História D e s t i n y - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Billie Eilish, Blake Richardson, Ellie Bamber, Shawn Mendes
Visualizações 58
Palavras 3.635
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu estou morrendo de dor de cabeça, mas estou feliz pra caralho , pois o Shawn ganhou QUATRO, QUATROOOOO das cinco categorias que ele concorria no EMA.
MEUS DEDOS NÃO CAÍRAM POR NADAAA. ❤❤

(PS: meu corretor escreveu "Shane" na hora que eu escrevi Shawn). Sien pira.

Este capítulo está pesado, eu chorei escrevendo-o. Peguem os lencinhos.

— Link da playlist bad nas notas finais como de praxe.

Ignorem qualquer erro.
Boa leitura. :)
Nos vemos nas notas finais.

Capítulo 6 - 06.


Fanfic / Fanfiction D e s t i n y - Capítulo 6 - 06.

Nunca imaginamos o que o amanhã nos reserva. Nunca imaginamos o que pode vir à acontecer conosco. Nem ao menos podemos evitar os acontecimentos passados, pois infelizmente não somos deuses.

Quando Shane partiu, eu me culpei em vários momentos. Eu sempre me questionava: "E se eu não tivesse deixado ele atender o celular e terminar de me contar o segredo da sua família?", ou "E se eu tivesse saído da festa com ele mais tarde?"

A questão é que algumas coisas nós não podemos evitar, pois não sabemos o futuro; mas algumas sim.

Shane não tivera uma escolha, mas a minha mãe, Samantha Duffin, tivera.

No dia da sua morte, quando ficara sozinha em casa ela decidiu pegar o seu carro e ir à uma loja de ferramentas, comprara uma corda de dois metros e meio e colocara no porta-malas de seu automóvel, e em seguida foi em uma farmácia e comprara vários remédios.

Ela sim planejou partir.

Eu não possuía uma relação maravilhosa com a minha mãe, mas nunca desejei que ela tirasse a própria vida daquela maneira tão brutal. Nunca desejei a sua morte, nunca desejei que ela chegasse à esse ponto.

Ela havia sido encontrada por mim e pelo meu pai, enforvada ela corda que comprara, presa pelo pescoço, pendurada no nosso belo lustre.

No chão havia dois frascos de comprimidos vazios, que ela havia ingerido-os, para que se o enforcamento não fosse o suficiente, talvez uma overdose fosse o método mais rápido e garantido de que o seu plano não falhasse.

Ela havia planejado tudo.

Eu não entendia o que a levou àquela decisão; provavelmente nunca entenderia. Mas seja o que for, estava acabando com ela, e eu nunca havia percebido.

Nunca perguntei se ela estava bem, nunca perguntei se ela precisava de ajuda, nunca perguntei nada, pois ela não se importava comigo, então por que eu me importaria com ela?

Eu fui egoísta e totalmente cega, e eu jamais me perdoaria por somente pensar em mim.

Minha mãe deixou uma carta de suicídio. Eu não fui capaz de lê-lo, nem o meu pai, então ficara com os policiais como prova do crime. Eu ainda não sabia o que fariam com aquela carta, e sinceramente nem ao menos sabia se queria saber. Eu tinha medo das suas últimas palavras; sua despedida.

Eu e o meu pai não trocamos nenhuma palavra desde o momento em que a encontramos sem vida. Não era novidade, mas desta vez eu esperava mais dele.

Eu havia perdido uma mãe e ele a sua esposa. Ele não tinha um coração humano?

Talvez as lágrimas que estavam escorrendo pelo meu rosto fossem de ódio, e não de tristeza.

Neste momento estávamos no velório. Billie estava ao meu lado e Blake também.

Diferente de quando Shane falecera, pois naquela época Blake ainda estava preso e Billie não tivera coragem de comparecer ao velório dele.

Mas agora havia uma mão quente e feminina entrelaçada à minha, e um braço masculino ao redor dos meus ombros, passando-me conforto.

A minha verdadeira família.

Já o meu pai estava do outro lado do cômodo com alguns de nossos vizinhos, que davam-lhe os pesames.

Cena mais ridícula. Meu pai nem ao menos gostava da minha mãe.

Percebi quando mais duas silhuetas entraram no cômodo. E meu coração despedaçado errou uma batida.

