História Idas e Vindas - Capítulo 120


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Categorias A Seleção
Personagens America Singer, Anne, Aspen Leger, Carter Woodwork, Celeste Newsome, Eadlyn Schreave, Kile Woodwork, Kriss Ambers, Lucy, Mary, Maxon Calix Schreave, May Singer, Personagens Originais, Rainha Amberly, Rei Clarkson, Shalom Singer
Tags América, Asperica, Casamento, Drama, Eadlyn Schreave, Keadlyn, Kile Woodwork, Maxerica, Maxon, Paixão, Reviravoltas, Romance, Selecao
Visualizações 401
Palavras 5.011
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


"Eu... não entendi. Crescer? É uma planta?" SCHREAVE, Maxon.

Capítulo 120 - T2 - Epílogo 2: Love Stories Never Ends


Fanfic / Fanfiction Idas e Vindas - Capítulo 120 - T2 - Epílogo 2: Love Stories Never Ends

SEIS ANOS DEPOIS

Eadlyn

− Você não faz ideia de como é difícil ser esposa do Henri! – Jade disse enquanto cortava uma terceira fatia de um bolo que ainda não tinha nome. Era uma receita nova do marido, e estava divino. – Saudades de quando eu pesava seis quilos a menos.

− Você continua ótima! E já teve dois filhos, não pode reclamar desse corpão! – Eu disse e ela ficou em silêncio. Quase um minuto inteiro se passou e achei estranho, então virei a cabeça para olhar bem pra ela. Jade estava pensativa, com o olhar focado em algum lugar. – Oi? Você ouviu o que eu disse? – Levantei do sofá e fui até o balcão da cozinha americana do apartamento, onde ela estava apoiada.

− Ouvi. – Ela voltou sua atenção pra mim. – E justamente o que você disse sobre o meu corpo depois de filhos fez uma coisa me passar pela cabeça.

− O que? – Henri e Jade tinham um casal. Luke, com quatro anos, e Lyra com dois. 

− Tudo bem que eu vivo comendo. Tenho a regra de doce só nos fins de semana, mas durante a semana ele também faz receitas maravilhosas, de tudo... – Hoje é sábado, por isso o Henri tinha feito a sobremesa.

− Ele é chefe... – Eu disse tentando roubar um pedaço do bolo, já que eu não quis repetir a minha fatia, mas ela afastou o prato de mim possessivamente. – O que o meu comentário tem a ver com isso?

− Tem que mesmo tendo um marido chefe, eu sou controlada, mas ultimamente, não tenho conseguido. Você acha que em condições normais eu estaria na terceira fatia dessa droga de bolo que está incrível?!

− Não... Mas o que você está querendo dizer?

− Eu estou me sentindo diferente... Com mais apetite, e umas vontades esquisitas. Só lembro de ter me sentindo assim quando eu estava grávida.

− Você acha...

− É só uma supeita. – Ela me interrompeu e enfiou um pedaço de bolo na boca. Eu lembro como todos nós explodimos de felicidade quando eles começaram uma família. Eu e o Kile somos os padrinhos de Luke. Com o passar do tempo, eu e Jade nos tornamos grandes amigas, de um modo que eu não poderia imaginar que aconteceria lembrando da primeira conversa que tivemos.

Quando Henri acabou a faculdade, ele decidiu ficar no Brasil, porque eles estavam juntos. Eles resolveram casar quando ela ficou grávida, e hoje, ele é chefe de cozinha de um restaurante badalado na cidade, e Jade trabalha na mesma empresa que Kile, mas eles são de setores diferentes. Já eu, tenho um bom emprego no setor de Estilo e criação de uma grife local.

− Bom... Então temos dois casos de suspeitas de gravidez aqui. – Ela me olhou e ergueu uma sobrancelha.

− Você...

− Acho que sim, mais uma vez.

− E mais uma vez está com medo de fazer a droga do teste! – Faz algum tempo que eu e Kile estamos tentando ter um filho também. Um longo tempo. Eu já estive grávida antes, mas perdi o bebê. Desde lá, tem sido complicado conseguir de novo, e já me senti decepcionada por ter esperanças tantas vezes, que quando começo a desconfiar mais uma vez, fico enrolando para confirmar. Seja sim, ou não.

− Não seja dura comigo!

− Você tem que fazer! É melhor do que ficar nessa agonia, se não estiver, já pode tentar mais.

− Eu vou fazer, Jade. Prometo que eu faço até amanhã.

