História Forbidden Love - Please oniisan! - Capítulo 1


Escrita por: ~, ~Gabriel778 e ~LadyIchijouji

Postado
Categorias Digimon
Personagens Ken Ichijouji, Yamato "Matt" Ishida, Yolei Inoue
Tags Amor Proibido, Ichijouji Ken, Ichijouji Osami, Incesto, Irma Mais Velha, Irmão Mais Novo, Irmãos, Kensami, Kenyako, Miyako, Sobrinha, Straight Shota, Tio
Visualizações 91
Palavras 14.292
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Hentai, Josei, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


L: Hey pessoal, vocês estão bem? Sentiram saudades da gente?
G: Ahhh more, claro que sentiram, nós somos maravilhosos demais!
L: Kami, não seja tão convencido! Enfim, hoje trazemos para vocês uma homenagem a alguém muito especial em nossas vidas.
G: Ela se chegou na nossa categoria a pouco mais de um ano, e tomou nossos corações de uma forma inexplicável, com sua obra Forbiden Love.
L: E como quinta feira foi aniversário dela…
G: Decidimos a presentear com algo especial, afinal, que tipo de pais desnaturados seríamos se ignorássemos o aniversário da nossa filha?
L: Lady, primeiramente muitas felicidades para você. Saiba que essa singela homenagem é algo que fizemos de coração, e mamãe espera que você ame.
G: Papai sente muito orgulho do ser humano que você é! Infelizmente não conseguimos dar o Tentomon que você pediu de presente (T.T), mas ainda sim fizemos de tudo para você ter algo para se lembrar.
L: E a vocês, leitores…
G & L: APROVEITEM A LEITURA!
L: Bem acho que é isso, to esquecendo algo?
G: De falar que sou lindo e maravilhoso
L: Ahamm… é sim, pode acreditar (Vira as costas e vai saindo)
G: Ei espera, isso foi ironia? Lu? Inoue? Ahhhhh, deixa quieto (Se retira também)

Em homenagem a nossa filha, Lady Ichijouji

Tema musical da trama
James Arthur - Impossible

Capítulo 1 - Capitulo único.


 

Desapaixonar é difícil
Se apaixonar por traição é pior
Confiança partida e corações partidos, eu sei, eu sei
Pensando que tudo o que você precisa está lá
Construindo fé sobre o amor e palavras
Promessas vazias serão desgastadas, eu sei, eu sei


 

— Ichijouji Ken, por um acaso você perdeu a noção do certo e errado?! — A mulher esbraveja extremamente irritada — O duro que eu dou para que você tenha uma educação decente, e por mais que não seja perfeito eu tô tentando, você não dá valor pra isso não? — O azulado apenas abaixa o olhar e fita o chão envergonhado. Onde estava com a cabeça para fazer algo assim? A mais velha apenas suspira e senta ao lado do garoto — Olha Ken, eu já tive sua idade… Sei que os hormônios gritam, a curiosidade é grande, a adrenalina é gostosa… Mas você precisa começar a ser mais responsável, espionar as meninas no vestiário é algo grave, poderia ter sido expulso, você e o Yamato.

— Eu sei Osami-nee, no momento não pensei, agi por impulso… Como se outra pessoa estivesse me dominando. — Revela — Me perdoe, por favor — Pede sinceramente, com uma reverência formal.

— OK, eu perdoou, não precisa de tudo isso com sua irmã mais velha. — Sorri de lado. — Mas já que você pegou suspensão, não pense que vai ficar em casa assistindo TV o dia todo não. Já conversei com o sr Ishida, e vocês vão trabalhar em conjunto no castigo. Casa terá que ser limpa todos os dias! Vão lavar, passar, cozinhar, ilustrar e tudo mais. Depois vão ajudar na comunidade local, no asilo… — Lista uma sequência de coisas… É, vai ser uma longa semana…

POV Ken

Eu sinceramente não gostaria de dar tanto trabalho para minha irmã, não sei porque não consigo me controlar e acabo indo pelas ideias malucas do Yamato, a verdade é que não tem nada a ver, aquelas garotas não me despertam curiosidade alguma, mas eu queria que despertasse, queria ser normal como os outros garotos da minha idade, talvez por isso tenha tentado, mas não… Eu não posso, não consigo sentir nada que não seja por ela…

Osami-nee, desde que nossos pais morreram, em  atentado terrorista durante a segunda lua de mel, cuida de mim. Eu tinha nove anos naquela época e ela tinha vinte e um, cursava gestão em uma grande universidade de Tóquio, sendo bolsistas integral, mas aquela bomba caiu em nossas vidas.

Estava sendo um dia aparentemente normal, fui despertado pela minha onee-san que invadiu meu quarto logo cedo, me fazendo cócegas e me mandando sair da cama.

— Acorda preguicinha, dia de aula! Aquela maratona de filmes de terror te derrubou mesmo, ein? — Acordar com sua doce voz, era maravilhoso, nossos pais tinha tirado alguns dias de folga e não pudemos viajar com eles devido a escola, mas nos divertimos muito durante o final de semana, jogamos video game, jogos de tabuleiro e comemos muitas besteiras, para completar assistimos a muitos filmes.

— Bom dia Osami-nee, você acordou animada, já está de uniforme. — Ela deu um sorriso caloroso e me deu um beijo na ponta do nariz, me deixando constrangido, ela tinha a mania de me tratar como um bebê.

— Já estou pronta, fiz nosso café e preparei nossos obentos. Anda ariba, ariba, não vai querer que eu te vista? — Brincou levantado a barra a minha camisa de pijama, puxei de volta envergonhado e ela gargalhou.

— Hm, bobão eu já te dei banho, sabia? Não tem nada aí que eu não conheça. — Colocou língua, saindo do quarto e fechando a porta..

Brincalhona, inteligente, carinhosa e linda, creio que muitos deviam morrer de inveja de mim, porque a minha irmã jamais gritou comigo, nunca se envergonhou de mim, nunca me expulsou do seu quarto, nada dessas coisas que os irmãos normais fazem.

Me troque e fui para a cozinha, onde tomamos café da manhã juntos, logo a campainha tocou, era sua colega de faculdade vindo buscá-la. Osami-nee apertou minhas bochechas e me deu um beijo na ponta do nariz, me dando um monte de recomendações para o dia e se despedindo.

Naquele dia, no horário de almoço, Yamato me zoou porque ela fez comida decorativa para mim, fiquei envergonhado, mas eu gostei muito, senti um calor no peito, ela era tão amável, como eu era sortudo. Entretanto no horário de educação física eu recebi a notícia de que  Osami-nee me esperava na diretoria, uma sensação horrível já tomou meu peito, Ainda de uniforme de ginástica eu me encaminhei até a secretaria e lá estava ela…

Meu Kami, minha irmã estava desolada, pálida, os olhos molhados e inchados, a face avermelhada, ao seu lado estava sua colega de classe lhe dando apoio, quando ela me viu, eu estava travado no mesmo lugar, ela correu para mim e me sufocou em um abraço.

— Agora somos só nós dois oniichan, somos só nós neste mundo. Eu te amo, você é tudo o que eu tenho, eu sou tudo o que você tem, para sempre! — Ela repetia essas palavras entre lágrimas em um choro alto quase infantil.

Eu entendi, dolorosamente, eu entendi, eu era tudo o que ela tinha, ela tudo o que eu tinha neste mundo, estamos sozinhos… Só ela e eu, tudo um para o outro, para sempre...Para sempre…

A partir daí as coisas se passaram em câmera lenta, os poucos amigos da família, o funeral, as escolhas difíceis, a decisão da minha irmã de desistir da faculdade e começar a trabalhar como camareira em um hotel que pagava razoavelmente bem.

Ela foi aconselhada a me deixar com uma tia que pouco nos visitava, poderia seguir sua vida, mas ela disse que eu era só um menino ainda e precisava dela, não sabia como eu seria tratado. Na época eu não entendia tão bem, mas aos poucos fui vendo tudo o que ela sacrificou por mim.

Nosso primeiro Natal sozinhos foi doloroso, mas mesmo destruída, cansada do trabalho ela fez o possível para me divertir, me levou a um show de patinação, para esquiar e até me comprou um novo videogame mais moderno. Ela não tinha conhecimento que eu sabia que ela me esperava dormir para chorar.

— Você pode me deixar ir com a nossa tia.

— O que? — Limpou as lágrimas tentando disfarçar. — Não, não seu bobo, claro que não.

— Eu sei o que as pessoas dizem, os vizinhos, os nossos parentes. Você é brilhante e está se escravizando por minha causa. — As lágrimas arderam  saindo sem permissão. — Não quero que estrague sua vida por mim.

— Não, para com isso, nunca mais repita essa besteira, se eu choro é porque sinto saudades dos nossos pais, não tem nada a ver com emprego ou faculdade. Vem aqui! — Ela me puxou, me sufocando em um abraço. — Eu não conseguiria ser nada com você longe de mim, porque eu te amo, você é a pessoa mais importante na minha vida. Lembra do que eu te disse, seremos sempre nós dois, não deixe que ninguém te faça pensar o contrário. Promete?— Olhou nos meus olhos, seus olhos azuis reluziam para mim, protegidos pelas lentes dos óculos. — Ken, você promete?

— Sim, sim, eu não vou deixar...— E nos abraçamos bem forte, nessa noite ela não me deixou dormir no meu quarto, dormimos abraçados como se algo pudesse nos separar a qualquer momento.

E tem sido assim, porém… A minha irmã me ama como um amor diferente do meu. Sinto vergonha em admitir isso, mas agora, aos quatorze anos eu não posso ser mais tão próximo da minha oneesan, pois quando ela me toca, quando me beija, acaricia meus cabelos eu sinto, como ela mesma disse, sinto todos os meus hormônios em ebulição, mas é só por ela, só com ela, somente o cheiro que seu corpo e cabelos exalam, o som da sua voz.

Eu pareço rebelde quando faço coisas tão idiotas e levo preocupações para ela fazendo com que saia de seu trabalho e tenha que passar vergonha na escola, eu não sei o que parece, mas não estou sabendo lidar com isso… Tudo o que eu tento faz com que a situação piore, tentei assistir aos filmes pervertidos do Yamato, mas isso só resulta nas fantasias que tenho com ela.

Essa voz, essa outra pessoa dentro de mim, talvez seja loucura, mas, é como se essa outra parte minha fizesse de tudo para chamar a atenção dela, as vezes é como se quisesse agarrá-la e… Não sei  como lidar com tudo isso, sei o quanto é errado. Já tentei sair com uma das indicações do Yamato, ele diz que eu sou popular entre as garotas da escola, talvez seja verdade pelo número de cartas e chocolates, mas as coisas não dão certo e sempre acabo dispensando as garotas quando se aproximam demais.

Em uma dessas vezes, a menina saiu correndo as presas, chorando… Eu não sabia mais o que fazer.. Toda semana, era um coração que partia, e por mais que queria me compadecer, simplesmente não sentia… Apenas por ela.

Já era tarde da noite, e decidi a esperar na entrada do nosso prédio. A voz em minha mente, se manifestava cada vez mais, mais forte, presente… A cada minuto ali sentado, ouvia mais e mais essa voz e uma sensação ruim foi tomando meu peito… Uma má impressão que não passaria até eu vê-la.

