História Girls Like Girls - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Sakura Haruno
Tags Hinata, Lésbica, Naruto, Sakura, Yuri
Visualizações 183
Palavras 4.653
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Fluffy, Musical (Songfic), Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Era para ter postado no dia da visibilidade lésbica, mas eu sou lerda.
Foi mal.

Capítulo 1 - Like boys do, nothing new.


Boy... Boy

Boys, boys

Boy

 

Hinata Hyuuga era uma boa garota.

Quando entrou no Colégio Konohagakure, foi por seus próprios méritos. Embora viesse de família muito rica, o pai exigiu que ela fizesse a prova junto dos bolsistas, dizendo que ela só entraria caso tirasse nota máxima. Não era uma prova pela bolsa. Era uma prova pela matrícula, e ela não tinha escolha. Hiashi era um homem áspero, e a viuvez precoce após a terceira filha apenas fez com que ele ficasse ainda mais severo com os filhos.

O primogênito era Hyuuga Neji, o único filho homem e o orgulho do pai. O mais velho era considerado um gênio, mostrando-se uma criança de Q.I deveras avançada para a idade, o que fez com que o pai colocasse grandes expectativas nas outras duas filhas.

Hanabi era a filha mais nova, e desde cedo apresentou grande talento para artes marciais, ganhando o primeiro troféu aos sete anos, lutando com um adversário três anos mais velho e com o dobro de seu peso.

E existia Hinata, a filha do meio. Ela não era tão inteligente quanto Neji, nem possuía grandes dons como Hanabi, entretanto, era uma garota gentil e com talento nato para aconselhar. Mas isso não era importante para o pai. Ser uma boa pessoa não manteria os negócios da família em pé, e isso fez com que ele cobrasse o dobro da garota, sempre colocando-a no nível mais baixo em relação aos outros irmãos.

Isso desenvolveu um grande problema de auto estima em Hinata, que se tornou uma garota quieta, tímida, tendenciosa a andar sempre de cabeça baixa.

Apesar disso, fez boas amizades. Mitsashi Tenten, Sabaku No Temari e Inuzuka Kiba eram os amigos que fez quando entrou no ensino fundamental. Tenten e Temari a acompanharam para o ensino médio, porém Kiba faleceu aos 16 anos. Esse foi um baque para todo o grupo, uma vez que o garoto fora espancado até a morte por um grupo de skinheads.

Kiba era assumidamente gay desde os 14, e, apesar da pouca idade, era uma pessoa de maturidade surreal, e o maior confidente de Hinata. Foi o único a quem ela foi capaz de contar... E a morte dele trouxe à vida da princesa Hyuuga mais um trauma: o do silêncio. Era muito difícil para si conversar sobre as próprias dores com outras pessoas.

Hyuuga Hinata era uma boa garota, mas possuía um segredo.

Ela.

 

Stealing kisses from your misses
Doesn't make you freak out
Got you fussing, got you worried
Scared to let your guard down

 

Haruno Sakura foi, de longe, a pessoa que mais mexeu consigo em seus dezoito anos. Conheceu-a logo que ingressou no primeiro colegial, pouco tempo antes de perder Kiba. Sakura era a criatura mais bela que já havia visto, e passar a observá-la interagindo tão bem com todo mundo a encantava.

Então aconteceu.

Era um dia comum: A cobrança sobre si em casa era cada vez mais forte, e por isso ela passou a ficar no Colégio até mais tarde para estudar, se refugiando na biblioteca. Logo que as aulas acabaram, ela se despediu dos três colegas e seguiu até o lugar de sempre.

Quinze minutos mais tarde Yamanaka Ino entrou furtivamente no ambiente, passando pela prateleira onde Hinata buscava os livros, seguindo até o banheiro localizado dentro do local. A morena não teria prestado tanta atenção nesse acontecimento, se cinco minutos mais tarde Sakura não seguisse pelo mesmo caminho. Dez minutos depois, nenhuma das duas havia saído.

Hinata não era uma garota curiosa. Sempre fora discreta e procurava não se meter na vida alheia, entretanto, aquela era Sakura.

A morena havia perdido as contas de quantos sonhos havia tido com a rosada só aquela semana, e seu coração de agitou de maneira descontrolada quando ela deixou os livros sobre a mesa de sempre, e seguiu em passos curtos até a porta do banheiro.