− Vou cobrar!

<> 

Kile

− Você não vai acreditar... Eady? – Eu havia chegado em casa animado na segunda-feira. Tinha visto Jade no trabalho hoje e ela tinha me dito que estava grávida. Tinha acabado de fazer um exame de sangue quando chegou na empresa. Henri a essas horas deve estar explodindo de felicidade. Ele era louco pelos filhos que já tinham, e eu tinha certeza que outra criança só ia trazer mais felicidades pro casamento deles.

Porém, ao chegar em casa, encontrei Eadlyn chorando. Ela tentou disfarçar e virou o rosto limpando a lágrima, mas eu sei muito bem que há algo errado. Deixo minhas coisas na mesa de centro e me aproximo dela. Ela tenta sorrir.

− Oi. Não vou acreditar no que? – Ela diz tentando soar mais tranquila do que ela parece.

− Não importa. Por que você está chorando? – Minha pergunta parece ser um gatilho para mais lágrimas. Seus olhos se enchem de novo e ela não tenta nem evitar. Eu a puxo e a abraço forte, e ela se esrosca em mim. Dou um beijo no topo da sua cabeça, e afago seus cabelos enquanto sinto sua respiração descompassada em mim, e as lágrimas molham minha camisa no peito. – Ei... O que está acontecendo? Me diz...

− Não tem nada acontecendo Kile. – Ela diz enquanto se afasta e limpa o rosto. – Faz dez meses que eu parei de tomar pílula e comecei a tentar engravidar novamente, mas não tem nada acontecendo. Nenhum bebê crescendo dentro de mim. – Ela diz e se afasta, subindo as escadas. Passo a mão no rosto e respiro fundo.

Então era isso. Mais um mês. Mais uma esperança. Mais uma frustração. Eu não aguento mais lidar com ter que consolá-la, e já estava desesperado, porque ela estava certa. Já fazia tempo demais. Estamos ativos nos dias que ela está fértil e simplesmente nunca acontece.

E aí eu chego em casa com a notícia de que nossos melhores amigos vão ser pais, de novo, enquanto nós, com mais tempo de casados, continuamos sozinhos. De jeito nenhum posso contar isso pra ela agora. Dói em mim ver o desejo de Eadlyn de ser mãe e não saber como ajuda-la nisso. Além de fazer a minha parte como o homem da relação, claro, o que não tem adiantado.

Vou até o quarto atrás dela. Ouço o chuveiro ligado e vou ao banheiro. A porta está aberta. Vejo o teste com o resultado negativo no balcão, e o jogo no lixo. Tiro os sapatos e meias e entro no box, me molhando quando a abraço por trás. Afasto os cabelos grudados na pele dela, e beijo seu ombro. Eu estou chorando também. Ponho uma mão em sua barriga.

– Vamos continuar tentando. – Sussurrei.

– E no próximo mês, tentaremos mais. E no outro. E depois. E continuaremos fazendo isso loucamente até eu estar em uma idade onde uma gravidez será de risco, e tenha que me conformar que eu não posso ser mãe. 

– Não fale assim! 

– Tem alguma coisa errada comigo, Kile. Precisamos parar de nos iludir. 

– Pode ser comigo também. Não sabemos! – Ela ficou quieta um pouco.

– Jade está grávida de novo. É isso que você ia me dizer? – Ela perguntou se virando pra olhar pra mim. Sabia que precisava me encarar, ou eu mentiria.

– Era. E você também vai estar, logo. Vamos ter filhos praticamente ao mesmo tempo e eles vão crescer brincando juntos e serem melhores amigos. 

– Eu queria que isso fosse uma promessa. E que você pudesse cumpri-la. – Ela disse começando a chorar de novo e me abraçou. 

– Eu vou cuidar de você, não se preocupe mais com isso. As coisas têm hora pra acontecer, e o nosso bebê virá no momento certo.

Ela não disse mais nada. Tomou seu banho enquanto eu a observava, e depois tomei o meu. A coloquei na cama e esperei ela se acalmar e dormir. Estava cedo, e eu sabia que mais tarde ela ia acordar com fome, então preparei o jantar e lhe deixei um bilhete antes de sair de casa. Eu preciso conversar com alguém.

<> 

− E aí, cara! Desculpa a hora. – Eu tinha perambulado sozinho pela praia um tempo e agora tinha vindo na casa de Henri e Jade. Eu sabia que Henri trabalhava até tarde no restaurante, então era realmente bem tarde agora. Eu tinha lhe mandado uma mensagem para avisar.

