História Interconnected - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Original, Sexo, Violencia, Yaoi
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Palavras 2.285
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Slash, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa madrugada, amores!
Obrigada a quem lê!
Boa leitura!

Capítulo 4 - Hard Questions


Estava claro para mim o quanto Harley não sentia vontade de ir comigo. Acho que no fundo, ele sabia o que lhe esperava quando for na delegacia. Mas sendo eu policial e estando ele ainda sob suspeita, não posso fazer nada a não ser o levar comigo para dar o depoimento devido e espero que assim, possa esclarecer tudo que deva ser esclarecido.

-Deixa eu só pegar minha bolsa. — Diz ele, esticando o braço para pegar a bolsa que estava na outra ponta da cama. Notei na hora que ele evitava se levantar.

-Ok. — Olhei de novo para seu pé direito, que estava enfaixado e descalço. — Machucou o pé? — Perguntou de forma óbvia. Harley não me respondeu. — Eu levo você no meu carro. Se quiser... — Propus, já que imagino como deve ser difícil para ele andar de repente.

Harley se surpreendeu com minha proposta, nem eu esperava por dizer isto.

-Não precisa.

-Eu insisto.

-Ok. Obrigado.

Harley pegou a bengala ao seu lado e se levantou. Ele puxou a bolsa e guardou algumas coisas dentro desta. Fui mais para o canto, dando privacidade para ele e esperei que ele terminasse e que fosse no banheiro. Enfim, que se aprontasse e estivesse pronto para sair comigo. No entanto, notei como ele tinha que se apoiar na bengala para andar e como fazia caretas de dor ao o fazer. Imaginei quanta dor ele deveria estar sentindo ao caminhar. Não pude o deixar assim. Fui até ele e peguei a mala da sua mão, para que fique mais fácil ele andar.

-Quer que eu te ajude a andar? — Perguntei, tentando ser amigável, mas sei que acabei soando gentil, e isto não o impediu de negar a minha ajuda.

-Eu consigo me virar de algum jeito. — Ele tomou a bolsa da minha mão e foi caminhando na minha frente, lento e sozinho. 

Dei espaço para ele, o deixando andar sozinho, já que recusava minha ajuda. 

-O que aconteceu com sua perna?

-Eu... Eu tive um ataque de pânico durante a madrugada. Caí da cama e me machuquei. — Explicou de cabeça baixa, parando de andar por um momento. Me lembrei na mesma hora de que o médico com que falei comentou sobre este ataque, deve ter sido mais feio do que realmente pensei que havia sido.

Não comentei mais nada sobre o assunto, e ele devagar começou a andar em direção a porta. Mancava bastante, mas realmente conseguiu andar e passar pela porta. Eu apenas o acompanhei, pensando se este rapaz que me parece apenas alguém normal, que sofreu algo brutal, seria mesmo capaz de fazer algo como aquilo e simplesmente fingir ser inocente.

Por mais que eu saiba que psicopatas são capazes de fingir a este ponto, seu olhar não demonstra nem mesmo um pouco de mentira, e apesar das boas ações de pessoas manipuladores e psicopatas, os olhares deles são completamente vazios e não mostram nenhuma verdade, como os dele me parece mostrar. Contudo, só irei saber mesmo quando chegar na delegacia.

Eu o acompanhei até o saguão do hospital, passamos pela porta automática que foi aberta assim que ele chegou em frente a esta. Ele saiu sozinho, mesmo tendo quase caindo com foi o fazer. Segui-o apenas até o meu carro, e sabendo que ele estava tendo dificuldade em andar, abri a porta do passageiro para ele que me olhou um tanto desconfiado.

-Seu carro pessoal?

-O carro oficial está quebrado. — Digo. — Eu estou usando o meu por hora. Mas eu garanto, que vamos para a delegacia. Se quiser, eu mostro meu distintivo de novo.

-Não precisa.

Ele adentrou o banco do carona e eu fechei a porta. Dei a volta no carro, entrei. Coloquei a bolsa na parte detrás do carro, pus o cinto e dei partida no carro. Quis puxar assunto durante o percurso, mas fiquei em silêncio. Harley ficou em completo silêncio, olhando para frente, mas sem se focar em nada. Nem parecia estar realmente acordado apesar dos olhos abertos, como seu estado tivesse voltado a ser de choque.

Me dediquei a dirigir o carro e seguir o percurso para a delegacia. Mas vezes ou outra, olhava para ele e tentava entender sua expressão que permaneceu perdida e seus olhares que me parecem angustiados, era como se ele estivesse prestes a chorar a qualquer momento. Sua reação me parece genuína, me parece mesmo em choque por ter perdido aqueles que ama e até me parece que ainda não entendeu direito o que realmente aconteceu, como se a ficha não tivesse caído. Dá até pena saber que o depoimento pode trazer isto à tona de forma bruta.

