História Idéias Na Mente de Um Louco - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Artist, Crazy, Fantasy, Lemon, Magnum Opus, Yaoi
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Palavras 2.536
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Caçando O Invisível


Leon passou a tarde toda vendo documentários sobre a natureza debaixo de sua cama. Ele agora sabia que os vaga-lumes eram vistos como o fogo da almas dos ancestrais nas lendas japonesas – isto era um conhecimento muito valioso, além das larvas de mosquito bioluminescentes que dão uma paisagem estelar para as florestas da Nova Zelândia e também dos filhotes de baleias-francas-austrais que engordavam até 90 quilos com o leite de suas mães na Península Valdés da Patagônia.

Lá para as 17 horas, Leon saiu debaixo da cama sentindo uma fome terrível. Ele não iria preparar um chá da tarde por motivos óbvios, ele não queria cruzar com aquele jogo de chá maluco esperando por ele na cozinha.

O garoto de olhos verdes desceu as escadas e foi em direção à cozinha. Dessa vez, o jogo de chá não estava lá. Sua mente ainda tinha memórias bem frescas dos documentários de natureza e ele pretendia mantê-las ali por muito tempo. Abrindo a geladeira, Leon olhou para toda aquela comida e teve a idéia de fazer hambúrgueres.

Pegou uma frigideira, uma espátula de metal e uma caixa de hambúrgueres defumados. Ele pegou também um saco de pães para hambúrguer, uma bandeja de isopor cheia de queijo cheddar, um frasco de molho barbecue, tiras de bacon de peru, uma cebola para dourar e uma alface fresca.

Em pouco tempo, Leon fez dois hambúrgueres enormes e gostosos para ele. Encheu um copo grande com suco de uva forte e gelado, e se sentou à mesa da cozinha para comer. Mordeu seu primeiro hambúrguer e deu uma rápida olhada para o relógio-digital do microondas. Eram 17h30. Dali há um tempo, Lily estaria voltando, junto com Joshua depois de fecharem a Launches Perfume às 19 horas.

Tudo estava na mais perfeita paz sob o último raiar do Sol no mar, entrando pela janela da cozinha.

Então, uma bruma roxa passa voando por trás de Leon. Ele para de mastigar o seu segundo hambúrguer e fica parado. Seus olhos verdes captaram uma bruma roxa flutuando acima da geladeira. Ela pareceu pousar ali em cima e logo assumiu a forma de um polvo roxo de aparência vaporosa.

Era Purple.

-No centro da concha é onde está a menor porta da cornucópia...-Purple murmurou com uma voz ecoante e profunda.

Leon se manteve imóvel por alguns instantes, fazendo o possível para trazer à tona as lembranças dos animais dos documentários de natureza que assistiu pelo celular. Mas aquele polvo roxo e nebuloso não saía mais de cima da geladeira – ele não queria desaparecer.

-O pior cego é aquele que não quer ver...-Purple diz como se fosse uma provocação.-Assim como o pior surdo é aquele que não quer ouvir.

Leon largou o hambúrguer mordido no prato e colocou a mão no rosto. Purple não ia desgrudar agora.

-A ignorância não é um defeito da humanidade.-Purple está dizendo.-Mas sim uma maldição que ela jogou sobre si mesma.

-Eu estou comendo bem aqui.-Leon diz ao fuzilar o polvo roxo com um olhar mortal.

-Até quando vai continuar nos ignorando, Leon?-Purple quis saber.

-Até vocês desaparecerem completamente da minha vida.-Leon respondeu.-Da minha mente. Ah, dane-se!

-Se acha que somos meras alucinações criadas pelo seu cérebro confuso, está enganado.-Purple elevou-se do topo da geladeira e foi flutuando em direção à mesa da cozinha.-Somos parte de você desde que nos criou e criações feitas com tanta dedicação não devem ser renegadas assim como se não fossem nada mais que cinzas.

O garoto observou o polvo pousar na mesa bem na frente dele. Os tentáculos longos e nebulosos se espalhavam na superfície da mesa como brumas leves e soltas no ar.

