História Ele vai voltar? - Capítulo 38


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Alexy, Castiel, Kentin, Lysandre, Rosalya
Tags Kentin
Visualizações 30
Palavras 9.238
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E foi dada a largada!

Capítulo 38 - Você não aguenta a verdade.


Fanfic / Fanfiction Ele vai voltar? - Capítulo 38 - Você não aguenta a verdade.

Adoro quando estou fingindo,
Que eu posso levar balas no coração.
Fodendo meu final feliz...
Respirando violência e amor, eu nasci em cena;
Agora isso corre no meu sangue,
Sim, você sabe o que quero dizer.
Quando eu estiver morta, eles vão cantar sobre mim?
Morta e enterrada, eles vão gritar o meu nome?
Gritem meu nome!”

Scream My Name – Tove Lo.

***

[...]

22 de novembro. – Manhã seguinte na casa de Kentin. – Terça-feira. – 5h07min.

Ao abrir os olhos e fitar o teto do quarto em que estava a primeira percepção fora de que eu não estava no meu quarto. As paredes em tons verde água não faziam parte do cenário do meu quarto também. Já a segunda fora o braço quente que me envolvia pelo tronco e o nariz levemente gelado de Kentin que roçava minha bochecha enquanto ele dormia tranquilamente com suspiros e silvos pesados.

Virei minimamente meu rosto para vê-lo melhor. Kentin tinha o semblante calmo, os lábios levemente entreabertos e aparentava que não acordaria tão cedo. Estava tão afundado no mundo dos sonhos que era uma cena deveras interessante ficar ali simplesmente o fitando. Era até meio estranho, ficar pagando papel de boba apaixonada, mas também tão gratificante.

— Nada... De pimenta. — resmungou quase ininteligível em meio ao sonho que devia estar tendo.

Odeia tanto comida apimentada que chega a sonhar com isso? Pensei ironicamente, espremendo os lábios e contendo o ar para não rir. Não era uma surpresa saber que ele falava coisas aleatórias durante o sono, na vez em que ele dormiu no sofá da minha casa quando fiz ele se sujar com chantilly, minutos antes ele falou algo sobre “Devolver seu patinete”. Foi mais hilário do que pregar a própria peça nele.

Aproveitei a visão por um tempo antes de me dar por vencida e acabar erguendo a mão até seus cabelos castanhos e começar a afagá-los cuidadosamente.

— Amor.. Acorda. — murmurei bem baixo perto do seu rosto, depositando um pequeno beijo no canto da sua boca. Que o senhor bafo matinal não estivesse presente hoje. — Tenho que ir já. — avisei, começando a me remexer para sair da cama.

— Hmmmm, não.. — negou em um longo suspiro sem abrir os olhos, apertou mais o braço em torno de mim, escondendo o rosto entre meu ombro e queixo.

— É sério, tenho que ir antes dos seus pais acordarem. Sua mãe vai pirar se for vir te acordar e me ver aqui junto. — ri levemente, mas sem tentar me soltar do seu aperto. Era tão bom ter ele pertinho.

— Já meu pai ia adorar. — fez graça, puxando o ar lentamente ao fungar meu pescoço. — A porta tá trancada, nem esquenta... — resmungava baixinho.

— É, ele aproveitaria para jogar confetes no ar, te dar mais umas cartelas com camisinhas e dizer “Vai filhão!” antes de sair e trancar a porta do quarto a sete chaves. — zombei ainda mexendo nas madeixas medianas de seus cabelos. Estavam bastante bagunçados, mas era muito bonito ainda sim.

— Engraçadona como sempre, mas até que não é uma má ideia viu. — pude sentir o sorriso convencido se formando contra a pele do meu pescoço.

— Tá se aproveitando da minha carne, tô sabendo já. — fingi reclamar, mas sem conseguir evitar que o sorriso idiota surgisse no canto dos lábios.

— Você parece gostar quando estou me aproveitando. — ironizou, triunfante.

— Ah, cale a boca idiota. — xinguei-o, começando a rir em seguir.

— Posso calar a boca facilmente se você deixar eu fazer o mesmo que ontem. — comentou alheio enquanto deslizava a mão por cima da minha barriga desnuda pela camisa parcialmente levantada, quase chegando até a beirada da minha calcinha.

Fiquei estática e muda no mesmo instante, sentindo um calafrio passar por minhas costas, braços e coxas. Engoli a saliva lentamente tentando controlar os pensamentos referentes ao que Kentin fizera antes de dormirmos.

— Perdeu a fala foi? — indagou divertindo-se da minha falta de ação.

— Não. — neguei com certa dificuldade, prendendo o ar.

— Ah, vai me dizer que não gostou quando eu desci minha boca até lá.. — contava inocentemente, afastando o rosto do meu para me olhar ainda um pouco sonolento, dedilhando os dedos pelo início da minha calcinha. — Então enfiei minha língua em você bem devagar.. E entrei e saí com ela, Lilith? — umedeceu a própria boca se aproximando do meu rosto. — Foi ruim? — questionou passando a língua devagar por meus lábios, insinuando o que fizera na noite anterior.

Aquela frase no mínimo fez meu útero vibrar e perder alguns segundos de sexo que possivelmente viria naquela manhã.

Nossa. — fechei os olhos um pouco antes de abri-los outra vez. — Acabei de descobrir que gosto de ouvir você falando putarias. — ri um tanto sem jeito.

— Isso é bom. — riu de volta, abaixando mais um pouco os dedos. Bem pouquinho mesmo. Ele fazia de propósito.

— Hm. — mordi a boca, contendo o suspiro tortuoso que queria sair.

— Posso? — perguntou insinuante e provocativo, mordiscando meu queixo com a ponta dos dentes.

Sério, como não se molhar com isso? Caralho!

— Não. — respondi rápido, negando com a cabeça.

— Hã? — franziu a testa, sem entender se tinha escutado certo.

— Eu disse que não. — ri, mostrando o sorriso mais cafajeste possível.

— Ué.. — continuou a arquear as sobrancelhas. — Tá bom então. — ele tirou a mão de perto da minha calcinha. A cara de rejeição estava a cada mínimo traço de sua feição agora.

Tive de rir antes de segurar seu braço audaciosamente.

— Hoje sou eu. — falei o mais firme possível.

— Você o quê? — indagou mais confuso do que anteriormente.

— Eu... — pigarrei, quase voltando atrás no mesmo instante. — Eu que quero fazer hoje. — falei num último ímpeto de coragem.

— Você... — afastou o rosto para me mirar estreitamente, desacreditado. — Por que disso agora? — e o sono dele sumiu completamente.

— Porque estou com vontade. — respondi rápido, já sentindo o coração acelerar. — Quero ver qual é a sensação. — admiti, jogando o corpo para ficar acima dele.

Kentin abriu a boca mostrando surpresa e incredulidade por conta da minha petulância, envergou a coluna pra cima apoiando os cotovelos na cama para ficar me fitando.

— Isso é sério..? — parecia não querer acreditar, ou achava melhor não acreditar.

