História Instinto de Gato - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Baseball, Comedia, Drama, Escolar, Fantasia, Ficçaocientifica, Gato, Instintodegato, Lancaster, Mistério, Neo, Romance, Saya, Slice Of Life
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Terminada Não
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Família


O pai de Neo era um pouco mais alto que ele, tinha o corpo magro, o cabelo loiro grande e longo, parecido com uma juba de leão, não era tão velho e estava vestindo uma camiseta social branca e uma calça jeans. Apesar da aparência sofisticada, ele dava um pouco de medo a Neo, talvez porque era o seu pai.

–E o que você veio falar comigo? –Perguntou desajeitado.

–Filho. –Deu uma pausa antes de continuar. –Como você está? Tem passado bem? –Perguntou ele preocupado.

–Como assim se estou bem? Se você podia me ver, por que não veio antes? –Perguntou Neo frustrado.

–Eu estava ocupado. –Respondeu de forma séria e sem pensar duas vezes.

–O que é mais importante que o seu filho para você estar ocupado? –Perguntou ele irritado.

Neo olhou para o seu pai com raiva enquanto o próprio não disse nada.

Aos poucos foi se acalmando e resolveu entender o motivo de seu pai estar ali.

–Então? Por que veio me ver?

–Estive preocupado contigo. Finalmente consegui arrumar um tempo para vir te ver. –Respondeu feliz

Neo estava ficando impaciente.

–E? –Perguntou ele de uma forma fria.

Seu pai percebendo a impaciência do filho resolveu ser breve.

–Vim saber como andam seus “poderes”? Vi que quando você entrou, conseguiu se transformar parcialmente em gato.

–Eu ainda não consigo voltar. –Disse Neo desanimado.

–Uma pena. Nós estamos esperando você. –Lionel deu uma pausa antes de falar e continuou. –Sua família.

–Não posso fazer nada.

–Você precisa, senão terei que tomar medidas drásticas, já esperei demais.

–Não sou eu que escolho, estou fazendo o máximo que posso para melhorar! –Disse Neo.

Houve um silêncio durante alguns segundos, até que seu pai tomou a palavra novamente:

–Seu irmão me disse que é culpa de uma garota.

Neo vendo onde seu pai queria chegar começou a ficar irritado.

–“Saya”? É o nome dela? –Continuou seu pai mesmo percebendo que o filho estava ficando cada vez mais com raiva.

–Pai, eu resolvo isso, deixa a Saya fora dessa história.

Levantou da cama e fitou o pai com o pior olhar que poderia, enquanto Lionel apenas olhou para o lado despreocupado com a irritação do garoto.

–Será que consegue? –Perguntou ele analisando a determinação do garoto.

–Consigo! –Afirmou Neo confiante.

Seu pai o observou por alguns instantes enquanto o analisava para ver se era mesmo capaz disso, então levantou do sofá, ficando mais alto que ele, colocou a mão em seu ombro e disse:

–Confio em você. Afinal tem o mesmo sangue que eu, é capaz de lidar com situações difíceis.

Neo ficou um pouco constrangido e olhou para o lado, foi quando seu pai pegou um papel do bolso e disse:

–Vá visitar sua irmã, ela irá te ajudar.

–Minha irmã? –Perguntou ele um tanto quanto surpreso.

–Sim, ela recentemente descobriu coisas importantes sobre esse estranho poder que talvez possam te ajudar, porém ela desapareceu faz uma semana.

Vendo que aquilo poderia ser útil, resolveu aceitar, pegando o papel que ele jurava que era um mapa com anotações sobre onde encontrar sua irmã.

–Apesar de que será um pouco difícil encontrá-la, mas sei que você consegue.

O filho olhou desconfiado por um momento, porém ele resolveu ignorar o aviso.

–Bem, já fiquei tempo demais e agora preciso ir. –Disse Lionel enquanto se dirigia para a porta.

Seu pai ia indo embora e Neo não disse nenhuma palavra, mas, quando ele tocou a maçaneta se lembrou de algo importante.

–E Neo.... Deixe a porta trancada quando sair, senão qualquer um pode entrar, inclusive seu pai. –Disse enquanto ria de leve.