-Você devia parar de querer enganar à si mesmo.-Purple disse-lhe.-Os humanos acreditam saber a verdade sobre muitas coisas, mas a tal verdade que eles conhecem é só uma pequena partícula de poeira cósmica diante do verdadeiro conhecimento do Universo.

-E daí?-Leon ecoa, tentando parecer indiferente, sendo que na verdade estava bem irritado.

-Daí que você nos aceitando como uma verdade maior, será detentor de parte deste conhecimento infinito.-Purple explicou sabiamente.

-Quem sou eu para ter isso nas minhas mãos?-Leon riu zombeteiramente.

-A verdade sobre nós está além do conhecimento da humanidade.-Purple diz, os tentáculos ondulando lentamente.-Até porque somos apenas idéias na mente de um louco. Como a humanidade iria entender um louco?

Leon abaixou a cabeça e cerrou o punho sobre a mesa.

Aquele bordão mais uma vez. E o que mais enfurecia ele é que ele só estaria provando isso ao querer socar um polvo todo feito de neblina.

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Eram quase 19 horas. Lily estaria de volta à qualquer momento, junto com Joshua. Leon só tinha aquela noite e a sexta-feira antes que sua irmã fosse para o outro lado da cidade por causa de uma porcaria de chá de bebê – mas, pelo menos, Joshua iria distrair a sua mente, mesmo com aquelas teorias malucas sobre as suas alucinações.

Leon caminhou até a sala de estar e olhou para as janelas que mostravam a noite lá fora. Ele estava fazendo de tudo para que a sua irmã chegasse e não o encontrasse fazendo nenhuma loucura como correr atrás de um certo serzinho pequenininho e invisível que deixa pegadas coloridas por aí.

O garoto de olhos verdes sentou-se no divã cor de vinho e olhou para a TV. Não devia ter nada de bom passando agora, mas pegou o controle remoto mesmo assim para mostrar à Lily que tudo estava sob controle.

Então, uma trilha de pegadas coloridas começou a se fazer sobre a mesa de centro.

O dedo de Leon ficou paralisado sobre o botão de ligar do controle remoto. Os olhos verdes dele agora estavam vidrados furiosamente sobre aquelas pegadas de puro arco-íris. As pegadas continuaram até pararem na borda de madeira maciça da mesa.

De repente, surge um pequeno elfo sorridente. Ele era pouco maior do que um saleiro, vestia folhas verdes como roupas e seus pés estavam descalços. Seu nome era óbvio: Colour. O pequeno elfo sacudiu os cabelos loiros bagunçados e olhou para Leon com seus olhinhos azuis, e sorriu tão logo acenou alegremente.

-Ah!-Leon gritou e se levantou do divã.

Largando o controle remoto no chão, o garoto marchou até a ladeira de tijolos e pegou o atiçador.

-Se você não sumir daqui agora, eu juro que te faço de pincel pra parede!-Leon esbravejou furiosamente.

Na maior naturalidade, Colour riu e pulou da mesa de centro antes de sair correndo. Em pânico, Leon saiu correndo atrás do elfo pela sala toda. O problema é que aquele serzinho irritante gostava de ficar invisível só para enlouquecê-lo.

Lá estava o elfo correndo direto para baixo do sofá. O garoto caiu de joelhos e deslizou pelo chão antes de sair enfiando o atiçador da lareira lá embaixo, mas só havia poeira por ali. Leon se levantou e apoiou o braço no encosto do sofá.

-Cadê você?!-Leon berrou.-Não me faça correr atrás de você!

Colour surgiu em cima da prateleira da lareira de tijolos. Ele acenou e sorriu feito uma criança. Leon pulou do chão e foi correndo até lá com o atiçador bem no alto pronto para o golpe fatal.

Mas Colour desapareceu e o atiçador saiu detonando todos os globos de neve e um relógio de moinho de vento holandês. Leon olhou para o lado com um olhar mortal e avistou pegadas coloridas andando na direção de uma das janelas da sala de estar.

-Você não vai fugir!-Leon partiu em direção à janela sem pensar nas conseqüências.

Leon não soube como aquilo aconteceu, mas ele conseguiu passar a ponta do atiçador da lareira pela cortina e cravá-la no chão.

