História Dear no one - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kris Wu, Xiumin
Tags Exo!fem, Krismin, Krismin!fem, Maispowerfluffyporfavor, Mpfpf
Visualizações 44
Palavras 3.443
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oláááá, olha só quem se meteu em um projetinho, eu mesma. Mas é por uma boa causa, no caso aumentar o número de fanfics exo!fem, e como eu amo as histórias desse tipo, acabei entrando nessa loucura.

No primeiro momento que tirei KrisMin eu pensei "Olha lá, me fodi" porque eu nunca escrevi com nenhum deles e seria um completo desafio, ainda mais com eles como mulheres. No começo meu plot era um totalmente diferente mas não tava indo pra frente, eu já tava quase me jogando de uma ponte de tanta tristeza, MAS AÍ EU TAVA OUVINDO DEAR NO ONE DA TORI KELLY E VEIO ESSA PLOT LINDO, LINDINHO NA MINHA CABEÇA! E eu escrevi em, sei lá, três horas (o que pra mim, que leva trezentos mil anos pra fazer 500 palavras, é uma vitória)

E eu gostei bastante do resultado, então espero mesmo que vocês gostem. Boa leitura!!

Capítulo 1 - Capítulo único: Dear everything


“Querido Ninguém

A professora Soo disse para escrevermos uma carta para alguém que gostamos, mas não o papai e a mamãe, ela queria que escrevêssemos para algum coleguinha... Mas eu não tenho nenhum, estou escrevendo para você, meu querido Ninguém.

Ela disse que tínhamos que dizer nosso nome, mas não tem necessidade se você não existe e ninguém nunca vai ler isso, né? (É engraçado falar “ninguém” porque esse “ninguém” é você, carta).

Então, eu cheguei na escola esse ano. Eu, mamãe e papai morávamos no Canadá, que fica longe, longe daqui da Coréia... Nos mudamos porque vovó está mal de saúde, e não deixaríamos ela sozinha nunca, nunquinha. Mas isso fez eu perder muita coisa, tipo meus poucos amiguinhos.

Lá, todos falam inglês, aqui, coreano. É difícil, eu não entendo nada, nem sei quando estão cochichando bem ou mal de mim. Mas tenho vontade de chorar toda vez que apontam pra mim, ou quando ninguém senta do meu lado no recreio... Só a professora Soo senta comigo de vez em quando, e me ensina muitas palavrinhas novas, assim como me incentiva a ler mais. Ontem mesmo ela me deixou levar dois livros da biblioteca da escola, um em inglês e outro em coreano, assim eu posso continuar aprendendo o coreano em casa!

Mas a carta não é pra falar sobre isso, professora Soo disse que era para elogiar o nosso amiguinho, e como você não existe, como eu poderia dizer algo sobre? Decidi falar sobre mim, assim quando eu tiver alguém com quem conversar, posso dar essa carta para a pessoa e não vou tentar me embolar no coreano explicando tudo.

Eu gosto de ser independente. Mamãe vive dizendo isso desde que eu tinha seis anos, sempre fala que eu já tentava preparar meu cereal de manhã ou me vestia completamente sozinha. Independente e teimosa também. Papai diz que vou ser uma garota difícil de lidar, mas eu não sei por quê.

Gosto de ler também, talvez por isso tenha uma escrita mais avançada (é o que a professora Soo diz quando lê minhas redações em inglês), e desde sempre tenho um livro do lado. Ou então minha bola de basquete, que é outra coisa que me faz feliz. Antes eu não gostava de ser tão alta, mas isso me ajuda a fazer alguns arremessos legais e me ajudou a entrar no time daqui da escola, mesmo que nenhuma das garotas fale comigo, porque nenhuma delas se interessa por basquete. Elas são más, erram meu nome de propósito, ou colocam o pé pra eu cair, ou acertam a bola na minha cabeça quando ela para perto delas... Mas tá tudo bem, eu não ligo, desde que possa continuar jogando (mesmo que só tenha meninos no time).

Eu também afasto as pessoas, mas juro que é sem querer! Como daquela vez que eu molhei as calças da Sunhee com banana milk, bem quando ela ia me emprestar seus lápis de cor. Eu só fiquei nervosa, mas até hoje ela passa longe de mim e me olha estranho. Acho que depois disso, todos começaram a se afastar também, com medo que eu os molhasse ou fizesse coisa pior, mas poxa, foi só um errinho de nada!

