História Interplanetar - Capítulo 9


Escrita por: ~ e ~yehethesis

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Astronaut!exo, Daeho, Exo, Hunbaek, Intp, Kaisoo, Lightsaber!au, Ot12, Sebaek, Sing For You!au, Suchen
Visualizações 34
Palavras 10.832
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Científica, Lemon, Romance e Novela, Sci-Fi, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E retornamos com mais um capítulo de Interplanetar! Depois de 84 anos!
Perdoem meu atraso, há mais de um motivo por trás dele, mas um deles é algo importante que eu estou planejando porque gosto de planejar coisas e não paro quieta nunca ashiasha. O outro é uma fatalidade do primeiro rs.
Enfim, não vou enrolar mais. Boa leitura!

Capítulo 9 - Quartzo Rosa


Fanfic / Fanfiction Interplanetar - Capítulo 9 - Quartzo Rosa

Uma semana.

Esse era o tempo que faltava para o lançamento.

Agora, mais do que nunca, as coisas estavam corridas para a classe 1.485-E. A supervisora da Shiron, Lee Sunmi, deslocou os garotos dos dormitórios separados em duplas para um dormitório único, com seis beliches espalhados pelo quarto e um banheiro extenso.

Eles dividiam dormitórios e, em alguns casos, boxes de chuveiro, e os treinamentos haviam passado de “separados por categoria e função” para todos juntos. A sala de treinamento era a mesma que a de simulação, e tudo parecia um caos, com os pilotos tendo aula de um lado e os engenheiros do outro, os enfermeiros correndo pra lá e pra cá com equipamentos médicos e os avantes mostrando suas técnicas de combate aos professores, enquanto os tripulantes conversavam com um mapeador estressado, tentando acalmá-lo, e os professores faziam circuitos de simulação x aula.

Era caótico como o Inferno, mas também era uma boa tática de união; no mesmo ambiente, fazendo tudo ao mesmo tempo, eles acabavam aprendendo um pouco de cada coisa.

Um exemplo disso era Jongdae, que havia sido liberado do treinamento com Jongin para ajudar os engenheiros a ligar uns fios, enquanto Yixing limpava o sangue escorrendo de seus lábios até seu queixo e cuidava de um ou outro ferimento leve que houvesse em sua pele.

Ou Sehun, que deixou Kris em seu lugar de co-capitão e estava ajudando Kyungsoo com os mapas holográficos, porque, bem, ele conhecia o Espaço melhor que qualquer um daquela tripulação, mesmo que nunca houvesse saído da Terra.

Chanyeol e Baekhyun estavam ocupados com a manutenção dos motores da nave na sala de controle, enquanto os comandantes cuidavam da pilotagem. Era uma simulação, mas, mesmo assim, eles não podiam cometer erros.

Baekhyun segurava o manual – complexo – de instruções dos motores em mãos, enquanto Chanyeol verificava as sequências de luzes e os painéis que indicavam a estabilidade e temperatura dos motores. Até ali, tudo estava indo bem.

“Inclinação de 90°.” Tao informou, apertando o botão para regular a gravidade do foguete. “Como estão os motores?”

Chanyeol fez um sinal de positivo para Baekhyun, que voltou-se para o capitão e disse que estava tudo ok.

“Rota?” Kris pediu, apertando o botão do comunicador da sala de controle, que lançava o sinal para os outros tripulantes da nave.

“Sete mil e trezentos Ízitos a 90° oeste.” A voz de Kyungsoo ecoou, livre de estática, pelo recinto. “Em direção à Júpiter.”

Tao girou uma das manivelas que regulavam a intensidade dos motores, e, mesmo que aquilo tudo não fosse real, eles puderam sentir a pressão suave da curva, como se a nave houvesse realmente virado para a esquerda. Era impressionante, de certa forma.

“Se não estivéssemos em uma simulação,” Kris começa, um sorriso largo surgindo em seus lábios. Ele parecia orgulhoso, satisfeito. “Chegaríamos a El Dorado em cerca de duas ou três horas terrestres.”

Os capitães relaxaram contra seus assentos, soltando os cintos e observando os painéis indicando a rota da nave e todas as outras coisas importantes que ainda eram bastante complexas para a cabeça cansada de Baekhyun.

Simulação encerrada, uma voz metálica ecoou pelo foguete, alertando a tripulação que eles haviam passado nela com uma luz verde piscando sobre suas cabeças.

Baekhyun sorriu em resposta ao sorriso de Chanyeol, que apertou seu ombro e acenou para os dois homens atrás dos painéis de pilotagem, para que saíssem da cabine e voltassem para a área da tripulação, onde já havia virado um hábito se encontrarem ao fim das simulações.

Alguém – provavelmente um dos professores – havia traçado uma linha no chão, para que a tripulação pudesse se emparelhar antes de a porta ser aberta e eles descerem para ser parabenizados – ou levar esporro – de quem estivesse ali fora.

“Bom trabalho.” Sehun sorriu, dando um passo a frente para apertar a mão de Tao. Nas simulações, eles eram bastante formais, mas, fora delas, os contatos e risadas aumentavam e a casualidade era sempre despreocupada, tornando óbvio que eles estavam sempre confortáveis com a presença um do outro.

Depois que Sehun foi transferido do quarto que compartilhava com Chanyeol para a área de dormitório dos doze, ele passou a dividir o beliche com Jongdae, mas seu companheiro da cama ao lado era Tao e, por serem os capitães da tripulação, eles passavam bastante tempo juntos e se davam relativamente bem.

Chanyeol sentia um pouco de raiva disso, porque o irmão havia parado de falar – o tempo todo, pelo menos – consigo para falar com Tao, e apesar de que, no começo, ele não quisesse muito contato, a única outra pessoa ali com quem ele tinha alguma intimidade era Baekhyun e, bem, não falaria com o menor sobre as coisas que costumava falar com Sehun, mas também não puxaria o irmão de perto do chinês para tagarelar por horas a fio sobre coisas “banais”. Ele meio que estava ficando sozinho nessa, e a ideia de encontrar outra pessoa para ser sua confidente parecia cansativa demais.

A tripulação apertou as mãos uns dos outros – ainda havia tensão entre Baekhyun e Sehun e Kris e Joonmyun, isso era óbvio como um tapa – antes de Jongdae abrir a porta e dar um chute leve na perna de Baekhyun para que ele parasse de fuzilar o Park mais novo com o olhar e descesse logo.

Ao fim das simulações, alguém sempre ficava por último, verificando se estavam todos bem, e, dessa vez, quem ficou foi Jongdae, por ter aberto a porta. Joonmyun foi a penúltima pessoa a saltar para fora, esbarrando – de uma forma proposital que não pareceu proposital mas que Jongdae sabia que era proposital – a mão no quadril do loiro, que fez uma careta para o gesto, arrancando um sorriso divertido do menor.

Eles estavam nessa há uma semana, se agarrando pelos cantos quando tinham vontade, fazendo sexo no chuveiro de madrugada e esbarrando-se um no outro de formas sutis que, para o restante da tripulação, só dava a entender que eles eram bastante amigos. Bem, pelo menos o restante da tripulação, fora Yixing e Kris, que, acostumados com a presença um do outro, falavam sobre as coisas, e uma delas era a relação que os dois Kim tinham. Yixing apostava que era algo a mais que amizade (na verdade, ele tinha certeza), mas Kris preferia acreditar que eles eram só amigos (principalmente porque eles serem só amigos facilitaria muito as coisas). Os dois chineses trocaram olhares ao ver os sorrisos dos dois, mas não comentaram nada.

