História Finally You - Capítulo 29


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Tags Once Upon A Time, Swan Queen
Visualizações 2.115
Palavras 7.556
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


avisa lá que eu cheguei!!! peço desculpas pela demora em atualizar depois que restaurei a história, eu estava um pouco borocoxô e sem inspiração para escrita. a princípio iria restaurar somente quando me sentisse a vontade para escrevê-la novamente, mas como muita gente me pediu para ler e/ou reler os capítulos, restaurei assim que tomei a decisão de que iria finaliza-la. eu vi que não cabia excluir a história faltando somente alguns capítulos para o fim. pra quem não sabe, a fic não havia sido excluída por causa de críticas referentes a ela, até pq eu não levo como algo negativo, inclusive absorvo as construtivas, então se vc tiver alguma pode mandar! são ótimas para evolução da escrita. foi pq um tempinho atrás algumas pessoas estavam usando dela para me atacar, e não foram só uma ou duas vezes, vinha acontecendo um tempinho. confesso que tenho o defeito de ser extremamente insegura, e ver pessoas que nunca nem trocaram 5 palavras comigo, me mandarem palavras negativas fez eu me sentir bem mal, massss.... como as coisas boas sempre prevalecem, eu recebi muita energia positiva de uma grande maioria que fez eu me sentir bem melhor, muito obrigada!!!! e como tudo nessa vida tem o lado bom, até mesmo as coisas ruins eu deixo aqui um conselho pra vcs: quando alguém que não te conhece falar coisas ruins de você direta ou indiretamente, não absorva isso, foque no que vc é, nos que que estão contigo sabem que vc é, e siga em frente, já diria a peixinha dori: continue a nadar. /ACONSELHEI TODA.

obrigada por todos os comentários no capítulo anterior!!!! eu chega me tremo toda de alegria com vcs.

agora vamo ao capítulo que essa nota ficou quase maior que ele, boa leitura mores.

Capítulo 29 - Fix You


                                           “(...) Lágrimas escorrem pelo seu rosto
                                             Quando você perde algo que não pode substituir
                                                           Lágrimas escorrem pelo seu rosto
                                                                              E eu
                                               Eu te prometo que aprenderei com meus erros...”

Regina

Essa noite eu havia feito a escolha mais dolorosa da minha vida, deixar Emma ir. Eu poderia ter lutado, insistido, implorado para que ela nos desse mais uma chance, e eu faria isso, se não fosse a imensidão da mágoa e o desapontamento visto em seus olhos, se não fosse toda a dor que eu lhe causei. Amor, passamos grande parte da vida tentando entender o real significado dessa palavra tão curta, porém tão vasta. Hoje eu pude desvendar um pouco mais desse sentimento, amor o mais genuíno amor, é deixar ir quem se ama pela a simples conclusão de que é o mais saudável a ser feito. Eu não saberia apontar qual foi o estopim de tudo para ela, se fora Fiona ou a verdade sobre o seu emprego, mas eu sabia exatamente em que ponto da estrada nós perdemos o rumo, por que eu fora a culpada quando desviei da verdade por diversas vezes. Deixamos ali, naquele adeus, tanto afeto, tantas coisas que tínhamos por viver, todos os sonhos que um dia compomos juntas.

Sentada no banco do meu carro eu conseguia distinguir com exatidão os meus sentimentos naquele momento, sentia alívio por ter contado toda a verdade, sentia remorso e uma dor na alma que me rasgava por dentro, ao remeter que “nós” agora não existia mais, era somente eu e Emma, seguindo caminhos separados. Lembranças de uma conversa no dia do aniversário dela se fizeram presente em minha cabeça.

- Você é o amor da minha vida Emma Swan e eu quero passar todos os dias dela com você.

- Isso é um pedido de casamento, Regina Mills?

- Você se casaria comigo?

- No momento em que você quisesse.

Soltei o ar cansado, levando minha testa de encontro ao volante. Como eu pude ter me deixado levar por algo tão raso, tendo a imensidão de sentimentos que Emma me proporcionava? Lágrimas já não habitavam mais em meus olhos, mas o arrependimento e a vontade de poder voltar no tempo e fazer tudo diferente eram sufocantes. O relógio do rádio marcava 03h45min da madrugada. Eu não queria ir para casa, havia tanto de Emma lá. Uma pessoa surgiu em meus pensamentos e um sorriso cansado brotou no canto de meus lábios. Acho que de todas as pessoas desse mundo, somente ela nesse momento era capaz de me entender, relutei em tomar o rumo de sua casa, mas eu sabia que apesar de tudo que já aconteceu, encontraria acalento em seus braços.

Ao abaixar o vidro na portaria de seu condomínio tive a minha entrada liberada, pude ver o estranhamento nos olhos do porteiro, um senhor de meia idade, além do horário, havia tanto tempo que não vinha até aqui.

Toquei a campainha, que fora aberta, apenas longos minutos depois.

- Regina? – Sua voz saiu confusa junto a sua expressão sonolenta.

- Me desculpe vir essa hora sem avisar. – Murmurava – Mas eu preciso tanto de você. – Sem receios, me joguei em seus braços, onde fui envolvida rapidamente em um abraço terno.

- Minha filha. – Cora suspirou afagando os meus cabelos – Você pode vir até a mim à hora que for. – Depositou um beijo no topo de minha cabeça.

Se o meu apartamento era grande, a casa em que eu cresci era três vezes maior. Minha mãe andou comigo abraçada até a sala de estar, que possuía uma decoração contemporânea em tons claros.

- O Paul está aqui? – Perguntei sobre seu namorado, enquanto me sentava colocando a minha bolsa ao meu lado.

- Não, somos somente nós. – Respondeu arrumando seu robbie de seda na cor pérola em seu corpo. – O que houve querida? Eu estive preocupada durante todo o dia. – Sentou-se ao meu lado afagando meu rosto.

