História Dame Jolie - Capítulo 34


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Categorias Saint Seiya
Personagens Afrodite de Peixes, Aiolia de Leão, Camus de Aquário, Hilda de Polaris, Marin de Águia, Miro de Escorpião, Shura de Capricórnio
Tags Andreas Lise, Camus De Aquário, Cross - Dressing, Drama, Guerra, História Medieval, Intrigas, Milo De Escorpião, Originais, Romance
Visualizações 245
Palavras 5.491
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Lemon, Lírica, Luta, Poesias, Romance e Novela, Saga, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello, peoplessss

Conforme o prometido, capítulo novo no dia do aniversário de nosso amado Milo! \o/
Pra dizer a verdade, achei que não conseguiria, hehehe, mas enfim, taqui :v

Quero agradecer pelos favoritos, pelos comentários, e mesmo pelas visitas aqui. Espero que continuem curtindo <3

Não temos explicações nas notas finais.

A arte da capa é de Saint Panic (abstraiam a ausência de algo no pescoço do Camus, rs, mas a situação é a mesma vivenciada pelos dois em um momento aqui)

Boa leitura... e viva o Miluxooo ^^

Capítulo 34 - Por Nossas Vontades


Fanfic / Fanfiction Dame Jolie - Capítulo 34 - Por Nossas Vontades

- Shura – A voz de Afrodite estrangulou-se na garganta. Diante de seus olhos incrédulos, o Marquês de Aguilar, tal qual uma visão feérica por entre a baixa cerração que flutuava sobre o gramado. Quase deixou cair os narcisos que sobraçava.

- Muitas boas tardes, senhor Afrodite. – Cumprimentou o castelhano, um tanto perturbado. Ao chegar, ainda no Pavilhão Central do castelo, distinguira a elegante figura do sueco, aparentemente dirigindo-se ao jardim. Pensou em ir ter com ele mesmo antes de adentrar a fortificação. Viu que estava acompanhado, no entanto, não imaginava que os encontraria tão... próximos. Teria ele se enganado? Poderia jurar que o desconhecido estava a ponto de BEIJAR o jovem camareiro!

Não, decerto uma peça pregada por sua vista cansada pela longa e extenuante viagem... havia de ser isso!

Mesmo assim, dardejou o estranho com um olhar sombrio.

Giuseppe, pondo-se de pé como Afrodite, não se intimidou com aquela mirada e retribuiu-a erguendo o rosto em petulante desafio.

Tão feliz se tornou Afrodite que sequer percebeu o silencioso embate: adiantou-se na direção da escadaria em cujo topo estacara o saudoso amigo.

- Shura! Quando foi que chegaste?

- Agora há pouco... ao sair da carruagem, vi-vos à distância e pensei em cumprimentar-vos antes de adentrar a casa senhoril;

Afrodite sentiu a mudança de tratamento como um inesperado golpe. Antes de Shura partir para Andaluzia com Milo já haviam dispensado o uso de “vós” e “senhor”, pois que estreitaram ligações a ponto de se considerarem, então, “amigos”. Claro que o moreno poderia ter optado pela formalidade em virtude de haver um estranho por perto. Foi quando notou que Giuseppe e Shura trocavam olhares quase hostis.

- Shura – Insistiu no tratamento intimista. – Este é o senhor Giuseppe, artífice mestre à frente das obras no hospital que o senhor Milo há de inaugurar em Saint-Doulchard.

Nem o tom amistoso com que o loiro apresentou o toscano desfez a rígida expressão do recém chegado. Vendo que Shura não se dignava a falar, Giuseppe fez uma reverência e saudou-o, polidamente:

- É uma inigualável honra conhecer-vos. Senhor marquês de Aguilar. Vossos feitos são notórios por todas terras.

- Vossos feitos também me são notórios, senhor Giuseppe. – respondeu, frio e cortante como o fio da espada guardada em sua bainha. Um desconfortável silêncio marcou aqueles instantes de visível tensão entre os três. Por fim, Shura meneou a cabeça em um cumprimento tardio, ao adicionar:

- Deveras, feitos notórios... Milo contou-me sobre vosso impressionante trabalho na Abadia de Saint Pierre.

Afrodite e Giuseppe experimentaram certo alívio com a complementação da fala anterior. No entanto, um meio sorriso desdenhoso nos bem delineados lábios do castelhano conservavam a desconfiança acerca do real significado da mensagem enunciada.

Ostentando uma súbita apatia em meio à dureza de seu semblante, Shura deu meia volta, fazendo menção de se retirar.

- Perdoai-me a inconveniente intromissão. Soubesse que estáveis... OCUPADOS... não teria vindo até aqui. Com as vossas licenças...

Afrodite sufocou uma exclamação frustrada. Não... seria possível que Shura...

“Pela Virgem Santíssima, percebeu que Giuseppe tencionava beijar-me?”

Pior ainda... teria julgado que a intenção era mútua?

