História F.I.R.S.T T.I.M.E - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Lu Han, Xiumin
Visualizações 19
Palavras 3.997
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hey, pessoal!
Me perdoem a demora.
Muita coisa aconteceu nessas últimas semanas, incluindo um pequeno surto de falta criatividade :(
Peço a compreensão de todos por isso; sério: me desculpem.

Bom, é isso pessoal; sinceramente eu não sei dizer o que vocês acharão do capítulo de hoje, mas espero que gostem.
Um grande abraço e bora ler e tirar as próprias conclusões \o/

Ps: eu não revisei muito bem, então espero que me perdoem se encontrarem erros :')

Capítulo 10 - Respirar


Fanfic / Fanfiction F.I.R.S.T T.I.M.E - Capítulo 10 - Respirar

P.O.V Autora

_Não é como se eu pudesse te odiar, sabe? Afinal de contas, eu nem te conheço!_Baekhyun mais parecia falar consigo mesmo do que com o garoto alto que caminhava em seu encalço, totalmente calado mediante o monólogo do primeiro_Mas também não posso fingir que não está acontecendo nada, até porque a forma que vocês reagem não é nem um pouco sutil._falou o Byun arqueando as sobrancelhas e sorrindo na direção de Chanyeol, parecendo achar o desconforto do outro extremamente engraçado.

Baekhyun esperou que o Park falasse algo, que desse algum sinal de vida além de seus olhares tímidos que mal conseguiam sustentar o olhar astuto do Byun, mas tudo que recebera como resposta foi o silêncio absoluto do outro.

Com um suspiro audível que fez Chanyeol abaixar ainda mais a cabeça, Baekhyun tomou a palavra novamente; totalmente frustrado com o fato de um homem tão grande aparentar ser tão medroso.

_Olha...eu realmente não quero bancar o protetor do Minseok. Ele é forte demais para depender de qualquer outra pessoa além de si mesmo._retomou o Byun, dessa vez sério; seus olhos focando o caminho à frente, enquanto andava lado a lado com Chanyeol_Mas ele está aprendendo a caminhar com as próprias pernas; a ter confiança em si mesmo, sabe? E o fato de você e seus amigos não estarem colaborando para que ele possa fazer isso está me dando nos nervos.

Chanyeol levantou o olhar dos próprios pés, os lábios entreabertos prontos para pôr abaixo aquela acusação, mas tornou a fechá-los ao encarar o perfil abatido de Baekhyun.

Por mais que não o conhecesse e não simpatizasse consigo, ainda assim Chanyeol podia ver a preocupação evidente nas feições do Byun que sempre conseguia mascarar tudo com um sorriso largo. Por mais que quisesse evitar qualquer tipo de laço com o outro, ainda assim, naquele instante, ele apenas via um amigo que estava entrando na frente do outro, buscando não ferir o primeiro. No fim das contas, a amizade era o grande ponto a se levar em consideração.

_Eu não posso dizer que não entendo vocês também. Todos acabamos sendo contaminados pela imagem de família tradicional tão enraizada em nossas mentes desde pequenos._confessou Baekhyun brecando os passos e se virando na direção de Chanyeol, ficando frente à frente com o outro; seus olhos amendoados encarando o maior com uma veracidade que Chanyeol não havia percebido existir nos dois encontros anteriores com o Byun_Mas não é como se eu não pudesse pensar diferente; como se não pudesse criar verdades fora do padrão que fui ensinado.

Chanyeol se mantinha como um aluno observando o mestre: atento e disciplinado; tão calado que apenas a voz de Baekhyun parecia preencher o extenso caminho que trilhavam.

_Ao dar uma chance para que Minseok me mostrasse a pessoa maravilhosa que ele era, sem ver além daquilo, eu encontrei uma alma boa e um coração puro; uma pessoa que jamais permitiria que outra se machucasse em seu lugar, mesmo estando tão ferido que não conseguiria mais se manter de pé.

Chanyeol engoliu em seco. Entendia a posição de Baekhyun; compreendia do que tivera de abdicar para dar forças ao amigo, mas, ainda assim, não entendia a motivação do mesmo para conseguir passar por cima de tantas coisas em prol de Minseok. A realidade que assustava Chanyeol era não ter certeza se conseguiria enfrentar tudo e todos como o Byun parecia estar fazendo pelo Kim. E aquilo lhe assustava; imaginar que poderia ser um amigo tão cruel mediante uma situação semelhante era amedrontador.

