História Demônio Negro - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Wanna One
Personagens Jinyoung
Tags Desafio, S2project, Trickortreat, Wanna One
Visualizações 25
Palavras 1.842
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Antes tarde do que nunca para participar do concurso, hm?

Faltando dois dias pro prazo final dona Kodathewel (que está pensando seriamente em ser apenas "Koda" mas manter meu @, ninguém me chama de Kodathewel anyway) ressurge das cinzas pra entregar essa one shot. One shot essa que me faz estar 100000/10 insegura porque é minha primeira "terror" e nem terror de fato é, mas beleza, segue o bonde.

Eu pensei nessa fanfic um dia depois que o desafio foi postado (ele foi postado dia 15 de outubro) e fiquei escrevendo ele desde então. Minha ideia original era fazer uma história grande e complexa que daria no mínimo umas 5k de palavra, mas eu acabei achando enjoativa demais. Por isso peguei a primeira parte da fanfic e editei um pouco e, tadã, é o que vocês lerão hoje.

Espero que gostem, boa leitura~

Capítulo 1 - Capítulo Único


O calor natural que seu corpo emanava saía do mesmo e batia contra a roupa de látex que usava, fazendo-o voltar contra o garoto e proporcionar uma sensação de quentura por todo o seu ser. Era uma sensação abafada e claustrofóbica; na sua visão, relaxante. Só não mais relaxante do que o calor que sua AKS 74 provocou contra suas mãos depois do primeiro disparo.

Com um ouvido ele escutava o barulho magestoso das balas saindo uma por uma, a próxima mais rápida do que a última, e com o outro, ele escutava o ecoar dos gritos estridentes dos adolescentes que eram atingidos. Com uma mão ele segurava de forma firme e habilidosa sua submetralhadora, com a outra ele abria uma lata de suco de abóbora, andando pelos corredores caóticos da escola municipal como se dominasse o local. E ele de fato o fazia.

Se tentasse correr, a roupa de látex negra que o cobria dos pés a cabeça provavelmente iria fazê-lo escorregar, e sinceramente ele também não via necessidade de correr. Não havia vítima certa ou um alvo concreto, naquele momento estava ele e toda a escola brincando de roleta russa. Quem tivesse sorte ali vivia, quem tivesse azar de passar pelo raio de sua arma, ali morria. Aquilo era pura escolha do destino, e Bae Jinyoung nada fazia além de ser um porta voz do mesmo. 

Não era como se alguém ali merecesse sua piedade ou hesitação.

A calmaria dominava o castanho de uma maneira tão profunda que a babilônia de berros e corridas pela própria vida dos demais que estava causando não lhe gerava impacto nenhum. E nem mesmo se estivesse nervoso elas iriam fazer. Gostaria de tirar a máscara e mostrar seu rosto para as pessoas ali, encará-las com seu lindo rosto e lhe dirigir um último olhar antes de arrancar suas vidas num movimento só. Porém não podia fazer, iria estragar toda a diversão; Morrer nas mãos de uma sombra negra parecia muito mais aterrorizante do que morrer nas mãos de um estudante de dezessete anos.

Seu suco já estava acabando e sua paciência também. As balas de sua AKS iriam demorar para acabar, e se acontecesse sua Dan Wesson 715 já estava presa em seu calcanhar pronta para ser rapidamente tirada se algo anormal acontecesse. Ah, e é claro, ainda havia 25 litros de gasolina espalhados por toda as portas, salas, carteiras, cômodos e corredores da escola — tudo que Jinyoung precisava era se cansar daquilo e conseguir fogo. No colar que usava havia um isqueiro pendurado especialmente para essa ocasião, e ele já havia se cansado de toda aquelas lágrimas e gritaria alheia.

Havia coisas mais interessantes para se fazer em uma escola trancada, encharcada de álcool e com um bando de adolescentes fedidos e deprimentes dentro.

Degustou os últimos goles de sua bebida favorita e amassou a lata com a destra, jogando o alumínio no corpo ensanguentado da sua dupla de química da semana passada que estava jogado no chão. Continuou no mesmo ritmo calmo quando sentiu algo molenga em seus pés, olhando para baixo e vendo o rosto estourado do seu professor de literatura. Riu dentro de sua máscara, cutucando os miolos do cérebro com o pé; ele não parecia mais tão superior e ameaçador com seus sermões e provas impossíveis agora, uh?