Teve ganas de gritar, de esclarecer tudo, de se declarar... que absurdo! Nada disso poderia ser feito! Ah, a euforia de reencontrar o amado que, por Deus, estava ainda mais formoso do que da última vez em que o vira!

- Tu nada interrompeste, Shura...

- Não?

A réplica lacônica continha sutil reprovação, a despeito do rosto indiferente do castelhano. Afrodite abriu a boca para argumentar, porém o outro já tinha se virado para partir.

- Com as vossas licenças. – Repetiu, de costas para os dois jovens, que permaneceram atônitos juntos aos canteiros de flores.

O sueco resistiu ao impulso de chamar por ele. Havia esperado TANTO pelo retorno de Shura... e para quê? Para ser flagrado por ele em uma situação suspeita, da qual não tivera culpa alguma. Sequer sentiu raiva do ousado artífice, reservou-a para si mesmo.

- Shura de Aguilar é a pessoa que possui o vosso coração?!?

Tornou o olhar desanimado para o toscano, que não se importou em demonstrar o estupor.

- Que estais a dizer? – Volveu, sem convicção.

- Por Deus! Julguei-vos infeliz por amardes em segredo, agora sei que sois realmente desafortunado!

Surpreendentemente, desatou a rir, um riso de puro escárnio. Indignado, Afrodite questionou, enrubescendo:

-É assim que demonstrais vossa amizade por mim? Zombando de meus infortúnios?

A expressão sarcástica de Giuseppe não arrefeceu.

- Ora, se sois vós mesmo quem vo-los infligiu! Então não sabeis QUEM é Shura de Aguilar?

Os lábios rubros do camareiro contraíram-se. Antes que pudesse responder, Giuseppe prosseguiu, sobrancelhas erguidas compondo um ar de quem muito se diverte.

- Foi chamado de “Shura, o Justo”, porque lhe atribuem o posto de defensor máximo dos preceitos da Santa Madre Igreja Católica. A qual, imagino que o saibais, condena a espécie de amor que lhe devotais...

- Calai-vos – Murmurou, entre os dentes, cerrando os punhos.

Ignorando-lhe a angustiosa ordem, o artífice continuou, enleado pela chance de vingar-se pela rejeição:

- Se o conde Milo faz-se notório como o mais implacável guerreiro das Cruzadas por suas ferocidade e técnica de combate nos campos de batalha, o marquês Shura erigiu sua fama de seu caráter justiceiro e pragmático. Conta-se que aniquilou homens do próprio exército por condenar-lhes algumas condutas. Podeis imaginar isso? Matar os próprios companheiros por considerá-los pecaminosos além de qualquer perdão?

- Não é necessária tal preleção, conheço as histórias. – Disparou, secamente.

- Elas abundam, não deveis conhecer TODAS, caso contrário não estaríeis a alimentar semelhante sentimento por alguém como ele, - Olhou para o céu nublado, como a recordar de alguns relatos. – Dizem que matou cinco cruzados de uma só vez, porque os flagrou seviciando crianças argelinas. Os guerreiros haviam-nas sequestrado após terem massacrado toda uma família durante a tomada de um vilarejo. Esses cruzados haviam treinado com ele... lutado com ele... consideravam-no um companheiro...

- Pois bem fez Shura! Se cometeram tamanha atrocidade, mereceram tal fim, não importava quem fossem!

- Vosso sentimento por ele TAMBÉM seria considerado uma atrocidade, senhor Afrodite. – Desta vez o sorriso desapareceu do rosto de Giuseppe. – Mereceríeis dele semelhante julgamento, não o percebeis?

- Ele nunca saberá. – Ciciou, desviando o olhar apreensivo.

- Em outras palavras, entregai-vos de livre e espontânea vontade a um cinzento destino de eremita abstêmio em virtude desse amor pueril e infrutífero?

Abismado, Afrodite considerou o toscano. Em tom de advertência, falou:

- Senhor Giuseppe, por favor... não quero perder vossa amizade.

- Vós já a perdestes.

- Que dizeis?!

O artífice fitou-o, com afetada condescendência.

- Com a mesma paixão que amo o que é belo, odeio uma característica comum a pessoas fracas: a falta de amor próprio.

- Proíbo-vos de proferirdes sentenças a meu respeito, pois que pouco me conheceis!

- Conheço o suficiente para saber que estais irremediavelmente perdido – Aproximou seu rosto do quase lívido de Afrodite, - Condenai-vos à infelicidade, de forma pateticamente voluntária...

- Não sou infeliz por ser fiel ao amor que aqui cultivo – O sueco bateu a mão no próprio peito, suas córneas brilharam pelo pranto que segurava bravamente.

Giuseppe encarou-o, estampando uma frieza até então inédita a Afrodite. Rebateu, mordaz:

-Se não sois infeliz ainda, sê-lo-eis. Tende a certeza. Pois é evidente que esse homem há de fazer-vos sofrer miseravelmente.

