História Entre Tapas e Beijos - Capítulo 20


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Categorias Originais
Tags Nataliesmith, Natiese, Pontoacao, Priscillapugliese
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Palavras 1.833
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 20 - Capítulo 20


Havia passado duas semanas desde que Natalie e Priscilla tinham virado “Natiese”, nome do ship que os amigos carinhosamente criaram para se referir ao namoro  das meninas.

Priscilla estava feliz, quase sempre de bom-humor, falava com todos com um sorriso nos lábios. No entanto, não deixara de ser dona de um temperamento vincado, dando bronca em todo mundo no set de gravações da Ponto Ação quando algo não corria bem.

_Cadê a Nati, meu pai?!_zoava Rodrigo, trocando pela décima vez o quadro com o desenho de unicórnio da parede do quarto fictício da personagem interpretada por Daiane Vieira._Só ela para dar um jeito nessa fera._murmurou, aproveitando para dar um selinho breve nos lábios de Dai que acabou rindo.

_O que você disse, Rô?_perguntou distraída a jovem produtora que observava o roteiro._Acho que a Natalie hoje não vem._comentou em voz baixa, num tom levemente desanimado.

_Está explicado._cochichou Daiane, entrando na brincadeira do namorado e piscando o olho.

_Galera!_chamou Felipe que estava de câmera nesse projeto._Vocês estão todos muito melosos para o meu gosto e eu estou me sentindo pior que vela, eu estou me sentindo o próprio castiçal!_reclamou._Oh Julinha…_chamou a menina que estava concentrada no outro canto do set anotando todos os adereços e acessórios da cena._Não quer ser a vela do meu castiçal não?

_Deixa de ser ridículo._revidou Júlia, revirando os olhos. Felipe riu.

Terminaram as gravações cedo aquele dia, mas não o trabalho, pois ainda tinham de rever as cenas gravadas, garantido que não tinham de ser refeitas, uma vez que iria decorrer uma passagem temporal na série e as personagens quase todas reapareceriam com novos visuais. Esse trabalho, no entanto, não exigiria a presença de todos, tanto que Pri dispensou a todos. Rodrigo ainda relutou, insistindo em ficar para ajudar a sócia, mas esta foi mais teimosa, falando que ele estava liberado para ir namorar. Assim, ela ficou sozinha na produtora, mas sabia que não seria por muito tempo já que Natalie lhe prometera que iria vê-la ao final do dia.

As horas passaram voando, e quando se deu conta, já eram oito horas. Olhou o visor do celular, desapontada por não ver nenhuma mensagem da namorada. Entretanto, quando estava prestes a ligar para ela, soou a campainha do prédio. Sorriu, convicta que seria sua Natalie. Dirigiu-se à recepção e falou ao mesmo tempo em que abria a porta:

_Já não era sem temp…_parou na mesma hora em que viu um garoto moreno com um buquê enorme de rosas vermelhas._Oi?

_Aqui é a Ponto Ação, certo?_perguntou, educado. Priscilla afirmou com um movimento de cabeça._Pediram pra entregar isso aqui._entregou-lhe o buquê e logo virou costas, não dando tempo da jovem responder.

Priscilla olhou as rosas de perto; tinham um aroma agradável, mas o que mais a chamou a atenção foi o cartãozinho vinho que estava junto. Imediatamente sorriu, associando o gesto carinhoso a Natalie. Com certeza tinha sido ela! Aquela louca! Desde que começaram o namoro, a empresária já lhe havia oferecido chocolates e dois bichinhos de pelúcia, um pequeno dragão azul e um unicórnio rosa. Mas rosas?! Essa era nova! Não imaginava a empresária oferecendo rosas; mas porque ela estava reclamando afinal? Priscilla balançou a cabeça, rindo consigo própria, e, pousando o buquê na escrivaninha ao lado, retirou o pequeno cartão.  

_Mas..._seus olhos trémulos primeiro espelharam confusão, depois raiva, e finalmente lágrimas salgadas ameaçavam-lhe toldar a visão.

 

“Meu amor,

Adorei a noite de ontem.

Não podia deixar de agradecer.

 

Sempre sua,

Ana.”

 

_Ana?_balbuciou com a respiração entrecortada. Aquilo devia ser um engano. Mas o garoto perguntara se ali era a Ponto Ação.