Realmente trancar a porta era algo importante, todas as vezes que ele havia deixando aberta foi surpreendido por visitas em horas erradas.

–Só mais uma coisa, preciso te pedir isso.

–O que?

–Nunca vá na rua Richter VI que fica do outro lado da cidade.

–Por que?

–Apenas não vá lá, ok?

Neo não tinha interesse naquilo, portanto não iria lá.

–Ok. –Respondeu ele concordando.

Enfim o pai fora embora e Neo estava tão cansado que simplesmente deitou na cama de cima e dormiu.

No outro dia acordou e fez as coisas habituais, já estava se acostumando a viver como humano, não era tão ruim assim.

Foi quando estava começando a ficar entediado que resolveu ver sua irmã como o pai dele tinha pedido. Então, abriu o papel que tinha recebido e era um mapa com anotações de como chegar até ela como havia pensado, o lugar parecia longe e ele estava com preguiça de ir até lá, porém não tinha nada para fazer, então resolveu usar isso para ocupar o tempo.

Apesar de ser um pouco longe, Neo gostava de andar, por isso resolveu não pegar algum meio de transporte como taxi ou ônibus para chegar até lá.

Neo já tinha andando bastante e estava muito perto de onde o mapa começava a dar instruções, deu uma olhada em volta e era pouco movimentado, diferente do centro comercial de Shibuya que ele estava acostumado, onde lá sempre tinha pessoas indo de um lugar para o outro comprando coisas, esperando outras pessoas e por aí vai.

Voltando o foco ao mapa e as instruções, ele foi seguindo, direita, reto, esquerda, direita de novo.... As instruções eram bastante longas e parecia que não tinha fim e quanto mais demorava para chegar a sua irmã, mais ele ia ficando irritado.

Depois de dar uma longa volta, ele começou a pensar que estava andando em círculos, um exemplo é que já tinha passado por aquela rua onde tinha uma loja de eletrodomésticos e logo a frente um café que ele se lembrava do Marcos.

Resolveu seguir as instruções por mais umas duas linhas para ver se estava mesmo dando voltas no mesmo lugar e assim que o fez percebeu que tinha razão. Irritado resolveu desistir e ler o final das instruções para ver se tinha algum fim.

Foi quando no final da folha percebeu que havia uma aba escondida no papel onde encima dela estava escrito com letras pequenas bastante difíceis de se ler:

“Só abra quando tiver desistido”.

Sem pensar duas vezes, abriu a aba e nela também estava escrito com letras pequenas:

“Querido Filho,

Você caiu na pegadinha do seu pai hahaha! Todo esse tempo você esteve andando em círculos, espero que não tenha demorado muito para descobrir isso e também que não fique tão irritado comigo.

Eu realmente não sei exatamente a localização da sua irmã, porém ela deixou umas coordenadas dizendo que estaria dentro dessa área em que você esteve andando em círculos e ainda se certificou que somente você poderia encontrá-la.

Bem, eu acabei não resistindo e acabei pregando uma peça em você, pelo menos agora você conhece bem a área e pode encontra-la mais facilmente. Hahaha.

-Com amor, Lionel seu pai”

–Maldito! Ele me enganou esse tempo todo, juro que mato ele. –Disse em voz baixa enquanto estava completamente irritado.

Quando a irritação passou, Neo começou a ficar um pouco preocupado, porque não sabia onde estava a irmã dele, ele mal se lembrava dela. E para piorar era o único que conseguiria acha-la.

Pensou um pouco, mas, começou a ficar sem opções e por isso resolveu andar.

Enquanto andava, pensou em sua família. Leo, seu irmão mais novo, enxerido como sempre, além de irritante. Lionel seu pai, brincalhão e amava pregar peças, outro cara bastante irritante. E as últimas duas pessoas que não conseguia se lembrar, sua irmã e sua mãe.

Apesar do grande esforço, não lembrou de nada. Já fazia algumas horas que ele estava andando, demorou muito para chegar até ali e agora já estava bastante cansado e com as pernas doendo.