_Você não tem medo?_pela primeira vez desde que percebera estar na presença de Baekhyun naquele dia, Chanyeol deixou sua voz entoar entre ambos; questionando algo que vinha lhe tirando o sono nos últimos dias.

Baekhyun expirou devagar, pensativo.

Por mais que o Byun sempre encarasse tudo de frente, rindo para o perigo como o próprio Minseok costumava falar, estava claro para Chanyeol que havia muita coisa desfocada na imensidão de sorrisos distribuídos pelo menor.

_É claro que eu tenho medo. Quem no meu lugar não teria?_perguntou sorrindo fraco, dando de ombros uma única vez; como se soubesse que não adiantava procurar respostas diferentes, não quando as via tão claramente bem à sua frente.

_Então por que continua ao lado dele? Por que continua à sua frente quando sabe que pedras serão atiradas em sua direção?_questionou o Park audacioso, parecendo esquecer que há segundos antes estava se mantendo em uma capsula de proteção onde seus pensamentos se mantinham intactos e guardados apenas para si.

Baekhyun sorriu de lado, mas seu sorriso não chegava aos seus olhos; não era o tipo de sorriso certo, Chanyeol pegou-se percebendo.

_Porque se as pedras atingirem ele será como se houvessem, de fato, me atingido._sintetizou com uma expressão indescritível; uma que ocultava mais do que revelava.

_Mas..._Chanyeol continuaria, mas um Baekhyun irritado se metamorfoseou-se bem diante do Park, fazendo-o franzir o cenho em incompreensão.

Chanyeol seguiu o olhar do outro e percebeu, com certo espanto, que já estavam em frente à escola. Por mais amedrontado que estivesse, não havia percebido a hora passar com Baekhyun à sua frente, ditando suas frustrações como se conversasse com um amigo íntimo.

_Baekhyun, você precisa manter a calma. Você precisa manter a calma._ditou o mais baixo para si mesmo; seus olhos focados em duas figuras como se pudesse pulverizar uma delas com apenas o pensamento.

Chanyeol arqueou a sobrancelha e focou na imagem familiar de Minseok, um vinco se aprofundando entre seus olhos ao tentar identificar a segunda figura de costas para si.

_Quem é aquele?_perguntou baixo, vendo o quão incomodado o Byun parecia estar.

_O passado, orelhudo. O passado batendo à porta novamente._falou Baekhyun sem desviar os olhos, enquanto marchava impetuosamente até Minseok.

***

Yixing se sentou na grama, totalmente desnorteado, enquanto ouvia, ao longe, Junmyeon conversar com os Kim’s pelo telefone, confidenciando o que tanto escondera desde o começo.

Já havia se passado mais de duas horas de busca constante, onde Junmyeon e Yixing mantiveram a esperança de que conseguiriam sozinhos encontrar Jongin pelas redondezas; mas as tentativas de acha-lo nos lugares mais prováveis se mostraram falhas quando o desespero abateu-se sobre ambos como um monstro sem face, alegando que precisavam enfrentar o fato de que as coisas haviam saído do controle e Jongin poderia estar em perigo.

Com a cabeça entre os joelhos, enquanto as mãos se afundavam nos cabelos desalinhados, Yixing se manteve assim; tentando não chegar ao fundo de sua mente e visualizar possibilidades assustadoras.

Jongin tinha de estar bem; tinha de ter apenas se escondido para pensar e respirar um pouco. Mas, por mais que Yixing tentasse convencer a si mesmo daquilo, a visão de um Jongin completamente irritado, consumido por um ódio latente na noite passada, continuava a visitar sua mente gradativamente; tornando difícil almejar algo bom perante a última conversa que tiveram.

_Está tudo bem, Yixing. Você precisa se acalmar._o toque suave em seus ombros poderia significar o mundo para o Zhang em qualquer outro momento, mas mesmo que Junmyeon magicamente se ajoelhasse à sua frente e confessasse um amor reprimido, ainda assim Yixing não ligaria; não quando seu ser estava completamente afogado em preocupação pelo Kim mais novo.