Não gosto de frango frito, brócolis, feijão doce ou balinha de goma, e parece que todos aqui gostam dessas coisas. Me sinto ainda mais excluída, mas mamãe diz que não preciso ser igual a ninguém, e que ficaria muito forte comendo lámen, carne de porco e kimchi, então fico feliz!

Então, querido Ninguém, se você um dia existir, pode me aceitar assim? Gostando de azul ao invés de rosa, gostando de livros ao invés daqueles programas de beleza que todas as garotas assistem e tentam imitar as maquiagens? (Elas ficam estranhas com um monte de sombra rosa, blush rosa, batom rosa, roupa rosa). Gostando de “coisas de menino” como basquete, futebol e até skate? E se eu nem gostar tanto assim de maquiagem? Você vai gostar de mim, querido Ninguém? Não vai ter medo que eu derrube algo em você ou não saiba falar direito em coreano?

Se existisse alguém que me aceitasse assim, Ninguém, eu ia querer que me abraçasse e não soltasse nunca mais.

Por favor, exista.”

 

Yifan tinha os olhos molhados pela nostalgia, porém um sorriso ainda escancarava o rosto quando terminou de ler aquela cartinha, feita por si própria quando tinha onze anos. Fora um ano difícil, a mudança para outro país tinha bagunçado tanto a sino-canadense que, se lembrava bem, a mãe havia colocado ela no psicólogo depois de chegar em casa todos os dias com o rostinho contorcido em tristeza e dizendo que ninguém gostava de si, além, é claro, da professora.

Desde bem cedo seus pais a ensinavam a língua chinesa também, já que ambos eram dessa nacionalidade, e por isso sabia que não tinha sido fácil nem mesmo para os mais velhos se acostumarem. Sua avó que havia preferido se mudar para a Coreia depois que o marido faleceu, querendo um recomeço, deixou todos num beco sem saída quando ficou doente. Ou eles se mudavam para um lugar desconhecido, ou se mudavam para um lugar desconhecido; não havia escolha.

E agora a mulher de cabelos curtos e loiros percebia que toda aquela mudança tinha ajudado em demasia para seu amadurecimento, com o descobrimento de muitas coisas (inclusive a forma como garotos e garotas a atraíam) e perceber que o tal “ninguém”, talvez não existisse. Isso, é claro, nos tempos de colégio.

Sua avó infelizmente faleceu um ano depois que se mudaram, deixando saudades a todos, porém bons ensinamentos. Fora ela quem dissera para Yifan parar de ser boba e chorar pelos cantos (daquele jeitinho grosseiro que, na época, fizera a mais nova chorar mais ainda) e passar a gostar mais de si mesma. E daí que nenhuma daquelas pessoas do colégio se aproximava? Vovó Wu sempre dizia que, caso alguém desse a chance, conheceriam o lado mais bonito da adorada netinha.

Isso realmente aconteceu, mas não no colégio, nah. Fora na faculdade que Yifan resolveu aloprar – fora isso que sua psicóloga havia instruído, Fan precisava mesmo ser um pouquinho mais ela mesma –, pedindo que os professores a chamassem apenas pelo seu nome americano – no caso, Kris –, cortou os cabelos num chanel e pintou de loiro, bem diferente do que todas aquelas pessoas que usavam o típico preto. Se enturmou um pouco com os caras do basquete, paixão essa que nunca havia morrido, e chegou até mesmo a dar seus primeiros beijinhos com um jogador do time, tão alto quanto si e que sempre dizia o quanto ela era bonita com toda aquela altura e todo aquele estilo descolado e confortável.

Entretanto, lá pelo seu segundo ano da faculdade de Educação Física, sabia que já não estava dando certo; fosse o curso ou mesmo o namoro. Não que não gostasse de Chanyeol, porém eles se davam melhor como amigos do que qualquer outra coisa (jogavam basquete juntos, saíam da quadra e iam direto comer alguma coisa no campus mesmo da universidade, ficando de dentes sujos e arrotando sem nem se importarem, isso sem contar o suor que se acumulava nas costas e em baixo dos braços pegajosos). Então decidiram terminar, sem ressentimentos já que continuaram amigos, na verdade, melhores amigos mesmo!

Nessa época, Kris também trancou a faculdade e decidiu se dedicar a outras coisas – aquele livro que havia começado a escrever, suas séries atrasadas e até mesmo tentar aprender a tocar algum instrumento, mas a loirinha era boa mesmo no beatbox –, e sinceramente? Não se sentia mais tão acanhada com o mundo, porque estava bem consigo mesma e era isso que importava.

