História Entre o amor e o perigo - Capítulo 16


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Categorias Originais
Tags Antonella, Casamento Arranjado, Máfia, Pietro, Romance
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Palavras 2.564
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - A Verdade é que Te Amo


Fanfic / Fanfiction Entre o amor e o perigo - Capítulo 16 - A Verdade é que Te Amo

Pietro

Meu desespero já tinha passado dos limites, demorei para sair do quanto depois que disse a verdade para Antonella. Estava aflito, mais que isso, suava frio, nunca tinha ficado tão nervoso ou ansioso. Sabia que a qualquer momento ela poderia ligar para o pai e ir embora, eu tinha medo disso, já tinha a esperado por muito tempo para ela ir embora agora.

Já tinha passado um tempinho desde que Antonella havia pedido para ficar sozinha, eu sabia onde ela estava, e estou me segurando para não ir correndo para o jardim interno agora e perguntar o que achava de tudo isso, se tinha entendido o que eu e minha família fazemos, se está disposta a seguir comigo e que queria muito que seguisse, pois a amo e preciso dela.

Tinha que tirar meus pensamentos dela e focar em outro lugar, decidi ir para o hospital, ver como Giovane estava, e saber se tinha se lembrado de algo. Fui dirigindo até o hospital, não demorou muito.

- Oi eu vim visitar o paciente Giovane Vitale. – Disse para a recepcionista no balcão

- Há sim. – Ela digitou algo no computador. – Aqui. – Me entregou um crachá escrito visita. – Quarto 211.

- Sim.

Fui até o quarto indicado, bati na porta e não recebi resposta, decidi entrar mesmo assim, vi Giovane estático na cama, olhando para o nada, segundo firme o celular na mão. Não me percebeu entrar no quarto, nem me aproximar dele.

- Giovane? – Disse tocando seu ombro.

- Eles fizeram isso. Eles mataram minha família. Os Senza Catene. – Giovane me encarou com raiva. – Aqueles filhos da puta mataram tudo a minha família.

- Como tem tanta certeza?

- Além do massacre que vi ontem a noite? Liguei para todos, em uma das ligações um homem atendeu e disse “ Para de tentar Vitale, sua família não existe mais, nós matamos todos, nós os Senza Catene” quando ia perguntar mais eles desligaram. Tentei ligar mais algumas vezes e nada.

Arregalei os olhos, como eles puderam matar uma família tão antiga e influente como a Vitale, mata-los em um só dia... pensando bem foi bem planejado atacar em uma noite quando toda a família estava comemorando, além dos Vitale terem se descuidado, e pelo menos não terem deixado um vigia, ou se preparado de alguma forma.

Mas, o que me lembro, Giovane tinha me dito, foi alguém da família Vitale que começou o ataque, puxando uma arma, os Senza Catene se infiltraram na família? Convenceram com dinheiro?

- Giovane, o homem que apontou a arma, quem era? – Disse sentando na cadeira.

- Ele era filho mais novo de um patrocinador antigo, o pai queria que ele entrasse e tivesse uma boa posição na família. O cara não estava muito à vontade, mas aceitou o pedido do pai e entrou na família com o objetivo de crescer nela. Não fazia nada de errado, nem nada certo, enfim, não fazia nada, medroso, devia ter prestado mais atenção, foi estupido.

Eu fiquei em silencio, concordava com Giovane, e ele entendeu isso. Então esse é um dos métodos deles, membros fracos das famílias.

- Pietro. – Giovane me encarou sérios. – Deixe-me ser um de seus subordinados.

Eu fiquei desorientado, não imaginava isso, pisquei algumas vezes, tentando entender o pedido dele, olhei de novo e Giovane ainda estava sério.

- Giovane, nossas famílias são tem “negócios” diferentes...

- Minha família não existe mais. – Giovane se segurava para não chorar. – E a sua família traz justiça para todos, é isso que eu quero, justiça, me dê isso. Garanta que a justiça será feita, e eu juro a minha lealdade a família Brancaleone. – Giovane tinha sangue nos olhos, ele falava sério.

