História IMAGINE J-Hope - REGRAS QUEBRADAS (segunda temporada) - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO, Got7, Monsta X
Personagens J-hope, Personagens Originais, Suga
Tags Bangtan Boys, Exo, Got7, Imagine, Monsta X
Visualizações 88
Palavras 3.535
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 24 - Eu serei o seu apoio



POV - GABY
Sabe aqueles sonhos horrorosos em que você está andando pelo corredor da escola ou subindo no palco de um auditório para fazer um grande discurso… e, de repente, percebe que está completamente pelado, com todo mundo olhando para você? E então aqueles pares de olhos vão ficando maiores e maiores, e parecem laser queimando sua pele? É o que estou vivendo neste momento. Estou vestida, claro, mas, apesar das inúmeras garantias de Fran de que não tem ninguém olhando para mim, sei que os olhares curiosos e risinhos de superioridade dos outros alunos não são coisa da minha imaginação.
Maldita Kethy Stevens. A filha da mãe conseguiu o impossível: me fez ter medo de andar no Carver Hall, meu lugar preferido no campus.
Na verdade, é bem impressionante que, mesmo com apenas cento e quarenta caracteres, a irmã dela tenha conseguido produzir um belo conto de uma heroína lamentável cujo desejo feroz por determinado jogador de hóquei a leva a fabricar um grandioso caso de amor cheio de sensualidade e paixão.
Em outras palavras, Pittel está me chamando de mentirosa.
“Isto é tão humilhante”, murmuro, espetando o frango no meu prato. “A gente pode ir embora?”
Fran ergue o queixo numa pose obstinada. “Não. Você precisa mostrar às pessoas que não dá a mínima para o que a Pittel está dizendo.”
Falar é fácil. Meu cérebro sabe que eu não deveria me preocupar com as imbecilidades do Twitter, mas meu estômago não recebeu o recado. Toda vez que as palavras #GabyMentirosa voltam à minha cabeça, minhas entranhas se contorcem, mortificadas.
Que merda está acontecendo com as pessoas? É muito irritante que se achem no direito de destilar o veneno mais doloroso como bem entendem, sem dar a mínima para quem está sofrendo. Na verdade, sabe de uma coisa? Não estou nem chateada com os boatos. Estou chateada com quem inventou a internet e entregou aos idiotas do mundo uma plataforma na qual despejar toda a sua maldade.
Merda de internet.
Fran trata meu silêncio como um convite para continuar tagarelando. “Pittel é uma imbecil, tá legal? Você sabe como ela é possessiva com os jogadores de hóquei. Age como se todos eles pertencessem a ela. Ridícula. Provavelmente está morrendo de ciúme por você ter saído com uma das principais estrelas do time, porque ela, aliás…”, Fran baixa a voz para um tom conspiratório, “…tá correndo atrás dele desde o primeiro ano, mas continua levando fora.”
Minha nossa. Agora nós estamos fofocando? Tem algum adulto maduro nesta porcaria de universidade?
“Será que a gente pode parar de falar nela?” Cerro os dentes, e fica quase impossível abocanhar a garfada de macarrão que acabei de levar à boca.
“Tudo bem”, ela cede. “Mas tô contigo e não abro. Só vão falar mal da minha melhor amiga por cima do meu cadáver.”
Prefiro não lembrar que Pittel não estaria falando mal de mim se alguém não tivesse deixado subentendido que eu estava mentindo quando contou a história toda a Kethy.
“Se você preferir, podemos falar do meu problema”, continua ela, tristonha. “Por exemplo, o fato de que Namjoon não pegou meu telefone depois do filme de ontem…”
Ouvimos passos atrás de nós, e Fran para de falar. Meus ombros ficam tensos, mas logo relaxam quando percebo que se trata de Julia. E então ficam tensos de novo, porque se trata de Julia.
Que beleza. Mais uma rodada de tortura.