Àquela impactante predição, o loiro perdeu a fala. Em meio ao silêncio instaurado, o toscano fez menção de se retirar. Não se importou em fazer qualquer reverência ao nobre.

- Adeus, senhor Afrodite.

E deixou-o, caminhando para fora do jardim. Observando-o se afastar, Afrodite refletiu naquele incômodo apontamento.

Shura havia de fazê-lo sofrer?

Ora, estava ciente disso! Tanto mais porque iria se casar com uma das filhas do duque de Benacantil. Então havia seu amor de render-se a tal desventura? Se o fizesse, que amor seria esse? “O amor tudo suporta”, dissera o próprio apóstolo Paulo... não; seu amor era sólido, incondicional, pois que verdadeiro. Decidiu voltar para a festa, sem se esquecer dos narcisos. Coletou-os da relva, onde os deixara ao se dirigir a Shura.

De volta ao salão, viu o marquês com o aniversariante e “a esposa” deste.  Conversavam amigavelmente à mesa. Participavam daquele colóquio o rei e sua amante, bem como os nobres mais próximos. Ergueu o queixo, resoluto, e para ali rumou, sem abrir mão de sua altivez habitual. Ganhou a atenção de todos ao chegar, tanto pelo porte soberbo quanto pelo oferecimento:

- Senhor Milo, trago-vos estas flores. São narcisos, próprias de vosso signo, Escorpião. Trazer-vos-ão boa fortuna.

O conde sorriu e aceitou o buquê, sinceramente apreciando o gesto e o presente.

- Vê, Camille, são bonitos os narcisos, não?

- De fato, senhor meu marido, combinam convosco. – Concordou o ruivo. Pediu a uma serviçal que acondicionasse as belas flores em um jarro.

- O senhor Afrodite não irá se juntar a nós? – Indagou Inês, curiosa.

- Oh, sim. Com vossas licenças. – Nem se dera conta de que relutara em assentar-se. Incomodava-o o olhar desconfiado de Shura.

Tomou lugar, entre o castelhano e “a condessa”. Inconscientemente torceu as mãos sobre a mesa.

- Agradeço-te o oferecimento, Afrodite. Quer dizer que além da Medicina e de jardinagem, interessas-te também pela Astrologia?

- Apenas como um passatempo, senhor Milo. Não possuo extensos conhecimentos sobre essa ciência, tão antiga quanto a religião.

- E qual seria o vosso signo..?

O sueco surpreendeu-se com a pergunta vinda de Shura. A formalidade empregada, no entanto, impediu-o de animar-se em demasia.

- Peixes. É o último dos doze signos do Zodíaco.

- Hum. São volúveis, passionais e inconstantes.

- Conheces também a Astrologia, Shura? – Camus tomou a palavra, percebendo a estupefação do camareiro.

- O suficiente para não ser no assunto total leigo.

- Pois a mim pareceu bem assertiva tua análise dos nativos de Peixes. – Observou o ruivo, servindo-se de vinho. – Curioso que Afrodite não se situa em duas das três características listadas.

- Tu és de Sagitário, não, Shura? – Milo quis conferir.

- Capricórnio.

- Os nascidos sob esse signo são conhecidos como racionais, rígidos e severos, consigo e com os outros. – Elucidou Afrodite, ousando encarar o castelhano.

- Não nego que a descrição condiz com a minha realidade. – Admitiu o marquês, encarando-o de volta.

- Se tu mesmo o admites, chego a nutrir piedade por dona Isabel de Benacantil antes mesmo de conhecê-la. – Gracejou Camus, ao que o moreno questionou:

- Perdoa-me, senhora, mas a que te referes?

- À tua noiva, oras. – Milo respondeu pelo esposo, sorridente. Acrescentou: - Aliás, que é dela? Poderias tê-la trazido à festa. A menos que não tenhas obtido permissão de seu pai.

- Mentiria se dissesse que entendi uma única palavra que saiu de tua boca. Explica-te, pois.

Milo, Camus e Afrodite entreolharam-se, confusos.

- Falamos de tua futura esposa, homem de Deus – Tornou o conde, um tanto impaciente.

- Minha futura esposa?!

- De quem seria, oras… não estás noivo?

- Que sandice! Não estou noivo de ninguém – Declarou, entre surpreso e aborrecido.

Erguendo as duas mãos, Milo confessou:

- Agora sou eu quem não está entendendo nada!

- O que aquele maluco disse?

Todos engoliram em seco ante a indeferência do castelhano. Inês deu um risinho, curvando-se para comentar com o amante:

- Palavra de honra, isto aqui está bem mais interessante que os eventos de Paris...

- Ele... o duque de Benacantil... enviou-me uma carta anunciando que tu haverias de desposar a caçula Isabel... chegou a convidar a mim e a Camille para que nos hospedássemos em Valência por temporada posterior às tuas bodas...

Um riso escapou do marquês de Aguilar, não necessariamente por humor.

- Aquela raposa ardilosa!...

- Shura, explica-nos o que acontece.

