História Forensics - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ino Yamanaka, Kabuto, Kakashi Hatake, Kankuro, Karin, Kiba Inuzuka, Naruto Uzumaki, Rock Lee, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, Temari, Tsunade Senju
Tags Crime, Forense, Forensics, Naruto, Perícia, Policial, Sakura, Sangue, Sasuke, Sasusaku
Visualizações 366
Palavras 4.903
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá meus queridos leitores, olha quem resolveu aparecer? o/
Boa leitura!

Capítulo 16 - Convite


Ato I - Sakura

Desperto o pior das pessoas.

Seus braços estavam envoltos do meu corpo. Deveria estar surpresa, ou pelo menos, o retribuindo de alguma forma pelo o que acabou de pronunciar. Sabendo da dificuldade de lidar com os seus sentimentos. Então, por que não consigo esquecer.

Posso aparecer a qualquer momento, na mágoa, no rancor, e até mesmo por amor.

Foco, Sakura. Não é o momento para pensar em trabalho. O melhor homem com quem você já se relacionou está se declarando e, simplesmente, fica muda. Tendo os pensamentos roubados pelo lixo do Kabuto. Droga, agora seus olhos me observam aguardando por uma resposta.

Estou presente no seu cotidiano, mesmo que não perceba. Estenda a mão e lhe darei o prazer da sentença.

- IRA! - Gritei com todo o ar dos pulmões. - Sasuke, é isso! Eu desvendei a charada. O próximo pecado é da ira.

Os olhos dele piscaram lentamente. - Era o que esperava ouvir mesmo. - Deu alguns passos para trás, sentando em cima da sua mesa. - Realmente, a ira pode aparecer em qualquer momento. Sinto ela ardendo dentro de mim.

- Vou avisar a Temari, assim formulamos um plano até o dia do evento. - Abri a porta apressada, mas antes de sair, corri para perto dele e beijei sua bochecha. - Nos falamos depois.

Seu rosto se contorceu pela irritação. Provavelmente, imaginando que não ia receber uma resposta. Tentou me segurar pelo braço, no entanto, consegui me esquivar do seu aperto e saí da sala dando risadas vendo sua reação. As bochechas coradas e infladas. Sasuke deve ter sido uma criança bem complicada, ainda mais, quando não o dão o que ele quer. Queria corresponder aos seus sentimentos, de uma forma apropriada, talvez com menos roupas e algumas velas, certeza que tenho uma lingerie novinha para ocasião.

Atravessei os corredores com pressa, imaginando a noite que teria com meu moreno, me informei na recepção do paradeiro da Temari. Foi vista pela última vez no laboratório de balística. Sem bater entrei no lugar me deparando com uma cena, um tanto, constrangedora. Para mim e o casal que se amassava no outro lado da sala. Pelo visto, não é apenas eu e o Uchiha que quebramos as regras por aqui.

- Sakura! - Temari disse enquanto abotoava a sua camisa. Virei o olhar para a parede ao meu lado. Era isso, ou, observar meus colegas semi nus. - Eu estava pegando um relatório com o Shikamaru.

- Cara, isso é tão problemático. - Ouvi os resmungos do Nara.

- Sério, prefiro que não me expliquem. - Limpei a garganta para minha voz sair firme. - Hum, eu descobri o enigma. O próximo pecado vai ser: a ira. E, hum, não sei qual será a vítima, mas essa pode estar relacionada… Oh, pelo amor de Deus, feche esse zíper de uma vez Shikamaru! Eu não vou embora tão cedo para continuarem.

O semblante entediado dele encontrou os olhos raivosos da esposa. E ele fez o que pedi. - Certo. Eu vou dar uma volta para terem privacidade.

- Se você for para o terraço dormir, juro que vou te esfolar vivo. - A loira o ameaçou. E este só acenou antes de sair. Mas pude ouvir resmungar baixo o quanto era problemático.