Amava os cabelos curtos – até pensava em cortar mais e sua mãe aprovava –, gostava de usar roupas mais largas em alguns dias, noutros até se habituava com algum vestido mais colado ao corpo, que mostravam as tatuagens que havia feito ao longo da vida e davam vida à sua pele clara. Gostava também dos piercings que tinha nas orelhas e até aquele mais escondido, no bico amarronzado do seio esquerdo.

E foi nessa vibe de “Eu me amo e não me importo mais com as pessoas que me olham torto” que conheceu Minseok, a morena que morava no apartamento da frente, que perdeu as chaves da própria casa e por ser tarde demais, acabou dormindo no corredor.

Yifan lembrava-se desse dia como se fosse ontem – quando, na verdade, já fazia cinco anos –, de como cutucou a garota pequena com o cabo do guarda-chuva, segurando a risada ao perceber o olhar totalmente confuso dela para si. Confuso por alguns segundos – já que a vizinha estava praticamente roncando, no maior soninho – antes de abrir um sorriso levemente gengival e cumprimentar a altona com um “Ei, vizinha!”, complementando com um descarado “Bonita roupa, hein?” quando percebeu que o blusão branco de Kris estava completamente encharcado e transparente.

Tirando todo o primeiro constrangimento, o fato de que Yifan quase entrou no próprio apartamento e deixou a outra voltar a dormir no corredor – até porque suas bochechas não ficaram vermelhas por causa do frio que fazia, quem seria tolo de acreditar nisso? – e todos os olhares que Minseok não conseguia controlar, indo do rosto bonito de Fan até o corpo, que era moldado pelas roupas molhadas e revelavam até umas coisinhas a mais – até porque a sino-canadense não tinha o costume de usar sutiãs sendo que seus seios eram minúsculos, bem como as tatuagens escuras que haviam em sua pele pareciam neon na camisa molhada –, as duas acabaram se dando muito bem.

Naquela primeira noite que Minseok passou no apartamento da loira – claro que poderiam ter descido e pedido outra chave na recepção, mas nenhuma delas queria sair da companhia alheia – elas beberam algumas cervejas, conversaram sobre suas vidinhas pacatas e, no ápice da embriaguez Kris até mostrou o bendito piercing no mamilo.

Se engana quem pensa que elas se pegaram, começaram a namorar e viveram feliz para sempre, nada disso. Demorou muito, o dobro de tempo que Yifan teve para encher o corpo de desenhos e escritas permanentes, mais ainda o que Minseok teve para terminar aquele calhamaço que era o livro de It, a Coisa. E na verdade, elas não haviam saído da fase dos beijos embriagados.

Havia coisa demais para descobrir, muita risada para compartilharem e os medos do futuro que estava tão próximo. Min e seu medo de chegar aos trinta anos sem ter terminado a faculdade – ela já havia passado por três cursos e nenhum a interessava, mas Kris a tranquilizava sempre de que ela teria a vida inteira para pensar e decidir, e enquanto isso poderia continuar buscando coisas novas para si, como aquele cursinho de barista que a deixou animada pra caramba – enquanto Yifan ainda sentia um leve “receio” de se aproximar das pessoas. Dava-se melhor com as palavras que escrevia em seu notebook, com Chanyeol e o antigo time de basquete, com seus pais e agora, com Minseok.

E ela era uma mulher espetacular, que deixava Kris realmente de boca aberta. Tinha lá suas teimosias, suas paranoias e os costumes brabos de querer dar faxina no apartamento três horas da manhã – cantando alto e desafinada, vale ressaltar. Entretanto, coisas como essa eram relevantes demais quando as duas estavam tomando um cafezinho que Min havia feito, conversando sobre o quanto as letras de Florence Welch eram mais profundas do que pensavam – fala sério, quem faz uma letra sobre o suicídio de Virginia Woolf e ninguém nem se ligava disso? – e sobre teorias do universo.

Yifan se apaixonou sem nem se dar conta, perdida demais nos olhos redondinhos da menor para se questionar se era uma área segura ou não. Que se danasse seus receios, não tinha motivo para tê-los quando a, ainda vizinha e amiga, já havia se mostrado uma pessoa que a respeitava e apoiava, que não se afastou nem quando Kris havia vomitado em seus sapatos, quem dirá quando, estabanada que só, derrubou vinho na blusa branquinha da morena. Que a abraçava e não soltava mais, mesmo quando a mais alta dizia que estava bem – e se debulhava em lágrimas ao sentir falta dos pais, que decidiram voltar para a China.

