungkook cada vez mais frequentemente e que o achava cada vez mais um crime contra a sua sanidade e contra seu corpinho necessitado, sentiu um bocadinho de medo. O underground era um espaço infelizmente cheio de homens... machos, como eles adoravam dizer, se gabando por serem uns merdas sem emprego e sem a menor perspectiva de vida além de fumar maconha e organizar rodinhas de violão. Não era uma regra, Taehyung sabia, mas aquele tipo de pessoa já lhe incomodara tantas vezes que já se acostumara a esperar o pior. E se Jungkook fosse um deles? A carinha de príncipe sugeria coisas diferentes, mas...

Jungkook, porém, sorriu, os olhos se espremendo quando tombou a cabeça para o lado e admitiu, como quem conta um segredo:

— Eu gosto de pop também. — E, ao ver Taehyung arregalar os olhos, completou: — E eu também sei muito bem como é lidar com gente homofóbica... Se é que você me entende.

Taehyung entendia, mas não acreditava.

Quê?

Naquele momento, vendo a cor subir às bochechas de Jungkook, que o encarava com certa expecativa, Taehyung, com toda a eloqüência que só os bêbados possuem, admitiu que estava completamente fodido. Tinha dito pra si mesmo que era só deslumbramento, só deslumbramento, é só uma questão física, entende, questão de atração carnal, platônica, mas aí Jungkook lhe mandava uma daquelas e...

Deslumbramento de cu é rola, né?

— Entendo sim, mas... — Sorriu meio grogue. — Sei lá. Acho que entendi errado o que você disse, eu... — O álcool bateu com força e, não vendo nenhum problema em ser folgado, Taehyung escorregou no chão para deitar no colo de Jungkook, aninhando a cabeça nas coxas com um suspiro. — A gente conversa quando eu estiver sóbrio.

A voz de Jungkook pareceu vir de longe, mas o tom de riso era inconfundível:

— Você vai fazer os covers comigo?

— Vou sim, qualquer coisa. Me deixa...

E dormiu.

>><< 

Arrependido até o rabo de sua alma, Taehyung não voltou atrás em sua promessa bêbada e gravou o tal cover. Esperava ter que cantar uma música horrível, a qual ele teria que ouvir várias vezes para aprender a letra e sangrar seus ouvidos, mas Jungkook parecera estar falando sério ao afirmar que gostava também de pop: no fim, terminaram cantando uma música de um tal de Charlie Puth, que, mesmo não sendo nenhum hino, era até aceitável, e as vozes dos dois casaram muito bem juntas. As pessoas do canal adoraram — e Taehyung passou a secretamente desejar que pudessem casar outras coisas.

Na inocência, sabe?

A semi-confissão de Jungkook, embora completamente ambígua, deu esperanças a um Taehyung que, sentindo-se ao mesmo tempo idiota e corajoso, passou a jogar suas investidas, esperando que Jungkook mordesse a isca em algum momento — o que não aconteceu. À medida que grudava como um carrapato nele e buscava se aproximar, Taehyung aprendeu que além de tímido como uma porta, Jungkook podia ser lerdo como uma também, e tinha muita dificuldade para captar qualquer coisa dita por entrelinhas.

Considerava, às vezes, ter entendido tudo errado e Jungkook não gostar de homens merda nenhuma ou, pior, Jungkook gostar de homens, mas não gostar de Taehyung especificamente — era bem possível. Havia momentos, porém, que lhe enchiam de esperança, como, por exemplo, o modo como Jungkook o encarava enquanto cantava ou o jeito que os olhos dele o acariciavam quando aparecia com uma ou outra roupa que o valorizasse. Durante as conversas, os rostos de ambos às vezes se aproximavam, e Taehyung quase chegava a acreditar que agora vai, mas nunca ia —  e com o desenrolar das semanas, começou a ficar sinceramente frustrado:

 

— Nossa Jungkook, adoro a sua voz. Ela me faz sentir umas coisas que...

— É arrepio porque eu desafino, né? Eu sei que preciso melhorar, mas...

 

— Como está o cara mais lindo que eu conheço hoje, Jungkook?

— E eu lá conheço essa pessoa para saber?

 

— Olha esse meme, Jungkook!