— Sim. — respondi ligeiro e firme uma última vez.

— Tem certeza? — os olhos deles se estreitaram ainda mais, desconfiado, mas ao mesmo tempo parecendo gostar da ideia, dava para saber só pelo sorrisinho que começava a se formar.

— Para de perguntar tanto! — resmunguei revirando os olhos para cima. — Eu tenho certeza.

— ... — Kentin mexeu os lábios, tentando balbuciar alguma coisa mas nada saiu dali.

A surpresa no olhar e a face embasbacada dele só me trouxe mais coragem ainda de prosseguir com aquela pequena loucura. Que mal tinha afinal? Éramos namorados, nos conhecíamos desde crianças, confiava completamente nele, não havia motivos a temer, a não ser pelo fato de sermos descobertos ali, mas era cedo demais para que alguém batesse na porta... Na verdade, não havia momento mais propício do que esse.

Devagar comecei a engatinhar para trás com os joelhos sob a cama, descendo até perto das pernas do mesmo, ele fez questão de se sentar completamente para que eu ficasse de joelhos ao lado do colo dele.

Encarei a calça moletom azul-escuro de dormir que ele usava por um instante, reparando que ele já estava excitado só com a ideia do que aconteceria ali.

— Só não fica... Me encarando enquanto... Sabe... — ri sentindo o rosto esquentar no mesmo instante.

— Não posso te prometer nada. — disse descompassado, completamente sério.

— É sério... — pontuei. — É constrangedor se você ficar me encarando. — desviei o olhar.

— Tá bom. — concordou, não se importando com a condição imposta.

— Direitos iguais... — levantei minha mão passando sobre o rosto dele para que ele fechasse as pálpebras, da mesma forma que fizera noite passada comigo para que eu fechasse os olhos.

Kentin permaneceu-se de olhos fechados, dando a deixa para que eu prosseguisse. Com certo receio movi o braço, passando a palma da mão por cima da calça dele, sentindo-o completamente apertado por dentro das vestes. O moreno ficou calado, apenas inclinou um pouco da cabeça para trás, permitindo-se a sentir meu toque cauteloso.

E agora? O que eu faço?

Travei um instante, fitando o garoto de olhos cerrados logo à frente enquanto movia minha mão sutilmente por ele.

A teoria parecia tão simples, mas nem se comparava com a prática, a única coisa que eu tinha em mente é que eu não poderia em hipótese alguma usar os dentes. De resto eu era uma zero à esquerda no assunto.

Você que deu a ideia Lilith; Tarde demais para voltar atrás...

Com a ponta dos dedos fiz menção de puxar a calça dele, assim como eu fazia para auxiliá-lo, ele ergueu o quadril para que eu pudesse abaixá-la até a altura de suas coxas... junto com a cueca boxer. Engoli em seco no mesmo instante fechando os olhos por um momento, o estômago gelando junto.

Péssima ideia...

— Lilith, se você não quiser... — ainda sem abrir os olhos ele começou a falar.

— Fica quieto. — pedi rápido, sentindo os neurônios voltarem a funcionar. Ele ficou em silêncio na mesma hora.

Deixa de ser cagona, é seu namorado sua otária! Mentalizei, levando minha mão até o membro entumecido dele, envolvendo-o com as falanges da mão esquerda. Kentin mordeu os lábios no mesmo instante, encostando a nuca na cabeceira de sua cama.

Com o coração pulsando à mil, estiquei meu pescoço em direção a boca dele e o beijei enquanto fazia movimentos com os dedos pela carne quente do mesmo. Só esperava não estar fazendo papel de palhaça. Ele correspondeu o beijo no mesmo instante, abrindo e fechando a boca um tanto apressado, assim que uma boa quantidade de nossas salivas se misturaram e umedeceram nossas bocas eu me afastei, reparando que ele já estava ofegando.

Antes que pudesse perder o pouco de coragem que ainda tinha, usei a saliva que tinha na boca para cuspir sobre a intimidade dele, facilitando muito no movimento com as mãos. O suspiro dele venho em seguida, entretanto ele permaneceu com os olhos fechados como o combinado.

Puxei e soltei o ar com cuidado três vezes, mantendo concentração no que fazia, se ficasse nervosa demais era bem capaz de engasgar e passar o maior fiasco. Não seria incomum já que era minha primeira vez, no entanto era melhor evitar constrangimentos desnecessários.

Uma última vez, respirei devagar para finalmente começar a me inclinar com a boca entreaberta na direção do colo dele, fechei os olhos por instinto, como se não ficar enxergando fosse me dar mais impulso para continuar... E realmente deu. Assim que meus lábios encostaram-se nele eu abri mais a boca, acolhendo parte da pele morna sem extrapolar. Precisava ter muito cuidado de qualquer forma, caso contrário aquilo poderia virar um desastre vergonhoso.

Com a língua ainda molhada, circulei a glande lentamente, tentando sentir no paladar algum gosto diferente, no entanto era praticamente o mesmo do que beijá-lo no pescoço, bochecha ou boca, era apenas pele, só que... Em um local diferente do habitual. Kentin suspirou baixo ao sentir o contato, guiando apenas minha vontade continuar... Prossegui mexendo com a língua na mesma região por algum tempo, até que senti a mão de Kentin passear por minha nuca.

— Isso é tortura... — resmungou sôfrego.

Agora você sabe como eu me sinto... Pensei sacana, mexendo a língua enquanto movimentava a mão junto para cima e para baixo, sendo o mais ‘delicada’ possível, sabia que aquela era uma parte sensível, não podia usar força alguma.

Os minutos se alastravam vagarosamente enquanto eu continuava a fazer o mesmo processo, Kentin parecia cada vez mais inquieto, ele queria mais, aquilo realmente ficara tortuoso para ele. Usei mais saliva que saia por de baixo da língua para molhar toda a glande novamente.

— Lilith... — a voz dele estava três vezes mais grossa e repreensiva. — Eu vou acabar terminando desse jeito. — avisou ainda sem abrir os olhos.

Não evitei ao abranger um sorriso de canto, de certa forma me sentindo à vontade com a situação, ele estava completamente submisso agora, estava em minhas mãos, completamente meu. Percebi que era a hora certa de parar com os movimentos repetitivos e finalmente dar o que ele queria, o que ele precisava.

Fechei os olhos parando de lambê-lo, mantendo paciência, vagarosamente iniciei-me a abrir a boca e movimentar a cabeça para frente, usando somente os lábios e tomando todo o cuidado de não encostar a ponta dos dentes, como pensado antes.

— Ahhhh... — o suspiro vindo dele foi enorme, puro êxtase contido ali.

Era claro que eu não conseguiria chegar até o final, caso contrário me afogaria, então prossegui usando as mãos e mexendo na região perto à virilha. O atrito dos lábios contra a carne pulsante se tornou presente no mesmo momento em que comecei a movimentar o rosto para cima e para baixo, com cuidado, eu ia respirando lentamente pelo nariz, assim precavendo de não me afogar com a falta de ar ou com o que preenchia minha boca e chegava até perto da garganta.