E lá estava ela, vindo com um olhar cansada, fitando nosso prédio, provavelmente com vontade deu um banho e descanso. Ao me ver sorriu, aquele sorriso que mesmo a distância mexe comigo, fazendo-me sentir quente… Como se fosse apenas para mim…

Devolvo o gesto na mesma intensidade, mas o meu vai morrendo ao perceber a aproximação de um sujeito… Parecia um assaltante… sim, era extremamente isso, mas o foco de Osami-nee em chegar em casa era tão grande que ela não conseguia perceber o perigo que corria.

Senti a voz berrar dentro de mim, e resolvi ouvi-la… Já tinha me medido em várias encrencas por causa dela, então dessa vez me deixei levar…

Tudo foi como um breu, quando percebi, já tinha tomado a faca do assaltantes, o rendido e a polícia já estava no lugar. Minha irmã, me abraçava forte, e me beijava, me chamando de herói, mas passando um sermão sobre se arriscar com um meliante armado. Os policiais me elogiavam, dizendo que deveria pensar em seguir a carreira policial futuramente, pois levava jeito… Eu não sei exatamente o que fiz, mas seria eternamente grato por aquela voz ter conseguido me ajudar a proteger minha irmã

— “Não tem de que, porque se fosse depender só de você, ela está bem encrencada agora né?” — Ouço um deboche, e já sei de quem é… Só poderia ser ele.

Depois dos trâmites legais, fomos liberados e assim que entremos no nosso apartamento, Osami-nee praticamente se joga contra mim,chorando

— Nunca mais faça isso, Ken, nunca mais! — Ela me sufocava em um abraço e as lágrimas molhavam toda minha camiseta — Eu tive tanto medo de acontecer algo com você… Tive medo de acabar te perdendo, eu só tenho você… Só me restou você… — Não me lembro de vê-la assim… Tão frágil, tão assustada… Eu só queria a proteger, não queria assustá-la.

— Calma nee-chan, eu estou aqui e não vou a lugar algum! — Procurei ser firme, porém gentil. — Não poderia apenas olhar e deixar que fizessem mal a você… você é meu mundo, sempre te protegerei. — Os olhos dela se encontram com os meus e nos fitamos por minutos que pareceram uma eternidade. — Porque não vai tomar um banho, relaxar enquanto eu preparo uma sopa pra tomarmos? — Sugiro e ela apenas acenou, concordando, com a cabeça.

— Você bem que poderia tomar banho com sua nee-chan… Sabe, faz tanto tempo desde a última vez… — Ela me diz com pensamento nostálgico. E ahh, como eu lembro… Ela passava a mão livremente por todo o meu corpo… Sentir os arrepios causados pelos, dedos macios, dela percorrendo cada pedacinho do meu, corpo infantil… Ahhh que sensação única da qual eu tinha muita saudade…

Com o pensamento percebo meu rosto esquentar um volume cresce dentro da minha calça… Kami, não poderia ficar pensando nisso naquele momento, não na frente dela. A voz em minha mente implorava para que aceitasse, mas tudo que respondi foi

— Alguém precisa fazer a sopa. — Fiquei de costas para ela enquanto afirmava. Pode parecer loucura, mas sinto como se ela tivesse feito careta pela resposta.

— “Ela só pode estar nos provocando… não somos mais crianças, ela sabe bem disso, porque iria querer tomar banho com a gente?” — Não sei… será que ele tem razão? Pode tudo ser recíproco e por isso ela… Não, isso é loucura… Ela quer apenas que eu volte a ser o menino de outrora.

Me concentro na nossa refeição, tento ao máximo não imaginar como deve estar o banho, não devanear sobre eu e ela e o chuveiro, mas é impossível, e me pego várias vezes distraído. Até que ela me abraça por trás e sinto uma corrente elétrica percorrer todo o meu corpo. Instantaneamente fico tenso e minha respiração falha.

— Ken-chan, precisa de ajuda? — Me questiona com a boca extremamente perto da minha orelha, fazendo-me arrepiar e ter que controlar muito para não arfar. — Faz assim, vai tomar um banho que eu termino pra você, depois jantamos juntos no meu quarto assistindo um filme, o que me diz? — Não tenho voz para responder, então apenas aceno positivamente com a cabeça e saio em direção ao banheiro.

Nó chuveiro eu deixo a água quente cair em mim e quando sinto meu corpo relaxar, minha mente me trai e começo a imaginar minha irmã ali comigo.

Seus seios não são fartos, como dessas meninas de Hentai, mas são maiores do que a maioria das garotas normais. Meu membro fica ereto com tão pensamento, e instintivamente levo as mãos ao meu órgão o apertando, buscando alívio.

Encosto na parede gelada do banheiro e sinto como se ela estivesse ali, me abraçando por trás e me tocando.,seus seios  sendo esmagados contra minhas costas, e sua mão faz, lenta e torturantemente, um movimento de vai e vem no meu pênis, segurando firme me fazendo gemer o nome dela.

A água parece evaporar ao entrar em contato com minha pele, me sinto extremamente quente, e quero mais desse alucinante e proibido desejo.

Os movimentos aceleram e já tenho dificuldade pra me conter. E se algum vizinho ouvir? Poderia fazer algo contra ela? Não posso permitir, tenho que me controlar, controlar meus gemidos.

Os movimentos se intensificam e mordo os lábios, para me reprimir. Mais rápido, mais pressão, mais intenso. A espuma do sabonete tomando todo meu membro, mais rápido, mais forte. Meus tendões repuxam, minhas pernas fraquejam, e mordo com força os lábios para não gritar de prazer. Me deságuo em mais um orgasmos pensando nela.. Devaneando como se ela estivesse ali… Até quando suportaria isso?

Termino o banho, me seco e visto um pijama quente, pois a noite está bem fria, sigo para seu quarto  a encontrando com uma bandeja, com duas sopas e dois copos de suco me esperando.

Ela brinca que demorei, e meu rosto arde. Será que ela suspeitava as minhas demoras no chuveiro? Desconverso e sento na sua cama, começando a degustar da sopa.

Comemos animadamente e depois ficamos junto na cama, assistindo filmes . Osami-nee me abraça e aperta, como se quisesse me proteger do mundo… e eu me sentia tão… dela, acho que não voltaria a me sentir assim com ninguém.  O perfume  dos seus produtos para cabelo, o hidratante corporal, o ambiente do quarto dela em si, cheira tão bem, mas mexe tanto comigo de uma forma que eu não sei explicar.

— Nee-chan, preciso ir dormir, está tarde! — comunico olhando a hora na TV, porém ela me puxa mais para si.

— Dorme comigo hoje? — Sinto seus seios me esmagarem e meu corpo começa a esquentar e reagir… Não, não posso deixar ela perceber… O que pensaria de mim? — Igual antes… Sabe? Quando você dormia comigo. — Ela começa a me enrolar com as pernas e sinto meu corpo entrar em erupção… Kami, como dormir com ela, como?

— Nee-chan… Eu  preciso mesmo ir e… — Procurava argumento quando  a vejo se entristecer. — Ok, eu fico! — Decido e mesmo de costas a sinto sorri.

Ao mãos da minha irmã correm pelos meus cabelos, seguindo pelo  meu corpo como se o explorasse… E por mais que tentei, foi impossível não arfar com o contato… O que ela estava fazendo?

— Sinto sua falta Ken-chan… — Declarou com voz meiga, suave ao meu ouvido.. — As vezes sinto que você está fugindo de mim? O que houve?

Senti todo o sangue concentrar no meu rosto, como explicaria que estava apaixonado pela minha irmã e tutora, e que isso estava me matando?

As mãos correm por todo o meu físico, novamente. Nossa afinidade nos permite conhecer muito bem o outro, e ela ainda sabia bem, onde me tocar e como eu gosto… Mão leve, toque suave… Osami tem tudo isso, mas…não poderia ser né? É errado… Se descobrirem… Ela encaixa seus seios macios contra as minhas costas novamente e dessa vez...  

— Nee-chan...— Eu não consigo reprimir um gemido. Ai Kami!

— Nossa Ken-chan…— Minha mente para quando ela desce a mão e sem cerimônias segura, por cima da calça, meu pênis. — Você tem esse tipo de pensamentos com sua onee-chan?

Kami que vergonha… O que diria agora? Para piorar, ela tinha dito ao meu ouvido e acabou tudo pulsando e eu querendo mais daquele toque… Não tinha outra saída… Tinha que confessar meus sentimentos. Seria agora, precisava ter coragem, ela pode me julgar  como um doente pervertido e mandar que eu volte para o meu quarto, mas enfim…

— Osami-nee, eu tenho  me mantido longe de porque… Me sinto muito atraído por você, seu cheiro, sua voz, seus carinhos, eu… Eu te amo não como um irmão deveria amar, eu te quero, quero seu corpo...— Eu só conseguia olhar para o carpete, meus olhos ardiam com as lágrimas que rolavam, provavelmente as coisas nunca mais seriam como antes. — Me desculpe, você sempre fez tudo por mim e eu… Eu quis espiar as garotas pra tentar sentir algo, mas elas não são como você, ninguém é, nunca vai ser! Desculpe, pode me mandar para um psicólogo se quiser eu não me importo. Me desculpe, eu realmente sinto muito por isso, essas malditas reações, me desculpe…

Foi uma sensação indescritível, eu disse tudo e agora estava a mercê de seu julgamento, estava chorando feito um bebê, mas  creio que tenha sido o melhor, não dava mais para conviver com esse peso.

— Ken-chan, olha pra mim. — Ela pede em voz branda, mas eu não posso fazer isso, não consigo. — Olha pra mim, por favor.

— Não posso, não me peça para fazer isso, eu… Eu vou para o meu quarto, acho melhor. — Tento me levantar, meu rosto parece estar pegando fogo, mas ela me puxa com força e me segura, forçando-me a encarar sua face.

— Não é só com você...— Congelo com sua declaração, só posso estar devaneando. — Eu quero você também...— Sua face fica corada, ela corre os dedos pelo meu rosto. — Eu só queria te proteger, você é tão frágil, tão delicado, às vezes é tão confuso e eu queria guardar você pra mim, sabe? Te proteger do mundo, das loucuras em que o Yamato te enfia, das milhares de garotas que te mandam aqueles chocolates e cartas, dessa voz que você diz ouvir dentro da sua cabeça… Ken… Nós passamos por tantas coisas juntos que eu sinto como se você fosse uma parte de mim, como se fosse...Meu.

— Seu, eu sou, eu me sinto seu, eu gosto de me sentir assim. — Ela me apertou em um abraço, enterrando minha cabeça contra seus seios macios, me sufocando em seu perfume.

— Eu sinto tanto ciúmes quando vejo todas aquelas colegiais novinhas com seus uniformes coloridos, imaginando com qual delas você já saiu, ja deu seu primeiro beijo e então eu choro, porque isso não está certo, não é o tipo de pensamentos que uma irmã deve ter. Eu sinto tanta dor, é como se houvesse uma adaga envenenada no meu peito, um veneno que arde e se espalha e me faz sentir suja e horrível.