Resolveu olhar no mapa e conseguiu ver que havia um parque no centro do “círculo” onde estava, resolveu ir para lá descansar enquanto não achava soluções para esse problema. Com vários bancos fora do parque escolheu um perto de um vendedor de sorvete e se sentou lá.

O céu estava bem azul, com poucas nuvens no céu. O dia estava quente e isso estava fazendo com que ele começasse a ficar com sede. Uma leve brisa, refrescava o ar, entretanto não era o suficiente para afastar o calor.

Sua cabeça começou a ficar limpa e sem pensamentos, foi quando duas crianças, uma garota e um garoto, que pareciam ser irmãos, resolveram pedir um sorvete ao vendedor que estava ali perto. Os dois estavam com a mãe e enquanto ela pagava o vendedor, os dois brigavam por quem iria ficar com o primeiro sorvete.

Nada de anormal naquilo, porém a cabeça de Neo começou a doer para caramba ao ver aquela cena, então olhou para baixo e tentou colocar as duas mãos na cabeça encima da orelha para ver se a dor passava, porém não funcionou e essa dor aumentava cada vez mais, a ponto de ele começar a ficar tonto, não percebeu, mas, seu olho mudou de cor ficando amarelado e sua pupila do formato de um gato, foi quando começou a ouvir vozes e foi “tele transportado” para uma memória do passado. Naquele mesmo parque, porém pode perceber que era mais baixo e estava segurando a mão de uma mulher que segurava um bebê e havia uma garota mais alta que ele. Estava tão quente quanto antes dele estar ali e Neo avistou um vendedor de sorvete.

–Mamãe, quero sorvete. –Disse o pequeno Neo enquanto puxava a mão da mulher que estava ao lado.

“Mamãe”...? Então essa é minha mãe? O sol está atrapalhando não consigo ver claramente... –Pensou o Neo mais velho enquanto continuava “vivenciando” a memória.

–Acho que não tem problema e você Carolina? Vai querer também –Respondeu ela enquanto perguntava para a garota.

Se essa for realmente a minha mãe, “Carolina” então é minha irmã e aquele bebê que minha mãe está segurando é o Leo... –Pensou Neo enquanto continuava prestando atenção aos detalhes.

–Claro que sim, mãe. Estou morta.

Enquanto a mãe dele ia pedindo um sorvete e pagando ao vendedor, Carolina começou a provocar seu irmão.

–Quem será que vai ficar com o primeiro sorvete? Hein, Mané? –Perguntou ela tentando irritar.

Percebendo isso Neo não cedeu e respondeu com calma:

–Isso não importa, não vai fazer diferença quem ganhar primeiro.

Carolina não desistiria tão fácil de irritar o irmão, então disse:

–Se não importa, então eu vou ficar com o primeiro.

O espírito competitivo dele, começou a entrar em chamas.

–Não se eu puder evitar.

Foi quando a irmã dele conseguiu o que queria, uma brecha.

–E como vai fazer isso, tampinha? –Perguntou ela

–De algum jeito que você não precisa saber.

–Se acha mais esperto que eu?

–Eu não acho, eu sou.

Carolina deu então um peteleco nele.

–Se fosse tão esperto teria desviado disso.

Ele então mordeu ela

–E você disso.

Foi quando os dois começaram a brigar.

–Vocês dois parem de brigar, os dois vão ganhar sorvete, não tem porque brigarem, se continuarem com isso, nenhum dos dois vão ganhar sorvete.  –Repreendeu a mãe dos dois irritada.

Ouvindo aquilo, os dois pararam imediatamente e se acalmaram, porém havia algo que perturbava a mente da irmã de Neo.

–Ei, Neo.

Ele achando que ela iria novamente encher o saco, disse:

–Que é?

–Eu te dou o primeiro sorvete, só se me prometer uma coisa –Propôs ela.

Aquilo o surpreendeu, não esperava gentileza vindo dela. Mas, tinha certeza de que o que ela queria era um favor muito grande, a ponto de ele sofrer com isso para o resto da vida.

–O que você quer?

–Quero que me prometa que nunca vai me esquecer.

Aquilo surpreendeu ele novamente, só isso? Não podia ser só isso...

–Ué? Eu nunca vou te esquecer.

–Promete?