Hinata ouviu respirações descompassadas apenas por chegar perto, e ficou com medo que as garotas ouvissem seu coração batendo, tamanho o nervosismo por estar ali. Se sentia fora da casinha, uma stalker, mas seu corpo parecia mecânico quando ela olhou pela fresta.

Ino estava sentada sob a pia. A camisa escolar estava aberta até o umbigo e o sutiã estava aberto e acima dos seios médios, que subiam e desciam pela respiração acelerada.

O cabelo sempre impecável que a líder de torcida ostentava estavam desgrenhados e a franja grudava à testa pelo suor. Os olhos azuis sempre orgulhosos estavam entreabertos, e ela mordia os lábios rosados com força.

Baixando o olhar, Hinata viu a saia levantada, as pernas torneadas abertas e, no meio delas, se encontrava uma Sakura de cabelos igualmente bagunçados, que subia a própria saia e se tocava ao mesmo tempo que fazia sexo oral na loira.

Vocês podem imaginar que Hinata ficaria enciumada com aquilo, mas não foi o que aconteceu. Remexendo as coxas pelo calor que sentiu entre as pernas, Hinata sentiu, pela primeira vez, esperança. Nunca havia pensado na possibilidade de estar com Sakura, pois acreditava fielmente que ela gostava de garotos.

Foi um delicioso engano.

Apenas alguns meses depois, Sakura saiu do armário. Foi um escândalo. Hinata esperou que Ino se assumisse também, mas isso nunca aconteceu.

Ela engatou em um relacionamento clichê com o jogador de futebol americano Sasuke Uchiha, e Hinata teve certeza que Sakura estava com os olhos inchados no dia seguinte àquela notícia.

– Você deveria se declarar logo. – Kiba riu, enquanto jogava outra batatinha na boca. – Fazem meses que você sabe que ela gosta da fruta, e agora que a Ino resolveu que é hétero, você deveria investir, Hina.

– Quando você se declarar pro Naruto-kun eu me declaro pra ela. – Hinata sorriu, roubando uma batatinha do pacote e sorrindo travessa para o cachorro.

Kiba ficou indignado.

– É uma situação completamente diferente. A Sakura é lésbica assumida, Hina. Eu não faço a mínima ideia do que o Naruto quer.

– Ele te beijou uma vez.

– Ele estava bêbado.

– Dizem que a bebida é a cura hétero. Ele não estava tão bêbado assim, você sabe, Kiba. Eu acho que ele gosta de você. – Ela sorriu, amigável.

Kiba era apaixonado por Naruto desde a sexta série, e foi por causa dele que o cachorro se descobriu. Naruto era um ano mais velho e fazia parte da elite popular do Colégio, mesmo que visivelmente não desse a mínima para aquilo.

Ele era melhor amigo de Sasuke Uchiha, mas mantinha uma relação de amizade com a escola toda. Naruto era um bom garoto e defendeu Kiba mais de uma vez durante aqueles anos depois que ele se assumiu.

– Certo. – O cachorro soltou, do nada. Hinata o olhou, confusa. – Eu me declaro para ele se você se declarar pra Sakura.

Hinata sorriu.

– Fechado. – Eles deram as mãos – Eu estou em pânico.

Kiba soltou uma gargalhada. Daquelas que fazem os olhos lacrimejarem e aparecerem as gengivas. Daquelas que a barriga dói.

– Bem vida ao clube. – Disse, enquanto secava as lágrimas.

 

Tell the neighbors I'm not sorry
If I'm breaking walls down
Building your girl's second story
Ripping all your floors out

 

Teria sido fantástico. Kiba iria encontrar Naruto na volta das aulas, como sempre acontecia, e diria que era apaixonado. Ele ainda não sabia que Hinata estava certa e seus sentimentos eram correspondidos.

Mas ele nunca chegaria a saber, de qualquer maneira.

Naquele dia, Kiba não encontrou Naruto durante a volta. O loiro havia ido estudar com Sasuke, e foi por estar sozinho que aquela gangue se aproximou dele.

Kiba era um garoto baixinho e magro demais para lidar com todos os cinco garotos que o cercaram.