Foi então que abri os olhos e levantei os orbes pra cima, fitando o rosto do moreno que agora... Me olhava de volta. Além de sentir vergonha, ou qualquer coisa parecida, senti mais vontade de chupá-lo. O rosto dele estava completamente afoito, entregue. Ele mal parecia acreditar no que via, era puro prazer, e vê-lo assim, fazia com que eu sentisse prazer de volta, só querendo que ele provasse cada vez mais daquelas sensações. Continuei a encará-lo, firme, quase que de um jeito maroto, por sua vez, Kentin retribuía o olhar, a linha da testa forte, os lábios entreabertos ofegando. Eu sentia que ele queria movimentar involuntariamente o quadril pra cima, ou que queria segurar meu pescoço e guiar minha cabeça, mas por respeito ele se continha, apertando suavemente meu braço, os dedos tremiam, o suor nas têmporas e sob o lábio superior começavam a se mostrarem presentes.

— Não me olha assim, senão eu não aguento. — pediu sôfrego, sendo que era previsto que eu tivesse que falar isso quando ele começasse a me olhar demais.

Em todo caso, o pedido pareceu ser o inverso do que ele realmente queria, por isso, continuei o fitando fixamente, enquanto o atrito molhado continuamente acontecia. Sem pudor, usei a mão livre puxei a dele a guiando até a parte de trás do meu pescoço, em contrapartida ele arregalou os olhos com minha petulância e com a liberdade que eu dava. A surpresa dele só me deixou mais animada, com mais vontade. Queria tanto ele...

Kentin aceitou a liberdade que recebia e com total respeito ele pressionava a ponta dos dedos na minha nuca, ajudando com os movimentos que eu fazia.

— Lilith.. — chamou meu nome, só por chamar. Eu sempre amava quando ele fazia isso. — Calma...

Assim como ele costumava fazer comigo, não lhe dei ouvidos, fazendo ainda mais pressão com os lábios nele. Kentin engrenhou os dedos entre meus cabelos e voltou a fechar os olhos com força, podia senti-lo estremecendo logo abaixo. Ele estava quase fora de si, igual à mim na noite anterior, pois podia reparar pelo jeito que ele se mordia para não fazer barulho, se podava, segurava-se ao máximo que podia.

E então, aproveitando cada resquício de prazer que exalava pelo corpo dele, eu resvalei a boca o máximo que consegui, sentindo-o quase atingir o fundo da minha garganta, rapidamente eu tirei a boca para puxar uma nova lufada de ar, sentia os olhos lacrimejando pela ânsia. Novamente, voltei com os movimentos anteriores, finalmente o pirando de vez.

— Calma, espera, ahn. — pediu inquieto, se remexendo. — Uh, é sério, cuidado, eu.. espera. — enrolou a língua, revirando os olhos pra cima. — Arg, Lilith, ér, não.. Sim. — ele não sabia o que dizer, estava no seu limite, não seguraria mais nenhum segundo. — Gah..! — gemeu baixo em um suspiro pesado mordendo a língua.

Um único jato de sêmen expeliu pelo corpo dele atingiu em certeiro o fundo da minha goela, fazendo com que eu engolisse aquilo direto sem nem sentir o gosto, tentei me manter firme ao franzir a testa, então em seguida venho outro, a ânsia foi enorme, e desta vez o gozo se espalhou pela minha boca. Tirei-a o mais rápido possível, começando a tossir, me segurando nas coxas dele. Era óbvio que isso aconteceria, mesmo tentando evitar ao máximo. Depois de conseguir recuperar o fôlego, percebi o gosto meio salgado e quente, não era ruim, só diferente, meio estranho. Não me importei, e do contrário que pensei não cheguei a sentir nojo. Era... Erótico, não tinha nada vergonhoso ali naquele local, naquela cama. Só prazer, amor.

— Tudo bem? — perguntou ele curioso, passando a mão trêmula pelo meu rosto, limpando a lágrima que escorreu pela ânsia.

— Sim. — sorri com a respiração desregular, o fitando com os olhos marejados.

— Você sempre me surpreende. — revelou balançando a cabeça repetidas vezes, todo faceiro, começando a puxar sua cueca e calça juntamente para seu devido.

— Eu nem sei da onde tirei coragem pra isso. — admiti, sentindo uma sensação estranha na boca, como se estivesse amortecida, com anestesia ou algo do gênero. Passei meus dedos pelo lábio, curiosa. — A boca fica formigando. Diferente. — comentei divertida.

Ele riu também antes de dizer:

— E eu nunca esperaria isso de você, não tão cedo pelo menos. — afirmou, ainda parecendo exausto, como se tivesse corrido uma maratona. E eu entendia, mesmo sem fazer nada, sabia como ele se sentia, o coração batia à toda, o corpo suava, batia uma nostalgia mesmo que estivesse todo o tempo no mesmo local sem mover o corpo.

— Por quê? Não vejo nada demais, na real. Sei que pelo mundo é quase um tabu, mas... Eu amo você e simplesmente senti vontade. — dei de ombros, sendo totalmente sincera.

Kentin abriu a boca, ainda apoiado na cabeceira da cama, ainda sem acreditar no que escutava, de repente, um sorriso se abriu, e ele me olhou... De um jeito diferente. Um jeito bom.

— Que foi? — sorri sem jeito, ajeitando o cabelo para trás da orelha.

— Nada... Só... Te amo também. — disse contente fazendo meu coração dentro do peito se esbugalhar junto as palavras.

[...]

No caminho para aula. – 7h12min.

Logo depois de Kentin se recuperar pela manhã, ele não deu folga, aproveitou que ainda era cedo demais e sabiamente achou um preservativo, nós dois sentimos prazer novamente, e cansamos novamente. Claro, tentamos ser breves, o que foi infinitamente difícil, já que descobrimos que fazer sexo um com o outro era gostoso demais para querer ir rápido. Em todo caso, levantamos antes de qualquer pessoa acordar, escondida eu fui até o banheiro da casa dele e juntamente escovamos os dentes e nos trocamos – eu tentei obrigá-lo a olhar para o outro lado novamente enquanto me vestia, claramente foi inútil, e no fim das contas não me importei de estar sendo vista –, após ele garantir que o caminho estava livre eu saí rapidamente pela porta da frente com ele, ambos segurando o riso por agir imprudentemente, podendo ser pegos por burrice, mas acabou dando tudo certo... No entanto, desde que saímos da casa dele, Kentin estava distraído por algum motivo. Pensativo até demais, o que era incomum, já que normalmente ele sempre estava puxando assunto.

— Eu tinha até esquecido que você ia de ônibus para a escola. — comentei para Kentin ao meu lado após alguns minutos sentada ali dentro do transporte.

