História Handcuffs (Larry Stylinson) - Capítulo 41


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Visualizações 94
Palavras 3.754
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 41 - Lost


Você sabe que a situação é séria quando ninguém consegue falar nada.

Harry seguia Louis e Caleb, tendo obviamente noção de que algo ruim havia acontecido, mas sem fazer a mínima ideia do quê.

Em alguns momentos atrás, quando o cacheado ainda estava esperando por Louis no chuveiro, fora cumprimentado com apenas um “Nós precisamos ir até a enfermaria. Agora.” Acompanhou um Tomlinson calado colocar o fardamento de qualquer jeito — e com muita pressa. Disse apenas que explicaria quando conseguisse ter certeza do que estava acontecendo.

Caleb chorava muito. Louis não mexia um músculo do rosto sequer.

Ponto de vista de Harry

As pessoas que passavam pela gente não pareciam perceber que algo de errado estava acontecendo. Ou será que simplesmente não se importavam?

Nós chegamos a uma área que eu nunca tinha ido antes; a iluminação era mais baixa e, se possível, as coisas pareciam ser mais antigas do que o normal.

E, não que eu fosse espiritualista, mas esse lugar tinha uma aura pesada.

— Você consegue me explicar o que aconteceu agora? — Louis perguntou, firmeza em sua voz.

— E-eu...

— Mais alguém sabe disso?

— Não. Eu o trouxe pra cá e sai. Eu não aguento ficar aí dentro. — Caleb afastava o cabelo negro do rosto, visivelmente agoniado.

— Ninguém te viu no caminho?

— Todo mundo estava ocupado demais ouvindo o discurso de MacAteer. — O garoto parou de falar. Encostou-se à parede fria e empoeirada.

O silêncio voltou a predominar. Eu sinto que não deveria estar ali, ao mesmo tempo que sei que tenho que estar dando apoio à Louis. Mas aquilo não parecia certo e eu também não sabia o porquê.

— Foram aquelas pílulas, não foi? — A vulnerabilidade de Louis começou a ser mostrada. A armadura externa parecia prestes a ruir.

Caleb concordou com a cabeça, olhando-o. Buscando algo em seus olhos; como “O que fazemos agora?”

— Que pílulas? — Não me contive. Eu não queria me intrometer de qualquer forma, mas a menção de uma droga mudava a situação.

Isso porque, nós já conversamos sobre isso algumas vezes. Louis sabia que eu não era de acordo justamente por coisas assim poderem acontecer. E não, eu não espero mandar nele ou algo do tipo, mas pensei que tivéssemos chegado num consenso. Além do mais, havia me dito que não usava coisas pesadas.

Segundos se passaram e nenhum dos dois parecia que iria me responder. Especialmente Louis que decidiu que seria uma boa ideia me ignorar.

Aquilo me frustou profundamente.

Ponto de vista da Narradora

Harry respondeu o silêncio saindo de lá, sem se explicar. E sem pensar muito, também.

Percorreu o primeiro corredor, o único objetivo em mente sendo se afastar dali o mais rápido possível. Até que, após um tempo, percebeu que estava perdido; obviamente nunca tinha ido para aquela parte do colégio e seu senso de direção também não era um dos melhores.

Bons minutos tentando encontrar algum lugar familiar e nada... Voltou pela direção inicial e nada... Dobrou em algumas partes... Nada.

Começara a entrar em desespero ao chegar numa parte que não possuía janelas, pessoas ou eletricidade. O local era literalmente iluminado por tochas.

Tentou se acalmar, respirar fundo, mandar oxigênio para o cérebro. Continuou seguindo em frente, procurando por qualquer pessoa que pudesse ajudá-lo a voltar de onde veio.

Apesar da decoração antiga, quadros estranho e carpete mofado, Styles percebeu que chegara em uma parte onde parecia habitada. Luz, aquecedor e música clássica em baixo volume eram bons sinais, não?

Quase caiu para trás por causa do susto que levou com a presença súbita de uma voz masculina.

— O que você está fazendo aqui? — Era tão grave quanto a de MacAteer, porém tinha algo diferente nela. O homem parecia repelido pela presença do cacheado ali. Quase... Amedrontado.