 

“Será que é alguma menina com quem algum dos garotos anda ficando?”, pensou, tentando fazer com que aquilo fizesse sentido. “Mas que mulher iria oferecer um buquê de rosas vermelhas a um homem?”, continuou com o raciocínio. Depois pôs-se a pensar se haveria alguma menina na produtora que pudesse gostar de garotas também, mas não fazia sentido nenhum, trabalhava pouca gente ali, e Priscilla conhecia seus companheiros de trabalho. Chegou à conclusão que só podia ter sido engano, mas ainda assim algo a atormentava, uma desconfiança que a comia por dentro, um ciúme que a consumia e a deixava simplesmente vendo tudo vermelho. Vermelho como aquela droga de rosas!

 

A campainha soou novamente. Priscilla amassou o cartão, enfiando-o no bolso da calça, antes de ir abrir a porta.

 

_Oi meu amor!_Natalie cumprimentou risonha, se inclinando para beijar a namorada._Está tudo bem?_perguntou, após depositar um selinho nos lábios da mais nova, vendo, porém, que ela estava tensa.

 

_Sim._respondeu, distante. Aquilo não convenceu a empresária que já conhecia um pouco mais a morena com quem namorava.

 

_Então vem cá e me dá um beijo de verdade._retorquiu, puxando Priscilla pela cintura._Estava morrendo de saudade da minha marrentinha.

 

A mulher mais nova deixou-se beijar por alguns instantes, mas não deixou que o beijo se aprofundasse, pois simplesmente a sua mente parecia ocupada com outros pensamentos. Natalie não tinha passado a noite anterior com ela, em verdade, quando Priscilla lhe perguntara se podia passar a noite na casa da namorada, a empresária disse que não achava boa ideia porque teria no dia seguinte de acordar bem cedo para um ensaio fotográfico. Isso a estava incomodando muito, parecia que na sua cabeça tudo se encaixava com a história do cartão.

 

“Adorei a noite de ontem”

 

Aquelas palavras não lhe saíam da cabeça. Ontem, justamente ontem, em que Natalie não quisera passar a noite com a mais nova. Não era muita coincidência?

 

_Pri._chamou, logo depois de separar os lábios dos de Priscilla._Aconteceu alguma coisa e você não me está contando._não foi uma pergunta, mas uma afirmação.

 

_Tem certeza que sou eu que estou escondendo alguma coisa?_atirou, irritada.

 

Natalie franziu a testa, surpreendida por aquela explosão.

 

_Onde você esteve ontem à noite?_perguntou, inquisidora.

 

Natalie se mexeu desconfortável no lugar. “Ela está desconfiada.”, pensou, mas não iria colocar tudo a perder. Não depois de dar-se a tanto trabalho.

 

_Em casa! Eu te falei que precisava descansar._explicou._Amor, porque você está desse jeito?

 

Priscilla riu com ironia. Natalie estava escondendo alguma coisa dela; notara o desconforto segundos atrás.

 

_Tudo bem._respondeu com os olhos brilhando de raiva._Eu vou ser mais específica. Quem é Ana?

 

Natalie estremeceu como se tivesse levado um choque eléctrico. “Como Priscilla sabia da existência de Ana?”, questionou-se.

 

_Você não vai responder nada?_continuou a mais nova, a raiva aumentando por constatar que estava sendo feita de trouxa._Deixa, não precisa mais._completou com mágoa, vendo que a empresária continuava calada.

 

_Pri!_gritou, vendo a mulher dando costas e indo para a sua sala._Volta aqui Priscilla! Vamos conversar!

 

_Conversar sobre o quê?_revidou, virando-se de forma brusca. Lágrimas teimosas teimavam em cair contra a sua vontade._Sobre o fato de você estar me fazendo de idiota?!

 

_Mas quem está te fazendo de idiota aqui?! Você pára um instante, por favor?

 

A mais jovem, visivelmente transtornada, enfiou a mão no bolso e caminhou em direção à namorada, tirando o cartão vinho amassado e mostrando-o a ela. Natalie piscou, ajustando a visão, e leu aquelas linhas rapidamente, sem deixar transparecer qualquer tipo de emoção no rosto.

 

_Priscilla, eu não sei como esse cartão chegou nas suas mãos, mas acredita que não é nada do que você está pensando.