–Sim.... Não tem como, você é minha irmã.

–Então, está bom...

Foi quando ela recebeu o sorvete da mãe que logo ela entregou a ele.

–Tá aqui, então...

Ao olhar para o sorvete, Neo ficou um pouco preocupado e resolveu perguntar:

–E se eu acabar te esquecendo?

Ela pensou um pouco enquanto tomava um pouco do sorvete dela e disse:

–Eu acho que.... É só você seguir o seu coração que você vai se lembrar de mim, como somos irmãos acho que temos uma conexão.... Acho que você é capaz até mesmo de me achar se eu estiver escondida.

Foi quando depois de toda aquela cena, Neo voltou a si e se viu sentado no banco, parecia que tinham passado apenas poucos segundos. Tanto a dor de cabeça tinha ido embora como os olhos dele haviam voltado ao normal e agora ele tinha uma pequena pista de como achar a irmã dele.

Como ele já havia descansado, resolveu continuar a sua busca andando pelo parque, ele não sabia o porquê de procurar ali, mas, como a irmã dele tinha dito: “Siga seu coração”

Conforme ia andando por lá, as memórias de Carolina iam voltando devagar, mas, cada vez mais rápido.

Neo se lembrou como ela era aficionada em trabalho e raramente conseguia a atenção dela. Por isso teve a leve impressão de que ela estaria em algum lugar onde não pudesse ser atrapalhada.

Depois de andar por mais um tempo em volta do parque, resolveu ir para mais adentro e no centro acabou achando uma porta-dupla com um alerta escrito “perigo alta tensão” mal desenhado nela. Logo, ele ficou desconfiado, poderia ser ali?

Então, por curiosidade resolveu abrir e ver o que havia lá dentro.

Não tinha iluminação e era um corredor escuro, seus instintos naturais alertavam que era perigoso estar ali, porém ele tinha certeza de que não era e acabou entrando no local.

Logo após ele dar dois passos, a porta se fechou e luzes no chão muito próximas da parede se acenderam e mostraram um caminho até uma porta de metal.

Neo andou até ela e apareceu um painel com um teclado em sua frente, no painel estava escrito:

“Digite a senha”

Ele sentiu uma sensação ruim ao ler aquela frase, parecia que ele estava tão perto ao mesmo tempo tão longe, afinal, o que poderia ser a tal senha? O que a irmã dele usaria como senha?

Colocou as mãos no teclado e enquanto falava digitou:

“Irmã idiota”

–Senha incorreta. –Disse uma voz e um “X” apareceu no painel.

Com isso ele tentou:

“Meu irmãozinho querido Neo”

E novamente:

–Senha incorreta. –Disse uma voz e um “X” apareceu no painel.

–Caramba.... Agora ela me pegou... –Disse Neo em voz baixa.

A barra de digitar ficou piscando como se quisesse desesperadamente uma resposta, porém o garoto na frente do painel não tinha ela, tentou lembrar de mais detalhes sobre a irmã, porém estava realmente difícil, sua cabeça não conseguia pensar em nada. Por causa disso começou a andar de um lado para o outro...

–Ela gostava de trabalhar? E o que mais? –Disse em voz baixa enquanto continuava pensando.

–Café? Geralmente quem trabalha demais gosta de tomar café..., mas, não pode ser isso. –Disse em voz baixa enquanto continuava pensando.

Foi quando veio uma “luz” veio aos seus pensamentos e ele reagiu a ela com um grito.

–JÁ SEI! É ISSO! COMIDA! –Disse ele.

Neo colocou as mãos no teclado e então digitou:

“sushicommiojo”.

–Senha correta. –Disse uma voz e então a porta se abriu.

Enquanto ela ia se abrindo Neo foi explicando como chegou a esse resultado para ele mesmo:

–Minha irmã ama comer e as duas comidas favoritas dela eram Sushi e Miojo por isso a senha só pode ser Sushi com Miojo.

Quando ele terminou de falar, a porta se abriu completamente e atrás dela, pode ver uma figura feminina um pouco mais baixa que ele vestindo um jaleco branco com óculos e cabelo castanho longo com uma mecha trançada, batendo palmas.

