História Egoist- O que é meu não compartilho. - Capítulo 34


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Drama, Homossexuais, Lemon, Mistério, Perseguição, Revelaçoes, Romance, Stalker, Yaoi
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Palavras 2.450
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 34 - TRÁGICO


O apartamento do Allan era reconfortante. Muito bem organizado para um pai e sua filha adolescente. Sentei-me no sofá da sua pequena sala enquanto ele preparava o café. Eu ainda estava envergonhado por ele ter presenciado aquele clima estranho entre o Egoist e eu. Mesmo que não tenha tocado no assunto no trajeto até aqui, achei que uma hora ou outra essa conversa iria acontecer. Ele voltou depois de um tempo carregando uma bandeja com xícaras, café, açúcar e biscoitos. Deixou a bandeja em cima da mesa de centro. 

— Sirva-se. — disse. 

Peguei uma das xícaras e acrescentei um pouco de açúcar, ele sentou-se ao meu lado no sofá se servindo também. Eu bebia o café sendo observado por ele. 

— Não precisa se segurar, pergunte-me o que tem vontade. — falei. 

— Que tipo de relacionamento você tinha com aquele homem? 

— Com o Ayato? — perguntei me fingindo de desentendido.   

—Sim.   

— É uma história complicado e surreal que não sei como explicar.  

Se eu falasse todo a verdade para ele, com toda certeza, ele me levaria agora mesmo para a polícia para denunciar o Ayato. 

— Tente. — insistiu. 

Percebi que não seria fácil fugir dessa conversa. 

— A minha mãe foi empregada da família dele, eu o conheci, de certo modo, nessa época. Ainda criança. Eu tinha o costume de invadir o jardim da casa dele e roubar rosas, um dia ele me pegou no flagra. Depois de muitos anos, acabamos nos reencontrando de forma nada natural e agora temos esse tipo de relacionamento estranho.  

— A situação complicada que disse, seria nessa forma "não natural" que as coisas aconteceram? 

— Sim. Mas não gostaria de entrar em detalhes, o que posso dizer é que me envolvi com o irmão de parte de pai dele e ele não curtiu muito isso. 

— Espero que esse irmão não tenha a mesma personalidade. — zombou. 

— O Yuri é completamente diferente dele, mesmo compartilhando o mesmo sangue. Acho que por essa razão os dois não se dão bem. 

— É fácil entender os motivos dele. Esse Ayato parece ser bem arrogante e possesivo.   

— Vejo que ele deixou uma "boa" impressão em você. — brinquei.  

— Não gosto de pessoas como ele. Sinto muito se minha opinião te ofende. 

— Não, me ofende. É bem normal. Minha amiga Janaína também não gosta dele. 

— Por que namorou com um cara assim? Foi pela beleza? Confesso que ele é muito bonito. 

— Na verdade, nós nunca namoramos. Como posso explicar... Era mais algo físico.  

— Se ele não era alguém importante para você, por que foi a esse jantar? Poderia negar. Percebi que você se manteve desconfortável desde o início. — O Allan era incrivelmente observador. 

— É que ele insistiu muito. Ele diz querer ser meu amigo e mudar sua má impressão comigo. Eu não queria que ele entendesse as coisas errado só por não ter aceitado conhecer pessoalmente sua namorada. Achei que estaria agindo como alguém que está com dor de cotovelo. — respondi. 

— Acho que ter aceitado e levado um homem estranho com você, só confirmou o que queria evitar — disse colocando a xícara vazia de volta a bandeja. 

Eu não tinha palavras para respondê-lo. Juro que pensei que minhas ações estavam me levando para o caminho certo, além que eu queria me aproveitar da companhia do Allan. Mas, não poderia dizer isso em voz alta. Não quero parecer um desesperado. Além do mais, acho que a essa altura do campeonato, qualquer coisa que eu diga sobre minha atração por ele vai aparecer que estou criando desculpas para esquecer o Ayato.  

