História Idas e Vindas - Capítulo 40


Escrita por: ~

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Categorias Bleach
Tags Bleach, Mistério, Romance, Universo Alternativo
Visualizações 35
Palavras 2.576
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Ecchi, Escolar, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OLÁAAAAAAA! Tentei não demorar muito com esse, então aí está ^^
Confesso que esse foi o texto mais lindo que eu já escrevi em toda a minha vida, então guardem com carinho, ok? Se quiserem enviar alguma parte pro namorado ou namorada eu libero hasuahushauhs :v
Ouçam Clair de Lune (Claude Debussy) enquanto leem a carta, vai ser lindo ;3
Mais uma última coisa...
EU AMO ESSA FOTO
Sem mais delongas, aproveitem ^^

Nos vemos lá embaixo :v

Capítulo 40 - Before my end


Fanfic / Fanfiction Idas e Vindas - Capítulo 40 - Before my end

Senti os raios de sol lá fora e me forcei a abrir os olhos. A tempestade de ontem parecia já ter passado, e o sol de abria em mais uma manhã de Okinawa.

Meu corpo estava pesado, assim como as lembranças do dia anterior. Tudo era um borrão.

Virei para o outro lado e tentei fechar os olhos novamente.

Mas a casa estava muito silenciosa.

Tentei fechar os olhos mais uma vez, desta não querendo prestar atenção no relógio da parede.

Pensando bem... Abri os olhos em um sobressalto.

- Merda... Dez e meia! – A casa estava realmente muito silenciosa pelo horário, e a preocupação com Rukia crescia cada vez mais.

Calma Ichigo, ela sabe se virar muito bem – falei para mim mesmo.

- Eu até pareço alguém responsável com essa preocupação toda – ri de mim mesmo enquanto tirava o moletom e abria a porta.

A casa estava realmente silenciosa, o que só aumentou o meu temor.

E se Rukia tivesse ficado tão chateada com a proposta de ontem que decidiu fugir?

Com um cara suspeito procurando por ela, acho que essa seria a última opção. Aliás, a gente já havia feito isso antes, então por que surtar desse jeito?

Chequei a cozinha, a área de serviço, varanda e até mesmo os banheiros. Nada. Pensei em ir direto ao seu quarto, mas ela não era de acordar tarde.

Ainda sim, resolvi passar lá.

Abri a porta e estranhei a janela aberta. No parapeito, alguma lama se concentrava em algumas áreas. Pegadas também na região próxima do lado de fora.

Estranho.

Então algo me chamou atenção na parede. Um relevo bem sutil na parede branca, parecia creme de cabelo, mas embora seu cabelo fosse um pouco ressecado, a Rukia não usava. Cheguei um pouco mais perto e cheirei, e então entrei em choque.

Era diferente de muitas coisas que eu já havia presenciado: A morte da minha mãe, a primeira briga da Karin, a primeira decepção amorosa da Yuzu e a traição da Inoue. Mas nunca, nunca imaginaria encontrar aquilo na parede.

Sêmen

Fiquei enojado ao mesmo tempo em que me aproximei daquilo, e quase não consegui pegar o celular pra ligar pro Ishida. Mas, antes que eu pudesse sair do quarto, dei um passo pra trás. Algo me impulsionou a não fazer aquilo, que a resposta já estava bem na minha frente.

Analisei de longe as pegadas na janela, e elas pareciam não tão úmidas, mas também não tão ressecadas. Fiquei em dúvida em relação ao horário, mas certeza que foi de madrugada. Mais exatamente depois das onze.

Olhei para a cama e toquei, relutante, o lençol. Ainda úmido, o que significa que algumas áreas estavam encharcadas.

Olhei debaixo da cama. Nada.

Dentro das gavetas do criado mudo, e nada também.

O celular de Rukia estava debaixo do criado mudo, em cima de um envelope feito á mão com algumas folhas dentro.

Suspirei e sentei na soleira da porta do quarto, olhando a claridade entrar.

Abri. Havia duas folhas escritas, frente e verso, e na terceira havia um desenho de nós dois – só consegui me reconhecer por causa do cabelo.

“Querido Ichigo, é muito clichê começar essa carta assim?

- Sim, é – me permiti rir por um momento.