Felizmente eu e ele conseguimos lugares para sentar – já que o ponto de ônibus de sua rua era o primeiro lugar a passar da linha –, era o horário de pico da manhã em que todo mundo ia para escola, trabalho e outros afazeres, não sei como ele aguentava fazer aquele caminho todo todas as manhãs. E pensar que na nossa antiga escola ficava muito mais perto para ele ir... Saber que ele fez isso especialmente por minha causa e eu não dei o devido valor na época...

— Uhum... — deu um aceno breve, entrelaçando nossos dedos mais firmemente, olhando fixo para algum ponto lá fora.

Ele ganhara no par ou ímpar para ver quem sentava do lado da janela. Sortudo de uma figa.

— Você... — tentei formular um novo diálogo, mas por algum motivo estava difícil.

— Hm? — ladeou um pouco o rosto para mim, finalmente tirando os olhos da janela.

— Você acha que vai ir bem na prova? — indaguei levantando um pouco as sobrancelhas. Não era a melhor pergunta mas vinha a calhar.

— Na verdade não. — movimentou os ombros antes de voltar a olhar para fora do ônibus de novo.

— Ata... — suspirei derrotada. Ele realmente não parecia afim de assunto.

Kentin acabara não estudando nada das anotações que levei à ele de química, pelo simples fato de que achamos algo ‘melhor’ para fazer. Tipo beber vinho escondidos no seu quarto e se agarrar depois, assim como pela manhã também.

Sorri de canto com o pensamento. É, eu realmente o amo de verdade. Não que já não soubesse, mas ele conseguia fazer eu me dar conta disso todo dia cada vez mais.

[...]

8 minutos depois...

— Espera aí. — pediu Kentin, segurando minha mão firme para que eu não saísse do lugar.

— O que foi? — levantei as sobrancelhas, achando até estranho dele finalmente ter abrido a boca para falar alguma coisa. — Temos avaliação hoje, lembra?

— Senta aqui comigo um pouco. — pediu já me puxando junto a si para que me sentasse ao seu lado no ponto de ônibus em frente à escola. — A prova é só depois do intervalo da manhã mesmo, não faz mal se nos atrasarmos alguns minutos.

— Aconteceu algo? — questionei-o ao cruzar as pernas sob o banco do ponto, pousei o cotovelo sobre o joelho e o rosto na palma da mão, fitando-o atenciosamente com a coluna levemente envergada para frente.

— Não. — negou apertando minha mão livre suavemente. — Acho que ainda não, pelo menos. — complementou parecendo incomodado com algo.

— Como assim, “ainda não”? — afastei o rosto, olhando-o melhor.

Que conversa era aquela agora? Ele tinha acordado tão bem, que bicho o mordeu de repente?

— Não sei explicar. — suspirou, passando o polegar distraidamente sobre o anel prata e róseo em meu dedo anelar.

— Foi por causa do que aconteceu hoje cedo? Porque se foi isso.. — comecei a pontuar.

— Não, não! — negou de imediato puxando minha mão que segurava para que ficasse sobre seu colo. — Aquilo foi... Hm. — desviou o olhar parecendo constrangido por tocar no assunto. — Foi... Incrível, sério. — riu suavemente.

— Ah, menos mal então. — suspirei mais tranquila. Por um instante achei que ele não tinha gostado do oral. Em que merda de assunto fomos parar?

— Deixa de ser insegura nessas coisas, paranoica. — sorriu parecendo um pouco melhor. — Você é ótima em tudo. E eu amo você, não só por isso, mas por muitas outras coisas também. — se inclinou me depositando um selinho carinhoso nos lábios. Tanto eu quanto ele não nos importamos de estarmos frente à escola e alguém ver. — Só estou com um pressentimento estranho desde que saí da minha casa.

— Que tipo de pressentimento? — continuei com as perguntas, não tinha nexo ele ter aquele tipo de sensação agora.

— Aí que tá! Não faço a mínima ideia! Só sei que sinto, e não tá nada legal isso. — abaixou os olhos continuando a mirar nossas mãos juntas.

— Depois eu sou paranoica. — sorri suavemente, tentando deixá-lo melhor.

— Lilith... — suspirou. — É sério.

— Eu sei. — fiz carinho na mão dele suavemente. — Deve ser só impressão, amor. Nós não dormimos muito também, bebemos, você de estar cansado apenas. Não precisa se preocupar com nada.

Kentin ponderou por um instante enquanto me fitava.

— Tudo bem. — acenou, derrotado. — Mas temos mesmo que ir para a aula? — perguntou mesmo assim.

— Prova da querida Delanay. — ri.

— Argh. — resmungou sorrindo fracamente. — Vamos então. — levantou-se do banco do ponto de ônibus, me puxando cuidadosamente pela mão.

[...]

9h59min. – Na sala de aula.

— Fica parado assim. — falei para Kentin, na classe ao lado, que tentava estudar química. — Isso. — sorri, quando ele ficou na posição ideal, voltando a ler as anotações.

Os primeiros períodos antes do intervalo ficaram vagos para que os alunos pudessem revisar a matéria por si mesmos, já que a prova não seria com consulta – ao menos era só de marcar, mas do que adiantaria se errássemos tudo?

Estávamos todos sozinhos, o que de fato não foi uma ideia sábia dos professores, alguns alunos faziam a maior fuzarca na sala, outros estavam desesperados estudando enquanto tinham tempo. Castiel dormia em um canto escondendo a cara por entre os braços sob a mesa – usando os costumeiros fones de ouvidos. Alexy e Rosalya não calavam a boca do outro lado da sala, de onde eu estava podia ouvir que falavam sobre a nova roupa que Rosa tinha comprado no fim de semana. Armin jogava em seu próprio mundo – como sempre – parecendo quase brigar com o PSP de tanto apertar as teclas minúsculas dele. Kim tentava estudar no meio da bagunça, Violette que estava ao lado dela, também aparentava querer fazer o mesmo, porém ela se distraia facilmente ao apertar a lapiseira e ver o grafite saindo por ela. Íris e Pryia conversavam entre si.

Ambre lixava as unhas enquanto suas duas amigas fieis – Li e Charlotte – a glorificavam que nem duas idiotas – como sempre. Bia estava perto das três, querendo se enturmar, mas como sempre, sem sucesso. Nathaniel lia o HQ que eu levara à ele – era certo que ele já tinha estudado um monte em casa. Melody sentava bem atrás dele, fingia estudar, no entanto, ela o observava em silêncio, o loiro nem se dava conta que estava sendo stalkeado. Lysandre não estava presente, o que estranhei, ele dissera que viria mesmo que fosse seu aniversário para não perder a prova. Peggy estava com um notebook sobre a mesa, provavelmente escrevendo algum artigo meia-boca – esperava mesmo que não fosse referente ao meu namoro agora oficial com Kentin. Desde a vez em que ela pôs o artigo falando sobre mim, todos que se consideravam meus amigos deixaram de falar com a menina. Ela parecia trabalhar em seu canto desde o famoso tapa que Rosalya deu nela – bem dado por sinal, lembrava até hoje do som da palma da platinada batendo na jornalista baixinha intrometida.

