História End Zone - Capítulo 12


Postado
Categorias Naruto, One Tree Hill
Personagens Fugaku Uchiha, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Juugo, Kakashi Hatake, Karin, Konan, Kushina Uzumaki, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki, Temari
Tags Colegial, Hentai, Itakonan, Naruhina, Naruto, Nejiten, One Tree Hill, Saiino, Sasusaku, Shikatema, Suika
Visualizações 1.055
Palavras 6.851
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Escolar, Esporte, Festa, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ola pessoinhasss!!!!! Bom Jubiruba ( saku_sasu_sara) na área se derrubar é pênalti..Ops é Sack!!!! kkkkk

Enfim vamos ao capitulo esperado dessa Zona!!!!!

OBS: Capa do capítulo será colocada posteriormente, como tivemos alguns probleminhas com a postagem não queremos deixar vcs esperando muito mais tempo! Agradecemos pela paciência e aos 750 favoritos!!!!!

SACK-Esse é um dos grandes momentos da defesa, ocorre quando algum jogador consegue passar pela linha ofensiva e derrubar o Quarterback ainda com a bola na mão.

Capítulo 12 - Sack


Fanfic / Fanfiction End Zone - Capítulo 12 - Sack

Sentia o vento açoitar sua pele já que a viseira do capacete estava aberta permitindo inalar o cheiro da grama fresca.

Itachi não quis ficar para ouvir as explicações de Fugaku e Mei sobre qualquer coisa, afinal a raiva o consumia de maneira absurda que talvez pudesse ser ele atrás das grades, e naquele momento precisava consertar sua relação com o irmão, afinal Sasuke precisava dele. Apenas mandou que Mei retirasse suas coisas da casa dele e deu um ultimato ao pai para que não se aproximasse de Sasuke outra vez ou todo o acordo entre os três estaria desfeito e Homewood saberia que o senhor Fugaku Uchiha não passava de um falso moralista.

Praguejou mentalmente por ter sido tão estúpido ao concordar com aquilo, quando optou por sair de casa e deixar o irmão nas mãos da tirania do pai. Acelerou na curva seguinte, apertando o guidão em sinal de frustração.

Estava exausto de todo aquele jogo psicológico e aguentou por muito tempo servindo de filho modelo, mas era apenas o segredinho sujo de Fugaku Uchiha. Tanto que Mikoto o reconheceu como filho aos 11 anos quando fora vendido por Mei. Ninguém de Homewood saberia que na verdade Itachi Uchiha era filho ilegítimo daquele homem que pregava seu discurso moralista e agora concorria a prefeito daquela cidade. Ninguém saberia apenas se desta vez Fugaku mantivesse sua palavra, assim como Mei.

Culpava o dinheiro e o poder por ter transformado Fugaku neste homem odioso e acreditava que um dia ele entenderia o significado real da palavra amor. Acreditava que ele enxergaria os filhos de verdade sem plantar todo esse ódio e rancor, que seria um pai que tanto Sasuke quanto ele merecia. Mas ao receber aquela ligação do Hatake constatou que Fugaku Uchiha não enxergaria nada além do próprio umbigo. Sempre chamou Sasuke de tolo, mas naquele momento sentia-se o tolo por ter qualquer tipo de esperança e sentimento por seu pai.

Estacionou a moto no acostamento, procurando o contato de Sasori no celular, sentia falta do amigo nessas horas, mesmo que tivesse Gaara, ainda sim tinham coisas principalmente relacionadas ao irmão mais novo que não compartilharia com o Sabaku, afinal Gaara também era amigo de Sasuke.

Discou o número do Akasuna vendo-o cair na caixa postal. Frustrado colocou o aparelho no bolso da jaqueta, provavelmente tentaria na manhã seguinte e talvez viajasse alguns quilômetros para ver o amigo na cidade vizinha de Phoenix. Cogitou ligar para Konan, mas não queria incomodá-la com seus problemas, já havia estreitado a relação patrão e funcionária e permitido Konan saber coisas sobre sua vida além da conta. Passou as mãos no cabelo decidido, sabia aonde iria para extravasar e refrescar suas ideias.

[...]

O cheiro de bebida e tilintar das bolas de sinuca eram um som agradável, assim que passou pela porta buscou com o olhar o amigo de longa data. Kisame era seu amigo de faculdade e garçom do pub Foxwood localizado no subúrbio da cidade, mas precisamente no bairro de Konan.

Kisame é um homem corpulento com traços rústicos e dentes pontiagudos que se assemelhavam a uma mandíbula de tubarão. Sorriu na direção do amigo que devolveu o gesto com um menear de cabeça e aproximou-se do bar se acomodando nas cadeiras dispostas uniformemente.

— E aí Itachi, o de sempre? — ele riu encarando o Uchiha enquanto esfregava a enorme caneca de chopp. Itachi apenas assentiu, observando em seguida o líquido amarelo coberto pela espuma branca. — Aqui está. — empurrou a caneca na direção de Itachi que sorveu o líquido com agilidade. — Iria perguntar se está tudo bem, mas vejo que minha pergunta já foi respondida. Problemas no paraíso? Papai Fugaku apronta novamente?

Itachi encara o homem e solta uma careta desgostosa, fora ali pra esquecer o pai, relaxar um pouco e pensar numa forma de se aproximar de Sasuke. Balançou a cabeça em negativa, mirando a mesa de sinuca, talvez uma partida caísse bem. Voltou os olhos para Kisame que ainda aguardava uma resposta do Uchiha.