“Então, você não sabe muito bem o que está acontecendo, e eu sinto que não terei tempo de explicar. Eu quero que saiba que você é a pessoa mais especial que eu nunca saberia que iria conhecer em toda a minha vida. E eu me sinto grata por tudo o que você fez por mim. Você me deu um momento de paz em meio à confusão da minha vida. Você é maravilhoso, e eu sentia isso desde que te encontrei – Mas também não esperava que atingisse um nível tão elevado, achei que fosse desistir de mim ou algo do tipo. Ainda bem que não.

Eu espero muito que você supere logo a Inoue, e assim poderá fazer algo ainda mais maravilhoso por quem você escolher. Porque você é incrível, e quero que encontre alguém tão incrível e humano quanto você. Não desista de passear pelo jardim por que uma flor de espetou, querido, isso não vai te fazer evoluir.

De tantos erros que eu já cometi, me envolver com você foi, sem dúvida, o mais maravilhoso e cruel.
Notou que eu falei
Erro, certo? Bem, sim, envolver você foi a coisa mais cruel que já fiz. Te envolver na minha confusão, no meu caos foi terrível, e não posso esquecer de me desculpar por tudo. Eu odeio atrapalhar, mas em nenhum momento eu sentia que era um empecilho. Isso significa algo especial? Porque eu me sinto um estorvo o tempo todo.

Muito obrigada. Por tudo.

Por se tornar especial, por me fazer sentir especial e plena, embora que só por um momento.

Eu amo tudo o que passei com você, e um simples obrigado não é capaz de mostrar toda a minha gratidão. Então, antes que tudo acabe, eu preciso te fazer entender o motivo de ter me encontrado.

Se fosse pra escolher, eu escolheria olhar para seus olhos ao contar isso. Ouvir sua voz de indignação, sua face se contorcer em uma careta ao falar sobre tudo. E também ouvir sua voz doce me tranquilizando, seus braços me envolvendo em meu porto seguro. Seus olhos de fogo, mornos e penetrantes, me aparando na minha queda.

Minha vida é uma imensa queda, de um imenso penhasco.

E você é meu paraquedas.

Um paraquedas que surgiu num galho não tão distante, e que, por um momento, amorteceu a minha queda.

Mas mesmo com tudo o que você pode me oferecer, você não é capaz de me salvar. Ninguém é.

Eu e Byakuya morávamos em Karakura, naquela mesma casa que você foi, com meus pais. Costumávamos ser uma família muito feliz, até que minha mãe adoeceu.

Eu tinha sete anos, e me lembro como ontem quando cheguei em casa e Byakuya estava chorando. Percebi logo que tinha algo estranho porque ele nunca chorava, e naquele mesmo dia descobri que minha mãe havia desmaiado pela manhã e não havia acordado, mesmo sendo fim de noite.

Depois de dois dias inteiros, decidimos chamar um médico da região para ver o que estava acontecendo. Ele disse que ela teve um acidente vascular cerebral, e que era melhor interná-la em um hospital. Foi o que meu pai fez assim que soube da gravidade da situação. No hospital, ela também foi diagnosticada com uma Metástase. A leucemia que ela lutava, em segredo, durante anos, se espalhou para o cérebro, e por isso ela estava tendo complicações. Tudo indicava que ela iria atingir a demência em breve, e que seu tempo de vida era menor que dois anos.

O mundo do meu pai desabou naquele momento. Nós todos choramos pelo que eu achei que eram horas, e só paramos quando nossos corpos não aguentavam de exaustão. Eu não entendia muito bem o que acontecia com minha mãe, e era a única que nutria esperanças que ela melhoraria. Meu pai ficava vinte e quatro horas no hospital, assistia todas as cirurgias e via todo o tratamento de sua esposa. Ele ficava tanto tempo lá que esqueceu os filhos, e eu e Byakuya passamos a nos virar sozinhos. Quando eu fiz oito, ele perdeu o emprego.

Logo assumimos que estávamos sem dinheiro, mas meu pai implorou para que minha mãe continuasse lá, com a promessa de que pagaria todas as despesas. Mas parece que não adiantou. Depois de meses com a quimioterapia e uma bateria de exames e cirurgias, os remédios pararam de fazer seu efeito e minha mãe parou de andar por que o sangue se espalhou para todo o seu corpo. Logo depois, passou a ser guiadas por aparelhos caríssimos até para respirar. Não havíamos nem comida em casa, de tão pobre que estávamos, e Byakuya começou a trabalhar.