Ela percebeu ali, com aquela carta toda amarelada e marcada com o tempo, que havia achado o seu “Ninguém”, e ele tinha longos cabelos castanhos, lábios sempre rosadinhos, bochechas fofas e um belo sorriso gengival. Era uma pessoa linda não apenas de aparência – porque Yifan poderia ficar o dia inteiro listando o quanto Minseok era magnífica em seu interior, bem como no exterior –, que sabia como se inserir em sua vida sem que a loira se sentisse sufocada, ou que perdesse sua independência, que gostava das suas tatuagens e incentivava a terminar seu livro sem que fosse pressionada.

Minseok era delicada e isso não tinha nada a ver com sua aparência pequena e jovial. Ela simplesmente sabia as coisas certas a serem ditas, sabia o momento propenso para um cafuné ou aquele cappuccino gostoso no frio. Sabia da mania que Yifan tinha de largar as louças sujas para o dia seguinte, e, não, Min não lavava nadinha para a maior. Na verdade, ela deixava lá, apenas para no dia seguinte dizer um “Viu? Eu falei que era melhor lavar ontem, agora vai ficar aí com as mãos congelando o dia inteiro!”, só para a loirinha aprender a ser um pouco mais organizada; aprender com suas próprias burradas.

E finalmente, depois de cinco anos, aquela mera carta infantil havia dado um tapa na cara da Yifan de agora, com seus 27 anos completinhos. Ela se sentia tão... Boba? Apaixonada? Talvez uma completa boba apaixonada, e o universo precisou fazer com que ela tivesse de arrumar o armário abarrotado de roupas para achar recordações antigas e finalmente perceber que, sim, estava caindo por Kim Minseok.

Fechou novamente o envelope, colando com aquela figurinha em forma de bola e apertando os lábios por meros segundos. Agora que havia se tocado das coisas, aqueles beijinhos que ela e Min trocavam quando estavam um tantinho bêbadas poderia significar muita coisa, e sabia que aquilo não valia apenas para si. A amiga gostava de si, e nem precisava de palavras para saber disso, estava em todos os atos. Nas briguinhas bestas até as mãos dadas quando estavam passeando pelas ruas movimentadas de Seoul, com a desculpa besta de que era para não acabarem se perdendo uma da outra.

– Ei, linda! – escondeu a voz embargada com uma leve tosse assim que chamou pela morena, que estava tentando afinar o violão velho de Kris na sala, logo ali ao lado. O barulho das cordas parou por completo e o barulho de passos se fez presente. Yifan poderia listar todas as coisas bonitas que já havia visto na vida, desde a Estátua da Liberdade até a Torre Namsan, mas nada se comparava a Minseok com seu rabo-de-cavalo alto, pantufas e aquele casaco enorme que cobria-lhe até quase os joelhos. Focou-se no rostinho redondo, quase rindo da feição confusa da menor por estar quieta a observando, então decidiu que era melhor não fazer mistério. – Tenho algo pra você.

– O que é? É de comer? Porra, Kris, não diz que você furou o dedo de novo tentando costurar alguma calcinha furada, porque eu não vou conseguir te carregar pra um pronto-socorro caso desmaie vendo sangue mais uma vez e...

– Sh, não é nada disso! – Yifan até se defenderia se tivesse como, mas realmente não era muito fã de sangue e havia desistido de costurar no mesmo dia em que furou o dedo com a agulha e viu aquele monte de sangue... Era meio frouxa mesmo, fazer o quê? Mas voltando ao que era importante, estendeu a carta que antes estava sendo ligeiramente amassada pelos dedos nervosos e pensou “É agora, Deus me ajude ou eu morro é aqui mesmo”. – Como eu disse, é pra você.

Minseok pegou o envelope, avaliou a letrinha infantil que havia bem no centro, endereçado a Ninguém e franziu as sobrancelhas. De vez em quando Yifan a deixava confusa mesmo, vinha com aquelas piadocas de velho que não entendia direito ou com metáforas de quase explodir o cérebro, e por isso ainda avaliava o papel em plena confusão.

– Mas...

– Eu escrevi quando tinha onze anos...

– Então como pode ser pra mim? – inquiriu Minseok, voltando os olhos para uma Kris que estava tão vermelha que pensou até em perguntar se ela estava passando mal, mas se manteve quieta para tentar captar o que ela estava tentando lhe dizer.