Karen e Shawn entraram lado a lado. Karen trajava um vestido preto e saltos da mesma cor. Shawn estava de calça preta, camiseta preta e jaqueta preta, e ele nunca estivera tão diferente de Shane, creio eu.

Karen olhou ao redor e caminhou até mim e eu me pus de pé.

— Oi, querida. — disse ela ao me abraçar fortemente. — Eu sinto muito.

Somente assenti.

— Como você está? — perguntou-me.

— Confusa. — respondi.

Eu realmente estava perdida. Me sentia totalmente fora de órbita.

Ela assentiu e continuou o nosso abraço por incontáveis minutos, até que nos separamos em silêncio.

— Vou falar com o seu pai. — assenti, e ela beijou-me contra a testa, logo seguindo em direção aonde o meu pai estava.

Senti o olhar de Shawn sobre mim e o olhei. Parecendo receoso, ele caminhou até minha direção.

— Meus pesames. — dissera, olhando em meus olhos, com seus olhos caramelizados, e não esverdeados como o de Shane.

— Obrigado. — respondi somente.

Ele aparentava estar fazendo aquilo apenas por obrigação, mas eu não era obrigada a ficar perto dele. Me virei para os meus amigos que continuavam sentados.

— Vamos sair daqui. — disse-lhes e meus amigos se levantaram no mesmo instante. Eu passei por Shawn, e percebi o seu olhar me seguir, mas parei de andar assim que vi uma mulher idosa adentrar o cômodo, seguida de um idoso e uma mulher ruiva mais nova.

Meu coração bateu eufórico e um sorriso brotou em meus lábios dormentes.

Eram os meus avós maternos e minha tia, irmã mais nova da minha mãe.

Eu vi quando a minha avó se aproximou do caixão em prantos, e o meu sorriso por vê-los se desfez com aquela cena triste.

— Minha filha! — vovó chorava apoiada contra a tampa do caixão fechado. — Minha Sam!

Vovô afagou as costas dela.

— Christine. — meu pai disse ao se aproximar.

Vi então quando vovó levantou o olhar para o meu pai e parou de chorar no mesmo momento.

— Foi você! — ela gritou. — É tudo culpa sua, Matthew!

— Christine. — vovô tentou conte-la, mas ela estava descontrolada.

— É tudo culpa sua! Você a fez fazer isso! Você a humilhava constantemente por uma coisa que ela nunca fez! A culpa é toda sua, Duffin!

— Ela está fora de si. — dissera meu pai. — Levem-a para tomar uma água.

— Eu não quero água! Eu quero a minha filha de volta! A minha filha que você tirou de mim!

— Senhora, se acalme. — disse Douglas, um homem loiro alto, um de nossos vizinhos.

— Não! — gritou.

— Mamãe, — tia Madelaine a tocou nos ombros. — Vamos tomar um ar.

Relutante, vovó se virou, e então nossos olhares se encontraram.

— Sien... — ela praticamente sussurrou, sua expressão mudou para um sorriso e abriu os braços para mim.

Sem pensar duas vezes, corri até ela e a abracei.

— Eu sinto muito, vovó. — disse entre lágrimas.

A mulher me abraçou ainda mais forte.

— Não sinta, querida. Você é a mais vítima em toda essa história. — dissera ácida.

Me afastei dela para poder olha-la.

— O que você quis dizer com isso? — perguntei.

A mulher idosa balançou a cabeça e tocou no meu rosto, secando as minhas lágrimas.

— Você vai embora comigo para a Virgínia. — respondeu ao invés.

— O que?! — meu pai se manifestou ao se aproximar. — Você está louca, Christine? A minha filha não vai com você para lugar nenhum!

— Aaaaah! — vovó cantarolou ironicamente ao se virar para o meu pai, enquanto segurava em meu braço possessivamente. — Agora a Sien é sua filha?

Eu não estava entendendo nada.

— Eu a criei! Ela é a minha filha! — dissera entredentes.

Por céus! Estavam fazendo barraco em um velório.

Quando eu pensava que a minha vida não poderia ficar pior, ela ficava.

Vovó soltou uma gargalhada sarcástica.