— Hm... — Harry olhou para os lados. — Só estou perdido.

— Você deveria ter escolhido outro lugar para se perder. — O homem mal o olhava. Percorria uma das mãos pelos cabelos grisalhos, pensando inquieto sobre o que fazer.

— Olha, eu preciso voltar à enfermaria. Eu não deveria... — Abaixou o tom de voz antes de continuar. — ...Ter saído de lá. Você sabe o caminho?

— Eu não posso ter nenhum tipo de interação com os alunos. — Respondeu, parecendo ser um discurso decorado. — Você aqui está ameaçando o meu emprego.

Styles suspirou, psicologicamente esgotado pela situação ficar cada vez mais instável.

— Sinto muito. Não quero lhe prejudicar. — Deu meia volta e esforçou suas pernas a serem mais rápidas; literalmente fugindo do problema.

A curiosidade em saber quem era aquele senhor misterioso era ofuscada pela culpa de não ter ficado com Louis; mesmo ainda estando no escuro em relação ao que estava acontecendo.

O cacheado repetia a si mesmo que iria se forçar a ser mais paciente naquela situação delicada; precisava triplicar o tamanho de seu pavio. Até porque, no final das contas, atitudes mal pensadas só iriam piorar tudo.

— Hey, espere! — Quase correu até garoto; ao Harry dar sua atenção a ele, o homem empalideceu-se; engoliu em seco antes de continuar. — Não vá por aí, esses corredores foram feitos justamente para alunos intrometidos se perderem. É um labirinto. Bem...  — Olhou para baixo, sem graça. — Ele realmente se esforçou para que ninguém me encontrasse.

De sobrancelhas erguidas e mãos enfiadas com força nos bolsos da calça, Harry pensou no que fazer. Ignorá-lo e ir embora, fazê-lo perguntas ou seguir suas instruções. Acabou optando pela última opção.

— Venha por aqui. — O homem chamou-o e, sem esperar resposta, deu-o as costas e foi para trás de um armário.

Então, ele foi. Sem questionar, sem muitas desconfianças.

Assistiu ao indivíduo arrancar um quadro de paisagem da parede de forma brusca, fazendo barulho. Rasgara  um pouco do papel de parede no processo. Não pareceu se preocupar com isso.

O quadro escondia uma espécie de maçaneta, que ao ser girada, abria uma mini porta — suficiente para um humano passar, contanto que o fizesse abaixado.

— Você vai sair por aqui, dobrar à direita e andar reto até chegar na parte cheia de pinheiros. Dobrando-se à direita novamente, serás capaz de enxergar o lago e de lá a entrada do colégio. Não posso ajudá-lo a encontrar a enfermaria, mas ao menos não se perderás novamente.

— Obrigado. — Forçou um sorriso com pressa ao desconhecido. Já conseguia sentir o ar fresco em seu rosto, quando ele segurou seu braço, impedindo-o de sair.

-x-

Corredor da enfermaria, uma hora atrás.

— Ah, que ótimo. — Tomlinson ironizou após Styles sair bravo de lá. Sabia que Harry não estava errado em estar chateado, mas não tinha tempo para aquilo. — Caleb. — Percebeu agora o quanto o outro garoto tremia, os olhos vidrados no nada.

Louis o puxou para seus braços, tentando acalmá-lo. — Eu sei que isso é realmente uma bosta. — O choro dolorido de seu amigo esmurrava seu coração. — Vai ficar tudo bem.

— Não, não vai. — Tomlinson tentou enxugar o rosto molhado de Caleb com as mangas de seu casaco, mas o garoto se afastou bruscamente. — Tudo isso é culpa minha!

Flashback

Mesmo sendo uma cidade pequena — não possuindo sequer uma simples linha de transporte público — já era cheia do mal mundano, como qualquer outra cidade grande.

Álcool, drogas, apostas, festas, prostituição.

As idas de Louis às tais festas com os outros garotos caíram de forma drástica desde que se apaixonara por Harry. Isso porque, além de não sentir mais necessidade de ir, Tomlinson sabia que Styles não gostava da ideia.