Eu tinha nove anos da última vez que meu pai foi naquela casa. Ele só falou para nos vestirmos de preto, que veríamos nossa querida mãe Hisana. Ainda me lembro do grande caixão marrom, e de cada lance de terra que jogavam em cima dele.

Eu comecei a ver o que acontecia ao meu redor, e de acordo com o que eu via com as outras crianças, aquilo não era muito normal. Depois que minha mãe morreu, meu pai ficava o tempo todo fora de casa. Não me pergunte o que ele fazia, eu demorei muito a entender.Meu irmão, que era um pouco mais velho que eu, teve que cuidar de mim e arranjou um trabalho melhor para não morrermos de fome. Ele fingia quase o tempo todo que estava tudo bem, mas eu não me sentia bem daquele jeito. Nós sempre saíamos nos finais de semana, eu, ele, o papai e a mãe. Mas de repente tudo havia acabado.

Eu não me sentia bem, por mais que quisesse. Muitas vezes saia da escola mais cedo por causa de tonturas ou desmaios. Mais tarde meu irmão descobriu que eu estava com uma forte anemia, e que se aquilo continuasse eu ficaria com a mesma doença da mamãe e... Bem, ele tentou fazer de tudo pra que eu ficasse bem. Mas por mais que ele trabalhasse o dinheiro ainda era insuficiente e eu só piorava a cada dia. Depois de um tempo, eu tive de ser internada às pressas, mas todo o tempo eu só pensava em como meu irmão pagaria aquilo. Cada vez que eu o perguntava o que estava acontecendo ele falava que não precisava pagar, que todas as contas foram pagas e todos os medicamentos foram entregues em casa. No início ninguém entendeu de onde vinha o dinheiro... Mas depois que eu fui pra casa eles... Eles invadiram tudo. Disseram que nosso pai havia se metido com a máfia de outra cidade e vendido a casa com tudo dentro, inclusive nós. Fomos forçados a ingerir toda aquela droga... Tudo o que eles consumiam. Se fugíssemos, morreríamos com tamanha quantidade daquilo no nosso corpo. Entraríamos em colapso antes de ir muito longe, eles diziam. Eu nunca escolhi usar aquilo, eu era forçada. Perdi toda a minha pureza aos nove anos, fui escrava, mas nada do que eu fazia nos libertava. Antes de fazer cada coisa, eles juravam a liberdade do meu irmão, e com ele faziam o mesmo. Byakuya tentou fugir diversas vezes, tantas que ele teve de ser mutilado ao ponto de não poder andar. Mas ele tinha de se recuperar pra fazer os serviços, ou eles não ganhavam dinheiro. A escola, preocupada com meu sumiço, solicitou a presença imediata dos meus pais, então eu fui forçada a ir. Antes eu pensava que poderia falar algo, pedir ajuda. Mas de tantas ameaças eu fui desaprendendo como se falava, chorava e até comia em público. Desenvolvi muitos bloqueios, tantos que meu intelecto não está intacto e hoje não consigo mais recuperar o que perdi. Eles nos roubaram. Roubaram meu pai, roubaram minha pureza, meu irmão, minha casa e minha vida. Tudo.

Eu não entendi quando eles falaram, recentemente, que tiraria a minha vida. Na verdade, fiquei até feliz. Mas todos os seus planos foram pro ralo quando a escola ameaçou chamar a previdência social caso eu continuasse a faltar, e eles não queriam se ferrar por algo tão banal. Então eu ia à escola e bem, quase dois meses depois te conheci. O Byakuya estava sumido por todo esse tempo, e só então entendi o que eles disseram.

Devo admitir que o Grimmjow apareceu na nossa casa – tenho a liberdade pra chamar a casa que estamos de nossa?. Ele queria dinheiro, mas eu não posso fazer isso. Eu não posso mais te envolver, não posso mais ouvir as ameaças dele de machucar quem eu amo.

Eu preciso ir. Por favor, não tente ir atrás de mim.

Com certeza será uma armadilha

 Me perdoe pela minha atitude. Eu não me arrependo de nada que passamos juntos.

Adeus.”