- Eu e Emma terminamos. – Dizer aquelas palavras em voz alta doeu – Na verdade ela quem terminou comigo. – Senti meus olhos voltarem a marejar. Ela apertou os lábios em uma expressão de lamentação.

- Sinto muito querida. – Pôs meu cabelo atrás da orelha – Quer me contar o que houve? – Pediu de maneira delicada.

Resumi toda a história que ocorreu em Seattle, sem entrar em grandes detalhes constrangedores e por fim contei a reação de Emma quando lhe contei a verdade sobre a indicação em seu atual emprego.

- Eu sabia que essa mulher traria problemas desde o momento em que eu bati os olhos nela. – Dizia com os olhos semicerrados – Eu só não sabia que seria esse tipo de problema. – Soltou o ar denso – Você nunca foi chegada à bebida Regina, beber ao ponto de não pensar nas consequências dos próprios atos? – Indagou.

- Eu estou tão arrependida. Os olhos de decepção de Emma, mãe, eu queria. – Minha voz falhou – Queria tanto ter feito diferente. Juro que se eu houvesse percebido qualquer segunda intenção eu teria cortado. Eu fiz tudo errado, não podia ter omitido sobre a sua indicação, não poderia ter chegado aonde cheguei com Fiona, eu destruí tudo. – Lágrimas encheram os meus olhos e ela me puxou para um abraço me aninhando em sem colo – Eu me sinto tão suja, me sinto como Graham. – Minha voz saia abafada.

- Não, Regina! – Ela me apertou me ninando de um lado para o outro – Jamais pense em se comparar com ele. – Repreendeu – Apesar de errar, você teve caráter em não esconder nada do que fez, foi honesta e Emma pode não enxergar isso agora, é normal, ela está magoada, ferida, mas quando tudo isso passar ela vai ver que você a ama. Não entendo o motivo de Emma se chatear tanto com a indicação, não era para ser algo tão grande assim, me desculpe por ter insistido tanto mesmo quando você disse que não era uma boa opção.

- A culpa não é sua, eu sabia o quanto isso feriria o orgulho dela e ainda sim prossegui. Tudo isso foi demais para ela. Emma nunca mais vai voltar a confiar em mim, eu não voltaria. – As palavras de Emma sobre confiança vieram na minha cabeça.

- É tudo muito recente, Regina. – Se afastou para eu deitar a cabeça em seu colo – Não existe relacionamento perfeito, quantas vezes eu e o seu pai erramos, nos mais de vinte anos que estivemos juntos, mas o amor prevaleceu. – Remexia meus cabelos em uma lenta caricia – Amor é bicho instruído, é perdão, confiança, confiança que quando quebrada pode sim ser reconquistada. Claro, quando nós somos dignos de uma segunda chance, e você meu bem, somente em ter sido sincera em não esconder nada sobre o que aconteceu em Seattle com Fiona, é digna de uma segunda chance. O amor de vocês é palpável, é bonito de se ver. Minha filha... – Suspirou – Não é em todas as esquinas que encontramos alguém que mude a nossa vida, nossa perspectiva. Amamos sim mais de uma vez na vida, mas alma gêmea só existe uma. – Franzi o cenho, nunca havia refletido muito sobre almas gêmeas, mas se realmente existisse, eu implorava para que Emma fosse a minha, por que eu não me imaginava envelhecer com outra pessoa, além dela – Em um mundo tão vasto cheio de encontros e desencontros vocês se encontraram de uma maneira tão improvável, olha só que história bonita. Não ache que você não é digna do amor de Emma por ter errado ou a decepcionado. Deixe o tempo passar, ele é um ótimo remédio para curar as mágoas e sanar feridas, dê tempo ao tempo. O que é pra ser nosso. – Se aproximou do meu ouvido – O universo se encaminha de colocar em nosso destino. – Sussurrou.

- Antes de Emma, eu era descrente do mundo e ela me mostrou tantas cores, formas e possibilidades. – Funguei limpando o nariz com as costas da mão – Me mostrou um mundo mais simples, mais singelo, mais terno. Ah, mãe... – Me encolhi apertando sua perna – Está doendo tanto, está me sufocando por dentro, nunca pensei que amar pudesse doer tanto.

- Eu sei que está doendo. A dor é necessária para aprendizados, é nela em que nos reerguemos e que muitas das vezes crescemos como ser humano.

Eu queria ter uma vida com Emma, casar com ela, ver nossos filhos crescendo e contar a história de como nos conhecemos. Queria envelhecer ao lado dela. Eu com certeza seria a senhorinha ranzinza e Emma, a senhorinha amável e sensível. Ela prepararia o meu chá e eu limparia seus óculos embaçados. Depois caminharíamos no parque de mãos dadas, orgulhosas da vida em que construímos juntas.

- Eu não sei o que fazer... – Murmurei perdida em meus próprios pensamentos.

- O melhor a ser feito agora é você tomar um banho e descansar. Você se alimentou hoje? – Neguei com a cabeça – Eu vou preparar algo para você comer.

- Não estou com fome. – Voltei a me sentar.

- Mas precisa comer pelo menos alguma coisa. Vamos subir, eu vou separar uma roupa para você vestir depois do banho.

Eu não me recordava da última vez em que eu estive tão próxima de Cora assim, mas enfim pude enxergar que ela era a melhor mãe que eu poderia ter. Depois que tomei banho, ela me emprestou uma de suas camisolas e me fez tomar a vitamina que havia preparado. Leite, banana e mel, eu poderia jurar que ela não lembrava mais que era o meu sabor de vitamina predileto. E se não fosse o remédio que me deu para dormir e o cafuné feito em meus cabelos, o cansaço provavelmente não venceria os meus devaneios culpados.