“Oi”, ela me cumprimenta, os olhos cheios de simpatia. “Que merda essa palhaçada toda no Twitter, né? Kethy não devia ter contado para a irmã. Ela é tão fofoqueira.”
Se eu tivesse um dicionário comigo, abriria na letra H, passaria para Julia e a forçaria a ler a definição de “hipócrita”.
Por sorte, meu telefone vibra antes que eu possa pensar numa réplica malcriada.
Quando vejo o nome de Hoseok na tela, meu coração dá um pulinho involuntário. Fico tentada a subir na mesa, exibir o celular e provar para todo mundo no Carver Hall que, ao contrário do que a Pittel Stevens anda postando, Jung Hoseok sabe da minha existência. Mas resisto à vontade, porque, diferente de algumas pessoas, eu não preciso de dicionário… já conheço o significado de “fútil”.
A mensagem de Hoseok é curta.
Ele: Onde vc tá?
Digito de volta depressa: Refeitório.
Ele: Qual?
Eu: Carver.
Nenhuma resposta. Ótimo. Não sei bem qual foi o motivo da conversa, mas o silêncio subsequente tem um efeito devastador sobre minha autoconfiança já abatida. Estava doida para falar com Hoseok desde a noite passada, mas ele não ligou, não mandou mensagem nem tentou marcar nada. E, finalmente, quando entra em contato, é isso? Duas perguntas e mais nada?
Fico horrorizada ao perceber que estou à beira das lágrimas. Não sei mais com quem estou chateada. Hoseok? Pittel? Fran? Comigo mesma? Mas não importa. Me recuso a chorar no meio do refeitório ou dar às pessoas a satisfação de me ver sair correndo daqui cinco minutos depois de entrar. As meninas da mesa ao lado não param de sorrir desde que sentei, e ainda posso sentir seus olhos em mim. Não consigo ouvir o que estão sussurrando, mas, quando olho na direção delas, as cinco desviam o rosto depressa.
Ignore.
Por mais que meu apetite esteja tão nulo quanto a minha autoestima, me forço a comer. Até a última garfada, engolindo enquanto finjo interesse pela conversa de Fran e Julia, que felizmente mudaram para um tema que não me envolve.
Quinze minutos. É o tempo que passa até eu não aguentar mais. Meus olhos estão cansados do piscar incessante necessário para estancar as lágrimas iminentes.
Estou prestes a arrastar minha cadeira para trás e dar alguma desculpa sobre precisar estudar quando as duas se calam. Julia para no meio da frase. A mesa ao lado também ficou suspeitosamente quieta.
Fran parece estar lutando contra um sorriso enquanto espia por cima dos meus ombros, na direção da porta.
Franzindo a testa, viro o rosto — e vejo Hoseok atrás de mim.
“Oi”, ele diz, tranquilo.
Fico tão surpresa ao ver Hoseok que tudo o que consigo fazer é olhar para ele, pasma. Pairando sobre mim, sentada, ele parece ainda maior do que o normal. Está com uma camiseta do time de hóquei, que se estica sobre seus ombros, o cabelo escuro despenteado e o rosto corado pelo esforço, como se tivesse vindo correndo.
Nossos olhares se encontram por um instante de parar o coração, e então ele faz a última coisa que eu poderia imaginar.
Ele se abaixa e me beija.
Na boca. De língua.
Bem ali, no refeitório.
Quando Hoseok se levanta de novo, fico feliz em ver que Fran e Julia estão de queixo caído — e as meninas da mesa ao lado também.
O gato comeu a língua de vocês, foi?
Ainda estou escutando a musiquinha da vitória quando Hoseok abre aquele sorriso torto que amo tanto. “Está pronta, linda?”
Não combinamos nada. Ele sabe disso, eu sei disso, mas não vou deixar ninguém perceber.
Embarco na jogada e respondo: “Estou”. Então começo a me levantar. “Vou só levar a bandeja.”
