História Eles Valem a Pena - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama
Visualizações 2
Palavras 1.119
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - O começo de tudo


“Na virada do século
Alvorada Voraz
Nos aguardam exércitos
Que nos guardam da paz
Que Paz?...

A face do mal
Um grito de horror
Um fato normal
Um êxtase de dor
E medo de tudo
Medo do nada
Medo da vida
Assim engatilhada...”

Era exatamente assim que eu me sentia. Me chamo Cléo e mais uma vez estou vivendo o mesmo dia, não um após outro, mas sim a repetição deles.

 - Você pode me ajudar por favor?

Era uma mulher de rua, estava com a mão estendida me pedindo dinheiro. Dei tudo que tinha na minha bolsa, nada valia nada para mim. Pelo menos não naquele momento.

 - Muito obrigada moça.

Eu não entendo como essas pessoas podem ser mais felizes que eu, até descobrir o quão tiranas as pessoas podem ser. Estava chegando perto da linha de trem abandonada, sabia, pois, o cheiro de drogas entrava pelo meu nariz e a tristeza daquelas pessoas estava junta ao meu coração. Apesar disso, estar ali era o mesmo que uma terapia, eu me sentia livre para ser o que eu quisesse, esse lugar me fazia sentir mais confortável que muitas festas e até mesmo a minha própria casa.

 - Você demorou hoje, pensei que não viria

Ele é um dos motivos por eu estar aqui quase todos os dias, seu nome era Daniel.

 - Trouxe um pedaço de torta, fui eu mesma quem fez. Prove está uma delícia.

 - Eu não tenho fome agora, mas deixe aqui, mais tarde eu como.

Eu sabia que ele não iria nem sequer tocar naquela torta, ela iria servir de alimento para alguma outra pessoa. Daniel quase nunca comia o que eu trazia, penso que é efeito das drogas.

 - Eu ainda não entendo como uma pessoa como você entrou nesta vida. Você é inteligente, e sua família pelo menos parece se importar com você.

Falar de família é um pouco complicado para mim, eu não me dou muito bem com a maior parte da minha dela. Na realidade eu não sou muito fã de adultos, tão pouco os que fazem parte da minha casa.

 - Você não escolhe nada, a vida escolhe por você sem pedir permissão.

 - Falando assim até parece que não gosta da sua vida.

 - Eu não sei se eu odeio a minha vida e por isso estou aqui ou se a ama tanto que prefiro viver algo que não é real para não me matar.

Aquilo me tocou de uma maneira que a única coisa que eu fiz foi abraça-lo. Quem vê até pensa que eu tenho algo mais íntimo com o Daniel, mas ele era apenas meu melhor amigo. Passava todos os dias aqui para ir a faculdade e lá estava ele, como um cigarro na mão e olhando aquilo como se fosse algo que valesse o mesmo que um diamante. Eu passava na van, sendo aquilo que as pessoas queriam que eu fosse deixando com que elas vivessem minha vida, até o dia em que eu resolvi falar com o Dani.

 - Sua vida é igual ao casamento dos meus pais, até a aparência deles mostra que aquilo é uma farsa, mas as pessoas insistem em viver e deixá-los viver em uma fantasia.

 - Você quase nunca fala da sua vida, você é toda certinha, faz faculdade e parece ser feliz.

 - Nunca ouvi falar que as aparências enganam? Tenho medo de começar a te falar minha vida e começar a fumar um cigarro desse seu para afogar as mágoas.
 
 - Estou aqui, por mais que eu tenha escolhido essa vida não deixaria você fazer a mesma bobagem que eu.

 - É.… eu venho de uma família desestruturada, meu pai tem outra família mesmo sendo casado com a minha mãe. Moro somente com ela faz 6 anos, meu pai praticamente nos destruiu e nos humilhou, minha mãe teve síndrome do pânico e passou a me tratar como uma adulta, ela é viciada em cigarros e me sufoca com a sua ideologia. Quando estou na minha casa passo a não me sentir eu mesma. Quando eu descobri que o meu próprio pai tinha me apunhalado pelas costas comecei a desenterrar meu passado, o dia que ele quase a matou e a mesma apontou um revólver para ele, quando eu caia e ela mandava eu parar de chorar, quando eles se disfarçavam na frente dos amigos, quando ele me fazia de empregada e quando seus problemas passaram a me destruir aos poucos.

Dizer aquilo a ele foi uma das coisas mais difíceis e mais tranquilizantes, ele me abraçou muito forte, eu finalmente sentia que alguém estava querendo me proteger. Minha mãe quase nunca me abraçava, já havia meses que não falava com o meu pai. Ele era mais minha família que os outros que estavam ao meu redor, eu podia dizer que o amava.

 - Eu vejo você como uma pessoa forte, sempre vi. Você realmente se importa com as pessoas, traz roupas e comida para elas, você é nobre, mais que muita gente que anda pelas ruas com coisas caras. Eu te admiro por sofrer como todos nós que estamos aqui nesta estação de trem abandonada e não cair como nós caímos, por não abrir espaço para que seus problemas consumam sua vida e principalmente por se importar com alguém que não vale a pena como eu.

Ele estava enganado, valia muito a pena estar com ele todos os dias, não espelhava no que o Dani fazia, mas ele era bom com palavras e conversar com ele e tentar fazê-lo alguém melhor me dava alegria. Eu me sentia viva em um lugar onde a maioria estavam mortos, porque eu queria provar que eles podiam ser alguém melhor. O Daniel passou um dia sem usar nenhuma droga pesado por mim, foi a coisa mais bonita que alguém já fez para me agradar.

 - Eu queria voltar a ser criança, queria me sentir viva novamente.

 - Tenho o mesmo desejo que você, mas quem disse que não podemos ser crianças? Podemos ser o que quisermos sem nos importar com o que as pessoas vão pensar sobre nós, você tem a mim e eu tenho você.

 - Se eu te disser que você foi a pessoas mais especial que apareceu na minha vida, você acredita?

Ele apenas riu e segurou minha mão.

 - Já está na hora de voltar para casa, está ficando tarde e pode ser perigoso para você. Por favor, volte amanhã.

Eu entendi o que ele quis dizer, ele iria injetar aquelas porcarias nele. Todo dia era assim, o pai do Dani era um corrupto milionário, logo, ele tinha dinheiro para comprar aquelas drogas.

 - Eu nunca vou me esquecer de estar aqui todos os dias...


Notas Finais


Espero que tenham gostando
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