Emma

Encolhida no sofá eu observava o céu pela janela, percebi que devia estar tempo demais naquela posição, pois os primeiros rastros de luz começavam a se fazer presente no céu anunciando a chegada de um novo dia. Apesar de ter passado praticamente duas noites em claro, meu esgotamento era muito mais mental do que físico, eu sabia que algumas horas de sono estabilizariam o meu físico, mas e o meu coração? Quem sanaria essa dor agonizante aqui dentro? Metade de mim era raiva e a outra descrença, descrença de que realmente não existia mais eu e Regina, nós que nunca nos forçamos para caber uma na outra com a nossa dinâmica simples e profunda, agora éramos um rastro de tudo que fomos. Um nó desatado com somente as marcas dos nós. Eu poderia ter suportado a história com Fiona? Ou até mesmo a do emprego? Sinceramente, eu não sei qual me doía mais. Se por um lado tudo que sucedeu com a sua secretária tenha sido um ato irracional, mentir para mim durante dois meses sobre a forma que eu consegui o meu emprego não era. Aquilo era a mais pura traição, pensada, estudada, arquitetada e levada à frente por dois meses, mais de sessenta dias e muitas horas a qual eu não consigo calcular no momento. O que acontece é que em nenhum desses dias Regina optou por contar a verdade. Eu me sentia como aquela citação “Nenhum afogado pode saber qual gota de água que fez a sua respiração parar.” Eu não sabia qual dos motivos que Regina havia me dado, que me fez desistir de nós.

Me arrastei em direção ao banheiro checando no espelho o meu rosto pálido, agora avermelhado pelo choro, o lavei limpando as lágrimas grudadas em minha pele. Prendi o meu cabelo em um rabo de cavalo e escovei os dentes. Eu teria que começar a arrumar a bagunça que Regina havia deixado em minha vida e o primeiro passo seria pedir demissão de algo que eu não havia conquistado por mérito próprio.

Cheguei à redação indo diretamente a sala de Gold. Dei duas batidas em sua porta adentrando a sala, ele estava em uma reunião com Ariel, que me fitou com semblante preocupado, eu não sabia dizer se era pela minha aparência ou pelo o que aconteceu ontem.

- Bom dia, eu não queria atrapalhar. – Alternei os meus olhos entre a papelada que estava sobre a mesa e eles.

- Bom dia, Swan, não está atrapalhando. – Respondeu Gold.

- Bom dia, nós já terminamos estávamos só jogando conversa fora. – Ariel disse recolhendo a papelada da mesa.

- García, lembre-se de me enviar a entrevista que pedi até o final do dia. – Gold voltou sua atenção para mim – Em que posso ser útil?

- Eu vim pedir a minha demissão. – A ruiva dos olhos verdes parou o que estava fazendo para se virar em minha direção com uma expressão surpresa.

- O que houve? Por que essa decisão repentina? – Gold enrugou a testa, sem parecer entender muito bem o meu pedido.

- Com licença. – Ariel juntou a pilha de papéis ao peito, mas antes de sair da sala parou para estudar minha expressão por alguns segundos.

- Então, Swan, o que houve? – Gold voltou a perguntar assim que a ruiva deixou a sala.

- Eu soube ontem que só estou aqui por que a minha sog... A senhora Mills me indicou para vaga. – Ele entreabriu os lábios como se não esperasse por essa resposta.

- De fato houve uma indicação, Swan. – Confessou fazendo um gesto com a mão em direção a cadeira a sua frente para eu me sentar – Mas de maneira alguma você está aqui por causa dela. Pensei que você soubesse que era qualificada o suficiente, para conseguir essa vaga por conta própria. – Sua voz demonstrou um pouco de desapontamento.

- E eu sou. – Afirmei – Mas vocês nunca descobririam isso se não fosse por Cora.

- Não entendo o seu posicionamento, Emma. – Pousou os cotovelos sobre a mesa – Indicações ocorrem a todo o tempo. E se fosse algum colega de trabalho que tivesse lhe indicado, você se sentiria assim? Ou é o peso do nome de Cora que faz você achar que não houve mérito? – Questionou cruzando os braços. Eu não havia parado para refletir sobre isso, e bem, agora não importava mais.

- Talvez não. – Dei de ombros – Não sei. – Respondi com sinceramente – O que acontece é que tendo em vista que me omitiram por dois meses, não vejo o porquê em continuar aqui.

- Emma... – O tom de Gold saiu em um tom de aviso – Não tome atitudes precipitadas a qual você possa vir a se arrepender depois.  Vejo que aconteceu algo, García me deu o seu recado sobre ter que sair mais cedo ontem e hoje você não me parece muito bem. – Permaneceu em silêncio refletindo sobre algo – Vamos fazer o seguinte? – Pediu – Hoje é sexta-feira, vá para a casa, descanse e pense sobre o que eu te questionei. Se na segunda você ainda tiver com o mesmo pensamento, eu assino a sua demissão. O que será uma lástima. – Apontou para mim – Mas eu não posso passar por cima de suas vontades.

Não fui contra o seu pedido, eu sabia que a segunda-feira chegaria e então eu voltaria para assinar a minha demissão. Me surpreendi ao sair da sala de Gold e dar de cara com Ariel que parecia me esperar de braços cruzados.

- Emma... Swan – Disse preocupada se aproximando de mim – Desculpe me meter, mas eu ouvi quando você pediu demissão. – Seus olhos verdes um tanto quanto expressivos diziam que ela achava aquilo um absurdo – Eu sei que nós não somos tão próximas, mas eu não entendo. Você vem mostrando resultados tão bons. É qualificada, talentosa. É por causa da implicância de Úrsula? – Perguntou – Oh Emma, posso te chamar assim? – Assenti – Se for, não ligue para isso, tenta ignorar, o prego que se destaca é o mais martelado, a minha avó sempre dizia isso para mim. – Disse me oferecendo um  sorriso fraco.

- Não é por causa de Úrsula, Ariel. – A implicância de uma das minhas colegas de trabalho era o menor dos meus problemas naquele momento – Aconteceram umas coisas que... Enfim – Soltei o ar cansada – Não se preocupe com isso. De todas as formas Gold não quis que eu decidisse nada hoje.