− Tudo bem, aconteceu alguma coisa? – Depois de tantos anos morando aqui, ele já falava português normalmente, sem errar mais em concordância e conjugações.

− Estou precisando conversar sobre um assunto. Mas primeiro, parabéns! Mais um filho, hein?

− Ah, cara, obrigado! Estou tão feliz. – Apertamos as mãos. – Mas você não tá legal, o que foi?

− Jade? As crianças? – Perguntei olhando com receio pro corredor.

− Já estão na cama. Podemos conversar, senta aí. − Nos acomodamos.

− Bom, eu e a Eadlyn estamos tentando ter um filho também. Isso já faz um bom tempo, mas estamos tendo dificuldades. − Falei enquanto ele me ouvia atencioso. Henri era do tipo que sabia ouvir, então eu adorava conversar com ele. Eu podia passar a noite inteira apenas desabafando e lhe pedir um conselho no final. − Eu não sei se sou eu ou ela, mas ela só ficou grávida uma vez antes, quando perdeu o bebê, e nessa vez, já tínhamos tentado muito antes. Desde lá, temos tentado de novo, mas não chega nem a acontecer. − Ele continuou quieto. Sabia que eu não tinha terminado. − Quando eu cheguei em casa hoje, ela teve uma crise de choro. Mais um mês passou pra ela, e nada. E agora, Jade está grávida de novo. Não me leve a mal, não é como se eu tivesse dizendo que temos inveja pela felicidade de vocês, é só que... − Fechei os olhos brevemente e respirei fundo para continuar sem começar a chorar. − Queríamos que fosse fácil assim pra gente também. 

 

− Eu entendo, Kile. Eadlyn é louca por crianças, ela ama nossos filhos. Eu sei que ela quis ser mãe, mas não imaginei que ainda não tinha acontecido por algo assim. Pensei que ela tinha adiado, talvez pela carreira profissional. Vocês ainda são novos...

 

− É, mas não foi. Por ela, já teríamos crianças há muito tempo. 

 

− Vocês já foram em algum médico? 

 

− Ainda não. Eadlyn só foi consultada sobre isso na época que perdeu o bebê, mas a médica disse que depois de 3 meses após o aborto espontâneo, poderíamos tentar de novo e foi o que fizemos. Na época não funcionou, então ela voltou a tomar pílula e só parou de novo há quase um ano. 

 

− Vocês têm que ir. O primeiro passo para conseguirem é saber a chave do problema. Quem sabe fazer algum tratamento. E não deixe ela ir sozinha, se consulte também, quem sabe não é você. Não deixe ela pensar que só pode ser ela, isso pode ser ruim.

 

− Eu sei. Eu vou. Nunca a deixaria sozinha nisso. E se o problema for comigo... Nunca vou me perdoar pelos anos que eu passei inerte vendo ela sofrer com esse desejo. 

− Vocês vão conseguir! Não é possível que um dos dois seja estéril, ela já engravidou antes. A questão é saber como aumentar as chances de vocês agora. − Ficamos um pouco em silêncio.

− Como é a sensação? Eu quero muito ter um filho, mas eu preciso confessar que eu tenho medo. − Ele abriu um sorriso largo. 

 

− Eu posso explicar, mas você só vai entender quando sentir. − Eu sorri também. Lembrei de uma conversa que eu tive com Maxon uma vez e ele me disse como eu iria mudar quando isso acontecesse comigo. − Pode dar medo mesmo. No início, é assustador saber que a sobrevivência de uma pessoa depende de você. Mas você vai aprendendo a lidar com isso e aquela vida vai se tornar mais importante que a sua, e o tamanho do amor que você vai sentir por ela é maior do que qualquer coisa que já tenha sentido. Se você acha que ama muito a sua mulher, isso só vai se multiplicar quando você perceber que ela te deu o melhor presente da sua vida.

 

− E sobre ser amado de volta com a mesma intensidade?

 

− É melhor ainda! Eu amo ser quem eu sou pra eles. Saber que eles vão me procurar quando precisarem de ajuda, que eu sou um ponto de segurança e carinho. Eu não me lembro de como era a vida antes de ter esses dois. Esses quatro, aliás. A Jade é parte de tudo isso também, e agora, tem mais um bebê. 

