História Fada Corrompida - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Visualizações 101
Palavras 8.538
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 19 - Alicerce


Fanfic / Fanfiction Fada Corrompida - Capítulo 19 - Alicerce

"Mat͡e-̕o̴ ou̸ ͞voc̨ê vai̷ m̢o͞rre̸r!̵"̧

Ergui meu pé e baixei com força sobre o dele. Ele rosnou e afrouxou o aperto sobre mim, consegui me soltar por um segundo, mas antes que eu me virasse e o derrubasse, algo bateu contra meu estômago e me lançou contra o garoto, de novo. Ele não demorou a me prender novamente, só que agora com mais força. Abri a boca pra gritar, mas ele a tampou antes que eu emitisse qualquer ruído.

Ele soltou uma risada em meu ouvido.

— Relaxa aí, amiga. Não há necessidade de gritar. Eu só quero ter uma amigável… Longa… E detalhada conversa com você. Eu vou tirar minha mão da sua boca. Se você gritar, eu esmago sua traqueia. Entendido?

Capitulo Dezenove — Alicerce

Balancei minha cabeça, confirmando. Não tinha porque tentar revidar agora.

— Por que você está pagando de bonzão? — disse uma voz ao meu lado. Olhei pra lá e vi, nada menos, que um exceed. Mesmo com a pouca iluminação, eu conseguia ver que ele era cinza ou então preto, os olhos deviam ser nessa cor também. Ele tinha uma parte da orelha esquerda rasgada, na orelha direita tinha duas argolas douradas e a cauda tinham três dessas argolas, mas uma delas tinha um pingente de espinha de peixe. Duas cicatrizes estavam sobre o olho direito. Usava simples calças azuis, que me lembravam o Lily.

— Se não fosse por mim ela teria fugido, sabia?

— Quem te chamou aqui, Morker?

— Eu me chamei! Se não fosse por mim, você nem iria saber que eles saíram!

— Ah, quem liga, não fez mais do que sua obrigação.

— Eu te odeio…

— Ótimo, o sentimento é mútuo. Agora, senhorita, só pra confirmar: você e seus amigos ali, saíram do abismo, certo?

Ele tirou a mão da minha boca e a colocou no meu pescoço

— … Sim…

— Você… É a maga celestial que a Doutora jogou ali um tempo atrás? Haha, claro que é. — arregalei meus olhos… Esse cara conhecia a Doutora? — Aqueles lá são as crianças que fizeram parte do projeto?

— São… E se quiser pegá-los… Vai ter que me matar.

— Não quero pegá-los. A Doutora quer. Mas no momento, eu estou pouco me fodendo para o que ela quer.

— Pergunta logo o que é importante, lixo! — o exceed, Morker, falou pairando a minha frente.

— Cale-se. Olha… Eu vou te soltar. Se você tentar fugir, eu vou te matar antes que consiga falar de falar “magia celestial”!

— Entendi! Não vou fugir. — como prometido, ele me soltou. Me virei, mas por causa da escuridão, eu não enxergava muita coisa, as roupas escuras do cara não ajudavam. Ele tinha cabelos escuros, provavelmente, que iam até perto do ombro, eu acho, presos em um curto rabo de cavalo.

— Você abriu a barreira?

— Sim… — soltei um suspiro trêmulo —  A doutora sabe que saímos?

— Eu faço as perguntas aqui, espertinha. Aquele cara mais velho, quem é?

— Um assassino. O que mais seria?

Ele soltou uma risada baixa e seca.

— Ela não é engraçada, Morker?

— Muito mais que você! Mas admito que não estou gostando das respostas evasivas e vazias! Você, maga celestial, responda direito!

— Não. — falei cruzando os braços — Vocês estão aliados com aquela mulher desprezível! Por que eu daria informações importantes pra vocês?

Os dois se olharam.

— Ela está certa. O que fazemos agora, seu saco imundo de arrogância? — Morker indagou, parecendo irritado.

— Ela sabe das coisas, a Doutora é uma nojenta desprezível mesmo.

— E você abana o rabo pra ela igual a um cachorro! Por que continua seguindo as ordens dela?

Fiquei olhando de um para o outro enquanto eles discutiam em um tom baixo.

"É ̛um̕a͏ ̛cha̵nc͢e...̴ El̛e̢s͟ estã͘o͏ ̕d͜i̸st̴raíd͜o͟s͢!"͞

Dei um passo pra trás, me preparando pra correr, mas nessa hora os dois olharam pra mim.

— Vou te matar se você fugir! — eles falaram juntos.

— Podem agilizar as coisas? Eu tenho que voltar! Eles vão começar a suspeitar!

— Certo, certo… — ele suspirou — Vamos ao assunto do por que eu estou aqui. Tem… Uma garota dentro daquele abismo. Ela foi jogada lá a alguns anos… Ela é chata e tem cabelo branco. Você sabe se ela está bem?

Olhei para ele. Depois para o gato, que agora estava sentado em um galho.

— Sim, ela está. Então... Você, é o exceed que aparece todo mês, certo?

— Você… Me via?

— Então era pra esse fim de mundo que você vinha? — o rapaz reclamou — Você sumia por horas, pra vir pra cá?

— Eu mantenho minhas promessas! Eu disse que iria vir todo mês! — Morker falou — Só por que você virou um cachorro que trabalha para aquela vadia, não quer dizer que eu tenho que trabalhar também!

— Ahn… Ela está bem. Ok? Você é… O antigo amigo da Maya, eu presumo.

Os dois pararam e olharam pra mim surpresos.

— Como-

Corri até ele e lhe dei um soco. Ele caiu pra trás com um baque.

— Sua vaca…

— Isso é por abandoná-la! — falei apontando pra ele — Prometi a ela que iria dar um soco em você assim que te encontrasse! Só não sabia que seria tão cedo.

Ele pareceu surpreso.

— Ela tem razão, você merece uns socos. Mas eu vou me contentar só com um por hora. — Morker falou.

— Ah é…? — o garoto falou, provavelmente revirando os olhos — Ela saiu também?

— Saiu, mas como eu disse, se quiser chegar até ela, vai ter que me matar.

— Vai ser fácil. Ainda mais que você não tem isso. — ele disse levantando…

— M-minhas…

Antes que eu completasse a frase ele jogou as chaves de Leo e Caprico para mim. As peguei e as apertei com força.

— Devia guardar elas de uma forma melhor.

— A Doutora está com o restante, não está?

— De fato. Mas ela não consegue fazer muita coisa com suas chaves. Ela ficou bem irritada com isso. — ele se aproximou e apontou pra mim — Ah, que problema. Sinceramente? Não estou nem um pouco afim de ajudar aquela vadia. Não vou falar pra ela, por enquanto. Não posso esconder isso pra sempre. Em breve ela vai saber que vocês todos saíram.

— Entendi… Obrigada mesmo assim por não contar logo de cara.

— Tenho meus assuntos pra tratar, por isso me aliei a ela. Isso não quer dizer, que eu sou um cachorro obediente! — ele se virou para o galho onde Morker estava e agarrou o gato pela cabeça — Se falar de mim, já sabe o que vai acontecer.