_Nós procuramos em todos os lugares possíveis._justificou, sua voz subindo alguns decibéis, denunciando um nervosismo irrefreável.

Junmyeon suspirou fundo, mas sua mão continuou no ombro alheio, tentando passar algum conforto, mesmo que não sentisse algo semelhante em si próprio.

_Eu avisei meu pai. Ele está indo para a polícia para registrar a ocorrência, mas não sei dizer se fará alguma diferença; desaparecimentos tendem a ser considerados apenas após vinte e quatro horas do ocorrido._confessou o mais velho, sua expressão carregada tornando aquela alegação ainda mais sufocante para o Zhang.

Yixing fechou os olhos, afundando novamente as mãos nas madeixas escurecidas; sentindo a culpa corrosiva de tudo aquilo. Em sua mente, por mais que tentasse controlar, uma voz baixa e maliciosa sussurrava que tudo seria diferente se ele não houvesse confidenciado seu maior segredo; se não houvesse achado que poderia ser feliz e tivesse priorizado a si acima dos outros.

Aquela voz, embora não devesse ser elevada, ainda assim insistia em atrair a atenção do Zhang, como um lembrete de que, se algo ruim realmente viesse a ocorrer, seus ombros estariam sempre soterrados com o peso da culpa.

_Xing, por favor, não chore._a voz baixa e tranquilizante de Junmyeon mal parecia ter efeito no outro; nem mesmo quando sua mão macia trilhou o caminho das lágrimas alheias, secando-as com cuidado, Yixing não sentira nada. No fim, o garoto estava anestesiado perante a qualquer coisa_Vamos encontrá-lo, certo?_tornou a falar o Kim, sua afirmação mais parecendo tentar convencer a si do que o próprio Zhang.

O zumbido do celular de Junmyeon preencheu aquele pequeno momento, afastando o mesmo de perto de Yixing e tornando o ar mais pesado; quase impossível de se respirar.

Yixing levou a mão ao peito, apertando-o com uma expressão de dor, enquanto, em suas memórias, ele recordava da morte da mãe, quando a mesma dor pressionou aquele lugar e nem o mais puro ar parecia conseguir ser filtrado por si.

Naquela vez foi Jongin quem estivera ao seu lado; foi ele quem segurou sua mão e prometeu que tornaria o ar respirável novamente; arrastando-o morro acima até o pico mais alto da divisa da cidade.

Naquele tempo ainda eram crianças, mas o gesto de Jongin fora tatuado a ferro na memória de Yixing, lembrando-o continuamente de que sempre poderia confiar no outro; que mesmo que o mundo lhe virasse às costas, Jongin estaria lá, a mão estendida em sua direção como sinal de que jamais o abandonaria:

 

“E-eu...não consigo. Não consigo m-mais._soltou o garoto chinês despencando com os joelhos na terra inclinada, ralando-os levemente, mas ignorando aquele fato, uma vez que tentava respirar mais do que qualquer outra coisa.

Jongin, com o sol banhando sua pele morena, os cabelos umedecidos pelo esforço visível, enquanto a respiração se tornava ofegante a cada passo que trilhava a frente do outro, virou-se para o amigo, sua mão estendida sendo ignorada pelo Zhang que, pela primeira vez, percebia que não conseguiria; que não era forte como o amigo supusera.

_Você consegue, Xing. Você pode fazer isso!_incitou o outro, sua mão ainda estendida em confiança evidente.

Yixing balançava a cabeça, a mão sobre o peito se tornando uma garra; uma extensão de sua própria dor.

_Não tenho mais forças._disse o garoto entre soluços, parecendo entregar-se por completo naquele instante.

Jongin, com o maxilar cerrado em negação, recuou os passos que o afastava do amigo e se abaixou ao seu lado; seus olhos exigindo atenção do outro; alegando, mesmo que apenas com um olhar, que Yixing era mais forte do que aquilo, e mesmo que o primeiro não percebesse, ele estaria ali sempre para relembrá-lo desse fato.

_Não tem problema._disse o Kim, recebendo máxima atenção do Zhang em meio às lágrimas_Se você não pode caminhar em determinado momento, sempre terá alguém para caminhar por você._finalizou com um olhar firme.