- Você está bem, Emma? Digo é porque você não me parece bem. – Disse um pouco sem graça.

- Não, Ariel. – Sussurrei – Eu não estou, mas vou ficar. – Me forcei a abrir um sorriso que não chegou aos meus olhos.

- Eu tenho um tempo para um café. – Indagou.

- Você não tem que entregar uma entrevista até o fim do dia? – Questionei.

- Sim. – Fez uma careta franzindo os lábios – Mas você parece precisar de um ombro amigo então estou disponível. – Deu de ombros.

- Eu agradeço a sua gentileza, mas eu não seria uma boa companhia. – Houve um rastro de desapontamento em sua expressão, mas ela assentiu com um sorriso.

- Claro. Independente do que tenha acontecido, pense que você é merecedora do seu próprio mérito. – Sorriu caminhando em direção a enorme sala de redação onde trabalhávamos.

                                      ***

A campainha tocou no fim do dia anunciando a chegada de Rose e Killian, eu havia dito que precisava deles sem entrar em detalhes do que havia acontecido, e como sempre, se fizeram presentes, cancelando quais que fossem seus compromissos para a sexta-feira. Me arrastei em direção a porta, a abrindo, dando a imagem de duas das pessoas que sempre estiveram lá comigo.

- Ah não... – Foi a primeira coisa que Killian disse ao colocar os olhos sobre mim – O que aconteceu entre você e Regina? – Como ele poderia me conhecer tão bem?

- Entrem. – Dei espaço para eles passarem, Rose deu um beijo estalado em minha bochecha com um olhar preocupado, mas não disse nada.

- Nós terminamos. – Murmurei ao caminhar até eles que estavam no centro da sala.

- Que? – Killian respondeu indignado jogando a bolsa de couro marrom que estava em seu ombro no sofá.

- Como assim? – Rose indagou surpresa.

- Eu não sei por onde começar... – Cruzei os braços soltando um suspiro cansado.

- Não, Emma, não faz isso comigo! – A voz de Killian saiu aguda – Eu não aceito! – Levou as mãos ao rosto em uma expressão de horror – Não pode ser verdade! Meu Deus, que tragédia!

- Mas até dois dias vocês estavam bem, o que houve? – Rose perguntou.

- Houve tantas coisas, a primeira delas é que só estou trabalhando na Newsweek por que a mãe de Regina me indicou. – Comecei a contar – Mesmo eu pedindo diversas vezes para ela não se meter em meu campo profissional, Regina não respeitou o meu pedido e me fez acreditar por dois meses que eu havia conseguido aquela vaga por conta própria. – Passei a mão pelo cabelo tentando controlar a minha raiva.

- Ela conseguiu uma indicação ou uma vaga? – Rose questionou.

- Indicação. – Respondi.

- Emma, mas se foi somente uma indicação, você só está lá por que você. – Killian apontou para mim – É qualificada para o cargo.

- Se é tão simples assim por que ela mentiu para mim? Traiu a minha confiança por dois meses me fazendo acreditar em algo que não era verdade? – Nada me faria entender ou aceitar uma mentira.

- Eu não acho que Regina esteja certa. – Rose iniciou – Mas... – Soltou o ar erguendo as sobrancelhas em uma expressão de reflexão – É difícil dizer, houve um pedido seu o qual ela não respeitou, mas também houve algo feito para o seu bem. Ela só não deveria ter omitido isso por tanto tempo.

- Mas somente isso foi motivo para terminar? – Killian levou a mão ao rosto pensativo – Digo, eu não quero diminuir o que você sentiu, ninguém sabe o que pode ferir o outro. – Explicou – Mas aí a terminar um relacionamento, não foi um pouco precipitado amiga?

- Ela quase transou com aquela secretária na piscina do hotel em que viajaram. – Respondi de maneira seca fazendo Killian e Rose, arregalarem os olhos em perplexidade.

- Duvido! – Killian começou a bater o pé no chão – Quem foi que contou essa mentira? Você sabe que a Regina jamais faria uma coisa dessas é a Regina, Emma. – Bateu as mãos em suas coxas em afobação.

- Ela mesma me contou, Killian. – Respondi começando a me irritar. Killian parou me fitando boquiaberto.

- Caramba. – Rose caminhou em minha direção – E como você tá?

- Como eu estou? – Senti que iria desmoronar novamente quando Rose me envolveu em um abraço apertado – Quebrada por dentro. – Minha voz embargou – Como o Killian disse, é a Regina e eu confiava tanto nela.

- Amiga. – Killian murmurou se aproximando me abraçando por trás – Você sempre pode contar conosco. – Afagava meu braço encostando seu queixo no topo da minha cabeça – Como isso foi acontecer? Aquela ratazana da Fiona, que desgraçada, eu sabia! Eu sempre soube, mas agora a Regina? Eu não consigo conceber isso. 

- Você quer contar ou prefere não entrar em detalhes? – Rose se afastou enxugando algumas lágrimas do meu rosto.

- Como não quer contar? Amigos não mentem e nem escondem nada, ainda mais, melhores amigos. – Ele me puxou pelo braço até o meu sofá de cor beterraba que contrastava com a sala branca. – Senta aqui mocinha – Sentou-se na mesa de centro de frente para mim – Eu preciso entender tudo que aconteceu, para só depois arranhar o audi da Regina. – Rose se aproximou retirando os sapatos e sentando-se no braço do sofá, virada para mim.

Atentos em cada detalhe eles me ouviram contar sobre tudo que aconteceu, desde eu ter ligado para Fiona e ter ouvido a voz de Regina ao fundo, como toda a conversa que tivemos que acabou comigo pondo um fim em nosso relacionamento.

- Que safada! – Rose levantou furiosa – Você deu abrigo para essa mulher que estava na sarjeta na chuva, por que havia sido corna no dia do casamento. Você foi paciente, foi amorosa, foi amiga. – Contava nos dedos – Para no fim ela quase transar com a outra que você sempre avisou que tinha segundas intenções com ela, bêbada na piscina? Eu espero que ela se foda. E você fez muito bem em terminar. – Caminhou se sentando ao meu lado – Ela não merece uma pessoa tão maravilhosa como você. – Me abraçou – E eu ainda gostava dela, essa burguesa safada!