— Deixe de hipocrisia, Matthew! Você mesmo disse um milhão de vezes que Sien não era sua filha! — disse ela. — Ela vai embora comigo para a Virgínia e você que fique com o seu dinheiro! Não o deixarei destruir a menina como destruiu a Samantha!

Senti o meu coração parar. Do que ela estava falando? Como assim?

Todos estavam chocados com o que estavam presenciando naquele momento, e ninguém ousava falar nada.

— Christine, pare com isso. — vovô dissera, mas vovó já estava decidida em prosseguir.

— Não, Rony! Todos aqui devem saber o que esse monstro fez com a minha filha todos esses anos! — dissera descontrolada. — Ele colocou na cabeça que Samantha o traiu e que Sien não era sua filha. Ele fazia da vida da minha Sam um inferno desde então e só estava com ela para não ter que pagar pensão para a filha que ele chama de bastarda!

— Cala a boca, Christine! — meu pai vociferou, assustando-me.

Minha avó, no entanto, não calou-se.

— Você a matou, Matthew. — disse ela. — E eu levarei Sien comigo!

— Você não a levará para lugar algum!

Eu não sabia o que pensar. Meu pai não era meu pai? O que estava havendo?

Eles ainda discutiam, as vozes pareciam distantes, eu sentia uma tontura e um desespero, e então a minha voz se sobressaiu.

— Você não é meu pai? — perguntei à Matt, aquele que sempre me desprezou, aquele que quando eu era criança, dava-lhe presente do dia dos pais e no dia seguinte estava no lixo. Aquele que me tratava como uma completa estranha.

Todas as vozes se calaram, tudo ficou em silêncio e o único som era o do meu coração disparado reverberando em meus ouvidos.

— Eu não sei. — respondeu.

Dei um passo para trás, afastando-me do aperto da mão de minha avó; era como ter levado um tapa na cara.

— Sien... — ouvi Blake me chamar, mas a sua voz parecia tão distante.

Agora tudo fazia sentido. O desprezo, as brigas, o silêncio, tudo.

Além de desestruturada, a minha vida também era uma completa mentira.

Senti uma lágrima escorrer, e com ela, várias outras.

— Sien — Matt disse, mas o seu olhar ainda era vazio enquanto ele me olhava.

Olhei para todos ao meu redor. Estranhos. Eram todos estranhos.

Quantas mais mentiras existiam?

Dei meia volta e saí correndo, ouvi vozes me chamando, mas apenas corri, o mais rápido que consegui em toda a minha vida.

Saí do cemitério, tropecei várias vezes contra a calçada. Pessoas me olhavam com curiosidade, mas eu não me importava.

Nada mais importava.

Continuei correndo, para o único lugar que eu queria estar.

Depois do que se pareceu uma eternidade, antrei na fazenda Constairs. Pouco me importando se os vizinhos chamariam a polícia novamente, eu somente queria estar ali, perto dele.

Ao chegar aos fundos da fazenda eu me deixei cair de joelhos contra o chão, e então desabei em lágrimas.

Chorei como nunca. Chorei pela morte de Shane, chorei pela morte da minha mãe, chorei por aquele que eu sempre pensei ser o meu pai me odiar, chorei por me sentir tão sozinha, chorei por realmente estar sozinha.

Havia essa dor em meu peito, uma dor que parecia me matar, e eu desejava que ela realmente me matasse.

— Por que você me deixou, Shane? — disse entre as lágrimas, chamando pela única pessoa que um dia me fez bem. — Por favor, volte para mim! Por favor, Shane. Eu preciso de você.

Mas ele não voltou e ele não voltaria nunca mais. Chorei mais ainda.

Abracei o meu próprio corpo e desejei que os soluços e lágrimas acabassem com o meu ar.

— Sien — aquela voz que eu tanto amava disse o meu nome.

Por um momento de pura esperança e ilusão, pensei que a dor em meu peito havia me matado finalmente e levado-me até Shane, mas ao olhar em direção à voz, eu vi Shawn caminhando até mim.

Como ele sabia que eu estava ali?

Queria manda-lo embora, mas não tive forças quando os seus braços me envolveram em um abraço. Eu precisava daquilo.

— Faz parar, por favor. — implorei chorando e soluçando contra o seu peito.

— O que? — perguntou o garoto, que parecia soar desesperado.