Agora, com a atenção focada no caso, Temari passou a juntar as informações. Anotando o que discutimos em bloco de papel. Com a lista dos convidados iriamos analisar o perfil de cada um, na intenção de verificar se havia algum conflito entre eles ou alguém que poderia ser enquadrado no pecado. O trabalho vai ser exaustivo apenas para nós, por este motivo, convocamos o resto da equipe para pesquisar nos arquivos disponíveis em nosso sistema.

- Caramba, isso vai levar uma eternidade. - Naruto reclamou ao ver a pilha de papel em cima da mesa. - É injusto o Sasuke não participar também. - Cruzou os braços e fechou o cenho.

- O Uchiha foi encontrar o Gaara. Lembra que ele vai cuidar da parte judicial? - Ino disse ao seu lado. O loiro assentiu, ainda um pouco contrariado.

- Vamos dividir as pastas igualmente. - Kiba disse enquanto contava elas. - Certo, vocês não vão gostar disso. Porém, cada um fica com trinta pastas. - Todos arregalaram os olhos. - Avisei que ninguém ia curtir.

- Isso é impossível para ser feito hoje ainda. - Concluí. Mesmo que a leitura fosse superficial, nem assim seria possível. - Vamos demorar pelo menos uns dois dias nisso. Se não tivermos que nos ater em nossas outras responsabilidades.

- Bom, vou conversar com a Tsunade para que isso seja nossa prioridade durante dois dias. - Temari tomou a frente. - Precisamos pegar o desgraçado do Kabuto. Temos outros colegas que podem assumir nossas funções por um período curto. Shikamaru fica responsável pelo funcionamento do laboratório de perícias, enquanto vou ver com os outros policiais para cobrirem nossas escalas.

Assentimos em silêncio. E começamos a espalhar as pastas pela mesa. Como sou tomada por todo azar na minha vida. A primeira pasta que abro é a do Kabuto Yakushi. Não há muita informação. Sem passagens pela polícia, não há registros contra a sua conduta ou multas de trânsito. Naquelas páginas continha apenas um civil do sexo masculino, de 35 anos, solteiro e residente do Hospital Otogakure no Sato. Quem iria imaginar a mente doentia que se escondia por trás daquela fachada?

- Alguém adivinha a primeira pasta que peguei? - Externei meus pensamentos a todos, que responderam com um olhar confuso. - Kabuto Yakushi. O que me dá mais raiva é que não temos nada para usar contra ele? Nem uma multa de trânsito em dois anos ele teve. Tem noção do quanto vamos parecer babacas por acusar justo esse cara? Engana bem se passando por bom moço.

- ‘Dobrada é a falsidade feita com cor de verdade’ - A voz de Ino ecoou pela sala silenciosa. - Minha vó dizia isso para mim. A melhor mentira é feita com pequenas doses de verdade. Bom, esse cara é um ótimo exemplo disso.

- Sua avó é bem sábia. - Naruto disse. - Não vejo a hora de colocar as minhas mãos nesse desgraçado. Tenho treinado uns exercícios de autocontrole com a Hinata, para eu não acabar pulando no pescoço dele.

- É só esse tipo de exercícios que estão praticando? - Usei um tom malicioso. E em um segundo as bochechas dele ficaram coradas.

- Sakura! - Tentou me repreender. - Estamos indo devagar, nos conhecendo e tudo mais. Porém, nossa relação não poderia ser melhor.

- Nossa, essa minha amiga sabe se fazer de difícil, hein? - Comentei com os lábios franzidos. - Diga para aquela vadia me ligar. Depois que deixei o caminho livre para vocês, não recebo notícias dela.

O Uzumaki coçou a cabeça constrangido. - Bom, é que Hinata está um pouco atolada no trabalho. Mudou para um jornal pequeno no centro da cidade, começou a escrever sobre casos policiais. Nada demais, no entanto, ela está radiante. E também, - fez uma pausa antes de continuar - a convidei para morar comigo. - Meu queixo caiu instantaneamente. - Ela queria contar pessoalmente, mas não aguento guardar o segredo.