Foi no quinto soco que ele caiu e bateu a cabeça no meio-fio com força o suficiente para ter um traumatismo craniano que o levou à óbito três dias depois. Foi morte cerebral.

Hinata o visitou um dia antes de desligarem os aparelhos, e encontrou um Naruto com os olhos vermelhos na recepção. Eles trocaram olhares molhados, e Hinata se sentou ao lado dele por alguns minutos, antes de sussurrar.

– Ele gostava de você também, sabia? – Os olhos de Naruto se arregalaram e escorreram. – Ele ia se declarar, estava feliz com isso. Tenho certeza que ele torce por você, independente de onde esteja agora.

Ela se assustou com o abraço. Naruto soluçou forte quando ela o retribuiu, e Hinata se permitiu chorar de verdade desde que o acidente aconteceu.

– Será que ele me perdoa? – Ele Disse, quando o choro de ambos se acalmou. Hinata o olhou confusa, então ele se explicou. – Eu morria de medo de assumir qualquer coisa. Eu achei que evitar encontrar com ele ia fazer as coisas melhorarem. Será que ele me perdoa por não estar lá para ele? – Ele voltou a chorar – Se eu estivesse lá, ele estaria vivo. Ele estaria bem.

Hinata secou lágrima por lágrima.

– A culpa não é nossa. – Ela segurou as mãos dele. – O que matou Kiba foi o ódio por algo que nós não temos controle, Naruto-kun. Não se culpe por isso, você é apenas outra vítima desse sistema que nos oprime.

– Você... também? – Ela assentiu, e sorriu triste.

– Você guarda o meu segredo e eu guardo o seu, até que a gente aprenda a lidar com eles.

O enterro foi silencioso. Naruto e Hinata permaneceram de mãos dadas o tempo todo enquanto o corpo de Kiba foi para debaixo da terra.

Naruto ficou lá durante horas, observando a areia fofa enquanto mais algumas lágrimas silenciosas desciam.

Temari e Tenten os abraçaram chorosas, e Hinata foi a última a deixar uma flor sob o túmulo.

 

Saw your face, heard your name
Gotta get with you
Girls like girls like boys do
Nothing new

 

Naruto e Hinata se tornaram bons amigos depois daquele dia. Foi Naruto quem a consolou quando Temari mudou de cidade na formatura daquele ano. Foi Naruto quem passou a ficar com ela quando Tenten começou a passar cada vez menos tempo junto de Hinata quando começou a namorar no ano seguinte.

Entretanto, Naruto estava no meio de um jogo quando Hinata se pegou chorando de saudade de Kiba quando seu pai lhe disse que já tinha todo o seu futuro planejado. Ela iria para um país onde não conhecia ninguém para estudar um curso que odiava e deixar tudo o que gostava para trás.

A morena subiu sozinha até a cobertura do prédio do Colégio, sentando-se em baixo de um dos toldos para chorar silenciosamente. Ela não havia conseguido sequer argumentar.

Foi durante uma crise de choro, com a cabeça entre as pernas e o peso do mundo nas costas, que ela conversou com Sakura pela primeira vez em uma cena completamente clichê.  Ela não sabia por que – culpou Deus pela sorte – mas Sakura estava ali.

– Dia ruim? – O coração agitou-se ao ouvir aquela voz. Era melodiosa, suave, e Hinata levantou os olhos apenas para ver o rosto fino e os cabelos rosados recentemente cortados na altura dos ombros.

Ela observou os olhos esmeraldinos lhe encararem com curiosidade, antes de negar com a cabeça.

– E-eu estou bem. – Mordeu a própria língua, recriminando-se por gaguejar.

A rosada deu de ombros e sentou-se ao seu lado, puxando uma cartela de chicletes do bolso e oferecendo-a à Hinata. Era de cereja, e ela aceitou apenas por que queria ter noção do gosto dos lábios de Sakura naquele momento.

– Meus pêsames. – Sakura sussurrou e Hinata a olhou, sem compreender direito o por quê daquilo. – Eu sei que estou mais de seis meses atrasada, mas ele era um bom garoto. Vocês eram muito próximos, e eu só queria te dizer isso. – Sakura encarou a grade à frente delas. – Me senti pessoalmente afetada pela morte dele.