— Nada com que tenha que se preocupar meu amigo! — riu de canto. — Nem vou beber muito, estou pilotando e não quero causar acidentes, vim mais para jogar uma sinuca e relaxar, afinal tem tido muito trabalho na oficina. — Itachi sorriu, colocando a caneca sob o balcão e pensou que quanto menos pessoas souberem de seus problemas, menos especulações sobre sua vida seriam geradas.

Afastou-se até os banheiros, prestando a atenção total na mesa esverdeada, tanto que nem percebeu ao esbarrar em algo macio. Num reflexo acudiu o corpo que entrara em choque com o seu, preparava para pedir desculpas formalmente quando o cheiro inebriante de flores silvestres invadiu suas narinas, fazendo-o constatar ser uma mulher. Sorriu de canto a reconhecer a figura que durante anos de sua adolescência foi palco dos seus sonhos mais pervertidos.

Estava ali na sua frente ninguém menos que Samui Thompson, sua professora de História Americana, tão deliciosa como ele lembrava-se. Os cabelos loiros curtos destacando seus astutos olhos azuis a lhe fitar; era um pecado em forma de mulher do tipo que ele mais amava, as maduras.

A saia lápis acentuava as curvas que nem o tempo foi capaz de diminuir, a blusa social demarcava o belo par de seios avantajados que pareciam querer escapulir se não fosse por aquele botões, a boca carnuda pintada de carmim e as unhas longas delicadamente acetinadas, faziam seu membro enrijecer. O que ele não daria por uma noite com ela.

— Senhor Uchiha? — ela o reconhecera, desenhando seu um sorriso malicioso nos lábios. — Há quanto tempo!

— Realmente bastante tempo, mas confesso que ele foi muito generoso com você. — ele sorriu malicioso, passando a língua sob os lábios desenhados. A mulher sorriu se afastando lentamente das mãos do Uchiha atreladas a sua cintura.

— Não sabia que esse tipo de lugar lhe agradava, sra. Thompson. — Itachi encarou, avaliando-a dos pés a cabeça.

— Srta. — ela o corrigiu. — Me divorciei há três meses. — Itachi arregalou os olhos surpreso com a confissão.

— Poxa. — ele pausou, passando as mãos nos cabelos. — Tão recente, eu sinceramente não imaginava… — ele proferiu desconfortável.

— Não tem problema. — ela esboçou um belo sorriso na direção do Uchiha que sentiu seu amigo dar sinal de vida mais uma vez. — Se estiver com um tempo me pague uma bebida e podemos colocar o papo em dia, huh? — ela arqueou uma sobrancelha loira divertidamente.

— Perfeito. — Itachi não poderia sentir-se mais sortudo e com a certeza que hoje realizaria seu sonho de adolescente.

[...]

— Então quer dizer que eu era seu pior aluno? — ele ria da confissão da mulher a sua frente.

Sentaram-se num canto recuado do aconchegante pub sobre as olhadelas e sorrisos maliciosos de Kisame. Itachi relembrou suas peripécias nas aulas de História e confessou sua paixonite por ela o que rendeu muitas gargalhadas de ambos. Samui era uma mulher vivaz e independente, tinha um ótimo senso de humor coisa que chamava a atenção de Itachi. A loira confessou ao Uchiha que depois de 15 anos de um casamento fracassado resolveu aproveitar o que a vida tinha a lhe oferecer, seja sexo casual ou um bom papo de bar o que deixou o Uchiha mais do que tentado a levá-la para cama. Samui bebericava seu vinho enquanto Itachi mantinha-se na água com gás, procurou ser prudente estava tarde e um pouco distante de casa e caso conseguisse o seu propósito queria gravar cada detalhe daquela mulher devoradora de homens.

— Não vai mesmo beber? — Samui inquiriu divertida. — Lembro-me bem da festa de formatura onde fiquei com o senhor na enfermaria por ter bebido além da conta o ponche batizado. — ela riu, enrugando o pequeno nariz.

— Pois é. — ele a encarou. — Estou de moto e um pouco longe de casa… E aquela história, bebida e direção não combinam. — ele bebericou mais um pouco de sua água, pois sentia a garganta seca.

— Muito prudente. — ela aproximou-se, apoiando o rosto em ambas as mãos. — Mas confesso que adoraria montar na sua garupa. — soando maliciosa.

— Espero que não seja só na minha garupa que você queira montar. — ele aproximou seu rosto tocando seus narizes.

— Se seu pau estiver disponível, com toda certeza adoraria montá-lo. — Samui passou a língua sob os lábios de Itachi lentamente, esperando uma reação.

— Na minha casa ou na sua? — o Uchiha por sua vez capturou aquela boca carmim reivindicando-a para si, num beijo avassalador.

✰✧✰✧✰✧✰✧

Kushina se aprumou ao lado de Minato, encarando os três seres humanos sentados no sofá. Um com a cara mais franzida que a outra. A ruiva controlou sua raiva e a imensa vontade de dar petelecos e chineladas, optando pelo bom sermão. Na hora que abrira a porta e vira aquele caos, soube que Sasuke Uchiha trabalhando no Kurama não seria nada fácil.

— Vocês acham que isso aqui é o quê? Não sei vocês, mas me encontro na minha casa e não no MMA, seus palermas. Onde já se viu uma coisa dessas? Minato, diga alguma coisa antes que eu arranque a cabeça de um. — disse a Uzumaki, batendo no braço do marido que suspirou, pacientemente como sempre.

Kushina viu quando Sakura passou as mãos pelos cabelos bagunçados, ainda petrificada no meio dos dois marmanjos, parecendo prestes a gritar ou algo do tipo. Naruto e Sasuke estavam com aquelas caras de adolescentes birrentos — que a ruiva odiava com todas suas forças —, com braços cruzados e machucados pelos rostos. Kushina não sabia se ria ou chorava… ou batia.