— A dor. — disse.

Shawn me abraçou ainda mais forte.

— Não posso fazer a dor parar, — ele dissera tristemente — Mas você é forte. Não desista.

Forte. Este era um adjetivo que eu estava longe de ser.

— Não me deixe sozinha. — pedi em baixo tom.

A resposta veio logo em seguida:

— Não deixarei. — disse ele.

Aos poucos a dor em meu peito diminuiu, e com ele os meus choros e soluços.

Shawn continuava me abraçando, nunca me deixando sozinha.

— Como ela está? — ouvi uma voz feminina se aproximando e levantei o meu olhar.

Em pé, ao lado do entulho que eu e Shawn havíamos nos escondido do policial algumas noites atrás, estava Karen Mendes.

Ela me olhava com pura tristeza em seu olhar cristalino.

— Estou bem. — menti.

Eu nunca estava bem.

— Quer que eu te leve para casa?

Arregalei os olhos.

Não. — disse, tremendo e me desesperando.

Eu não queria entrar naquela casa onde a minha mãe havia tirado a própria vida, e onde havia um homem que me odiava por ser uma bastarda, como dissera a minha avó.

— Por favor, não me leve de volta pra lá. — disse, começando a entrar em pânico, e mais lágrimas saíram, queimando os meus olhos inchados pelo choro incessante.

— Calma, calma. — Shawn dissera afagando os meus cabelos. — Não vamos te levar para casa. Quer que chamamos a sua avó?

Balancei a cabeça negativamente. Eu não queria ver ninguém da minha família.

— Durma na minha casa então. Não vou deixar você aqui. — Karen dissera ao se aproximar.

Mas eu queria ficar aqui sozinha. Perto de Shane, ou pelo menos, perto das lembranças que eu tinha dele no nosso lugar especial.

— Vamos. — Shawn atraiu a minha atenção, como se soubesse do porquê de eu hesitar em sair da fazenda. — Está esfriando. Não podemos te deixar aqui sozinha.

Olhei para os dois seres que me encaravam. Eles não desistiriam.

Assenti e deixei que Shawn me ajudasse a levantar.

— Consegue andar sozinha? — perguntou o rapaz.

Assenti envergonhada, me lembrando de quando ele tivera que me carregar no colo, após o meu ataque naquele mesmo lugar.

Juntos, nós três caminhamos até o carro estacionado de qualquer jeito em frente à propriedade Constairs. E naquele auge catastrófico da minha vida, nem ao menos me importei ao entrar no carro do meu ex namorado falecido.

Sentei no banco de trás, Karen me ajudou a colocar o cinto de segurança enquanto Shawn se acomodava no banco do motorista.

Minutos depois estávamos com o carro em movimento.

Ninguém dissera nada em todo o trajeto até a casa dos Mendes. Eu observava a paisagem que passava, fingindo que eu estava em um daqueles Gifs do tumblr com alguma legenda do tipo "I'm not okay". Talvez romantizar a minha dor, faria ela dimunuir.

Mas não diminuía.

Quando o carro parou, descemos dele. Estava escurecendo e a temperatura realmente havia caído.

Entramos na casa dos Mendes e Karen dissera para eu ficar no quarto dela, dizendo que a sua cama era espaçosa o suficiente para duas pessoas.

Assenti e a segui até o seu quarto. Meus olhos pararam na porta do antigo quarto de Shane, lembrando-me das vezes em que passamos horas juntos ali.

Desde a sua morte, eu nunca mais pusera os pés naquele cômodo.

— Pode entrar. — a voz de Karen me chamou e eu entrei em seu quarto.

Somente um abajur iluminava o cômodo, que não era pequeno, mas também não era tão espaçoso. Eu nunca havia entrado no quarto de Karen, até aquele momento.

Pela pouca iluminação eu pude ver um grande guarda-roupa que era o que provavelmente mais chama atenção. A sua cama era realmente espaçosa e naquele momento Karen arrumava o edredom para que eu me deitasse.

— Venha. — me chamou. — Deite-se.

Sem forças para protestar e muito exausta, me sentei na cama e Karen ajudou-me, tirando o scarpin que eu usava. Mergulhei debaixo do edredom, logo começando à aquecer a minha pele fria.

— Vou ver o que tem para você comer. — disse-me.