— Tá bom. — resmunguei de má vontade.

Primeira impressão? Péssima.

— Vou falar com você de novo em breve.

— Senhorita Lucy? — ouvi ao longe.

— Ah… JÁ ESTOU INDO. ME AFASTEI DEMAIS — gritei de volta — Pode fazer algo sobre minhas chaves? As que estão com a Doutora.

— E arriscar perder minha mão? Nem pensar. Eu tenho que manter nosso laço de confiança. Como eu disse, assuntos a tratar.

Ele se virou. Fiz o mesmo. Mas antes que eu me afastasse, ele falou.

— Morker falou que só tinha doze pessoas lá, tirando você e o assassino, ele falou que duas pessoas que saíram pra ver os arredores, ele não conseguiu ver elas direito. Li os relatórios. Quatorze pessoas foram usadas para os experimentos. Mas você disse que a coisa irritante também saiu… Isso significa o que eu estou pensando?

— Provavelmente sim.

Voltei a andar. Ouvi um murmúrio entre o exceed e o rapaz. Voltei a pegar a lenha do chão. Algo se moveu nos arbustos, um coelho marrom saiu do meio deles. Sorri e o peguei, assim que ele ficou perto de mim. Voltei até a fogueira.

— Por que a demora? Ficamos preocupados. — Isana ralhou. Soltei uma risada, envergonhada. Joguei os galhos no chão e mostrei o coelho.

— Fofo, né?

Arata e Sahar pularam em cima de mim. Sahar pegou o coelho e o olhou, encantada.

— Me deixa segurar! Me deixa segurar! — Arata falou balançando o braço de Sahar.

Rimos de novo.

Aos poucos o coelho foi esquecido. Minha demora também, mas Yakov olhou pra mim e me perguntou se eu estava bem quando voltei a sentar ao seu lado.

Dormi depois de um tempo, com a cabeça em cima da barriga de Arata, enquanto ele deitava no ombro de Riza. Kira deitou no outro ombro dela, e Riza não ficou nem um pouco incomodada.

Ironicamente, quando acordei, eu estava com a cabeça no chão, e Arata estava roncando baixo.

Murmurei um “idiota” e me levantei, balançando meu cabelo para tirar a sujeira.

Olhei ao redor. Yakov não estava lá. Leon, Hasan, Isana e Lize já estavam acordados.

— Yakov foi na cidade. — Lize falou, antes mesmo que eu perguntasse.

— Hey, senhorita Lucy. Pode fazer aquilo que fez com Muren, de novo? — Isana perguntou. Todos nós olhamos pra ele. Isana riu e passou a mão nos cabelos — S-se não puder, eu entendo. Felem só queria-

— Claro que eu posso. Se acharem que estão prontos é só falar comigo! — falei como se respondesse a pergunta mais idiota do mundo… E na verdade, era idiota.

— Hun… Quero tentar então… Quer dizer, Felem quer tentar. — Isana falou — Eu e você conversamos bastante e eu te considero amiga desde a primeira vez que nos falamos. Felem aos poucos se acostumou a você, e mesmo que seja difícil conseguir a confiança dele… Ele confia em você, pelo menos um pouco.

— Que homem simples. Só não é pior que o Arata. — Lize falou revirando os olhos.

— Terminou? Já posso vomitar? — Hasan resmungou.

Isana ficou vermelho.

— M-mas eu só…

— Vem aqui, Isana. — falei rindo. Ele caminhou até mim e se sentou ao meu lado. Levei minhas mãos até a cabeça dele e olhei nos seus olhos. — Não importa o que aconteça, não me afaste!

— Entendi.

— Bem vinda a minha paisagem mental… Mas você já viu a do maninho, então não vai se surpreender, já que é quase a mesma coisa. — Felem falou.

Como ele disse, era as partes que completavam as ruínas da paisagem mental do Feles. Eram as mesmas flores brancas, as mesmas cercas altas, os mesmo portões. Mas o céu? Era completamente diferente. O céu era limpo, escuro, mas, o que parecia ser uma aurora boreal pintava tudo acima de mim.

Olhei para o gato, ele era o “contrário de Feles”. Preto com símbolos azuis.

— Que nada. É incrível de qualquer jeito. Fico feliz de te conhecer… Pessoalmente… eu acho?

Felem pareceu rir.

— Acho que sim.

— Chega de papo furado. Temos muita coisa pra fazer. — falei estalando os dedos, mesmo que não tenham estalando de verdade — Posso me aproximar?

— Fique a vontade.

Me aproximei do gato e me sentei a sua frente. Felem se levantou e pulou no meu colo.

Me concentrei em achar a parte corrompida.

Assim que a encontrei enviei minha magia para Felem, de uma só vez, a expulsando, não cometendo o mesmo erro que cometi com Muren, de enviar pouca magia.

Felem, assim como Muren, pareceu ficar desconfortável por causa da magia.

O mesmo frio se instalou. Da ponta dos dedos até o âmago do meu coração.

Abri os olhos e vi a mesma paisagem de antes, agora totalmente rachada.

— Desculpe...

— Como… Fez isso? — Felem pulou do meu colo e me rodeou — Eu… Quando Muren falou, eu achei que seria algo normal… Mas é uma sensação boa… Como se tirassem um peso das minhas costas, ou algo assim…

— Agora só tenho que falar com o rei… Mas primeiro tenho que purificar vocês todos e descobrir exatamente o que aquela mulher fez. — falei, me levantando.

Felem passou entre meus pés, como um… Gato, pra chamar minha atenção, olhei para ele e o vi subir para um bloco de pedra.

— Fiquei sabendo de uma tal promessa do maninho e o Viper.

— Promessa… Ah… Minhas chaves.

— Pode me incluir nela também.

— Obrigada, Felem. — falei me abaixando e fazendo carinho em sua cabeça — Melhor eu ir.

— Sim. Pode voltar mais vezes, se quiser. Agora não tem perigo de eu ser expulso. Obrigado, Senho-... Obrigado Lucy. Você é uma das poucas magas celestiais que eu conheci que é realmente boa.

Sorri e caminhei até o portão mais próximo.

— Pronto… — falei me afastando.

— Exatamente como Arata falou… Foi ruim no começo… Mas me sinto bem agora.

— Senti algo daqui também. — Leon falou — Como se toda sua negatividade fosse jogada pra fora.

— Enfim, Yakov já está voltando. — Ayane falou cheirando o ar. Maya fez o mesmo e sorriu em concordância.

Percebi que todos estavam acordados. Riza me entregou uma maçã.

— Que gato invejoso~! — Muren falou, de repente, tomando controle o controle e Arata.

— Como é, rato!? Você acha que é especial aqui!?

Felem e Muren começaram a correr, literalmente um gato e um rato.

— Vai lá, mano! Pega ele! — Feles gritou, mas antes que conseguisse falar mais alguma coisa, Maya voltou ao controle.

Yakov se aproximou, olhando para Isana e Arata, confuso, antes de perceber que eram os espíritos. No fim ele revirou os olhos. Yakov enfiou a mão no bolso e tirou um mapa.

— Onde conseguiu isso?

— Uma senhora da cidade me deu. Ela me comprou um pedaço de bolo também. E disse que eu era um rapaz educado.