Contornei a mesa para o abraçar. - Oh, minha Deusa, parabéns! - O apertei forte contra o meu corpo. - Estou feliz por vocês. Torço para que dê tudo certo.

- Obrigada! - Agradeceu pelas felicitações. - É um pouco apressado, eu sei. Só que não vejo minha vida sem ela, e bem…

Apontei na minha direção com um sorriso satisfeito. - Eu que fui o cupido da relação!

- E quase o diabo que os separou. - Ino disse no fundo da sala.

- Ino! - Naruto e eu gritamos com ela.

Enquanto o pessoal ria da nossa reação. Pelo menos, agora, podemos rir e conversar normalmente sem todo o drama anterior. Meu peito inflou de alegria. Meus amigos seguiram em frente com suas vidas, seus sonhos se realizando. E eu também, tinha minha parcela de felicidade, no trabalho, na melhora do meu trauma e com um serzinho de cabelos e olhos negros, dono de um abdômen e coxas invejáveis.

Ato II - Sasuke

Pensei que nunca mais teria que vestir uma gravata na minha vida, mas aqui estou eu, amarrando esse pedaço de tecido em volta do meu pescoço. Só que, infelizmente, o rumo que a vida toma, às vezes, não é bem como queremos. Por isso, a única que tinha no meu roupeiro tem um furo na parte de baixo. Lá vou eu bater na porta do meu irmão para pegar roupa emprestada.

- Entra. - Respondeu do outro lado. Empurrei a porta e entrei no seu quarto. - Nossa, parece meu pequeno irmãozinho, mas ele não usaria roupa de ‘pinguim’.

Revirei os olhos com suas provocações. - Corta as piadas. Preciso de uma gravata emprestada. A minha estragou. - Mostrei para ele ver o estado. - Tem algo que combine com o meu terno?

- Claro. O início dos anos 90, que foi quando isso, que você diz que é um terno, estava na moda. - Bufei frustrado. - Por favor, não manche a reputação dos Uchiha vestindo algo desse tipo.

Contei mentalmente para não perder a paciência. Além de estar longe da minha zona de conforto, ainda ter que ouvir bobagens do Itachi, ficam longe do meu dia ideal. Ele abriu o roupeiro e passou a mexer nos cabides. Até que os seus lábios se contorcem em um sorriso.  

- Sério, é seu dia de sorte. - Apontou um cabide na minha direção. - Guardei para um jantar com uns acionistas, mas foi cancelado. Um presente de despedida!

Peguei o terno completo das suas mãos. Odeio admitir, porém, eu adorei. O corte, a cor e, até mesmo o instrumento de tortura chamado, gravata. - Cara, é sério? - Confirmou com um leve aceno. - Valeu mesmo. Mas peraí, já está indo embora de novo?

- Sabe que não sou de ficar muito no mesmo lugar. - Apesar do seu ar de descontração, no fundo sentia que escondia seus verdadeiros sentimentos. - E, bom, não é como se eu fosse embora de vez. Uma hora volto.  

- Poderia parar de falar esse tipo de merda. Mamãe surta se ouvir isso. - Ele soltou um riso anasalado. - Pelo menos, dê notícias.

A campainha soou pela casa. Trocamos um olhar confuso, pois não aguardávamos ninguém. Provavelmente, deveria ser algum vendedor inconveniente. Fui para o meu quarto para experimentar o terno. Como imaginei ficou sob medida. Peguei meus sapatos pretos e os calcei. Puxei minha maleta empoeirada do fundo do armário e coloquei o necessário para trabalhar com o Gaara. Me olhei no espelho e quase não me reconheci.

- Talvez eu devesse me arrumar assim outras vezes. - Passei a mão pelos cabelos para os  ajeitar, na medida do possível. - Será que Sakura gostaria de me ver assim?