 

− Depois de vários "nãos", olha onde vocês chegaram... − Nós rimos. Henri e Jade tiveram uma longa saga de fica e separa até ela decidir que queria ter um relacionamento com ele. Eles passaram quase um ano em um mimimi de "Quero você. Não quero mais". 

 

− É. Conquistar ela não foi fácil, mas eu sou muito feliz por não ter desistido. 

 

− Amar sempre vale a pena, meu amigo. 

 

<> 

Quando eu cheguei em casa, Eadlyn estava andando de um lado para o outro, preocupada.

− Por que você me deixou sozinha?

− Desculpa! Tava precisando respirar um pouco. – Dei um beijo na testa dela. Ela me abraçou. – Precisamos de ajuda.

− Como assim?

− Vamos ver um médico. Vou procurar um especialista e nós vamos nos consultar. Vamos fazer o que for preciso para conseguir ter um filho. – Ela me olhou e sorriu.

− Eu te amo! Obrigada!

− Te amo muito! – Nos beijamos carinhosamente, e fomos dormir. As próximas semanas serão de muita expectativa.

<> 

QUATRO MESES DEPOIS

Eadlyn

Dois meses. Eu esperei dois meses para fazer o exame dessa vez. Isso não é um atraso de uma semana na menstruação, que por sinal, nunca era regular, então eu deduzia que atrasava. É um real atraso de dois meses. Faz quatro meses que eu e Kile decidimos procurar ajuda, e após seguir recomendações médicas, eu finalmente posso ter uma chance de verdade. Eu estou suando frio enquanto espero o resultado do exame de sangue. Sem testes de farmácia dessa vez. Eu não aguento mais ver um único tracinho naquela droga, o que significa negativo.

Eu posso jurar que estou me sentindo diferente, mas tenho medo de ser coisa da minha cabeça. Não quero pensar que estou comendo mais que o normal, e que já me senti enjoada algumas vezes. Eu e Kile já conversamos sobre gravidez psicológica e tomamos cuidado com isso.  É um quadro comum em mulheres como eu, com grande desejo de engravidar.

− Eadlyn Singer Schreave Woodwork?

− Aqui! – Vou até o balcão da recepção do laboratório. O resultado levou duas horas pra sair. – Obrigada.

− Boa sorte! – A atendente sorri afetuosamente quando me dá o envelope. Parece que ela sabe que eu preciso de sorte mesmo. De uma benção. De um finalmente.

Saio do lugar e vou para o estacionamento me perguntando se eu devo abrir logo. Talvez devesse ir até Kile e saber junto com ele. Por outro lado, se eu estiver louca e for negativo, não quero vê-lo desesperado e mergulhado em decepção de novo. Odeio fazer isso com ele.

Entro no carro e respiro fundo. Ponho a bolsa de lado, e encaro o papel. Devo ter passado uns dois minutos assim antes de finalmente ter coragem e romper o lacre. Estou preparada para amassar a folha e jogá-la em um canto depois que eu ler a palavrinha “negativo” em negrito, mas não é isso que acontece. Quase volto lá dentro e peço para verem se por acaso não há alguma coisa errada, porque é positivo.

Fecho os olhos e respiro fundo, porque estou a ponto de desmaiar. Quando abro de novo, não consigo enxergar mais nada porque meus olhos estão embaçados com as lágrimas.

Eu vou ser mãe.

Eu vou ser mãe.

Não estou sozinha nesse carro agora.

Tem um bebê dentro de mim.

Solto o exame e abro um sorriso em meio as lágrimas, levando a mão a minha barriga.

Eu mal posso acreditar.

Levo um tempo para decidir o que fazer. Vou pra casa? Vou trabalhar? Ligo pra alguém?

Eu não sei.

Eu só lidei com essa situação uma vez antes, e foi Kile que viu o resultado pra mim na primeira vez em que eu estive grávida. Kile. Eu não tenho certeza se consigo dirigir com prudência no meu estado, então largo o carro aqui e saio para pegar um táxi. Dou o endereço da empresa onde Kile trabalha e sigo em frente.

Não estou menos nervosa quando chego lá. Acho que estou tremendo.

− Senhora Woodwork! – A secretária de Kile me cumprimenta, sorridente.

− Preciso do meu marido, é urgente!

− Claro, ele está em outro setor no momento, vou mandar chama-lo. Se quiser entrar e esperar na sala dele... – Ela diz pegando o telefone.

− Obrigada! – Vou até a sala.