- É muito simples, meu estimado amigo: esse matreiro de fato ofereceu-me a mão da menina Isabel. Contudo, não o fez dirigindo-se à minha pessoa, e sim ao meu pai. Na certa, considerou que, sendo os Aguilar uma família antiquíssima e tradicional porém com muito menos posses do que os Benacantil, a proposta ser-nos-ia irrecusável.

- Ou seja, ele contou com os ovos antes de adquirir a galinha – Brincou o conde, divertido com a história.

- Provavelmente.

- O senhor duque tinha tanta certeza de que sua oferta seria aceita que enviou a notícia antes mesmo do convite. Confiança admirável. – Pontuou “Camille” com sardônica elegância.

- Conheço o duque de Valência, é homem sanguíneo e voluntarioso sim... mas, acima de tudo, poderoso e extremamente rico. – Observou o rei, servindo-se de faisão recheado com cogumelos e favas. – Deve haver uma razão assaz contundente para que o senhor vosso pai recusasse tentadora oferta.

- Há sim, majestade. – Shura respondeu, sereno e certeiro – A minha vontade.

Filipe arregalou os olhos, dramático.

- Ela suplantaria a vontade de um pai?

- Meu pai presenteou-me com a autonomia, uma vez que destinou toda herança ao primogênito, El Cid.

Admirada com o discurso e a estampa do castelhano, Inês inquiriu:

- Não pretendeis casar-vos, senhor Shura?

- Meu irmão mais velho cuidou de neutralizar qualquer pressão que porventura existisse sobre mim nesse sentido, senhorita, de modo que se eu o fizer, será no meu tempo.

- Estais dizendo que foste despojado de vosso quinhão nos bens de família. Neste caso, não vos seria conveniente enlace com tão abastada dama?

- Há lógica em vossa proposição, barão de Sandiers. Contudo, de posse dessa rara faculdade de escolher minha companhia para toda uma vida, optei por fruí-la plenamente. Quanto aos meus limitados recursos, bastam-me para que eu prossiga minha trajetória terrena servindo aos meus propósitos.

Os olhos claros de Afrodite cintilaram de orgulho. Difícil conter o sorriso que brotava da admiração por aquele homem, que aumentava a cada invulgar declaração. Augusto insistiu, interessando-se sobremaneira pelo que ouvia:

-Devem ser propósitos imperiosos para que rejeiteis unir-vos a uma bela jovem cujo pai é o mais influente aristocrata de vossa terra.

- Um deles é assessorar meu grande amigo conde de Saint-Doulchard a administrar a província da qual é o soberano agora. – Olhou para o loiro, que dirigiu-lhe um sorriso agradecido. – Temos a intenção de trazer para esta terra o progresso, enfim. O outro é continuar explorando este mundo criado por Nosso Senhor; viajar é enriquecer espiritualmente.

- Sois um primoroso espécime de cavalheiro, senhor Shura. – Elogiou Inês, apoiando o queixo com as mãos, contemplando-o com indisfarçável fascínio. A seu lado, Filipe pigarreou, em uma sutil advertência.

- Quanto ao matrimônio, a exemplo das demais instâncias, render-me-ei tão somente mediante a existência de amor. Sim, espero casar-me por amor. A ideia ainda é deveras nova, mas...

Alguns assobios escaparam-se. Estabeleceu-se um burburinho, o qual Milo tencionou silenciar ao garantir:

- Pois eu considero louvável teu jeito de pensar, caro Shura. Apoiar-te-ei sempre!

- Com o perdão da palavra, senhor conde... é fácil manifestardes dessa forma, uma vez que sois o primogênito... – alfinetou o marquês de Toulose.

- Minha família não é exatamente um parâmetro para o que estais a insinuar, senhor. É verdade que recebi a maior parte dos direitos de sangue, no entanto, meu pai proveu meu irmão mais novo de substanciosa parcela da herança.

- Mas vosso casamento foi em virtude de acordo nupcial entre as famílias Auvergne e Turenne.

- Ocorre, majestade – O cavaleiro fixou corajosamente o rosto trocista do monarca. – que, por uma suprema graça do Deus a que sirvo, amei Camille desde o primeiro instante em que a vi.

Camus sentiu o coração aquecer, encantado. Tomando-lhe a mão, Milo a beijou, arrancando suspiros e exclamações dos convivas.

- Será que um dia serei agraciada com um casamento tão feliz quanto o de nossos anfitriões? – Inês questionou, com ar sonhador. O rei sorriu para ela, traçando planos secretos.

Em meio àquela comoção, Afrodite permitiu-se um olhar furtivo ao marquês de Aguilar.

O amor parecera expandir-se-lhe no peito, após presenciar sua notável postura perante o mundo e suas convenções.

Como seria possível amar Shura ainda mais?!

- Voltando ao meu grande amigo Shura... atenderás ao meu pedido? Acompanharás Afrodite em sua jornada?

- Foi justamente para isso que retornei, Milo.