— Que falso. — Lize falou — Você deve ter mostrado seu sorriso de bom garoto e ela simpatizou com você.

Yakov deu de ombros.

— Fazer o que? Eu sou um bom garoto. — todos olharam pra ele com descrença — O que há com esses olhares?

— Isana é um bom garoto! Arata é um bom garoto! Você é uma serpente astuta! — Ayane falou, os outros concordaram. Yakov sorriu. Um sorriso deveras perverso.

— Se vocês dizem. Enfim. — ele abriu o mapa —  Estamos aqui. Ao noroeste da capital.

— É um bom caminho até Kailan… — Lin falou. Olhei para ele confusa. Lin sustentou meu olhar por alguns segundos antes de revirar os olhos — Kailan, mulher, meu reino.

— Ah sim… Desculpe, eu nunca tinha ouvido o nome.

Algumas risadas circularam o ar. Lin se levantou e chutou a fogueira, a muito tempo apagada, provavelmente para tirar a prova de que alguém esteve ali. Aos poucos nos levantamos e pegamos nossas coisas.

— Vamos nos dividir em pequenos grupos e andar um pouco afastados. — Riza disse — Vai ser estranho se tanta pessoas andarem juntas, carregando tantas coisas.

— Okay. — respondemos.

Fiquei com Yakov, Maya, Isana e Vlad. Me pergunto porque, raios, Riza empurrou ele no grupo onde Isana estava.

Isana não gostou muito. Maya e Yakov olharam para Vlad friamente.

Meu corpo esfriou.

“̡M҉atá̕-̧ļo ̵s̷e̵ria̶ me͏lh͜or… Se͡ ̶pȩn̨sar ̶ém̡ ̶tu̧d͝o͘ qu̧e ̷ele ͡j̴á͜ ͜fez.̶”

Balancei minha cabeça. Que tipo de pensamento era esse?

Nós saímos da floresta. Estávamos só a alguns metros de Lin, Xiao Riza e Kira. Atrás de nós estavam só Sahar e Hasan.

Como Riza disse, não chamávamos tanta atenção. Parecíamos que éramos todos do mesmo grupo, mas estávamos afastados demais pra pensarem que iríamos causar confusão ou algo assim.

— Estão com a sensação de que estamos sendo observados? — Vlad perguntou. Antes que eu conseguisse olhar em volta ele segurou minha cabeça. Yakov rapidamente bateu na mão dele — Não olhe. Se for verdade, eles vão perceber.

— Senti isso também. — Yakov falou.

— Não senti nada. — Maya resmungou, mas Feles rapidamente assumiu e se concentrou. Os olhos azuis elétricos varreram tudo à nossa frente, sem virar a cabeça. Em seguida se virando para trás e acenando para Sahar, mas seus olhos também dispararam por tudo ao redor — Hun… Tenho essa sensação também… Mas não sei da onde vem- Feles, pare de pegar o controle assim do nada!

— Também não sinto ninguém nos observando, mas Felem concorda com vocês. E ele mandou você parar com isso Feles.

— São tão barulhentos… — Vlad reclamou.

— Blá, blá, blá, blá! — Isana disse sem emoção.

— Muito maduro da sua parte.

— Também foi muito maduro da sua parte ajudar a matar o meu irmão. — Isana rebateu friamente. Vlad abaixou o olhar. Minutos de silêncio se estenderam. A tensão entre nós era tanta, que quase chegava a ser tangível. Vlad bagunçou os cabelos, soltou um ruído raivoso e, enfim, falou:

— Desculpe… Sinto muito... Sei que isso não vale de nada… Não vai trazer seu irmão de volta. Mas o que fiz foi errado. Eu não devia ter falado com ele… Com todos vocês daquele jeito.

— Claro que foi errado. E sim, você está certo, suas desculpas não valem nada. Mas fico feliz em saber que você percebeu seu erro. Pode morrer sabendo disso.

— Sou velho, mas ainda posso aprender uma coisa ou outra.

— Velho. Velho! — Isana riu — Cinquenta anos não é ser “velho”!

— Vocês me chamam assim, certo? Se decidam.

— Porque você é mais velho que a gente! — Yakov revirou os olhos a contragosto — Não quer dizer, literalmente, que você está velho!

— Obrigado.

— Não tome como um elogio.

— Mas foi um elogio, Yakov.

— Cala a boca, Maya.

— Senhorita Lucy! Yakov não é extremamente adorável quando está de mau humor?

— Não sou adorável.

— Sim, ele é. — falei, eu e Maya ficamos uma no lado da outra — Já viu o Isana envergonhado? É uma graça também.

— Ei! Eu não-

— Sim, mas nada se compara a eles dormindo, certo?

— EI! — os dois falaram ficando vermelhos. Maya e eu nos olhamos, pra então rir. Vlad soltou uma risada baixa e disfarçada também..

— Relaxa. Só estamos mexendo com vocês! — falei cutucando o lado de Yakov.

— Éééé, já deviam estar acostumados! — Maya sorriu zombeteira.

Yakov e Isana fizeram caretas. Vlad riu mais um pouco.

Eu e Maya nos olhamos e sorrimos, felizes por quebrar o clima tenso. Depois disso, o resto da caminhada foi calma. Paramos algumas vezes pra olhar alguma coisa que chamava a nossa atenção. Sinceramente, todos nós estávamos encantados em ver cada pequena coisa, depois de tanto tempo no escuro, só não admitimos tão abertamente.

Não paramos pra almoçar. Continuamos andando, Riza e Kira só trouxeram algumas frutas para dividirmos.

— Você não vai voltar pra sua guilda? — Isana perguntou, quase no final da tarde.

Franzi a testa e passei minha mão por meu rosto.

— Eu vou… Só que… Acho que vou com vocês até Kailan e depois vou à Magnólia…

— Podemos ir com você. — Vlad falou.

— Você está sonhando se acha que vai ficar perto dela! — Isana falou irritado.

— Vlad, não ouse fazer nada contra ela! Se tentar machucá-la, nós vamos te matar! — Yakov rosnou.

— Vocês já não passaram da época da puberdade? Por que estão todos irritadinhos por eu ficar perto dela? Estão com ciúmes?

Os dois estreitaram os olhos. Isana ergueu o punho e o lançou na direção de Vlad. Ele se abaixou e em seguida deu um pulo, escapando de uma rasteira de Yakov.

— Por que estão brigando? — Riza falou, quando nos aproximamos do local onde o grupo se juntava para acampar — Parem com isso!

— É, parem com isso! — Vlad repetiu sarcasticamente.

Chegamos em Kailan depois de três dias, mais ou menos.

Na verdade, quando passamos pela fronteira, foi bem claro de que estávamos passando para o reino derrubado de Lin.

Estávamos em uma das cidade de Fiore que faziam fronteira com Kailan.

Essa cidade ficava a duzentos metros do começo das ruínas do reino de Lin. Construções completamente abandonadas e destruídas, mato, grama, videiras, musgos cobrindo o chão, as construções.

Debaixo da grama, e escondidas pelas paredes ainda de pé, haviam cinzas, marcas negras na parede, mostrando que o fogo, há muito tempo, destruiu tudo em seu caminho.