— Crianças, nós todos sabemos que vocês têm seus problemas. Eu e minha amada esposa pedimos carinhosamente que os resolvam na base da conversa e de preferência… não aqui. — proclamou o loiro mais velho como o verdadeiro Senhor Paciência que era.

— Só quero dizer em minha defesa que eu tentei separá-los. — disse Sakura, coçando os olhos, parecendo cansada.

Kushina suspirou, observando seu pé esquerdo descalço. Ela estava realmente tentando ser racional aqui, uma mãe compreensiva e calma. Como naquele vídeo-tutorial que ela estava vendo esses dias no YouTube. Mas era difícil quando se tinha Naruto como filho.

— Não quero saber de quem tentou separar, de quem começou, de quem terminou, a razão dessa palhaçada toda… Eu não quero saber DE NADA! Quero que peçam desculpas um para outro e como dois robôs vão dizer “nunca mais quebraremos sua casa novamente, Rainha Kushina!” — replicou a Uzumaki, apertando os olhos e abrindo os braços.

Minato deu a ela aquele olhar, dizendo com os olhos o que ele basicamente queria gritar todo dia: “você está enlouquecendo, querida, vai com calma”, mas Kushina o ignorou, encarando os estilhaços dos seus vasos no chão.

Naruto parecia bravo, mas também parecia temer pela própria vida. Ela podia farejar o medo do filho, mesmo que pequeno. Sasuke parecia… bem, Sasuke. A única coisa que realmente estava incomodando eram os machucados.

— Vocês são uns imbecis mesmo, hein. Tanta coisa melhor pra fazer! Ai que raiva. Não entendo adolescente, na minha época não era assim. — disse a ruiva com o cenho franzido, vendo Sakura revirar os olhos.

— “Na minha época…” — murmurou a rosada, entediada.

— É, na minha época, dona Sakura. Vá cuidar dos machucados do menino Uchiha, enquanto eu cuido desse aqui. — ordenou Kushina, apontando para Naruto. — Não acredito que esperei nove meses para nascer uma coisa dessas.

— A Sakura não pode cuidar desse cara! — Naruto levantou do sofá indignado e apontou para Sasuke. — Ele quer o corpo dela nu!

O Uchiha fez a cara mais ofendida do mundo, mesmo que fosse a mais pura verdade. Não queria que achassem que era algum tipo de tarado.

— Repete o que disse! — Sasuke ameaçou também levantando do sofá.

Sakura bufou, gemendo de tédio logo em seguida. Minato massageou as têmporas, recitando um mantra e Kushina inflou as narinas, raivosa.

— Só por cima do meu cadáver! Naruto, você vai sentar essa sua bunda aí e a Sakura vai cuidar do Sasuke sim, porque EU estou mandando. Minha casa, MINHAS regras. Ou é isso ou você pode ir dormir lá fora. — atemorizou a Uzumaki, apontando o dedo para o loiro mais novo que, relutante, se sentou novamente.

Kushina acenou para a rosada que se levantou do sofá, empurrando o Uchiha em direção às escadas.

— Eu vou pegar a caixa de primeiros socorros. — murmurou Minato, sumindo da vista da ruiva que encarou o filho.

— Eu te amo, Naruto, mas às vezes dá vontade de te matar. Só um pouco. — sussurrou Kushina, estalando um peteleco na testa do loiro.

— Poxa mãe, eu não tive culpa! — protestou, esfregando a testa. — Ele é um idiota e ainda por cima tava se engraçando pra cima da Sakura. Eu não podia deixar isso acontecer. — explicou enquanto fazia aquele olhar que quando era pequeno derretia o coração de Kushina.

A Uzumaki sorriu, aquecida. Ainda estava com raiva e bastante ressentida por seus lindos vasos chineses, mas o amor por seus filhos era maior.

— Sua irmã sabe se cuidar, Naruto. Ela já é grandinha o suficiente, e nós dois sabemos disso. Aliás, quanto a Sasuke, as pessoas merecem segundas chances. Não estou falando para você aceitá-lo com beijinhos no rosto, abraços e carinhos, estou falando para que mantenham respeito entre si, apenas. Principalmente debaixo do meu teto e com os meus vasos chineses. — rumorejou Kushina, acariciando os cabelos do filho.

A ruiva sabia que essa empreitada entre os dois — os três — tinha muito chão pela frente ainda.

— Ok, ok… — resmungou não tendo realmente intenção de aceitar aquilo. — É só ele parar de comer a minha irmã com os olhos que ninguém mais se machuca. — acrescentou em voz baixa logo em seguida.

Kushina revirou os olhos, tendo quase certeza que seu sermão não valera de nada.

✰✧✰✧✰✧✰✧

Sasuke subiu as escadas seguindo Sakura. Ela o conduziu até o banheiro, pequeno, mas extremamente organizado e limpo. Não sentia dor nos machucados, já mais que acostumado com as pancadas dos treinos e dos jogos, então tudo o que pensava era na situação bizarra que estava vivendo. Estava no banheiro com Sakura, mas ela não parecia interessada em nada além de cuidar de seus machucados, já cutucando sua testa com um pano molhado para limpar um pouco do sangue.

Fora a presença dela, também estava sem saber como agir com a bronca que havia levado. Desde a morte de sua mãe ninguém havia se importado o suficiente para dar um puxão de orelhas daquele, bravo, mas de certa forma preocupado. Vendo aquela casa e aquela família tão harmoniosa em sua própria bagunça, fez com que sentisse saudades de um tempo que nunca mais voltaria.

— Só o remédio está bom, em casa eu faço um curativo nisso. — falou ao vê-la separar os itens tirados de dentro de um kit de primeiros socorros.