O de olhos verdes mesmo sabendo apenas um por cento do que acontecia por ali, sabia o suficiente. Não era questão de não confiar em seu quase-namorado, mas que aquelas clubes eram lugares perigosos. Cheio de pessoas mal intencionadas.

— Então você vai ficar aqui sozinho. — Aiden zombou de Louis, enquanto colocava sua jaqueta e se olhava no espelho. — Caleb e Stan também irão.

— Então Ethan não é mais alguém para você? — Não controlou a língua.

Aiden e Ethan haviam recentemente se separado pro motivos idiotas. Desde o segundo que ficou consciente disso, Tomlinson os provocada, tentando reconciliá-los. Os conhecia muito bem e logo sabia que foram feitos um para o outro.

— Não. — Sua expressão era de puro orgulho. Louis rolou os olhos.

— Ok. Eu vou, se você prometer não ficar com ninguém. — Aproximou-se do espelho e comparou o reflexo dele com o seu próprio. Nunca havia percebido o quanto eles eram parecidos; não em quesito de aparência, mas sim de personalidade.

— Prometo. — Levantou a mão, mostrando propositalmente os dedos cruzados a Louis.

— Aiden!

— Só estou brincando. — Piscou para o reflexo de Tomlinson.

-x-

Era muito mais fácil sair do colégio nas férias. Com um número bem menor de pessoas no colégio, a probabilidade deles serem pegos no flagra era consequentemente menor.

Quando chegaram ao lado de fora, Aiden se mostrara imediatamente desanimado. Tomlinson percebeu e o perguntou se gostaria de voltar.

— Claro que não! — Fingiu uma alegria que não sentia.

Ele e Ethan namoraram por mais tempo do que Louis conseguia se lembrar. Ou melhor, não conseguia se recordar de algum momento que eles não estivessem juntos.

O de olhos azuis entendia muito bem o que seu amigo estava sentindo: era saudade. Aquela devia ser a primeira vez que Aiden ia para uma das boates irlandesas sem seu, agora ex, namorado.

 — Vocês ainda vão voltar. — O de olhos azuis mandou-lhe um sorriso, uma das mãos acariciando suas costas tentas. — Está escrito nas estrelas.

-x-

A temperatura fria e paralisante fora trocada por um calor abafado e luzes piscantes. Louis segurava o braço de Caleb, deixando que o moreno o guiasse, enquanto Aiden se segurava no seu e Stan no de Aiden.

— Aqui é ótimo! — Caleb gritou animado para os meninos e os puxou mais rapidamente até chegarem às mesas de bebidas. — Que a festa comece. — Sorriu para eles, mas olhando apenas para a garrafa de vodka.

— Encontrou sua alma gêmea, querido? — Tomlinson brincou. A música estava alta o suficiente para que Caleb não o escutasse.

Quatros copos de shot enchidos, porém apenas dois virados imediatamente: Caleb queria sentir algo, enquanto Aiden não queria sentir mais nada.

Após uma boa quantidade de álcool, Louis achava que a música genérica que tocava era a melhor do mundo. Caleb também. Os dois riam dos passos de dança desajeitados um do outro. Mesmo estando um pouco distraídos, constantemente conferiam se Aiden ainda estava sentado em um dos sofás de couro — que ficavam de frente à eles, mas um pouco distante.

Aiden disse que estava ficando cansado, mas pediu que os meninos continuassem a se divertir — não querendo estragar a noite —, porém tanto Louis quanto Caleb sabia que o garoto estava pensando em Ethan. Por já estar bêbado o suficiente, os meninos o checavam para garantir que seu amigo não fizesse algo que se arrependesse depois.

Stan havia sumido do mapa assim que Aiden se afastara. O fato era que sua amizade com Caleb e Louis estava mais abalada que nunca. As várias tentativas de um “reconciliação” ou pelo menos de deixar as coisas menos estranhas entre eles não havia adiantado.

Seu coração quebrado por Louis, a briga com Caleb por isso e mais o ambiente estressante que era o colégio acabaram por enterrar a amizade deles de vez.

Só estava ali, pois, ao Aiden vê-lo sozinho no quarto, não teve coragem de não chamá-lo para ir junto.

Pena era realmente o pior sentimento de todos.