– Se você ler, vai entender tudo. – a voz grossa e alta de Yifan não passava de um sussurro, o que fez Minseok começar a ficar curiosa. Se nem sonhavam em se conhecer quando tinham essa idade, como a loirinha poderia ter escrito uma carta para ela? Seria Kris uma médium? Espantou esse último pensando louco e deu lugar apenas a curiosidade que já estava a massacrando, abrindo o envelope gasto com rapidez e pescando o papel tão maltratado quanto para conseguir ler. – Está em inglês também, então se não entender algo, eu posso explicar.

Mas Minseok já estava imersa na leitura, com os olhos grandinhos enormes, brilhantes, bochechas queimando e coração querendo pular pela garganta. Primeiro ficara triste pela forma como Yifan fora tratada assim que mudou de colégio, pensando que queria muito poder voltar no tempo para sentar ao seu lado durante as aulas e conversar sobre literatura, já que ambas gostavam. Queria poder estar por perto quando a avó dela faleceu, confortar com seus braços e, quem sabe, fazer deles sua morada; mas nada no mundo a preparava para as letras finais, as últimas frases, os questionamentos que uma garotinha fazia para si mesma, esperançosa quanto ao seu Ninguém.

As narinas inflaram de levinho quando o ar se fez faltoso, a garganta embargada e os olhos começando a molharem. Se bem tinha entendido...

– Então, isso quer dizer que eu sou seu Ninguém? – Minseok perguntou, completamente rouca pelo choro que queria descer e molhar suas bochechas. Já estava tão na de Yifan que até seus amigos baristas já haviam questionado há quanto tempo namoravam, e ela só se esquivava disso porque... Bem, eram só amigas que ocasionalmente davam umas bitocas, por mais que em seu interior a menor nutrisse bem mais do que amizade pela loira tatuada.

– Na verdade, eu poderia mudar o “ninguém” para “tudo”. Você é meu tudo, Minnie. – não havia muita coragem em Yifan, que dizia aquela declaração de cabeça e voz baixa, distante. Tinha medo, poderia estar se precipitando e afundaria sozinha caso Minseok a desse um fora, porém poderia ficar minimamente feliz por estar superando mais um medo... O da rejeição. – Por muitos anos procurei por pessoas que me aceitassem, mas não encontrei em lugar algum. Tentei me encaixar nos padrões impostos, mas daí eu é quem não gostava mais de mim, e então decidi que seria ok se as pessoas me olhassem torto e estranho por eu ser alta demais, loira, tatuada e com piercings... Só que eu nunca me senti completamente feliz, parecia que faltava algo. Faltava alguma coisa para me alegrar quando alguém me olhava de cima a baixo com desdém, faltava algo para me acalmar quando meus pais estavam longe e eu não podia correr para os braços deles e descarregar o peso das minhas costas... Faltava você, Minseok, para mostrar que a vida pode e tem de ser vivida com calma, um passo de cada vez e de fato dando zero fodas para opiniões alheias.

Se antes Min segurava o choro, agora já estava com o rosto mais lavado do que quando ia tirar a maquiagem... E isso a lembrou por segundinhos que provavelmente estaria parecendo um panda naquele momento, todavia Yifan nem pareceu se importar quando ergueu o olhar e sorriu para si, toda doce, gentil, aparentando uma calma que não condizia com a voz tremida. Puta merda, estava mesmo apaixonada pela loira do apartamento vizinho, e, querem saber de uma coisa? Minseok nem se preocupou em respondê-la nada, palavras não eram necessárias quando tudo que precisou fora abraçar a altona com força, enterrar o rosto no pescoço florido de tatuagens e descarregar mais algumas lágrimas, acompanhado de risinhos de ambas as partes.

(E se estão curiosos com o beijinho, rolou depois que Yifan limpou as lágrimas e até melequinhas de Minseok com uma camiseta velha que estava perdida por ali, rindo internamente com o quanto a menor parecia uma criança toda vermelha daquele jeito típico de choro recente mas a amando como uma mulher ao lascarem o beijo que já deveria ter rolado muito antes, sem ambas estarem bêbadas ou fingirem que estavam.)

 


Notas Finais


Desculpem qualquer errinho, porque eu mesma revisei e pode ter passado algo.

Link da música sensacional, incrível, lindíssima: https://www.youtube.com/watch?v=njmCUJ94lUM

E ah, participem do projeto também, vamos movimentar essa tag!
https://spiritfanfics.com/jornais/power-fluffy-month-10823607

Obrigada a quem leu!


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