Diante da tripulação estava Lee Donghae.

Ele era algo como um CEO da Shiron, um homem de traços leves e cabelos claros que vestia preto e raramente aparecia para alguma coisa. Mas bem, ele estava ali agora, olhando atentamente para os rapazes da Classe 1.485, e não estava sorrindo.

Sehun, que já conhecia o homem, olhou ao redor, buscando por algum professor ou instrutor, mas não havia ninguém além deles na sala de simulação. O ambiente era pesado com silêncio, porque apesar de que os outros – com exceção de Tao, talvez – não soubessem quem o homem era, eles perceberam que ele era importante, por ser a única pessoa na Shiron usando preto, além do uniforme de Kyungsoo, que parecia mil tons mais claro que as roupas de Donghae.

“Classe 1.485.” Disse, franzindo os lábios e colocando as mãos para trás das costas. “Exo…” Ele parecia estar testando o som do apelido que Sunmi dera para a classe, experimentando a forma como ele soava quando pronunciado. “Eu imagino que vocês, com exceção do sr. Oh, não saibam quem eu sou.”

Sehun sentiu a tripulação olhar de soslaio para si, mas preferiu ignorar, encarando Donghae com a cabeça levemente abaixada, em sinal de respeito, como todos os outros.

“Meu nome é Lee Donghae.” O homem apresentou-se, trazendo uma das mãos para frente do corpo e acenando para os rapazes, indicando que eles já podiam ajeitar a postura e parar de encarar o chão com as cabeças abaixadas. “Sou líder, cofundador e CEO da Shiron, chamem como quiserem, e eu estou aqui porque, uma vez por ano, quando novas turmas se formam e são enviadas ao Espaço, eu escolho aquela com o pior desempenho para supervisionar e, bem, vocês obviamente foram a minha escolha certa.”

A Exo já estava tão acostumada a ouvir aquilo dos professores que nem se envergonharam ou qualquer coisa do tipo, apenas assentiram, quase simultaneamente.

Donghae fez uma longa pausa, segurando o suspense e a tensão nos ombros, demorando-se ao observar fixamente os rostos de cada tripulante com uma minúcia invejável, esquadrinhando seus traços como se fosse um computador gravando tudo o que via.

“Vocês me surpreenderam.” Ele disse, por fim, a voz tranquila, apesar de firme, e o rosto mostrando mais suavidade que rigorosidade. “Nós não costumamos falar isso aos nossos astronautas em treinamento, mas fazemos um ranking em tempo real do desempenho de cada turma, e bem, para uma classe que estava tão lá embaixo… vocês subiram rápido e com fluidez direto para o primeiro lugar. Meus parabéns, Exo, vocês são a classe mais bem-sucedida da Shiron até agora.”

Ele exibiu um sorriso leve para as expressões surpresas dos tripulantes, antes de juntar as mãos em frente ao corpo e curvar-se diante deles.

Os rapazes estavam tão incrédulos que eles simplesmente não se moviam, permanecendo lá parados, apenas respirando e encarando o CEO com milhares de dúvidas nos olhos, mas ainda mais incredulidade, surpresa, porque… aquilo era mesmo possível? Eles terem chegado tão alto em tão pouco tempo? Aquilo era o resultado do trabalho em equipe? O CEO, que era o homem mais importante das Indústrias do Novo Amanhã ali, curvado diante deles, era um símbolo de que eles haviam feito tudo certo?

“Há uma cerimônia esta noite, para parabenizá-los pelo esforço e perseverança em seu trabalho como um grupo de doze pessoas, mas como um só também.” Donghae continuou, ajeitando a postura e a gravata. “Novamente, meus parabéns, Exo, vocês são oficialmente astronautas da Shiron. A partir de hoje começa a fase de preparo para o lançamento. Estejam prontos para tudo.”

Os tripulantes levaram as mãos em direção às próprias testas, batendo continência para o homem, que sorriu para a atitude disciplinada deles, antes de dar-lhes as costas e sair da sala com uma expressão orgulhosa no rosto.


 

. . .


 

O almoço, que era para ser algo tranquilo, virou uma junção de todos os doze garotos em uma mesa para no máximo oito pessoas, resultando em cotovelos se esbarrando e bandejas se chocando.

Apesar de que aquilo não era lá muito agradável, eles não estavam exatamente reclamando.

“Sehun.” Tao chamou, empurrando a caneca de água na direção do mais novo. Ela bateu na borda do prato e quase derramou o líquido sobre a comida do rapaz, que encarou o chinês com uma expressão incomodada. Tao deu de ombros, despreocupado. “Aquele cara, o CEO. De onde você conhece ele?”

Sehun fez um bico, revirando a comida com o garfo. Apesar de que noventa por cento de Nova Seul comece e fizesse comida ruim, a Shiron tinha sempre o melhor do melhor; as frutas e verduras eram frescos, os pães eram sempre quentinhos, e a carne era macia. Tudo na Shiron era melhor, mas bem, tinha um motivo para isso.

“Ele era amigo do meu pai.” Sehun contou, levando um pouco de comida à boca. A mesa ficou silenciosa quando todos pararam o que estavam fazendo e olharam para Sehun, pela segunda vez no dia. “Meu pai biológico.” Explicou a Chanyeol, que estava lhe encarando com as sobrancelhas erguidas. “Foi o Donghae quem me mandou para morar com você e seu pai, Yeol. É por isso que eu conheço ele.”

Chanyeol, que estava sentado do outro lado da mesa, ao lado de Tao, inclinou a cabeça, estendendo a mão para pegar a de Sehun, e esperando que ele não rejeitasse o toque. Sorriu quando sentiu o mais novo apertando seus dedos, de forma breve, antes de soltar-lhe e voltar para sua comida.

O silêncio prevaleceu, mas, em meio a ele, havia uma cacofonia de pensamentos dentro da cabeça de Baekhyun, que observava Sehun de uma forma que ele esperava ser discreta, buscando no rosto do mais velho qualquer coisa que indicasse alguma emoção mais intensa que a indiferença habitual. Mas não havia nada.

Sehun, sentindo o rosto esquentar, olhou para cima, na direção do Byun. Ele esperava que o outro desviasse o olhar, mas ele o sustentou, encarando seus olhos diretamente.

Pela primeira vez, foi Sehun que olhou para longe.


 

. . .


 

“Eu preciso conversar com você.”

Joonmyun estava sentado na cama de baixo do beliche, lendo um livro qualquer sobre fantasia para passar o tempo, as pernas esticadas sobre o colchão e as costas apoiadas contra os travesseiros, quando Kris se aproximou, uma expressão séria estampada em seu rosto. Ele estava usando as roupas de descanso – para variar, brancas – da Shiron, que tinham um tecido leve e confortável, parecendo pronto para dormir.

“Hum.” Era óbvio que Joonmyun não estava nem um pouco a fim de conversar com ele. Na verdade, ele estava lidando melhor – graças a Deus – com sua presença ultimamente, mas não significava que eram amigos ou que conversavam livremente sobre as coisas. Ainda havia muito ódio por parte do Kim, mesmo que Kris pensasse que não.

Ele fora atrevido o bastante para sentar na beirada da cama, ao lado das pernas nuas do menor, que levantou os olhos das páginas do livro para encará-lo com uma sobrancelha erguida.