- Bom saber que meu aniversário é importante para o meu melhor amigo! – Ironizou o loiro, causando gargalhadas.

Sem entender, Afrodite olhava de um para o outro.

- Poderias ao menos ter me respondido, não?

- Sinto pelo meu silêncio. Acho que, desde que me dispus a servir-te no que fosse necessário, a resposta esperada seria apenas uma, não?

- Típico de ti, tais mistérios...

Percebendo a total incompreensão no semblante do sueco, o conde bateu a mão contra a testa, dizendo:

- Ah, é verdade! Com a confusão causada pela carta do duque de Valência, acabei por julgar que Shura declinaria da missão que lhe incumbiria e nada comuniquei a Afrodite...

- A que vos referis, senhor...?

Quem esclareceu foi o castelhano, voltando para o camareiro os olhos esverdeados:

- Milo pediu para que eu te acompanhasse durante a estada em Paris. Considerou mister oferecer suporte e proteção ao futuro diretor do Hospital que ele pretende inaugurar.

Afrodite não soube o que dizer; seu coração parecia prestes a rebentar-se sob o bombardeio de diferentes emoções.

- Eu... eu não sabia. – Foi tudo que saiu de seus lábios frementes.

Camus deu um meio sorriso, alegrando-se por enfim voltar a distinguir o brilho tão característico dos esplêndidos olhos do amigo. Desde o conhecimento do suposto casamento de Shura, faziam-se opacos, mortiços.

- Quando devemos partir? – O marquês voltou a se dirigir ao aniversariante, sem dar muita importância à surpresa do sueco.

- Após o dia de Natal. Aproveitarei tua permanência em Saint-Doulchard até a data de vossas partidas para ir a Auvergne com Camille. – Milo suspirou, condoído. – Segundo meu pai, minha mãe não tem mais muito tempo de vida. Gostaria de vê-la uma última vez.

- E eu, de conhecê-la. – Murmurou o ruivo, sob certo desconforto.

- Eu lamento. Então é por isso que o teu pai e teu irmão não se encontram nesta celebração.

- Sim, caro Shura. Não tenciono demorar-me...

- Sossega. Cuidarei de tudo em tua ausência.

- Gostaria de apresentar-te o artífice mestre, Giuseppe, à frente das obras do hospital, as quais pediria que inspecionasses, mas... – buscou-o com o olhar. – não o vejo em parte alguma. Estava há pouco pelo salão...

Consciente de que o toscano abandonara a festa, Afrodite sentiu-se desconfortável em não poder revelar o motivo da súbita partida. Imaginando-o Shura, garantiu:

- Não tem importância. Conforme te assegurei, cuidarei de tudo. Irei ter com ele quando for verificar o andamento da obra...

- Bom, se ides tratar de negócios agora, considero que é hora de retornar ao salão e dançar. Senhor Afrodite, conceder-me-íeis o prazer de mais uma dança? – Inês já se levantava e estendia a mão ao aturdido camareiro. Para a sorte deste, o ciumento Filipe levantara-se e tomou a mão da amante.

- Também sou exímio na arte de valsar, senhora. Contenta-te comigo.

Ela riu e, dando de ombros, acompanhou o monarca. O sueco suspirou aliviado. A Shura não passou despercebida a cena. Querendo deixá-los a sós, Camus levantou-se e propôs a Milo:

- O senhor meu marido não gostaria de dançar também?

O cavaleiro estranhou: o esposo NUNCA tomava a iniciativa para tal... a bem dizer, Camus não gostava nada daquilo... bem, havia de ser para compor a imagem de “mulher e marido” felizes. Assentiu e acompanhou o amado, secretamente apreciando a oportunidade. Alguns convivas seguiram-nos, de forma que Afrodite e Shura ficaram quase que sós à lateral da grande mesa.

Por um breve instante, seus olhares se cruzaram: o camareiro tratou de desviar o seu, concentrando-se no fundo da taça de vinho. Por sua vez, o castelhano tornou-o para os casais que bailavam no salão. Distraidamente, comentou, como que pensando alto:

- Afinal, Milo assumiu seus sentimentos…

- Perdão? – Sobressaltou-se o sueco.

- Os sentimentos para com Camille.

- Ah...

- Não notáveis vós também que ele a amava, mesmo por baixo de toda aquela tola rejeição?

- Sim, sim, por certo!

- Fico feliz que estejam em bons termos. Milo é meu melhor amigo, estimo-o com toda minha alma. E Camille é uma dama de qualidades excepcionais.

Afrodite riu um pouco além do necessário. Dando-se conta disso, tencionou mudar o tópico:

- Então... hás de vir comigo para Paris...

- Foi o que Milo me pediu. – Respondeu simplesmente. Ocupava-se de partir sua porção de javali assado com especiarias.

- Será um longo período.

- Penso que sim.