Os meninos também não poderiam excluí-lo de vez da “gangue” porque ele era uma das únicas pessoas que detinha o conhecimento de como sair do colégio; algo extremamente valioso e, querendo ou não, perigoso.

De uma hora para outra, Louis se viu sendo puxado por Stanley. No primeiro momento, não havia percebido quem era, até reconhecer sua voz. Entretanto, não conseguia entender o que falava. O puxão não era violento, porém firme. Tomlinson não estava gostando nada daquilo.

— Me solta, porra! — Desfez-se do contato com força suficiente para que a bebida em sua mão caísse um pouquinho no chão. — O que você quer? — Perguntou, já sem a menor paciência, tentando manter o máximo de distância possível.

— Eu preciso falar com você. — Colocou as duas mãos sobre os ombros de Louis, que foi rápido ao se livrar daquele contato indesejado.

— Eu tentei ser seu amigo, ok? Mas você não consegue respeitar o meu espaço, ‘tá vendo? — Quase gritou, frustrado. — Você não quer conversar.

— Louis...

— Wow, wow, está tudo bem por aqui? — Caleb os observava. Decidira intervir logo.

— Sim. — Louis sabia que aquilo poderia acabar muito errado se não mantivesse Caleb fora daquilo. Ao ouvir a resposta, o moreno nada mais disse e se afastou; todavia obviamente iria continuar a observá-lo, igual estava fazendo com Aiden, como se fossem seus filhos.

O plano acabara indo por água abaixo quando se distraiu com a aproximação de um loiro atraente.

— Eu n-não consigo te tirar da cabeça. — Stan desabafou, muito bêbado. Louis não sabia o que fazer. Olhar para seu antigo amigo e ficante e vê-lo daquele jeito, mexeu um pouco com seu lado sensível. Lá estava novamente o sentimento de pena.

— Me desculpe, Stan, mas eu não sinto o mesmo. Você precisa superar. Não é tão difícil; eu sou um lixo, cara. Você merece coisa melhor.

— Só... Por uma última vez, Louis... — Voltou a se aproximar mais do que devia, querendo beijá-lo.

O de olhos azuis começara a se desesperar. Não queria piorar as coisas, ao mesmo tempo que não sabia como melhorá-las.

— Eu não quero te machucar mais. Por favor, não faz isso, Stan. — Afastava o corpo dele com ambas as mãos.

— Eu não ligo. Vamos lá... Você está solteiro e eu também. — Estava uma bagunça de sentimentos. — Eu sei que não queres nada sério e- — Quase chorando, o olhou, totalmente vulnerável. — Por favor.

— Eu estou comprometido com Harry.

A surpresa em seu rosto logo foi reprimida por uma expressão neutra.

— Não acredito nisso. Também não me importo. — Sua voz mudara. Era pura raiva. As mãos seguravam ambos os pulsos de Louis com muita força, o prendendo ali. — Você me deve isso.

— Fuck! — Louis gritou, assustado com o soco rápido e certeiro de Caleb no rosto de Stanley. Fora muito, mas muito, perto dele.

Se soltando do apertão, percebeu o quanto seus pulsos estavam marcados e doloridos. Tocou-os, pensando em Harry. Fora uma péssima ideia ter saído do colégio.

— Seu filho da puta! — A voz cheia de ódio de Caleb chegava a vibrar. Louis estava atordoado.

A violência, alguém tentando forçá-lo a fazer algo daquela forma suja o trouxe lembranças mais desconfortáveis que um soco no estômago. Mais fortes do que os que Stanley recebia de caleb.

Tomlinson assistira a um garoto inconsciente no chão e outro não conseguindo parar de batê-lo. Depois, ambos sendo retirados dali e a festa continuando. As pessoas estavam indiferentes àquilo. Louis embora parecesse, não.

Sua infância conturbada e tendo vivido toda a sua vida em ambientes hostis contribuíram para que, sempre que algo ruim o suficiente para chocar a maioria da pessoas acontecesse, seus sentimentos terminassem entrando em pane.

Não chorava, nem demonstrava. A tristeza era ignorada, empurrada para o fundo do seu cérebro; e, se fosse necessário, mais tarde descontava aquela frustração em alguém ou algo.