“Eu disse que preciso falar com você.” Kris insistiu, as mãos apoiadas sobre as pernas, encarando Joonmyun de forma insistente, mas sem olhar para seus olhos, como se tivesse medo, ou algo do tipo, que o menor voasse em seu pescoço se passasse do limite. “Nós somos oficialmen-”

“E eu disse hum.” Joonmyun cortou, fechando o livro sem marcar a página onde estava e o deixando de lado na mesa de cabeceira. “Não quero falar com você, muito obrigado, mas já pode ir.”

Kris revirou os olhos, estendendo a mão para segurar o pulso do menor, que puxou o braço, trazendo-o para perto do peito ao cruzá-lo com o outro.

“Você não pode deixar de ser infantil por um minuto e conversar comigo civilizadamente?” Reclamou o chinês, os lábios franzidos em irritação. Não era a primeira vez que ele perdia a calma com o Kim, mas era a primeira que falava o que não devia.

Joonmyun fez uma careta.

“É a segunda pessoa que me diz isso.” Resmungou baixo, suspirando e puxando as pernas para cima, os joelhos flexionados.

“E quem foi a primeira?” Kris quis saber, a cabeça meio inclinada. O Kim sabia que ele tinha aquele hábito quando estava confuso ou reflexivo. Era um porre saber tanto sobre um cara que ele odiava? Muito, mas não havia opções. O passado estava marcado nos dois, tornando óbvio que eles não haviam mudado porcaria nenhuma em anos.

“Jongdae.” O menor disse, dando de ombros para a expressão vazia do mais velho.

Kris fez um bico.

“Mas você não odeia ele.” Resmungou baixo, encarando diretamente os olhos do menor desta vez. Não era um desafio, mas para Joonmyun soou como um.

O Kim sorriu.

“Claro que não.” Afirmou, mordendo o lábio brevemente, enquanto pensava se dizia ou não o que queria dizer ao mais velho. “Ele é meu namorado. Não faria sentido odiá-lo.”

A cara que Kris fez foi impagável, a surpresa estampada em seu rosto, mas, junto a ela, a confirmação. Yixing estava certo, afinal. Quer dizer, Kris sabia o tempo todo que sim, mas… era diferente ouvir aquilo da boca de Joonmyun. Era diferente saber que era verdade, em vez de apenas deduzir. Ele se afastou um pouco, apoiando os cotovelos nos joelhos.

“Namorado?”

Ótima hora para você aparecer, Joonmyun pensou ao encarar o Kim mais velho, parado a alguns passos de distância de sua cama, uma jaqueta em mãos e os pés descalços. O cabelo estava desgrenhado e úmido, indicando que ele havia acabado de sair do banho.

Kris olhou de Joonmyun para Jongdae algumas vezes, curioso sobre a reação do loiro e a expressão simplista no rosto do mais novo.

“Quando eu fui avisado que tínhamos um relacionamento?” O loiro questionou, deixando a jaqueta branca sobre a cômoda que dividia com Sehun, duas camas à esquerda da de Joonmyun. “Porque até agora eu não sabia de nada.”

O menor fez um bico para a atitude sincera do mais velho, mas, mesmo que ele não concordasse consigo e tornasse bastante óbvio que não gostava de mentiras relacionadas a sua pessoa, Joonmyun preferiu não tentar consertar as coisas. Se tentasse, provavelmente acabaria piorando tudo. Ainda assim, ele tinha uma resposta para aquilo na ponta da língua.

“Você não sai com outras pessoas e eu não saio com outras pessoas.” Começou, jogando as pernas para fora da cama e apoiando as mãos no colchão, o corpo todo voltado para o Kim mais velho, enquanto Kris observava a cena, curioso sobre a reação que o loiro teria diante daquilo tudo. “Eu não acho que seja por falta de opções, e nós estamos relativamente próximos quase o tempo todo. Oficialmente ou não, eu acho que você é meu namorado, sim, então eu meio que te trato como se fosse. E a menos que você trate suas transas fixas da mesma forma, eu acho que você me considera um namorado também.”

“Transa fixa?” Kris interveio.

“Não é problema seu.” Jongdae replicou, firme, apesar da tranquilidade em sua voz. “Quanto a você, garotinho, vem cá.” Ele chamou o menor com os dedos, indicando que ele deveria segui-lo ao sair do dormitório, indo para o corredor lateral.

Joonmyun foi atrás, claro.

E Kris ficou sozinho ali, completamente confuso em relação àqueles dois.

No corredor, Joonmyun apoiou as costas contra a parede, observando o movimento calmo das pessoas lá fora, no jardim central. Mesmo dali onde estava, era possível ver Chanyeol e, ao seu lado, Kyungsoo. O maior era identificável pela cor berrante dos cabelos, e Kyungsoo era quem costumava andar a esmo com ele às vezes, quando precisavam de companhias que aceitassem o silêncio uma da outra. Já era comum para eles ficar em silêncio por aí. Para Chanyeol, era um pouco torturante, porque abria brecha para pensar em tudo, mas para Kyungsoo era como ter paz, finalmente. Jongin era uma cacofonia de sons, gestos, cheiros e palavras e perguntas e isso às vezes era demais para a cabeça do Do.

Do outro lado do corredor, um Baekhyun pingando água, com uma toalha em mãos para secar o peito e os cabelos voltava da piscina, andando rapidamente – mas com cautela para não escorregar no piso novamente – em direção aos banheiros. Ele lançou um olhar de suspeita para os Kim parados ali, perigosamente próximos um do outro, mas preferiu não comentar, apenas seguindo seu caminho.

“Você vai brigar comigo de novo?” Joonmyun questionou, inclinando a cabeça para trás, contra a parede, a fim de olhar mais diretamente para o loiro.

Jongdae suspirou ao ouvir o resmungo, lembrando da última briga que tiveram, porque Joonmyun estava fazendo drama demais por coisas de menos, como era o habitual.

“Só quero saber por que você anda afirmando coisas sobre nós sem me consultar antes.” Replicou, por fim, apoiando um ombro na parede ao lado do menor, os braços cruzados sobre o peito e a respiração batendo na bochecha do moreno. “Será que você não sabia que para um namoro acontecer as duas pessoas precisam estar cientes?”

Joonmyun sorriu, divertido. “É, tô vendo que você vai brigar comigo.”

O loiro revirou os olhos, se afastando da parede para ficar na frente do mais novo, estendendo a mão para segurar o queixo dele com dois dedos.

“Não vou brigar com você, Joonmyun, só estou te avisando pra não me envolver nas suas merdas.” Explicou, soltando o mais baixo e se afastando um passo.

O moreno deu um passo a frente, buscando proximidade e se esticando na ponta dos pés para deixar um beijo molhado no canto da boca do loiro, antes de se afastar e se encaminhar de volta para o dormitório.

“Tarde demais.”


 

. . .


 

Baekhyun havia deixado uma trilha de pegadas no chão de pedra áspera do banheiro espaçoso, enquanto andava por ele em busca de algum box de chuveiro ainda quente. Esperar a água aquecer de novo levava cinco minutos, e o Byun não tinha todo esse tempo para ficar molhando tudo e esperando.

Na segunda volta pelos boxes, acabou por encontrar um deles ocupado, com vapor escapando por debaixo da porta de vidro fosco. Bateu com as juntas dos dedos na superfície lisa duas vezes, perguntando se podia entrar, antes de ouvir a confirmação.