Não poderia ficar fantasiado agora. Ainda mais depois do ‘fora’ que tomei há poucas horas. Apesar de, achar que ela está escondendo o jogo, demora para revelar os seus verdadeiros sentimentos. Continha um sorriso nos lábios ao ter seu rosto em minha mente, que alterou ao visualizar a figura parada no meio da sala da minha mãe.

- Quanto tempo, Sasuke. - Sua voz me atingiu, trazendo a tona sentimentos esquisitos. - Você parece ótimo!

Raiva. Mágoa. Rancor. Desprezo. Ansiedade. Amargura. Vazio. Rejeição. Tristeza. Meus pensamentos corriam dessa forma. Assim como foi durante o tempo que não nos víamos.

- Mas que porra é essa? - A voz alterada de Itachi atrás de mim me trouxe a realidade. - Agora você deixa qualquer um entrar na nossa casa? -  Questionou a Mikoto que sabia menos do que nós dois como lidar com o assunto.

- Olá Itachi. - Deu um leve sorriso para o meu irmão.

- Olá é o caralho! Isso é o que tem para dizer depois de quase um ano sumida? Olha, melhor dando o fora daqui, se não…

- Chega, Itachi. - Passei a mão pela frente do seu peito para o impedir de avançar. - Não tem necessidade disso. Karin, como tem passado?

A ruiva soltou o ar aliviada. Indiquei o assento para que sentasse. O dia não podia ficar mais esquisito. Com minha ex-esposa sentada na poltrona da casa da minha mãe, que montava guarda atrás de mim junto de Itachi. Que juro estar torturando a mulher em seus pensamentos, o olhar que direcionava a ela não poderia ser pior. Esfreguei a mão na testa nervoso.

- Tem algum motivo para vir até aqui? - Cortei a conversa fiada. Não tinha tempo para perder aparentando ser educado.

- Bom, tenho sim. Posso voltar em outro momento, pelo jeito está ocupado. Começou a trabalhar como advogado? - Procurou puxar assunto.

Olhei para outra direção soltando o ar. - Continuo como policial. Sabe que não mudaria de profissão por nada nesse mundo.

Ajeitou seus óculos com um leve sorriso. - Lembro o quanto brigamos por isso. Quero te ver seguro em um tribunal, enquanto você preferia arriscar o pescoço na rua com uma arma na mão.

- Só pode estar de sacanagem, quer discutir relação querida? Agora? Tipo, não. - Itachi cruzou os braços e o seu corpo tremia de raiva. - Alguém tem um calendário por aqui, preciso ver se não abrimos alguma janela para o passado.

Coloquei a mão em frente a boca para não rir. - Itachi, fica quieto. - Mikoto o repreendeu.

- Melhor ir direto ao ponto. - A ruiva disse sem jeito.

- Concordo.

- Bom, sei que pode parecer um pouco idiota da nossa parte. - Puxou um envelope da bolsa e me entregou. - Queríamos te convidar para a cerimônia. Afinal, nós éramos melhores amigos na faculdade.

Assim que retirei o convite do envelope e consegui ler o seu conteúdo. Choveu xingamentos pela boca do meu irmão, além da cara de espanto da minha mãe. Karin, minha ex-esposa, e Suigetsu, meu melhor amigo iam se casar. Quando nosso relacionamento acabou, ela me confessou estar apaixonada por outro na época, mas nunca iria imaginar isso.

- Isso é uma piada, Karin? - Usei toda minha calma na escolha das palavras. - Porque, sinceramente, não tem nenhuma graça. - Acenou com a cabeça. Antes que pudesse continuar, a cortei. - Então, quer dizer, que você me traí e termina nossa casamento, para depois de um ano me contar que foi com o Suigetsu?

- Tem uma explicação. - Disse baixinho.