O garoto assistiu, impotente, Jongin se abaixar ao seu lado e, sem esperar um pedido de concessão, o acomodar em suas costas, trilhando, arduamente, o fim da inclinação como se não ligasse para o cansaço que se abatia sobre si somado ao peso do corpo do garoto magricela em suas costas.

Quando chegaram ao topo, Yixing continuava mais pálido do que nunca; a mão sobre o peito parecia frágil e sem vida, mas ele continuava são; respirando no pico da montanha mais alta da divisa e, milagrosamente, recebendo lufadas e mais lufadas contra seu rosto.

Ao seu lado, jogado contra o chão de barro, Jongin respirava dificultosamente, mas em seu rosto jazia um sorriso único, enquanto apreciava o céu ao lado do Zhang.

_Quando sentir que não pode mais respirar, Xing, me chame; eu não ligo de carrega-lo morro acima, desde que você fique bem novamente._ditou baixo, seu sussurro preenchendo aquele momento por inteiro.

Com os olhos marejados por lágrimas não soltas, Yixing tateou o chão ao seu lado e, rapidamente, encontrou os dedos alheios, entrelaçando-os aos do amigo sem hesitação.

_Obrigada, Jongin; por tudo._murmurou em meio a soluços presos, enquanto ambos assistiam o crepúsculo colorir o céu acima de suas cabeças.”

 

Como se houvesse acabado de ser atingido por um raio, Yixing se colocou de pé; totalmente desperto do topor de outrora.

Junmyeon, ao telefone, se virou automaticamente; observando os olhos esbugalhados do chinês encararem o chão como se não o vissem, de fato.

_Yixing...?_sua voz morreu no segundo que o Zhang ergueu a cabeça abruptamente na direção do mais velho; seus olhos, antes desfocados, parecendo retornar à realidade.

_Eu sei onde ele está._soltou em um só fôlego, não dando tempo de Junmyeon reagir antes de sair em disparada, finalmente sentindo que conseguia respirar mais uma vez.

***

_Você deveria ter me avisado._ditou Jongdae, o sorriso, sempre tão presente em sua face, uma lembrança longínqua.

Minseok sorriu fraco, mas seu sorriso era postiço; tão frágil quanto vidro, pronto a se romper a qualquer segundo.

_Isso não teria adiantado nada._justificou com um dar de ombros.

Ainda que fizesse pouco tempo desde que o vira pela última vez, Minseok percebera, com certo assombro, que a fagulha desnorteadora que insistia em se agigantar em seu peito pelo garoto ao seu lado já não mais possuía a força de outrora.

Um mês atrás, um simples olhar do outro significaria o mundo para o Kim; mas agora, com Jongdae sentado no banco ao seu lado, a distância de uma mão, Minseok percebia que algo grande havia se rompido; percebia que os estragos, que julgara serem pequenos, eram maiores e mais profundos do que o imaginado.

Aquilo se chamava coração partido; algo que ia muito além de uma desilusão amorosa, pois englobava tudo, desde os sentimentos mais superficiais até os mais intensos.

_Eu poderia ter servido de testemunha; eles não lhe expulsariam por isso._falou sério, a voz controlada ao máximo para não deixar que a raiva fluísse pela mesma. Por mais que entendesse a situação, ainda assim Jongdae se sentia enraivecido pela impotência, uma impotência que, de fato, existia apenas em sua cabeça e da qual o garoto era ciente, o que tornava tudo mais insuportável ainda.

_Eles não me expulsaram._revelou Minseok em um fio de voz, o cabelo liso se rebelando contra o vento forte, enquanto seu olhar se perdia em algum ponto fixo à sua frente; evitando ao máximo o de Jongdae.

O silêncio reinou entre ambos por alguns instantes, enquanto Minseok deixava as coisas implícitas naquela frase para que o representante de turma pudesse, ele mesmo, chegar a uma conclusão.

_Do que você...?

_Eu pedi transferência, Jongdae._cortou Minseok antes que o Kim concluísse a pergunta.

Tomando uma coragem que estava aprendendo a ter, Minseok ergueu os olhos gateados e encarou aquele que um dia entregara o coração de forma voluntária, pego por sorrisos e gentilezas que o acorrentaram a uma mentira sem futuro.

O rosto de Jongdae demonstrava confusão e, gradativamente, o entendimento; muito embora houvesse certa frustração em seus traços sempre delicados.