Obviamente que o Byun sabia que era Sehun ali, porque o uniforme vermelho pendurado do lado de fora do box indicava isso claramente. Ele sabia que era o Park e não Tao porque o chinês estava na sala de simulação ainda, tentando bater um recorde besta depois de todos terem sido liberados da aula de Sobrevivência a um Desregulamento de Pressão Subaquática, onde metade da tripulação quase morreu afogada da primeira vez, mas na segunda conseguiram escapar ilesos. A explicação de Taeyong e Jonghyun foi que, às vezes, uma falha nas bombas de resfriamento do foguete podem fazer com que a água retida (e criada) dentro deles transborde para a parte interna da nave, onde os tripulantes ficam, e então todo mundo pode morrer afogado, eletrocutado, cozido ou pela queda de pressão devido ao deslocamento que o peso da água causaria.

Os professores não brincavam quando diziam que todos os tipos de morte eram possíveis no Espaço, e bem, as coisas eram bastante criativas por lá.

O negócio era que Baekhyun sabia que o Park estava nos chuveiros e já vinha buscando uma oportunidade para chegar perto dele de novo há uns dias. Ele sabia que a culpa era sua por ter se afastado e o rejeitado todas as vezes em que ele havia tentado conversar consigo, mas precisava de espaço para pensar em algumas coisas e colocar as ideias no lugar. Agora que havia feito isso, queria uma reaproximação, nada demais, apenas para saber se ele estava bem ou precisando de alguém para conversar, afinal essa era a sua função na nave. Então, por algum motivo, invadir o box em que Sehun estava pareceu uma ideia brilhante na cabeça do loiro.

Ele deslizou para dentro do espaço cúbico não exatamente espaçoso mas não pequeno demais, e fechou a porta atrás de si, não esperando nem um segundo antes de se despir completamente, deixando as roupas molhadas no canto do box, consideravelmente longe do ralo.

“Pensei que não quisesse contato comigo.” Sehun disse em um tom baixo, enfiado sob os jatos d’água, enxaguando xampu dos cabelos escuros. “Por que mudou de ideia?”

“Água quente.” O Byun respondeu, esperando que o moreno lhe desse espaço para tomar banho também. Ele se afastou depois de tirar a espuma do cabelo e estendeu a mão em direção ao sabonete, entregando-o para Baekhyun e esperando que ele se lavasse, as costas apoiadas contra a parede gelada e olhos voltados para o rosto do mais baixo, não para qualquer outra parte do corpo que ele estivesse exibindo despudoradamente. “Eu não queria esperar para tomar banho.”

“Hum.” O Park murmurou, desacreditado. Ele conhecia Byun Baekhyun – mesmo que ele houvesse mudado um pouco nas últimas semanas –, e o loiro poderia enganar qualquer um, mas nunca conseguiria fazer o mesmo com ele. “Desembucha. Eu sei que você tá querendo alguma coisa.”

Baekhyun riu, abaixando um pouco a cabeça para não entrar água no nariz enquanto se enxaguava, os olhos fechados, mas seu corpo reagindo a presença de Sehun, tão perto de si. Ele sabia que o Park não tentaria nada sem sua permissão, mas, por um breve momento, quis que ele tentasse. Que o agarrasse e o beijasse e o tocasse, em vez de só ficar ali no canto, imóvel e evitando encarar a bunda do Byun exposta para si.

Sehun era um homem que gostava de homens, mas às vezes parecia que não, como se ele se fechasse em um casulo de frigidez e ignorasse qualquer coisa com teor sexual. Isso era um pouco irritante, pelo menos para Baekhyun.

“Na verdade, eu queria saber se você está bem.” O loiro esclareceu, empurrando os cabelos para trás e enxugando a água dos olhos com as mãos ao se afastar do chuveiro, dando espaço para Sehun novamente. “É minha função na nave, você sabe como é.”

O moreno balançou a cabeça, fazendo uma careta para a mentira óbvia do mais baixo.

“Se você está curioso sobre mim, basta perguntar.” Informou, olhando por cima do ombro para o Byun, que estava observando suas costas, mas ergueu o olhar para o seu assim que sentiu-se sendo encarando. “Eu não vou mandar você se foder ou algo parecido. Embora às vezes dê vontade.”

Baekhyun semicerrou os olhos.

“Você tem vontade de mandar eu me foder?” Questionou, cruzando os braços sobre o peito liso. Ele passava bastante tempo no Sol, e sua pele estava pegando uma cor mais para o bronzeado, apesar de ser – ainda – claro demais para se notar a diferença se ele estivesse vestido.

“Constantemente.” Sehun disse, voltando-se para o loiro com o rosto livre de expressões.

O Byun inclinou a cabeça, estendendo uma das mãos para tirar fios de cabelo da frente dos olhos do mais velho.

“E vontade de me foder, você não tem?” Decidiu provocar, sorrindo docemente para o mais alto, cuja expressão havia mudado de indiferente para curiosa. Ele estava se perguntando o que diabos Baekhyun queria dizer com aquilo.

Sehun ficou em silêncio por tanto tempo que o loiro terminou de lavar o cabelo e apertou o botão para desligar o chuveiro, cessando a água. Ele só foi perceber que o menor estava pronto para ir embora quando o mesmo abriu a porta do box e pegou a toalha pendurada ali fora, enrolando-a na cintura antes de voltar-se para si novamente, sem sorrisos ou expressões alegres.

“Quem cala consente, Park Sehun.” Afirmou ele, e deixou o lugar em silêncio.


 

. . .


 

“Chamada.” Minho alertou, no começo do treinamento vespertino, segurando uma prancheta em mãos e esperando que a Exo se apresentasse devidamente para o treinamento do dia. “Classe 1.485.” Os rapazes se curvaram, quase ao mesmo tempo. “Começando pelos capitães: Huang Zitao, Oh Sehun?” O professor rabiscou alguma coisa quando eles marcaram presença dando um passo à frente. “Mapeador: Do Kyungsoo?”

“Aqui.”

Outra marcação na folha de papel sobre a prancheta.

“Enfermeiros: Wu Yifan, Zhang Yixing?” Ele ergueu o olhar para os dois chineses, que assentiram brevemente, parados lado a lado, como pedia a formação do dia, separados por função. “Engenheiros: Kim Minseok, Lu Han?”

O único a responder foi Minseok, algo que chamou a atenção de Minho. O homem ajeitou os óculos e levantou as sobrancelhas para o engenheiro presente, pedindo uma explicação.

“Acho que ele só se atrasou um pouco.” Minseok deu de ombros, fazendo um bico e esperando que eles não fossem punidos por aquilo.

Mas obviamente que haveria uma punição, afinal falta de pontualidade era considerado um problema sério para o pessoal da Shiron. Ao lado de Minho, Hyunah, a outra professora da aula de Segurança da Tripulação, olhava de forma severa para os meninos, anotando alguma coisa em sua própria prancheta, provavelmente rebaixando-os de classificação.

“Vocês são uma equipe.” Ela disse, abaixando a prancheta, deixando-a com a folha voltada para dentro e próxima do corpo. “Se um de vocês comete um erro, as consequências servem para todos. Menos cinco pontos pela falta de pontualidade do seu colega.”

A classe assentiu, preferindo não discordar ou demonstrar qualquer tipo de coisa que fosse contra aquilo.

“Tripulantes: Byun Baekhyun, Kim Joonmyun e Park Chanyeol, todos presentes?” Minho prosseguiu com a chamada, anotando mais coisas em sua rancheta quando os três rapazes assentiram. “Avantes: Choi Jongin e Kim Jongdae?”

Os dois assentiram, mas os olhos da maioria dos presentes se voltaram para Jongin, que estava agindo normalmente em relação àquilo. Kyungsoo ergueu uma sobrancelha ao ser encarando pelo moreno, esperando uma explicação, mas ele apenas deu de ombros.