Chutou o corpo para longe e seguiu seu caminho, cruzando o corredor e recarregando a arma enquanto via a porta principal trancada mais a fundo. A sinfonia Nocturnes, Op.48 de Chopin tocava num volume confortável em seus ouvidos, os fones não abafando por completo o doce som das respirações sôfregas e dos passos escorregadios que seus colegas de escola provocavam ao redor. Permitia-se reproduzir de leve com a boca os sons que o piano da música fazia enquanto três balas acertavam em cheio a garota que lhe passou cola na última prova de física; uma na barriga, uma no quadril e outra no diafragma.

Sorriu entre as gotas de suor que cobriam seu rosto e sua máscara quando um rock alternativo ecoou em suas orelhas, aumentando o volume e se divertindo ao deixar-se balançar no ritmo. O clima estava agradável lá fora e era uma sexta feira, definitivamente um ótimo dia para fazer uma limpeza como a que fazia agora.

Limpando o mundo desses merdinhas egocêntricos ao som de My Chemical Romance.

"Mama we'll go to hell

Mama we'll go to hell

I'm writing this letter and wishing you well

Mama we'll go to hell"

Havia sido paciente demais com eles, todos eles. Seus professores arrogantes, os alunos prepotentes, os monitores ignorantes e seus superiores que sempre fingiam demência. Durante muito tempo Jinyoung se manteve calado sobre as injustiças, as crueldades e atrocidades que vivia naquele lugar, mas agora estava cansado; já estavam no inferno, que todos queimassem lá dentro.

Parou em frente a saída principal e mirou a submetralhadora para cima, atirando no teto e esperando pegar em algum sobrevivente das ultimas passagens que teve nos corredores de cima. Um dia produtivo definitivamente, e um dos mais divertidos também. Jinyoung não sorria tanto como fazia a tempos, o cheiro da pólvora no ar e a visão do sangue grudado nas paredes fazendo bem ao seu consciente — era bom ter algo que gostasse de ver pelo menos de vez em quando na escola.

Mas a diversão estava prestes a acabar e se fosse para acontecer, que acontecesse em grande estilo.

Tantas memórias existentes naquele lugar, e nenhuma era tão feliz quanto a de agora. Quantas vezes fora obrigado as mais horrendas humilhações apenas porque não se encaixava em um grupo? Quantas vezes já teve sua genialidade reprimida por um professor de ego ferido? Quantas vezes já havia tentado denunciar isso a diretoria e de nada adiantou? Bae estava cansado. Se não tinha uma única alma boa naquele lugar, então não havia motivos para o mesmo existir.

Jamais um dia de Halloween seria tão marcante quanto esse. Havia esperado meses por isso, planejando cada pequeno detalhe de sua chacina, e se sentiu suficientemente feliz ao notar que caiu bem no dia das bruxas; e, wah, Jinyoung era o pior pesadelo daqueles fedelhos agora.

Usou a chave que tinha guardada na bota e abriu a porta, saindo escola a fora e a trancando novamente enquanto seguia a linha transparente do líquido viscoso presente no chão. Andou em linha reta até parar em frente ao seu Chevrolet Opala turquesa estacionado do outro lado da rua, abrindo-o e guardando suas armas enquanto tirava um maço de Malboro do porta-luvas, fechando a porta do carro e andando de volta para a porta da escola.

Se agachou perante o fio grosso ali no chão, usando o adorável isqueiro pendurado em seu pescoço para poder começar a brincadeira. Um único movimento foi o suficiente, a pequena chama recém nascida se misturando com o 27% de álcool existente na gasolina, não precisando de mais do que meio milésimo para se disparar como um raio por toda a extensão da linha que se seguia dentro da escola.

O Bae se afastou e se encostou no carro, tirando a máscara sufocante de látex e sentindo os cabelos castanhos grudados em seu rosto, puxando um cigarro da embalagem e o acendendo rapidamente, o prendendo entre seus lábios enquanto ouvia a primeira bomba ser acionada.

"And if you would call me your sweetheart

I'd maybe then sing you a song

But the shit that I've done

With this fuck of a gun

You would cry out your eyes all along"

As batidas de Mama ainda soavam em suas orelhas quando teve sua primeira tragada e expeliu a fumaça feliz, vendo a mesma se dissipar e se misturar com a fumaça que os escombros flamejantes de sua amada escola provocava. E então veio a segunda bomba. E a terceira, e a quarta. Ah, sentia seus ouvidos sendo abençoados por tais sons.