Sakura congelou, encarando o Uchiha nos olhos, tentando lê-lo de alguma forma. Não sabia como lidar com aquilo, sinceramente. Seu irmão estava vendo coisas, certo? Sasuke não parecia remotamente interessado nela. Ouvira que ele terminara com Temari, ou seja, o Uchiha se tornara o solteiro mais cobiçado do pedaço, mas mesmo assim não parecia encaixar. Ah, ela não queria pensar naquilo agora.

— Tem certeza? — perguntou a rosada, encarando o machucado com os olhos estreitos, evitando o olhar do Uchiha.

— Sim, já tô acostumado com essas coisas. — explicou dando uma olhada por cima do ombro dela, vendo sua imagem no espelho. Um puta estrago!

Sakura suspirou, cruzando os braços, não sabendo o que dizer.

— É… vocês são uns idiotas, sabia? Aconselho você pedir desculpas a minha mãe, porque ela vai passar o resto do ano remoendo sobre esses vasos. E ao Naruto também. Os dois erraram rude! Duas crianças. — bronqueou a Haruno, franzindo o cenho.

— Mas não foi minha culpa! Pelo menos não dessa vez. — defendeu-se incomodado. Não se sentia confortável para ir pedir desculpas para a senhora Uzumaki, e o mundo poderia acabar antes dele se desculpar com Naruto.

Sakura revirou os olhos, coçando o couro cabeludo, sem paciência. Talvez a culpa maior tenha sido dela no final das contas. Não deveria ter convidado Sasuke pra entrar, sabendo que Naruto poderia chegar a qualquer momento. Seria muita ingenuidade da parte dela acreditar que os dois iriam se abraçar e cantarolar o hino do time quando se encontrassem. Seus pais eram adeptos a filosofia da “as pessoas merecem segunda chance”, e talvez ela também. Mas para Naruto as coisas eram diferente. Sasuke quase acabara com a chance do loiro de ingressar na equipe, ou seja, o caminho para seu maior sonho.

Era pedir demais para Naruto engolir aquilo.

Porém essa parte de “ele quer o corpo dela nu” já era viagem total, certo?

— Acho melhor você ir pra casa, Sasuke. Está tarde. Vou chamar um Uber pra você, ok?

— Não precisa, vou andando mesmo. — não podia deixar ela saber que estava economizando o máximo possível agora que não contava mais com o dinheiro de Fugaku.

Sentia saudades de seu carro e de poder pagar as coisas sem pensar nos preços, mas com a carteira vazia do jeito que estava não podia mais ficar de luxos por aí. Mas é claro, isso não seria nada impressionante aos olhos de uma garota que estava interessado.

Sakura suspirou, resignada.

— Você e Naruto vão ter que pagar minhas cinco sessões de ioga. Meu estresse de hoje a noite extrapolou todos os limites possíveis. — resmungou a rosada, abrindo a porta do banheiro.

Antes de sair, Sakura parou e se virou para o Uchiha, sorrindo contida.

— Já sei uma forma melhor para o pagamento pelo meu estresse. — a rosada riu, macabra. — Boa noite, Sasuke. E até amanhã… no Kurama.

Sasuke teve um mau pressentimento quanto a esse pagamento, mas ao mesmo tempo estava ansioso para ganhar mais dinheiro e também para ficar mais um tempo ao lado de Sakura, que a cada momento se mostrava mais interessante.

[...]

Sasuke chegou em casa apreensivo com a reação de Kakashi ao ver seus machucados. Havia recebido ordens expressas para manter-se longe de qualquer confusão, e logo em seu primeiro dia de trabalho voltava todo quebrado.

Fechou a porta da frente com o máximo de cuidado que conseguiu e deu uma espiada na sala, onde a televisão estava ligada. Para sua sorte o Hatake dormia profundamente, roncando e com um livro de capa laranja caído no peito.

Suspirou aliviado e sem fazer barulho foi até o banheiro. Não era muito espaçoso e o chuveiro nem sempre esquentava, mas a ducha foi super bem-vinda apesar do ardor dos machucados.

Ficou por um tempo em baixo da água, pensando sobre sua má sorte. A única garota que havia lhe interessado após o desastre que foi seu namoro com Temari tinha que ser irmã do insuportável Uzumaki.

Seu azar definitivamente não conhecia limites.

Vendo os dois lado a lado mais cedo nunca ia imaginar que possuíam aquela ligação. Não se pareciam em nada tanto em personalidade, quanto fisicamente. Enquanto Naruto era feio que lhe doía aos olhos, Sakura era, por falta de palavra melhor, gostosa pra caralho.

Porém, como ia chegar nela sem lembrar-se de quem era sua irmã? Valeria a pena aguentar o insuportável Uzumaki por ela?

Custou para se livrar do tormento que era seu namoro anterior, agora tinha que pesar os prós e contras, e ver se ia encarar essa dor de cabeça.

— Mas que merda. — xingou frustrado e desligou o chuveiro.

Pescou uma toalha do suporte e secou o corpo antes de vestir uma roupa confortável. Tudo o que queria era esquecer aquele dia horrível e dormir.

Nunca em toda sua vida havia imaginado que trabalhar era tão cansativo.

Parou na pia para escovar os dentes e aproveitou para dar uma olhada no estrago feito em seu rosto.

— Filho da puta. — resmungou, vendo o corte no supercílio e o queixo um pouco roxo dos socos.

Puxou o kit de primeiros socorros do armário e fez o que foi possível para melhorar aquilo. Nem reparava mais na dor, já mais que acostumado por conta dos treinos e, infelizmente, da convivência com Fugaku.