Choi Jongin?, Kyungsoo pensou, retornando à posição anterior e esperando que os professores informassem o que eles deveriam fazer em seguida. Que raios aquilo significava? Ele não era Kim Jongin?

Os pensamentos do Do foram interrompidos por uma porta sendo aberta estrondosamente. O rapaz de cabelos cor de rosa entrou com um sorriso enorme no rosto, o uniforme cinza levemente amarrotado e olheiras sob os olhos claros. Ele parecia extremamente contente, curvando-se em um pedido formal de desculpas pelo atraso.

“Espero que haja um bom motivo para você chegar atrasado, Xiao.” Sehun comentou calmamente, dando um passo para o lado para que o rapaz tivesse espaço ao lado do outro engenheiro.

“Depois eu te conto.” Han sussurrou, aquele sorriso ainda plantado em seus lábios.

Não muito longe dele, Jongin permanecia imóvel, pensativo a respeito do apelido que ouvira, porque bem, ele era tão familiar… pelo menos parecia ser familiar. Talvez ele estivesse apenas delirando, juntando coisas com outras que não fazem sentido algum.

“Muito bem.” Hyunah assumiu, dando um passo a frente e fazendo o som dos saltos de suas botas ecoarem pelo recinto. “Classe 1.485, nós vamos colocá-los em um foguete de verdade dessa vez.”

O sorriso divertido no rosto de Tao, presumindo que seria apenas mais uma aula de sobrevivência, desmanchou-se de seus lábios rápido como um raio. Não que ele não soubesse pilotar um foguete, óbvio que sabia, mas bem… as simulações eram diferentes de estar na coisa real. Aquilo… aquilo era assustador. Seu coração acelerava, batendo fortemente contra o peito, só de pensar.

“Obviamente que não é um foguete de expedição.” Minho interviu, explicando tranquilamente para a classe ansiosa, aliviando parte do clima tenso que havia começado a pairar sobre eles. “É uma nave com todas as configurações internas de um foguete de expedição, mas na verdade ela vai funcionar mais ou menos como um avião para vocês, voando relativamente baixo e bem mais lentamente que um foguete. A ideia é fazermos um teste para ver até que nível suas habilidades de voo podem ir. É um teste de capacidade.”

Hyunah assentiu.

“Dadas as circunstâncias de que o lançamento de vocês está próximo, é melhor começarmos a fazer os testes de pilotagem logo, para garantir que nada dê errado.” Disse, sorrindo levemente, para passar tranquilidade. “Vocês não precisam se preocupar muito, na verdade. Os testes são simples e realmente são apenas para testar sua capacidade de pilotagem. Vocês estarão o tempo todo sob supervisão dos coordenadores de voo na sala de controle, que serão responsáveis por garantir que nada dê errado com a rota de vocês, e também para auxiliá-los na decolagem.”

Tao ergueu a mão, pedindo permissão para falar. Os professores assentiram.

“Isso quer dizer que, quando estivermos no lançamento, ninguém vai nos ajudar?” Perguntou ele, cruzando os braços em seguida.

Minho assentiu e Hyunah sorriu.

“Exatamente.” Confirmou ela. “Vocês farão tudo sozinhos, porque nós estaremos ocupados demais auxiliando aqueles que não tiveram um bom desempenho até aqui.” Ela fez uma careta para a expressão preocupada dos garotos da Exo. “Seguinte: vocês ão estão em primeiro lugar no ranking de desempenho à toa, então provem isso, ou vocês vão cair direto para a reprovação.” Ela preferiu ser mais direta, a voz firme e sem nenhum traço de sorriso ou qualquer coisa parecida em seu rosto. “Vocês chegaram até aqui. Agora provem que valeu a pena.”


 

. . .


 

Uma das regras que os professores gostavam de manter sempre na mente dos garotos era que, antes de tudo, assim que se entrava em uma nave, a primeira coisa a ser feita era colocar a porcaria do cinto e se manter o mais parado possível, até que a pressão fosse estabilizada e o foguete estivesse em movimento. Caso contrário, coisas ruins poderiam acontecer.

Quem ficou responsável por checar se todos estavam em seus cintos seguramente, dessa vez, foi Sehun, ajudando os avantes a ajeitar a tripulação e a eles mesmos, antes de rumar para a sala de controle, para assumir seu lugar ao lado do comandante.

Ele ouviu Baekhyun e Yixing – que estavam sentados lado a lado – conversando sobre alguma coisa aleatória enquanto passava pelo corredor, conferindo se os cintos deles estavam bem presos. Eles pararam de falar quando Sehun chegou perto, puxando as alças do cinto de Baekhyun mais para baixo para que ele travasse corretamente. O loiro fez uma careta pelo desconforto de ter algo firmemente apertado contra o seu corpo, mas permaneceu em silêncio.

Sehun também não disse nada, se afastando dele para ajustar o cinto de Yixing, apesar de sentir os olhos do menor sobre si.

“Obrigado.” Yixing sorriu quando o Park ajeitou seu cinto, puxando-o contra a trava da forma correta, para que ele prendesse bem. Mal ajustado como estava antes, acabaria soltando e ele poderia se machucar com a falta de gravidade. “Eu não tinha visto.”

“Sem problema, Xing.” Sorriu de volta, afastando-se a passos rápidos para a cabine do capitão, assumindo seu lugar no assento ao lado do dele, prendendo o próprio cinto com firmeza e pedindo para que o outro conferisse.

“Tudo ok para a decolagem?” Tao questionou, apertando uma sequência de botões que serviam para colocar o foguete na posição de lançamento: inclinado para cima, em haste, pressionando todos os tripulantes para trás, em direção ao fundo da nave. Eles só tinham os cintos para segurá-los ali, pelo menos até que a falta de gravidade se fizesse presente.

Sehun olhou os painéis de dados, checando tudo mais de uma vez para garantir que não houvesse falhas, antes de assentir, pressionando por alguns segundos o botão que iniciava os motores de propulsão, aquecendo-os para começarem a funcionar.

“Vamos rezar para não morrer.” O comandante sorriu, apertando mais botões e puxando uma alavanca que servia para ativar os propulsores. Levava um tempo até que eles impulsionassem o foguete para frente, mas, de qualquer forma, eles precisavam estar preparados para o impacto que seria sentido. Era algo como um solavanco, rápido, porém intenso o bastante para acelerar consideravelmente o coração. “Dez segundos para o lançamento.”

O Park assentiu, fazendo a contagem e transmitindo-a para o restante da tripulação aguardar também. Em silêncio, ele rezava para que desse tudo certo e ninguém se machucasse. Mesmo que estivessem realmente preparados para qualquer coisa, ainda era totalmente novo ir lá pra cima, e seria complicado conseguir trabalhar tranquilamente com alguém ferido precisando de atenção e cuidados.

Apesar de tudo as coisas deram certo.

O foguete decolou com uma facilidade impressionante, e tudo o que eles precisavam fazer era manter a inclinação estável para que não cruzassem a atmosfera terrestre, porque a nave, como os professores bem disseram, tinha as mesmas características de um avião, ou seja, não estava preparada para o Espaço, e, mesmo que estivesse, era melhor não arriscar por enquanto.

Sehun olhava os painéis com frequência, mantendo os dedos próximos aos botões de regulamento de pressão e gravidade dos ambientes internos, regulando-os à medida que a necessidade surgia.