Notando-lhe a má vontade em sustentar o colóquio, Afrodite calou-se. Pôs-se a imaginar se o rapaz não queria apenas se alimentar com propriedade primeiro, e resolveu deixá-lo em paz. Contudo, não demorou mais que dois minutos e ouviu-o dizer:

- Pelo visto, Milo tomou uma decisão acertada em enviar alguém convosco... sois assediado com frequência. Poderíeis mesmo cair em algum golpe ou coisa parecida. Devem ver-vos como um alvo fácil.

Empalidecendo pela dúvida acerca daquela observação, o sueco questionou:

- Gostaria imenso de saber o real significado de teu apontamento, mas confesso que gostaria de saber primeiro a mudança de tratamento para comigo.

- Incomodai-vos?

- Como não? Quando estiveste em Saint-Douchard, constituímos amizade de forma tal que já nos tuteávamos! E eis que agora...

- Está bem, se o desejas tanto... pensei que seria melhor um tratamento mais distanciado, visto que tinhas uma companhia... aparentemente íntima.

- Falas de Giuseppe? Eu e ele não somos íntimos, por quem me tomas, afinal?

Shura largou os talheres de súbito e dardejou contra o camareiro um olhar sombrio.

- Curioso me perguntares isso. É a segunda vez que presencio alguém querendo beijar-te. E, assombrosa coincidência, outra vez um varão.

Afrodite gelou por dentro, arrepios subiram-lhe pela espinha a ponto de ele paralisar.

- Bom, pelo que vejo, a jovem dama que acompanha o rei também se encantou por ti. Não me surpreende, em verdade. És garboso. – Completou o castelhano, neutro, tomando o cálice entre os dedos alongados.

- N-não é o que p-pensas...

- Milo fez certo. – Repetiu. – Serias presa fácil em Paris. Não obstante, Afrodite... por mais que eu te devote amizade... pela minha fé, não sou inclinado a aceitar determinados comportamentos.

Virou-se para ele, tão sério que Afrodite temeu ser fulminado por aquele mar verde escuro:

- Peço-te que mantenhas discrição em relação a desvios que porventura tenhas.

- És um tolo... – rosnou o sueco, levantando-se bruscamente da mesa. Caminhou resoluto na direção de algumas damas e chamou uma delas para valsar. A mulher, claro, aceitou imediatamente, rindo feliz para as companheiras, que fizeram o belo loiro prometer fazer delas as próximas parceiras de dança.

Contemplando a cena por sobre os ombros, Shura pensou se não teria exagerado.

Entretanto...

Indubitavelmente, um desconhecido incômodo assaltara-o,  ao presenciar Giuseppe assediando Afrodite naquele jardim...

Pela fé, é o que sua mente dizia.

Provavelmente ofendera o amigo. Mas fora mais forte do que ele.

Pela fé... certamente pela fé.

 

*************

 

Passados alguns dias do término da celebração, o conde e a condessa de Saint-Doulchard partiram para Auvergne. Com a carta de seu pai junto a si, Milo ansiava por reencontrar os seus. No interior da carruagem, por vezes punha-se a cismar, pretensamente perdido na paisagem melancólica que cercava a estrada. Colocando sua mão sobre a dele, Camus procurou animá-lo:

- Não te preocupes. Deus há de permitir que tu a encontres com vida ainda.

- É estranho... a expectativa de perder minha mãe parece reviver em mim venturas da tenra infância... quando eu ansiava por estar junto a ela, perto do fogo... ela cantava para nós, eu, Aiolia e o falecido Aiolos... ensinou-nos a ler, escrever, a compor... chamava-nos “seus querubins dourados”... – Virou-se para o esposo, com os olhos úmidos. – Como pude sepultar tais reminiscências em mim?

O ruivo afagou-lhe os cachos laterais, ao responder, doce:

- A vida é que nos faz sepultá-las. Vivências se sobrepõem a outras vivências, e tu... tu passaste por muitas coisas, desde a idade de formação como cavaleiro, até ano passado, pelejando no Oriente...

Com um sorriso triste, confessou o conde:

- Ajo como um patético, bem o sei... contudo, gostaria que ela vivesse mais. Sequer verá um neto que seja... o filho de um de seus filhos... de seus “querubins dourados”...

Uma despropositada culpa fez Camus baixar o olhar. Notando-o, o loiro deu por si... apressou-se a acrescentar:

- Aiolia e Marin casar-se-ão em cinco meses. A julgar pelo que meu pai escreveu, não creio que ela consiga viver até conhecer deles um rebento.

- Será que ela espera que eu... que nós...

- Não te aflijas. Não escutes minhas chorumelas... – Acariciou-lhe o rosto abaixado, forçando-o a levantar. -  são parvoíces de filho mimado que sonha duradouro o que em verdade é efêmero.

- Não digas isso. É tua mãe. Tens o direito de estristeceres-te.

A comitiva, formada pela carruagem em que ia o casal, uma carruagem com quatro assessores do conde, e mais oito guardas a cavalo, atravessou uma ponte por sobre um rio plácido, em cujas superfícies flutuavam flores ceifadas pelo outono. As copas das árvores tingiam-se de nuances sorumbáticas, quase que mesclando-se às dos galhos e troncos ressequidos.