 

Terminei a carta chorando, e aproveitei as lágrimas pra ligar pro Ishida e fingir meu desespero. Mas, antes de tudo, escondi a carta e o celular de Rukia. Talvez Grimmjow quisesse simular um sequestro.

Olhei uma última vez para a parede manchada.

Hora de entrar em choque.

 

A perícia chegou quase meia hora depois da minha conversa com o Ishida, e o delegado se preocupou ao ver que Rukia havia sumido. Não precisaram procurar muito pra concluir que o sangue batia com o de Grimmjow.

Ninguém na equipe me olhou durante a isolação do cômodo. Ninguém naquela casa ligou pra minhas lágrimas, enquanto eu me martirizava por tê-la deixado ir.

Ninguém iria me perdoar.

Nem eu mesmo.

- Com sorte, eles não estão muito longe. O perito disse que eles saíram por volta das uma ou duas da manhã, de acordo com as pegadas lá fora e a lama na janela – Ishida estava sério, com uma expressão que eu não estava acostumado.

- Por favor, não fique tão sério... – puxei a barra da sua calça, aproveitando que ele estava em pé e eu, em posição fetal encostado na parede.

Ele se abaixou até ficar da minha altura.

- Kurosaki – olhei-o – Todos nessa equipe foram treinados pra isso, então não se preocupe. Nós vamos achá-la – Não havia esperança em sua voz, nem vida em seus olhos.

Ele se sentou em meu lado com um envelope pardo nas mãos.

- Achamos um parentesco com a Rukia – ele falou me entregando – Não temos certeza se ele ainda está vivo, mas... Achei que precisasse saber.

Abri e analisei o rosto no papel. Era o homem que eu havia atropelado, embora na foto ele estivesse mais jovem e menos, muito menos machucado.

- A última visualização dele foi há três ou quatro anos. Depois que ele terminou o ensino médio, simplesmente não deu mais sinal de vida. Algumas testemunhas de Karakura disseram que ele vivia isolado, só saia à noite, e ainda sim, muito rápido. Sempre com algo em mãos.

- Eu conheço ele – declarei – Quer dizer, eu atropelei ele e só. Ele foi quem me passou informações da Rukia, que me pediu pra que cuidasse dela.

O homem se chama Kuchiki Byakuya. Vinte e um anos. Único irmão registrado de Rukia.

- Chefe, a equipe de busca está pronta – um homem grisalho falou para Ishida, que concordou com a cabeça e se levantou.

- Eu quero participar da equipe de busca – Ishida olhou para meu rosto, analisando meu rosto cansado e minhas olheiras.

- Você tá parecendo uma coruja, merece dormir. Nós damos conta disso.

- E você acha que eu vou consegui descansar sabendo que a Rukia foi sequestrada por um estuprador pedófilo de merda?! – gritei de modo que todos me olharam – Quando eu pôr as mãos naquele filho da puta, eu vou fazer ele se retorcer de dor...

Ishida me olhava analítico.

- Você e Rukia não têm só uma amizade, né? – parei por um instante, lembrando da carta e tentando disfarçar meu rosto corado – Se você prometer se controlar talvez possa ser útil na equipe.

O homem grisalho tentou protestar

- Mas chefe, ele só vai nos atrapalhar desse jeito e-

- Calado. O chefe aqui sou eu, não é? E enquanto eu estiver no cargo, eu darei a palavra aqui, entenderam? – sua voz era firme, e os homens responderam em uníssono um “Sim!” – E você – ele apontou pra mim – Nada de perder o controle. Entendeu?

Ele enfatizava cada palavra. Aquiesci e saímos, deixando apenas a equipe de análise na casa.


Notas Finais


Ressaltando que esse foi o texto mais romântico que eu já escrevi, e eu queria ter alguém pra compartilhar o sentimento caloroso que eu tive ao escrever isso ^^
Eu espero que tenham gostado do capítulo.
E antes que perguntem: EU NÃO TÔ APAIXONADA (pelo menos eu acho que já superei o último relacionamento .--.)
Vou me esforçar pra caprichar no próximo também, e tentar não demorar, ok?
Muito, muitíssimo abrigada pelos comentários, estamos chegando a quase 60 favoritos, eu tô fucking feliz com tudo isso, minha nossa.

Enfim, um beijo imenso pra quem curte, e pra quem nn curte tbm kkk
Até mais! ^^


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