Fico andando de um lado para o outro, esperando que ele apareça a qualquer momento. Começo a olhar suas coisas para me distrair, e uma caixa branca com um laço de fita cintilante me chama a atenção na sua mesa. Não há nenhum cartão, ou indicação de presente, então sou vencida pela curiosidade e abro.

Me surpreendo com o que eu vejo.

Há um par de sapatinhos de bebê vermelhos. Um teste de gravidez de farmácia, com um resultado positivo e um envelope. O que é isso?

"Papai,

Queria dizer que quando estiver a sós com a mamãe, na verdade não estarão mais sozinhos. Agora somos três. Daqui a uns oito meses devemos nos conhecer. Mal posso esperar!  

Eu e a mamãe amamos muito você, parabéns!"

Soltei o bilhete e uma lágrima desceu pelo meu rosto. O que é isso? O que é isso? O que é isso?

− Eadlyn? – Me sobressaltei com a voz de Kile me chamando. Ele parecia aflito. – Você aqui? O que houve?

− Eu... Eu queria ver você.

− Amor... – Ele chegou perto e me abraçou. – Porque você está chorando? – Perguntou quando eu me afastei. Ele viu que eu estava com o bilhete nas mãos e olhou pra caixa.

− O que significa isso?

− Isso era dos meus pais. – Ele sorriu. – Minha mãe veio aqui mais cedo e me deu de presente. Quando ela descobriu que estava grávida de mim, foi assim que ela contou pra ele. Enviou essa caixa pro seu escritório.

− Que coisa linda! – Eu sorri como uma boba. – Então esse sapatinho foi usado por você? – Falei deixando o bilhete de lado e pegando o objeto da caixa.

− Sim. E pela Josie também. – Ele abaixou a cabeça e ficou quieto um pouco. – Minha mãe disse que estava me entregando isso para trazer sorte.

Eu toquei seu rosto o acariciando e lhe beijei. Em seguida o abracei afundando o rosto em seu pescoço, sentindo seu perfume. Dei um beijinho ali e sussurrei em seu ouvido:

− Eu acho que trouxe. – Senti o seu corpo enrijecer. Ele ficou tenso. 

− Eadlyn? – Eu o encarei.

− Eu estou grávida. – Ele abriu um sorriso enorme e encostou a testa na minha, com uma mão acariciando o meu rosto.

− Tem certeza.

− Eu vim do laboratório. Deu positivo.

− Quanto tempo?

− Mais ou menos dois meses.

− Eadlyn!! – Ele me beijou. Eu pude sentir o sorriso em nossos lábios, antes de tudo se intensificar. Ele me segurou e me pôs sentada na sua mesa, enquanto brincava com sua língua na minha, e suas mãos pelo meu corpo. Ele levantou minha blusa e tocou minha barriga. Nos soltamos. – Nós conseguimos.

− Temos sete meses pela frente...

− E vamos passar esse tempo ansiosos e preparando tudo para a chegada dele.

− Finalmente... Eu te amo!

− Te amo! – Ele me beijou de novo.

− Me diz que você pode tirar o resto do dia de folga? Eu preciso tanto ir pra casa com você agora, Kile... – Perguntei acariciando o seu peito por cima da camisa. Ele riu.

− É claro que eu posso!

− O que estamos esperando? – O empurrei e desci da mesa pegando a caixa com os sapatinhos que seriam usados por nosso bebê em breve e saímos de lá, sorridentes e mais felizes do que jamais estivemos.

<> 

America

Hoje é o aniversário de Maxon. Nossa família, que ficou ainda maior com o passar dos anos, com noras, netos e tudo o mais, está toda reunida na mansão com os nossos amigos. Estamos todos apenas esperando Eadlyn e Kile agora, eles se atrasaram um pouco.  Normalmente, essas reuniões de família costumam ser tensas pra mim.

Eadlyn acha que eu não percebo, porém eu sei que ela fica feliz, mas ao mesmo tempo de coração partido por encontrar os irmãos e os sobrinhos. Porque ela queria ter um filho para brincar e ser amado por eles também, mas isso nunca aconteceu. Eu torço muito para que ela e Kile consigam ter um bebê de uma vez e realizem esse sonho.

