História Filha de Eva - Capítulo 2


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Categorias Originais
Tags Adão, Anjos, Demonios, Eva, Flora, Lillith, Lucifer, Magia, Romance, Sexo
Visualizações 12
Palavras 1.986
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 2 - Quem é a mulher do cordão?


Fanfic / Fanfiction Filha de Eva - Capítulo 2 - Quem é a mulher do cordão?

-Não pode ser ela. –Eu disse com a voz tremula sentindo minhas pernas fraquejarem.

-Me perdoe por contar assim, eu não sabia o que fazer. – Ágata suspirou. –Um dos vizinhos do sitio reconheceram o corpo.

Nenhuma palavra saia da minha boca parecia que meu mundo havia parado mais minha cabeça girava e girava. Eu não sabia nem o que eu sentia, se era ódio porque levaram minha mãe, ou se era tristeza, ou egoísmo por não tê-la mais, eu só sabia que doía, meu coração martelava tanto que meu peito doía meus olhos só sabiam chorar e meu corpo tremer.

-Eu estou aqui com você. –Ágata disse enquanto acariciava minha cabeça e ainda me abraçava.

-Com... C... Como aconteceu? –Gaguejei.

-Não é a hora de você saber os detalhes, tente se acalmar.

-COMO FOI? –Gritei me soltando dos braços dela.

-O corpo foi encontrado com o abdômen dilacerado na beira da estrada.

Aquelas palavras me atingiram como um soco no rosto, milhares de perguntas preenchiam minha mente. Quem? Por quê? Ela morava em uma fazenda afastada de tudo, todos sempre gostaram dela, e ela nunca fez inimigo a não ser por conta de velhas brigas em bar.

-Tá tudo bem? –Uma voz grossa perguntou.

Olhei assustada sabendo que meu rosto estava inchado e minha pele pálida com certeza estaria vermelha, ver a figura do Moisés ali parada com a cara assustada e saber que eu estava naquela situação só me fez chorar mais.

-Flora. – A mão da Ágata me amparou pelas costas. –Vamos sair daqui.

As palavras se perderam na imensidão da minha alma enquanto ela parecia se perder dentro do meu corpo e tudo que eu consegui fazer foi consentir com a cabeça.

Ela me abraçou pela cintura e me ajudou a caminhar em cima daqueles saltos imensos, pegou minhas coisas apoiou tudo no ombro e fomos saindo. Moisés estava parado feito pedra com um pen drive e papeis na mão tentando entender mais tudo que eu consegui fazer foi dizer quase em um sussurro.

-Está dispensado por hoje.

Ele pareceu mais atônito ainda quando minhas palavras o atingiram mais eu precisava sair dali, precisava correr e me esconder. Pelo fato de ter sido criada somente por uma mulher que era mais forte do que muito homem acabou aprendendo que chorar poderia ser uma fraqueza. Então a imagem dela com aqueles cabelos pretos ondulados cortados em um belo Chanel com seus lábios começando a ficarem moles pela idade invadiram meus olhos.

“Ninguém precisa saber que você tem momentos de fraqueza, meu pequeno pedacinho de anjo.”

Ela sempre dizia isso pra mim, enquanto segurava meu queixo com seus dedos magros, a Evangeline sempre me fez sentir como um verdadeiro anjo, sendo abençoada por tê-la e por ela me ter, afinal sempre fomos o porto seguro uma da outra e verdadeiras amigas.

-E o velório? –Perguntei quando finalmente me dei conta que já estávamos no carro.

-Suas tias vão cuidar de tudo.

-Ágata, porque isso aconteceu? –Perguntei aos prantos.

-Planos divinos? –Ela perguntou sem saber o que responder.

-Então Deus leva as pessoas dessa forma cruéis? – Aumentei a voz. –Que belo Deus. Ele devia proteger a minha mãe.

Ela então estacionou na frente do nosso prédio e veio correndo abrir a porta pra mim e me ajudar a sair.

-Porque estamos aqui?

-Você tem que se trocar. –Ela quase fazia uma manobra pra me ajudar e levar minha bolsa e fechar a porta atrás de mim. –E eu vou te dar um calmante, você deve se despedir.

-Eu não quero ver aquele rosto pela ultima vez. –Disse baixinho.