— Não entendi essa coisa de rola ou não rola. Que diferença faz pra mim se a pedra tá em cima da montanha?

 

— Ei, Jungkook, eu tô muito doente, acho que preciso de um jeito para me curar.

— Isso é coisa de mãe, Taehyung, você tem vinte e tantos anos, amadurece.

 

... Enfim. Devia desistir? Apaixonar-se aos poucos por Jungkook era como fechar uma corda no próprio pescoço e apertar, sufocando-se aos poucos com sua falta de jeito. Nada acontecia, feijoada, e a ousadia de Taehyung não lhe permitia nada mais do que indiretas. Rihanna teria vergonha de si.

As semanas se transformaram em um mês e outubro se deslizou por Taehyung sem que mal percebesse. Já tinha aceitado que era um otário por Jeon Jungkook e que nunca teria o prazer de lhe dar uns beijinhos, não importavam as secadas e os rostinhos próximos, quando Seokjin, após alguns copos de catuaba, interrompeu a rodinha de violão — estavam tocando Metallica e Taehyung detestava Metallica — para gritar, levando a garrafa ao alto:

— Vou fazer uma festa à fantasia! — Fez-se silêncio. — E todo mundo aqui tá convidado.

Houve uma gritaria generalizada e Taehyung decidiu ali mesmo que não iria — mesmo. De jeito nenhum. Festa com aquela galera? A coisa mais agitada que tocaria seria provavelmente Whiskey In The Jar; talvez uma No One Like You, se estivesse com sorte. Não dava para rebolar a raba ao som de Polly ou de Man In The Box e o que era uma festa sem uma boa dose de rebolado?

Não, Taehyung não ia.

De jeito nenhum.

>><< 

— Você vai.

Taehyung revirou os olhos para Jimin.

— Ficar em casa? Vou mesmo. Já separei alguns vídeos 4K da Anti Tour no youtube e vou assistir todos , já que a safada ainda não lançou o DVD. Vai ser uma noite ótima.

— Não, Taehyung, você vai na festa — respondeu Jimin, encarando-lhe como se fosse idiota. — E eu inclusive já tenho a fantasia perfeita pra você.

— Sem chance.

— O Jungkook vai, sabia?

Taehyung congelou por um segundo antes de dar de ombros.

— E...?

— Jungkook nunca vai em festas.

— E...?

— E não vem bancar a cínica, Taehyung, tá mais que na hora de vocês se comerem. — Diante do olhar chocado do amigo, riu. — Você acha que ninguém notou? Todo mundo notou... Menos o Jungkook. Ele é meio lerdo, já reparou? Sempre teve dificuldade pra lidar com as meninas e depois que descobriu que era bi, passou a ter mais dificuldade ainda para lidar com homens. Entupido assim mesmo. Mas o Seokjin fez uma campanha de chantagem para ele ir na festa e Jungkook acabou topando, então você precisa estar lá.

Taehyung se recusou a deixar suas esperanças criarem vida:

— Se ele não me dá a mínima fora de qualquer festa, porque dentro da festa vai ser diferente?

— Jungkook se torna uma pessoa... diferente dentro de festas. Ele bebe e-

Taehyung lançou-lhe um olhar de esguelha.

— Ele também bebe nos rolês.

— Não, você não está entendendo. Em festas, o Jungkook bebe. E se ele estiver à vontade, ele...

— Tá, mas que diferença isso faz se ele não dá a mínima pra mim?

Jimin sorriu como o faria o próprio diabo:

— Isso é o que você acha — riu ele. — Eu já disse, eu tenho a fantasia perfeita pra você. Só confiar em mim, Taehyung. Tranquiliza.

Taehyung confiou, não se tranqüilizou e, no dia da fatídica festa,enfiado num shortinho atochado no rabo e com a cara rebocada de maquiagem, sentiu o arrependimento bater uma força nunca antes sentida. Não que a fantasia — de Harlequina, segundo Jimin — estivesse feia ou ruim, justamente o contrário: o shortinho em duas cores combinado com a meia arrastão valorizava suas pernas, e a blusinha curta o suficiente para deixar parte da barriga de fora não era nada mal, também. Nem a maquiagem, com manchas e azul e rosa, atrapalhava em nada.