- Eu não tenho palavras. – Killian me lançava um olhar perplexo levando a mão ao rosto – Eu poderia dizer que eu estou triste por que eu acabei de perder a minha lua de mel que ela me daria de presente para a Grécia, mas eu estou tão decepcionado. A gente coloca uma pessoa dentro de casa, apoia, defende, eu até iria chama-la pra ser madrinha do meu casamento junto com você. – Rose o olhou com raiva – Você também né, anjo.

- Ah. – Ela disse suavizando a expressão.

- Para no final ela fazer isso? O que mais me choca é que, misericórdia a mulher foi traída pelo noivo com a secretária e ela se presta ao mesmo papel? Eu estou com tanta raiva, que eu poderia invadir o apartamento caro dela e atear fogo em todas as roupas de grife dela. – Gesticulava irritado com as mãos.

- Ou podemos pegar as roupas dela que estão aqui na Emma e queimar. – Rose opinou e Killian assentiu.

- Não! – Ergui as mãos pedindo calma – Ninguém vai atear fogo em nada. Eu estou bem e isso vai passar, eu só quero esquecer. – Encolhi os ombros tentando apaziguar a situação.

- Bem, Emma? – Killian se inclinou apoiando os cotovelos nos joelhos – O nariz e os olhos vermelhos de tanto chorar e olha esse cheiro. – Fungou – Pura melancolia e tudo isso por causa daquela traidora falsa. Não acredito que eu disse que ela era a melhor namorada que você já teve, pois eu me retifico dizendo que é a pior! Pelo menos a diabona vintage que nem chegou a ser sua namorada, sugava as suas energias só na cama, não toda a sua vontade de viver. Não acredito que aquela mulher de nome impronunciável a partir de agora nessa casa fez isso com o meu bebê.

- E quanto ao seu emprego? Você precisa dar uma resposta na segunda-feira e eu sinceramente não vejo por que você pedir demissão. – Rose dizia com suavidade colocando as mechas soltas do meu cabelo para trás da orelha.

- Isso é verdade. A Reg... A criatura. – Killian apertou os lábios, irritado – Pode ter sido uma safada com você, mas você pedir demissão é radical demais.

- Eu não sei. – Soltei o ar encostando minhas costas no sofá – Eu não vou pensar sobre isso agora. – Fiz uma pausa refletindo – Eu a amo tanto. – Meus olhos marejaram novamente – Não consigo acreditar que ela fez isso comigo.

- Ah, Emma, não chora. – Killian se sentou ao meu lado me abraçando – Vai passar.

- Sim, amiga. – Rose murmurou docemente pousando seu rosto em meu ombro ao me abraçar pela cintura – Você pode chorar, nos ligar às 4 horas da madrugada para falar o quanto sente falta dela, vamos ficar aqui com você tomando sorvete e vendo você falar dos momentos felizes que vocês tiveram. Também vamos te ajudar a falar mal dela. Até quando você superar e ver que ficou um dia sem pensar nela, depois dois, depois uma semana, e por fim, você ver que a esqueceu. – Apertei os olhos reprimindo a minha vontade de dizer que não queria esquece-la, mas também não a queria de volta, eu só queria que ela não tivesse me magoado tanto.

Regina

A segunda-feira finalmente havia chegado. O meu sábado fora regado de carinho e compreensão de Ruby que havia passado parte do dia comigo. Mas o meu domingo havia se arrastado, me mantive trancada em casa, pensando e refletindo sobre tudo que havia feito e em cada uma delas eu me detestava e me culpava mais. Ao menos o trabalho me ocuparia tempo suficiente para não pensar em Emma e quando estivesse livre, estaria tão exausta que dormiria ao invés de pensar nela. Essa era a minha proposta de vida para os próximos meses.

Tanto eu quanto Fiona não havíamos vindo sexta-feira ao trabalho, então hoje teríamos muita coisa para resolver. Entrei no elevador apertando o botão do andar do meu escritório, quando de repente a última pessoa que eu gostaria de encontrar surgiu a minha frente impedindo que as portas se fechassem.

- Regina. – Graham disse com casualidade adentrando o elevador com sua pasta na mão. – Que surpresa. – Apertou o botão do andar que eu nem se quer me designei a olhar.

- Não sei por que, afinal eu trabalho aqui. – Respondi sem encara-lo. Havia um bom tempo que nós não nos encontrávamos na empresa e sempre que nos encontrávamos não trocávamos nenhuma palavra, o que para mim era um alívio.

- É verdade. – Disse bem humorado ignorando meu tom ácido – A propósito quanto tempo. – Se colocou ao meu lado olhando para frente assim como eu – Como andam as coisas?

- Andam bem, obrigada. – As portas metálicas se fecharam a nossa frente.

- E a sua namorada? Emma Swan, não é? – Disse em um riso fraco. Arrumei o blazer azul caneta que eu vestia incomodada com a pergunta.

- Não estamos mais juntas. – Me limitei a responder encarando os números que pareciam subir de maneira lenta, quase parando.

- Não me diga. – A pontada de ironia em sua voz fez com que eu me arrependesse de ter falado a verdade – Que coisa, não? – Pude olhar por minha visão periférica ele arrumar sua gravata. Não respondi e o silêncio se fez presente até as portas voltarem a se abrir. Ele saiu parando entre elas.

- Tenha um bom dia. – Fitou os meus olhos com certo divertimento, desviei o olhar no momento seguinte – E cuidado – Seu corpo se inclinou em minha direção – Qualquer esbarrão pode acabar com um relacionamento. – Sussurrou, dando dois tapinhas em meu ombro.