Tentei mesmo não pensar nisto, mas ficou impossível quando chegamos em frente à delegacia. Ele nem se mexeu como se eu não tivesse parado o carro. O avisei que havíamos chegado, seu olhar ganhou vida de novo como se tivesse voltado ao mundo real. Olhou pela janela e suspirou longamente. Eu saí do carro primeiro, peguei a bolsa dele no banco de trás e esperei ele sair do carro, o que demorou um pouco para fazer, tanto fisicamente como psicologicamente, pois ele estava parado demais.

Esperei ele dar a volta no carro, subir na calçada e entrar na delegacia antes de mim. Tranquei o carro, e segui. Harley parou e me esperou, até que comecei o acompanhar. O levei direto para a sala de interrogatório, que é coberta por câmeras. Abri a porta para ele, e o deixei entrar sem lhe devolver a bolsa e o deixei lá, para esperar um pouco.

Tive o cuidado de olhar em sua bolsa, encontrei apenas roupas, um tênis em uma única peça e o celular, junto do tablet do mesmo. Ambos estavam com senhas e eu não posso mexer sem um mandado, só os guardei de volta na bolsa. Iria voltar para a sala e começar a o depoimento dele, mas fui chamado por Gael.

-Já me adiantei e pedi um mandado para as coisas dele. — Ele veio rapidamente até mim, me mostrando os papéis assinados do juiz.

-O celular e o tablet estão aqui. — Mostrei a bolsa que está comigo. — Ele está na sala do interrogatório.

-Devemos o informar então. — Gael passou por mim, com sua sede típica de investigação.

-Ok.

Entramos na sala de interrogatório, Harley estava sentado na cadeira, com as mãos apoiadas sobre a mesa, e de novo, seu olhar perdido que só veio em atenção quando Gael bateu a porta, ganhando a atenção dele.

-Harley, certo? — Gael perguntou por mim, um tanto grosseiro.

-Sim. — Respondeu ele, um pouco avoado.

-Bem antes de qualquer coisa, temos um mandado de apreensão para todas as suas coisas, como o seu celular, e todos os aparelhos eletrônicos que tiver em sua casa ou em sua posse.

-Por que isto? — Indagou surpreso, mas sem parecer ofendido.

-Eu estou apenas avisando. — Gael rebateu. Colocou a bolsa sobre a mesa, abriu e tirou de dentro os aparelhos. Chamou um outro policial que veio e levou os aparelhos embora. — Sua bolsa está aqui, seu celular e tablet ficarão confiscados. — Devolveu a bolsa para ele, que apenas nos olhava surpreso e ainda perdido.

-Eu sou suspeito?

-Vamos começar. — Gael não respondeu, e seguiu direto ao assunto. — Tudo vai ser gravado, está ciente disto?

-Sim. — Replicou.

Eu puxei a cadeira a sua frente, e sentei. Gael ficou de pé.

-Vamos começar do início, aonde você estava entre às 18:00 até a 01:00? — Gael foi direto.

-Na faculdade.

-Passou todo o tempo lá? Não saiu um segundo? — Gael perguntou duro.

-Eu estudo administração e trabalho na biblioteca da faculdade.

-Tem como provar isto? — Don atacou de novo, dando uma de policial mau.

-Eu acho que sim.

-Têm câmeras ou pessoas que possam confirmar o que você diz? — Fiz a pergunta de forma mais objetiva.

-Sim.

-Ok. — Resolvi continuar. — Tem inimigos?

-Não que eu saiba.

-Ex-namorada?

-Não.

-Ex-namorado?

-Também não. Faz um tempo que estou sozinho.

-E seu irmão?

-Ele estava namorando uma garota, mas terminou a alguns meses.

-Você é gay, certo? — Gael jogou, sondando se havia briga na família por qualquer motivo.

-Sim....

-Seus pais sabiam disto?

-Sabiam... Eles sempre me apoiaram.

- E seu irmão?

-Também.

Eu voltei a fazer as perguntas, tentando ser normal e duro ao mesmo tempo, sem exagero.

-Aconteceram brigas recentes?

-Não.

-Não mesmo? — Insisti.

-Meu irmão trabalha muito, meu pai também... Eles trabalhavam muito. Minha mãe que ficava mais em casa....

-E você?

-Eu fico das dez horas da manhã até a 02:00 da manhã na faculdade, às vezes mais.

-Algo mais?

-Eu quase sempre chego atrasado.

-Por quê?

-Cansaço e a faculdade é longe da minha casa.

-Seus pais tinham seguro de vida? — Gael lançou outra pergunta indiscreta e de forma severa.

-Não, eu acho que não.

-E eles tinham inimigos?

-Eu não sei.

-Como não?

-Meus pais nunca falavam da vida pessoal a ponto de comentar sobre brigas, ou coisas assim. E Lu não brigava com ninguém.

-Eles estavam diferentes ultimamente?

-Não... Eu saí de manhã para ir para a faculdade, e todos estavam bem... Meu pai iria trabalhar, estava fazendo um café da manhã para nós e minha mãe iria ficar em casa, trabalhando como sempre.

-E seu irmão?

-Ele ia se encontrar com uma cliente.

-Sabe quem é?

-Não. Mas ele anotava tudo em suas agendas.