Hinata assentiu, compreendendo completamente. A homofobia matou Kiba aquele dia, mas podia ter sido qualquer outra pessoa assumida.

Incluindo Sakura.

– A gente não pode nem andar na rua em paz, cara.

– Ele era um bom garoto. – Hinata sorriu, derramando algumas lágrimas. – Sinto muita, muita falta dele. Tenho tanta coisa pra contar... Tanta coisa...

Sakura a olhou novamente, notando a voz trêmula. Virou o corpo na direção da garota, ficando de frente para ela.

– Eu não sou o Kiba e a gente acabou de se conhecer, mas... – Ela estendeu a mão direita para a morena. – Meu nome é Sakura Haruno. Sou do terceiro ano, turma E. Você pode conversar comigo, se quiser.

Hinata encarou a rosada com os olhos úmidos.

– Terceiro ano, turma C. – Ela secou o suor da mão esquerda na saia, e trêmula, ela a estendeu. – Meu nome é Hinata Hyuuga.

 

Isn't this why we came?
Gotta get with you
Girls like girls like boys do
Nothing new

 

Elas trocaram números e ficaram várias horas conversando naquele terraço. Hinata sentia que seu coração iria explodir a cada nova risada de Sakura, a cada sorriso ladino e a cada passar de língua nos lábios. Elas só se lembraram que tinham horário quando o sinal tocou e elas notaram que haviam matado pelo menos duas aulas naquela conversa.

Desceram as escadas rindo, e quando Naruto a encontrou, foi suficientemente discreto (o que era super incomum no loiro) para olhá-la e sorrir de canto, feliz pela amiga finalmente ter conseguido conversar com a paixão, afinal era o último ano.

Hinata havia contado para Naruto sem querer alguns meses antes, quando estavam conversando sobre Kiba e sua declaração. Ela acabou por falar sobre o acordo dos dois, e o loiro prontamente se ofereceu para apresenta-las, uma vez que a raposa era amigo de infância de Sakura.

A Hyuuga negou veementemente, afinal não se sentia preparada para aquilo, e ela queria que as coisas fossem naturais. Queria ela mesma se apresentar, ela mesma puxar assunto, ela mesma tomar uma iniciativa de contato. Acabou que tem tomou uma iniciativa foi Sakura, mas pelo menos a aproximação entre as duas havia sido natural, sem qualquer forçassão de barra.

Elas conversavam durantes horas via whatsapp, e foi dessa forma que descobriram que ambas gostavam de filmes do Tarantino, livros de ficção científica e a França. Sakura contou à Hinata sobre o sonho de cursar medicina e, quando Hinata tomou coragem, contou à rosada sobre o sonho de cursar psicologia e como jamais o realizaria pelos planos do pai não baterem com os dela.

Explicou sobre a faculdade de arquitetura na Inglaterra e o como o curso a angustiava – pois ela nunca se familiarizou muito com a área de ciências exatas. Queria ser psicóloga e trabalhar na área hospitalar, ajudando pessoas em doenças terminais e suas famílias, aconselhando e sendo útil na vida das pessoas auxiliando-as com sua saúde mental.

Sakura tentou ajuda-la. Questionou sobre o pai e ficou indignada quando Hinata contou sobre como o homem a tratava e o como era ridícula a forma como ele manipulava a filha do meio, forçando-a a cursar algo que não gostava em um país desconhecido.

Foi em uma dessas conversas que Sakura deu à Hinata uma ideia maluca.

“Você já pensou em sair de casa? ”

Era claro que Hinata não havia pensado. Ela nem sequer havia pensado em questionar as ordens do pai quando elas foram proferidas. A morena havia apenas aceito, sem questionar, sem discutir, como sempre fazia, em uma obediência cega, sempre colocando seus sonhos em segundo plano.

“Você poderia trabalhar esse ano, juntar um pouco de dinheiro para alugar um quarto nos dormitórios da faculdade que você escolher ou mesmo para pagar um quarto de república. Você também ganha mesada, não ganha? Você disse que tem esse dinheiro guardado... você pode usar para os vestibulares! ”

Sakura havia dado à Hinata, pela segunda vez, aquela chama aquecedora da esperança.