_Por mais que não tenha sido uma decisão fácil, ainda assim foi a melhor naquele momento. Sabemos disso._concluiu Minseok encarando o garoto, sua expressão indicando que ambos estavam pensando a mesma coisa: por mais que Minseok possuísse coragem para ignorar os dedos apontados às suas costas, ainda assim a situação não melhoraria com o passar do tempo; não quando o problema maior era ter de conviver diariamente com aquele que um dia jurara amar em silêncio, custasse o custasse.

_Minseok..._a voz de Jongdae, quebrada como nunca estivera antes, atingiu Minseok bem no peito de forma certeira; por mais que o sentimento lindo e incorruptível não brilhasse mais majestosamente, ainda haviam resquícios seus ali e, naquele instante, estava sendo deveras doloroso para o Kim senti-lo de forma tão viva.

_Jongdae..._interrompeu novamente o Kim, engolindo em seco antes de tomar a palavra novamente; os olhos focados no castanho viciante que eram os de Jongdae_Você sabe de tudo; talvez sinta a mesma coisa ou talvez apenas não sinta. Sabe..._Minseok balançou a cabeça, retirando os “E se...” da lista de possibilidades, porque não fazia sentido mais se agarrar aquilo_não faz diferença; não agora._enfatizou, a seriedade em seu rosto contornando as linhas delicadas que Jongdae se recordava sempre estarem a sorrir em sua direção.

As pessoas em frente à escola passavam por ambos e olhavam, curiosos, para o uniforme escolar de Jongdae, percebendo que o mesmo não pertencia aquele lugar. E, por mais doloroso que fosse, era essa a realidade: ambos já não pertenciam ao mesmo mundo; e não apenas nesse sentido, mas de modo geral. Minseok sabia que mesmo que tudo pudesse mudar, ainda assim nada apagaria a lembrança do hesitar de Jongdae perante os outros; a vergonha clara em sua face e sua abstenção em apenas se calar. Em apenas fingir que não era consigo.

_E se eu disser que faz diferença? Isso mudaria algo?_a pergunta repentina fez Minseok voltar seus olhos novamente para o garoto, pego de surpresa por aquela confissão que, por mais que soubesse, mesmo que seu íntimo, ainda assim nunca parecera real; não até que rolasse dos lábios do outro.

Minseok contemplou os olhos bondosos do garoto ao seu lado, o maxilar firme e os cantos elevados de seus lábios que sempre pareciam sorrir, mesmo quando ele não estava o fazendo; todo aquele conjunto ainda faria e continuaria a fazer seu coração palpitar silenciosamente no peito. O jeito doce, sutil e generoso de ser; os sorrisos calorosos e as risadas vivazes sempre estariam ali para lembra-lo de que Jongdae fora seu primeiro amor; aquele que fez com que os melhores sentimentos aflorassem dentro de si, mesmo que em silêncio.

Mas mesmo que tudo ainda fosse belo se visto dessa perspectiva, tinha algo que jamais mudaria; que mesmo que fosse tratado sempre estaria ali lembrando-o que não poderia confiar novamente; que não poderia entregar seu coração de prontidão quanto o outro não estava preparado para assumir a responsabilidade de andar ao seu lado, quebrando barreiras e enfrentando obstáculos diversos.

Jongdae era perfeito; mas o perfeito mostrara uma imperfeição enorme e que Minseok jamais esqueceria.

_Não fará diferença, Jongdae._confessou o Kim agarrando a mão do outro e envolvendo-a na sua, sorrindo com o toque calmo sobre a pele macia_Algo que foi quebrado não pode ser concertado com tanta facilidade assim. Minha confiança por você se rompeu como um vidro delicado; mesmo que recolhamos todos os pedaços, ainda assim sempre restarão fragmentos soltos, incapazes de voltarem aos seus devidos lugares. Minha confiança em você é uma delas, Jongdae.

Minseok não mantinha a repreenda em sua voz; ele apenas estava sendo sincero como jamais imaginou ser; pelo menos não com o Kim.

Os dedos de Jongdae se fecharam mais ainda sobre os de Minseok, agarrando-os como se não desejasse nunca mais separar-se deles.

_Eu te amei antes e depois disso tudo, Minseok; e continuo a te amar.