Ela beijou o topo da minha cabeça e saiu do quarto. E novamente eu estava sozinha.

Encarei o teto por alguns minutos.

A luz do abajur ainda estava acesa, iluminando grande parte de onde eu estava. Virei a minha cabeça em direção à luz e algo ao lado do abajur chamara a minha atenção, um porta retrato.

Me sentei na cama e peguei-o, era uma foto de Karen e duas crianças, dois meninos idênticos. Shane e Shawn.

Sorri involuntariamente. Eu consegui distinguir quem era Shane, o garoto com a camiseta dos Bulls, e Shawn com uma camiseta estampada com um desenho de um violão.

Meu Shane parecia tão feliz, do modo que eu me lembrava dele, do modo que eu sempre guardaria em minhas memórias.

O som da porta sendo aberta me pegara de surpresa. Eu coloquei o porta retrato de volta ao seu lugar e olhei para a porta, esperando ver Karen, mas encontrando uma silhueta alta e masculina, Shawn.

— Posso entrar? — ele perguntou e eu assenti em silêncio.

Ele acendeu a luz, iluminando cada canto do quarto outrora somente iluminado pela fraca luz do abajur.

Agora eu podia ver mais móveis e objetos de Karen.

Shawn se aproximou de mim, havia uma bandeja em suas mãos. Ele a estendeu até mim e eu a depositei sobre o meu colo.

Na bandeja havia um copo de chocolate quente cremoso e torradas. Exatamente como Shane fazia para mim pelas manhãs quando eu dormia em sua casa. Franzi o cenho e senti um frio na minha espinha.

— Não está com fome? — perguntou Shawn ao perceber a minha expressão confusa.

O olhei.

— Eu... — ia começar a dizer sobre o meu estranhamento, mas desisti. Era somente uma coincidência boba. — Estou sim. Obrigada.

— Vou deixa-la comer em paz. — Shawn dissera rapidamente e saíra do quarto, fechando a porta logo em seguida.

Comecei a comer a minha refeição, até não sobrar absolutamente nada na bandeja.

A depositei encima da cômoda ao lado da cama e voltei a me deitar. Senti as minhas palpebras pesarem, mas o sono não vinha, somente as imagens e vozes de Shane, minha mãe, Matthew e vovó.

Após minutos tentando dormir, ouvi uma movimentação do lado de fora do quarto, mais especificamente, no corredor dos quartos.

—...Shawn, não me deixe falando sozinha. — era a voz de Karen. Pelo seu tom, ela parecia irritada.

— Eu não tenho nada para falar. — disse a voz de Shawn.

— Responda a minha pergunta!

— Qual delas exatamente? — disse com aquele tom irônico que eu infelizmente já conhecia.

— Como você sabia onde a Sien estava?

Com isso abri os meus olhos e tirei o edredom que estava encima da minha cabeça para escutar melhor.

Realmente, como Shawn saberia? Ninguém sabia que lá era o meu refúgio. Ninguém exceto eu e Shane.

— Foi um palpite. — respondeu o garoto.

— Um palpite, Shawn? Você mal conhece Heaston Hill, você mal conhece a nossa rua e sabia que a Sien estava na antiga fazenda dos fundadores dessa cidade. Você nem ao menos sabe quem são os fundadores!

— Eu já tinha visto essa garota naquela fazenda, — dissera irritado. — Então tive esse palpite.

— Essa garota tem nome. — Karen dissera incomodada. — E quando você a viu na fazenda? E por que não me contou?

— Eu estava conhecendo o bairro e a vi entrando há uns dias atrás. E não te contei, porque não achei que fosse importante.

Franzi o cenho. Ainda assim não fazia sentido, pois como ele me viu entrando na fazenda se eu entrei à tarde? E ele somente apareceu à noite.

— Essa é a verdade, Shawn?

— Claro. Por que eu mentiria?

É. Por que ele estava mentindo?

— Não faça nada que a magoe, querido. Sien já passou por muita coisa, eu não sei até onde vai o limite dela.

— Não se preocupe, mãe. Eu nem falo direito com essa garota. — disse o rapaz. — Vou dormir. Boa noite.

— Boa noite. — dissera Karen.

Segundos mais tarde ouvi o som da porta sendo aberta e fingi estar dormindo.