“Além disso, se você acabar indo pra faculdade de Suna, podemos ficar na casa do meu irmão. Sasori tem um apartamento lá. Quando eu passar na faculdade de medicina, vou morar com ele e ajudar no aluguel. Tenho certeza que ele não iria se importar de ter você lá. Você pode ficar no meu quarto.”

Depois daquilo, Hinata pegou um emprego meio-período como garçonete na mesma lanchonete de lámen que Naruto e Sakura trabalhavam, ganhando algum dinheiro por mês. Ela ficou cada vez mais próxima dos dois, a paixão pela rosada crescendo enquanto elas perseguiam os sonhos juntas.

Ela havia decidido contar sua decisão ao pai depois que passasse na faculdade de Suna. Ela não podia se dar ao luxo de ser expulsa de casa sem antes ter onde ficar. Passou a buscar boas alternativas, encontrando no dormitório conjunto o preço mais acessível.

O dinheiro que juntara dava para pelo menos cinco meses de aluguel até que ela encontrasse um novo emprego, pois não queria depender da boa vontade de Sakura, embora a possibilidade de morar com a garota pela qual era apaixonada era tão boa quanto torturante.

As provas finais estavam chegando, e os vestibulares também. Enquanto o pai pagou a fortuna pelas provas na University of London, Hinata juntou suas economias de mesada e pagou o vestibular para a Universidade De Sunagakure. Ela fez a inscrição ao mesmo tempo que Sakura fazia a inscrição para o curso de Medicina na mesma universidade, enquanto estavam na linha pelos celulares. Ambas estavam tentando a bolsa integral, pois Hinata sabia que o pai não a bancaria em Suna e Sakura não tinha dinheiro para aquilo.

– Nós vamos passar, Hime. – Sakura disse, do outro lado da linha. – Eu tenho certeza.

Hinata ficou em silêncio por um momento.

– Você me promete que vai estar lá para mim? – Hinata disse, baixinho. – Mesmo se eu não passar e tiver que ir pra Londres, mesmo que meu pai use da força jurídica dele para me prender à ele, mesmo que eu desista de tudo, você me promete?

Sakura fica em silêncio, solvendo as palavras da amiga e aceitando aquela possibilidade.

– Até o céu cair, Hime. – Ela disse, com firmeza.

– Até o céu cair.

 

Always gonna steal your thunder
Watch me like a dark cloud
On the move collecting numbers
I'mma take your girl out

 

Hinata fez as provas e segurou a mão de Sakura enquanto ela lia a carta de resposta da Universidade de Sunagakure. Ela teria reparado nas mãos pequenas e quentes sobre as suas, as apertando, se não estivesse tão ansiosa pela garota.

Entretanto, Hinata também foi a primeira pessoa a abraçar Sakura quando ela viu o resultado positivo. Dessa vez, ela sentiu o corpo da amiga a apertar e o calor passar pelo seu corpo quando elas se encostaram naquele abraço de urso. Sakura gritava muito perto de seu ouvido e tinha lágrimas nos olhos, e, naquele momento, Hinata não conseguia imaginar lugar melhor para se estar senão no centro daquele abraço, sendo envolvida pela alegria da rosada.

Eventualmente, a carta de admissão de Hinata também chegou. Entretanto, não foi uma boa experiência, tampouco pôde segurar a mão de Sakura enquanto a lia.

Ela estava voltando do trabalho no fim da tarde, e quando chegou Hiashi segurava a carta com o selo cor de vinho da universidade dentre os dedos, o papel do envelope rasgado em uma das extremidades, denunciando que ele havia aberto a encomenda.

Hinata gelou e empalideceu até os fios de cabelo, o coração acelerando e as mãos começando a tremer conforme o pai se levantava e vinha em sua direção com a carta em mãos.

Hiashi amassou o envelope entre os dedos, olhando de forma severa e irritada para a garota, de uma forma que fez o corpo de Hinata amolecer e quase cair no chão. Ela se apoiou em uma das paredes, o sangue correndo com pressa pelas veias e o rosto pálido demonstrando o puro sentimento ali: medo.

– O que isso significa? – Perguntou simplesmente, mostrando a bola de papel que tinha em mãos, mantendo o olhar frio.