O problema era que aquilo era... sugestivo demais. Ir numa festa do underground fantasiado daquele jeito? Felizmente, Jimin tinha lhe entregado também um bastão de madeira, dizendo que aquilo fazia parte do traje, mas tudo em que Taehyung conseguia pensar eram as diferentes maneiras pelas quais o objeto lhe seria útil na hora em que tudo desse ruim. Jimin só podia detestá-lo, era a única explicação; o ato de sair de casa, entrar no táxi e então entrar na mansão onde a festa acontecia  foi uma grande luta.

— Eu não vou entrar lá vestido assim, Jimin.

— Vai. Eu não perdi minhas horas pra te deixar pronto pra tu dar pra trás, nojento.

— Você nem me avisou qual ia ser a fantasia antes!

— Porque eu sabia que você não ia topar!

Taehyung quase lhe meteu o bastão na cabeça.

— Achei que você fosse meu amigo, seu merda!

— Eu sou! Tô tentando deixar você irresistível pro Jungkook mas...

Taehyung deixou de prestar-lhe atenção quando entraram dentro do enorme salão que existia dentro da casa — Jin era rico, tão rico, que o porque exatamente de ele ficar andando com fracassados igual a Taehyung era algo que lhe fugia à compreensão. Não que achasse ruim, longe disso; em uma olhada superficial, identificou um bar, uma pista de dança e a presença de umas trezentas pessoas, que se mexiam sob o melhor de todos os detalhes: música pop.

Taehyung soltou um suspiro de alívio. Sob o som de um bate cabelo, sentia-se capaz de agüentar a mais torturante das noites; ligeiramente revigorado, foi até o bar, encarando o open de vodka, whiskey e drinques variados com olhos ambiciosos. Acabou optando por três drinques diferentes, os quais bebeu em uma mistura com gosto de álcool e descontrole; ao final, sentia-se ligeiramente zonzo e corajoso o suficiente para o que queria fazer.

Foi pra pista e dança e, sorrindo para si mesmo, começou a dançar.

Não procurou por Jungkook e não precisou fazê-lo; naturalmente, enquanto dançava, seus olhares se encontraram de lados opostos do salão, Taehyung se sentindo ousado o suficiente para cumprimentá-lo com um sorrisinho e um jogar de quadris. O modo como Jungkook acompanhou o movimento encheu Taehyung de esperanças que, dessa vez, ele não se preocupou em controlar; não estava bêbado ainda, mas logo ficaria, e se tudo desse errado, já tinha para si a desculpa perfeita.

Não fez menção de se aproximar de Jungkook, que também não pareceu ansioso para abordá-lo, e tudo bem; continuou dançando, de vez em quando indo ao bar para pegar mais um drinque de gosto questionável, sentindo o suor escorrendo pela barriga nua e grudando nos pontos onde o jeans apertado arranhava sua pele. Sentia-se sendo observado por muitos pares de olhos, mas o álcool o ajudava a não se importar, de forma que, quando Jimin o cutucou com força nas costelas, Taehyung quase saiu da própria pele de susto.

— Ei! — disse ele, também dançando, encarando Taehyung com incredulidade. — Você não me disse que virava outra pessoa dentro de festas, também.

Taehyung deu de ombros.

— Você não perguntou.

— Você é um cínico do caralho, hein? — Riu Jimin, dando-lhe uma cotovelada de leve nas costelas. — Jungkook tá enchendo a cara para vir criar coragem e vir aqui te abordar. Tenha paciência com ele.

— Não acredito que você veio me avisar isso.

— Jungkook é meu melhor amigo. Quero vê-lo levando no cu de um jeito bom, porque levando no cu do jeito ruim, todos nós estamos levando desde sempre? Ih, aí vem ele. Já está meio alterado. — Jimin olhou para um ponto atrás de Taehyung que, ao virar-se, deu de cara com um Jungkook também suado, ruborizado e ligeiramente ofegante, encarando-o como se pudesse comê-lo vivo. Sorriu. — Paciência, hein?

— Não vou morder o menino, Jimin.

— Ele bem que iria gostar... Mas você que sabe!