Idiota! Voltei a pressionar o botão do meu andar repetidas vezes e ele se virou seguindo pelo corredor. Qualquer esbarrão pode acabar com um relacionamento, refleti sobre suas palavras chegando ao meu andar, logo me atentei a voz exaltada da minha mãe que vinha do outro corredor onde ficava a sua sala. Caminhei a passos largos dando de cara com Tamara, sua secretária, que estava sentada a sua mesa encarando a porta do escritório de Cora com os olhos arregalados.

- Você é dissimulada e acha que me engana! – Cora gritava do outro lado da porta.

- Bom dia, o que está acontecendo? – Perguntei espantada.

- Bom dia, senhoria Mills. A senhora Mills está na sala com a senhorita Murray. – Murmurou assustada.

- Sua dissimulada a minha filha não pode enxergar, mas eu vi desde a primeira vez que botei os meus olhos em você o tipo de gente que você é. – Eu nunca havia ouvido minha mãe falar daquela maneira com nenhum funcionário antes e isso me causou espanto.

- Eu vou intervir antes que essa conversa acabe com a minha mãe processada por assédio moral. – Coloquei rapidamente a minha pasta e bolsa sobre a mesa de Tamara, indo em direção a sua sala – Bom dia. – Fechei a porta atrás de mim, alternando meu olhar entre Cora e Fiona. A sala se fez em um silêncio absoluto e tenso. Fiona abaixou a cabeça, e eu poderia jurar que ela estava a um passo de cair no choro. Minha mãe me fitou com os olhos semicerrados irritadiços e respiração descompassada, levando as mãos as têmporas, começando a caminhar de um lado para o outro da sala.

- Bom dia, senhorita Mills. – Fiona foi a única a responder.

- Tira essa moça daqui antes que eu tenha que usar a violência. – Apontou irritada para a porta.

- Com licença. – Não precisei falar nada, Fiona rapidamente se retirou nos deixando a sós.

- O que houve? – Perguntei perplexa ao ver minha mãe andando de um lado para outro daquela forma, rosto avermelhado e respiração pesada.

- O que houve? – Repetiu a minha pergunta caminhando até a sua mesa batendo as mãos espalmadas sobre ela – Como você confessa que sente atração pela sua secretária, Regina? Você perdeu o juízo? – Seu tom de voz saiu elevado e se não fosse o meu reflexo rápido a revista que ela jogou em minha direção não teria acertado na porta.

- Mãe! – Protestei assustada ao vê-la tão irritada.

- Eu a acusando de falta de profissionalismo quando você – Apontou para mim caminhando em minha direção – Deveria dar o exemplo. Além de tudo você era comprometida, Regina, não foi assim que eu te criei. – Começou a dar tapas no meu braço – Por que quando você me contou a história de Seattle não me disse que havia confessado sentir atração por ela?

- Au! Para com isso! – Disse fugindo de sua mão pesada, mas ela seguiu atrás de mim. – Mãe, para, tá doendo! – Desviei correndo em cima dos meus saltos altos para trás de sua mesa.

- Você e Zelena acham que só por que são adultas eu não posso dar os tapas que deixei de dar na infância? – Voltou a caminhar em minha direção e eu coloquei sua cadeira a minha frente.

- Para com isso a sua secretária vai ouvir! – Disse me agachando atrás da cadeira.

- Depois de velha você decide me dar dor de cabeça. Ainda tive que ouvir o disparate daquela sonsa, por que essa mulher é sonsa. – Apontou para porta – Dizer que só tentou algo, por que você disse que se sentia atraída por ela. – Trinta e um anos de idade e agachada atrás da cadeira para fugir dos tapas da minha mãe, quando a minha vida se tornou esse caos?

- Pra que essa histeria? Fala baixo! – Ordenei entre os dentes me levantando recompondo a minha postura.

- Olha o tom de voz para cima da sua mãe, Regina Joanna Mills! – Rolei os olhos ao ser chamada assim, ela sabia que eu detestava o meu nome composto.

Flashback on.

- Eu acho que já sabemos tudo uma sobre a outra sabia? – Emma aninhou a cabeça em meu ombro enquanto observávamos deitadas sobre a toalha quadriculada vermelha e branca, o céu azul no Central Park.

- Não acho. – Brincava com os dedos de sua mão que estava pousada em minha barriga – Por exemplo, você descobriu hoje que esse é o terceiro piquenique que eu faço na vida.

- Hum... Vendo por esse lado, é verdade. – Suspirou depositando um beijo em meu pescoço que me causou um arrepio gostoso – Me conta alguma coisa que eu e poucas pessoas sabemos sobre você. – Pediu.

- Que tipo de coisa? – Questionei.

- Qualquer coisa que você se sinta a vontade para me contar.

- Tem uma. – Me virei para ela apoiando a minha cabeça em minha mão com o cotovelo apoiados ao chão – Mas você tem que prometer que não vai ficar me chamando assim. Promete?

- Assim como? – Franziu o cenho sem entender a pergunta.

- Do que eu vou te contar agora. – Passei os dedos pelas suas sobrancelhas, beijando a ponta do seu nariz.

- Prometo ué. – Deu de ombros.

- Me deixa ver as suas mãos para saber que você não tá cruzando os dedos. – Meus lábios formaram um bico desconfiado.

- Que boba você sabe que eu não minto para você.

- Mesmo quando tenta eu descubro por que você é uma péssima mentirosa. – Debochei.

- Conta logo. – Insistiu colocando o meu cabelo para trás da orelha.

- Tá vai... Meu nome completo é Regina Joana Mills. – Disse entre os dentes o nome composto – Com dois n’s, Mas eu detesto. – Fiz uma careta.

- Como assim? – Abriu a boca surpresa – Detesta o nome ou os dois n’s? Então Regina Mills é uma farsa? – Sorria com os olhos verdes que ficavam pequenininhos.

- Engraçadinha. – Semicerrei os olhos – Quase ninguém sabe disso, até por que eu sempre abrevio. – Expliquei.

- Mas por quê? Eu achei bonito.