— Nunca, você é a melhor pessoa desse mundo. Essas garotas, se juntar todas não dá meia de você, nunca sai com nenhuma, até tentei, mas não deu e beijar? Nunca pude beijar ninguém porque eu só pensava em beijar você, minha nee-chan… Eu só quero você.

— Meu onii-chan… Eu só quero você.—  Ela segura meu rosto entre as mãos e aproxima sua face… Meu mundo simplesmente para de girar e eu estou estarrecido demais para esboçar qualquer reação, sinto sua respiração refrescante de creme dental, em contato com a minha e seus lábios sendo levemente pressionados aos meus…

Era como nos meus sonhos, mas real e palpável, seus lábios eram macios, escorregadios, doces, sua língua acariciou meus lábios me fazendo gemer abrindo passagem para que ela  explorasse minha boca a cada canto lentamente…

Nossa línguas se chocaram e foi como se eu tivesse sido atingido por um raio, um turbilhão de sensações maravilhosas percorre cada célula do meu corpo o fazendo vibrar intensamente.

Nos beijamos? Sim, uma, duas, mais e mais e de repente aquela noite gelada parecia uma noite quente de verão, não havia mais espaço para nossas roupas e as peças foram tiradas se perdendo pelos lençóis e cobertores.

A TV estava ligada? O vento uivava lá fora? Existia um mundo fora daquele quarto? Eu não saberia dizer, no momento estava perdido na maciez de sua pele ardente, minha boca percorrendo cada milímetro, cada forma, cada curva, seus gemidos soando como música me incentivando a me perder ainda mais.

As frases que a muito tempo estavam presas na garganta saíram emocionadas, desconexas, em meio aos apelos frenéticos por toques mais e mais intensos, ela era minha, eu era dela sem lei ou regras, como se estivéssemos em um mundo somente nosso, experimentando todo prazer, expressando toda paixão, rompendo limites, quedando barreiras.

Eu era tão dela, todas as suas carícias, seus beijos por todo meu corpo, sua  excitação em me arrancar sussurros, ruídos, pedidos, gemidos, em sorver cada gota do ápice que me proporcionava… Me senti derreter em suas mãos, morrer em sua boca e reviver somente para usufruir mais daquele prazer proibido, daquele amor condenado.

Ela era minha, quando meu corpo estava sobre o seu, sua face ruborizada, os cabelos longos, índigos espalhados pelo emaranhado de lençóis e sua boca me chamando, pedindo-me que a fizesse minha. Eu estava tão perdido, tão amedrontado com a possibilidade de lhe causar alguma dor, mas as coisas ocorreram de forma tão natural e quando nos demos conta nossos corpos ja se fundiam lentamente superando aos poucos o incômodo e as barreiras da dor. Ela era minha, somente minha, eu  me senti tão intimamente, profundamente dentro dela e definitivamente não era um prazer apenas físico… Ela era minha, minha onee-chan era somente minha e pedia por mim, pedia mais de mim…

Realidade e ilusão se misturavam naquela noite, naquele quarto com o cheiro dela, era indescritível a sensação de possuí-la, de estar pertencendo a ela daquela forma, eu só queria que durasse para sempre, queria permanecer dentro dela para toda eternidade transbordando amor, compartilhando prazer, movendo-me aos sons dos seus pedidos até que encontramos todo o topo, o limite de todo prazer e nos derramamos um para o outro.

Não havia arrependimento, tudo estava calmo agora, quieto, refrescante, apenas as batidas dos nossos coraçõe e nossa ofegante em busca de ar, parecia ser audível, definitivamente não havia arrependimento, nos olhamos de forma que as palavras se tornaram dispensáveis, nos acariciamos, nos beijamos, nos aconchegamos um ao outro, livres, permanecemos assim até que o gelo da noite nos incomodasse, só então ela quebrou o silêncio ao sugerir que fossemos para um banho.

—  Osami-nee você está bem? —  Quando nos levantamos notei os lençóis sujos com um pouco de sangue.

—  Hm… Não se preocupe com isso, Ken-chan, eu nunca estive mais feliz, estou muito bem.—  Se enrolou em uma toalha jogando outra para mim e fiz o mesmo, ela me estendeu a mão.

Um banho com a minha onee-chan, dormir agarradinho com ela em uma noite fria, fazer amor com ela varias e varias vezes… Foi apenas o começo do nosso romance proibido e houveram incontáveis noites, incontáveis banhos juntinhos.

E tudo parecia um sonho, na escola eu só pensava em chegar em casa e me jogar nos braços dela e amá-la como se não houvesse amanhã, em casa eu nem jogava mais, não, nem ficava no ensaio da banda do Yamato após as aulas, deixei o time de futebol e nem dei explicações, era se eu estivesse constantemente andando nas nuvens, minha felicidade era tanta que parecia ter uma placa no meu rosto contando para todos.

—  Porra Ken, o que ta acontecendo com você, cara? —  Matt questiona durante o almoço, mas eu estava aéreo pensando nela. —  Ken, acorda disgraça, eu estou falando com você.

—  Eu estava pensando sobre o festival de primavera, com certeza a Osami-nee vai querer ir, é esse final de semana.

—  Olha Ken, eu não quero ser chato, mas você não é mais criança pra ficar grudado na barra da saia da sua “onee-chan”. —  Ele faz aspas com as mãos forçando um tom de deboche. —  Eu sei que vocês se dão bem, mas sua irmã já está em idade de casar, mas como se nem namorado ela tem e olha que ela é a maior gostosa.

—  Yamato Ishida, olha como fala da minha irmã. Ela não é como essa babacas da escola. —  Fiz uma cara de nojo.

—  É disso que eu estou falando Ken, para com essa boiolice, desgruda da sua irmã. Sabe, as pessoas já estão pensando que você queima a rosca.

—  Oi?

—  É, agasalha o croquete, morde fronha…

—  Para de falar besteira cara, só não vejo nenhuma graça nessas colegiais cheias de maquiagem, passando uma imagem de algo que não são.

—  Quem liga se elas “Querem passar algo que não são”? —  Usa o tom de deboche mais uma vez, fazendo-me trincarE os dentes. —  Eu já vi algumas das teans líderes te entregando cartas, chocolates… Até as universitárias te passaram telefone, quando fomos conhecer aquela universidade… Você ligou pra alguma delas? —  Apenas nego com a cabeça. —  Viu? Você só anda comigo, conversa com apenas dois ou três caras… Estão duvidando da sua masculinidade e pior, da minha também!

— Só lamento por você. —  Respondo tranquilamente tomando meu suco. —  Não deveria se importar tanto com a opinião dos outros.

— Você pode não se importar com a fama de padeiro, mas eu sim! —  declara indignado.

— Ora, fique bravo com quem espalha essa fama, não comigo. —  Vejo meu amigo serrar os pulsos, mas depois se acalmar misteriosamente.

—  Tem razão. Escuta, vamos amanhã a tarde escolher as roupas do festival? Desmarco o ensaio da banda e então podemos ir. —  Sugere e eu estranho, mas não posso negar, a ideia é boa.

—  OK, a nee-chan vai sair mais cedo mesmo, peço pra ela nos encontrar lá.

Fica então combinado, e logo ouvimos o sinal do alertando para o fim do almoço tocar e encerramos o assunto. Ainda tenho uma sensação ruim sobre isso, mas deve ser apenas impressão minha…

Chegando o dia de escolher nossas vestes, fomos até uma loja conhecida, perto da escola, e começamos a separar algumas peças pra experimentar. O assunto de ontem parecia de fato ter morrido e eu estava aliviado por ter terminado.

Escolhida as peças, vamos para nossos tocadores, experimentá-los. Acabo me distraindo pensando em qual roupa mais irá combinar e agradar a Osami-nee quando sinto duas mãos fortes me abraçando por trás… Olho pelo espelho e vejo o reflexo do Yamato que tem um sorriso perverso no rosto

— Que porra é essa, Ishida? — Me debato, saindo do seu abraço.

— Você disse que não deveria ligar para a opinião das pessoas, e percebi que você tem razão… Então vamos assumir logo, Ken-chan… — Seu tom de voz é estranho… Não consigo reconhecer o tom de voz dele e… Pera “chan” desde quando Matt usa “chan” comigo?

— Não tem nada pra se assumir, do que você está falando, cara?

— Não negue Ken-chan, eu já percebi seus olhares, o ciúmes que tem quando estou com alguma menina.. Não negue que tem sentimentos por mim! — Kami, meu amigo fumou a plantação inteira do traficante da região, não pode ser possível! — Me beije Ken — Então ele me pressiona na parede e aproxima nossos rostos… Entro em desespero e não sei como agir… O que eu faço?

— “Aff, tenho sempre que te tirar de enrascadas”. — Ahh não, dá última vez que ouvi algo parecido…

Não lembro de nada, só “acordei” quando vi meu amigo no chão com o rosto inchado, Osami-nee me segurando e… Espera, porque estou apenas de cueca no meio da loja? Eu estava no trocador sendo quase beijado pelo Matt e…

— Ken-chan, porque você estava batendo no Yamato-kun? O que te deu na cabeça? — Minha irmã me perguntava me segurando pelos ombros, enquanto alguns funcionários ajudavam o loiro. Eu bati no Matt? Ahhh não, foi aquela voz de novo…

— “Sim fui eu, e se não fosse por mim, agora estaríamos provavelmente sendo agarrado por esse seu amigo loiro… Sempre suspeitei desse cara, essa marra de Bad Boy não me enganava”. — Kami, como tudo virou assim tão de repente?

Onee-chan, desistindo de eu responder algo, apenas me puxou para dentro do vestiário, me vestiu e saímos às pressas da loja, embora direção a nossa casa… Que situação constrangedoramente estranha… Preciso falar com o Matt depois e esclarecer o que foi aquilo…

Os dias foram passando, e Matt se mantinha afastado e eu achei melhor não me aproximar também. Já estava tudo estranho demais, melhor esperar a poeira abaixar.

O dia do festival chegou e cara… Ela estava linda. Como minha nee-chan estava incrivelmente te linda. Trocamos, em casa, um curto beijo e descemos até o táxi que nos levaria.

A pior parte do meu romance proibido com Osami é justamente não podemos agir em público como um casal. Tudo é mais complicado, e a cada homem que vejo chegar perto dela e uma careta diferente. Sei que não deveria demonstrar, mas é inevitável; mesmo ela dispensando imediatamente qualquer um, tenho vontade de socá

-los apenas por chegar perto da MINHA onee-chan.

— Ken-kun, podemos conversar? — Olho para o lado e vejo Matt.

— Vou até uma das barracas ver se consigo ganhar alguma coisa, já volto. — Osami se afasta, claramente nos dando privacidade para conversarmos.

— “Se esse fanta laranja vir pra cima de novo, faço pior que da outra vez”. — A voz avisa e eu já temo pelo meu amigo.

— Ken-kun, sobre aquele dia na loja… — O interrompo, não permitindo continuar.

— Yamato-kun, é melhor você esquecer aquilo e deixar de lado. — Aviso, preocupado com outra sessão de pancadaria.