Bem, já eu? Eu estava sentada virada para meu namorado, as costas contra a parede da sala com meu caderno no colo, tentava desenhar Kentin, que até se divertia da situação de ter que ficar parado enquanto estudava.

Logo que eu e Kentin entramos na escola, muita gente – muita gente mesmo – ficou olhando. Nós dois nem demos atenção pra isso, ninguém importava. As coisas não eram mais as mesmas em que eu dava importância para atenção alheia. Nunca mais isso atrapalharia nós dois. Que se foda o mundo! Eu só queria Kentin e agora eu o tinha!

Claro, Rosalya e Alexy piraram quando viram a gente juntos. Quase esganaram nós dois num abraço, nos deram as felicitações e cobraram detalhes, a mesma ladainha de sempre. Castiel só deu um aceno e um sorrisinho pra mim, até ele estava de fato contente com minha recente felicidade. Ambre e suas amigas não deram um ‘pio’ sobre o assunto. Desde que Kentin voltara Ambre parecia invisível quando ele aparecia. Lembro-me de que ele contou no parque a noite quando brigamos e também nos resolvemos – pela primeira vez desde que ele voltara – que tinha se vingado dela logo depois daquele beijo – coisa que eu não fiquei para presenciar, já que estava bem pasma e desnorteada quando o vi a beijando e apenas sai correndo – mas ele nunca dissera exatamente o que fez como ‘vingança’ e achei melhor não perguntar também, de qualquer forma parecia ter adiantado, porque ela nem olhava na direção dele. O que era ótimo, não precisava de ninguém em volta dele além de mim! Isso aí!

Tive de sorrir comigo mesma enquanto sombreava o desenho com o dedo, para deixá-lo mais realista.

— Com licença. — ouvi de repente a voz rouca e calma se pronunciar, sentando-se logo a minha frente.

— Ah, oi Lys. — sorri para o platinado, tirando os olhos do papel. — Achei que não viria para a prova. — comentei, voltando a olhar para o desenho, usando o lápis agora fiz alguns riscos desformes no cabelo de Kentin para deixá-los mais bagunçados e naturais, como era realmente na vida real. Até que estava bom.

— Foi por pouco. Leigh achou que não precisaria me acordar pela manhã para ir à escola por causa do meu aniversário. Então ele foi para a loja dele e me deixou dormindo. — riu suavemente. — Ainda bem que a prova é após o intervalo. — complementou parecendo aliviado com o fato.

Eu já ia abrir a boca para desejar os parabéns à ele quando professora Delanay entrou a sala bem na hora, fazendo eu e todo o resto das pessoas calarem a boca no mesmo instante.

— Todos vocês, quero que separem bem as classes, a prova será individual, guardem seus materiais nas mochilas e deixem apenas uma caneta sob suas respectivas classes, apenas nas cores azuis ou pretas. — ordenou quando se pôs à frente do quadro negro. No mesmo instante o som de classes se arrastando e mochilas abrindo foi audível. — Após o intervalo, quero que todos deixem os celulares em cima da minha mesa. Estarei o tempo todo cuidando a prova. — avisou com seriedade, já começando a se retirar da sala naquela forma soberba de sempre.

O sinal do intervalo tocou em seguida, fazendo as pessoas se apressarem para terminar de ajeitar as mesas e poderem sair para o mesmo. Eu guardei o desenho de Kentin – ainda inacabado – dentro da mochila, junto com o estojo. Deixei apenas a caneta sobre a classe como pedido.

— Lily, quer lanchar algo da cantina mesmo ou prefere comprar algo na cafeteria perto da escola? — perguntou Kentin, enquanto me entregava as anotações de química que eu tinha emprestado.

Peguei as anotações e as guardei na mochila, colocando a mesma nas minhas costas em seguida.

— Cafeteria, com certeza. — sorri, olhando para o lado. O platinado já havia sumido da sala. — Hm, você se incomoda de ir sozinho? — perguntei calmamente. — Preciso achar Lysandre. — contei.

— Lysandre? — ergueu a fina sobrancelha castanha, indiferente. — Por quê? — cruzou os braços.

— Deixa de bobagem, seu ciumento. — ri, dando um tapinha no ombro do mesmo. — Eu preciso dar feliz aniversário pra ele. A professora Delanay entrou na sala bem na hora que ia dar os parabéns e calou a boca de todo mundo.

— Hm.. — olhou-me estreitamente, provavelmente rogando um mau agouro para cima de Lysandre só pelo fato do aniversário dele ser próximo ao meu. — Tá bom, te encontro aonde? — questionou nada feliz.

— Clube de jardinagem? — dei de ombros. Era o lugar mais tranquilo para lanchar.

— Ok, vou rápido lá. Vai querer o quê? — indagou já verificando se a carteira estava dentro do bolso da calça camuflada.

— Só um café preto extraforte e um brownie está bom. — sorri.

— Está bem. — se inclinou para me dar um selinho. — Te vejo daqui a pouco então.

— Até. — me despedi, já indo em direção à Castiel que parecia ‘brisar’ no canto do fundo da sala com seus fones. — Ô mané! — chamei-o daquele jeito propositalmente já que ele ouvia música.

— Hm? — tirou os fones da orelha quando percebeu que eu estava na frente dele, nem se dando conta de como eu o chamara. — Que que é, sem-peito? — ergueu as sobrancelhas, desinteressado.

— Viu o Lysandre? — perguntei colocando ambas as mãos sob a classe dele.

— Como é que eu vou saber? Estive aqui desde o início da manhã. — franziu a testa, abrindo a boca como se aquilo fosse óbvio. — Dã! — atenuou, só para provocar.

— Ah é?! — sorri, dando um tapa leviano do lado da cabeça dele, bagunçando seus cabelos um pouco. — Mas não quer dizer que pode me tratar assim, sem-bunda!

— Tá, tá. — deu de ombros, passando a mão no lugar em que eu tinha batido a mão. — E o Rambo, tá aonde?

— Foi comprar lanche pra gente. — contei, já sorrindo toda feliz. Devo dizer que o apelido ‘Rambo’ até que se apropriava bem. Castiel tinha cada ‘nóia’ naquela cabeça vermelha!

— Gente apaixonada é um saco mesmo. — riu, recolocando os fones novamente para terminar a conversa.

— Ow, não terminei de falar. — disse arrancando um dos plugues de seu ouvido. — Seu melhor amigo está de aniversário hoje, viu? Não vá demorar o dia todo para dar parabéns que nem fez comigo no domingo.

— Eu sei. — bufou. — Posso escutar música agora? — revirou os olhos, impaciente.

— O dia que eu morrer você vai se arrepender de ser tão indiferente quando quero conversar contigo. — fiz um drama proposital e abanei a mão, já virando de costas para ele. Tinha de achar Lysandre ainda e depois encontrar Kentin.

Andei por todo corredor principal, fui até a cantina e o segundo andar. Mas por algum motivo Lysandre queria fazer cosplay de Nathaniel e sumiu de vez!