Lin e Xiao pareceram distantes assim que cruzamos os “duzentos metros de fronteira entre Fiore e Kailan” como Arata chamou. Ninguém quis interromper esse “momento” dos dois. Os dois olhavam em volta, quietos, parecendo querer absorver as informações ao redor.

Foi difícil entrar na cidade sem ser percebido. Havia pouco monitoramento, mas ainda sim os guardas andavam pelas ruas. A única coisa que dizia que era um lugar restrito e que era uma fronteira, era uma cerca, a cem metros de cada uma das duas cidades. Uma cerca alta, de madeira e arame farpado, desgastada pelo tempo, que parecia cercar toda a fronteira, ou a maioria dela.

— A capital fica nessa direção. — Lin falou tomando a frente do grupo.

Xiao piscou e olhou as costas de Lin, antes de falar:

— Kailan é um país pequeno. Só tem cinco cidades. Uma em cada ponto cardeal e uma no centro, que é a capital.

— Ponto o que? — Arata perguntou sem prestar atenção.

— Norte, sul, leste e oeste, tonto!

— Cala a boca, Kira. Não me chama de tonto, seu estúpido.

— Calem-se! — Leon falou.

— Tem uma ilha que também pertence a Kailan… Mas provavelmente não vamos usá-la… É complicado se locomover por lá. Tem muitos corais e muitas rochas ao redor da ilha. — Xiao disse pensativa.

— Certo, a capital é só ir seguindo pro centro, certo? — perguntei. Xiao concordou. Parei de andar e estendi minha trouxa de roupas para Yakov — Pode levar pra mim? Agora que chegamos em segurança aqui, eu vou voltar até a Fairy Tail. Vou pegar missões aqui por perto para ganharmos dinheiro. Se qualquer coisa de errado acontecer, é só vocês irem até Magnólia. Volto em breve, ok?

— Ah… Você já vai? Quer que algum de nós te acompanhe? — Arata perguntou.

— Não precisa, vou ficar bem.

— Só pro caso de você precisar enviar alguma mensagem… Sabe? Se alguma coisa acontecer… — Isana falou pegando um pote de vidro, que até pouco tempo atrás tinha pimentas, de dentro da caixa que Hasan carregava. Ele abriu a tampa, a magia dourada dele se manifestou em um feixe fino e entrou no pote, até formar uma borboleta, que em pouco tempo mudou para um pássaro, então se mudou de novo para uma libélula, depois uma lagartixa e continuou mudando e repetindo o ciclo. Ele tampou o pote novamente e o estendeu pra mim.

— Obrigada… — falei pegando o pote. Riza então me entregou um tipo de bolsa de pano improvisada.

— Tem um pouco de comida e uma muda de roupas. Se cuide! Ou eu vou ficar brava com você! — ela disse falsamente irritada. Ela depois sorriu e me abraçou — Tome cuidado.

— Vou tomar!

Arata me abraçou e choramingou.

— Volte rápido!

— Vou voltar.

— Espero que pense em uma boa história. — Maya falou dando uma risadinha.

— Não fale nada de nós! — Yakov aconselhou me entregando o mapa — Nem se meta em problemas! Nem rasgue meu mapa! Ele é meu!

Sorri e me virei.

—  Tentem não sentir muito minha falta.  

— Cale a boca. — ouvi Leon dizer.

— Tão barulhenta. — dessa vez foi Hasan.

— Silêncio, tola. — Lin disse com toda a arrogância que tem.

— Uh, tão frios!

— Você não tem que começar a andar? — Kira reclamou — Isso já tá ficando chato!

— Xô, xô! — Lize abanou a mão pra mim.

— AH, tá bom! Já vou!

Caminhei novamente para Fiore. Assim que atravessei a fronteira comecei a correr. Cruzei as ruas da cidade a toda velocidade.

Só parei quando estava quase saindo da cidade. Quando alguém se colocou na minha frente. Não consegui parar a tempo e por consequência fui recebida por um chute que me lançou no chão;

Apoiei minhas mãos contra a rua e dei um mortal pra trás.

— E aí, amiga? Com pressa?

— Você…!

“Cor҉r҉a!”́̀͘

͡“N̸ã́o!̧ Mate̵-̴o̧,̕ ͟r͝á̷p̨id̛o !”

Soltei um suspiro trêmulo e me abracei, tentando espantar o frio.

Agora eu tinha uma visão clara do rapaz. Devia ter minha idade. Tal como eu achava, seus cabelos eram negros, estavam presos em um rabo de cavalo que batia pouco acima do ombro. Os olhos dele eram uma cor desbotada de cinza. As roupas eram simples, calça pretas, camisa cinza e botas militares.

— Bom trabalho, Mork.

— Não me chame assim, seu escroto! — Morker reclamou pousando no ombro do garoto e desativando o aerea, assim como eu tinha pensado da primeira vez, ele era cinza com olhos pretos — Eu tive o maior trabalho de vigiar essa gente sem que me-

— Você estava nos observando!? Seu-

— Não me entenda errado. — ele falou erguendo as mãos — Não vou passar essa informação a ninguém.

— Sim, claro, porque você parece ser de muita confiança. Eu nem sei seu nome! E também-

— Certo, certo. Sou Zero Nizak.

— O que você quer?

— Troca de favores. — ele falou com um sorriso frio e calculista.

— O que?

— Se me ajudar, eu ajudo você também.

— Eu não-

— Pra começar, não vamos conversar agora. Eu estou ocupado, você também. E lembre-se, eu tenho acesso a todos os relatórios daquela e desta época. — trinquei meus dentes — Está indo para algum lugar, certo? Pra mostrar que posso ser útil, Morker vai te levar.

— Ele o que?

— EU o que? Como você vai decidindo essas coisas!? E se eu-

— Cale-se! Leve-a para onde ela quer, e talvez ela dê a permissão para que você veja a Maya. — Zero sorriu. Pensei que ele estava provocando o exceed… Mas de repente, o sorriso me pareceu triste demais.

Morker estremeceu.

Olhei confusa para os dois.

— Eu levo… Mas não quero vê-la ainda… Só quero que ela saiba que eu estou aqui. — Morker disse tristemente. Ele ativou o aerea — Quer que te eu leve algum lugar, senhorita maga?

— Senhorita? Que falso. — Zero riu — Hey, não se preocupe, Morker não está aliado a Doutora, na verdade, ele a odeia e faria de tudo pra vê-la se ferrar.

Morker balançou a cabeça.

— Por que está fazendo isso? Na primeira vez que nos encontramos disse que não tinha a mínima intenção de me ajudar.

— Não te conheço bem o bastante para te ajudar, verdadeiramente, sem ganhar nada em troca. Quem sabe no futuro. Mas se tem uma forma de ferrar com a Doutora é soltando algumas informações à você. Aquela mulher é uma egoísta nojenta e eu a odeio. Eu estou cansado de esperar que aquela vaca confie completamente em mim, mas eu trabalho pra ela a mais de cinco ou seis anos! Não vou jogar a confiança que consegui no lixo!