— Foi um teste! — Declara firmemente. — Queria ter certeza que você não cortava pro outro lado, antes de afirmar uma coisa… — Aquilo me deixou curioso, e apena fiz sinal para que ele continuasse — Eu sei que você é apaixonado pela Osami-san, e que vive um romance com ela.

Congelo no mesmo momento, é como se eu não pudesse mais respirar, não consigo dizer nada. Como diria? O que eu diria? Matt me conhecia desde o jardim de infância, embora nossas personalidades sejam completamente opostas é como se fossemos irmãos, negar, mentir não vai adiantar.

—  Eu… Não sei o que dizer. —  Abaixo a cabeça sentindo meu rosto em chamas.

—  Ah, cara eu sabia, você nem tentou negar, meu Kami! Tem noção do quanto vocês estão encrencados? As pessoas estão comentando, minha mãe me perguntou sobre isso.

—  Mas você quase não vê a sua mãe e…

—  Pois é cara, nos poucos finais de semana em que passamos juntos ela me veio com essa bomba, parece que a amiga dela mora no seu prédio e comentou com ela.

—  Comentou exatamente o que?

—  Sobre vocês, seus finais de semana trancados em casa, ou quando saem juntos com cesta de piquenique, sobre como se olham, se comportam, Osami sendo uma bela mulher e não tem namorado e você é popular com as garotas, mas age como se tivesse nojo delas. Eu não sou idiota Ken, faz tempo que você anda distraído, com um sorriso idiota no rosto, bom então eu pensei, se você não estava apaixonado por mim, só podia ser verdade os boatos.

—  Ah credo, que nojo! Nunca ia ser por você! Eu...—  Balanço a cabeça negativamente, atordoado com a revelação do loiro. —  Não imaginava que as pessoas pensavam isso. Realmente eu não sei o que fazer.

Enquanto conversamos eu vejo que Osami-nee encontrou sua ex colega de classe e ambas conversavam animadamente, a mulher levava uma garotinha de  aproximadamente dois anos, pela mão, minha irmã brinca fazendo cócegas na pequena, em seguida a pega no colo, no meio da conversa ela aponta em minha direção talvez dizendo que viemos juntos.

— Então pensa em algo rápido porque se denunciarem você a policia tem direito de fazer exames na Osami-san que provem relações sexuais recentes. Vocês usam proteção? —  Yamato era viciado em séries policiais ele sabia muito sobre essas coisas, nem se prendeu ao fato do incesto ou me julgo como um pervertido, mostrou uma visão jurídica dos fatos.

—  Na-não, ela usa anticoncepcionais.

—  Traduzindo, vocês cometem um crime que deixa rastros, sabe que ela pode apodrecer na cadeia por corrupção de menores e você vai ter que morar com aquela sua tia louca e viver com a culpa.

—  Isso...—  Eu senti um aperto no peito, só então percebi como algumas pessoas conhecidas passavam pela minha irmã e cochichavam entre si em seguida davam risadinhas maliciosas, ela  estava alheia, feliz. —  É verdade, meu Kami, o que eu estou fazendo com a vida da minha irmã.

—  É Ken? O que você está fazendo? Como eu já disse, Osami-san está em idade de se casar, está ficando difamada e correndo sérios riscos de ser presa. O que você poderia ser pra ela? Nunca poderiam se casar, construir família, você nunca poderia dar filhos a ela. —  Ele aponta com a cabeça em direção a ela, ainda com a criança no colo. —  Você precisa libertar ela disso, se a ama de verdade deve ficarem longe para protegê-la.

Sim...Yamato tinha toda razão, o que eu estava fazendo com a Osami-nee era algo sem futuro, fadado somente ao sofrimento, nunca poderia dar filhos a ela, um nome, uma posição, deixaria que ela fosse apontada pelas ruas? Não, aquilo precisava parar.

Agradeci meu amigo por me abrir os olhos e naquela mesma noite regressei para nossa casa perdido em pensamentos, a deixando preocupada, mas eu não quis esperar muito para conversar com ela, então decidi colocar um ponto final naquele tipo de relação.

—  Eu sinto muito Osami-nee, não podemos mais viver assim.

—  Não me peça para entender, eu sei que você me ama, não tem que tentar bancar o maduro Ken, que se dane o que as pessoas pensam, se riem, se me apontam, eu volto pra você, ficamos juntos, são os momentos mais felizes da minha vida.

—  É perigoso, eu me importo com você, com seu nome, com o que pode acontecer contigo se nos denunciarem para as autoridades. Estou fazendo isso pra te proteger, tente entender. Eu quero que você seja feliz, que se case e tenha filhos, coisa que eu nunca vou poder te dar.

—  Não, não… Eu não quero sua proteção, não quero marido, nem filhos, pouco me importo com tudo isso. —  Ela anda furiosa pela sala e arremessa alguns objetos decorativos contra a parede. —  Covarde! Covarde! Você está sendo covarde se não pode lidar com o desprezo do mundo, com os julgamentos da sociedade. Quando nossos pais faleceram vizinho nenhum colocou alimento na nossa mesa, ninguém pagou nossas contas. Fui eu! —  Ela bateu a mão contra o peito repetidas vezes. —  Eu acordei cedo, fiz hora extra, aguentei desaforos, agora tenho que me comportar de acordo com as regras deles?

— NÃO É SÓ ISSO, VOCÊ PODE SER PRESA, ENTENDE? —  Abaixo o tom quando noto a gravidade do que eu gritei. —  Como eu poderia continuar vivendo sabendo que você foi presa por minha causa. Como onee-chan? —  Ela soltou o jarro que tinha em mãos. —  Não diz que não se importa, porque eu me importo, me importo muito. O verdadeiro amor é aquele que liberta, eu estou te libertando  agora, se liberta também.

Sem mais o que dizer, segui para o meu quarto e ela desabou sobre o carpete, em meio a um choro copioso que me cortava o coração, minha vontade era de voltar e abraçá-la bem forte, esquecer tudo o que foi dito ou simplesmente fugir com ela para além do arco íris, mas conto de fadas não existem e a realidade pode ser dolorosa demais.

Fechei a porta do meu quarto, trancando-a e me joguei em minha cama desabando em um choro abafado pelos travesseiros, enquanto as memórias dos nossos momentos vinham  como flashes em minha mente. É ensinado que as pessoas nascem a imagem e semelhança do criador que é um só para todos, mas isso não se aplica a quem nasce com uma deficiência física e o que dizer de quem quebra as regras da sociedade e nasce com um coração estragado que se atreve a bater pela pessoa errada?

A partir daquele dia nossa casa morreu, comecei a passar muito tempo fora, me inscrevi em vários clubes na escola, voltei para o futebol, assim como minha irmã começou a trabalhar durante os fins de semana e mal parava em casa.

As vezes quando ela não estava eu ia até seu quarto, cheirava suas roupas, me deitava em sua cama, sentia falta demais do seu toque, da sua voz, mas só podia chorar, um ano sendo amante da minha irmã dos quatorze aos quinze, mas aqueles dias amando-a intensamente foram os momentos mais felizes da minha vida.

Com as correrias do dia a dia, o tempo passou rapidamente. Aliás, o dia passava voando, as noites pareciam mais longas, mais gélidas; me sentia como se meu sol fosse roubado e minha vida jogada em um eterno inverno.

. Em um dos clubes da escola, descobri que de fato, investigações eram meu forte, então já tinha decidi entrar na universidade de Osaka, estudar direito e depois me tornar investigador. Matt, que me ajudou a superar, também iria comigo e fazíamos planos para chegar até a elite policial, na cidade de Osaka. Bem, planos para um futuro, mesmo não querendo, mesmo doendo… Eu tive que seguir a vida, não poderia parar, e me lamentar para sempre, precisava mostrar pra ela, para que ela fosse forte o bastante para seguir também.

Era próximo das 18h quando chego em casa e encontro um bilhete de Osami pedindo para me vestir formalmente e a encontrar no endereço escrito até as 20h. Estranhei bastante o pedido, reconheci o endereço que pertence a um bairro renomado da cidade… O que será que ela queria me esperando lá?

Como não tinha muito tempo, corri para o banho, me limpando o suor do dia e vesti um traje adequado. Peguei o dinheiro que ela deixou para o táxi e segui para o local indicado.

Já no caminho eu olhava pela janela as luzes da cidade e pensava mil e umas possibilidades. Minha irmã tem chegado tarde do trabalho, mal para em casa no final de semana, mas reparei que quase sempre, está ao telefone… Será que? Não, não queria nem pensar naquela possibilidade… Isso explicaria alguns presentes que ela ganhava, mas não queria aceitar que era isso.

Só me dei conta de ter chegado quando ouvi um pigarro do motorista avisando sobre o destino. Paguei e o deixei ficar com o troco, encarando o restaurante requintado em minha frente.

Fui até a recepção e informei meu nome. De relance olhei no relógio do lugar, estava 5 minutos adiantado. A mulher me leva até uma mesa para 6 pessoas e eu estranho, fico ainda mais perdido quando ela me pergunta se vou fazer o pedido ou esperar os outros. Outros? Que outros? Quantas pessoas irão jantar comigo hoje?

Osami-nee é a próxima a chegar e me comprimentar, sentando na ponta oposta. Ela estava tão linda em um belo vestido brilhante… Eu a fitei, e vi uma felicidade no seu olhar e instintivamente sorri para ela que devolveu o sorriso. Senti todo meu peito se aquecer, mas quando fui falar a vi se levantar e comprimentar um homem um pouco mais velho… Quem era esse? Porque ela sorrindo para ele. Esse tempo todo não era pra mim o sorriso… Era pra ele?

— Ken-chan, esse é o Inoue Raiden-kun, meu noivo!

— É um prazer conhecê-lo, finalmente — O homem fã reverência formalmente e eu fico sem reação. Ouço minha irmã pigarrar e levanto devolvendo a reverência. — Esse são meus três filhos, Mantarou, Chizuru e Momoe.

O mais velho  aparentava ter uns nove anos, aa garotas uma parecia ter uns sete anos e a mais novinha  cinco talvez. Eu cumprimento e as crianças são extremamente educadas.

Breve todos se sentam a mesa e eu ainda estou perdido, antes de fazer qualquer pedido o Sr Inoue e minha irmã, começam a contar sobre como se conheceram e sobre estarem em um relacionamento, ele revela ser viúvo desde  o nascimento da filha mais nova, sua esposa morreu dando a luz.

O que posso dizer apesar de todo ciúmes e dor insuportável que senti é que vi ali um bom homem, bem humorado, divertido, amoroso com sua família e que olhava para minha irmã como se ela fosse uma rainha, as crianças também pareciam gostar bastante dela, quem não gostaria?

Porém o jantar não me descia, estava com um nó em minha garganta. Kami, mas não é o que eu queria? Que ela fosse feliz seguisse em frente formasse uma família. Não foi o que eu pedi que ela fizesse quando a deixei largada chorando jogada no carpete da sala? Então eu deveria estar feliz por ela e talvez estivesse, mas estava triste por mim, na verdade estava contendo as lágrimas e rezando para que o “noivo” da minha irmã não percebesse.