Súbito, um pensamento assaltou o cavaleiro. Fitou o semblante pensativo do amado; envergonhado de si mesmo, deixou escapar um riso desanimado. O ruivo dirigiu-lhe uma expressão interrogativa, ao que o marido elucidou:

- Sou um tolo por estar aqui lamentando-me diante de ti, que perdeste a mãe tão mais novo do que eu.

Suspirando resignado, Camus rememorou, comprazendo-se do calor da mão do consorte na sua:

- Quando minha mãe partiu, contava eu nove anos... porém, menores ainda que eu eram minhas pobres irmãs, despojadas precocemente de carinho materno... e isso, de certa forma... por MINHA causa.

- Por tua causa?! – Milo conhecia a história, o que não lhe apaziguava o pungir no peito cada vez em que a mesma vinha à tona. – Por Deus, Camus, NÃO és o culpado pela morte de tua mãe.

Serenamente, o outro argumentou:

-Ocorre que ela nunca superou a trágica morte de Camille, e, tanto mais... o “aniquilamento” de seu único filho varão ainda em vida, condenado a viver como... – Um novo suspiro. – foi-lhe um duro golpe, ver o filho homem, a luz da existência de uma mãe, convertido em uma menina...

- E de que maneira és tu culpado por algo que foi arquitetado por teu pai e pelo meu? – Comovido, Milo tomou-o pela cintura, puxando-o para mais junto de si, e admitiu, colado aos lábios do ruivo – Às vezes, esqueço-me da via crucis pela qual passaste em tua vida.

Sorrindo de leve, Camus provou-lhe o lábio inferior, puxando-o delicadamente com os dentes. Aquilo enviou ondas quentes ao interior do esposo. Sussurrou:

-É porque hoje sou feliz, amado meu. Tampouco eu revisito tristezas outrora vividas. Estas apenas retornaram-me agora em virtude do tópico desta nossa conversa.

- Juras-me? Tu me juras que és feliz, Camus?

Este apenas assentiu, gracioso, escolhendo falar através de seu significativo e cálido olhar. Achegando-se mais a ele, o conde beijou-o devagar, saboreando cada fração daquela boca cuja pintura espalhava-se à medida que estreitavam o contato ardoroso.

- Milo... estraga-me a maquiagem...

- Ajeitá-la-ei para ti, depois que nós... – segredou-lhe saliências ao ouvido.

Camus enrubesceu e riu, entre divertido e excitado:

- Nunca te fatigas, por certo... amamo-nos três vezes antes de deixarmos o castelo...

- A culpa é tua... do perfume de teus magníficos cabelos... do cheiro de tua pele acetinada... e do sabor de teus lábios, ah, o sabor dos teus lábios desatina-me... – murmurava, ardente, enquanto distribuía beijos tépidos no colo, nas orelhas, no queixo, no maxilar. Camus fazia-se controlado, mas arrepios corriam-lhe pela espinha e pelo ventre, seus cílios vibravam como cordas de um instrumento tocado por habilíssimo músico. Sensibilizado, gemeu baixinho, capitulando ante a maestria sedutora do amado. Este sorriu-lhe nos lábios entreabertos, e levantou-lhe, maroto, a saia comprida de seda:

- MILO! Detém-te! – Esquivou-se, ofegante.

- Eu não vejo como, nem por quê...

- E se a carruagem parar de repente, e o cocheiro ou algum dos guardas abrir a porta? Tem algum juízo, se decoro não logras ter!

O loiro fez um muxoxo, insistindo em tentar repousar suas mãos entre as pernas do consorte:

- Eles sabem que devem respeitar a privacidade de seu senhor, oras... jamais abririam esta porta de supetão, surpreendendo-nos e...

- Imprevistos acontecem. – Repeliu-o, dando tapinhas no dorso das mãos intrusas. – Controla-te. És um cavalheiro ou um bárbaro?

- Tu me pões assim, esfaimado por teu corpo... sedento por contato...

Vendo o ruivo irredutível, bufou, afastando-se. Fingindo irritação, ameaçou:

-Está bem, está bem! Hei de recompor-me. Hás de me pagar por essa desfeita, juro-te...

Rindo travesso, Camus deu-lhe um singelo beijo na bochecha. Milo manteve-se no papel de “marido ultrajado”:

- E já decidi de que maneira: como castigo, nunca mais deixar-te-ei “ficar por cima”...

- O quê? Milo, que golpe baixo!...

- Olho por olho, dente por dente.

- Pois então nunca mais hás de ter-me sob ti...

- O quê? Camus, não ouses recusar-te a mim!...

- Que hás de fazer?

- Não me provoques...

- Provoco sim.

- Então admites que estás deliberadamente a me provocar?

- ...

- Vem cá...!