Jimin sorria quando escorregou para longe, dando espaço para que Jungkook tomasse seu lugar. De fato, estava alterado, isso era fácil de notar, mas fantasiado de Coringa — uma coincidência que Taehyung duvidava ser de fato coincidência; Jimin, o desgraçado —, com a camiseta aberta revelando toda a extensão de pele por baixo, Jungkook nunca tinha parecido tão gostoso. A vontade de Taehyung, a quem bebida em excesso sempre deixava sincero e safado demais, era de se ajoelhar e chupá-lo ali mesmo, mas apesar de toda a situação cantar sexo, ainda não se sentia seguro o suficiente. Embora bêbado, aquele era o mesmo Jungkook que vinha se fazendo de sonso à todas as suas investidas havia semanas; que garantia tinha de que as coisas finalmente iam dar certo?

— Ei — disse Jungkook, aproveitando-se da música alta e da batida dos corpos para dar um passo a frente, colando-se a Taehyung para perguntar em sua orelha: — Gostando?

Taehyung se afastou só o suficiente para encarar Jungkook e sorrir.

— Um pouco. Mesmo eu não sendo muito festeiro, eu bebi, né? Bastante. — Exibiu o copo que tinha na mão. — Aí fico bem à vontade.

— Bonita fantasia. — Jungkook disse, seu olhar lambendo Taehyung de cima a baixo de tal maneira que ele se sentiu esquentar inteiro. — De quem foi a ideia?

— Do Jimin.

Jungkook revirou os olhos.

— Claro. De quem mais? — Começou a acompanhar os movimentos de Taehyung, sempre posicionado de forma a estarem frente a frente, parecendo ao mesmo tempo sensual e totalmente sem jeito. — Eu...

— Você...

Agora ia?

— Nada. — Jungkook mordeu o lábio e encarou o chão por um instante. — Vamos dançar.

Não, não ia.

Taehyung precisou respirar fundo para não perder a paciência. Não era como se não tivesse sido avisado, também, mas estava bem claro ali que, se Taehyung quisesse algo acontecendo, teria que fazer todo o trabalho — o único problema era sua falta de jeito, disposição e aquela pequena faísca de medo da rejeição que ainda queimava dentro de si, mais do que olhar de Jungkook sobre suas pernas quando achava que Taehyung não estava prestando atenção.

Precisava de beber mais.

Dançaram pelo que pareceram horas, virando shots atrás de shots e rindo igual idiotas um para o outro. Taehyung não estava bêbado, não de fato, mas havia aquela névoa que deixava seus membros leves e sua cabeça meio aérea, de forma que, quando Cockiness, da Rihanna, começou  a tocar, mal pensou no que estava fazendo ao levantar os braços para o alto, dizer:

— Mas eu amo essa música!

E virar-se de costas para Jungkook, colando-se ao peito dele e começando a mexer os quadris lentamente para trás, esfregando a bunda contra a virilha do outro. Inicialmente, sentiu o corpo de Jungkook congelar atrás do seu e acreditou ter ido longe demais, mas durou pouco; em um piscar, as mãos dele pousaram em sua cintura, apertando a carne, puxando-o para trás e colando ainda mais os corpos.

Taehyung sorriu consigo mesmo, endireitando o corpo para empinar a bunda e levantando o braço para enganchá-lo na nuca de Jungkook. Era uma posição extremamente íntima para um lugar público como uma pista de dança, mas Taehyung estava bêbado de álcool e agora também de tesão, Jungkook respirava contra seu pescoço, fazendo-o fremir inteiro, uma de suas músicas favoritas da Rihanna tocava no autofalante e ele não podia ser estar se fodendo menos. Lentamente, mas com propósito, começou a rebolar, gemendo baixinho ao sentir o outro simular movimentos de penetração contra seu corpo. Jungkook estava duro, conseguia sentir, e não se encontrava em um estado muito diferente.

— Taehyung — murmurou Jungkook, a voz rouca, lambendo uma gota suor que escorria por seu pescoço. — O que a gente está fazendo?

Taehyung fechou os olhos, sentindo a respiração vacilar, seu corpo cantando de tensão.

— Não sei você — sussurrou, no mesmo tom. — Eu estou dançando.

— Esfregando em mim desse jeito?

— Não está gostando? — Deu uma risadinha. — Eu posso perfeitamente parar e...

As mãos de Jungkook apertaram com mais força a carne de sua cintura, os movimentos contra sua bunda se tornando mais agressivo; Taehyung se engasgou com um gemido.