Ela parecia estar tão feliz, não parou de sorrir a noite toda e eu só conseguia me focar ali e responder tudo mecanicamente. Falava o necessário para não parecer mal educado, mas a verdade era que queria ir embora, entrar no meu quarto e chorar… Vi que a partir dali as coisas iam mudar de verdade entre mim e minha irmã e odiava essa sensação de saber o que vai acontecer, mais incerteza sobre como vou ficar… era confuso, maluco e irônico… mas naquele momento eu só conseguia pensar na minha dor.

Eles contavam animadamente como se conheceram e sobre o namoro de ambos, que mal tinha 2 meses, mas mesmo assim decidiram por casar. Por que tão rápido? Pra que tanta pressa? Não conseguia entender, mas preferi não demonstrar nenhum reação contrária, não seria bom para ninguém agir assim.

— Então Ken-kun, eu gostaria de pedir a você a mão da sua irmã, será que você me concede? — O sr Inoue me fita esperando uma resposta e não apenas ele… parece que todos aqui estão esperando de mim uma reação… uma resposta.

Osami-nee olha para mim e vejo o brilho de felicidade no seu olhar… o mesmo brilho que tinha quando estávamos juntos… Meu mundo desaba, sinto fraqueza em minhas pernas ao ponto que se não estivesse sentado, provavelmente cairia no chão… meu coração está em pedaços, porém preciso parece bem e dar uma resposta… a resposta certa

— O sr parece ser alguém muito honrado, Inoue-san, e está fazendo minha irmã muito feliz, a meses não ha vejo sorrir assim. — Sorrio para ela. —  Não tem motivo para me opor a vocês. — Declaro por fim contendo as lágrimas. O homem agradece e minha irmã apenas sorri para mim dizendo sem som “obrigada”.

O restante da noite parece se arrastar, e quando finalmente acaba eu agradeço a Kami por poder ir pra casa. Inoue-san prontamente se oferece para nos levar, mas minha irmã nega e seguimos apenas nós dois em um táxi. Não trocamos uma palavra durante o percurso, estou ansioso para chegar em casa e me isolar… preciso urgentemente chorar.

Chegamos, e após pagar o taxi entramos no prédio indo até o elevador e em questões de minutos ao nosso apartamento. Assim que entramos eu vou em direção ao meu quarto, mas Osami segura meu braço.

— Ken-chan, eu sei que deve estar sendo difícil associar tudo isso, depois de tudo que aconteceu conosco…

— Não se preocupe, nee-chan. Você deve mesmo seguir sua vida e encontrar alguém que te faça feliz. — Sorrio para ela simpaticamente e ela de canto de rosto.

— Pra você tudo bem, mesmo? — Ela parece um pouco insegura, e eu procuro ser firme.

— Claro que sim! O sr Inoue irá te fazer muito feliz, e se você está feliz eu também estou. — Beijo suavemente sua mão e me retiro… não aguentaria fingir aquilo mais um segundo se quer.

Deitei para dormir, mas não tinha sono, chorava e chorava silenciosamente… Apenas ouvia o vento lá fora, uivando e balançando as árvores. As lembranças dos meus dias de amante com minha irmã bombardeavam minha mente. Minha vontade era ir lá no quarto dela, dizer que ela não poderia ficar com ele, que seria apenas minha para sempre, mas… não tinha como… Eu precisava a deixar livre… o ciúmes queria me dominar, a outra voz queria assumir, mas eu não poderia permitir… tinha que manter o controle e agir de acordo com o que era certo. Idai que seria um covarde, fugindo dos meus próprios sentimentos? Eu precisava protegê-la… ela merecia ser feliz.

Quando me dou conta, o dia já raiou. Os pássaros cantavam do lado de fora, o dia parecia ser quente hoje, mas eu não estava assim, estava gelado… meu sol havia sido tirado de mim.

Mais dois meses e o casamento chegou. Para tentar mostrar tinha superado, sai algumas vezes com uma mexicana chamada Rosa Herreira, que inclusive seria meu par dessa noite.

Não que eu gostasse dela dessa forma. Acabamos nos aproximando nos últimos seis meses quando vi algumas meninas serem más com ela por ser de outro lugar… Nunca vou entender nem aceitar esse tipo de preconceito, é algo que me da nojo. E desde o dia em que salvei ela, estávamos sendo bons amigos. Bem, eu via assim, ela estava meio que apaixonada por ter a salvado… era como se tivesse virado um príncipe pra ela, ou algo assim. Mesmo não sendo a coisa mais ética a se fazer, decidi aproveitar e dar a entender que também “segui em frente” mesmo que essa fosse a maior mentira do mundo. Era feio? Sim era, mas situações desesperadas pedem as mesmas medidas, Osami-nee estava começando a desconfiar que não estava bem com esse casório e não poderia permitir isso.

Estava no meu quarto, me olhando vestindo aquele smoking pensando se ainda dava tempo de fugir para o México e levar a Osami-nee junto.

— Você está incrivelmente lindo vestido assim, Otõto-chan — Osami fala me encarando da porta. Me viro e a encaro, sinto seu olhar correndo por mim e meu rosto esquenta. Ela está tão linda com esse vestido de noiva, parecia uma princesa, o decote era em coração, mas por baixo havia continuação de um tecido transparente com alguns bordados delicados, era bem acinturado ressaltando bem seus seios e valorizando a cintura fina, a saia parecia ter saído, de contos de fadas, sua cabelos estavam presos em um coque elegante composto por um belo arranjo, os óculos  deram lugar as lentes de contato… porque a vida foi injusta de tal forma que ela não possa se vestir assim pra mim? Calma Ken, você não pode voltar atrás agora.

— O...Obrigado nee-chan. — Agradeço sento traído pela minha voz — Er… melhor eu ir, não posso deixar a Rosa-chan me esperando, te vejo na igreja — Procuro sair, mas ela segura meu braço.

— Ken-chan, er...Pode por favor, me ajudar com vestido?… preciso fechar os botões... — Ela vira de costas e eu respiro fundo, sentindo o seu perfume… Como eu o conhecia… como amava… aquele aroma me fez voar e desligar-me do mundo por um tempo, despertando ao ouvi-la me chamar. —Você está mesmo feliz? É com ela que você quer mesmo ir? — Nossos olhos se encontram e percebo que os delas estão marejados… Queria dizer que não, que na verdade queria eu ser seu noivo, que penso e sonho com ela todas as noites… mas não posso… não devo. Eu queria arrancar aquele vestido e mergulhar no seu corpo e amá-la sem pensar em nada.

— S...Sim! — Tento dizer mais alguma coisa, mas minha garganta fecha com um choro que está para vir. Minha visão começa a embaçar pelas primeiras lágrimas que estão se formando enquanto eu fito o chão.

— Seja corajoso… diga-me a verdade ken-chan, por favor… — Ela me pede já com a primeira lágrima descendo. Limpo seu rosto com o polegar, mas rapidamente recolho minha mão, voltando a fitar o carpete como se algo muito interessante estivesse ali.

— Não chora para não estragar a maquiagem, nee-chan…  — Suspiro. — E… eu preciso continuar sendo covarde em nome da sua proteção e do seu bem estar. — Declaro com voz fraca. — Preciso ir. — Fecho o último botão e saio rapidamente entrando no elevador que, graças a Kami, estava parado no meu andar. Entro e permito o choro silencioso lavar meu rosto… Kami, como doía, como era dolorido não permitir o toque dela.. não estar com ela.

Ao perceber que estava para chegar no térreo, limpei as lágrimas e segui para a o ponto de encontro com Rosa… Era hora de encarar aquele casamento...

Ao encontrar meu par, a elogiei. Estava linda e elegante com o vestido azul mar, combinando com o colar que estava usando, minha gravata e lenço.

— Você está linda! — Declaro a comprimentando.

— Você também, muchacho! Hoje nós vamos dançar e curtir a noite inteira! — Levanta as mãos pro alto e faz uma dancinha. Apenas sorrio com a animação dela e ela percebe que não estou tão bem. — O que houve Ken-kun? Não está animado com o casamento da sua irmã?

— Estou sim, Rosa-chan. É… vamos indo? — Tento manter a naturalidade e ela apenas me olha de uma forma diferente, dando de ombros em seguida.

O ponto de encontro não era longe da igreja, então fomos a pé mesmo, de braços dados. Eu até insisti com ela que a buscaria em casa de táxi, mas ela negou, disse que não queria já abusar no primeiro encontro.

Chegamos a igreja e ela estava linda. Cada enfeite no seu lugar, todo o local decorado e o fotógrafo na porta tirando fotos dos convidados. Como irmão da noiva, tive prioridade e então uma seção de flashes começaram. Depois de várias poses, finalmente consegui ir para o meu lugar com a Rosa, que estava encantada e falava sem parar sobre como aquilo tudo estava maravilhoso. Contei para ela sobre o noivo, que era dono de um renomado restaurante de Tóquio, e que ele fez questão de bancar o casamento dos sonhos da nee-chan.

Falando no sr, Inoue, não demorou muito até ele aparecer e me comprimentar, apresentei a Rosa e começamos um breve diálogo. Ele parecia extremamente nervoso e ansioso, chegava a ser engraçado. Eu queria sentir raiva dele, mas por um lado sabia que não adiantava… ele não tinha culpa por ter me apaixonado pela minha irmã.

Ele foi recepcionar outros convidados e logo meus… sobrinhos? Não sei como defini-los chegaram e sentaram ao meu lado. Apresentei a minha acompanhante a eles e quando conversavamos sobre como nossa vida iria ser diferente agora, o som da entrada da noiva começa a marcha nupcial. Ficamos todos de pé e então a noiva entra… Como nosso pai faleceu, ela decidiu entrar sozinha mesmo. O pai do Matt até se ofereceu, mas ela recusou. Até agora esteve só, não seria em momento como este que aceitaria ser conduzida.

Ao passar por nós, nossos olhares se cruzam novamente… Sorrio a encorajando a continuar andando, mesmo minha vontade sendo ir lá e pegar em sua mão e correr como nunca… Rosa comenta o como ela está linda e eu apenas concordo com a cabeça… era a noiva mais linda que já tinha visto.

Quando o Inoue-san toma sua mão, depositando um beijo, sinto inveja dele… Era para ser eu ali, eu queria tanto estar no seu lugar… daria tudo por isso. Nos sentamos e a cerimônia começa. Estou alheio a tudo que é falado, por mais que tente, não consigo me manter atento às palavras do padre a minha frente. Mas uma vez me vejo perdido em lembranças dos momentos com ela. Cada beijo, cada toque… as carícias, nossas intimidades explodem em minha cabeça e tudo que eu consigo me perguntar é porque não aproveitei mais? As risadas não existiam mais, os piqueniques, as tardes de filmes que viravam madrugadas, as brincadeira e momentos felizes que tivemos… Tudo estava terminando ali, não, tudo terminou naquela noite… ver minha nee-chan chorando, ela bateu  na porta meu quarto, pediu para ficar com ela uma última vez… porque eu não fui? Eu deveria ter aceitado ser dela uma última vez… sentir seus lábios uma última vez… mas eu tive medo, medo de não conseguir me conter e nunca ter uma “última vez”, e então a voz dela me implorando para abrir e a deixar entrar, ecoa forte em minha mente… Depois foi tudo frio… Meu sol estava ali, sendo entregue a outro que poderia a fazer feliz… Como em pouco mais de 1 ano tudo mudou assim?