Colour reapareceu acenando e sorrindo mais uma vez no parapeito da janela ao lado.

-O quê?-Leon diz, arregalado.-Como é que...

Ele puxou o atiçador do chão com tanta força que rasgou a cortina, arrancou ela do varal e ainda derrubou o varal no chão. O garoto puxou a cortina rasgada do atiçador num acesso de fúria e voltou-se para o elfo que, é claro, não estava mais na janela.

Leon olhou para toda a sala de estar como se fosse uma coruja virando a cabeça num ângulo de 360°. Então, ele viu Colour sentado justamente na moldura de um dos quadros à óleo na parede da sala.

-Eu vou te matar da minha porcaria de mente, seu imbecil colorido!-Leon vociferou e ergueu o atiçador no alto.

Ao passar correndo pelas janelas, Leon nem viu os faróis brilhantes da picape de Lily chegando em frente à casa. Ele não ouviu o som de portas batendo quando meteu o atiçador em todos os quadros, arrancando todos os pregos da parede e derrubando tudo no chão.

Tinha um emaranhado confuso de pegadas coloridas desencontradas em cima dos quadros, então Leon simplesmente ficou acertando tudo com o atiçador numa tentativa desesperada de acertar Colour, que nem se via mais.

Enquanto isso, a porta do saguão se abriu e entraram Lily e Joshua, que logo notaram para a destruição na sala de estar.

-Sai da minha mente!-Leon gritava chorosamente.-Sai da minha mente e volta para as malditas lendas celtas e nórdicas, seu elfo infeliz!

Na hora, Lily largou a bolsa no chão e foi marchando até o seu irmão alucinado.

-Leon Hawkins, me dá essa porra de atiçador, seu grande maluco!-Lily berrou tão logo arrancou o atiçador das garras do seu irmão.-O que você pensa que está fazendo, garoto?!

-É o Colour!-Leon choramingou raivosamente.-Ele fica pra lá e pra cá, deixando essas pegadas coloridas e me deixa louco toda maldita vez que fica invisível!

-Ah, não, de novo, não!-Lily passou a mão no rosto todo.-Será possível que toda vez que eu voltar do trabalho, você vai ter destruído a casa um pouco até não sobrar mais nada?!

-Colour?!-Joshua se intrometeu num sorriso animado.-Aquele elfo das pegadas coloridas? Viu, Leon! Eu te falei! Você também consegue ver os seres feéricos do Mundo Invisível!

-Como é que é?-Lily voltou-se para Joshua.-Olha aqui, seu maluco, não me venha com esse papo wiccano mentiroso! A única coisa invisível nesse mundo é o oxigênio.

-E quem disse que eu estou falando desse mundo, sua cética sem cérebro?!-Joshua rebateu.-Eu estou falando do Mundo Invisível! O mundo das fadas, elfos, duendes, ninfas e todo o tipo de elementais!

-A única coisa que eu vejo de elemental é a tabela periódica!-Lily rebate de volta aos berros.

-Elemental da água, do fogo, da terra, do ar...-Joshua começa a contar nos dedos

-CHEGA!-Leon gritou por cima dos dois.

Sua irmã e seu amigo o olharam na hora.

-Será que vocês podem parar com essas briguinhas ideológicas?-Leon exigiu saber.-Será que toda vez que eu tiver esses surtos, vocês tem que ficar nesse combate de misticismo e razão?

-Foda-se isso, Leon!-Lily retrucou.-Olha a bagunça que você fez na sala toda! Aqueles são os últimos globos de neve que eu compro para decorar a lareira. Agora temos um relógio a menos na casa. Eu vou ter que costurar aquela cortina e colocar o varal de volta no lugar. E os meus quadros de pintura estão destruídos no chão por um atiçador de lareira! O que eu faço com você?!

Como uma criança sendo repreendida pela mãe, Leon abaixou a cabeça na hora. Porém, ele avista Colour mandando beijinhos para ele debaixo do divã.

-Eu vou pisar em cima de você!-Leon esbravejou ao marchar até o divã.

-Não! Já deu!-Lily agarrou seu irmão pelo pulso e o puxou de volta.-Vê se deixa de ser tão biruta e vá pegar a cortina do chão que eu tento resgatar o que sobrou desses quadros.