- Por nada, só sei que eu não gosto. – Emma soltou uma gargalhada pela expressão que eu fiz.

- Você tem cada uma Regina Joanna.

- Emma...

- Brincadeira. – Puxou meus lábios de encontro aos seus – Mas você acha mesmo que eu nunca descobriria isso?

Flashback off.

- Regina Joanna Mills, eu estou falando com você. – Cora me despertou dos meus devaneios.

- Você sabe que eu detesto que me chamem assim. – Bufei saindo de trás da mesa – E eu não contei os detalhes por que eu fiquei com vergonha. – Confessei – E não é como se eu sempre soubesse que eu sentia atração, e mesmo se algum dia eu senti, morreu depois de tudo o que houve. – Cora ficou em silêncio por um tempo estudando a minha expressão.

- Você vai demitir ou eu a demito? – Cruzou os braços me encarando.

- Já iria demiti-la de qualquer maneira. – Avisei.

- Ótimo. – Caminhou para trás de sua mesa, sentando-se a cadeira, claramente mal humorada por eu ter omitido a história completa.

- Você achou que foi traição? – Murmurei a pergunta quase que inaudível. Cora soltou o ar balançando a cabeça.

- Não foi traição, mas foi safadeza e a pobrezinha da Emma não merecia isso. – Lamentou – E essa Fiona tira a paciência de qualquer um, espero que essa história não tenha continuidade.

- Não terá. – Disse ofendida. Ela assentiu, mas não respondeu. Eu também não perguntei o que foi dito na discussão calorosa que elas tiveram, apenas saí de sua sala indo em direção a minha.

Fiona que estava sentada em sua mesa digitando algo ao celular o guardou rapidamente ao notar minha presença.

- Quero conversar com você em minha sala. – Passei por Fiona abrindo a porta do meu escritório. Segundos depois ela entrou atrás de mim em silêncio – Não sei o que houve para Cora se exaltar daquela maneira. – Disse colocando minhas coisas sobre a mesa – Mas peço desculpas se a minha mãe te ofendeu de alguma forma. – Virei em sua direção encostando-me na ponta da mesa.

- Não me preocupa o que ela pensa sobre mim, mas sim o que você pensa. – Confessou aproximando-se de mim.

- Se você acha que eu penso que é culpada pelo o que aconteceu em Seattle, não Fiona, você não é. A única culpada nessa história sou eu. – Uma ternura surgiu em seus olhos e ela levou sua mão em meu rosto.

- Regina... – Reprimi seu toque me afastando. Ela levou à mão a boca em um gesto pensativo, mas não disse nada.

- Ainda sim. – Caminhei até o outro lado da mesa sentando-me a cadeira – É inviável a sua continuidade na empresa. – Ela pareceu não se surpreender ao ouvir as minhas palavras, de certa forma já parecia saber – Eu vou informar ao rh e você pode seguir para lá assim que terminar de arrumar as suas coisas.

- Isso não é uma surpresa para mim, muito menos depois da conversa que a senhora Mills teve comigo. Eu sinto muito, Regina. – Disse de maneira informal – Por você e pela senhorita Swan. – Ela não sentia estava estampado em seus olhos. Assenti com um gesto de cabeça abrindo o macbook a minha frente – Espero que você fique bem.

- Vou ficar. – Apesar de não denotar emoção em minha voz, senti lágrimas encherem meus olhos.

- Com licença. – Murmurou se retirando da minha sala.

                                            ***

Eu tive que a ilusão de que tendo dias exaustivos como hoje, eu evitaria pensar em Emma, mas foi exatamente ao contrário, cada detalhe me lembrou ela, era como se tudo tivesse seu o toque e o seu jeito. Era doloroso não ter Emma no fim do dia para conversar, sua risada era audível em minha cabeça e eu me perguntava se ela estava melhor, se havia pedido demissão do trabalho, se duvidava do quanto eu a amava. Quando cheguei à portaria do meu condomínio avistei uma figura conhecida com uma mala na mão na calçada. Franzi o cenho me questionando o que Killian fazia ali.

- Killian? – Abaixei o vidro o chamando surpresa – Aconteceu alguma coisa com a Emma? – Perguntei preocupada.

- Aconteceu, você na vida dela. – Ele caminhou para próximo do meu carro cruzando os braços – Deixa eu olhar bem para essa sua cara de adultera, que eu tanto defendi e confiei.

- Killy...

- Não me chama assim! – Me cortou – Que eu não te dou mais intimidade para isso. – Levou uma mão a cintura me encarando com um olhar feio.

- Eu também me detesto nesse momento, Killian. – Soltei o ar.

- Jura? – Disse com doçura – Como você está?

- Péssima, me sentindo um lixo.

- Pois eu acho ótimo! – Aplaudiu – Adorei a notícia!

- Não me trata assim. – Meus olhos marejaram, eu entendia a raiva dele, mas me doía ver Killian que sempre me adorou me tratando com tanta hostilidade.

- Se esfregando na piscina com aquela ratazana de bueiro. – Estalou a língua nos dentes – Como nós nos enganamos com as pessoas. Aqui – Levantou a mala que segurava na mão – Emma pediu para eu entregar as suas tralhas. Você deu sorte que eu não coloquei fogo em tudo por que a Emma pediu e eu peguei aquela jaqueta bonita que eu gostava, fica como bônus pela decepção. – Enfiou a mala de mão pela janela. – As coisas da Emma você pode deixar na portaria que amanhã ou depois eu venho buscar, passar bem. – Começou a caminhar.

- Killian, espera! – Pedi o fazendo olhar para trás refletindo por alguns minutos.

- O que foi? – Voltou até a mim cruzando os braços.

- Entra comigo, me deixa explicar, não quero que você fique com essa opinião sobre mim. – Pedi. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, girou os olhos e caminhou até o outro lado do carro abrindo a porta do passageiro.

- Não que você mereça. – Jogou a mala para os bancos de trás – Mas assim, eu posso arranhar o seu audi quando sair de sua casa.