Um bocejo alto deixou seus lábios após colocar o band aid sobre o corte, e o cansaço pelo longo dia de trabalho bateu forte.

Foi secando os cabelos até a parte externa da casa e pendurou no varal para secar. Admirou por um momento o céu estrelado e escutou os vizinhos discutindo. Ainda era estranho esse tipo de coisa para ele, visto que quando morava na mansão Uchiha era como se nem existissem casas ao redor, tamanho era o silêncio e tranquilidade. Mas em compensação a solidão era tão grande que não era algo que valia a pena.

Deixando o quebra-quebra de seus vizinhos para trás, voltou para dentro de casa e encontrou coberto com um pano um prato com a janta. Esquentou no microondas a comida simples, mas gostosa e foi para sala. Kakashi permanecia na mesma posição, a boca agora ligeiramente aberta por onde roncos mais altos saiam. Achou graça, principalmente ao ver que um pouco de saliva escorria, mas deixou o prato na mesa de centro e recolheu o livro esquecido com cuidado, puxando em seguida uma manta que ficava ao lado para cobrir o Hatake e deixá-lo mais confortável.

Nunca conseguiria pagar Kakashi por tudo que ele estava fazendo. Sua admiração por aquele homem era maior ainda agora.

Na televisão passava uma reprise da final de um campeonato, um touchdown do caralho havia acabado de ser marcado e Sasuke sentou satisfeito em seu sofá cama para assistir, enquanto dava boas garfadas naquela comida recém-esquentada.

A sala era pequena, a televisão não era tão grande como a que tinha em seu quarto e, para completar, ainda tinha a sinfonia de roncos de Kakashi, mas Sasuke nunca se sentiu tão em casa como naquele momento.

✰✧✰✧✰✧✰✧

Ino tinha faltado às aulas naquela semana. Fez questão de desligar o seu aparelho celular e se desconectou das redes sociais. Foi uma semana daquelas, a descoberta do seu nada comportado crush e Temari que a prendeu no armário. Era muita informação na cabeça dela, principalmente aquela do Sai.

“Se quiser realmente saber quem eu sou, me encontre nas docas às oito.”

Ela não foi naquele dia e remoeu isso por toda semana.

Quem ele era…

Não precisava ser um gênio para saber que ele era problema, do tipo que sua mãe falaria para ficar longe, mas de alguma forma em sua mente aquilo soou atrativo. Sai tornou-se ainda mais fascinante. A ideia de mexer com o perigo que antes era totalmente excluído de sua mente, foi ficando cada vez mais chamativo.

E sem mencionar o bônus: Ele daria um jeito na megera da Temari.

Ino já estava cansada das maldades da líder com ela e com outras, aquilo uma hora ou outra tinha que terminar. Tinha que parar de ser a garota dos contos de fadas, esse título só servia para ela ser pisada e feita de capacho pelos os outros.  

Pobrezinha, precisava deixar ser a bobinha.

Olhou no relógio do seu quarto, estava próximo das onze. Ela vestiu o seu casaco preto de frio da Gap. Fez um rabo de cavalo em seu cabelo e abriu a janela do quarto, do outro lado viu que Sai já se preparava para sair de casa e pegaria o carro da mãe dele.

Ino equilibrou-se pelo o telhado e a calha, desceu pela escada que o seu pai usava para subir e limpar o telhado. Viu que Sai ligara o carro e ela correu para tentar acompanhá-lo, não poderia passar daquela noite.

O carro do moreno não estava em alta velocidade, mas ele quase não conseguiu frear o carro, parou a poucos centímetros da garota.

Ele saiu do carro.

— Você está louca? Eu quase te atropelei.

— Eu quero saber quem você é! Ainda está disposto a me mostrar?

Sai deu um meio riso de lado contido.

— Eu não sei, Ino. Eu sou errado… — ele começou e ela o cortou.

— Eu sei que você é problema, e eu quero isso. Estou cansada do que fazem comigo, eu quero matar essa Ino boazinha que existe e acho que você pode me ajudar nisso.

Sai ergueu a sobrancelha um pouco surpreso. No entanto desconfiando da súbita mudança da garota.

— Não acredita em mim? — perguntou.

— Talvez. — ela deu um passo na direção dele se aproximando de sua boca, colocou a palma das mãos no rosto dele e deu um beijo de leve no lábio inferior e em seguida beijou-o de uma forma provocativa com toda coragem que estava dentro dela. (Havia um tempo que tinha treinado aquilo.)

— Eu não estou brincando. — disse, indo até o carro dele e abriu a porta do carona. — E então bad boy, para onde você vai me levar?

✰✧✰✧✰✧✰✧

Tomavam café no mais absoluto silêncio, Kakashi resolveu suspender as aulas extras dado aos últimos acontecimentos; prisão de Sasuke, novo emprego do seu pupilo e a briga entre Sasuke e Naruto no último sábado.

Observava o Uchiha e a forma desleixada de sentar, por vezes lembrava-se de como era quando menino, aquele típico bad boy que arrancava suspiros das menininhas. Riu internamente, vendo o leve corte no supercílio de Sasuke e não deixou de pensar que por mais que fizesse ou orientasse o temperamento do Uchiha era algo imutável.

— Está sem fome, Sasuke? — apoiou a xícara na mesa. — Está há três minutos rebolando essas torradas no prato! Lembre-se que temos as aulas-castigo agora pela manhã, treino a tarde e Kurama à noite, tem que se alimentar bem se não quiser cair doente. — encarou o jovem de cabelos negros.

— Eu sei. — resmungou antes de dar uma mordida sem vontade na comida. — Mas queria mesmo era voltar para cama, odeio acordar tão cedo assim.