As chamas cresciam e brilhavam em intensidades e colocações diferentes, se enfrentado e brigando entre si para saber qual cadáver iriam devorar primeiro. Se prestasse bastante atenção conseguiria ouvir os gritos altos dos sobreviventes, esses que agora não seriam nada além de poeira.

Jinyoung riu encostando sua cabeça no parabrisa do carro. Gargalhou alto ao imaginar as pessoas chegando em poucos momentos por causa do barulho, as ligações para a polícia que alguns lá dentro conseguiram fazer e que agora era em vão. Tudo em vão. Se deliciava com a estupidez alheia. Estúpidos, todos retardados. O moreno não havia passado empolgantes e produtivos meses sonhando e arquitetando esse dia como uma criança para o Natal se fosse para ter alguma falha, deveria ser perfeito. E era. E foi.

Jogou o pedaço de câncer que havia em sua boca para longe, esse pousando junto com as pedras pesadas das paredes da escola e contornou o carro, entrando no mesmo e ligando a marcha. Uma vez que seu desejo e prazer já tinham sido alcançados era hora de ser um bom soldado e terminar o serviço de vez, deixando-o completo e sem falhas. Havia arquietetado essa sua diversão muito bem, e tinha que completar todos os pequenos passos dela para que tudo fosse perfeito.

Sua amada Gwangyang era uma cidade litorânea de pouco mais de cento e trinta e cinco mil habitantes — não era difícil que um único acontecimento se espalhasse pela cidade inteira e cada habitante tomasse conhecimento sobre isso. E foi esse fato que deu ânimo para Baejin continuar seu percurso de carro até uma das maiores pontes que havia no território.

Imortalidade, era sobre isso que tudo se baseava. Poderia se vingar de seus professores e coordenadores voltando anos depois com um diploma chique de uma universade disputada nas mãos, poderia fazer o mesmo com seus colegas voltando com uma noiva belíssima e um carro caro, mas não era esse impacto que o moreno queria. Era a fama, a glória, o reconhecimento geral de todos por seu feito; e ninguém jamais esqueceria do que se passou dentro do Colégio Municipal do Distrito de Gwangyang. Ah sim, ser lembrado… Jinyoung jamais seria esquecido.

E foi isso que o fez parar em plena estrada asfaltada e sair do carro, se aproximando da beira da ponte. Aquela era a parte mas sem graça do plano, definitivamente sim, mas o outro não se importava; valia cada pequeno momento de apreciação que teve atirando dentro da escola. Valia a pena. Tudo no final havia valido a pena.

Sua Wesson 715 formigava em sua mão quando a pressionou contra sua têmpora esquerda, jogando sua máscara de latex no chão. Sentiu a brisa refrescante que o mar a baixo de si trazia bater em seu rosto com um sorriso, tirando do pause sua música e ouvindo os últimos toques dela enquanto se sentava na grade, os pés soltos e a balançar no ar.

"We all carry on

When our brothers in arms are gone

So raise your glass high

For tomorrow we die

And return from the ashes you call"

Três, dois, um. E tão repentino quanto chegou naquela manhã de 31 de outubro, o Demônio Negro, como dali em diante seria conhecido, de Gwangyang se foi, espalhando sua marca e seu legado por todos os lados para quem quisesse ver, como uma bomba relógio marcada para explodir, acertando milhares de pessoas a quilômetros de distância.


Notas Finais


Tradução dos trechos da música que tiveram no capítulo (Mama - My Chemical Romance)

1 - "Mamãe, todos nós vamos pro inferno
Mamãe, todos nós vamos pro inferno
Escrevo essa carta desejando que você esteja bem
Mamãe, todos nós vamos pro inferno"

2 - "E se você me chamasse de seu querido
Talvez eu te cante uma canção
Mas a merda que eu fiz
Com essa porra de arma
Você choraria o tempo todo"

3 - "Todos nós continuamos
Quando nossos companheiros de batalha se forem
Então, erga seu copo no alto
Porque amanhã morreremos
E voltaremos das cinzas que você chama"

Obrigado por terem lido até aqui ^.^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...