– O-otou-sama... – Ela gaguejou, e depois se lembrou da voz de Sakura lhe dizendo para ter confiança e ser firme quando tivesse aquela conversa com o homem. – Eu fiz o vestibular pra faculdade de Suna. Não quero ir para Londres, e não quero cursar arquitetura. Não é minha vocação, eu não me sinto confortável e não gosto... – Ela engoliu à seco, fitando o pai diretamente naquele momento. – Eu quero ir para Suna e cursar Psicologia...

– Você não vai. – Disse o homem simplesmente, atirando a carta de admissão à lareira acesa. – Você vai fazer o que eu mandar, Hinata. Você é minha filha, vai seguir o que eu disser que vai seguir!

– Eu não vou para Londres. – disse, o sangue correndo ainda mais rápido e a garganta se embolando em todos os sentimentos conflitantes que sentia enquanto enfrentava o pai pela primeira vez. – Eu vou para Suna, e vou cursar Psicologia, Otou-sama.

Hinata esperou receber um tapa e ouvir o pai gritar com ela, expulsando-a de casa, mas isso não aconteceu.

– Você não passou. – Ele disse, com tranquilidade, pegando outro envelope de cima da mesa. – É tão burra que não foi capaz de passar em uma Universidadezinha de quinta. Entretanto, meu dinheiro te fez ser admitida em Londres, então pare de ter ataques infantis e aceite que eu sei o que é melhor para você. – Ele atirou a carta em Hinata, dando-lhe as costas em seguida.

Hinata sentiu as pernas bambas e caiu de joelhos quando o choro começou.

 

We will be everything that we'd ever need
And don't tell me, tell me what I feel
I'm real and I don't feel like boys

 

Ela não ligou nem quis encontrar Sakura para dar aquela notícia. Contou o que aconteceu e que não foi aprovada via mensagem. Desejou à Sakura muita sorte no curso e disse a ela que o pai havia decidido que ela não poderia mais ir à festa de formatura do terceiro ano.

Sakura mandou algumas mensagens, mas Hinata não quis ler. Ela apenas entrou de baixo das cobertas e chorou até adormecer.

No dia do baile, Hinata sequer saiu do quarto durante o dia. Fazia uma semana que ela não respondia às mensagens de Sakura ou de Naruto (que havia sido aprovado para o curso de Educação Física em uma cidade bem próxima à Suna), e ela se sentia mal e envergonhada por não conseguir responder a nenhum deles, tampouco vê-los no trabalho.

As aulas haviam acabado, então não existia onde encontrá-los no colégio, e ela era agradecida por isso. Quando o relógio apontou meia noite e meia, ela se levantou da cama da cama pela primeira vez nas últimas doze horas (para tomar banho), e sentiu saudade de Kiba.

Pegou o porta-retratos ao lado da cama, observando a foto onde ela estava com Kiba, Tenten e Temari. O garoto sorria enquanto a abraçava com um dos braços e fazia um “v” com os dedos.

– Se você estivesse aqui, talvez eu não estivesse tão perdida quanto estou agora, Kiba. – ela avaliou a foto e a colocou dentro das outras malas (que já estavam feitas para a viagem que faria para Londres, no dia seguinte).

Ela tomou um banho longo, vestiu suas roupas e foi enquanto penteava os cabelos que ouviu algo bater no vidro da sacada de seu quarto. Hinata quase morreu de susto quando, ao olhar para o local, viu Sakura vestindo um smoking feminino preto de festa, os cabelos curtos com leves ondas e preso em um dos lados (que agora tinha alguns fios fora do lugar) e ofegante (até mesmo um pouco suada).

Hinata abriu a porta e foi prontamente abraçada.

– Sakura-chan... O que...?

– Ele mentiu para você. – Ela disse, com a voz transbordando ansiedade. Hinata arregalou os olhos. – Seu pai mentiu para você.

– Do que você está falando?

Sakura desbloqueou o celular que tinha em mãos, dando-o para a morena. Hinata observou a tela, que continha um e-mail da universidade de Sunagakure.

– Eu mandei um e-mail para eles, perguntando se eles tinham a lista de aprovados do curso de Psicologia. Disse que uma amiga havia mudado de endereço e tido a carta extraviada.

Hinata passou os olhos pela lista. Era realmente o e-mail da universidade, e ela foi descendo a tela.