— As segundas também não são as minhas favoritas e acordar cedo muito menos, mas a vida não para, então mexa esse traseiro que ainda temos um caminho longo e a pé, ou você esqueceu que estou sem carro? — arqueou a sobrancelha levantando-se em seguida, mas pausou não esperando a resposta de seu aluno. — Talvez você devesse saber, e quem sabe isso não lhe dê uma injeção de ânimo, recebi uma ligação hoje cedo do delegado Hashirama, informando que seu caso foi arquivado, justamente porque a queixa foi retirada. — viu quando o Uchiha parou de mastigar. — Então Sasuke, só te digo uma coisa, cuidado com o que tem por trás dessa bondade do seu pai, tem sempre um propósito. Agora vamos, antes que cheguemos atrasados.

Sasuke ficou em silêncio, encarando o prato com meia torrada comida, enquanto escutava Kakashi se retirar da mesa. Por mais que estivesse feliz em saber que a queixa havia sido retirada, e que suas chances de bolsa em uma boa universidade com uma futura carreira profissional não foram definitivamente estragadas, concordava com o Hatake. Fugaku nunca fazia nada sem um motivo, e nunca era algo bom. Talvez ele esperasse que assim voltasse para casa, agradecido pela gentileza e arrependido de seus atos, ou então tivesse algum interesse no futuro dele como jogador profissional, nunca saberia ao certo, mas para o azar do Uchiha mais velho não pretendia se submeter mais a tortura que era viver naquela mansão. Dormindo no sofá de Kakashi, trabalhando na lanchonete e tendo que acordar cedo todos os dias era uma rotina bem melhor do que qualquer coisa que viveu ao lado daquele homem que deveria ser seu pai.

[...]

Encarava as carrancas desgostosas de ambos, Sasuke e Naruto. Tinham algo muito em comum na opinião do técnico dos Raposas, eram dois birrentos incuráveis. Sorriu maquiavélico pelo lampejo que tivera, daria aqueles dois uma lição inesquecível.

Quando resolveu a temática da aula, ou a segunda regra estipulada por ele para o bom funcionamento do time, cogitou algumas dinâmicas, mas nada lhe apetecia a ponto de causar um impacto mais profundo naqueles dois alter egos gigantescos, apesar de Naruto ser mais maleável que Sasuke, mas ainda sim era notório os julgamentos que ambos acometiam um ao outro. Então a ideia surgiu, porque não afetar onde mais doía aqueles cabeças duras? O orgulho.

Pegou a pequena caixa de papelão sob o olhar atento dos dois emburrados. Naruto como mais curioso e fixou seu olhar nas mãos do Hatake, que para sanar sua curiosidade se aproximou.

— Bom, hoje a dinâmica é um pouco diferente, espero que não tenham nojo de insetos, porque farei uma brincadeirinha com um deles. — riu para Sasuke. — Uchiha se aproxime mais. — ele pediu a Sasuke que prontamente o fez. — Uzumaki estenda sua mão.

Mesmo desconfiado, Naruto não demorou a estender a mão, olhando de Sasuke para Kakashi. O Uchiha não tinha nojo de insetos e essas frescuras todas, mas não admitiria em voz alta que estava feliz pelo Uzumaki ter ido à frente. Não era muito tolerante com surpresas.

— Esse inseto não vai me picar, não é treinador? — o loiro perguntou com os olhos grudados na caixa.

— Are, Naruto! Não diga asneiras. Como uma pequena formiguinha vai te machucar? — Kakashi riu, sendo acompanhado pelo Uzumaki. — Aliás, depois gostaria de saber como ganhou esse belo olho roxo. — viu o sorriso de Naruto esmorecer e encarou o Uchiha. — Deve ser no mesmo lugar que o Sasuke ganhou aquele curativo no supercílio. — gargalhou, observando as carrancas se formarem no rosto de seus dois alunos. — Chega de papo. — colocou a formiga na palma da mão do Uzumaki. — Segure, mas não aperte, senão você vai esmagá-la.

Naruto acenou com a cabeça, distraído, mantendo a mão aberta mas aproximando logo a outra para fazer a formiga passear entre elas. Sasuke balançou a cabeça e torceu em pensamento para que o Uzumaki derrubasse o inseto e levasse uma bronca de Kakashi.

— Muito bem, agora Naruto você poderá escolher qualquer parte do corpo do Sasuke e colocar essa fofinha formiguinha. — Kakashi zombou. — E quanto a você Sasuke, quando Naruto fizer o que orientei, deverá pegá-la e fazer o mesmo com ele, parece uma dinâmica boba, eu confesso, mas garanto que tem tudo a ver com o tema principal de hoje. — ele os encarou. — Lembrando que depois de feito, a dinâmica ainda não acabou e consequentemente haverá uma prenda para os que se recusarem a efetuá-la, capisco? — piscou para os dois, malicioso. — Terão que lavar os uniformes do time pelo resto da temporada, fui claro? Os dois terão que realizar o feito, porque se apenas um o fizer o outro também terá que cumprir a prenda, afinal um time que ganha junto, perde junto.

Lavar o uniforme do time era uma tarefa cruel. O cheiro que tudo tinha logo após os treinos, e principalmente dos jogos, era insuportável. Mesmo com suas diferenças, os dois se olharam e silenciosamente concordaram que não queriam ter que passar por aquilo.

Naruto olhou para o pequeno inseto que andava pela palma de sua mão e depois olhou para o Uchiha que estava lá parado, com os braços cruzados e a cara de bunda de sempre. Estreitou os olhos azuis, pensando onde poderia colocar a formiga e de quebra perturbar um pouco aquele idiota.