— Se a odeia tanto-

— Já não falei que tenho meus motivos? Vai aceitar a carona ou não?

— É… Por causa da Maya?

Zero me olhou, não demonstrou tanta surpresa ou tristeza quanto eu estava esperando. Na verdade… Ele não demonstrou nada.

— Meu mundo não gira ao redor dela.

Fiquei surpresa com isso, mas tentei ao máximo ficar com um rosto estoico.

— Vou aceitar a carona. — falei, desviando o olhar.

— Ouviu, certo, Morker? Eu tenho que voltar pro laboratório.

Morker voou até mim e Zero entrou em uma ruela a sua direita.

O exceed esperou um tempo antes de falar.

— No começo foi pela Maya… Mas Zero criou um ódio grande pela Doutora, ele tem um lado bem vingativo, então foi esperado.

— Então ele está, no fim, fazendo isso pela Maya?

— Sim… Acho que ele ficou muito puto em saber que ela agora é uma hospedeira. Ah, não se preocupe com a personalidade de merda dele, você se acostuma.

— Acostumo?

— Ele não vai mudar muito. Bem, pra onde quer ir?

— Magnólia, por favor.

— Uh… Aquele vadio de merda… — Morker reclamou — Vamos ter que fazer pausas! Ecxeed’s são muito menores que humanos, nos cansamos rápido se carregarmos peso.

— Eu sei. Pode parar pra descansar quando quiser, não vou reclamar.

Morker me segurou e alçou vôo.

Fiquei surpresa em chegar de noite, sendo que eu achava que iria chegar na tarde de amanhã. Morker parou quatro ou cinco vezes para descansar. Acabei dividindo minha comida com ele, conversamos sobre o Zero, e, tal como eu esperava, Morker deu respostas evasivas a quase todas minhas perguntas, nunca falando mais que o necessário. Não tocamos no nome da Maya, então quando o assunto acabou, não falamos mais nada.

— Chegamos… — Morker falou parando nos limites da cidade. Ele pousou em meu ombro, fiquei confusa com isso.

— Não vai voltar?

— Vou fazer o trabalho completo. Vou te levar de volta até… Como é o nome?

— Kailan.

— É… Vou te levar de volta pra lá. Não é como se eu tivesse o que fazer. Ou é você ou os bostas do laboratório.

Soltei uma risada.

— Você não gosta de ninguém lá, né? — ele me olhou, com isso a resposta era óbvia — Vamos para a guilda… Talvez você queira se esconder? Sabe… Exceed’s normalmente são companheiros de Caçadores de-... Wow… Zero é-

— Não é óbvio? Ele é um Caçador de Dragões, sim. Mas não vem ao caso agora… Abre sua bolsa. Vou dormir, se acontecer alguma coisa pode me acordar.

Abri a bolsa de pano e Morker entrou ali. Suspirei e comecei a andar.

Depois eu iria passar no prédio onde eu morava. Ver se a dona do lugar havia se livrado das minhas coisas.

— Morker? Está acordado ainda?

— Estou… Mais ou menos.

— Eu… Estou com medo… E se tudo der errado? E se eu falar o que não devo? Pra todos eles, eu devo estar morta…

— Uh… Diga que não lembra de muita coisa, que eles te deram força pra continuar, que você nunca passou por algo tão difícil na sua vida… Seja sentimental e não conte nada, basicamente.

Dei um sorriso e fiz um carinho na bolsa.

— Obrigada… Tem razão.

Depois de algum tempo eu estava em frente a Fairy Tail. Respirei fundo, coloquei a mão na porta e a empurrei. Me abaixei desviando de uma mesa, soltei uma risada. Tudo continuava igual.

Gajeel foi o primeiro a me notar, já que estava em uma mesa perto da porta. Levy estava sentada de costas pra mim, mas virou rápido como uma coruja assim que Gajeel falou alguma coisa.

Ela começou a chorar. A esse ponto, mais pessoas tinham notado minha presença. Levy correu até mim e me abraçou. Sorri e retribui o abraço, sentindo as lágrimas escorrerem por minha bochecha.

— Lucy! Pensamos que… — dessa vez foi Erza, ela se aproximou e tomou o lugar de Levy.

— Eu voltei. — falei me afastando, tentando ao máximo não soluçar. Natsu e Gray foram os próximos a correr até mim, me abraçando.

Continuou essa coisa de reencontro por mais uns dez minutos. Hasan e Kira iriam vomitar se estivessem aqui, com certeza.

Depois me sentei em uma mesa com meus amigos, falando que eu havia sido jogada no abismo, passei muito tempo desacordada, quando acordei, estava com alguns ossos quebrados, mas com a ajuda de Loki, eu consegui me recuperar. Foram meses longos e difíceis e eu estava assustada e blá blá blá.

Era difícil mentir para eles, mas… No momento, eu não me importava nem um pouco.

Lisanna pediu milhões de desculpas por fugir, mas consegui acalmá-la e disse que estava tudo bem.

O mestre se aproximou de mim e me abraçou, como uma filha, disse algumas palavras que quase me fizeram chorar e anunciou que tínhamos o que celebrar essa noite. A típica festa estilo “Fairy Tail” durou até altas horas da noite e só parou quando a guilda começou a esvaziar — ou as pessoas começaram a desmaiar de bêbadas.

Fiquei o tempo todo na mesa com Levy, Gajeel e os membros do meu antigo time.

— Você parece diferente, Lucy. — Erza falou. A olhei por alguns segundos e sorri.

— Acho que amadureci um pouco. Passei por mais coisas pelo que podem imaginar.

— Você foi caçada por alguma coisa? — Lily perguntou, olhei confusa pra ele — Tem uma cicatriz na sua mão.

Olhei para a cicatriz. Morker se mexeu na bolsa no meu colo.

Sorri e concordei.

— É… Por bastante coisas… Mas o pior? Foi o macaco… — falei me lembrando de Kira. Aquele pirralho me deu um tiro e depois disse na maior inocência que foi sem querer. Além de sempre puxar brigas comigo.

Eles me olharam confusos, provavelmente se perguntando do que eu estava falando.

— Fico tão feliz por ter voltado. — Levy disse com alívio.

Sorri novamente.

— Minha casa foi vendida?

— Ah… Sim. Mas todas suas coisas foram para a Fairy Hills.

— Okay. Vou passar lá depois… Talvez pegar algumas missões depois…

— E-ei, Lucy! — Gray falou — Vá com calma, você acabou de voltar da morte. Fique alguns dias descansando. Pode ficar na Fairy Hills ou na casa do Natsu, certo?

— Gray, sou uma maga celestial… E no momento… Meus amigos estão com problemas, eu tenho que ajudá-los.

— Nós podemos- — Natsu começou, mas eu o calei, levantando abruptamente e batendo as mãos na mesa… Ser um pouco rude agora não vai dar nenhum problema, certo?

— É algo que eu tenho que fazer sozinha. Aquela vadia pegou as minhas chaves, e pelo que sei, machucou muita gente, isso virou algo pessoal! — fechei os olhos e respirei fundo, ignorando os olhares chocados — Conheci algumas pessoas que viram essa mulher, quando eu saí da floresta. E ela é tão horrível quanto eu achava! Não quero que se envolvam nisso! É algo que eu tenho que fazer! Me desculpem, mas não tenho tempo pra descansar!