— Você! — ouvi a voz feminina e irritante se aproximando. — Sabe aonde está Lysandre? — a loira cruzou os braços contra o peito, parecendo bem descontente de ter que perguntar justo para mim àquilo.

Ela de novo não...

— Não. — fui direta, segurando-me para não revirar os olhos. Nina era mesmo uma ‘sarninha’ das piores! — Preciso dizer que você não podia estar aqui dentro da escola?

Blé! — mandou língua, não dando a mínima. — Você é chata. — disse infantilmente. — Se você não sabe, então tchau! Preciso achá-lo para dar parabéns! Ele vai ficar tão feliz com o meu presente! — e saiu saltitando para a cantina, segurando um embrulho em mãos.

Que algum professor a visse e a tirasse da escola – como aconteceu das outras vezes. Se ela não fosse tão chata e mesquinha até diria que Lysandre não estava lá ou até mesmo diria para procurarmos juntas por ele. Mas né... Fazer o quê!

Lysandre não estava nem no porão, então achei melhor ir para o pátio procurar. Outra vez: Nada dele!

— Af, desisto. — resmunguei comigo mesma, já indo para o jardim da escola encontrar Kentin. Depois da prova eu daria os parabéns para Lysandre. — Urgh. — cruzei os braços, estava muito frio. De fato não fora uma boa escolher o jardim para lanchar, ainda mais que fazia dois dias que começara a nevar. — Bem inteligente, Lilith. — falei comigo mesma, já me sentando no muro baixo que havia no local, larguei a mochila que usava atrás dele sem cerimônia alguma.

— Lily, é você? — perguntou a voz vindo do outro lado do lugar.

— Lys? — franzi a testa, apertando mais os braços contra meu corpo, já me levantando de novo de onde estava e esticando o pescoço para ver se era ele mesmo.

— Ah. — suspirou aliviado, saindo de trás da estufa do clube e começando a vir até mim.

— Você estava escondido ali atrás? — ri da situação. Estava um frio do caramba e ele estava escondido atrás da estufa?

— Na verdade sim. Estou fugindo da Nina. — riu também, ficando de frente pra mim com as mãos nos bolsos do sobretudo preto que usava.

— Fez bem. Ela tá que nem louca atrás de você. — crispei os lábios. — Ah, e meus parabéns moço de dois dias mais novo que eu. — abri os braços lhe dando um abraço tão rápido que ele nem mesmo teve tempo de corresponder. — Desculpe, não tenho nenhum presente. — disse com um sorriso estampado na face.

— Obrigado. — sorria tranquilamente — Nem liga pra isso, só de saber que você lembrou já é ótimo. — falou realmente contente.

— Não é nada. Somos amigos. — balancei a cabeça já olhando pra fora do jardim. Não demoraria muito para Kentin voltar.

— Lilith. — chamou Lys em seguida. Não gostei muito do soar do meu nome naquele momento, ainda preferia só “Lily”, o único que parecia ficar bem falando meu nome era Kentin. — Você tem um minuto agora? — indagou mais sério.

— Hm, claro. — sorri, voltando-me com o rosto para direção dele e me sentando no muro gélido dali mais uma vez. Lembrei que no dia anterior ele queria falar sobre algo, mas acabei saindo às pressas da escola por causa da paranoia idiota com Kentin. — Aconteceu algo?

— Acho que não. — deu de ombros levemente, sentando-se ao meu lado. — Na verdade eu queria falar sobre algumas coisas com você.

— Ah é? Que coisas? — sorri simpática, arqueando as sobrancelhas sem entender.

— Bom, eu não sou muito bom procrastinando. — riu sem jeito. — Você e o Castiel agora estão um pouco afastados... Eu quero saber se.. — pigarreou, olhando para o lado e depois voltando pra mim. — Se vocês tinham algo antes?

— Quê?! — soltei uma única risada alta. — Não! De jeito nenhum! — neguei veemente. — Por que isso?

— Ah, não sei bem, vocês andavam muito juntos, principalmente desde o meio do ano até pouco tempo, eu achei que... — tentava explicar, claramente sem conseguir muito bem.

— Não, não tínhamos nada. — ri de novo. A ideia era quase ridícula. — Só não estamos nos falando com tanta frequência na escola mesmo, ainda converso bastante com ele pela internet. — sorri pacientemente.

Lysandre mal sabia que quase todo meu tempo agora era dedicado a Kentin, e que passei tanto tempo com Castiel porque ele me ajudava a superar as coisas ruins que me aconteceram. Coisas que ele não fazia ideia que tinham acontecido.

— Ah, entendo. Pensei errado então. — sorriu de canto, soltando uma lufada de ar longa e calma, fazendo a fumaça de frio sair por entre seus lábios. — Mas.. — continuou. — Não era isso que eu queria falar.

— ... — fiquei em silêncio, esperando que prosseguisse, olhando-o atentamente.

— Então.. — soltou uma risada curta, parecendo nervoso (?). — Se recorda da festa da Rosalya um tempo depois do início das aulas esse ano?

— Lembro... — respondi meio duvidosa depois de ponderar um pouco.

— Lembra do jogo de verdade e desafio? — questionou mais depressa, aparentando desconforto.

— Também... — estreitei os olhos, não gostando muito do rumo que a conversa tomava.

— Você lembra... — travou um instante comprimindo os lábios, indeciso. — Ah, deixa pra lá. — olhou para o outro lado de novo, aparentando constrangimento.

— O quê? — questionei mesmo já sabendo do que ele se referia. A curiosidade foi maior que qualquer coisa.

— Hm. — mirou seu olhar bicolor para mim de novo. — Como posso começar isso? — riu meio embaraçado. — Sabe... — pigarreou, realmente não sabendo por onde começar. — Eu nunca me fiz tão presente, já que você e Castiel estavam sempre juntos. — contou mais tranquilo novamente. — Ele até parou de conversar comigo com a mesma frequência de antes..

— Sinto muito. Roubei seu melhor amigo, não é? — desculpei-me, olhando-o compreensiva.

— Não é isso. — abriu um novo sorriso, calmo de verdade agora. — Mas como eu disse, achei que vocês tinham algo, até tinha perguntado pra ele uma vez, mas Castiel negou, como você sabe, ele não é de se abrir então achei que estivesse escondendo algo. — franziu o cenho, pensativo. — Aí eu não te rodeava por conta disso, por receio dele não gostar. Ele sempre parecia meio enciumado quando chegava perto de você. — pontuou fazendo graça.

— Ah, ele me vê como uma irmã caçula que ele não tem, por isso vive tentando me proteger. — expliquei com um meio sorriso bobo.

Castiel podia ser insuportável mas era alguém que eu admirava muito secretamente. Claro, porque se ele soubesse ia se vangloriar o resto da vida dizendo que era meu ídolo ou algo do gênero.

— Entendo.. — suspirou, agora genuinamente aliviado. — Pois então, é por isso que agora quero falar com você.

— Ué, não era só isso? — cocei minha nuca. Ele estava fazendo suspense demais pra quem tinha dito que não enrolava.