Como parecia ser um costume, viu quando Sasuke passou uma das mãos pelo cabelo. Aquele tal cabelo cheio de frescura que as garotas adoravam comentar, mas que para ele era tão feio quanto o dono.

— Vamos lá então. — falou bem humorado e deu alguns passos na direção do Uchiha, sorrindo um pouco maldoso ao ver o olhar normalmente desinteressado dele mudar para apreensivo. — Vai lá formiguinha. — e simplesmente jogou o inseto em meio aos fios negros de Sasuke.

— PORRA NARUTO. — o Uchiha na mesma hora esbravejou, sacudindo a cabeça em direção as mãos abertas, tentando pegar o maldito inseto de volta.

Por ele que caísse na grama, mas aí Kakashi ia encher o raio do saco porque estragou a atividade. Não estava com paciência para aquilo.

Por fim, em meio às risadas escandalosas do loiro, conseguiu recuperar a formiga. Viu o inseto meio atordoado andar em suas mãos e olhou para o outro, que tinha a boca escancarada, rindo sem parar.

Idiota, filho da puta e todos os outros xingamentos que conseguiu lembrar. Sem pensar muito a respeito do que faria ou em suas consequências, foi em direção ao Uzumaki e de uma só vez enfiou a mão no rosto dele, tampando a boca e fazendo a formiga cair lá dentro.

Naruto na mesma hora levou as mãos ao pescoço, tossindo e cuspindo desesperado. Sentia até ânsia de vômito e Sasuke assistia com satisfação ele ajoelhado no chão, quase morrendo sufocado por uma simples formiga.

Acordar cedo finalmente tinha valido a pena!

Kakashi correu em direção ao Uzumaki, estapeando suas costas com demasiada força a fim de desentalar o aluno. Percebeu a que Naruto elevou as mãos à boca, perplexo porque tinha engolido a formiga. Sentiu o alívio ao ver que o loiro levantou-se com a respiração falha, mas ainda sim respirando. Praguejou mentalmente acreditando não ter sido uma boa ideia colocar um inseto no meio da dinâmica, ainda mais com aqueles dois idiotas. Aproximou-se de Sasuke, estalando um tapa em sua nuca como advertência.

— Idiota. — ralhou com o Uchiha. — E você Uzumaki da próxima vez seja menos escandaloso. Não foi pra tanto, era apenas uma formiga.

Colocou as mãos na cintura e depois as passou no cabelo platinado para se recompor. Inspirou fundo, encarando as duas bestas que mantinham as cabeças baixas pensando o que faria com os dois, resolveu que era a hora da revenge, afinal os faria engolir o orgulho assim como Naruto engoliu a formiga.

— Vocês sabem o que é empatia? — indagou, esperando a resposta de seus alunos, mas resolveu ele mesmo responder. — Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro. E pelo que vejo aqui tanto um quanto o outro não tem essa capacidade, porque não pensaram duas vezes antes de colocar a formiga em locais que com certeza o seu colega não gostaria. — retorquiu irritado. — Aí é que entra o fim desta dinâmica: vocês terão que beijar a parte do corpo do seu colega que por seu próprio mérito você mesmo colocou. — sorriu satisfeito. — Portanto, Uzumaki beije o cabelo do Uchiha. — encarou Naruto. — E você Uchiha, beije a boca do seu colega Uzumaki.

Com expressões horrorizadas, os dois se afastaram ao mesmo tempo para o mais longe que conseguiram um do outro.

— Não fode. — Naruto exclamou, sacudindo a cabeça e fazendo careta de nojo.

— Você tá de brincadeira com a minha cara, Kakashi? — Sasuke perguntou extremamente irritado. — Que merda é essa?!

— Olhem pra minha cara e vejam se eu estou realmente brincando. — Kakashi apontou para seu rosto que mantinha uma expressão séria. — Mas não posso obrigar vocês a fazer, ia contra as normas e leis de conduta desportiva, do Estatuto da Criança e do Adolescente e de tudo o que meu caráter preza. — ele pausou. — Mas ver essas expressões foi impagável. — ele gargalhou ensandecido. — Espero que tenham captado a essência da dinâmica. Na vida ou no esporte temos que nos colocar no lugar das pessoas e não se ater a preconceitos, afinal, estamos tão distantes da perfeição. — encarou mais uma vez a figura dos jovens à sua frente. — Agora pro chuveiro, nada de atrasos para aula.

Kakashi nem reparou no momento que a cabeleira branca se aproximou dos outros dois, enlaçando o pescoço de ambos. Suigetsu riu encarando o Hatake.

— Ora treinador, não seja por isso! Se o senhor não pode eu posso. — o Hozuki puxou Sasuke e Naruto, empurrando a face de ambos de modo que seus lábios tocassem, segurou ao máximo que sua força permitiu, gargalhando ao ser empurrado pelos dois colegas se desequilibrando e estatelando-se no chão. Levantou-se rapidamente tomando rumo até a saída do campo por medo da represália que sofreria, mas o esforço havia valido a pena, afinal tirar uma com a cara dos amigos era seu passatempo favorito.

Assim que se viram livres, Sasuke e Naruto caíram no chão, primeiro assustados e depois enojados. Enquanto Naruto passava a mão pela boca desesperado e com os olhos cheios de lágrimas, Sasuke se agachava no canto do campo praticamente colocando o café da manhã para fora. Cambalearam ao mesmo tempo em direção as garrafinhas de água, fazendo caretas de nojo ao se olharem, e por fim derramando toda a água que encontravam na cabeça, na boca e onde mais achavam necessário para se limpar.

— Eu vou matar aquele desgraçado! — o Uzumaki falava inconformado, cuspindo mais algumas vezes e se mantendo bem afastado do moreno.