Todos os Singers têm, além de uma boa fertilidade, uma vontade natural de ter de muitas crianças. Minha mãe teve 5 filhos. Eu tive 4. Ahren e Camille já tem 3 e Kaden e Carina 2. Osten acabou de se casar com a namorada que conheceu na faculdade, Isabel, então ainda não pensou no assunto. Eu não sei porque logo Eadlyn, que sempre foi a mais apaixonada por crianças, tem tido tanta dificuldade. Eu já pensei muito em oferecer ajuda, ir com ela ao médico, mas eu tenho falhado nisso por falta de coragem. Nós não conversamos sobre isso. Eu tenho sido uma péssima mãe. 

− Dona America? – Como se adivinhasse que eu estou pensando nela, Eady aparece na porta do quarto e me chama.

− Filha! – Ela abre um sorriso. Parece feliz, tem um brilho diferente no olhar dela.

− Agora não falta ninguém, vamos descer?

− Vamos. Tudo bem com você? – Pergunto quando ela me dá um abraço.

− Tudo maravilhoso! – Ela sorriu mais. Foi impossível não me sentir contagiada por essa energia e me sentir feliz também.

− Eu estou vendo! Aconteceu alguma coisa?

− Vai acontecer alguma coisa. Daqui a sete meses, eu vou ser mãe. E você vai ser avó, de novo. – Eu quase não acreditei. Abri a boca e repassei as palavras na minha mente para ver se eu tinha entendido direito.

− Eadlyn? Você está grávida?

− Estou!

− Filha!! Meu amor, parabéns!! – Eu a abracei forte, mais uma vez. – Você já está com dois meses? Porque não me disse nada?

− Obrigada! Eu e Kile soubemos essa semana. Você acha que devemos contar pra todo mundo hoje, ou iria roubar muito a atenção do papai?

− Claro que devem! Seu pai não vai ligar pra isso, ele vai ficar tão feliz! Nem vai parecer que um dia ele tremeu só de pensar na possibilidade do Kile te engravidando. – Nós rimos. – Eu estou tão feliz por você... – Eu disse e acariciei seu rosto, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. – Agora mesmo antes de você chegar, você iria acreditar que eu estava pensando sobre isso?

− Iria. Tia Marlee também andou pensando sobre isso... Ela nos deu de presente um sapatinho vermelho que foi de Kile, e de Josie. Era pra dar sorte, e deu.

− Eu estava com ela no dia que compramos!! Fui a primeira pessoa a saber sobre a gravidez de Kile, sabia?

− Jura? – Continuamos conversando e descemos para nos juntar aos outros.

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Eu fiquei o tempo inteiro na expectativa para contar sobre a gravidez a alguém. Eady me disse que nem Marlee e Carter sabem, vão ser pegos de surpresa também. Depois de cantarmos parabéns pra Maxon, nossa filha finalmente chamou a atenção de todos.

− Pessoal, pessoal! Eu queria dizer uma coisa!

− Discurso de aniversário? Quem devia fazer isso era a mamãe! – Kaden resmungou.

− Nada disso! Não tem nada que eu fale que seja melhor do que o que a Eady tem a dizer. – Rebati.

− Então você sabe? Agora eu tô curiosa! – Marlee disse. Não deixei de pensar que além de curiosa, ela pode ficar brava, porque eu soube primeiro.

− Fala logo Eady! As crianças querem comer! – Ahren falou.

− Ah, ok. Pai... Eu trouxe um presente pra você hoje, que você provavelmente vai abrir mais tarde, mas tem um outro presente que na verdade é pra toda a família. Só que esse presente vai demorar uns sete meses, porque ele vai ter que crescer um pouquinho. – Eu observei a reação das pessoas. Algumas exclamações, bocas abertas e sorrisos largos. Desejei que a minha mãe estivesse aqui, ela ia ficar tão feliz em conhecer mais um bisneto. Mas nem as mães são eternas, e depois de marcar nossas vidas pra sempre, de todas as maneiras que alguém poderia fazer isso, Magda Singer se foi.

− Eu... não entendi. Crescer? É uma planta? – Algumas pessoas riram e outras rolaram os olhos com o comentário de Maxon.

− Ela está grávida!!! – Um coro de vozes gritou ao mesmo tempo em que algumas pessoas aplaudiram e todo mundo estava sorrindo agora.

− O que? – Meu marido estava de olhos arregalados.

− Uma semente foi plantada, mas é um bebê que vai crescer na barriga dela, viu... – Eu disse e lhe beijei na bochecha, tentando desfazer sua boca aberta. Ele caiu em si e abriu um sorriso.

− Há quanto tempo vocês estão escondendo isso? Eu acho que estou levemente brava! – Marlee reclamou vindo abraçar o filho e a nora, assim como Carter.