Coisas como “Homens não choram” ou “Pare de ser uma bichinha!” exclamadas da boca de seu pai bêbado, acabaram por moldar o lado sensível de sua personalidade — o deixando mais reprimido se tratando de sentimentos. Harry o ajudava com isso, mas não era algo que se muda do dia para noite.

— Vire homem, Louis. — Disse para si mesmo.

Com a mente vazia, olhou em volta. Os olhos vazios passeando pelas pessoas vazias e... Pelo sofá vazio.

— Droga, Aiden!

-x-

Ponto de vista de Aiden (Antes da briga)

Eu deveria ligar para Ethan e dizer que estou com saudades. E que sinto muito. E que sou idiota.

— Droga, Aiden. — Falei baixinho, sentindo um ardor na garganta. A minha cabeça girava e os olhos me imploravam para ficarem fechados.

Eu realmente só queria que ele estivesse aqui comigo. Enchi a boca com a bebida doce que enchia o copo transparente e respirei fundo. Não vou chorar.

Procurei pelo meu celular nos quatro bolsos da calça jeans e nada. Não é possível...

— Procurando algo? — A presença abrupta daquela mulher ao meu lado me assustou um pouco.

Ela era muito bonita; parecia ter acabado de sair de uma postagem do instagram. Senti uma de suas unhas gigantescas arranhando levemente a pele descoberta do meu braço.

— Huh... — Não sabia se deveria ser sincero. Ela com certeza não se importava.

— Você parece triste, meu bem. — Os olhos verdes, ressaltados com delineador me intimidavam. — Quer que eu te faça se sentir melhor?

— Eu... Não consigo. — Continuei a falar enquanto puxava a cutícula do dedo com a unha. Era uma mania. — Terminei meu namoro há pouco tempo e-

— Melhor ainda. Eu sei exatamente como te animar. — Piscou para mim.

De dentro de sua bolsa minúscula, tirou um saquinho transparente com várias pílulas brancas.. Observei-a tirando uma delas e a colocando dentro de sua própria boca; sem ao menos precisar de algum líquido para conseguir a engolir.

— Isso daqui vai te fazer relaxar. — Entregou-me uma. — O efeito não dura muito, mas é foda. Prova.

Ela não precisou de muito para me convencer.

-x-

Louis, após procurar Aiden em todos os lugares que conseguira dentro daquela boate, decidira ir para o lado de fora. Caleb deveria estar por lá; e quem sabe, o ajudaria a pensar em como encontrar o outro garoto.

Saindo pela porta de trás, apertou os braços — numa espécie de abraço — por causa do frio e rondou a rua com asfalto desgastado à procura de alguém. Avistou Caleb sentado na calçada do outro lado; o reconhecendo apenas depois de forçar sua vista. Precisava de um óculos, apesar de não admitir isso.

— Louis! — Caleb exclamou imediatamente ao ver o garoto de olhos azuis vindo em sua direção. — Eu estava preocupado com você, mas o segurança não me deixava mais entrar de forma alguma, não importava o que-

— Aiden sumiu. — Falou, parando em frente ao moreno. — Estou cansado, Caleb. — Abaixou-se e tocou no rosto machucado do amigo. — Você vai precisar colocar gelo nisso.

— Está tudo bem? Você está- estranho. Hey. — Segurou a mão de Louis, chamando sua atenção para si.

— A noite só foi agitada, huh?

— Ele te machucou.

— Você o machucou mais.

Tomlinson se sentou ao seu lado, sob o meio fio. Encarando o chão acinzentado, voltou ao assunto principal: — Tem como você ligar para Aiden? Eu não gosto da ideia dele ficar lá dentro sozinho. Acho que ele deve ter ido para alguma parte VIP, onde eu não tenho acesso.

— Vamos ver. — Enquanto Caleb discava o número, Louis apoiou a cabeça em seu ombro. Estava em pedaços.

O número de chamadas foi gigantesco. A bateria do celular estava quase morrendo, quando uma voz feminina atendeu a ligação.

— Alô? — A voz se sobrepunha sobre a música com facilidade, como se a pessoa do outro lado estivesse dentro de um cômodo que a protegia do alto som.