Subimos até o meu apartamento em silêncio, ele me encarando feio e eu reprimindo a minha vontade de perguntar por Emma.

- Quer beber algo? – Perguntei ao colocar minhas coisas sobre o sofá.

- Não sei, é Jack Daniel's? – Debochou.

- Killian, eu nunca tive intenção de magoar a Emma. – Ignorei sua ironia – Nunca tive a intenção de trai-la, tudo que aconteceu foi um grande erro que eu não sei, e não entendo como me deixei levar. Jamais em sã consciência eu a trairia, nem ela nem ninguém, por que eu repugno traição. Eu não só perdi a mulher da minha vida como tenho que conviver com o remorso da besteira que eu fiz. – Lágrimas grossas escorreram pelos os meus olhos as quais eu limpei rapidamente – Entendo sua raiva, sua hostilidade, eu faria o mesmo, mas eu amo aquela mulher e eu faria qualquer coisa para apagar tudo isso. – Killian cruzou os braços gangorreando seu corpo de um lado para o outro.

- Sua safada! – Abriu os braços para mim – Por que você fez isso, hein? – O abracei forte sentindo novas lágrimas tomarem conta de mim – Vocês tinham tanta coisa para viver Regina e você cometeu logo o erro que destrói qualquer relacionamento, a quebra de confiança. Não digo só da rata da sua secretária, mas do emprego na Newsweek, como você mentiu por tanto tempo? Eu nem sei dizer qual foi a pior mentira para Emma.

- Killian, eu juro que eu tentei falar. – Olhei para cima para encara-lo – Tentei por diversas vezes. – Me afastei secando minhas lágrimas – Mas me amedrontava o fato de Emma se decepcionar comigo e com ela mesma, de achar que não conseguiu a vaga por capacidade própria. Eu sei que não justifica, mas ela estava tão feliz com o trabalho e para mim era o que importava. Nunca pensei que isso fosse se tornar uma bola de neve, mas quando eu vi já era tarde demais.

- Olha só, não é por que você acha que algo é melhor para alguém que você vai passar por cima das vontades dela, eu sei que a sua intenção não foi manipular, foi uma mera indicação, mas ela pediu para que não fosse feita. – Não havia mais hostilidade em sua voz, mas havia desapontamento – Por não respeitar a decisão dela, você acabou se enrolando em uma mentira e tendo que conta-la em um momento crítico, o que resultou no fim do relacionamento de vocês. Acho que você fez bem em ter contado, por que se Emma te perdoasse por Fiona e descobrisse sobre o emprego mais para frente, seria mais doloroso do que está sendo agora. Eu só sei que é muita merda para pouca bunda. – Franzi o cenho ao ouvir o seu ditado grosseiro.

- Como ela está? – Murmurei.

- Magoada, chateada, decepcionada, foi muita coisa para ela suportar. – Explicou – Ela ama você e foi isso que a devastou tanto, o amor. – Suspirou.

- Ela pediu demissão?

- Ainda não sei. Ela resolveria hoje. – Explicou sem entrar em detalhes –  Por que você se deixou levar pela sua secretária, Regina? A Emma te alertou tantas vezes.

- Eu pensei que fosse ciúme bobo. Killian... – Levei as mãos à cabeça soltando o ar pesado – Se eu tivesse distinguido que possuía algum rastro de atração da minha parte por ela eu nem se quer a havia contratado. Eu teria sido sincera com a Emma, falaria a verdade. Nunca foi a minha intenção mentir para a mulher que eu queria casar e passar a vida inteira junto.

- Ai, não diz essas coisas por que eu me comovo. – Levou a mão aberta a boca fungando – Você foi muito burra sabia? Como que enche a cara com a mulher que queria te dar o bote? Por que é óbvio que ela queria, quem compra uma garrafa de uísque? Essa fingida. – Bufou – Você a demitiu?

- Sim hoje, até por respeito à Emma.

- Agora que a merda foi feita você a demite por respeito à Emma? – Arqueou uma sobrancelha para mim – É o mínimo que você poderia ter feito.

- Eu sei disso. – Afirmei.

- Eu gosto de você, Regina, mas eu estou muito bravo, bem menos do que quando cheguei, admito. – Deu de ombros – Mas ainda assim muito bravo. Agora a minha melhor amiga está lá igual um coco na chuva por sua causa e eu não posso fazer nada para mudar isso.

- Eu a perdi para sempre, não foi? – Minha voz saiu falha. Killian juntou as sobrancelhas em uma expressão de pena e confirmou com a cabeça.

- Acho que sim, certas coisas não existem volta. – Lamentou em um murmuro – Se fosse só o emprego ou só Fiona poderia existir um talvez, até por que, eu sei que um dia a Emma vai entender sobre a questão da Newsweek, ela só é orgulhosa demais para compreender agora. Mas Fiona eu acho que ela sempre vai achar que você sabia onde estava se metendo.

- Não deixe de lembra-la todos os dias o quanto ela é especial e o quanto ela merece ser amada. – Meu pedido saiu como uma súplica – Quando aparecer alguém na vida dela que a faça feliz, a apoie, a encoraje. – Peguei em suas mãos. Senti uma pontada em meu peito ao imagina-la com outra pessoa – Continue sendo esse amigo extraordinário que você é, ela merece o melhor sempre.

- Ah, querida. – Killian derramou uma lágrima me puxando para um abraço – Eu não vou conseguir nem mais arranhar o seu carro.

Ele acabou me ajudando a arrumar as coisas de Emma que ficavam aqui em casa e eu me atrevi em ficar com a touca cinza que ela usava quando nos conhecemos. Ao menos ela era parte de uma representação de uma história que apesar de ter um final não esperado, havia sido muito bonita.  


Notas Finais


killian eu te venero e não é pouco! é o meu fave da história. spoiler: o próximo capítulo tem fiona x emma, gente do céu segura essas sapatão!!!!


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