 

_Sério, Natalie? Sério que vai vir com essa justificação mais cliché? Não consegue pensar em outra coisa?_zombou, magoada.

 

_Pri, essa Ana é louca, uma desequilibrada. Eu juro que não tenho nada com ela._tentou se explicar, mas a outra já parecia não ouvir nada.

 

_ Por que você nunca mencionou essa tal de Ana? _ questionou esperando a explicação da outra.

 

_Porque ela não significa nada. Eu ia mencionar para quê uma pessoa que não me é nada? Para você ficar desse jeito como está agora?_revidou, observando a mulher pegando no buquê sobre a escrivaninha.

 

_Uma pessoa que te manda flores não é nada?!_atirou, literalmente, o buquê na cara da empresária.

 

_ não, eu não tenho nada com a Ana! _ exclamou tentando convencer a namorada. __ o quê queres que eu diga para você acreditar? _ esperava por uma resposta.

 

_Por que não quis passar a noite comigo ontem?

 

_Eu já falei, precisava descansar.

 

_Até parece que eu ia virar um succubus e sugar todas as suas energias._ironizou, cruzando os braços.

 

_Pugliese! Você às vezes é impossível._chateou-se, pegando no buquê e virando as costas.

 

_Onde vai?_perguntou, indo atrás.

 

_Para casa.

 

_Não se atreva.

 

_Me atrevo sim._revidou, virando-se para tornar a encarar a mais jovem._E você vem comigo.

 

**** *** ***

 

Apartamento da Natalie, 22h

A trajetória até o apartamento foi feita no mais absoluto silêncio,chegaram ao local e Natalie apenas olhou de relance para Priscilla que ainda mantinha o semblante de poucos amigos. passaram por seu Zé, porteiro do prédio, o qual cumprimentou as duas jovens.

 

__ Boa noite, senhoritas. __ disse o senhor de meia idade de modo simpático.__ dona Natalie, aquela moça que estava ontem aqui, passou hoje mais cedo e disse que tinha uma encomenda para lhe entregar. __ informou.

 

Priscilla, que ia um pouco a frente da empresária, não pôde deixar de ouvir o informe de seu Zé, ela apenas fuzilou a namorada com o olhar e balançou a cabeça negativamente. Quando entraram no elevador a produtora quebrou o silêncio.

 

__ Você me traz até aqui para eu ter certeza de que tinha alguém com você ontem?_ questionou visivelmente irritada.

 

__ Ai, Priscilla você procura coisa onde não tem! __ revidou a outra começando a ficar impaciente.

 

__ Você é mesmo uma “sem noção”, será que não passou pela sua cabeça que o porteiro do prédio poderia dar com a língua nos dentes?__ indagou retoricamente.

 

Natalie ensaiou uma resposta para a mais jovem, no entanto não pôde revidar, pois a produtora adiantou-se.

__ Não fala nada! __ disse quase histérica. __ está claro que você trouxe a tal Ana aqui e a noite foi tão boa que ela tinha que agradecer não é? tudo faz sentido agora.

 

A empresária não acreditava na crise de ciúme que Priscilla estava demonstrando. “o relacionamento delas seria assim entre tapas e beijos?” questionava-se mentalmente. O elevador parou no andar desejado e a empresária fez um gesto para que a namorada saísse primeiro.

 

__ Ainda não sei porquê você me trouxe aqui, o quê pretende?__ espera por uma resposta satisfatória da namorada.

 

__ Você já vai ver! __ exclamou Natalie, enquanto girava a chave na maçaneta da porta.

 

Ao entrar no apartamento, a produtora não acreditava no que via. A sala estava toda iluminada com pequenas luzes brancas e amarelas penduradas no teto e nas paredes, no chão havia rosas espalhadas em cores diversas: vermelha, branca, laranja e lilás cada uma foi escolhida pessoalmente pela empresária, pois continham significados diferentes.

Priscilla não pronunciava uma palavra, sabia que tinha sido totalmente injusta com Natalie. Não dera oportunidade para a outra explicar o mal entendido, deixou que o ciúme a cegasse e não analisou os fatos como deveria, agora perante ao ambiente que encontrara no apartamento da namorada não tinha outra alternativa, apenas ouvir tudo que a empresária tinha a falar.

 



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