Algumas horas depois a Ágata já havia me dado banho, me obrigado a vestir um vestido preto com um casaco preto e me dado calmantes. Minhas lágrimas já haviam secado mais eu sentia meu olho ainda arder e minha cabeça parecia pesar quilos a mais sobre o travesseiro da cama dela.

-Esta na hora de irmos. –Ela disse entrando no seu quarto.

-Obrigada.

-Não me agradeça. –Ela deu um sorriso falho. –Calce minhas sapatilhas.

(...)

-Você é forte. –Ágata pegou na minha mão quando parou o carro na frente da capela. –Vai conseguir.

-Queria acreditar nisso. –E então sai do carro.

Não havia muitas pessoas no local, afinal Evangeline nunca fez muitos amigos, mas as pessoas ali pareciam realmente muito abaladas, e me confortou saber que gostavam dela o suficiente para partilharmos a dor.

-Meus sentimentos. –As pessoas diziam quando vinham me dar as condolências.

Ignorei os olhares de pena que eram me lançado e praticamente obriguei minhas pernas a caminharem até o caixão. Mas quando ele estava a alguns passos de mim senti meu interior todo tremer, apertei minhas unhas contra minha palma fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes.

-Quer companhia? –Uma voz perguntou. E assim que reconheci a voz recém-conhecida meu coração praticamente parou.

-Você. –Falei abismada virando meu rosto para aqueles olhos azuis brilhantes.

-Venha. –Ele disse me pegando pelo braço e me guiando até a lateral do caixão.

Assim que as pessoas perceberam que era eu saíram de perto e me deram espaço. E lá estava ela, sua pele havia perdido o brilho, mais ainda era o mesmo rosto, havia flores até os seios e eu me perguntei o que estavam escondendo ali em baixo. Levei meus dedos trêmulos até a sua bochecha e a frieza que seu corpo carregava fizeram as lágrimas que eu julguei ter secado brotarem novamente.

Varias lembranças me golpeavam fazendo doer cada vez mais. Eu me lembrava dos momentos que eu chegava toda ralada por brincar pelos barrancos e ela me fazia curativo e me dava um beijo suave na testa, de quando eu perdi meu primeiro dente, de quando chovia e nós montávamos um forte com cobertas na sala e ela lia historias até eu dormir, de quando eu menstruei e fomos comprar meu primeiro pacote de absorventes, de quando dei meu primeiro beijo e em seguida me apaixonei e tive meu coração partido como consequência. Lembro-me do sorriso de satisfação quando fui aprovada na faculdade e de como ela chorou na minha graduação.

“Eu sempre vou estar com você meu pedacinho de anjo.” Ela sempre repetia isso pra mim todas as noites incansavelmente, até quando eu me mudei ela às vezes ligava e se despedia assim.

-Eu sei que você sempre vai estar comigo mamãe. –Eu disse baixinho encarando aquele rosto. –Meu pedacinho de anjo.

-Vou deixar você sozinha. –Moisés disse.

-Não. –Segurei a mão dele. –Não quero ficar sozinha.

Então como forma de conforto ele passou um dos braços pelo meu ombro e me segurou enquanto a outra mão acariciava minha mão.

Eu nunca gostei de misturar as coisas, mas eu sabia que aquele não era o momento pra querer ser forte. E ali estava eu nos braços do homem que eu havia conhecido hoje mesmo, simplesmente amando o fato de ele estar ali, mas sem entender exatamente por que.

-Flora, querida.

-Tia. –Respondi a abraçando de uma forma desesperada.

-Se precisar de algo sabe que pode me procurar não é?

-Sim eu sei. –Soltei aquele corpinho magro e pequeno. –Digo o mesmo para a senhora.

-Tenho que te dar uma coisa.

-O que?

Ela então enfiou a mão no bolso do seu casaco e retirou um cordão dourado, com flores talhadas no seu pingente.

-Estava nas mãos de sua mãe.

-Acharam no corpo? –Perguntei pegando o colar e sentindo seu peso em minhas mãos.

-Sim, acho que deve ficar com você.

-Obrigada. –Disse quando meus olhos encheram de lagrimas.

-Quer que eu coloque no seu pescoço? –Moises perguntou quando ela se retirou.

-Não. – Respondi olhando fixamente para aquele objeto.