- Entendi... - Não podia negar que Giovane seria um ótimo subordinado, mas não posso simplesmente negar o passado dele, eu precisava pensar sobre isso. – Preciso pensar um pouco.

- Vou receber alta em dois dias.

- Tudo bem, acho que até lá terei uma resposta.

Fiquei mais um tempo conversando com ele, parecia determinado em conseguir sua justiça. Até que chegou o momento em que tive que voltar para casa. Me despedi de Giovane e voltei para o carro, no caminho de casa eu comecei a soar frio de novo. “Antonella, você já pensou, não é? Eu não sei quanto tempo se passou, mas foi o suficiente, né? Por favor, me dê sua resposta...”

Em casa, meu único objetivo era entrar naquela porta de metal ornamentado e vidro que levavam para o jardim interno/estufa, e no qual Antonella usa como refúgio. Quando entrei as coisas passaram em câmera lenta, minha esposa estava sentada no banco debaixo do salgueiro chorão que estava verde devido a primavera.

Conforme me aproximava vi o olhar distante, Antonella não olhava para mim, e sim para o céu, mas ela sabia que estava lá. Observei, a admirei, a cada passo que dava para perto, podia sentir a respiração, o piscar de olhos devagar, não tinha expressão. Já estava na frente dela, não sabia se deveria me sentar ou não, até que minha esposa deu mais espaço em um dos lados do banco, eu entendi.

Sentei no banco, as vezes ficava encarando Antonella, ela brincava com a aliança, passando entre os dedos e alisava. Tive que esperar tortuosos segundos em silêncio.

- Já faz mais de dois meses... – Antonella finalmente disse, sem emoção.

- O que? – Disse, tentando manter a calma.

- Que estamos casados, já faz mais de dois meses. – Antonella também vai jogar na minha cara que devia ter dito mais cedo?

- Olha eu sei que devia ter falado antes...

- Eu devia saber disso antes de casarmos... Mas eu entendo o porquê esperou tanto, isso... é... loucura... Uma família mafiosa, sério? – Antonella dizia calma, com um meio sorriso – Mas, o que eu queria dizer é que tudo passou tão rápido e ainda temos 18 anos... Nem nos conhecíamos no começo do ano e agora já estamos casados.

- Isso foi obra de nossos antepassados... – Disse justificando o casamento.

- Sim, somos de duas famílias que esqueceram seu título de nobreza com o passar dos anos. – Antonella parou de mechar no anel, colocando-o dentro das mãos juntas. – Porque continuamos com esse acordo? Porque ele não foi esquecido também?

- Minha família é conhecida por honrar seus acordos, mesmo que eles sejam muito antigos. Além disso, hoje não importa mais essa coisa de ter sangue nobre ou não, quando o acordo foi feito nossas famílias estavam começando a se esquecer desse título.

O que é isso? Arrependimento? Antonella está se arrependendo de ter se casado... De certa forma não a culpo, o título que minha família carrega agora é de mafiosos, aqueles que fazem negócios no submundo e controlam tudo por baixo dos panos. Mas minha família não era assim, somos diferentes, não esquecemos as raízes de ajudar os outros. Se Antonella estava disposta a ir embora, eu estava disposto a implorar para que ela ficasse.

- Antonella...

- As coisas – Ela não me deixou falar. -  Realmente aconteceram de forma estranha, tudo foi planejado a muito tempo para ser realizado agora, parece, sei lá, carma, destino...

- ANTONELLA! – Eu já não aguentava mais esse mistério que estava fazendo, já estava louco, a segurei pelos ombros e fiz me encarar – Por favor, chega disso, eu contei tudo para você porque merecia saber, e porque eu preciso de você, posso ficar mais louco que já estou, então se você quiser ir embora, eu vou entender, mas eu também quero que entenda que não vou desistir tão fácil. Então te imploro que me dê uma chance de mostrar a verdade...