O chão, parecendo tão estável sobre os pés do Min, sumira em questões de segundos, enquanto borboletas, as tão famosas borboletas que ansiara durante todo aquele tempo, se regozijavam em seu estômago, contentes por, finalmente, serem livres mediante aquela confissão clara.

Minseok sorriu, os olhos marejados agradecidos por aquelas palavras.

_Mas...?_incitou, sabendo que existia um “porém” no meio daquilo tudo; um que o forçava a tornar a sentir o chão abaixo de seus pés; ordenando-lhe que não sonhasse com falsas expectativas.

Lágrimas trilhavam o rosto de Jongdae; vergonha queimava em sua face, enquanto ele abaixava o olhar e segurava firme a mão de Minseok, parecendo temer se perder sem o aperto para indicar o caminho.

_Mas eu não tenho coragem. Não agora.

Um soluço pequeno escapou dos lábios de Minseok, enquanto ele percebia que era-se possível ser feliz e triste ao mesmo tempo; que existia uma linha tênue que conseguia separar dois sentimentos em um único momento, tornando-os duas vezes mais potentes.

_Jongdae..._Minseok, com a mão livre, ergueu o rosto do outro, seus dedos finos tocando a face do Kim com cuidado, como se experimentasse um sonho dentro de um sonho_Obrigado por ter me amado._agradeceu, sendo envolvido pelos braços de Jongdae em seguida, enquanto, juntos, sofriam pela repercussão do que apenas poderia ser nomeado como o mais puro dos sentimentos.

***

Yixing, com a respiração pesada, parou em meio sua corrida morro acima, quase caindo de joelhos em sinal de alívio claro ao ver a figura de Jongin esparramada no chão de terra; as roupas da noite anterior sujas pela poeira, enquanto em seu rosto lágrimas secas e areia se misturavam.

Jongin, lentamente, maneou a cabeça para encarar Yixing há alguns passos de si.

Seu olhar, diferente da noite anterior, não denunciava raiva ou amargura; a única coisa que cintilava em suas íris era o brilho doloroso da tristeza. Como se houvesse chegado ao seu limite; como se houvesse atingido o ápice de sua própria dor.

Vendo as defesas de Jongin baixas, Yixing se aproximou do outro; os olhos molhados refletidos nas lágrimas quentes que tornavam a trilhar o rosto moreno do amigo.

_X-xing..._gaguejou Jongin, a rouquidão em sua voz denunciando o cansaço e a desidratação_Eu não consigo. Eu não consigo respirar._murmurou o Kim, as lágrimas fluindo mais e mais pelas laterais de seu rosto.

Yixing, sem se importar com o rosto banhado pelas próprias lágrimas, assentiu fraco, os dedos procurando os de Jongin e os apertando uma única vez.

_Você não está sozinho, Jongin. Estou aqui.

E, da mesma forma que Jongin agira anos antes, Yixing acomodou o amigo em suas próprias costas; ignorando o peso do mesmo e o esforço da inclinação até o fim do morro.

Passo a passo, enquanto ambos derramavam suas próprias lágrimas, Yixing carregou Jongin por todo o caminho; porque, independente de qual fosse a conclusão do próximo capítulo, nada nunca mudaria o fato de que ambos eram o apoio um do outro; mesmo que demorasse para as coisas se ajeitarem, ainda assim eles sempre caminhariam juntos, as mãos dadas em um laço eterno de amizade, onde, em conjunto, encontrariam um modo de tornar a pressão em seus peitos menores; encontrando, assim, uma forma de respirarem novamente.

***

Ao longe, camuflado por uma robusta árvore na entrada dos portões da escola, Luhan se mantinha estático a mais minutos do que deveria.

Sua consciência dizia baixo para que recuasse e fingisse que não havia visto nada; que deveria apenas fazer como todos os outros que ali passavam e seguir seu caminho; que deveria, mais do que qualquer outra coisa, não dar ouvidos a curiosidade ferrenha que agora golpeava-o de forma certeira.

Mas por mais que tentasse, que soubesse que era errado, ainda assim os pés do garoto se mantinha no mesmo lugar; sem qualquer pretensão de se moverem.

Minuto após minuto, capturando uma conversa que não deveria ouvir, Luhan se tornou mais e mais surpreendido pelo passado que o garoto da roda gigante possuía.