Ali, em letras pequenas, logo após Hana Akimichi, estava seu nome.

Hinata Hyuuga.

 

Saw your face, heard your name
Gotta get with you
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Nothing new

 

Os olhos perolados cheios d’água encararam os esmeraldinos com perplexidade: existia ali uma mistura de felicidade por ter conseguido, e indignação pela atitude do pai. Sakura a olhava com uma enorme interrogação na testa, esperando por uma atitude da outra.

Quando ela veio, foi completamente inesperada:

Hinata puxou a mais alta pela gola da camisa social que usava, e de um amaneira meio desajeitada, colou os lábios. A rosada arregalou os olhos, chocada por um momento antes de puxá-la pela cintura e aprofundar o beijo.

As mãos pequenas da garota baixinha se perderam nos fios cor-de-rosa, e ela ficou na ponta dos pés para que o encaixe fosse, finalmente, perfeito. As línguas se tocavam lentamente, se conhecendo, e parecia que o mundo havia parado de girar durante aquele tempo.

Foi a perolada que rompeu o beijo e abraçou a outra com força, rindo e chorando ao mesmo tempo, uma sensação gostosa na barriga e o coração aquecido.

– Obrigada. – Disse, ainda abraçada à outra. – Eu te amo, obrigada.

Sakura riu levemente, afastando-se um pouco para colocar os fios de cabelo negros da outras atrás da orelha, dando um longo beijo na testa coberta pela franja, sorrindo logo em seguida.

– Eu achei que ia demorar mais tempo para você assumir que era apaixonada por mim.

Os olhos perolados dobraram de tamanho.

– Você sabia? – A rosada assentiu. – Como...?

– Naruto.

– Claro. – Ela revirou os olhos.

– Mas foi culpa minha. Eu disse para ele que gostava de você, e ele tentou me convencer a...

– Você gosta de mim? – A voz era mais baixa do que o normal.

Foi beijada de novo.

– Boba. – Outro beijo. – Você é muito boba, Hinata.

 

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Papai,

Eu estou indo para Suna hoje. Por favor, não tente me encontrar – não por que você não vá me achar, mas por que eu não quero te ver; não até que eu te perdoe pelo que você fez comigo. Estou extremamente chateada, embora seja incapaz de te odiar – sei que, de um jeito torto, você só queria o meu bem.

Te agradeço por todos os anos que cuidou de mim, apesar de sempre ter claramente demonstrado maior interesse por Neji e Hanabi – não te julgo mais, afinal, meus irmãos são fantásticos –  eu te amo exatamente por saber que o senhor os ama. Eles são as pessoas mais importantes da minha vida, e eu espero conseguir manter contato, apesar do que o senhor lerá agora.

Eu me descobri lésbica aos quinze anos.

Eu sou simplesmente incapaz de me relacionar com garotos, assim como sou incapaz de cursar arquitetura e tentar viver uma vida que não é minha. Eu trabalhei durante vários meses para ter dinheiro para me manter longe de casa, para ter a minha vida e para poder ficar com a minha namorada.

Desculpe por nunca ter sido sincera – o senhor também nunca foi.

Sei que sente saudades da mamãe todos os dias, afinal, eu também sinto, muitas. Talvez, se ela estivesse aqui, nossos laços não fossem tão distantes e cheios de nós, mas, apesar de tudo, quero mantê-los comigo, por que você é o meu pai, e eu sempre vou te amar, apesar de tudo.

Mesmo que o senhor me odeie. Mesmo que o senhor nunca mais queira me ver. Mesmo que me abomine, eu te amo. Muito.

Espero que seu coração encontre calmaria, assim como o meu encontrou.

Eu estou feliz, papai.

Eu quero cursar psicologia, ser uma boa psicóloga, ajudar pessoas. Quero fazer a diferença nesse mundo tão preconceituoso e tão ruim.

E quero ficar com a Sakura.

Me desculpe por nunca ter sido o que o senhor quis que eu fosse, mas eu estou sendo o que eu quero ser, e isso tem o gosto muito bom.

 

Com amor,

Hinata.

 

Girls like girls like boys do
Nothing new.


Notas Finais


Inspirada na música Girls Like Girls - Hayley Kiyoko.
Espero que tenham gostado! ♥


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