Me levantei de uma vez só. As veias, do meu pescoço, latejaram de tanta raiva que sentia. - Óbvio que existe uma, não é mesmo? Caralho, passei o último ano me corroendo por pensar que fui um canalha durante nosso casamento. Que não te dei atenção e carinho, que eu não fui suficiente para te manter do meu lado. Enquanto, você trepava com o babaca do meu melhor amigo.

- Não foi bem assim. - Ela tentou sobrepor minha voz. - Não foi como está pensando. Tudo começou quando…

- Merda, Karin. - Me exaltei. - Eu não quero saber o dia que minha cabeça passou a pesar mais. Será possível entender que não tem como aceitar isso. Olha, pega essa droga e saí da minha casa.

- Sasuke, podemos resolver isso. - A ruiva insistiu. - Seria melhor para nós três se pudéssemos seguir em frente, não é?

Dei um risada com escárnio. - Por um momento, esqueci a maldita teimosa que você é. - Peguei seu braço e arrastei até a porta. - Faça o favor de nunca mais aparecer. Pode morrer que não fará falta nenhuma no mundo. Na verdade, seria um alívio que menos uma pessoa tão vil habitasse nesse planeta. Diminuiria meu trabalho!

Bate a porta com força na sua cara. Sem me importar com os vizinhos que viram nossa discussão. Esperei cinco minutos antes de sair de casa. Nesse meio tempo fui empertigado com os pensamentos negativos de Itachi, que criava teorias mirabolantes sobre o relacionamento deles. O que se fazia minha ira aumentar.

No painel do carro, o velocímetro marcava o quão rápido eu ia. Simplesmente, não conseguia tirar o peso do meu pé. Estou descontando minha frustração em qualquer coisa que aparece na minha frente. Não foi diferente com Gaara. Nem o cumprimentei direito, quase rasguei os documentos que me passava para conferir e assinar. A caneta escorria pelos meus dedos suados.

- Certo, vai falar por bem ou por mal, Uchiha? - O ruivo chamou minha atenção. - Aconteceu algo quando vinha para cá? É a última vez que pergunto, e juro, te arrebento se responder com uma negação de novo.

- Aconteceu. - Amassei as folhas. - Karin. Isso que aconteceu.

- Vou precisar demais.

- Ela foi entregar o convite de casamento. - Os lábios crispados pela raiva. - Não tem noção do quanto foi foda, agora sei por quem ela me trocou. E, veja só, é o meu melhor amigo de infância.

Garra não demonstrou surpresa. - Bom, não vou mentir. Recebi o convite na semana passada. Com muito medo de apanhar, admito que dei a ideia para ela conversar contigo. Só que não pensei que seria maluca de te convidar.

Meu punho coçou ao ouvir o desgraçado na minha frente. - Me dá um motivo para eu não quebrar a tua cara. Tipo, um bom motivo.

- Porque você tá por cima de toda essa merda, cara. - Gesticulou com as mãos elevando o tom de voz. - Pensa comigo, não é melhor saber de tudo o que aconteceu e, finalmente, passar uma borracha nessa mágoa que a Karin te deixou? - Refleti sobre suas palavras. - E assim seguir com a sua vida sem remorsos. Você mudou tanto nos últimos meses, até começou a namorar. E, apesar de um pouco maluca, Sakura parece uma ótima pessoa.

- Ela é maravilhosa. - Só de ouvir o nome da rosada minha ira diminuiu pela metade. - Em pouco tempo, me conectei com ela de uma forma que nunca aconteceu com a Karin.

- Pois então, exatamente por isso que sugeri para a ruiva de vocês se entenderem. - Encolheu os ombros. - Mesmo achando que deveria conhecer outras antes de se amarrar com a perita.