Antonella calmamente pois as mãos no meu rosto, acariciando sucintamente com os polegares.

- O que nossos antepassados planejaram aconteceram muito rápido para nós, pelo menos para mim. Não importa o que isso seja Pietro. – Lágrimas começaram a se formar nos olhos dela e nos meus. – A verdade é que te amo, e estou disposta a seguir em frente com você, eu acredito em você.

Estava tão feliz em ouvir aquilo, não pude deixar de beija-la, e fazia isso com vontade, passei minhas mãos pelo corpo dela, ao fazer isso lembrei das marcas que tinha feito na madrugada, paramos um tempo para respirar.

- Eu estava pensando no que você me disse... É realmente muita coisa para absorver, tudo que vocês fazem... Como teus pais te contaram? – Antonella disse secando as lágrimas que não caíram.

- De certa forma eu sempre soube como funcionava, eles me apresentaram esse mundo desde pequeno.

- Ah! – Ficamos em silencio.

- E desculpa.

- Pelo que? – Virou a cabeça de modo fofo. Apontei para o pescoço coberto pela roupa dela.

- Te machuquei, foi muito bruto, não me segurei. – Abaixei a cabeça.

- Não se preocupe com isso, se não te afastei é porque queria fazer aquilo, queria que você fizesse isso. – Ela também olhou para baixo, e deu um sorriso de canto e um pouco corada. – Eu também devo ter te machucado, e você nem percebeu.

Antonella passou a mão por debaixo da minha camisa indo até minhas costas e pressionado um pouco os dedos. Eu me arrepiei e fiz careta feia. Aquilo ardia.

- Eu também te machuquei, um pouco. – Rimos

Sinto que agora tirei um peso de mim, contar tudo para Antonella e saber que ela estará do meu lado daqui em diante me deixava mais forte para enfrentar tudo que tinha que fazer.

- Preciso te contar outra coisa... – Encarei sério.

- Pietro, mais novidades? – Disse meio desgostosa e preocupada.

- É importante. A nova família, os Senza Catene.

- Aqueles que machucaram Giovane?

- Sim, antes de vir, fui para o hospital, visita-lo, Giovane tentou ligar para a família, quando um homem atendeu dizendo que os Senza Catene tinham matado toda a família dele.

- Deus...

- Meu pai, e eu também temos suspeitas sobre essa eles, não sabemos se foi um evento isolado ou não, o fato é que eles exterminaram uma família em uma noite, não sabemos o motivo. Sabemos quase nada sobre essa nova família, eles não têm patrocinadores, aliados, contatos, não sabemos onde fica a sede deles, nem quem é o líder.

- Pietro, onde você quer chegar.

- Sabemos que para os Senza Catene se tornarem mais influentes eles precisam de, pelo menos, contatos, e o melhor lugar para isso é na Festa da Primavera.

- Já ouvi falar, é uma festa grande, só entra quem é convidado ou quem está disposto a pagar uma grande quantia pelo ingresso, normalmente pessoas influentes, importantes...

- ...Chefes de famílias mafiosas, alguns, essa festa é organizada por patrocinadores, a comemoração da primavera é só um pretexto, para que as famílias possam mostrar seu prestígio, estabelecer contatos, ganhar patrocinadores, aliados... e inimigos. Tudo feito e dito lá pode comprometer a família. É como um jogo, onde todos mostram suas habilidades, os mais fracos tentam passar despercebidos, e os mais fortes exibem o seu poder.

- Acho que sei onde quer chegar. Se essa família quer se tornar mais forte eles com certeza irão, e será um bom lugar para saber quem são e como agem.

- Tem mais uma coisa. Lá estarão reunidos muitos chefes de família, se o objetivo dos Senza Catene é se desfazer de alguma família mafiosa. – Engoli seco. - Será um bom lugar, é ariscado ir...

- Hum... – Antonella respirou fundo, segurou firme minhas mãos, levou até a altura do queixo. – Vamos conseguir.