“Deixa comigo.” Ele a tira das minhas mãos e acrescenta: “É bom ver você de novo, Fran”. Em seguida, me dá outro beijo, antes de caminhar até a bancada.
Todas as mulheres do lugar admiram a forma como as calças pretas envolvem sua bunda maravilhosa. Inclusive eu.
Saindo do meu transe momentâneo, volto a atenção para minhas amigas, que ainda parecem atordoadas. “Desculpa ter que sair assim, mas temos planos.”
Hoseok volta num instante, e abro o sorriso mais brilhante de que sou capaz, enquanto ele pega minha mão e me conduz para fora do refeitório.
No segundo em que me acomodo no banco do passageiro da caminhonete, a represa que estava lutando para manter intacta a noite inteira se rompe. Faço uma tentativa frenética de enxugar as lágrimas transbordando dos olhos com as mangas antes que ele perceba.
Mas é tarde demais.
“Ei, não chora.” Ele estica o braço para o porta-luvas e pega uma caixa de lenços.
Droga, não acredito que estou me acabando na frente dele. Dou uma fungada, e Hoseok me passa a caixa. “Obrigada.”
“Sem problemas.”
“Não, não só pelos lenços. Obrigada por aparecer e me resgatar. O dia todo foi humilhante”, murmuro.
Ele suspira. “Acho que você viu os posts no Twitter, né?”
Meu constrangimento triplica. “Olha, só pra você saber, não saí por aí contando da gente, tá? A única pessoa que sabia era Fran.”
“Claro. Ela tava no cinema.” Seu sorriso é reconfortante. “Não esquenta, você não parece o tipo CV.”
Eu o encaro, confusa. “Curriculum vitae?”
Hoseok ri. “Não. Do tipo que conta vantagem.”
“Conta vantagem?” Rio por entre as lágrimas, porque é a coisa mais absurda que já ouvi. “Vocês criaram uma sigla para isso?”
“Vai por mim, nós fomos obrigados a isso. As marias-patins são especialistas no assunto.” Sua voz se suaviza. “E, só pra você saber, a menina que começou esse papo-furado no Twitter é a rainha das marias-patins. E ainda tá chateada comigo porque não quis nada com ela no ano passado.”
“Por quê?” Conheci a irmã de Kethy, e ela é linda.
“Porque ela é insistente. E meio irritante, pra ser sincero.” Ele gira a chave na ignição e me lança um olhar de esguelha. “Tava pensando em passar em outro lugar primeiro, se topar. Ou quer que deixe você em casa?”
Minha curiosidade se aguça. “Onde?”
Seus olhos brilham, maliciosos. “Surpresa.”
“Surpresa boa?”
“Tem algum outro tipo?”
“Hum, tem. De cara, posso pensar numa centena de surpresas ruins.”
“Fala uma”, desafia ele.
“Tá… você marca um encontro às cegas e, quando chega no restaurante, Ted Bundy está sentado à mesa.”
Hoseok sorri para mim. “Bundy é sua resposta para tudo?”
“Parece que sim.”
“Certo. Entendi. Prometo que é uma surpresa boa. Ou, no mínimo, neutra.”
“Tá. Vamos lá, então.”
Ele sai do estacionamento e pega a estrada. Olhando pela janela, observo as árvores passarem num borrão, e um suspiro pesado escapa. “Por que as pessoas são tão idiotas?”
“Porque são”, responde, simplesmente. “Mas, sério, nem vale a pena ficar com raiva. Quer um conselho? Não desperdice seu tempo pensando nas coisas idiotas que gente idiota faz.”
“É meio difícil quando as coisas idiotas são sobre você.” Mas sei que ele tem razão. Por que gastar minha energia mental com gente como Pittel Stevens? Daqui a três anos, nem vou lembrar o nome dela.
“Sério, Gaby, não se estressa. As pessoas falam porque têm boca.”
“Esse vai ser meu novo lema.”