- Como assim? - Questionei Gaara. - Quer dizer, sair com várias e não ter um compromisso com nenhuma? - O ruivo acenou com entusiasmo. - Até parece que não me conhece, há quantos anos somos amigos mesmo? Lembra das festas da faculdade? Enquanto você passava o rodo em geral, eu mal conseguia chegar em uma menina. E no fim, acabava sobrando.

- Porque você é um babaca que queria conhecer elas em primeiro lugar. - Revirou os olhos. - As universitárias bêbadas, loucas para pular no seu colo e você dissertando sobre algum assunto inútil. Nem eu tinha paciência contigo.

Mostrei o dedo do meio. - Ah, vai se fuder. Não faz o meu estilo. - Voltei a me concentrar no trabalho. - Gosto do jeito que as coisas têm fluído com a Sakura. Não trocaria esse sentimento por uma noite sem sentido com outra.

- Se fosse do tipo romântico estaria tocado com seu discurso. Como não sou, onde posso vomitar meu almoço? - Fingiu ânsia de vômito.

Joguei uma pasta na sua cabeça. - Deveria é aproveitar ainda enquanto tem tempo e resolver a situação com a Ino. - Sua expressão divertida, se tornou séria. - Cara, não sei como consegue enrolar ela durante tanto tempo. Quantos anos fazem? Um, dois, três?

- Não quero falar disso.

- Bom, só vou dizer uma vez. - Levantei da cadeira. - Ino é inteligente, engraçada, linda e tem uma personalidade aceitável, mesmo que me tire do sério. Logo, alguém vai notar isso e, sinceramente, você vai se fuder. Porque não vai passar a vida inteira esperando você se decidir.

- Já disse que não sou do tipo romântico. Que têm relacionamentos sérios. - Não levantou seus olhos.

- Se eu posso me acertar com a Karin, você pode aprender a ser fiel a uma mulher só. - Vi a dúvida no seu semblante. - Bom, vou ir pegar café. E dar uma volta para arejar a cabeça.

Ato III - Sakura

- Então, as crises têm se tornando frequentes, Sakura? - Dra. Shizune me questionou após o relato que fiz desde nossa última consulta. - Creio que seja necessário iniciar um tratamento adequado a sua situação. Sei sobre a posição contra os remédios, porém podemos optar por alguns fitoterápicos. São drogas desenvolvidas de princípios ativos de plantas medicinais.

- Pode ser uma alternativa. - Entrelacei os dedos. - Pensei que podia combater meus medos sozinha, mas acho que perdi essa batalha. - Meu tom era baixo, um gosto amargo subia pela minha garganta.

- Oh, por favor, não diga isso. - Colocou sua mão sobre a minha. - Necessitar de ajuda não é uma derrota, pelo contrário, é uma vitória imensa. Admitir algo assim, é muito importante. Mostra o quanto somos fortes em não esconder nossos problemas. Normalmente, imaginamos que temos que resolver tudo sozinhos sem depender de nada, mas somos tão tolos. Ninguém veio ao mundo sem precisar de ajuda. Somos uma espécie sociável, e que evoluiu para conviver em harmonia. - Sentia as lágrimas crescendo nos meus olhos me ouvir suas palavras de conforto. - De verdade, estou contente pelo que contou hoje. Tem conseguido manter sua frequência no trabalho, arrumou um namorado e, ainda, terá coragem para enfrentar o seu agressor no tribunal. Sua vida tem progredido muito, Sakura. Fique orgulhosa, é mais forte do que imagina.

- Obrigada pelo incentivo, Dra. Shizune. Sem a senhora seria difícil de ter seguido em frente.

- Agradeço, mas meu trabalho nao teria frutos sem seu esforço.

- Tenho que admitir que Sasuke tem me dado muita força. - Sorri ao lembrar dele. - Na maioria dos meus piores momento, ele me apoiou. Só que fico com medo de o sobrecarregar, pois acabamos de iniciar um namoro. E já sou uma carga pesada na vida dele.