— E parar para quê? — Jungkook mordeu de leve o lóbulo de sua orelha. — Só estou... surpreso?

— Pelo quê?

— Achei que... — Deslizou a língua pela curva entre o pescoço e o ombro, sorrindo contra a pele ao sentir o outro tremer. — Você não fosse interessado. Por mim, digo.

Taehyung congelou.

Sério, aquilo?

Sério mesmo?    

Quis matá-lo, quis mesmo, mas o tom quebradiço da voz de Jungkook quando ele voltou a perguntar, num fio de voz:

— Eu disse algo errado...?

Taehyung tinha impressão de que, se fosse responder, acabaria falando alguma besteira, então não disse nada; ao invés, virou-se de supetão, segurou o rosto de Jungkook entre seus dedos e tascou-lhe um beijo na boca, desesperado o suficiente para quase levar os dois ao chão. Tropeçaram, precisando andar alguns passos para se estabilizarem, e riram em meio ao beijo, Taehyung chupando a língua de Jungkook preguiçosamente enquanto sentia as mãos dele serpentearem por suas costas.

Beijar Jungkook era bom, muito bom, melhor do que tinha imaginado, apesar de ambos estarem tontos e muito preocupados em se esfregarem um contra o outro para realmente prestarem atenção no que faziam suas bocas. Se empolgaram tanto que precisaram de ser separados por um Seokjin que parecia estar achando muita graça da situação, um sorriso permanente no canto da boca apesar de seu tom meio admoestador:

— Olha, isso aqui é uma casa de família e eu gostaria que vocês parassem de chocar todos os convidados com essa safadeza na minha sala, tudo bem? — riu. — Jungkook, leva ele pro meu quarto de hóspedes. Você sabe onde é. — Entregou pra ele uma chave. — E nada de se beijarem no caminho! Já tiveram traumas demais por hoje.

Taehyung e Jungkook se entreolharam, ofegantes, descabelados, os lábios inchados, os corpos cobertos por uma fina camada de suor, deram as mãos e, com uma quase inocência no modo como riram um para o outro, caminharam para fora do salão.

>><< 

— Ei, ei, — ofegou Taehyung, desgrudando-se com esforço de Jungkook para empurrá-lo sentado sobre a cama e sentar em seu colo. — Presta atenção na música.

Era um quarto grande, cheio de detalhes, mas Taehyung não estava disposto a prestar atenção em nenhum deles. A música, alta no andar de baixo, ainda reverberava por ali com muita clareza, e Rihanna voltava a tocar nos autofalantes — aquela era, possivelmente, a melhor noite de sua vida, sem susto. Only Girl era sua música favorita da existência e ter a chance de se esfregar em Junkook usando-a como trilha sonora era algo que não possuía preço; usando seus parcos conhecimentos de dança, começou a ondular os quadris, esfregando seus paus duros em um ritmo lento e torturante que, apesar de todas as tentativas de Jungkook, Taehyung se esforçou para manter até o final. Rihanna merecia toda a sensualidade do mundo e Taehyung, depois de tantas semanas se sofrimento, sentia que merecia aquilo também.

— Você... — ofegou Jungkook, fascinado no movimento de seus quadris. — Você tá querendo me deixar doido?

Want you to make me feel — cantarolou Taehyung, respirando contra o pescoço de Jungkook e plantando um chupão escuro na pele. — Like i’m the only girl in the world — continuou, acelerando o rebolado, rindo ao ver Jungkook fechar os olhos e jogar a cabeça pra trás. — Like I'm the only one that you'll ever love — sussurrou, mordendo-lhe o lóbulo da orelha e arranhando as costas por cima da blusa. — Like I’m only one who knows your heart-

Jungkook içou-lhe pelo pescoço até que as bocas se encontrassem, beijando-o com agressividade até que Taehyung se sentisse ligeiramente fora do ar, o ir e voltar de seus quadris perdendo ritmo e intensidade à medida em que Jungkook o derretia por inteiro com o movimento de suas bocas. Gemeu, ridiculamente alto, arqueando o corpo e abrindo espaço para que Jungkook atacasse seu pescoço de mordidinhas em uma ardência que durava pouco, mas fazia o corpo de Taehyung fremir todinho.