Foi então que eu apertei a lateral e o pingente se abriu, e eu pude notar que era um relicário lá dentro de um lado havia uma foto de uma mulher que eu jamais havia visto. Na verdade não era foto, era uma espécie de retrato pintado a mão, a mulher tinha cabelos castanhos claros, olhos escuros e a pele muito branca, do outro lado havia o meu nome escrito da mesma forma que havia sido feita a imagem. Analisei aquele rosto intensamente mais depois de vasculhar todas minhas memórias eu tinha certeza que nunca havia visto. Virei o relicário e vi que ainda havia sangue, que provavelmente era da minha mãe ali. Foi quando um impulso de desespero tomou conta de mim e eu enfiei no bolso do casaco tirando da minha mão aquilo, mais na minha mente aquilo predominava.

Olhei em volta procurando minha tia e não a achava sai andando rapidamente por todo o espaço e nada do rosto dela.

-Que foi? –Ágata perguntou.

-Viu a minha tia?

-Ela acabou de ir embora. –Ela apontou pra porta.

Corri desesperadamente até a entrada e pude ver o carro no final da avenida. Peguei meu telefone e comecei a procurar na agenda o telefone dela, mas minha mão tremula não me ajudavam a ter destreza.

-O que tá havendo Flora? –Ágata perguntou.

Coloquei o telefone na orelha e a cada barulho do outro lado da linha meu coração apertava mais, foi então que o céu junto com minha dor desabou e a água fria da chuva começou a molhar todos que começaram a buscar telhado, mas eu não me movi fiquei ali parada olhando o fim daquela avenida.

-Sim querida. –Ela respondeu com a voz meio cansada do outro lado.

-Quem é a mulher do cordão? –Perguntei sem rodeios.

-Flora, preste atenção. – Ela suspirou. –Você tem que achar as respostas sozinhas, mas não se preocupem elas estão todas dentro de você, você é uma garota esperta, eu confio que ira conseguir.

E então eu ouvi um barulho estridente do outro lado da linha e a ligação caiu e depois disso tudo que eu ouvi foi Tum Tum Tum.

-Flora vamos sair da chuva. –Ágata pediu me puxando pelo braço.

-Tem algo acontecendo. –Respondi ficando parada.

-Flora ela tem razão. –Moisés disse.

Foi então que percebi que ele estava parado atrás de mim e ambos estavam ficando molhados com o cabelo começando a grudar no rosto.

-Preciso ir pra casa da minha mãe. –Disse me virando e estendendo a mão. –Me empresta seu carro? –pedi a Ágata.

-Você precisa se despedir primeiro. –Ela disse incrédula.

-Eu já me despedi. –Disse soando irritada, começando a ficar impaciente.

-Eu te levo. –Moisés disse.

-Ótimo vamos. –Me virei e comecei a andar sem nem saber qual carro era.

-Flora. –Ágata chamou. –Daqui a pouco eu vou pra lá, tenho que resolver umas coisas aqui.

-É esse Moisés disse abrindo o carro.

Entrei dentro dele e só depois que me sentei percebi que estava começando a sentir frio e a bater os dentes.

-Vamos molhar todo seu carro. –Eu disse esfregando as mãos. –Me desculpe, eu pago a secagem e uma lavagem.

-Ei. –Ele chamou. –Não precisa pagar favores quando alguém faz de coração.

Ele então ligou o carro e começou a coloca-lo em direção a avenida.

-É só você seguir direto e duas estradas a frente virar a esquerda. –Expliquei,

-Posso perguntar o que está acontecendo?

-Eu também não sei.

-Acha que ir até lá te fará bem? –Ele perguntou tirando os olhos da pista e olhando para mim.

-Porque tá fazendo isso por mim? –Perguntei segurando o ar nos pulmões.

-Você está em um momento delicado, precisa de alguém e não faria sentido eu ver seu sofrimento e não estar presente.

-É algo parecido com pena então? –Perguntei soltando o ar.

-Nossa você é durona em Flora Vigo? –Ele riu sozinho. –Se fosse pena meus olhos me condenariam, me diga se vê pena em meus olhos? –Ele me encarou.

E eu não consegui responder, aquele par de olhos realmente não mentiam, não havia pena ali, mais no fundo eu me odiava por não saber o que havia, não dava pra lê-los e isso só me atraia mais, como uma mariposa se sente pela chama de uma vela.


Notas Finais


Vou postar um capitulo por dia gente <3
Criticas construtivas são bem vindas.
Comeeeeenteeeeem e me deixem feliz :)


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