- Provavelmente, ele deve saber disso tão bem quanto você. Tente não se apegar a estes detalhes e criar pensamentos ruins na sua cabeça. Se sente insegura, seja sincera e converse com o Sasuke abertamente.

Assim, encerramos nossa sessão. Saí do consultório com a receita para comprar meus medicamentos, e com a alma lavada. Em notar que, realmente, superei tanto em pouco tempo.  Ainda mais pelo o que vem, com a hospitalização da minha mãe e com o maldito encontro com o tal Hatake. No entanto, não irei pensar nisso agora. Vou focar na minha missão com Naruto.

Retornei para a delegacia, para dar continuidade a investigação. Tenho muita papelada para ler ainda. Verifiquei meu celular, tirei do modo silencioso, e notei uma ligação perdida do Sasuke. Disquei seu número que chamou até cair na caixa de mensagem. Por fim, deixei uma mensagem.

Olá capitão, desculpe em não atender o telefone. Estava na consulta com a minha terapeuta. Quando puder me ligar quero te fazer uma proposta indecente. Do tipo, um jantar a luz de velas no meu apartamento. Eu, você e nada de roupas. Que tal? Beijos!

Seria perfeito encerrar a noite ao lado do meu moreno. Tentei manter o foco no trabalho, porém foi uma tarefa impossível. Passei a cuidar meu telefone a todo minuto, aguardando por uma confirmação que não chegou. Provavelmente, Sakura está ocupado arrumando a papelada com o promotor responsável. Talvez esteja o sufocando, pois ontem dormimos juntos e já estou o convidando novamente para minha casa. Ele precisa de um espaço também.

- Jurei que só quem fosse pobre gostasse de um barraco. - Ino se pronunciou atrás de uma pilha de pastas. - Mas está sendo difícil decidir qual família tem o maior barraco, hein? Temos de tudo por aqui. Traição, uns puxando o tapete do outro, pisando em cima dos amigos, calúnia. Daria um belo roteiro de uma novela dramática.

- Sim, aqui o mesmo. - Temari passou a mão pelas têmporas. - Será mais complexo do que imaginamos. Alguma novidade da promotoria?

- Mandei uma mensagem para o Uchiha, respondeu que está trabalhando com o Garra. Sem muito detalhes, segundo ele, não sei o suficiente para explicar a vocês. - Naruto disse irritado.

- Ele te respondeu? - Mordi o lábio aguardando pela resposta.

- Sim, há uns 10 minutos atrás.

- Ah tá. - Peguei meu celular discretamente. - Já volto.

Tentei o contatar, sem sucesso. Comecei a imaginar que poderia estar irritado por causa da nossa conversa de manhã. E uma sensação ruim se apoderou de mim. Não queria estragar nossa relação por uma bobagem.

Está tudo bem? Queria conversar, pode me ligar quando não estiver ocupado. É importante! Merece uma resposta apropriada ao que me disse de manhã. Não gostaria de dizer algo assim por mensagem. Beijos.

Apertei o celular na mão, torcendo para que me retornasse logo. Antes que eu surte.

Depois de uma hora de espera, perdi o ânimo em continuar trabalhando. Entrei no modo automático. Ino me lançava olhares, no outro lado da mesa, questionando se estava tudo bem. Não, não estava. Ou poderia ser só neura. Porém, meu sexto sentido, me alertava que minha preocupação não era em vão.

Voltei para casa sozinha. Desanimada, apenas tomei um banho, e me joguei no sofá para olhar qualquer programa que estivesse passando na televisão. Só que não pretendia minha atenção. Coloquei o celular para carregar, a bateria quase zerou de tanto que mexi nele. Rumei para cozinha e fui preparar meu jantar. Um miojo. Comida saudável e sofisticada. Se o Uchiha estivesse aqui, prepararia algo melhor, mas sem ele perdi a fome.

O telefone residencial começou a tocar. Corri para atender. Estranhando, pois não eram muitas pessoas que tinham esse número. Além dos meus pais, só que me lembre, era na minha ficha do trabalho de o ter disponibilizado.