Sou despertado dos meus pensamentos quando um dos organizadores me pede para entrar com as alianças porque a criança que tinha sido escolhida estava com vergonha de entrar e chorando muito. Legal, era só que me faltava, entrar segurando as alianças que selaria a união deles, me jogando na solidão eterna. Respirei fundo e apenas levantei, seguindo para o fundo da igreja.

Pego aquela almofadinha e encaro o par de anéis dourados reluzentes. Fiquei brevemente tentando a queimá-las e dizer que houve um “acidente” e por isso o casamento tinha que terminar. Ideia mais idiota, claro que isso não impediria, e ainda seria um problema pra mim e pra ela.

Quando o padre ordena que as alianças entrem, eu apareço no carpete vermelho. Respiro fundo e começo a andar, sentindo vários olhares sobre mim… Reconheço alguns vizinho que nos julgavam, que cochichavam e criavam teorias e mais teorias… Deveriam estar aqui para ter certeza que ela estava mesmo se casando… urubus que alimentam seu dia a dia com a dor dos outros… esperando alguém “morrer” para terem com o que se alegrar.

Mas meu mundo vai ao chão quando olho para frente e a vejo ali, me encarando… Minha mente é bombardeada com nosso último diálogo e minhas pernas travam… simplesmente sinto elas fraquejarem como se um campo de força me impedisse de dar mais um passo se quer… Meus olhos enchem de lágrimas… ela está partindo… Está se inserindo na vida de outra pessoa e eu me vejo incapaz de continuar fingindo estar alheio a tudo isso.

Ela continua a me fitar e eu desabo em lágrimas, as últimas palavras… a última vez que toquei seu corpo, ao abotoar esse vestido, que será desabotoado por outro homem… Como viver com isso? Como aceitar e colocar uma máscara de felicidade pela irmã mais velha? Eu não posso, é impossível… me fiz de forte até agora, mas a verdade é que ninguém consegue ser forte o tempo todo, então eu me permito chorar… Foda-se que os vizinhos iriam comentar, foda-se que quem suspeita poderia ter sua confirmação… Se era uma carniça que eles queriam, então aqui estou eu, me devorem e estraçalham o que sobrou da alma de Ken Ichijouji.

E agora, quando tudo se foi, não há nada a dizer


E se você terminou de me envergonhar
Você pode ir em frente sozinha, diga a eles

Diga a eles tudo o que eu sei agora
Grite isso de cima dos telhados
Escreva isso no horizonte
Tudo o que nós tínhamos se foi agora
Diga a eles que eu era feliz
E meu coração está partido
Todas as minhas cicatrizes estão abertas
Diga a eles que o que eu esperava seria
Impossível, impossível
Impossível, impossível

Eu me lembro de anos atrás
Alguém me disse que eu deveria ter
Cuidado quando se trata de amor, eu tive

 

Diga a eles tudo o que eu sei agora
Grite isso de cima dos telhados
Escreva isso no horizonte
Tudo o que nós tínhamos se foi agora
Diga a eles que eu era feliz
E meu coração está partido
Todas as minhas cicatrizes estão abertas
Diga a eles que o que eu esperava seria
Impossível, impossível
Impossível, impossível...

Vejo Matt me chamar em um dos bancos e fazer sinal para que continue andando. Com muito esforço, dou um passo e sinto minhas pernas tremerem… estou a beira de um colapso, mas preciso continuar. Então respiro fundo e me foco apenas na noiva a minha frente. Mais passos e passos e quando chego até ela, o protocolo é quebrado em um abraço que recebo da minha nee-chan. Meu choro é tão intenso que molha seu vestido… Mas não me importo, não me importo mais… Todos nos encararam surpresos, sinto alguns cochichando entre si, mas não estou nem aí… minha felicidade está sendo roubada permanentemente de mim… Não tem como eu me sentir bem com isso… é impossível.

— Ken-chan, ainda há tempo… O que você me pedir eu faço, ainda sou apenas sua! — Osami declara a sussurros ao meu ouvido ouvido e eu aperto seu vestido soluçando brevemente. Eu queria Osami… como eu queria pedir, mas não posso… sua liberdade depende disso… iríamos fugir por quanto tempo? E seu futuro? Nunca te faria mãe… nunca conseguiria te dar tudo que você quer. Não há futuro para você ao meu lado… Ahhh mas como eu queria ser egoísta ao ponto de negligência sua vida para tê-la a me aquecer nas noites frias que me assombram… mas não posso… você é importante demais pra mim….

— Osami-nee… — Respiro fundo — Seja feliz por nós dois… tenha filhos, tenha família… seja feliz como eu não posso te fazer. — Declaro ao seu ouvido e percebo que ela também quer chorar. — Não chora, seu noivo não vai gostar da noiva com cara de zumbi pela maquiagem borrada. — Brinco e ela sorri levemente — Sim, sorria… sorria sempre, saiba que nosso segredo, nossos momentos permaneceram para sempre em minha memória… serei para sempre seu! — Me desvinculo do seu abraço e encaro Inoue-san. — Cuide muito bem dela… Ela é meu tudo, meu mundo que eu confio a você, a faça feliz, mesmo que disso dependa sua vida. A anime quando ela achar que não há esperança, a faça rir nos dias triste, a abrace e aqueça nos dias frios, e principalmente… compre chocolate durante a TPM dela, se não você vai morrer com ataques de fúria. — Brinco fazendo ele e todos os convidados rirem, enquanto ela faz cara de ofendida. Ele apenas balança a cabeça aceitando e sorri, tomando em suas mãos a aliança.

Ao terminar de ambos declararem os votos, o padre pergunta se há alguém que deseja falar algo que impeça os dois de casar, para falar ali ou calar-se para sempre. Sinto Osami me olhar de canto de olho, e eu apenas nego com a cabeça. Sim, terei que me calar para sempre, aceitar e ver ela sendo feliz nos braços de outro.

Quando são oficialmmende declarado marido e mulher, eles selam o seus lábios e eu me dou conta de que nunca tinha a visto beijar outra pessoa… Aquilo é como uma lança encravada no meu peito e mais lágrimas teimosas insistiam em cair… Osami Ichijouji não existia mais… ali agora ia Osami Inoue, outra mulher… outra pessoa.

Me junto a Rosa novamente e vamos todos juntos para a festa, o restaurante do Raiden-san. Lá a música animada, a comida farta, o clima de festa era conflitante com minha amargura. Tentei guardar tudo dentro de uma ala do meu coração e me concentrar em ser uma boa companhia para meu par da noite… ela não tinha culpa de nada. Dancei com ela, comi, brinquei e tentei ao máximo diverti-la. Sentia que estava conseguindo me soltar e voltar a máscara de irmão feliz pelo casamento da irmã.

Fomos todos convidados a nos sentar nas nossas mesas, e então a retrospectiva deles começou. Algumas cenas da família Inoue e depois da minha… Vi fotos dos meus pais, e então pensei o que eles diriam se vissem eu e Osami nos últimos tempos… Ahhhh papai e mamãe, como vocês me fazem falta… Algumas fotos com apenas eu e Osami passaram. Em uma delas, ela me banhava e Yamato foi o primeiro a brincar levantando uma sequência de zueiras para mim… Valeu amigo… quem precisa de inimigo com você? Então começaram as fotos dos dois… tentei segurar, mas a verdade era que ali, naquele vídeo existia emoção demais, e então permitir uma última lágrima grossa descer pelos meus olhos sendo limpas pela delicada mão de Rose, que sorria pra mim… Sorri de volta e agradeci, e quando o vídeo acabou todos aplaudimos e Rose me chamou de canto

— Ken-kun, preciso ir. — Ela me informa. — Meus pais estão me esperando ali fora. Obrigado pela noite incrível e cheia de emoção. — Me agradece.

— Foi um prazer ter você comigo! — Sou sincero, foi muito bom mesmo te-la comigo — Poderíamos sair mais vezes? — Sugiro.

— Ken-kun, não me entenda mal… você é um garoto incrível e eu teria sorte em ter você… Mas você não tem o calor que preciso, que quero. Foi legal? Sim, muito, me diverti bastante, mas quero alguém mais… energético, sabe? Assim como eu. — Ela diz tudo olhando nos meus olhos e eu suspiro. — Mas podemos ser amigos, sabe… acho que vamos dar mais certo assim.

— Eu concordo… você foi muito minha amiga hoje, é uma pessoa que com certeza quero levar pra vida. — Sorrio para ela que devolve. Chegamos até a porta do restaurante e ela me beija no rosto.

— Achei lindo o que falou sobre sua irmã… ela deve ser alguém muito especial para você, né? — Ela sorri e pisca saindo em seguida… Será que ela percebeu algo? Ahhh não importa, sabia muito bem que ela seria mais uma aliada do que uma julgadora.

Todos se divertiam, Matt paquerava as garotas presentes, as crianças corriam fazendo algazarra e eu  só queria voltar para casa, mas seria indiscrição demais sair assim, então procurei uma mesa isolada, não comi mais nada, nem bebi, fiquei olhando para o vazio tentando não pensar na minha onee-chan nos braços de outro.

Não me importei em como deveria estar a minha cara, jogado naquele canto com o cotovelo apoiado a mesa e a mão apoiando o queixo, como se estivesse  no corredor da morte, nenhuma imagem era tão deprimente quanto a minha naquele momento.

Quase no final da festa o Sr Ishida me ofereceu carona até em casa e eu não recusei, procurei por Osami-nee para me despedir e o carro que  a levaria para sua noite de núpcias já a aguardava, seu marido segurava a porta.

— Eu vou para casa com o Sr Ishida. — Comunico, me segurando para não chorar mais.

— Tudo bem...— Ela pareceu tão constrangida buscando palavras, mas sem saber ao certo o que falar. — Em breve eu voltarei a nossa… Eu irei ao apartamento para conversarmos sobre, bem… Como vai ser de agora em diante, Raiden-kun insiste que você venha morar conosco.

— Não, definitivamente, eu… Bem, vá, falamos disso depois.

Ela assentiu e foi dando passos para trás, como quem segurava as lágrimas, erguendo brevemente as saias do vestido, para não tropeçar. Eu fiquei ali parado a vendo entrar naquele carro e a porta se fechar, o veiculo partir, sentindo vontade de gritar.

Senti uma mão em meu ombro e era Matt me chamando para ir, ele não falou sobre a minha perda, mas do seu jeito me deu todo apoio. Quando finalmente eu cheguei em casa, fiz o que uma vez minha irmã tinha feito e quebrei todos os jarros da casa arremessando-os contra a parede, a qual eu soquei até meus punhos sangrarem, soltando o grito que estava preso em minha garganta.

Não demorou uma vizinha falsa bater na porta perguntando se estava tudo bem.

— EU PAREÇO ESTAR BEM? SOME DA MINHA PORTA E VAI PROCURAR UMA LOUÇA PRA LAVAR, SUA FOFOQUEIRA! — Eu jamais diria isso, mesmo irritado, mas eu gostei.