–Parabéns. –Disse Carolina surpresa. –Realmente você era o único que podia me achar, mas, não acreditei que você conseguiria descobrir a senha.

–Irmã...

–Eu estava quase abrindo a porta achando que você não iria conseguir.

–Era mais fácil você vir me encontrar. –Disse ele um pouco irritado.

–Ué, eu precisava saber se você se lembraria de mim e o quão eu sou importante para você.

–Poderia ter feito isso de outra forma.

–Mas, acabou dando tudo certo, você está aqui e tudo por causa do seu amor por mim. –Disse ela enquanto se aproximou dele e o abraçou.

O abraço dela era macio e aconchegante, mas, como ele estava com raiva resolveu descontar dizendo:

–Irmã idiota.

–Eu ouvi isso, junto com as suas tentativas de senha, quer levar porrada? –Disse ela enquanto o soltava e se afastava um pouco.

–Como se você fosse capaz de me bater.

Carolina ficou em silêncio durante um tempo, foi quando os olhos dela mudaram para uma cor azul e sua pupila igual de um gato, seu cabelo ficou branco e orelhas apareceram, surgiram marcas por todo o seu corpo e tanto os braços quanto as pernas ficaram peludas e com umas garras como se fosse um gato. Ela então empurrou Neo com um pouco de força que cambaleou para trás e ficou bem distante dela, automaticamente quando ela se transformou ele mesmo entrou em modo de defesa como se soubesse que aquilo era perigoso.

Ela colocou as garras na frente do rosto e fez um movimento como se estivesse chamando ele.

–Vamos parar de enrolação, não tenho tempo a perder, eu poderia estar trabalhando agora, então venha, vou te mostrar o que descobri.

Neo estava tão surpreso que não conseguia falar nada, apenas a seguiu para descobrir sobre o que se tratava.

O laboratório era um pouco grande e estava bem bagunçado, provavelmente porque a irmã dele não saia dali e muito menos arrumava as coisas.

Os dois chegaram a um grande computador onde haviam vários dados complexos como exames de sangue e DNA e outras coisas que Neo estava com preguiça de analisar, ela mostrou para ele tudo aquilo animada enquanto ele apenas queria um resumo de tudo aquilo.

–Então? –Perguntou ele pedindo por um resumo da situação.

–Como pode ver fiz vários testes, comparando várias e várias situações. Porém raramente descobria algo, porque parece que isso não envolve o corpo e sim outra coisa.

–Qual coisa?

–Algo que meus aparelhos não conseguem detectar.

–Isso é ruim....

–Muito. E para piorar eu não me lembro de nada de quando adquiri os meus poderes, fica difícil descobrir algo.

–Achei que fosse normal, eu lembro de sempre ser assim.

–Não, nós não éramos assim no passado.

–“Nós”?

–Sim, parece que toda a família Landcaster acabou adquirindo esse estranho poder.

Neo se lembrou que seu irmão também havia se transformado.

Ficou um silêncio por um momento e ele pensou no que a irmã tinha falado até então e foi quando perguntou indignado:

–Espera aí, não me diga que você não descobriu nada?

–Não, né. Idiota! Senão não teria te chamado.

–Vai saber...

Carolina olhou para ele com uma cara de irritada.

–Continuando... O que eu descobri foi que esses “poderes” estão ligados as nossas emoções. Basicamente se tem algo que esteja mexendo muito contigo, você acaba não conseguindo se transformar.

–Como assim?

–Você não perdeu seus poderes, na verdade não consegue se transformar porque no fundo não quer isso. Existe algo que você não quer perder, caso volte a ser gato?

–Não sei.... Acho que não há nada.

–Se não houvesse mesmo nada, você conseguiria se transformar numa boa. Tem algo sim, trate de descobrir.

–Ok, irmã...

Neo se lembrou do que tinha acontecido momentos atrás e resolveu perguntar a ela:

–E como você conseguiu fazer aquilo de agora a pouco?

Carolina pensou na pergunta dele e quando percebeu o que era, respondeu:

–Ah aquilo? Eu chamo de semi-transformação. É algo difícil de conseguir, praticamente você tem que conhecer o lado gato e equilibrar as duas partes, dessa forma seu corpo fica daquele jeito.