“Boa. Deveria mesmo.”
Passamos pelo sinal azul-claro com as palavras “Bem-vindo a Icheon!”, e olho pela janela de novo. “Cresci perto daqui”, digo.
Ele parece surpreso. “Você é de Icheon?”
“Sou. Meu pai é professor na BigHit há vinte anos. Passei a vida toda aqui.”
Em vez de seguir para o centro da cidade, Hoseok pega a rodovia, mas não ficamos muito tempo nela. Algumas saídas mais tarde, ele pega a alça para Kaesong, a cidade mais próxima.
Sou tomada por uma inquietação. É tão estranho como uma cidade pitoresca e de classe média como Icheon possa estar à mesma distância tanto do campus de uma universidade renomada quanto de um lugar que meu pai, um homem que não fala palavrão se puder evitar, chama de “monte de merda”.
Kaesong não passa de alguns edifícios velhos precisando desesperadamente de uma reforma, um punhado de pequenos shoppings e casas degradadas com o gramado descuidado. A loja de departamento pela qual passamos tem um letreiro de néon com metade das letras queimadas, e o único prédio que não está em ruínas é uma pequena igreja de tijolos que ostenta um cartaz com letras garrafais que diz: DEUS CASTIGA OS PECADORES.
O povo de Kaesong sabe mesmo como dar as boas-vindas.
“Já eu cresci aqui”, diz Hoseok.
Giro a cabeça na direção dele. “Sério? Não sabia que você também era da região.”
“Sou.” Ele me lança um olhar autodepreciativo antes de se concentrar na estrada cheia de buracos à nossa frente. “Não tem muito pra ver, né? Vai por mim, é ainda mais feio de dia.”
A caminhonete balança quando entramos num buraco particularmente profundo. Hoseok diminui a velocidade e estica a mão para o meu lado do para-brisa. “A oficina do meu pai fica a um quarteirão dali. Ele é mecânico.”
“Que legal. Seu pai te ensinou sobre carros?”
“Ensinou.” Ele bate no painel da caminhonete com orgulho. “Tá ouvindo o ronco sensual desta máquina? Reconstruí o motor sozinho no verão passado.”
Fico impressionada. E meio que excitada, porque gosto de homens que trabalham com as mãos. Ou melhor, que sabem usar as mãos. Na semana passada, o cara que mora no final do meu corredor bateu à minha porta e me pediu ajuda para trocar uma lâmpada. Não estou dizendo que sou a pessoa mais habilidosa do mundo, mas sei fazer pelo menos isso.
À medida que atravessamos uma área residencial, uma onda de apreensão toma conta de mim. Será que ele está me levando para a casa onde cresceu? Não tenho certeza se estou pronta para…Não, pegamos outra estrada de terra agora e nos afastamos da cidade. Mais cinco minutos e chegamos a uma grande clareira. Posso ver um reservatório de água ao longe, com o nome da cidade pintado na lateral, e ele parece brilhar sob o luar, um farol branco diminuto se destacando no meio da paisagem escura.
Hoseok estaciona perto do reservatório, e meu coração dispara quando percebo que chegamos.
Minhas mãos tremem quando o sigo até uma escada de aço que começa na base da torre e vai tão alto que nem consigo ver onde termina.
“A gente vai subir?”, deixo escapar. “Se for isso… então não, obrigada. Tenho pavor de altura.”
“Ah, merda. Esqueci.” Ele morde o lábio por um segundo antes de me lançar um olhar sério.“Enfrenta seu medo por mim, vai. Prometo que vai valer a pena.”
Fico olhando para a escada, e posso sentir toda a cor deixando meu rosto. “Hum…”
“Vamos lá”, insiste ele. “Você pode subir primeiro. Vou ficar aqui em baixo o tempo todo e pegar você, se cair. Palavra de escoteiro.”
“Cair?”, exclamo. “Não tinha nem pensado nisso. E se eu cair?”