— Lucy- — Erza foi interrompida quando Morker ralhou.

— Como eu posso dormir se tudo aqui é tão barulhento!?

— Desculpe, Morker. Quer sair? — perguntei. Morker saiu e pousou no meu ombro. Todos ficaram confusos, surpresos, olhando para o exceed — Ele é o exceed de um cara que eu conheci quando sai da floresta… Ele me ajudou a vir até aqui.

— Você não achou importante dizer isso antes? Que conheceu alguém que te ajudou?

— Não mudaria nada na relevância da história, Gray. Eu tenho que ir resolver algumas coisas e devolver esse carinha aqui.

— Faz mais de um ano que você sumiu, Luce! — Natsu falou, triste — E você mal chega e já vai embora de novo.

— Me… Desculpe, Natsu... Eu… Eu vou voltar… Só tenho que arrumar as coisas… Pode parecer que… Eu sou louca ou coisa assim… Mas minhas chaves são importantes. Vocês sabem disso.

— Podemos te ajudar! — Lisanna argumentou. Discordei com a cabeça.

— Não, não podem. Ela é uma maga celestial também. Isso é algo entre a minha “laia”. — falei fazendo aspas com os dedos — Ei, gente, eu vou voltar… Mas… Isso é tão importante pra mim quanto achar o Igneel é pro Natsu.

— Podemos ir embora? Já viu eles! — Morker reclamou.

— Vamos passar a noite na guilda.

— Lushy! Pode ficar lá em casa. Certo, Natsu? — Happy disse olhando para o rosado.

— Claro que sim! Eu… Entendo como se sente… Fico triste que tenha que sair de novo, quando acabou de voltar… Mas sei que Loki e os outros são importantes pra você.

Sorri.

Morker bufou, soltando um profundo e irritado “Uhhhhh”.

— Podemos trazer algumas coisas suas da Fairy Hills… — Levy disse levemente deprimida.

— Sim, vamos trazer roupas e… Quer mais alguma coisa?

— Obrigada, Levy, Erza. Ah… Não, só roupas. De preferência só calças e blusas.

— Certo. — Erza concordou, fazendo um joinha — Não quer ir pra Fairy Hills com a gente?

— Nah… Vou com o Natsu.

Morker pulou do meu ombro, pra cima da mesa, pisando dolorosamente na cauda de Happy e esbarrando em Lily.

— AHHHH! — Happy gritou. Morker sorriu e levantou a pata.

— Ooopa, me desculpa.

— Caramba Morker, você é pior do que o-

— Não me compara com o pedaço de bosta, ou eu te solto a cem metros do chão e te transformo em uma pasta vermelha! — ele rosnou. Natsu soltou uma risada.

— Você é tão rude! — Natsu disse.

— Quem te incluiu na conversa!?

Soltei uma risada e peguei Morker no colo. Natsu estreitou os olhos para o exceed, como se estivesse sendo chamado para uma briga. Mas logo depois sorriu.

— Vamos, Luce? Ou quer ficar mais um pouco?

— Já podemos ir.

Abracei cada um dos meus amigos e sai da guilda junto de Natsu e Happy.

— Você provavelmente já ouviu isso muito hoje… Mas você está bem?

— Vou ficar… — murmurei — É difícil por causa das minhas chaves… Por todos que já sofreram pelas mãos daquela mulher...

— Você disse que ficou perdida na floresta… Então... Como sabe disso? — Natsu perguntou confuso e desconfiado. Olhei pra cima. Sorri. E então fitei Natsu.

— As estrelas caídas me contaram.

— Pfff! — Morker riu — Que idiota! Você fala com estrelas!?

— Lushy! Você me trocou por ele!? — Happy perguntou, quase ofendido. Revirei os olhos.

— Não. Não é como se eu quisesse ter com ele como companhia. Mas ele não é tão irritante como você, Happy.

— Hahahhahaha! — Morker gargalhou.

— Isso é rude! Pare! — ralhei. Natsu riu da situação.

A caminhada continuou calma e lentamente. Natsu e eu conversamos sobre o que havia acontecido na guilda no último ano. Os novos membros, as missões, as brigas, os festivais, as… Tentativas de ir atrás de mim.

Ignoramos Happy e Morker o caminho todo.

— Quer ir tomar um banho, Luce? — Natsu perguntou abrindo a porta da casa — Você pode dormir na minha cama.

— Por que você oferece a cama, se você vai acabar se esgueirando pra ela no meio da noite?

Natsu coçou a nuca e riu.

— Tem razão.

— Bem, eu vou tomar banho. — falei colocando minha bolsa na mesa e pegando a roupa que Riza havia separado pra mim — Se qualquer um dos três tentar entrar… Eu quebro cada um dos seus ossos em três partes!

Natsu riu de novo.

— Não se preocupe! Quer algo pra comer?

— Não, obrigada.

Entrei no banheiro e soltei um suspiro pesado. Tranquei a porta e me despi, entrando no chuveiro em seguida. Deixei a água cair sobre mim por alguns poucos minutos, sem me mexer nem nada.

Fechei o chuveiro, me sequei e coloquei minha roupa de baixo. Após isso fui até o espelho para pentear meu cabelo. Peguei o pente, tinha alguns fios rosas do Natsu, puxei-os e os joguei no lixo. Comecei a pentear meus cabelos.

Olhei meu reflexo.

Pisquei confusa.

Levei a mão até a mancha em minha barriga. A esfreguei, mas ela não saiu, significando que não era sujeira ou algo assim.

A marca era irregular, não tinha forma nenhuma, era só uma mancha, minha pele nessa região tinha um tom cinza, cinza escuro, e em lugar nenhum isso seria… Normal… Certo?

— Mas o que…

Franzi a testa e esfreguei a marca de novo.

Minha cabeça doeu, um zumbido atingiu meus ouvidos, fazendo a dor piorar. Segurei minha cabeça e fechei os olhos.

Eu nunca havia sentido uma dor de cabeça tão forte.

Cai de joelhos no chão, agarrei meus cabelos, travei minha mandíbula e apertei meus lábios, impedindo que qualquer ruído ou grito saísse.

“͢E͜stá doen͏d̀o̸… ̴EŞTÁ DO͞EN̵DO̧!”

̷“Dó̕i!̶ ͟D̵ó͜i͘!́ IGU҉A̛L͢ ̀DA̛Q̀UE̕L͠A ̕V͏EZ!̨”

Pisquei… Daquela vez? Eu nunca senti uma dor assim antes… Por que pensei isso?

Arregalei meus olhos. Engoli em seco e mesmo depois da dor sumir, eu fiquei parada, abaixada, segurando minha cabeça. Eu estou ficando… Doente…? Eu deveria ir ver um médico, talvez?

Respirei fundo e soltei uma risada seca. O que eu estava esperando?

— Luce? Está tudo bem? Você está demorando.

— Desculpa, já vou sair.

Me vesti. Dei uma última olhada na mancha e abaixei a camisa.

Saí do banheiro, dando lugar ao Natsu. Me deitei na cama e suspirei.