Com tudo esclarecido tinha mais uma coisinha para falar.

- Ah! E minha mãe está louca para te ensinar tudo que você precisa, para ocupar o lugar dela. – Sorri e ela também sorriu.

- Vou precisar.

Me levantei e estendi a mão para minha esposa, ela aceitou a ajuda, dei um beijo na mão dela.

- Obrigado por aceitar ficar do meu lado. - Naquele toque senti o quão bom era ter alguém que você ama do seu lado, confio muito nela, e acho que, o que Antonella chamou de destino, estava me favorecendo.

- Nos primeiros dias que cheguei você já me fez ficar encantada pelo seu jeito, na nossa lua de mel você me fez ficar apaixonada, e no resto dos dias que passamos juntos eu só pude te amar mais e mais. – Sorri com essa declaração, dei um selinho em Antonella.

- Obrigado por existir.

Contamos para meus pais, que eu tinha explicado tudo que nossa família faz, e que ela tinha aceitado, minha mãe parecia explodir de alegria, segurou as mãos de Antonella e a levou para um dos quartos usava para trabalhar.

Antonella

- Ah sim! – Sra. Brancaleone ia de um lado para o outro. – Preciso preparar você, tenho tantas coisas para te explicar. – Falou animada esfregando as mãos.

- Sra. Queria perguntar... Como deve ser a minha imagem?

Não posso negar, estava curiosa de como me portar perto de outras famílias e dos tais patrocinadores, aliados, afinal a imagem que tenho de famílias mafiosas está influenciada por filmes, livros e séries, mas nessas histórias a mulher raramente sabe que está em uma família assim. Minha sogra me olhou entranho, vendo se entendeu direito minha pergunta.

- Digo, como devo me portar, apresentar...

- Antonella, você deve aprender a controlar seus sentimentos. – Mal sabe ela que já faço isso. – Você irá ouvir muita coisa que vai ter vontade de voar no pescoço de algumas pessoas. – Ela riu. – O que eu faço aqui... Pietro te explicou sobre os julgamentos? – Concordei. – Bom eu sou uma mediadora nesses julgamentos, isso fui eu que escolhi ser, pode escolher outra pessoa, mas escolha com sabedoria. Tirando isso, você será aquela que estará sempre ao lado do chefe, ou melhor, estará no comando junto com ele, será sua conselheira, mão direita, será aquela que dará a palavra final para uma decisão. – Falava muita séria. – Por isso preciso ter certeza que seu julgamento e sua sabedoria são boas o suficiente para que eu possa deixar essa família em suas mãos.

- Entendo. – A encarei.

Sra. Brancaleone estava muito séria, até chegando a ficar brava, pela expressão que mostrava, já sei de onde vem a cara assustadora de Pietro, normalmente, ela é uma pessoa alegre e descontraída, aquilo estava me fazendo ter borboletas na barriga.

- Por isso, até a Festa da Primavera, que é em um mês, você terá que me acompanhar, em tudo que faço, é basicamente a mesma coisa que meu marido fez com Pietro, mas eles fizeram isso por meses, um ano para ser específica, você terá duas semanas para observar tudo e aprender o máximo, e mais duas semanas em que você será supervisionada por mim. Que é basicamente o que meu marido faz hoje com Pietro, embora ele seja meio possessivo demais para deixar 100% do trabalho com meu filho, e estar esperando que tenha alguém do lado dele, você, para que tudo não fique nas costas de Pietro.

- Vocês dois estavam esperando Pietro contar tudo para mim, para que possam se aposentar, digamos assim?

- Ainda estaremos dispostos para você se quiserem pedir ajuda, mas sim, eu e meu marido queremos nos “aposentar” depois da Festa da Primavera.

Eu fiquei assustada, duas semanas? Como vou conseguir isso? Então terei um mês até a Festa da Primavera, estou arrepiada da cabeça aos pés, era por isso que Pietro disse tanto que precisava de mim. Agora estou com as mesmas dúvidas que tinha antes do casamento.



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