− Pra você se sentir melhor, eu só soube há meia hora. – Expliquei.

− Filha... Eu fico tão feliz por vocês! Parabéns!! – Maxon abraçou Eady e Kile. – Eu espero que você ainda se lembre de uma conversa de tivemos um dia, e sinta aquilo na pele agora. – Ele disse essa parte direcionado a Kile. Eady e eu nos entreolhamos, claramente sem entender o que estava acontecendo aqui.

− Eu desejei poder sentir isso desde que me casei com a sua filha. Agora finalmente...

− Eu posso saber do que vocês estão falando? – Eady perguntou.

− Conversamos depois. – Kile disse e eles deram um selinho.

Aos poucos, os dois foram recebendo as felicitações de todos e no fim da noite, o aniversário do meu marido não era a única coisa a ser comemorada.

<> 

13 ANOS DEPOIS

Eadlyn

− Matthew! Volta aqui!!

− Deixa ele, amor! Eles acabaram de chegar, você não lembra como éramos quando vínhamos a praia nessa idade? Não podíamos perder um segundo. – Kile disse me beijando na testa.

− Mas ele nem passou protetor!

− Ele ainda tá de roupa, estão só brincando. Prometo que não vou deixar eles irem pro mar sem fazer isso.

− Tudo bem. Vou parar de ficar em cima dele, estou entendendo... – Falei debochada.

− A mãe coruja mais linda do mundo! – Ele riu e me puxou pra um beijo.

− Ei, será que dá pra esperar as crianças se afastarem? – Jade gritou nos atrapalhando, e saímos do beijo rindo mais.

Viemos passar o fim de semana na casa de praia dos Schreave em Porto de Galinhas. Eu, Kile e o nosso filho Matthew, e Henri e Jade com os três filhos: Luke, Lyra e Evelyn. Matthew e Evelyn tinham praticamente a mesma idade, já que na época que eu engravidei, Jade estava grávida de seis meses da sua segunda filha menina.

Às vezes eu me impressiono com o quanto essas quatro crianças lembram a mim, Kile e meus irmãos quando tínhamos a idade deles. Eles cresceram brincando juntos assim como nós, e são filhos de melhores amigos, assim como os Schreave e os Woodworks.

− É tão bonito ver nossos filhos todos juntos assim. – Comentei baixinho. Só Kile estava perto de mim de novo.

− Eles me lembram a gente.

− Também acho.

− Você já notou o jeito que o Matt sempre está mais com a Eve do que com os outros? E ao mesmo tempo que eles parecem ser mais unidos, eles implicam muito um com o outro. – Kile disse me abraçando por trás e ficamos observando enquanto eles pareciam estar discutindo alguma coisa. Já Luke e Lyra tentavam jogar futebol na areia.

− É verdade. Mas você está tentando dizer que ele gosta dela? Eles são tão novinhos...

− Não sei. Mas eu sabia em algum lugar bem escondido do meu ser, que eu gostava de você desde muito cedo. Só não assumi isso, até o momento em que você me enlouqueceu completamente.

− Chega desse assunto, não quero pensar no nosso bebê com uma namorada.

− Nem se for a Eve? E pare de chamar ele de bebê! Você não se irritava com a sua mãe quando ela te chamava de criança depois de grande?

− Mas hoje eu entendo a minha mãe, não importa o quanto ele cresça, ele é meu bebê. E se for a Eve, acho que menos mal, mas isso tem que demorar pra acontecer. – Ele riu.

− Sempre agradeço por Matt ser menino.

− Às vezes eu queria que Matt fosse menina! Mas claro que eu amo nosso homenzinho. – Eu disse. Não tivemos mais filhos, porque eu provavelmente teria uma segunda gravidez de risco.

− Homenzinho? Melhorou. – Eu me virei sorrindo e o beijei. Quando nos soltamos, voltamos a observar as crianças. Matt e Eve estavam tirando a roupa.

− Ih... Olha lá, viu? Eles já vão pra água! Sem protetor! – Os dois correram até a beira da praia.

− Eu vou lá levar pra passar neles, mas espere. – Kile disse e continuamos vendo os dois.

Matt entrou na água, mas Eve estava provavelmente reclamando que estava fria. Então meu filho começou a jogar água nela que se irritou e começou a correr pra longe. Ele correu atrás dela e a agarrou, praticamente a arrastando pra água de novo, e ela entrou de uma vez.