— Para com isso! Por favor? — Morker disse, sentando na janela. Happy estava sentado nela também, os dois estavam o mais distante possível um do outro.

— O que?

— Suspirar! Você parece uma coitada que foi chutada do emprego ou algo assim!

— Para de incomodar a Lucy! — Happy disse estreitando os olhos.

— Volta a comer seu peixe, palhaço azul! — Morker revirou os olhos.

Os dois discutiram mais um pouco. Peguei a ponta do rabo de Morker e olhei para o pingente dourado na forma de espinha de peixe.

— É bonito. Zero te deu esse pingente?

Morker e Happy olharam pra mim. O gato cinza bufou e puxou a cauda da minha mão rudemente.

— Não. Os pingentes foram… — o olhar dele se tornou repentinamente triste. Na hora percebi de quem ele falava. Maya que presenteou ele com os pingentes. Balancei a cabeça — Zero me deu as argolas. Me entregaram no natal, quando éramos crianças. Eles meio que tiveram a mesma ideia… Sabe? Acusaram um ao outro de terem roubado a ideia um do outro… Mas quando viram o quão feliz eu fiquei… Eles fizeram as pazes muito rápido. Foi… O melhor natal da minha vida.

— Eu imagino. Mas foi uma coincidência muito conveniente, certo?

Morker riu e concordou. Happy voltou a comer o peixe que tinha nas mãos, só escutando a conversa se desenrolar.

Acabei dormindo depois de um tempo. Natsu deitou ao meu lado, nossas costas uma contra a outra.

Por alguma razão, o calor dele me fez pensar que... Nem se comparava ao calor de Lin.

...

Acordei cedo. Me levantei sem incomodar o Natsu.

Escrevi um bilhete, agradecendo, me desculpando e dizendo um “até logo”. Eu sei que era horrível ir embora assim, mas eu não iria aguentar uma despedida.

Cutuquei Morker. Ele se mexeu e abriu os olhos. Ele havia dormido em um pequeno sofá na sala de estar.

— Vamos?

— Hun… Não vai esperar eles acordarem?

— Não… Vai ser difícil ir embora se eles acordarem. Vão tentar me convencer, mesmo sem querer. Vamos pra guilda. Vou falar com o mestre e pegar missões.

Morker e eu saímos da casa. Comecei a correr até a guilda, Morker ativou o aerea e me acompanhou.

— Você é rápida.

— Obrigada.

— Porque… Quer falar com o mestre da sua guilda?

— Sabe, missões classe S valem muito mais do que missões normais. E eu tenho plena certeza que os… Ahn…

— No laboratório chamam eles de estrelas caídas. Ou então ratos. Ou experiências. Pode usar um desses termos se quiser.

— Então…  As estrelas caídas tem poder o suficiente para conseguir cumprir uma missão classe S. Eles são incríveis.

— Li os relatórios… Sei do poder dos espíritos e de alguns ratinhos que já tinham desenvolvido magia.

— Eles estão bem diferentes de quando eram crianças.

— Sim… Provavelmente. As pessoas costumam evoluir. — Morker disse ao meu lado.

Cheguei na guilda. Morker pousou no meu ombro. Empurrei as portas e entrei.

Como eu esperava, não tinha muita gente. Mira estava no balcão, eu esperava isso.

— Lucy. Bom dia. Está cedo. O que faz aqui?

— Primeiro? Tomar café. Por favor?

Mira riu e apontou para um banco no balcão. Me sentei e coloquei Morker sobre a superfície de madeira.

— Esse rapaz vai querer algo também? — Mira perguntou olhando para o exceed.

Morker deixou os ombros caírem, como se estivesse cansado, e mandou um olhar de tédio a Mira.

— Ah… Algo com frutas? Eu acho. Tanto faz. Sendo comida, está ótimo.

Mira riu e foi até a cozinha.

Pouco depois Mira voltou. Morker e eu comemos rapidamente.

— Vou falar com o mestre. Obrigada, Mira.

— De nada, Lucy. — Mira sorriu e acenou.

— Por aqui, gato cabeça quente. — falei pegando Morker no colo. Ele rosnou, mas não falou nada.

Bati na porta do mestre. É claro que ele estava lá. Entrei após ele permitir e me sentei na cadeira em frente a mesa.

— É bom te ver de novo. — o mestre disse sorrindo.

— Sim, mestre. — suspirei e desviei o olhar — O senhor sabe que vou sair de novo. Vou ficar fora por mais algum tempo. Mas eu definitivamente vou voltar!

— O que está na sua mente, minha filha? — ele perguntou, com uma expressão calma. Isso fez com que eu me acalmasse — O que te preocupa tanto que obriga você a ficar longe da guilda.

— Muitas coisas… Meus espíritos… Meus amigos, novos e antigos… O mundo celestial… As coisas corrompidas… Mestre, eu não sei se aguento isso tudo… Eu quero aguentar… Quero resolver os problemas… Mas…

— Lucy. Você aguentou até agora, não? Termine o que tem que fazer. Não precisa falar se não quiser. Sabe que a guilda está de portas abertas para você, pode vir se precisar de apoio. Se tiver qualquer problema venha até nós.

— Obrigada, mestre. Além disso… Eu vim aqui…

— Ela precisa de dinheiro. — Morker falou brincando com os pingentes em sua cauda — Então você pode dar missões para ela? De preferência classe S. Elas valem mais.

— Morker! — repreendi. Macarov riu.

— Conheceu um Caçador de Dragões, Lucy? Impressionante. Quanto a missão, você não é uma maga classe S. Não-

— Mestre! Eu juro. Juro que qualquer missão classe S naquele quadro podem ser realizadas pelas pessoas que conheci. Eu preciso ganhar dinheiro, mestre. Não temos nada! Literalmente nada! Vamos ter que conseguir roupas e comida do zero! Eu… Mestre… Juro que eu também sou capacitada pra realizar essas missões.

Macarov suspirou e olhou para mim. Provavelmente procurando algum traço de mentira ou hesitação em meu rosto.

— Certo. Irei abrir uma exceção à você. Mas não conte a ninguém sobre isso. — Macarov falou, como se estivesse pensando na confusão que essa exceção criaria — Mas se realmente precisa de dinheiro, pode pegar missões do quadro lá embaixo.

— Obrigada, mestre! — falei aliviada — Eu prometo que não conto a ninguém da guilda. E além disso, vou cumprir a missão com perfeição! Dessa vez vai ser só uma classe S, só para o senhor ver que estou falando a verdade.

— Hoho, não tenho dúvidas.

— Vou lá falar com a moça do bar enquanto você escolhe as missões. — Morker falou quando me levantei. Abri a porta para ele e ele voou até Mira.

— Vou trazer a missão classe S para você autorizar, mestre.

— Claro, Lucy.

Fechei a porta atrás de mim e caminhei até o hall do segundo andar, diretamente ao quadro de missões. Havia sete ou oito missões ali. Levei minhas mãos até uma missão que era no norte de Fiore, não muito longe de Kailan.

Minha espinha se arrepiou.

“F́òc̵o̧!” ̨

“Aten͟ção̡!”