Quando deu por si, estava sem blusa, Jungkook segurando-o pela bunda e forçando-o a continuar o movimento enquanto descia as mordidas por seu peitoral, estimulando os mamilos com insistência até que Taehyung precisasse implorar para que parasse, álcool, tesão e cansaço deixando-o ao mesmo tempo letárgico e vulnerável a todo o prazer que parecia queimá-lo de dentro pra fora.

— Você tem lubrificante? — perguntou Jungkook entredentes, gemendo quando Taehyung negou fracamente com a cabeça. — Porra, também não tenho. Tenho umas camisinhas comigo, mas... — Beijou Taehyung na boca mais uma vez, aproveitando da distração para girá-los na cama, deitando-o sobre os lençóis e resgatando sua carteira no bolso da calça jeans, tirando de dentro dela alguns pacotes de camisinha. — Vamos ter que brincar de outro jeito. — Curvou-se sobre Taehyung e voltou a beijá-lo, mordendo-lhe o lábio e sorrindo ao se afastarem para dizer: — Na próxima vez, você me fode.

— Não estamos muito apressados dizendo que... — Taehyung gemeu alto quando Jungkook começou a estimulá-lo por cima da calça. — Que... Vai ter próxima vez?

Jungkook escorregou o short pelas pernas de Taehyung e se atrapalhou com a meia arrastão, xingando consigo mesmo sob os risos de Taehyung até finalmente conseguir se livrar da peça, observando o corpo nu sobre a cama com o diabo nos olhos.

— Vou lá perder a chance de ser comido por um cara gostoso desses? — Taehyung se sentiu corar; acostumado com o Jungkook tímido e entupido, sentia-se um pouco intimidado por aquela versão bêbada e ousada. — Não mesmo. — Masturbou-o algumas vezes, observando o modo como Taehyung se contorceu na cama, e escorregou a camisinha pelo pau duro, sentindo-se salivar. — Mas já que não dá pra ser dessa vez...

Curvou-se, mas antes que conseguisse tocar o pau com sua boca, Taehyung o segurou pelos ombros, empurrando-o para trás para beijá-lo na boca enquanto deslizava a camiseta pelos ombros de Jungkook, arranhava sua barriga e brigava com o fecho da calça jeans, xingando várias vezes até que Jungkook finalmente se cansasse e fizesse o serviço com as próprias mãos. Jungkook era muito gostoso por dentro de todas as roupas, mas por fora delas, conseguia levar a coisa a uma outra potência; Taehyung sentiu muita vontade de tocá-lo e fez exatamente isso, punhetando o pau de Jungkook do mesmo jeito que gostava de fazer com o seu próprio e bebendo do modo como ele gemia baixinho, as respirações pesadas.

— Taehyung, eu... — Contorceu-se todo, as mãos trêmulas ao espalmarem o peito de Taehyung e o conduzirem a se deitar na cama. — Fica quietinho, eu odeio engasgar — mandou ele, sorrindo safado ao masturbar-lhe o pau por alguns instantes e se curvar sobre ele, lambendo uma trilha das bolas até a glande e chupando-a sem muita força. — É gostoso mesmo, hein?

Taehyung quis dizer que não havia modo possível de látex com lubrificante artificial ser gostoso, mas então Jungkook enfiou-o todo na boca e aquelas observações se perderam no gemido alto que Taehyung soltou, arqueando-se na cama e apertando os lençóis como se estes pudessem salvá-lo. Tinha medo de levantar a cabeça e olhar para Jungkook engolindo seu pau — medo de, sei lá, gozar precocemente e passar vergonha —, então manteve os olhos fechados, dividindo a atenção entre o prazer das idas e vindas da boca de Jungkook e o autocontrole necessário para não jogar os quadris pra cima e foder-lhe a boca como seu corpo inteiro cantava para que fizesse.

Choramingou e sentiu Jungkook soltar uma risadinha, acelerando os movimentos, descendo a mão para brincar suavemente com os testículos e deslizar os dedos sem muita força pelo períneo, numa carícia de pluma que tornou a tarefa de ficar quieto quase impossível para Taehyung. Os dedos doíam pela força com a qual apertava os lençóis e ele ofegava, sentindo que não havia ar suficiente para impedi-lo de se afogar no prazer que o consumia.