— Deseja mais café? — me perguntou depois que percebeu que eu segurava a xícara vazia por tempo demais.  

— Não, obrigado. Estava ótimo. — respondi devolvendo-o a bandeja. 

— Estou contente por não ter bagunçado a casa, a Sarah arrumou tudo para mim. — disse tirando o terno e desabotoando dois botões de sua camisa.  

Agora era fácil ver seu peito liso cada vez que se movia. Para disfarçar algo que estava começando a se animar dentro da minha calça, fui até sua estante ver as fotos da Sarah nos vários porta-retratos. 

— Ela é muito linda e bastante parecida com você.   

—Obrigado, mas eu acho que ela parece mais com a mãe.  

— Significa que você tem bons olhos para mulheres. 

— Acho que sim, mas tenho bons olhos para outras coisas também. 

Faltava-me coragem para virar e encará-lo. Respirava o mais fundo que podia tentando me concentrar nas fotos inocentes. 

— Essa foto é a que eu mais gosto. — disse ao me surpreender chegando por trás de mim e falando bem rente ao meu ouvido.  

Ele pegou um porta-retratos que estava na altura do meu peito e ficou segurando para que eu visse. Se meu sangue já estava quente somente por ter visto um pouco de sua pele, agora com ele quase me envolvendo em seus braços, ficava muito difícil disfarçar minha excitação. 

— A história por trás dessa foto é muito engraçada. Ela estava muito zangada por causa do balão de gás que perdeu no parque. Para tirar sua cara emburrada eu a convenci dar seu melhor sorriso na foto em troca de outro balão muito mais bonito do que ela havia perdido. E esse foi o resultado. 

A sua história entrou por um ouvido e saiu pelo outro. A única coisa que eu pensava era como controlar as batidas do meu coração e as pulsações em minha calça. Queria tocá-lo pervertidamente. Minha boca salivava de desejo de lamber todo seu corpo atlético. Virei-me para ele pronto para largar as fichas na mesa, precisava experimentar só um pouco da ilusão que explodia em minha cabeça. Ele me encarou entendendo perfeitamente o que eu queria. Olhava fixamente para os meus lábios, estávamos tão próximos que era possível sentir o calor da sua respiração, ele estava se aproximando quando o meu celular no bolso da calça, começou a tocar estridentemente.  

Parecia que eu tinha sido acordado de um sonho muito bom. Ele se afastou e fez menção que eu atendesse. Fiquei muito chateado por não ter deixado essa merda de celular no vibracall.  

— Alô? — perguntei com muita raiva, mesmo que fosse a Janaína, que não fazia ideia aonde eu estava todo esse tempo, eu não iria perdoá-la se eu não conseguisse outra chance como a que perdi.  

— Já está em casa?   

— Eu não acredito que é você! — respondi sussurrando indo para o outro lado da sala.  

— Eu e Luni ficamos preocupados. Principalmente ela, com sua saída súbita do jantar.  

— Avise a ela que o perigo que eu corria era ao seu lado, mas agora estou perfeitamente seguro.  — desliguei o telefone e depois removi a bateria colocando-a no bolso. 

Olhei constrangido para o Allan que me observava com curiosidade. 

— Alguém ligou preocupado? —  perguntou.   

— Foi minha amiga. — menti — Ela está dormindo esses dias na minha casa e eu esqueci de dizer que iria sair e voltar tarde. Desculpe. 

— Entendo. Realmente já está muito tarde, irei levá-lo para casa. — disse vestindo novamente o terno e pegando a chave do carro.  

Apertei os olhos tentando conter minha fúria. Eu não queria ir embora, mas também não poderia obrigá-lo a me aceitar aqui. O segui até a porta, mas, assim que abriu a porta eu fechei-a novamente. 

— Desculpe, mas eu sinto que minha ligação interrompeu algo que estava presta a acontecer. Eu gostaria muito que voltássemos para o ponto onde paramos, não tenho nenhuma pressa em chegar em casa. 