“Atr̴áş!̡” ͝

“Ņi҉ng̨u̸ém é̵ ̕confi̶á͡ve͠l!̵”

Sai do caminho e pulei pra cima de uma mesa. Os bonecos de Bickslow bateram acima do quadro, fazendo um buraco na parede.

— O que pensa que está  fazendo, Heartfilia?

— Laxus… — resmunguei revirando os olhos — Pegando uma missão, o que mais seria? O mestre me autorizou a pegar uma missão classe S.

— Oh, é mesmo? — Bickslow riu alto.

— Você pode morrer, sabia?

— Oh, Laxus, então você só está preocupado comigo? — perguntei me sentando na mesa e sorrindo — Como é adorável.

Laxus revirou os olhos, mas não negou. No fim, ele está mesmo preocupado.

Freed e Evergreen, sentados na mesma mesa que Laxus e Bickslow, estavam olhando para mim também, com certa dúvida e preocupação em seus rostos.

— Acabou de voltar e já vai sair? Nem vai falar com os novatos? Eles realmente estavam felizes em saber que a nossa maga celestial voltou dos mortos. — Laxus falou, dando uma risada.

— Claro, imagino que sim. E imagino também que você não está nem aí para o que os novatos acham.

Laxus riu.

Levantei da mesa e peguei o papel da missão.

— Já deve ter ouvido isso, mas tome cuidado. — Freed falou, polido e educado.

— Vou sim.

Quando me virei para as escadas, Bickslow correu até mim. Me abaixei, desviando de um soco, pulei pra trás, me esquivei para a direita, dei um salto, pulei por cima de uma mesa, tudo escapando dos golpes de Bickslow. Levei um ou outro golpe, mas ele não estava com uma vontade verdadeira de me machucar.

Peguei o braço dele, me virei e o joguei no chão.

Ele gargalhou e suspirou.

— Você não usa mais saias, Lucy.

— Não gosto mais de saias. Não sou mais acostumada com elas... Seu pervertido!

Bickslow riu e se levantou.

— Foi um ótimo golpe, Lucy. — Evergreen aplaudiu. Sorri constrangida.

— Melhor ir rápido antes que Natsu chegue, certo? — Laxus falou — Se precisar de apoio, chame. Somos companheiros no fim das contas.

— Wow, Laxus, você está muito agradável. Nem parece aquele cara arrogante que mandava todo mundo se foder. — falei, quase sem pensar. Os três seguidores de Laxus riram, mesmo que tenham tentado segurar. O loiro me olhou descontente.

— É melhor ir embora antes que eu faça seu coração parar de bater.

Soltei uma risada e acenei.

Dobrei o papel da missão e fui até o quadro principal. Peguei duas ou três missões no norte do reino. Percebi que haviam alguns novatos já na guilda, eles me olhavam e sussurravam. Revirei os olhos e voltei a sala do mestre.

Ele falou um pouco comigo e assinou os folhetos das missões.

Desci novamente ao salão principal. Me sentei no balcão ao lado de Morker, que falava com Mira.

— Mesmo que seja uma coisa pequena, vale muito pra você, certo? Tenho certeza que vai valer muito para a pessoa também. — Mira falou entregando um saquinho vermelho, preso por uma fina corda marrom, para Morker — Eu lavei ele como você me pediu e coloquei o bilhete que você escreveu aqui também.

— Obrigado, moça.

— Pode me chamar de Mira. — a albina disse sorrindo. Morker pegou o saquinho e o colocou no bolso da calça — Aquela dupla de novatos está te olhando, Lucy. Porque não vai falar com eles?

Revirei meus olhos. Por um momento eu pensei que seria ótimo ter a presença do lorde das trevas aqui. Ele espanta todo mundo.

— Não é como se eu quisesse a atenção deles. Ainda mais por voltar dos mortos.

Eu e Mira conversamos por alguns minutos, antes de Erza entrar na guilda, carregando uma mochila.

Abracei Mira e lhe disse um breve adeus. Ela sorriu e concordou.

Fui até Erza pegando a mochila e a abraçando.

— Eu volto… Algum dia. — falei apertando o abraço.

— Eu sei. — Erza riu, me abraçando também — De preferência inteira. E se precisar de ajuda, mande uma carta pra mim!

Sorri, mas não respondi nada.

— Não vai esperar-

— Não quero passar por despedidas. Além disso! Já falei que volto! — eu disse em uma postura arrogante, mas com  as lágrimas perto de escapar.

Erza sorriu e concordou. Olhei para Laxus por cima do ombro e dei um pequeno aceno com a cabeça… Se eu precisar de ajuda, eu vou chamar Laxus e os membros do time dele.

Caminhei até a porta e a abri. Todos os membros presentes olharam pra mim quando ergui minha mão direita, mostrando o símbolo da guilda.

Não me virei pra ver se alguém repetiu o gesto.

— Vamos, Morker?

— Uhum…. Aqui, guarda isso! — ele me entregou o saquinho vermelho — Você tem que entregar pra Maya depois! Promete que vai entregar.

— Eu vou. Prometo.

“҉U͝hh,̢ q̢u̕em l̨ìg̀à!́?”

Balancei minha cabeça e guardei o saquinho vermelho na mochila. Fui correndo até os limites da cidade, lá Morker me pegou e levantou vôo.

Durante nossa terceira pausa eu perguntei:

— O que aconteceu com sua orelha? Por que ela está rasgada? Zero fez isso?

— Hun? Não. Zero nunca faria algo assim. Foi um acidente, na verdade… Foi bem idiota… Eu poderia ter rasgado um pedaço da minha orelha em uma briga ou algo assim… Mas no fim foi só uma ratoeira… — Morker disse infeliz.

Prendi a risada.

— Sim, foi idiota mesmo.

Morker estreitou os olhos e jogou uma pedra em mim. Desviei e gargalhei.

Já estava no fim da tarde quando chegamos na fronteira.

— Então, estou indo.

— Obrigada, Morker. Como… Eu acho o Zero, se eu precisar?

— Você não acha ele. Ele acha você.

Ah, isso me deixa muito tranquila.

— Aqui. — falei tirando o pote de vidro que Isana me entregou. O boneco de magia ainda trocava sua forma entre pequenos animais — Se o Zero tiver algum problema sério, ele pode pedir meu auxílio.

Morker pegou o pote e me olhou entediado.

— Você sabe que ele é orgulhoso pra caralho, né?

Revirei os olhos e me virei.

Corri até a cerca de arame farpado e continuei correndo. Passei pela cidade destruída. Levei muito tempo, mais de cinco ou seis horas, até ver algo que se parecesse com um castelo.

Era uma construção grande e destruída. A única parte de pé estava no meio de escombros, mas ainda sim tinha partes do teto abobadado destruído. A copa de uma árvore saia por essa parte destruída.

Subi pelos escombros e entrei na construção. Era um lugar que parecia ser um salão. O concreto do chão estava quebrado, havia grama e flores por todo o chão. A grande árvore que servia como “teto natural” estava próxima a uma das extremidades do salão.

— Senhorita Lucy! — Ayane foi a primeira a me notar — Sabia que eu tinha sentido seu cheiro! Como foi?

 



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