Aquela noite foi horrível, mas o pior estava por vir, eu realmente tive que morar com Osami-nee e sua nova família, pelo simples motivo da tal vizinha alegar que eu era um risco para vizinhança. Como o apartamento ficou vago, minha irmã decidiu que a renda do aluguel do mesmo poderia ficar comigo, ela sabia que eu era orgulhoso demais para aceitar ser sustentado por seu marido.

Inoue-san era uma ótima pessoa, não tinha como odiá-lo ou nutrir qualquer antipatia, a forma como ele me tratava, como tratava minha irmã, mas o problema era eu, não conseguia deixar de me corroer de ciúmes e inveja, me joguei de cabeça nos estudos e fiz de tudo para nunca ter que sentar a mesa durante as refeições, mas era impossível. Não demorou até que as crianças começaram a chamar minha irmã de mãe, lá estavam eles a família perfeita de comercial de margarina e eu odiando estar ali.

Se as coisas podiam piorar? Sim elas pioraram muito, pouco tempo depois minha irmã deu a notícia de sua gravidez e foi uma festa, uma alegria, eu a perdia mais a cada dia, fiz um esforço para sorrir e dar os parabéns.

O quanto mais eu poderia ficar distante? Eu estava me esforçando ao máximo, tentando me focar nos estudos e em tudo o que pudesse me levar para fora dali, mas comecei a notar que a gravidez não estava fazendo bem a minha irmã, ela desmaiava mais que o normal e já havia tido vários sangramentos, não demoramos a descobrir que era uma gravidez de risco.

Creio que aquele dia no hospital tenha sido um dos que mais interagi com Sr Inoue, ele se culpava pelo ocorrido e me confessou que foi doloroso demais ver a esposa morrer no parto, jamais queria perder outra. Osami-nee teve a alternativa de tirar o bebê, mas ela se negou.

Então nós dois conversamos um pouco sobre a situação, sobre ela e sua teimosia, sobre o medo do que pudesse acontecer a ela e ele foi gentil em dizer que eu era da família mesmo se algo ruim acontecesse a minha irmã, cuidaria de mim, me daria todo suporte para os meus estudos.

Eu não soube o que dizer, era só alguém que a amava tanto quanto eu, uma pessoa tão boa a ponto de dizer tudo isso e eu a todo momento invejava tudo o que eles tinham. Se ele soubesse? E talvez sabia e mesmo assim…

A partir daquele dia eu decidi me dedicar mais a minha onee-chan, pois sabia que poderia perdê-la para sempre, ela não podia fazer esforços físicos, então eu ajudava em tudo referente às tarefas domésticas e ajudava a olhar as crianças… Bem, crianças são levadas, sobem onde não deve, puxam a mobília, fazem muita bagunça e eu estava sempre correndo para recolher antes que ela se abaixasse.

De certa forma essa situação nos deixou mais próximos, ela estava tão frágil,  Raiden-san tinha que trabalhar para manter a casa, era hora de retribuir todo esforço que ela fez por mim, tanto que passei a fazer as compras e muitas vezes encontrava alguns de nossos antigos vizinhos que perguntavam com deboche.

— E a sua irmã, como está com a nova família? — Eu dava as costas antes que respondesse com o punho.

Quando minha irmã já estava com cinco meses de gestação, na primavera no final de Abril dando início ao mês de Maio, mesmo sendo arriscado ela gostava de sair durante as tardes perfumadas para levar as crianças para brincar  em um parque que havia há duas quadras, peguei o hábito de acompanhá-la pois achava muito perigoso, e se ela desmaiasse? Se começasse a passar mal, as crianças entrariam em desespero.

Ficávamos sentados em um dos bancos de madeira olhando a algazarra que eles faziam com outros coleguinhas da região, recentemente tínhamos decoberto que o bebê seria uma menina, ela me arrastou para as lojas para ajudar a escolher todo o enxoval, foram muitas  roupinhas, mantas, cobertores fofinhos, muito rosa, lilás, uma infinidade de pelúcias, no dia seguinte ela já quis montar o quarto.

Se eu ainda sofria? Se chorava até adormecer? Sim, com toda certeza, eu sentia uma adaga enfiada no meu peito doendo e queimando, mas aqueles momentos ao lado dela estavam sendo tão preciosos.

Não vou negar que sentia ciúmes daquela bebezinha que estava chegando, mas eu queria muito que ambas fossem felizes, Naquela tarde fresca de primavera, dia primeiro de Maio, minha irmã falava sobre a escolha do nome do bebê, quando começou a se sentir mal.

Foram muitas emoções de uma só vez, eu tinha que chamar um taxi, para levá-la ao hospital, mas tinham as crianças, tinha que avisar Inoue-san, ve-la se contorcer de dor me deixou a beira de um ataque de pânico, mas eu tinha que manter a calma.

Chamei dois táxis e liguei para Inoue-san informando a placa do qual eu enviei as crianças para o restaurante, enquanto levei minha irmã no outro, para o hospital.

Assim que chegamos no local, minha irmã foi colocada em uma cadeira de rodas e levada para a sala de cirurgia, pouco tempo depois Inoue-san chegou ofegante, informando que deixou as crianças aos cuidados de uma funcionária de confiança.

Ele estava nervoso, eu estava nervoso, com medo, de certa forma nós nos apoiamos mais uma vez, até que sua presença foi solicitada na sala de cirurgia. O tempo pareceu não passar, eu não conseguia ficar sentado, será que minha irmã estava bem? E o bebê? Porque raios, Inoue-san não voltava para me  tranquilizar?

De repente ele retorna usando roupas do hospital e com um sorriso no rosto, minha expressão já muda completamente.

— Elas estão bem, estão bem...— Ele me abraça e chora, demoro para processar as informações e creio que sou a última pessoa merecedora desse abraço, mas acabo retribuindo e me emocionando junto. — A bebê vai ter que ficar na encubadora por ter nascido fora do tempo, mas não é nada sério, ela está bem e a Osami também.

— Você sabe qual os nome que ela decidiu para a bebê? — Questiono secando algumas lágrimas e ele responde que não— Miyako…

— O que?

— No livro que estávamos lendo havia este nome, que significa linda menina nascida em Maio, como ela quis nascer agora. Quer dizer, eu só acho, eu não quero parecer intrometido.

— Eu gostei, soa bem, Inoue Miyako. Tenho certeza que a sua irmã vai gostar também.

 

Foram mais alguns meses revezando totalmente meu tempo entre, cuidar das crianças, estudar, cuidar da casa e ainda visitar Osami-nee e a Miyako-chan. Inoue-san contratou uma babá e uma empregada para me ajudar e Mantarou-kun parecia começar a entender um pouco mais a situação, e colaborava mais. Ainda assim era uma rotina exaustiva, mas tudo valia a pena quando entrava e via as duas ali, no quarto, Osami-nee estava tão feliz… Sempre soube do seu desejo de ser mãe, e ver isso se realizando me alegrava.

Eu sabia muito tempo que tudo seria diferente, as atenções dela seriam para a nova criança e eu queria a odiar por isso, mas… Quando eu a via não conseguia… Me sinto no dever, na obrigação de cuidar de Miyako… É um instinto diferente… Novo... Como se uma parte de todo meu amor por Osami tivesse sido transportado para esse bebê.

Os meses passaram e depois de uma temporada no hospital, as duas voltaram para casa. Inoue-san chegou trazendo Osami que tinha a pequena nos braços. As crianças correram para ver a irmãzinha, e eu fiquei de longe observando… A família estava completa, e eu me sentia cada vez mais deslocado… Como se ali não fosse meu lugar.

Osami-nee e Raiden-san me agradecem e eu sorrio como resposta, me retirando até meu quarto, deixando a família com momento deles.

Volto a me dedicar aos estudos e me isolar. Eu não pertenço a esse lugar, o Inoue-san foi gentil comigo, mas mesmo assim não me sinto daqui… Me sinto deslocado, e quero como nunca sair daqui e seguir minha vida.

Mesmo que pareça irônico minha unica alegria naquela casa era Miyako-chan Tão linda, as mãozinhas delicadas, os dedinhos compridos e finos, os âmbares reluzentes e curiosos, dava vontade de morder, ainda tinha aquele cheirinho doce de bebê, perdi as contas de quantas vezes ela dormiu nos meus braços e eu fiquei olhando cada detalhe de seu rostinho delicado.

Os tempo foi passando e aquelas menina ia crescendo, cada dia mais elétrica e atenta. Os traços eram como o de Osami, mas os cabelos eram lilases do pai. Eu tentava resistir a fofura dela, ficar com raiva de toda a atenção que ela recebia, mas a ver tentando andar e brincar… Me fazia sorrir.

Um dia estava na sala de estar, com a cara nos livros e quando olho de relance vejo Miyako andando em minha direção, sorrindo e com os braços abertos. Acabo sorrindo também, mas vejo que quando está perto de mim parece começar perder o equilíbrio e então eu pulo no chão e a seguro antes que caia..

— Peguei você, mocinha! — A ergo e ela sorri não fazendo ideia do perigo que correu. Como não se deixar levar por ela

O tempo vai passando, e Miyako continuando a crescer, querendo brincar comigo. Quando ela aprende a palavra “titio” parece que vira a palavra preferida dela. Não pôde me ver que me oferece uma boneca, falando “Titio, brincar”. Tento resistir, mas não consigo, acabo me distraindo e permitindo que a cada dia ela faça mais e mais parte do minha vida,mas ainda tenho um objetivo, e não vou abrir mão dele.

Ao fim do meu colegial, estão todos lá na minha formatura. Osami-nee, Inoue-san e seus filhos e Miyako-chan, com quase 4 anos. Kami, como o tempo passou… Parece que foi ontem que ela estava naquela incubadora, frágil e fraca. Hoje ela está aqui, batendo palminha e rindo para todos, Ahhh Miyako, essa energia é simpatia ainda vai te colocar em maus lençóis.

Recebo meu canudo e vou para o lado a junto de meus colegas. Logo Yamato sei junta e mim e depois sou chamado a tribuna de orador. Faço meu discurso, agradecendo aos docentes, colegas e familiares, aquele mesmo discursinho chato de formatura.

Estamos na saída quando Osami-nee e Natsuko-san entrega o envelope com os resultados da universidade de Osaka para mim e Matt. Abrimos ao mesmo tempo e sorrimos comemorando que passamos. As duas famílias se juntam, e aquele foi um dos poucos dias de alegria para mim.

(...)

Mais alguns meses haviam se passado. Decidi iniciar em junho na faculdade para poder ver o aniversário de 4 anos da minha sobrinha. Era capaz de ela ficar doente se não ficasse, mas era inevitável… Aquele dia chegou e aqui estou eu, me despedindo de todos e embarcando no trem, indo para Osaka. Matt já estava lá a 1 semestre, tinha arrumado uma casa para nós e me esperava.

— Venha nos ver, de vez em quando. — Raiden-san, simpático como sempre me pedia e apenas assenti.

— Estou orgulhosa, mas sentirei sua falta — Osami parecia segurar o choro e eu a abracei minha irmã, ouvindo a última chamada para o embarque. Me desvinculei e comecei a entrar no trem ouvindo o choro da minha sobrinha.