— Não. — negou, tirou as mãos dos bolsos do sobretudo e deu impulso com elas no banco para sentar um pouco mais perto. Não muito, mas o suficiente para nos deixar um palmo de distância. — Eu queria falar sobre aquele beijo na festa. — revelou finalmente sua verdadeira intenção com aquela conversa.

— Hm. — cocei a garganta. — Achei que tínhamos resolvido isso uns dias depois do acontecido. — mordi os lábios, realmente não gostando do diálogo.

Lembro-me bem de Lysandre no dia em que estava quase dormindo na sala de aula durante o intervalo e ele chegara para esclarecer o ‘mal entendido’, pedir desculpas e todo o mais. Preferi que ele voltasse a enrolar, não tinha porque desenterrar coisas de meses atrás.

— E tínhamos. — sorriu. — Eu realmente achei que tinha lhe deixado zangada na época. Mas como você disse que estava tudo bem... — Lysandre parecia tencionar o corpo, nem parecia o garoto de calma legendária que conhecia. — É... — dedilhou os dedos sobre o muro, parecendo usar as palavras certas. — O que eu realmente queria dizer é que... — parou um instante novamente. — Eu meio que não paro de pensar nisso desde então, sabe? — riu nervoso outra vez, algo nada característico do próprio. — Como você era próxima de Castiel preferi ficar quieto, mas agora... — puxou o ar dos pulmões e tateou a mão sobre o muro um pouco na minha direção com um cuidado quase extremo. — Queria dizer que eu gosto de você. — revelou mais rapidamente. — Bastante na realidade. — complementou soltando o resto de ar que tinha nos pulmões, enquanto sua pele pálida começou a corar suavemente mesmo com o frio que estava por ali.

Mas o que diabos...

Foi inevitável o estardalhaço de batimentos que meu coração começou a fazer. Meu corpo quase incitou-se para eu soltar ao menos alguns palmos de distância do banco, meio assustada. Mais surpresa que assustada.

Kentin. Foi a primeira coisa que me cruzou na mente. Ele poderia aparecer milagrosamente e salvar o dia com café e brownies. Mas o desgraçado não chegara até então, o intervalo logo terminaria e ele não dera o ar da graça. Logo agora?! Queria até perguntar à Lysandre se ele não notara o jeito que eu e Kentin andávamos agora. Se ele não percebeu que estávamos juntos como namorados. Logo hoje que eu e Kentin finalmente chegamos como namorados na escola, ele chegara atrasado para a aula. Parecia quase um complô contra minha pessoa.

— E... Eu quero muito te beijar agora. — disse constrangido, mas firme.

Decididamente eu quase engasguei com a própria saliva depois disso. Em um impulso repentino, Lysandre me puxou sem muita pressa pela nuca e tocou carinhosamente sua boca na minha, em um beijo inocente, que de fato não foi retribuído, apenas houve uma clara manifestação de surpresa vindo de mim, pois o sobressalto pra cima foi incontrolável. Lysandre segurou a parte do meu pescoço um pouco mais firme impedindo que eu virasse o rosto, me deixando mais paralisada e fazendo que uma coisa lamacenta e gelada pesasse no meu estômago.

Agora, mais assustada que surpresa, verdadeiramente petrificada, fazendo minha mente girar e o resto das palavras do platinado ainda frescas como agulhas na minha cabeça. Lysandre fora de fato sincero, se confessara puramente, abrira seus sentimentos... No entanto, eu não poderia e nem queria mentir ou fingir. O platinado se afastou, tão desconfortável quanto eu, parecendo com medo de rejeição.

O que eu faço agora?! Pensei sob o desespero. Isso significa que traí Kentin? A segunda pergunta venho como um tiro, o nervoso e medo anterior foram multiplicados infinitamente no mesmo momento.

Fala algo Lilith! Pelo amor de Deus! O cérebro gritava comigo, mas a boca não abria.

Silêncio. Olhares. Paralisia total. As palavras não saiam, a garganta parecia fechada com mil chaves.

— Sabe, não precisa dizer nada. — continuou Lysandre percebendo minha demora para falar alguma coisa ou reagir. — Eu só queria saber se aquele beijo não significou algo pra você, porque para mim significou muito. — revelou franzindo a testa inquieto, mais enrubescido que antes. — Assim como esse beijo de agora também significou.

— Agora você entende, que quando eu digo que estou com um mal pressentimento, é porque realmente estou com um mal pressentimento? — a voz de Kentin surgiu atrás de nós dois.

Meu corpo reagiu na hora dando outro salto no muro, antes de me pôr em pé, quase caindo no ato de tão assustada, os músculos dos joelhos pareciam ter virado gelatina. O coração batia tão veloz querendo sair pra fora, atravessando o peito.

— Kentin? — perguntou Lysandre, sem entender a entrada repentina dele no meio. — O que faz aqui?

— Era eu que tinha que te perguntar isso. — Kentin riu, mas estava claramente puto da vida.

— Q-quanto você ouviu? — foi o que consegui dizer com muita dificuldade, a cabeça rodava como se tivesse tomado pelo menos duas rodadas de whisky.

O moreno deu de ombros, fingindo ponderar como se realmente fosse dar uma resposta descente para a questão.

— Hm, sei lá, desde a parte do “Eu não paro de pensar nisso desde o nosso beijo e blá blá blá”. — falou impaciente, nem se dando o trabalho de dizer a frase real de Lysandre, e sim uma modificada e raivosa arremedada. — Bom! Acho que o suficiente, não é? — riu de novo, de um jeito que só me assustou mais.

— Kentin... — chamei seu nome amedrontada.

— Kentin uma ova, Lilith! — respondeu rápido nem me deixando prosseguir. — Você! — apontou para Lysandre com a mão que segurava uma sacola de plástico. — Eu já estava ligado no seu joguinho faz tempo. Sempre desconfiei, não era à toa que eu vivia dizendo pra Lilith sobre suas investidas, os olhares, os presentinhos de florezinhas! — disse em deboche, os olhos dele estavam com a mais pura e nítida raiva. — Conseguiu! Meus parabéns! — parabenizou ironicamente, quase esmagando o copo descartável de café que tinha em mãos. — Mas você Lilith... — virou o rosto novamente na minha direção, me causando um frio por toda espinha dorsal. — Isso eu não esperava de você, te juro. — balançou a cabeça, desacreditado. — Já não bastasse a história de beijo em festa não sei aonde que você não fez a mínima questão de me contar, sua falta de reação ao beijo dele foi a melhor! Sério! — arregalou os olhos, parecia um touro de tão bravo.

O platinado soltou um muxoxo ao meu lado, se dando conta finalmente do que acontecia ali.

— Eu não sabia que- — começou a pronunciar-se.

— Você cala a boca! Fica na sua! — Kentin ricocheteou sem escrúpulo algum, surpreendendo tanto eu quanto Lysandre. — Quer saber?! — trocou o olhar de mim para Lysandre rapidamente. — Que se dane vocês! — olhou diretamente pra mim, me fazendo dar um passo atrás. — Toma aqui seu café, vossa graça! — jogou o copo na minha direção com raiva, fazendo bater contra meus pés e consequentemente o líquido escuro se derramar sobre meus tênis.