–E como eu faço isso?

–Eu não tenho certeza, mas, acho que precisa usar um sentimento muito forte para se transformar.

–E qual você usou, irmã? –Perguntou Neo curioso.

Ela ficou envergonhada e disse:

–Não importa... E-eu preciso continuar com os testes.... Então, se você não tiver mais perguntas, vá embora.

Aquilo foi tão de repente que deixou o garoto desconfiado, mas, como ele havia sanado as dúvidas, além de conseguir boas informações, resolveu ir embora.

–Tudo bem, vou deixa-la trabalhar.

Neo estava indo embora, quando se lembrou de algo.

–Se cuide irmã... –Disse ele enquanto saia pela porta.

Com ele indo embora, Carolina pegou um bolo de papel que estava logo ao lado e apertou um botão para fechar a porta enquanto se sentava em sua cadeira.

–Se cuide.... Idiota. –Disse ela enquanto olhava para as folhas onde uma delas dizia que o sentimento que ela usava era o amor que ela tinha por seu irmão.

Lá fora já era tarde, faltando poucos minutos para a luz do sol acabar. O Parque já começava a ficar solitário. Logo que ele saiu as portas se fecharam atrás dele e ele então se apressou para voltar para os dormitórios.

Conforme foi escurecendo, as ruas foram ficando desérticas. Neo se lembrou do dia anterior quando levava Saya para casa, logo um sorriso cresceu em seu rosto.

Estava tudo tão calmo, além de uma escuridão completa, havia várias nuvens no céu que cobriam as estrelas e a lua. Apenas onde havia a iluminação de alguns postes dava para ver o caminho.

Chegando ao dormitório, logo entrou em seu quarto e por estar tarde tomou um banho para relaxar e se preparou para dormir, porém ao se deitar na cama, a mente dele estava agitada com tudo aquilo que tinha passado no dia.

Não queria dormir e isso o fez virar de um lado para o outro. Então, começou a pensar que se caso dormisse logo, veria sua amada no próximo dia.

Saya.... Um anjo em forma humana. E enquanto pensava em Saya, as palavras de Carolina vieram a mente dele:

“–Existe algo que você não quer perder, caso volte a ser gato? ”

E finalmente ele tinha a resposta. Saya... –Respondeu ele enquanto adormecia.

Quando ele acordou, estava esperando grandes coisas para o dia que viria, porém algo dentro dele dizia que não seria um bom dia.

Chegando na escola, nada parecia diferente, porém ele sabia que havia algo de diferente, seu instinto dizia isso.

Neo sempre chegava mais cedo que as outras pessoas, sentava na sua cadeira e ficava esperando os outros entrarem, esperando que uma dessas pessoas fosse Saya.

Richard após ficar íntimo de Neo, sempre o cumprimentava.

Saya naquele dia estava tão brilhante quanto em qualquer outro dia, ela ficou com vergonha quando olhou para Neo e ele também teve a mesma reação, pois se lembrou do que havia acontecido no sábado quando eles saíram, ela sentou no lugar dela e logo Sunny chegou e começou a conversar com ela, cortando totalmente a atmosfera estranha em que eles estavam.

Não demorou muito para a professora de Português, Daniele, entrar na sala e começar a aula, isso acalmou o coração dele, porque parecia que estava tudo normal e que era só imaginação da cabeça até que ela recebe um chamado.

Daniele, então disse para a classe que havia um aluno novo começando naquele dia a estudar na escola.

Todos ficaram surpresos, pois não era comum haver transferência naquela época, porém a professora continuou e explicou que era por causa dos pais do garoto que haviam se mudado e por isso ele precisou ser transferido também advertiu que todos deveriam ser bem receptíveis com ele.

Foi quando um garoto magro de altura média com o cabelo curto castanho escuro para cima entrou na sala e disse com toda a força:

–PRAZER EM CONHECE-LOS! MEU NOME É....

–KENSUKE?! –Antes que ele pudesse terminar Saya o cortou.

–Saya? Estou na mesma sala que você? –Perguntou ele surpreso.



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