Ele ri baixinho. “Você não vai cair. Mas, como eu disse, vou estar aqui para pegar você na remota possibilidade de isso acontecer.” Ele flexiona ambos os braços como se fosse um fisiculturista que acabou de ganhar um prêmio. “Olha pra essas belezuras. Acha mesmo que não aguento quarenta quilos, linda?”
“Cinquenta e cinco, mas muito obrigada.”
“Rá. Levanto isso dormindo.”
Volto o olhar para a escada. Alguns dos degraus estão cobertos de ferrugem, mas, quando me aproximo e envolvo os dedos num deles, parece firme o suficiente. Respiro, tentando me acalmar.
Certo. É só um reservatório de água, e não o Empire State. E eu prometi a mim mesma que ia tentar coisas diferentes antes do final do meu primeiro ano.
“Tudo bem”, murmuro. “Mas, se eu cair, você não me pegar e, por algum milagre, eu sobreviver e ainda tiver controle sobre meus braços, vou socar você até a morte.”
Seus lábios se contorcem. “Combinado.”
Inspiro, meio trêmula, e começo a subir. Um pé depois do outro. Um pé depois do outro. Eu consigo. É só uma torrezinha de nada. É só… Cometo o erro de olhar lá para baixo no meio do caminho e meu estômago vai parar no pé. Hoseok espera pacientemente no chão. Um raio de luar realça o incentivo brilhando em seus olhos negros.
“Você consegue, Gaby. Tá indo bem.”
Continuo. Um pé depois do outro, um pé depois do outro. Quando chego à plataforma, o alívio me invade. Puta merda. Ainda estou viva.
“Tudo bem?”, ele grita lá de baixo.
“Tudo”, grito de volta.
Hoseok escala a torre em questão de segundos. Ele se junta a mim na plataforma, pega minha mão e me leva mais para o fundo, onde a passarela de metal se alarga. É um lugar agradável e aparentemente seguro. Hoseok senta e balança as pernas no ar, sorrindo diante da minha relutância em fazer o mesmo.
“Ah, não vai ficar com medo agora. Você chegou até aqui…”
Ignorando o enjoo, sento ao seu lado e com cuidado posiciono as pernas como as dele. Hoseok me envolve com um dos braços e me aninho desesperadamente junto ao seu corpo, tentando não olhar para baixo. Ou para cima. Ou para qualquer lugar.
“Você está bem?”
“Aham. Se eu continuar olhando para minhas mãos, não preciso pensar na queda de sessenta metros que vai me matar.”
“Não estamos a sessenta metros do chão.”
“Bom, estamos alto o suficiente pra minha cabeça se espatifar feito uma melancia quando bater no chão.”
“Nossa. Você não é muito boa de romance.”
Eu o fito, embasbacada. “Você tá tentando ser romântico? Tem algum fetiche por meninas vomitando em cima de você?”
Hoseok começa a rir. “Você não vai vomitar.” Para meu alívio, ele me abraça mais apertado.
O calor de seu corpo é uma boa distração na minha atual situação. Assim como sua loção. Ou será que é um perfume? Seu cheiro natural? Se for, ele precisa engarrafar essa fragrância inebriante, chamar de “Orgasmo” e vender para o mundo.
“Tá vendo a lagoa ali?”, Hoseok pergunta.
“Não.” Meus olhos estão fechados com tanta força que tudo o que posso ver é o interior das minhas pálpebras.
Ele me cutuca nas costelas. “Abrir os olhos ajuda. Anda, dá uma olhada.”
Abro os olhos devagar e acompanho o dedo dele. “Aquilo é uma lagoa? Parece um pântano.”
“É, fica barrenta na primavera. Mas, no verão, tem água ali. No inverno, congela, e todo mundo vem patinar.” Ele faz uma pausa. “A gente jogava hóquei ali quando era criança.”
“E dá pra patinar? É seguro?”