Ele não me respondeu nada, somente encarava seriamente. Mesmo sem receber sua resposta, eu fui ao seu encontro e roubei um beijo. Fiquei esperando alguma reação de sua parte que me afastasse dele. Mas nada aconteceu. Eu roubei mais um, depois outro, no terceiro fui agarrado por ele que me encostou na parede. Dessa vez, trocamos beijos calorosos, seu corpo ele deliciosamente atraente, e roçava sensualmente no meu. Fiquei feliz ao perceber que ele estava excitado comigo. Eu já havia retirado seu terno e desabotoava sua camisa quando ele segurou minhas mãos. 

 — Acho que não deveríamos fazer isso. — sussurrou ofegante. 

— Por que não? Somos solteiros. 

— Sou muito mais velho que você. 

— Eu não sou uma criança Allan. Nem um amiguinho de sua filha. Se tem medo de ter iniciativa, deixe que eu faça tudo. — respondi me ajoelhando na sua frente.  

Não dei tempo de ele me parar, muito agilmente, removi o cinto que segurava sua calça. Por baixo ele usava uma cueca box cinza que saltava como efeito 3D. Provoquei um pouco mordiscando seu pênis ainda dentro dela, olhei para ele que se apoiava na parede atrás de mim, depois abaixei a cueca junto com a calça até o meio de suas coxas e comecei a chupá-lo muito excitado. 

— Você é muito travesso...— disse gemendo.  

Folguei minha calça da mesma maneira, e masturbava-me enquanto chupava-o. A maioria dos caras que eu fiquei na minha adolescência, eram mais velhos do que eu. Mas, Allan era o primeiro homem bem mais velho. Era excitando ficar com alguém que já foi casado, tem uma filha adolescente e é incrivelmente sexy. Já estava imaginando quando sentiria seu membro em mim, quando o seu telefone celular começou a tocar. Ignoramos a ligação, mas quando ele parou de tocar e o telefone residencial começou a tocar, ele se afastou.  

— Desculpe. Eu preciso verificar essa ligação. 

— Tá. — respondi sentando sobre os joelhos no chão.  

Ele levantou a calça e foi até o telefone.   

— Oi... O quê?... Me diga o endereço...Ok, me espere, não saia de onde está. — e desligou a ligação. 

Percebi que algo havia acontecido de urgente e que nossa foda não iria mais rolar. Levantei e me vesti novamente. 

— Desculpe, a Sarah se meteu em confusão com a amiga que ele deveria estar dormindo na casa. Ela está em uma festa cheia de universitários e está com medo. Terei que buscá-la. — disse ao mesmo tempo constrangido e preocupado. 

— Eu entendo, por favor, vá buscá-la.  

— Eu preciso deixá-lo em casa primeiro.  

— Não se preocupe comigo, posso ir embora de táxi. Ela precisa mais de você do que eu. Sei muito bem me virar. 

—  Ela estará em maus bocados quando resolvermos isso. Obrigado por ser compreensivo.  

— Vamos, eu desço com você. 

Ele me deu carona até o local que ficava o ponto de táxi. Um havia acabado de sair, teria que ficar esperando o próximo. 

— Tem certeza que não quer ir comigo e depois te deixo em casa?  

— Não precisa, já já aparece outro. E também, eu não gostaria de conhecer a Sarah nessas circunstâncias. Vá buscá-la pois deve está nervosa, dirija com cuidado. 

— Tudo bem, ligo para você mais tarde. 

Depois que ele saiu, eu expirei chateado. Tudo estava contra mim essa noite. Fiquei por vinte minutos em uma praça deserta, onde só alguns mendigos me faziam companhia. Estava começando a fazer muito frio, um carro preto veio se aproximando de onde eu estava. O meu coração acelerou de medo, comecei a andar e ele continuava a me seguir bem devagar. Eu comecei a calcular minhas alternativas para fugir sem morrer, quando o vidro do banco do passageiro abaixou.  