- Alô? Seria da casa da Sakura? - Ouvi uma voz aflita.

- Sim, é ela que está falando.

- Oh, graças aos céus, querida. É Mikoto, mãe do Sasuke. - Soltei um riso. - Ou melhor sua futura sogra, pois enquanto não vier aqui oficialmente não vou aceitar esse namoro.

- Sasuke me deixou ciente disso. - Disse um pouco encabulada. - Estou disponível no final de semana, que tal?

- Excelente. - Sua voz ficou animada. - Ah, antes que eu esqueça. Acabei atropelando o assunto, na verdade, não liguei para falar disso. Posso conversar com o meu filho por um minuto?

- Hã? - Falei sem pensar, pega de surpresa com seu questionamento. - Ele não está aqui, Mikoto.

- Oh, pensei que sim. Porque não apareceu ainda aqui. E depois do que aconteceu nessa tarde, fiquei preocupada com ele. Não foi fácil em ver Karin depois de tanto tempo. - Falava sem parar por um segundo. - E ainda, veio com aquele convite de casamento. Sasuke deve estar arrasado. A ex-esposa casando com um amigo dele.

- Desculpa, mas não estou sabendo de nada. - Cortei seu raciocínio. Sentei na poltrona para não cair dura no chão. - A ex-esposa dele apareceu? Na sua casa? E eles conversaram?

- Sim, foi tão repentino querida. Itachi ficou mais abalado do que o próprio Sasuke. Disse palavras tão baixas, que nem parece que o eduquei. - Só pensei em o quanto adoro meu genrinho. - Depois o Sasuke perdeu o controle e quase a tirou daqui a tapas. Mas ele nunca seria capaz disso. Só que não o encontro em lugar nenhum. Por isso estou preocupada.

- Pois é, ele não respondeu às minhas mensagens também.

- Bom, desculpe em lhe incomodar. - Disse rapidamente. - Apareça aqui em casa, vou lhe esperar com um jantar maravilhoso.

Ato IV - Sasuke

Minha cabeça estava pesada. A nuca doía muito, levei a mão até a região e senti algo escorrendo. A luz era fraca, e meus olhos ardiam, não conseguia ver do que se tratava. Meu corpo não respondia aos meus comandos, porém não estou imobilizado. Apenas não consigo me mover. Com minha pouca visão, analisei cada canto do lugar, mas nada me pareceu familiar. Não conseguia me lembrar como cheguei aqui. Ao longe ouvi uma porta se abrindo.

- Ora, ora. Não é que o valente policial acordou. - A voz gélida chegou aos meus ouvidos. Não conseguia focar seu rosto. - Ou melhor, capitão. Não é assim que sua namorada te chama?

- Onde eu estou? - Foi o que consegui dizer com pouca energia.

- Oh, mas se eu disse irá acabar com nossa diversão. - Empurrou minha testa com a mão. - E nós só começamos. Sakura gosta de te mandar mensagem, hein? Bem irritante. ‘Onde você está, Sasuke?’. ‘Sua mãe está preocupada.’. ‘Eu, você e nada de roupas?’ - Usava um tom de deboche. E sua risada ecoava por todos os lados. - O que ela vai pensar depois do que você fez? Irá quebrar o coração da perita. Que feio!

- Que merda está dizendo? - Me engasguei antes de continuar. - Fica longe dela!

- Oh, acha que está em posição de me ameaçar? - Vi um brilho prateado próximo ao meu rosto. Senti uma picada ao lado do meu pescoço. - Durma mais, não adianta se preocupar agora.

 


Notas Finais


Quero agradecer pela quantidade de comentários do capítulo anterior. Vocês se superaram, hein? Fiquei muito feliz <3
Lembrando que ainda teremos especial GaaIno. Então, por favor, não me matem por causa desse final <3


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