O cocheiro bem que teve a impressão de que, repentinamente, a carruagem passara a balançar por demais. Coçou a cabeça, olhando para o terreno, pensando em como não lhe parecera assim tão acidentado... deu de ombros, decidindo por fazer os cavalos diminuírem a velocidade, antes que os senhores reclamassem.

Pôs-se a assobiar uma antiga canção daquelas terras, satisfeito com o bom tempo e com a tranquilidade daquela jornada...

 

 

*************

 

Horas e horas depois, tantas que quase completariam um dia inteiro, o imponente Castelo de Auvergne começou a despontar na linha abaixo das escarpadas montanhas engolidas pela névoa. Diferentemente do Castelo de Borgonha, suntuoso e plasticamente belo, Auvergne evocava o passado belicoso que moldara o clã de Milo, com a forte influência moura nas linhas arquitetônicas da fortaleza. A família desde priscas eras absorvera em sua tradição os vantajosos aspectos daquela nem tão distante cultura, no afã de estabelecer sua supremacia em um mundo ainda fechado em si mesmo.

Contemplando-o da janela da carruagem, Camus teve a vívida impressão de que a qualquer momento surgiriam das enevoadas planícies cavaleiros bradando, brandindo suas armas, defendendo aquele impressionante monumento, aquela terra que gestara antepassados que agora sob ela repousavam.

Chegando à propriedade, foram recepcionados pelo conde d’Auvergne e seu filho mais novo, empolgados em reencontrar o primogênito daquela geração.

Abraçaram-se efusivamente, em uma alegria tão autêntica que pôs nos lábios de Camus um suave sorriso. Para ele, Henri voltou-se, admirado. O jovem seguia em seu disfarce com espantosa perfeição.

- Camille. Deus te abençoe, minha nora. Estás ainda mais bela do que da última vez em que nos vimos.

- Agradeço-vos a gentileza, senhor meu sogro. – Fez uma mesura padrão. Aiolia sorriu abertamente, comentando:

- Meu pai não mente, senhora. Tenho sorte de minha noiva ser tua irmã, traz em si a tua beleza, creio.

- Ela ainda é nova, mas por certo, quando tiver minha idade, há de suplantar-me nesse quesito. – Brincou o ruivo, sentindo-se à vontade com eles como jamais se sentira.

Talvez ser aceito por Milo causara aquela mudança.

- Pois com toda afeição que devoto à pequena, duvido-o muito... - Milo sorriu-lhe, amoroso, tomando-lhe a mão. Eles se olharam com uma ternura inédita a Henri.  Este teve a impressão de que aquela aura cúmplice e amorosa NÃO se tratava de simulação.

Não mais.

A despeito da surpresa, há muito sabia dos reais sentimentos do filho para com o primogênito dos Turenne. Sorriu, no íntimo. Posteriormente, havia de confirmá-lo.

Entraram na casa senhoril, e os visitantes foram conduzidos aos aposentos de hóspedes. Após se refrescarem e se trocarem, compareceram à sala de refeições, onde se restabeleceriam do longo período na estrada antes de irem ter com Sophie, ainda isolada no quarto, devido à sua triste piora. Além disso, Henri queria instruí-los brevemente:

- Eu sei que ela tem consciência de que são estes seus derradeiros momentos na Terra. Mesmo assim, nada temos mencionado sobre esse tema. Acredito que tereis sensibilidade para manter a discrição que todos aqui temos mantido.

- É claro, meu pai, nem era preciso que nos admoestasse sobre tal. – Respondeu Milo, mirando o esposo, dele recebendo um compreensivo assentir.

- Milo, sabes que tua mãe nunca foi mulher de se entregar... não demonstres tristeza, nem mesmo compulção de espécie alguma. Camille, peço-te o mesmo, obviamente.

- Não vos afligis, padrinho.

- Camille não é muito de demonstrar cousa alguma, não entendo tua preocupação, meu pai. – Confessou Aiolia, com a mão no queixo, encarando “a cunhada”.

- Aiolia! – Ralhou Milo. – Exijo respeito para com minha esposa!

- Eu disse alguma mentira? – Volveu, inocentemente.

- Deixa-o, Milo. – Riu o ruivo. – Não me desrespeitou.

- Bom, agora que estais descansados e alimentados... podemos ir ter com Sophie.

Concordando todos, puseram-se de pé e dirigiram-se às escadarias. Cada qual com seu peso no coração, oculto pela simulada tranquilidade nos rostos, rumaram para onde exilada há muito se encontrava a matriarca dos Auvergne...

 

*************

 

 

 


Notas Finais


Camus finalmente conhecerá a mãe de seu amado, pena que em tão triste circunstância...

Enquanto isso, como estarão as coisas lá em Saint-Doulchard?

A música que é tema do capítulo data de 1225, ou seja, 33 anos depois do momento atual da fic, já com aquele toque pré renascentista, mas achei-a bem na atmosfera...
https://www.youtube.com/watch?v=7UvesKl8_W8

Obrigada por lerem. Até a próxima, em dezembro... bjs bjs


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