“É, o gelo é grosso. Que eu saiba, ninguém nunca caiu.” Ele faz outra pausa, dessa vez, por um longo e tenso instante. “Eu adorava vir aqui. Mas é estranho. Parecia muito maior quando eu era criança. Era tipo um oceano. Conforme fiquei mais velho, percebi que é minúsculo. Dá pra patinar de um lado ao outro em cinco segundos. Eu cronometrei.”
“As coisas sempre parecem maiores quando a gente é criança.”
“Acho que sim.” Ele se ajeita para ver meu rosto. “Você tem um lugar assim em Icheon? Para onde escapava quando era mais nova?”
“Claro. Sabe o parque atrás da feira de produtores locais? Aquele com um coreto bonito?”
Ele assente com a cabeça.
“Eu costumava ir lá para ler. Ou para conversar, se encontrasse alguém.”
“As únicas pessoas que já vi nesse parque são os velhos do asilo da esquina.”
Eu rio. “É, a maioria das pessoas que conheci ali tinha mais de sessenta anos. Eles contavam altas histórias sobre os ‘velhos tempos’.” Mordo o interior da bochecha quando algumas histórias não tão divertidas me vêm à mente. “Às vezes eram coisas incrivelmente tristes. Eles falavam muito das famílias que nunca visitavam.”
“Que pesado.”
“Pois é”, murmuro.
Hoseok deixa escapar uma respiração irregular. “Eu ia ser uma dessas pessoas.”
“Alguém que não recebe visita da família? Ah, não acredito nisso.”
“Não, alguém que não visita a família”, responde, com a voz tensa. “Quer dizer, isso não é bem verdade. Eu visitaria minha mãe. Mas se meu pai estivesse num asilo provavelmente não colocaria o pé lá dentro.”
Uma onda de tristeza me inunda. “Vocês não se dão bem?”
“Na verdade, não. Ele se dá melhor com uma caixa de cerveja ou uma garrafa de conhaque.”
Isso só me deixa mais triste. Nem passa pela minha cabeça não ser próxima dos meus pais. Mesmo tendo personalidades tão diferentes, sinto uma ligação forte com os dois.
Hoseok fica em silêncio de novo, e não me sinto à vontade para fazer mais perguntas. Se ele quiser contar mais, vai continuar.
Em vez disso, preencho o vazio embaraçoso voltando o assunto para mim. “Acho que conversar com os velhinhos podia ser deprimente às vezes, mas eu não me importava de ouvir. Era só o que eles queriam mesmo. Alguém que os ouvisse.” Contraio os lábios. “Foi nessa época que decidi que queria ser psicóloga. Percebi que tinha talento para ler as pessoas. E para ouvir sem julgar.”
“Você tá cursando psicologia?”
“Vou cursar. Ainda não escolhi a especialização porque tava na dúvida entre psicologia e psiquiatria. Mas decidi que não quero fazer medicina. Além do mais, a psicologia abre muitas portas que a psiquiatria não abre. Eu posso ser terapeuta, assistente social, conselheira vocacional. Tudo isso me parece muito mais gratificante do que receitar remédios.”
Recosto a cabeça em seu ombro, enquanto fitamos a pequena cidade que se estende diante do reservatório. Ele tem razão — não há muito o que ver em Kaesong. Então me concentro na lagoa, imaginando Hoseok quando era criança. Os patins voando no gelo, os olhos negros iluminados de admiração, com toda a certeza de que está sobre o mar. De que o mundo é grande, maravilhoso e repleto de possibilidades.
Seu tom assume um ar reflexivo. “Então quer dizer que você tem um talento para ler as pessoas. Você consegue me ler?”
Sorrio. “Ainda não consegui decifrar você.”
Sua risada rouca aquece meu rosto. “Nem eu."


Notas Finais


esta ai o capitulo enorme kkkk agr eu posso sumir kk bjs amores e bom feriado (vou passar dormindo é claro)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...