Enquanto isso, Tao pilotava, checando se os motores estavam estáveis e se as bombas de resfriamento estavam funcionando corretamente. Se tudo estivesse bem, ele poderia colocar o foguete no piloto automático e eles poderiam tranquilamente transitar pela nave. Mas, antes de qualquer coisa, era necessário uma rota traçada, para que a nave a seguisse por conta própria, em vez de apenas sobrevoar a esmo.

O teste de capacidade duraria cerca de três horas, que era o tempo necessário e calculado com exatidão para que um avião desse algumas voltas sobre Nova Seul, sobrevoando os ambientes e ainda circulando um pouco sobre outras cidades, antes de retornar ao aeroporto, que, nesse caso, era o complexo de lançamento da Shiron.

Assim que estavam no topo, com a rota marcada pelos coordenadores de voo piscando nos painéis, Tao avisou a Sehun para mandar um alerta de que a tripulação já podia soltar os cintos e relaxar durante a viagem.

Em vez de mandar o alerta, o rapaz ficou de pé, soltando-se do próprio cinto e deixando a cabine novamente. Quando retornou à ala da tripulação, o silêncio era pesado sobre o ambiente. Alguns deles pareciam tranquilos, outros estavam em silêncio, havia aqueles que pareciam preocupados, e havia Baekhyun, escondendo um frasco de remédio ao ver o moreno se aproximando para soltar seu cinto. Porque de todas as pessoas que ele poderia soltar primeiro tinha, obviamente, que ser o Byun. Mesmo que ele não estivesse tão perto assim.

Os intervalos entre os assentos eram de pouco mais de meio metro, dando uma margem enorme para eles ficarem longe um do outro, mas Sehun parecia que tinha esquecido isso, de repente.

“Tudo bem, Baek?” Ele questionou em um tom baixo, demorando para soltar a porcaria do cinto logo, a fim de ouvir a resposta antes que o loiro pudesse escapar de si.

“Sim.” Baekhyun disse, afastando os dedos propositalmente atrapalhados de Sehun para soltar a si mesmo do assento. “Não morri ainda, então tudo bem.”

Sehun fez uma careta, preferindo não comentar nada a respeito daquilo.

Yixing havia se soltado por conta própria, assim como os avantes, que haviam se prontificado a ajudar o restante da tripulação, enquanto o Park mais novo perseguia Baekhyun com os olhos.

Chanyeol parou ao seu lado, as sobrancelhas erguidas.

“Você não acha que tá botando pressão demais pra alguém que terminou com o moleque há duas semanas?” Disse o ruivo, apoiando o antebraço no ombro de Sehun e fingindo que não estava olhando para o loirinho serpenteando pra longe deles.

“Três semanas.” Sehun corrigiu. “E não, não acho que estou botando pressão demais, ele é quem está fazendo isso.”

Chanyeol revirou os olhos, dando um passo para o lado e encarando o irmão.

“Exemplo?”

Sehun deu de ombros, flagrando uma troca breve de selares entre Joonmyun e Jongdae, antes de olhar pra longe, preferindo não pensar muito a respeito daquilo.

“Ele invadiu meu box hoje de manhã.”

Chanyeol fez um bico, assentindo brevemente. “Entendi.” Afirmou, inclinando a cabeça. Seus fios vermelhos caíam sobre os olhos quando ele fazia isso, então precisava afastá-los quase o tempo todo. Ele tinha pintado de novo recentemente, para um vermelho um pouco mais escuro, cobrindo o desbotado anterior, e bem, agora estava bem melhor. “Mas ainda não acho que ele esteja botando pressão, sabe? Acho que ele só… o Baekkie mudou bastante, Sehun.”

O mais baixo franziu as sobrancelhas.

“Baekkie?”

Chanyeol deu de ombros.

“Acho que você voltou a conhecer ele melhor que eu, Yeol.” Sehun murmurou, franzindo os lábios.

Sem dizer nada, Chanyeol se afastou dali, provavelmente indo atrás do Byun.

“Adoro torta de climão.” Han disse ao se aproximar, um sorriso divertido pairando sobre seus lábios. “O que aconteceu, garotinho? Você parece prestes a chorar.”

“Impressão sua.” Sehun rebateu. Han semicerrou os olhos, fingindo estar ofendido. “Que foi, Xiao? Estou sendo sincero com você.”

“Tô vendo.”

Sehun revirou os olhos, se afastando dali também, decidindo voltar para a cabine dos pilotos antes que acabasse se irritando e falando o que não devia para o chinês. Ele tinha uma mania irritante do caralho de querer arrancar informações das pessoas, e isso enchia tanto o saco que se você não se afastasse dele poderia chegar ao ponto de querer socá-lo na cara.

Não que Han fosse chato, porque na verdade ele podia manter uma conversa melhor que muita gente, era compreensivo e ouvia mais do que falava – às vezes –, então ele não era necessariamente chato, mas bem… Han gostava de “estar por dentro” de tudo, e ele não era muito sutil fazendo perguntas e exigindo respostas. Isso incomodava bastante, se tratando de alguém mais reservado, como era o caso de Sehun.

Suspirando por ter sido ignorado, Han cruzou os braços, sentindo a ponta dos dedos coçar pela falta de contato com um teclado. Ele estava quase tendo uma crise de abstinência de computadores. Era insuportável, precisava voltar logo para dentro de uma base computadorizada, ou mesmo uma sala de controle.

Quando ele se inscreveu para engenharia, não sabia que os engenheiros mexiam só nos fios e nos motores, passando a maior parte do tempo longe de computadores no geral e qualquer outra coisa tecnológica. Era um porre.

Pensou em seguir Sehun para a cabine dos pilotos, sabendo que lá era onde os computadores centrais ficavam, imaginando que talvez pudesse se divertir um pouco, aproveitar um teclado e fazer algumas pesquisas ou aprimoramentos no sistema, mas fora impedido por Jongin.

“Eu conheço você, não conheço?” Perguntou ele, olhando para Han com uma expressão sombria, exigente. “Porque eu tenho quase cem por cento de certeza que sim. Só não sei de onde.”

“É mesmo?” Han fez um bico. “Por que você acha isso?”

Jongin deu de ombros.

“Toda vez que o Sehun fala Xiao eu tenho certeza que eu te conheço. De antes da Shiron.” Comentou ele, o rosto franzido em concentração, os olhos observando o rosto de Han atentamente, como se buscasse por algum deslize em sua expressão, ou qualquer coisa parecida. “Então fala. Qual é a sua, Xiao Han?”

O chinês riu, achando graça da situação, balançando a cabeça para Jongin, para seu jeito sério e levemente idiota falando daquele jeito consigo. Ele ergueu as mãos e segurou o rosto do rapaz, parecendo que ia beijá-lo, mas não ousando fazer isso.

“Chame de X.” Disse, jogando um beijo ao dar um passo pra trás.

Jongin fez uma careta, inclinando a cabeça para a resposta do mais baixo, antes de finalmente compreender o que ele havia dito. Mas bem, quando finalmente entendeu, prestes a fazer as perguntas que sempre teve vontade de fazer quando conversava com o outro online, Han já estava gravitando ao redor do outro engenheiro, Minseok, que conversava com Yixing sobre uma queimadura na mão provocada pelos contato com os fios elétricos.

O moreno não viu muitas opções além de se afastar também, como todo mundo.


 

. . .


 

A noite enfim chegou, e Sunmi reapareceu para auxiliar os garotos para o que ela chamou de “comitê de graduação”, trazendo paletós e uma equipe de estética para consertar a aparência de todos antes de eles se apresentarem para a festa como astronautas da Shiron.