— Ei! — Lysandre chamou atenção. — Veja bem como fala com ela. — defendeu-me após o ato inconsequente dele. — Lily não tem culp-

— Você realmente fala demais quando não deve! Logo você?! O mudinho educado?! — Kentin franziu a testa olhando o platinado com nojo. — Já disse para calar a boca! — não fez questão de segurar a sacola e as deixou cair no chão também, ao menos sem jogá-la contra mim dessa vez.

O sinal do intervalo tocou alto, incitando a volta às aulas novamente. Mas ninguém reagiu à isso, ninguém estava aí com isso!

— ‘Tô dando o fora! Não tenho nada mais para dizer e muito menos para ver aqui. — finalizou ainda extremamente irritadiço, saiu do jardim em passos largos com muita pressa para sumir do local.

— L-Lysandre! — olhei em desespero para o mais alto, só então notando como meus olhos estavam embaçados. — E-eu.. — gaguejei sufocada.

— Eu entendi. — franziu a testa completamente culpado.

— Sinto muito! — disse às pressas, catando minha mochila de trás do muro pequeno do jardim, foi tudo o que consegui dizer para ele antes de sair correndo em disparada atrás de Kentin. Lysandre sabia bem que eu me referia a não poder corresponder seus sentimentos por mim.

A prova de química que se fodesse fortemente! Eu não poderia perder Kentin desse jeito depois de tudo o que sofremos e passamos juntos. De jeito nenhum!

— Kentin, me espera! — gritei com a voz tremida quando passava pelo portão de entrada da escola rapidamente.

Kentin continuou andando rápido sem virar-se para mim, os braços enrijecidos ao lado do corpo com as mãos fechadas em punhos.

— Me deixa explicar! — supliquei correndo na direção dele com o braço erguido para puxá-lo assim que estivesse perto o suficiente.

— Explicar o quê?! — direcionou-se à mim agilmente antes que eu pudesse tocá-lo, os olhos vermelhos... de raiva. Tive de recuar um passo, ainda assustada, mas acima de tudo com muito medo de perdê-lo mais uma vez.

— Não é o que parece... — falei devagar, dando-me conta que fora a pior frase que eu poderia usar em um momento como esse! Mil pontos para Lilith!

— Não é o que parece? — repetiu ao erguer ambas sobrancelhas. — Sim, porque o que eu vi e o que eu escutei foi tudo coisa da minha imaginação! — banalizou desacreditado com minha fala.

— Não é isso! — neguei em emergencial. — Eu só não soube o que fazer, fui pega de surpresa, nunca imaginaria tal coisa...

— Nunca imaginaria? — passou a mão pelo rosto, tentando manter-se neutro. Estava complicado. — Eu dizendo as segundas intenções dele um monte de vezes foi “à toa”? Ou... Como você poderia imaginar que isso iria acontecer, sendo que vocês já tinham ficado antes?! Nossa, é tão “difícil” presumir uma coisa dessas, não é?! — soltou uma gargalhada seca.

— Àquela vez na festa da Rosalya foi só um jogo, um desafio, não era como se tivéssemos ficado porque queríamos! — tentei justificar, mas Kentin nem olhava para meu rosto.

— Agora entendi perfeitamente porque nas mensagens que me enviou, você não contou exatamente o que aconteceu naquela festa. Sinceramente? Você estava aproveitando muito bem na minha ausência! Não que fosse problema meu, não tínhamos nada antes, mas me esconder isso até hoje sendo que eu sempre avisava que aquele merda queria... — ele mordeu a língua, parando de falar no mesmo instante. — Esquece, perda de tempo. — olhou para mim novamente, demonstrando total desgosto, repulsa.

— Kentin... Por favor, é somente um grande mal-entendido. — supliquei com a visão completamente embaçada. As palavras dele machucavam demais. Eu era uma perda de tempo agora?

— ... — o olhar enraivado ficou apático por um instante enquanto ele iniciava a pronunciar-se: — Não quero saber, não quero ouvir. — afirmou gélido, logo a raiva tomando conta de novo do garoto que antes costumava ser tão gentil e doce. — Me deixa em paz, Lilith!

— Não. — afirmei rápido, segurando o soluço. Queria tocá-lo, mas não tinha coragem.

— Antigamente eu era seu maior objeto de vergonha, por vários motivos... Acho que agora os papéis inverterão. — seus olhos encontraram os meus. As irises verdes fluíam em... Nojo. Desprezo. — Agora eu que sinto vergonha de ter começado a namorar com alguém que não é fiel em um relacionamento. — pontuou acidamente, arreganhando os dentes impassível.

— Isso não é verdade. — neguei, não querendo acreditar no que ouvia, meus orbes começaram a arder e marejarem ainda mais. — Eu não te traí... — tentava inutilmente explicar e ele não parecia fazer a mínima questão de escutar sequer uma palavra do que eu dizia.

— Pode jogar o anel que te dei fora, você não o merece. — ricocheteou sem remorso fitando minha mão aonde ainda se posicionava o anel que havia ganhado há apenas dois dias atrás.

— Eu... — gaguejei prendendo o ar por um momento para conter o choro forte que comprimia meu peito e queimava-o ao mesmo tempo. — Não diz isso. Eu mereço sim. — insisti, colocando a mão no braço dele para que prestasse atenção no que eu dizia. Tentativa completamente falha, fora a última gota d’água.

— Não! — negou, erguendo o braço e se afastando rápido do meu toque. — É bom você não aparecer mais na minha frente, porque não quero ver seu rosto tão cedo! — avisou com uma ruga forte de raiva na testa, se distanciando mais e logo começando a ir embora.

Desta vez, não tive voz e nem forças para falar ou fazer qualquer outra coisa. Pois doeu. Doeu demais.

A cena do início daquele ano passou involuntariamente pela minha mente; o primeiro dia de aula, era muito semelhante, Kentin ia embora quase chorando e eu ficava plantada no lugar vendo-o ir embora, os dois magoados, os dois à beira do choro, entretanto, quem ouviu poucas e ‘boas’ fora eu, como se a gravidade do mundo tivesse jogado de volta o que eu merecia por tudo o que fiz à ele no passado. Como uma nova vingança. O troco por não ter lhe contado nada, por ter sido sonsa... Por não ter reagido ao beijo roubado.

As últimas palavras dele ecoavam em minha mente enquanto eu observava-o sumir do meu campo de visão completamente, sabendo que o que ele dissera sobre não me ver mais era verdade, pois em momento algum ele maneou a cabeça para olhar para trás. Sem hesitação alguma, simplesmente foi embora, porque queria, porque para ele, nada daquilo valia mais a pena. Apenas uma grande e incontestável perda de tempo. Eu o perdera para mim mesma outra vez.


Notas Finais


Música do Capítulo:
(Scream My Name - Tove Lo):
https://youtu.be/iwGDSJCbnMg


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