-Você sabe muito pouco para ser membro de uma família que era tão unida, né?! — Comentou Gael com sarcasmo. 

-Eles realmente não comentaram sobre algum problema ou discussão? — Cortei, sendo direto.

-Não. Meus pais nunca quiseram nos sobrecarregar.

-E o resto da família?

-Meus avôs não se davam bem com meu pai e meus pais se mudaram para cá depois de uma briga quando éramos crianças ainda.

-Eles são vivos?

-Não. Morreram de doenças anos atrás.

-Ok. Bem, conte agora o que aconteceu naquela noite.

-Eu cheguei em casa depois da faculdade e encontrei todas as luzes apagadas... Eu achei estranho, meus pais dormiam tarde e Lu sempre... Sempre estava assistindo filme de terror em seu quarto. Mas eu achei que eles foram dormir cedo pelo evento que teria no restaurante do meu pai no seguinte. Fui até meu quarto e iria para a cozinha, mas percebi algo estranho ao passar pelo quarto dele. Abri a porta e... E vi eles daquele jeito... — Harley não conseguia mais se segurar. Seus lábios trêmulos se transformaram em um choro compulsivo e expressivo, que Gael observava com certa indiferença.

Eu, ao menos, dei um tempo a mais para ele e o deixei continuar sozinho.

-Eu saí do quarto para chamar a ajuda e... Senti uma dor forte nas costas, meu corpo caiu e de repente, tudo que eu senti foi dor e tudo que eu vi foi uma mão vindo em direção ao meu rosto e mais dor... Estava tão escuro e eu não podia ver quem era... Mas era pesado. Me lembro de sufocar com o peso dele em cima de mim. Me lembro de lutar contra, mas era muito mais forte do que eu. A dor começou a me paralisar e...

-E depois?

-Ouvi o som de algo que não sei o que era e ele saiu de cima de mim, depois só me lembro de acordar no hospital. — Ele parou de falar, chorando de novo.

Harley começou a tremer como se fosse ter um ataque a qualquer momento. Tivemos que fazer uma pausa. Fui buscar um pouco de água para ele e retomamos depois de um tempo. Gael resolveu tomar as rédeas em seguida.

-Me diga uma coisa, Harley. — Eu sabia que não teria uma forma fácil de fazer uma pergunta destas, então só me restava era ser direto. — Você mataria seus pais?

-Como? — Ele ficou completamente indignado.

-Ouviu a minha pergunta. — Rebti. Como eu tinha que fazer meu trabalho, também segui este lado de fazer as coisas, embora eu não goste.

-Você matou seus pais? — Eu repeti a pergunta.

-Não! Eu nunca faria isto. — Respondeu exaltado.

-Será mesmo? Não existem famílias perfeitas. — Gael jogou em cima dele de novo, com grosseria.

-Claro que tínhamos problemas, mas eu nunca faria mal a eles.

-Hm... Me diga, uma coisa; quanto você fica pega de herança com a morte dos seus pais? Tem muita coisa, o dinheiro, a casa e o que mais?

-Eu não fiz nada!

-Então resposta à pergunta.

-Eu não fico com tudo. Meus pais tinham alguns sócios.

-Quem?

-Eu não sei.

-Então está mentindo?

-Não! — Disse exaltado. — Eu trabalho. Ganho meu dinheiro.

-Mas não o suficiente para pagar a faculdade, não é? — Gael perguntou grosseiramente.

Eu fiquei quieto, deixando ele agir da forma como achava que deveria. Mesmo que o caso seja meu, Gael sempre se coloca mais nos interrogatórios de crimes violentos, por conseguir ser o cara mal, enquanto eu faço o papel de bom.

Algo muito clichê, mas que já funcionou muitas outras vezes. Sabendo disto, eu deixei tudo acontecer e também o pressionava de vez em quando, mas ele sempre me olhava como se esperasse em mim um apoio que nesta posição e neste momento eu não poderia dar.

-Não. Mas eu nunca os machucaria... Eu...

-Conhece alguém que possa querer os machucar? — Indaguei para ele.

-Não também. Eu já disse! — Respondeu, sem me olhar.

A partir deste momento, o interrogatório tomou uma ação mais drástica, com perguntas evasivas e grosseiras, que fez Harley perder o controle e chorar muitas vezes. Ele recontou toda a história em detalhes por mais de dez vezes e sempre negava qualquer participação no crime.

Eu fiquei com pena dele.

Gael estava sendo duro, fazendo muita pressão e eu mesmo tive que o fazer. Harley nunca mudava sua história e depois sete horas exaustivas de interrogatório, ele aceitou fazer o teste do poligrafo. No qual passou com total sucesso. Sem provas e com quase tudo indicando sua inocência, o liberei para ir. Ele apenas pegou a sua bolsa e saiu, mas antes de sair, me lançou um olhar magoado, e até bateu no meu ombro ao passar por mim, deixando claro que eu o havia machucado e até que estava sendo injusto com ele, e mesmo que seja por razões maiores, sei que fui mesmo sem ter escolha.


Notas Finais


Até o Próximo!


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