Karen caminhou até a cama, desligara as luzes e deitou-se ao meu lado.

Eu ainda pensava em tudo o que acontecera à mim, mas ao sentir o braço de Karen me rodear de uma maneira tão terna, me senti protegida. Protegida dos meus medos, dos meus pensamentos confusos, da solidão e protegida de mim mesma.

E assim, aos poucos, consegui pegar no sono.

                        {...}

Fui despertada com o som de pássaros cantando. Por muito tempo fui despertada pelos gritos dos meus pais, então a diferença era gritante.

Mas mesmo assim eu me senti triste, pois se não haveria mais briga era porquê a minha mãe não estava mais viva, pois tirara a sua própria vida.

Se eu soubesse o motivo das brigas, eu teria obrigado a minha mãe a sair daquela casa, teria mandado o meu "pai" se foder e ficar com a merda da pensão. Eu teria arranjado um emprego e trabalhado nas minhas horas vagas. Mamãe e eu estaríamos bem, e ela estaria viva.

Mas eu nunca soube o que se passava debaixo daquele teto.

Sempre achei que eles brigavam por dinheiro e ganância, ou por apenas não possuirem paciência um com o outro. Mas ia mais além do que a minha mente limitada poderia imaginar.

Eu não era filha de Matthew Duffin. Eu estava ainda mais sozinha nesse mundo, do que eu imaginava. Sem mãe e sem pai.

Me sentei na cama e olhei ao redor. Karen não estava no quarto.

Me levantei e mesmo descalça saí do cômodo. Ao adentrar no corredor, os meus olhos foram diretamente até o quarto de Shane, onde a porta estava entreaberta.

Me aproximei e tomada pela curiosidade, olhei por entre a brecha.

Meus olhos foram em direção à Shawn, que dormia profundamente, totalmente vulnerável. Ele parecia tão sereno, algo que eu jamais imaginei que ele poderia ser.

Sorri minimamente, Shawn dormia de barriga para baixo, e Shane sempre dormia de lado. Outro detalhe adicionado para a minha lista nomeada " Shawn não é o Shane".

Ouvi um som vindo do andar de baixo, trazendo-me à realidade.

Desci as escadas e entrei na cazinha, Karen preparava o café da manhã.

— Bom dia. — ela caminhou até mim, me dando um beijo no rosto. — Dormiu bem?

— Melhor do que nunca. — respondi sinceramente.

— Espero que esteja com fome, — ela disse voltando-se para o forno do fogão, enquanto eu me sentava na cadeira. — Pois eu fiz vários brownies para você.

Sorri.

— Estou com fome sim.

— Ótimo. — ela dissera no momento em que a campainha tocou. — Quem será à uma hora dessas?

Karen limpou as suas mãos em um pano de prato e saiu da cozinha para atender a porta.

Continuei sentada na cadeira, com os meus cotovelos encima da mesa, até que a voz de Karen se fez presente novamente.

— Sien. — ela me chamou e eu olhei para trás. — Você tem visita.

Antes eu não tivesse saído do quarto.

Ao lado de Karen estava Matthew e ele me encarava.

— Precisamos conversar. — disse o meu "pai".


Notas Finais


Playlist Destiny.: http://www.youtube.com/playlist?list=PLlXksoilGN8P1ZEMhwyBIq3_t8uJh5TVV

▶▶▶ Aviso básico:
Destiny terá sim romance, mas eu não posso apressar muito as coisas. A Sien possui muitos problemas, muitos que nem ela mesma compreende. Eu quero a minha história o mais real possível, o mundo não gira em torno de um casal. Temos problemas, temos questões não respondidas, e temos o nosso destino em nossas mãos. E é isso o que a história é sobre.
Espero que vocês fiquem até o final, para presenciar esse amadurecimento da Sien, e como ela vai passar por cada obstáculo.

Obg para quem leu até aqui.
Amo vocês. Minhas inspirações. <33
E eu irei fazer o gp do whats, só estou esperando outras pessoas passarem os números para começarmos todos juntos e ninguém perder os extras que eu postar.

É isso gente.
Não esqueçam de comentar o que acharam do capítulo. Choraram muito que nem eu? 😭😂

Até o próximo capítulo. <33


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