— Caralho... — xingou, levando uma das mãos aos cabelos de Jungkook, deslizando-a com suavidade pelas madeixas e sentindo o pregar do suor; quando finalmente criou coragem para levantar o pescoço e olhar para baixo, encontrou Jungkook de olhos fechados, inclinando-se contra seu toque,  conseguindo a incrível proeza de parecer fofo com um pau na boca. Segredos que Taehyung queria dominar. — Ei, ei, vem cá.

Puxou os cabelos com força o suficiente para que Jungkook o encarasse, fazendo um muxoxo ao largar o pau e escalar o corpo de Taehyung para beijá-lo na boca. Bêbado o suficiente para ignorar o gosto de álcool que tinha o lubrificante, Taehyung retribuiu o beijo com entusiasmo, escorregando as mãos pelas costas de Jungkook até cravar as unhas nas bandas da bunda e colar seus quadris, ambos se esfregando lentamente um contra o outro sem separarem os lábios. O prazer não vinha numa crescente explosiva, como era de se esperar, mas em ondas calmas que envolviam Taehyung em um falso conforto; beijando-se como se não houvesse amanhã, ambos se esfregaram e se esfregaram, engolindo os gemidos um do outro e explorando-se com as mãos até que, quase de surpresa, ele sentiu seu orgasmo vir, fazendo-o tremer inteiro com um gemido baixo e longo.

Jungkook sorriu para si, deslizando os dedos pelas laterais de sua face até que Taehyung se acalmasse e lutasse contra a própria letargia para virá-los na cama, escorregar a camisinha em Jungkook e retribuir o boquete, engolindo-o até onde dava e compensando sua falta de beijo bêbada com muito entusiasmo, ouvindo as respirações de Jungkook ficarem cada vez mais pesadas, sua coluna se arqueando na cama, até que ele finalmente gozasse, deixando-se cair sem forças sobre os lençóis.

Por um segundo, nenhum dos dois disse nada, mas então Taehyung riu e Jungkook acabou fazendo o mesmo, sorrindo com carinho para Taehyung quando este fez menção de beijá-lo novamente. Aquele beijo, ao contrário dos outros já trocados, foi lento, bem mais carinhoso, e trouxe as tão famigeradas borboletas ao estômago de Taehyung, que disse para si mesmo que na verdade era tudo azia por causa da bebida. Estava alcoolizado o suficiente para que aquelas desculpas colassem consigo mesmo, então se deixou derreter no beijo sem muita culpa, só parando quando seu pau emoleceu e as camisinhas, soltas, começaram a providenciar uma sensação nojenta contra a sua pele.

Retirou-as, jogou-as no lixo e, sentindo-se exausto, saciado e satisfeito, voltou a se deitar ao lado de um Jungkook já quase adormecido sobre a cama, que lhe piscou lentamente as pestanas como se não acreditasse no que via.

— Não acredito que a gente transou — balbuciou ele, bocejando.

— Arrependido?

— De jeito nenhum. Tava querendo isso tinha um tempo, sabe? Mas a timidez não me ajuda. Amanhã eu vou estar sóbrio e vou me afundar de vergonha, você vai precisar botar juízo na minha cabeça para eu não bancar o idiota.

Taehyung lhe deu um sorriso sacana.

— Vou?

— Vou. Você ouviu as coisas que eu falo quando tô chapado? Não sirvo pra isso... — Espreguiçou-se. — Vamos dormir. Amanhã você bem que podia me pedir em namoro, né?

Taehyung envolveu Jungkook em seu abraço e beijou-lhe o ombro, sorrindo contra a pele.

— Eu podia?

— Podia.

— E por que você não faz isso?

— Não tenho coragem para isso sóbrio, você sabe bem.

— Se eu pedir, você vai aceitar?

Fez-se um segundinho de silêncio.

— Posso pensar no seu caso.

— Pode?

Pode.

E se eu te foder igual você pediu? Você aceita?

Escutou Jungkook dar uma risadinha.

— Aceito, sim.

— Então temos um trato?

Jungkook virou-se na cama e lhe deu um selinho.

— Temos.

Dormiram.


Notas Finais


Beijos de luz e de putaria
Usem sempre camisinha, amores

Dedessa, te amo

Baieeee


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