Os processos estéticos se deviam ao fato de que, treinar sem descanso por tanto tempo, seguidamente, e estudar tanto também, acabavam um pouco com quem quer que fosse, e, de acordo com Sunmi, não havia nada que não pudesse ser consertado, em termos faciais, com uma maquiagem bem-feito e roupas bonitas.

Ela tirou medidas e mandou que todos vestissem os ternos, ajeitando os detalhes para que ficassem perfeitos enquanto os maquiadores faziam o restante do trabalho.

Em algumas horas, Sunmi tinha uma equipe pronta de modelos com títulos de astronautas. E sim, ela era absolutamente incrível.

Ela os acompanhou até os elevadores, checando uma última vez se estavam todos devidamente ajeitados, antes de despachá-los para os andares superiores, desejando-lhes boa sorte e lhes dizendo para aproveitarem ao máximo a noite deles.

Os paletós haviam sido divididos em cores: seis deles em tons de bordô, e seis brancos com gravata preta. O branco era para combinar com tudo o que vinha da Shiron, mas o bordô, segundo Chanyeol, que entendia um pouco de moda, por conta das revistas que ele lia quando criança com sua mãe, servia para dar um destaque maior para quem, naturalmente, não chamava muita atenção.

“Seu cabelo está desbotando.” Sehun comentou com Baekhyun, desacelerando os próprios passos para poder caminhar ao lado do menor.

Baekhyun assentiu, andando com as mãos nos bolsos, seus olhos se desviando de vez em quando para observar Sehun.

“Eu sei.” Disse ele, baixo, se aproximando do mais alto até seus cotovelos se tocarem, dando a impressão que queria conversar só com ele. “Mas aqui não tem a minha tinta.”

“Tem outros tons de loiro, Baek.” O Park disse, tirando um pouco dos fios loiros da testa do menor, tentando ter uma visão livre de seu rosto. Ele o encarou de baixo, em silêncio.

Por fim, deu de ombros. “Eu queria tingir de castanho, sabe? Voltar a ser moreno.”

Sehun assentiu, escondendo as mãos no bolso também, esticando o pescoço para olhar para o fim do corredor a frente, onde um par de portas duplas revelava a única sala daquele andar, onde seria o tal comitê.

“Você fica bem loirinho.” Confessou para o Byun, num tom tão baixo quanto o que menor havia usado anteriormente. “De qualquer forma, faz o que você quiser. Fica bonito de qualquer jeito.”

Baekhyun abriu a boca para responder alguma gracinha ou provocação, qualquer coisa que aparecesse em sua mente no momento, mas o Park começou a caminhar em sua frente, sendo o primeiro da classe a alcançar a porta, e esperando por eles antes de entrar no recinto. Quando passou por ele novamente, Baekhyun semicerrou os olhos ao encará-lo.

“Depois eu falo com você.”

Sehun exibiu um meio sorriso, voltando-se para o espaço decorado com luzes arroxeadas e azuis, e para Donghae sentado ali no meio, em um sofá branco em L, parecendo confortável em seu costumeiro terno preto, os cabelos penteados para trás e uma taça de champanhe em mãos.

Ele se levantou ao ver a Exo, caminhando até eles para cumprimentá-los de forma educada, apertando suas mãos e lhes dando as boas-vindas.

“Aproveitem.” Foi tudo o que ele disse ao apertar a mão do último membro, Minseok, entregando a taça de champanhe para ele e sorrindo ao passar pelas portas duplas, puxando-as para fechá-las atrás de si.

Tao franziu as sobrancelhas para a cena, mas decidiu não dar muita bola para aquela esquisitice da Shiron. Devia ser normal. É. Provavelmente era bastante normal.

Relaxando um pouco o corpo, caminhou diretamente para a mesa das bebidas, estendendo a mão para uma taça com um líquido amarelado e borbulhante. Algum tipo de champanhe.

“Festa silenciosa.” Chanyeol disse, caminhando até o jukebox com um sorriso enorme no rosto. “O que vocês querem ouvir?” Como ninguém respondeu, porque todos estavam muito ocupados admirando a beleza da pequena, porém espaçosa, sala, ele fez um bico, escrevendo Coldplay e apertando o botão para tocar, contente por não precisar de fichas para ouvir as músicas.

“Dança comigo.” Yixing sorriu para Kris, puxando-o para longe dos outros e para perto do espaço livre onde deveria ser a pista de dança.

Kris tropeçou um pouco, por conta dos passos curtos e rápidos do chinês mais baixo, mas acabou por conseguir se estabilizar, segurando uma das mãos dele no ar, tentando guiá-lo em uma dança suave, que combinasse com a música, mas Yixing preferia seguir o próprio ritmo, um pouco veloz demais para a música tocando, mas ainda consideravelmente lento demais para sair completamente do tom.

Minseok, que estava achando a cena engraçada, bebendo champanhe encostado em uma parede, levou um susto quando Han brotou ao seu lado, pressionando levemente um dos ombros contra o seu, seguindo a linha de visão dele até os dois enfermeiros esquisitinhos.

“Você dança, não dança?” Perguntou para o Kim, esperando obter uma confirmação, mas ele negou.

Han ergueu uma sobrancelha, pensando nas vezes em que o pegou se movimentando ao som de alguma daquelas músicas velhas que essa gente adorava ouvir, num ritmo inconstante, mas imersivo, bonito. Não sabia dançar?

Minseok sorriu para o mais alto, olhando para ele como quem não quer nada. “Mas se for com você, eu danço, sim.”

Han fez uma careta, esboçando um sorrisinho sem graça.

“Sutil.” Resmungou baixo, sorvendo mais um gole do champanhe em suas mãos. “Tá, vem.”

O mais baixo fez um bico, antes de seguir o chinês para a pista de dança, erguendo as sobrancelhas para Yixing quando ele sorriu de forma cúmplice para si. Sua amizade com ele havia se intensificado nas últimas semanas, dadas as circunstâncias de que eles se conheciam melhor do que conheciam aos outros, então… era mais fácil conversarem um com o outro em vez de conversarem com qualquer outra pessoa.

Em sua última conversa, Minseok comentou que talvez estivesse ficando meio afim de Han, e Yixing pegava em seu pé constantemente por conta disso, insistindo que ele tinha que fazer alguma coisa a respeito. O argumento – terrível – do Kim era que eles teriam bastante tempo pela frente para ele confessar qualquer coisa, então por que precisava ser agora? Não precisava não, ele estava bem na dele, sozinho.

Jongdae havia ocupado um lugar no sofá espaçoso, bem ao lado de Baekhyun, comendo um morango e conversando com o Byun, enquanto mantinha os olhos em Joonmyun para ver se ele não ia fazer nenhum barraco essa noite. Não que ele causasse confusão o tempo inteiro – só metade dele – mas era melhor garantir. Ele andava um pouco tenso nos últimos dias, preocupado com Jiyeon, porque não conseguia falar com seus pais enquanto estivesse no treinamento, e isso afetava todo o seu humor e o seu desempenho. Então o mais velho tentava cuidar dele – à distância para que não ficasse muito óbvio para o reclamão do caralho –, mantendo-o de pé e estando lá se ele precisasse de uns tapas na bunda durante o sexo ou apenas alguém para desabafar.

“E aí?” Voltou-se para Baekhyun, sorrindo levemente para o menor. Ele não sorriu de volta. “Como você está?”