— Aiden? — Caleb perguntou, confuso. Estava no viva-voz, para que Louis também pudesse ouvir.

— Oh, é para você. — Nenhuma resposta por alguns segundos.

— Ethan, como você está? — A voz exageradamente lenta de Aiden demonstrava que ele não estava em seu estado normal.

— Não é Ethan, Aiden. É Caleb. Onde caralhos você está? E por que não me atendeu antes?

— Ah, olá Caleb. Meu celular havia magicamente sumido, mas o encontrei. Ou melhor, Kelly o encontrou. — Risada do outro lado da linha.

— Aiden, onde você está?

— Aqui. É óbvio! — Mais risadas e, após um estalo o som foi abafado. Como se o aparelho tivesse sido derrubado no chão. — Opa, recuperei!

— Ele está fora de si. — Louis sussurrou. — Aiden, você pode vir aqui fora, por favor? Saia pela porta dos fundos, nós temos uma surpresa para você.

— Surpresa? Kelly- —  a ligação começou a cortar. — Ok, estou indo. — Desligou.

Aiden demorou a aparecer. Pode ter sido por causa de sua condição deplorável, pela quantidade tremenda de gente dentro daquele espaço pequeno ou essas pessoas com quem ele estava não queriam que ele fosse embora.

Nesse meio tempo, Louis e Caleb voltaram a ficar de mãos atadas; o celular descarregou. Mas, para alívio deles, seu amigo apareceu.

Os dois se levantaram imediatamente e seguraram, cada um de um lado, o corpo cambaleante.

— Por que é mais difícil andar aqui fora do que lá dentro? — Eles não responderam. — Onde está Stanley?

— Foi embora. — Caleb disse, o punho se fechando instantaneamente.

— Algo que já passou da hora de fazermos.

—... Qual a surpresa? — Não o responderam. 

Fim do Flashback

Dessa vez, tanto Louis quanto Caleb estavam quebrados; mas Tomlinson era o mais forte no momento para segurá-los.

Amizade é sobre isso; sustentar e/ou levantar o outro quando ele precisar. Muitas vezes sendo necessário ter força suficiente para manter os dois de pé.

— Como caralhos isso é culpa sua, Caleb?

— Para começar, se eu não tivesse me descontrolado com Stan, poderia ter visto quando o diabo daquela mulher tinha se aproximado dele.

— Todos nós estávamos muito bêbados, Caleb...

— Eu durmo com ele. Poderia ter jogado fora aquelas malditas pílulas, mesmo ele teimando com a gente que não era algo forte. Não deveria ter respeitado a porra da opinião de lixo dele sobre liberdade de não sei o que lá.

Louis respirou fundo. Aquilo se tornava mais difícil de aguentar quanto mais ele pensava sobre. Um dos maiores arrependimentos de sua vida fora ter saído naquela noite e/ou permitido que Aiden saísse.

— Nós não podemos mudar as escolhas que já fizemos. — As lágrimas que saíam dos olhos de Louis pareciam lava; queimavam sua pele internamente. — Eu entendo, mas, por favor, não se culpe. Você não merece isso, Caleb.

-x-

Agora, estando mais calmo — e conseguido com sucesso acalmar Caleb — Louis decidiu entrar na enfermaria. Precisava ver seu amigo. Um lado seu ainda estava em negação.

Tremendo, puxou a porta do lugar; o barulho de metal enferrujado raspando o chão o arrepiou. Quando estava prestes a adentrá-lo, foi impedido pelo corpo de Sr. Doyle — o enfermeiro responsável.

— Não estou permitido a deixar ninguém entrar aqui. MacAteer está vindo e me disse para manter vocês dois comigo, à sua espera. A situação é difícil, então por favor, obedeçam e não a tornem pior ainda.

Louis voltou para o lado de Caleb, e Doyle à enfermaria. Os olhos cor de mel do homem de meia idade os observava pelo vidro transparente — porém tão sujo que era quase fosco — e de vez em quando, iam parar em um papel branco; onde escrevia coisas de forma rápida e desleixada.

— Vai ficar tudo bem. — Tomlinson voltava a repetir para Caleb e também para si mesmo.

Continua...



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