— Pare de correr e entra logo! — gritou a voz dentro do carro comigo. 

Parei de andar quando reconheci de quem era. 

— O que você está fazendo por aqui Ayato? — perguntei pelo lado de fora da janela. 

— Eu que te pergunto. O que faz uma hora da manhã em uma praça deserta?  

— Não é da sua conta. 

— Deixe seu orgulho de lado e entre nesse carro antes que algum maluco faça algo com você.  

— Você quer dizer outro maluco, não é? Por que você é bem mais perigoso do que os malucos dessa praça. — respondi me mantendo firma no mesmo lugar. 

— Nenhum táxi virá de buscar. Eles trabalham até meia-noite nessa região. Se quiser dormir na praça é por sua conta e risco. — disse dando partida no carro. 

Eu corri atrás dele com medo que fosse verdade, ele parou meio metro de onde eu estava.  

Entrei muito chateado, ele era a última pessoa que eu esperava que me salvasse. 

— Leve-me para casa, por favor. 

— Não sou seu chofer. Irá para onde eu quiser. — respondeu. 

—  Onde está sua namorada? 

— Mais segura do que você, te garanto.  

— Vocês devem viver um relacionamento aberto, é a única explicação para largá-la em casa e correr atrás de mim. 

— Quem disse que eu corria atrás de você? 

— Como explica me encontrar aqui?  

— Azar. Estava em um fast-food quando me deparei com sua imagem no meio do nada. O seu coroa desistiu de você ou ele obteve o que queria e te jogou fora? — provocou. 

— Eu sou lixo para ser jogado fora?! — perguntei aos gritos para ele — Está me comparando com um garoto de programa? Você é muito baixo quando está com ciúmes! 

— Ciúmes? — riu — Você deseja tanto assim que eu esteja ainda na sua? 

—  Foda-se! Deixe-me aqui mesmo, tentarei chamar um Uber. — mandei tentando abrir a porta com o carro em movimento, mas ele as travou. 

— Não estou com paciência para brincar de gato e rato com você. 

— Falou a pessoa que me seguiu desde que sair do restaurante... — zombei. — Onde está seu lanche mesmo?  

— Bem atrás de você. 

Olhei para o banco de trás, e realmente tinha dois pacotes de fast-food em cima do banco. Um para ele e outro provavelmente para a Luni. 

— Pergunto-me quando você irá crescer. — começou — Todo esse tempo que te observo nunca vi uma atitude madura da sua parte. Vive sabotando sua vida com decisões toscas e reclamando de quem tenta te ajudar.  

— Sabe o que é engraçado em você? Como gosta de parecer maduro quando na verdade não passa de uma criança birrenta e mimada. Você não tem maturidade para falar nada sobre mim. Passou boa parte da sua vida procurando alguém que só viu uma única vez e que te roubou o primeiro beijo. O que tem de maduro nisso? Pode ser alguns anos mais velho, mas não quer dizer que tem o direito de me dá sermões.  

Acho que pisei em seu calo, já que não me respondeu depois disso. Dirigiu até minha casa, sai sem agradecê-lo. Antes de ir embora falou: 

— Você um dia irá se arrepender por ter desperdiçado sua vida quando sua felicidade estava bem ao seu alcance. Passe bem. — e deu partida no carro furiosamente.  

 — VÁ PARA O INFERNO! — gritei para ele. 

Assim que subi os degraus e abria a porta de casa, ouvi um barulho agudo cortando o silêncio da noite. Parecia como se um avião tivesse caído no chão em pleno voou. Congelei com a chave ainda na porta. Alguns vizinhos saíram de dentro de casa assustados com o barulho, em pouco tempo, a rua pacata estava cheia de curiosos usando pijamas. Por algum motivo eu estava com medo de virar e ir ver o que aconteceu. Tremi ao escutar alguém dizer que um carro preto havia batido em uma árvore antiga do bairro.  



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