— Quero o titio Ken, quero ele. — Inevitavelmente sorrio e dou um beijo no seu rosto a acalmando temporariamente.

— Você ainda vai brincar muito com Titio, pode ter certeza. — Prometo correndo para o embarque antes que perdesse os trem, acenando em despedida da janela… Ora de começar uma vida nova…

(...)

A vida nova se iniciou e eu  me dediquei completamente aos meus objetivos, confesso que não estar mais respirando todo aquele ar de família feliz com a minha irmã sendo esposa, mãe e ainda não ter superado meus sentimentos por ela, me fez muito bem, não que eu estivesse feliz, mas estava menos triste.

Durante todo o tempo de estudos na academia Matt esteve ao meu lado, assim como nos momentos de folga, ele mudava de namorada como quem trocava de roupa, muitas vezes me enchia a paciência para sair com alguma garota.

Se eu saí? Eu sai com varias, sim foram várias bocas, muitos corpos e todo meu tempo perdido, toda sensação de vazio depois de transas ruins com garotas que, certamente, eu nunca mais queria ver na minha vida. A impressão que eu tinha era de estar fadado a viver de lembranças dos meus momentos com a Osami-nee e sentir mais prazer ao me tocar lembrando deles, do que possuir qualquer garota que fosse.

Com o passar do tempo  a vida foi ficando mais corrida e minhas ligações para minha irmã foram se tornando mais raras, me afoguei em todo esse mundo de investigações e criminologia e quando me dei conta a minha tão sonhada carreira de sucesso estava construída, os anos tinham passado e eu tinha me acostumado com o gelo das minhas noites, tinha feito amizade com a solidão.

Na época da faculdade eu até cheguei a ter uma namorada,  Meiko Mochizuki, na verdade foi a primeira garota com quem tive relações íntimas depois da Osami-nee e foi uma experiência horrível, acho que isso tenha  me traumatizado tanto que busquei milhares de desculpas para terminar a relação.

Com o passar do tempo eu fui me tornando mais consciente de ter outra personalidade dentro de mim e de certa forma nós entramos em um acordo, o fato é que as ações das maiorias das operações é solucionada pela agilidade e sagacidade dele.

Eu já estava com meus 28 anos e tinha viajado para uma missão internacional que durou quatro meses e quando regressei recebi a notícia de que Raiden-san havia falecido em um acidente de carro, me parece que sua filha do meio Momoe-san se tornou uma garota muito problemática e ele discutia com ela no momento.

Eu senti muito, de coração, Raiden-san fez muito por mim e além de cumprir sua promessa de fazer minha irmã feliz. Minha onee-chan deve ter ficado arrasada, eu queria poder consolá-la e apoiá-la naquele momento, cheguei a cogitar a possibilidade de voltar a Tóquio, mas e o medo do que eu poderia sentir ao reencontrar Osami-nee.

Ela não precisava de mim, tinha uma família agora, certamente eles se apoiaram nesse momento, sendo assim eu me limitei a prestar condolências por telefone mesmo e conversei somente o básico. Eu tinha mesmo muito medo de ficar frente a frente com a minha irmã novamente e por isso aceitava as missões que todos recusavam, isso que fez minha carreira decolar.

….

 

    Um ano se passou desde então e eu tinha férias acumuladas e decidi tirar alguns dias, qual não foi a minha surpresa quando minha irmã disse que iria mandar minha sobrinha, que agora estava com quatorze anos, para passar as férias comigo.

    Até achei a idéia fofa, já imaginei em quais parques de diversão a levaria e arrumei um quarto bem fofo para ela, enchendo com lindas pelúcias, só que...Eu estava lá feito um idiota com a plaquinha a espera de uma garotinha e o que encontro é uma garota linda, animada, usando um vestido bem mais curto do que deveria, salientando todos os seus atributos físicos e o mais perturbador, era ser uma versão adolescente da Osami-nee, mas com os cabelos lilases, senti que isso não ia dar certo, quase a mandei de volta no mesmo momento.

    Seria uma longa Férias de Verão…

(...)

    As coisas entre Miyako-chan e eu correram piores do que eu imaginava, isso porque ela não consegue ficar um minuto sequer sem me provocar, com suas roupas curtas, sua agarração, me chamando de “titio” de uma forma que… Kami ela é muito encapetada e meu corpo reage a tudo que ela faz, minha mente se rende a todos os devaneios.

     Ela fingi se afogar na picina para me roubar beijos, pede para assistir filme de terror, mas pula no meu colo a cada susto, mente que quer aprender a beijar  e Kami...Tantas coisas aconteceram entre nós no pouco tempo em que ela ficou comigo. Eu só consigo pensar no que a Osami-nee pensaria sobre isso e me culpo, me afasto, mas ela me persegue, senta no meu colo, me envolve, me seduz e eu me rendo. Eu não tenho forças pra lutar contra esse desejo, é como se a Miyako-chan tivesse acendido uma chama que estava apagada dentro de mim, mas Kami, ela é só uma menina, mas eu a quero demais, a ponto de sonhar com ela.

    Depois de tanta brincadeira de gato e rato nós fomos a uma festa importante e na volta da mesma as coisas saíram mais fora do controle, isso porque a minha outra personalidade também desenvolveu uma loucura pela minha sobrinha e como lidar com isso? Eu definitivamente não sei, mas esse desejo parece dar mais forças a ele tanto que toma meu lugar sem que eu permita, não que eu não goste de tudo o que fazemos com a Miyako-chan, mas…

    Nada, nada mais eu a quero demais, ela me quer, me provoca, me enlouquece e se entrega toda, tento pensar em tudo sobre ser errado, contra a lei, sobre a minha irmã, mas minha mente fica branca e eu só consigo explorar seu corpo e me perder no prazer que ele me proporciona.

    Então quando estou a ponto de fazer Miyako-chan definitivamente Matt entra em casa gritando por mim, no mínimo querendo explicações sobre eu ter socado o filho do embaixador… Mas quando vou o receber ele parece diferente, ele me conta do terremoto e instante depois Miyako desce correndo se jogando nos meus braços, dando-me a pior notícia da minha vida… Osami… Estava morta…

Os instantes seguintes são borrões pra mim. Muito alter ego assumiu o controle para que pudesse me isolar e ter um luto em paz, sem me preocupar com os trâmites do funeral da nee-chan e do Mantarou-kun. Lembro apenas de ter uma conversa rápida com o embaixador da Rússia, e com Matt, que se lamentava por estar começando a se reaproximar da mãe, depois de 10 anos e do irmão menor.

Meu mundo estava no chão, falei com ela a alguns dias no telefone e brevemente conversados sobre Miyako…. De como era enérgica e vivaz… E ela me mandava tomar cuidado com ela, que ela já tinha perdido dois mundos, não resistiria um terceiro. Sabia muito bem que ela falava da minha partida… Mesmo entendendo meus motivos, ela nunca deixou de sofrer com minha vinda para Osaka. A segunda pessoa era Raiden-san… Ver o marido partir não foi fácil, tenho certeza e Miyako era o último pilastra dela… Mas agora ela se foi… Foi embora para sempre… E a última imagem pessoalmente que tenho da minha irmã é ela chorando enquanto parto para seguir minha vida… 10 anos haviam se passado daquele dia, e eu agora verei minha irmã de novo… Sem vida, sem o sorriso caloroso… Agora é apenas um corpo, sua alma já não está nele.

Quando me dou conta já estamos mais no funeral. Comprimento algumas pessoas por educação. Era um momento de dor para muitas famílias no Japão, o terremoto na capital foi repentino e devastador, mas no momento não estava interessante na dor de ninguém… Queria saber da minha.

Pedi rapidamente o controle dele volta e me ajoelhei, chorando, no túmulo onde jazia Inoue Osami.

— Porque fui tão covarde!? Porque não fui mais valente e vim te ver? Vim encarar-te, amar-te, estar ao teu lado? Como deixei o medo e insegurança me dominarem e acabou que me despeço de você agora pra sempre? Eu quebrei minha promessa de nunca deixar de acreditar que seríamos nós dois pra sempre… Eu falhei em manter essa promessa e achei que você estava bem sem mim…. Que tudo tinha mudado e agora não éramos só nós dois… Ahhh minha nee-chan, eu estava seguindo minha vida, mas sabia que você estava aqui… Como seguir agora totalmente sem você? Como cuidar da herança que tu confiaste em mim? Como proteger o que me sobrou de você? — Toda a fala e recheada de lágrimas usando o tom baixo. O outro toma o controle mais uma vez e limpa as lágrimas se levantando

— “Descanse em paz, Osami-san. Nunca mais o Ken será um covarde, porque eu não permitirei isso. Poucas vezes me envolvido no relacionamento de vocês, mesmo desde sempre querendo intervir. Mas agora as coisas são diferentes… Cuidarei junto de seu tesouro, sua herança”. —Ele se vira e encara um garoto ruivo abraçando Miyako consolando-a em seu choro. — “E será para sempre apenas nós três, sem agir como um covarde” — Declara por fim indo em direção aos dois. — “E o primeiro que irei expulsar será esse ruivo…”

Seguimos até minha sobrinha, enquanto a chuva fria cai, o túmulo da minha querida onee-chan ficava para trás, nossos segredos, momentos felizes, nosso romance proibido, tudo ia ficando para trás. Se eu pudesse voltar no tempo eu mudaria alguma coisa? Não sei dizer.

... Fim...

Diga a eles tudo o que eu sei agora
Grite isso de cima dos telhados
Escreva isso no horizonte
Tudo o que nós tínhamos se foi agora
Diga a eles que eu era feliz
E meu coração está partido
Todas as minhas cicatrizes estão abertas
Diga a eles que o que eu esperava seria
Impossível, impossível
Impossível, impossível


Notas Finais


Ouça a musica
James Arthur - Impossible -
https://www.youtube.com/watch?v=lJqbaGloVxg

Bem, chegamos ao fim e espero que vocês tenham curtido nossa homenagem a FL, se você ainda não conhece a trama, aqui está o link, gira entorno da relação entre Ken e sua sobrinha Miyako.

Sinopse:
A adolescência é uma fase de transições e descobertas, Inoue Miyako tem 14 anos, é uma garota geek, vivaz e inteligente, apaixonada por música e tecnologia, louca para atrair seu senpai e curtir com as amigas, contudo, vê sua vida dar um giro ao ser forçada a passar as férias na casa de seu tio, Ichijouji Ken, um renomado oficial das forças especiais japonesa.
Miyako sente a Lolita dentro de si despertando com todas as forças e descobre como o frescor de sua pele jovem, pode exalar todo o poder de sedução e corromper mesmo aquele que luta em prol da justiça.
Paralelo a isso, seu tio tem seu profundo pântano de segredo e não é exatamente o que aparenta. As coisas podem sair do controle quando uma, inocente ovelhinha quer brincar de seduzir, se mete a provocar um lobo em pele de cordeiro.

Tudo na vida tem o seu peso e medida, assim como toda a ação tem a sua reação…
Toda causa tem um efeito…

{Kenyako | Universo Alternativo | + 18 | Lolicon | Incesto | Conteúdo Erótico}
https://spiritfanfics.com/historia/forbiden-love-6206261


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