— Não se eu matar primeiro. — o Uchiha grunhiu entre os vários palavrões que falava. Naruto tinha certeza que havia aprendido alguns novos durante aquela manhã. — E você nem pense em falar sobre essa merda por aí! — apontou ameaçadoramente o dedo na direção do loiro, que estava praticamente do outro lado do campo agora. — Principalmente para sua irmã!

— Você acha que eu quero que alguém saiba disso?! — retrucou ofendido. — E esquece minha irmã, porra! Já falei que se eu te pegar perto dela de novo te quebro!

— Você é próximo, depois que eu quebrar a cara do Suigetsu! — Sasuke ameaçou, enquanto os dois iam, de lados opostos do campo, andando em direção à saída.

Aquele havia sido o pior dia de todos, e ele apenas havia começado.

✰✧✰✧✰✧✰✧

Os acordes de Highway To Hell, do AC/DC soavam nos fones a cada impulso tomado em seu skate gasto pelo tempo. O vento quente açoitava seus cabelos roxos, indicando assim como a letra da música que ela estava numa estrada a caminho do inferno, metaforicamente falando.

No fim da rua avistou a entrada verde entreaberta e a moto de Itachi na calçada. Parou pisando sobre o nose, elevando o skate repleto de adesivos. Pegou a goma de mascar dentro do bolso esquerdo da calça, lançando na boca. Mascou algumas vezes antes de fazer uma bola e estourar em seguida. Retirou os fones pendurando-os no pescoço.

Konan entrou na oficina e estagnou. Itachi engolia uma loira de seios avantajados, enchendo suas mãos nas nádegas da mulher. Ruborizou, soltando uma exclamação que foi ouvida pelos outros dois ocupantes do cômodo.

— Desculpa, Itachi. Eu… — praguejou mentalmente, virando-se para saída, mas foi contida pelas mãos quentes do Uchiha.

— Onde você vai monstrinha? — o apelido atingiu em cheio seu estômago, causando um revirar.

— Vou pra casa, volto mais tarde… — ela engoliu seco ainda de costas. Seu rosto estava quente e ela preferiu achar que fora por conta do sol que pegou no caminho.

— Ei! Como assim temos trabalho, mulher! Está fugindo do trabalho? — Konan se voltou para Itachi, contemplando um sorriso largo em sua face e engoliu as palavras que cogitou falar.

Mirou a mulher que observava a tudo do canto da oficina e desviou, focando no balcão à frente e colocando sua bolsa jeans surrada. Não proferiu nenhuma palavra enquanto prendia os longos cabelos num coque frouxo.

— Konan. — Itachi a chamou, não compreendeu a atitude silenciosa da jovem, talvez ela estivesse passando por algo e decidiu que perguntaria mais tarde.

— Hn. — ela respondeu, pegando as ferramentas.

— Essa é minha amiga, Samui! — ele puxou a mulher delicadamente para perto, entrelaçando os dedos dele nos dela. Konan acompanhou o movimento com seus orbes amendoados, mas percebendo que a mulher também a encarava desviou e encarou os olhos azuis curiosos sobre ela.

— Muito prazer, sou Konan Chibi. Funcionária do Itachi. — limpou a mão no pano da calça e estendeu.

— Oh, nossa! — Samui também estendeu a sua. — É um prazer conhecê-la Itachi falou muito de você! Do quanto talentosa é com carros.

— Dá pro gasto. — murmurou a contra gosto e tudo piorou quando ela constatou que a mulher dormira ali. Não estava gostando de como estava se sentindo em relação ao Uchiha.

— Ela tá sendo modesta, Samui. — Itachi interviu, fazendo carinho nas mãos da loira. — Ela é muito boa, tanto com carros quanto beer pong.

Konan tentou disfarçar, mas seus olhos traidores encaravam a todo momento aqueles dois juntos.

— Acho que a Samui... — Konan pausou, encarando os dois. — É Samui o seu nome né? — a loira assentiu. — Então, acho que ela não está muito interessada em ouvir sobre mim! Agora se me derem licença, preciso trabalhar. — passou reto pelo casal que a encarava sem entender, principalmente Itachi que acompanhou o trajeto de Konan até o carrinho se enfiando embaixo do carro em seguida.

Konan viu a hora que os dois pares de pernas passaram apressadas até a saída e ouviu se despedirem aos murmúrios. Não queria falar com Itachi, estava com raiva que ela nem sabia precisamente do que ou de quem enfim, passou os fones no ouvido apertando a playlist do seu celular, Fucking Hostile do Pantera iniciou sua acorde eletrizante, indo bem a calhar. As batidas violentas faziam com que Konan aplicasse demasiada força sobre a chave de grifo, buscando estar um tanto alheia. Sentiu suas pernas serem puxadas fazendo com que o carrinho deslizasse debaixo do carro para a direção dos balcões, tentou se levantar encarando a figura descontente de Itachi a sua frente que segurava suas pernas impossibilitando sua mobilidade.

— Mas que merda é essa, Itachi? — esbravejou, forçando as pernas com o intuito de retirá-las do agarre do Uchiha.

— Sou eu que te pergunto, mas que merda está acontecendo? — ele a fuzilou com seus orbes negros. — E só vou te soltar quando você me disser, exatamente, o que aconteceu de ontem para hoje. — Konan estreitou seus orbes, puxando os fones bem a tempo de ouvir as palavras de fúria do vocalista Phill Anselmo:

“Em troca, você está nos fazendo hostis pra caralho.”


Notas Finais


Muito agradecidas por terem acompanhando ate aqui!!!! Bjks e ate o próximo!!!!


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