− Eu odiava quando você fazia algo assim comigo. – Comentei lembrando que já estive na situação dela.

− Sabe o que eu estava pensando?

− O que?

− Um dia, eles dois podem estar casados, observando um filho brincar com a filha de algum amigo, e lembrando de quando eles eram crianças.

− É louco pensar nessa continuidade. Nas gerações da nossa família que vão vir por aí e ainda vão viver grandes histórias de amor. Como as histórias dos nossos pais. Como a nossa... – Falei vendo os irmãos Luke e Lyra se juntarem aos outros dois e todos começarem a brincar, sorrindo.

− Histórias de amor não tem fim. 


Notas Finais


Musica do capítulo: Imagination - Shawn Mendes
"Nós andamos
Nós deixamos passar o nosso tempo
Caminhando à beira-mar
Nossas mãos estão delicadamente entrelaçadas
Um sentimento que eu não consigo descrever
E todo esse tempo que passamos sozinhos
Pensando que poderíamos não pertencer
A algo tão lindo
Tão lindo..."
https://www.youtube.com/watch?v=xXEx0DyIMks

Agora teremos uma terceira temporada com Matt e EveBRINCADEIRAAA AKJDAKJSDHSKJA

Ai gente, eu nem acredito que agora é definitivamente o nosso adeus. Espero que tenham gostado muito, foi tudo feito com muito esforço e carinho.

Hoje faz um ano que eu estava em casa em uma segunda-feira entediada e resolvi começar a liberar a história que eu vinha escrevendo já há alguns dias. E eu não imaginei chegar tão longe. Não imaginei que fosse ser tão grande.
Nesse tempo, já parei, já quase desisti, já fui mais ativa, e já demorei pra postar, mas postei e chegamos ao final.

Esse projeto me mudou muito. Como escritora, fez eu me aperfeiçoar e melhorar muito a minha escrita. E como pessoa, me ensinou sobre persistência, foco em um objetivo e me trouxe leitoras incríveis que hoje, considero até como minhas amigas.

Cada uma de vocês é muito especial, e eu vou sentir muita falta de todas, sem exceção. Mas eu estou feliz pelo trabalho feito e por ter conhecido vocês.

Em breve, teremos mais história porque minha mente não para (só preciso ter tempo mesmo kkkk), e eu espero que vocês gostem muito e continuem por lá comigo (já sei que tem várias meninas que também são do fandom de Reign e que estão esperando, mas é claro que qualquer Selecionada será bem-vinda, afinal, é sobre uma Seleção também! <3). Quando começar a postar, avisarei aqui.

E claro, não posso terminar essas notas finais sem agradecer a cada uma que participou do Quiz de Idas e Vindas lá no nosso Instagram. Eu fiquei muito feliz em ver vocês interagindo.

Um obrigada especial a @IsaWoodwork que foi a nossa vencedora! Eu e a Isa conversamos sobre cada coisinha que eu coloquei nesse epílogo, e tudo passou pela aprovação dela, além de ela ter escolhido sobre os filhos dos nossos casais (nomes e quantidade). E ela é a Isabel citada, esposa do Osten Schreave, viu? HAHAH <3

Aliás, a Isa é uma escritora incrível, e só não coescreveu o epílogo comigo porque ela não quis. Mas eu vou deixar uma Fanfic dela de indicação aqui, para quem ainda não conhece dar uma conferida. Eu li nos últimos dias, e fiquei totalmente apaixonada pela genialidade do plot e a forma como tudo vai se desenvolvendo. Tenho certeza de que vocês vão gostar. Aproveitem para comentar e encher o saco dela pra ela atualizar logo, porque eu preciso do próximo capítulo, urgente.
Fanfic Looking At You: https://spiritfanfics.com/historia/looking-at-you-7484851

Acho que era só isso. Cheguem lá no nosso Instagram para manter o contato comigo e saber das novidades: @gabischreave
Instagram Literário: https://www.instagram.com/gabischreave/

Quem quiser me deixar algum recado ou fazer alguma pergunta, eu tenho uma conta no Sarahah! É só chegar, e se eu tiver que dar alguma resposta, farei isso no Stories do nosso Instagram.
Sarahah: https://gabriellaasr.sarahah.com/

Pela última vez aqui, venham me fazer sorrir lendo os comentários de vocês durante o dia e me contem o que vocês acharam.
Aquele beijão de sempre! <3


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