Naquele instante, enquanto ouvia pequenos trechos de uma conversa que mal conseguia desenhar a história que aqueles dois deveriam possuir, Luhan se sentiu péssimo por Minseok, ao mesmo tempo que se viu possesso pelas atitudes do rapaz ao lado do mesmo.

Sua raiva durou apenas alguns segundos, pois fora apenas aquele período de tempo que levou para que se desse conta de que, assim como Jongdae, ele havia agido de forma quase tão rude com Minseok quanto o primeiro agira.

No fim, apenas tinham uma coisa em comum: o fato de terem machucado alguém que não merecia.

Com a mandíbula cerrada perante tudo aquilo, Luhan recuou alguns passos ao ver o perfil familiar de Baekhyun se aproximar; mas não antes de perceber a figura gigante de Chanyeol reconhecendo-o entre os galhos da frondosa árvore, o cenho franzido para o amigo.

Sem dar satisfação ou sustentar o olhar perdido de Chanyeol, Luhan deu às costas para o mesmo, seguindo caminho para dentro dos velhos prédios, enquanto entendia que o problema nunca estaria em pessoas como Minseok, mas sim em pessoas como ele e Jongdae; que mesmo reconhecendo a bondade do outro, ainda assim insistiam em fazer o errado.

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Mas você perdoou o Kai?
Você quer transformar ele em um garoto bonzinho daqui para frente?
Nada disso.
Só quero que vocês se lembrem que, mesmo que esteja fazendo tudo errado, Jongin está tão transtornado quanto o próprio Yixing; nada nunca justificará a conduta dele, mas, como já falei várias vezes, os personagens dessa fanfic são extremamente baseados na realidade.
Se vocês já viveram ou viram pessoas enfrentarem a mesma situação, com toda certeza devem ter tido o prazer de ver pessoas boas com o Baekhyun, que aceitaram de primeira; muito provavelmente já viram pessoas como o Luhan, que não aceitaram de prontidão, mas que se esforçaram para entender e aceitar o outro; e muito, mais muito provavelmente mesmo, já testemunharam pessoas como o Jongin, cuja a revolta era maior do que qualquer outra coisa.
Não estou falando que o Jongin se tornará um santo de uma hora para a outra; isso não vai acontecer.
Estou falando que ele está perdido; que a fase de raiva extrema passou por alguns segundos e agora o que restou foi um cansaço muito grande.
Ele precisa respirar por alguns segundos; eles precisam.
O momento de nostalgia entre ambos serviu para mostrar que, independentemente do que aconteceu ou o que irá acontecer, ainda assim nada conseguirá mudar o passado deles.

Bom, é isso por hoje \o/
E o que foi esse Jongdae aí?
Bom...toda história precisa de um início, meio e fim, certo?
A do Jongdae acabou por enquanto; é definitivo isso?
Não; ele pode voltar a qualquer segundo, mas, nesse segundo, ele finalizou o que tinha a dizer.
Jongdae amava Minseok, mas escondia seus sentimentos por vergonha e medo, assim como o outro fizera no passado.
Mesmo que houvesse amado e continuasse a amar, ainda assim o seu amor não era páreo para a falta de coragem.
O que podia ser uma história de amor linda, acabou por tornar-se um pesadelo, pq Jongdae não estava pronto para aceitar caminhar contra o mundo ao lado de Minseok (eu tô dando graças à Deus por isso, caso contrário essa fanfic não seria Xiuhan, né, não? kkk).

Ahhhh, quase ia me esquecendo.
Para quem não me conhece e chegou agora: Olá, eu sou a Song Gayeon, mas conhecida por V-Chan, e gosto de postar fanfic's de forma impulsiva e sem saber onde tudo isso pode dar.
Parece pouco promissor né?
Pois então...caso você tenha chegado até aqui (ufa, você é uma guerreira de ler tudo isso kkk) e estiver com uma pequena queda por XiuBaek (ou talvez um penhasco) poderia dar sua opinião sobre isso aqui: https://spiritfanfics.com/jornais/aviso-importante-10949569 ?
Sua opinião significaria muito para mim.

Sem mais para o momento, eu me despeço com um grande abraço para cada uma e nos vemos em breve ;*
Amo vocês <333


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