-Leon, cadê ele?-Joshua se jogou no chão e começou a olhar debaixo do divã.-Cadê o Colour? Eu quero que ele faça uma tatuagem em mim com os pezinhos dele!

-Joshua, saia daí!-Lily ordenou imperiosamente.-Não me faça enfiar os cacos de vidro dos globos de neve na sua goela!

Enquanto Lily e Joshua continuavam tagarelando, Leon ficou cabisbaixo, pegando do chão a cortina que tinha rasgado com o atiçador da lareira.

Todas aquelas alucinações eram demais para ele. Um dia, elas acabariam provocando o pior.

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O clima na casa estava muito melhor depois de toda aquela confusão. Joshua fez cupcakes para todo mundo – sua maior especialidade eram os cupcakes de massa de baunilha recheados com ganache de chocolate e cobertos com cream cheese de frutas vermelhas, granulados de chocolate e um coração de pasta americana.

Lily amava os cupcakes de Joshua, mas teve que se ocupar em costurar a cortina. Leon se juntou à eles na mesa da cozinha e ficou comendo os cupcakes para não ficar falando muito. Joshua era o mais falante na mesa toda, sempre falando dos seus incontáveis namorados com quem transava todos os dias.

-Eu tive que forçar ele à tirar a camisa de uma vez, senão eu ia acabar rasgando ela.-Joshua está dizendo com a boca cheia de cupcakes.-Mas eu juro que nunca, em toda a minha vida, nunca vi mamilos tão bicudos como aqueles.

-Joshua, como você consegue ser tão pervertido?-Lily perguntou enquanto enfiava a agulha no tecido da cortina.-Nem eu fui tão pervertida assim com os meus namorados durante a adolescência.

-Mas é claro que não.-Joshua ri em diversão.-Você tinha um jeitão de nerd, mas o que te salvava era o seu corpinho sensual e ainda tinha toda aquela história do Leon que afastava todo mundo da sua família.

-Mesmo assim.-Lily nega com a cabeça.-Aqueles garotos eram uns idiotas. Eles eram tão extrovertidos perto de mim, mas toda vez que o Leon passava perto de nós, os caras pareciam estar prontos para enfiar a cabeça num buraco no chão feito um avestruz gigante.

-Eu tenho que confessar que isso era divertido...-Leon dá um leve sorriso.-Eles morriam de medo de mim. Até parecia que tinham alguma ordem de restrição em que eles tinham de manter uma distância de 10 metros longe de mim.

-Ah, isso era engraçado mesmo!-Joshua diz, rindo.-Eles eram tão desprovidos de conhecimento da situação toda que inventavam um monte de histórias mirabolantes.

-Decididamente, a história mais louca que inventaram foi aquela do Leon ser um bruxo que via monstros por aí.-Lily não deixa de rir ao morder um cupcake seu.-Leon, lembra de quando você apontou o dedo para aquele garoto e correu atrás dele gritando “catapora”?

-Como poderia me esquecer?-Leon diz num sorriso zombeteiro, enfiando um coração de pasta americana na boca.-O infeliz ainda foi ter catapora uma semana depois e ninguém chegou perto da nossa casa no Halloween para pedir doces.

Todo mundo riu ao redor da mesa. Era um costume deles ficar rindo dos cidadãos de sua cidade que tinham medo de Leon. Muitas histórias e rumores dos mais bizarros e até ridículos foram inventados sobre ele – mas o mais marcante e maravilhoso de se desfrutar era o boato de que Leon era um bruxo.

-Vamos concordar plenamente aqui.-Joshua diz, gesticulando com o dedo ao redor da mesa.-Essa cidade é muito idiota.

-De pleno acordo.-Lily riu.

-De pleno acordo.-Leon assentiu.

-Mas voltando à falar sobre os mamilos daquele gostoso.-Joshua voltou à falar.

Enquanto a conversa dava voltas e voltas na mesa, Leon não deixou de olhar para a janela da cozinha.

Do outro lado da janela, estava uma joaninha gigante feita de papel olhando diretamente para Leon.

Talvez, ele fosse um bruxo mesmo.

 



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