“Bem, eu acho.” Replicou, encolhido dentro do paletó como uma criança enfiada em cobertores. “Sehun disse que eu sou bonito de qualquer jeito.”

O Kim ergueu uma sobrancelha para o comentário tranquilo, porque era o óbvio o esforço de Baekhyun em fazer com que aquilo parecesse apenas uma informação do cotidiano.

“E isso é bom ou ruim?” Perguntou, inclinando-se para frente e apoiando os cotovelos sobre os joelhos.

Ele deu de ombros.

“Não sei. Bom, eu acho.” Baekhyun inclinou-se também, só que para trás, como se quisesse ser engolido pelo estofado branco. “É bom ou ruim eu sentir vontade de dar pra ele noventa por cento do meu tempo?”

Jongdae riu com vontade, balançando a cabeça para o menor, para a sua expressão desamparada, como se aquela fosse uma questão que o atormentasse há muito tempo. Só parou de rir quando o Byun lhe deu um soco no braço, irritado.

“Eu tô falando sério.” Disse ele, a expressão livre de qualquer traço que sugerisse que ele estava apenas contando uma piada. “É uma merda me concentrar nas coisas que eu tenho pra fazer quando ele transita por aí de toalha ou fica me olhando daquele jeito dele de não me toque, sou frígido. Isso é muito irritante, eu tenho que me segurar para não implorar para ele transar comigo. Espero que você nunca passe por isso, Chen.”

O mais velho assentiu, contraindo os lábios para não rir, e pensando no que poderia dizer sobre aquilo. Que eles haviam terminado todo mundo sabia, porque era claro como água, mas que estavam se coçando para se agarrar por aí só duas pessoas sabiam: Jongdae e Chanyeol. E nenhum dos dois tomaria partido em meio àquilo, até porquê, não era problema deles. E se envolver nos problemas dos outros só traz desgraça. Todo mundo sabe que sim.

“Eu acho,” Jongdae começou, adotando uma expressão mais séria. “Que isso são apenas hormônios descontrolados porque você não transa há um tempo. E sei lá, Baek, seu estímulo meio que é o Sehun porque é ele que você conhece melhor, é ele que você, sabe, esteve mais perto por mais tempo e tal, afinal ele era o seu namorado.”

Baekhyun assentiu.

“Então… eu não sei bem como te ajudar em relação a isso, porque eu nunca passei por isso, mas eu acho que você tem duas formas de resolver: ou você conversa com ele e para com esse drama todo.” Aconselhou, gesticulando tranquilamente e encarando diretamente os olhos do mais baixo. “Ou você bate uma com uns dedos na bunda e esquece essa história.” Concluiu, exibindo um sorriso acolhedor.

Baekhyun parecia horrorizado depois da última sentença, mas compreensivo. Ele corou levemente e olhou para longe, para onde Sehun estava, como sempre, o encarando, com Chanyeol tagarelando alguma coisa ao seu lado com uma garrafa de água em mãos. O Park mais velho não bebia mais nada de álcool depois daquele incidente em que ele levou uma surra do Jongdae, mas não se importava com o fato dos outros estarem bebendo.

Além dele, Kyungsoo e Jongin também evitavam beber. Kyungsoo porque naturalmente não gostava, lembrava demais a causa do acidente em que ele estava dirigindo, e Jongin porque só bebia de vez em quando mesmo. Fora que o champanhe da Shiron era bom, mas esquisito.

Eles passavam tanto tempo dançando, conversando e comendo a comida boa da Shiron que ninguém realmente bebia, e isso era bom. Causar estragos por aí por conta da bebedeira seria ruim.

Jongdae estava confortavelmente acomodado no sofá, quando Joonmyun começou a andar até ele, dançando uma valsa solitária ao som da música lenta tocando de fundo, estendendo as mãos como se convidasse o loiro para dançar consigo, mas ele apenas balançou a cabeça, negando o convite.

“Não vai dançar comigo?” O menor perguntou, em um tom manhoso, enquanto deslizava para o colo do mais velho, envolvendo-lhe a cintura com os braços.

“Eu não danço, Joonmyun.” Alertou, acariciando as costas do mais novo enquanto ele resmungava alguma coisa qualquer em seu ouvido, como sempre. “Mas você pode dançar sozinho, não pode?”

Joonmyun deu de ombros.

“É chato dançar sozinho.” Disse ele, fazendo um bico. O mais velho o beijou no canto da boca e o bico se desfez, transformando-se em um sorriso pequeno. “Mas tudo bem.”

“Vai lá.” Jongdae incentivou o menor, empurrando seu quadril quando ele ficou de pé. “Depois eu danço um pouco, bebê.”

Ele sorriu animadamente, se afastando para onde os outros estavam, furtando uma taça de champanhe das mãos de Sehun, que fez uma careta de reprovação para a atitude, mas acabou sorrindo no fim de tudo, como sempre.

O Park mais novo pegou outra taça de champanhe, colocando uma das mãos no bolso e caminhando até Baekhyun tranquilamente, sorrindo de forma casual ao oferecê-la para ele.

“Você tá tentando me embebedar ou é só impressão?” O Byun brincou, aceitando a taça e tomando um gole, observando discretamente Sehun parado ali, tão perto… Inferno.

Ele deu de ombros, um brilho divertido no olhar ao voltar-se para o menor.

“Não sei.” Pegou a taça de volta, sorvendo o restante do líquido antes de colocá-la de volta sobre a mesa para evitar que caísse e quebrasse. “Se fizer você me chamar de amor de novo.”

Baekhyun ficou um bom tempo em silêncio, tentando processar a frase que deixou os lábios de seu ex, se esforçando para separar uma coisa da outra e não acabar confundindo tudo.

Quando ele finalmente se deu conta de que aquilo havia realmente acontecido, e não sido fruto da sua imaginação torpe, o rapaz sentiu o corpo esquentar com tantas possibilidades. Será que Sehun quereria ir devagar de novo? Recomeçar de novo? Esperava que não.

Apoiou a mão sobre o peito do Park, buscando apoio para ficar na ponta dos pés e beijá-lo na bochecha.

“Esteja no banheiro em quinze minutos.”


 

. . .


 

Não muito tempo depois que a festa realmente começou, com todo mundo se divertindo em conjunto – ou pelo menos todo mundo que estivesse lá – Jongin e Kyungsoo entraram em consenso, achando que o lugar estava muito… barulhento para eles.

Agora, caminhando pelo gramado úmido do jardim externo, no escuro, as coisas eram bem mais tranquilas.

Eles estavam em silêncio, porque, pela primeira vez, Jongin queria só ficar quietinho e Kyungsoo é que tinha um monte de perguntas para fazer, mas tinha que esperar o momento certo, para não ser inconveniente.

O momento perfeito chegou quando ambos acharam um lugar perto de um dos corredores onde as janelas sempre ficavam abertas. Era um dos únicos corredores com meias paredes onde se apoiar, talvez porque ficasse no térreo. Ambos sentaram-se no chão, com as costas contra a parede fria. Os topos de suas cabeças não alcançavam o apoio de madeira.

“Eu fiquei com uma coisa na cabeça.” Kyungsoo começou, as pernas esticadas languidamente em frente ao corpo. Jongin assentiu, incentivando-o a continuar falando. “Que história é essa de Choi Jongin?

O mais novo franziu os lábios, sabendo que em algum momento alguém tocaria naquele assunto.

“É bastante coisa pra contar.” Murmurou.

“Temos tempo.” Kyungsoo insistiu.

Jongin respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos, os olhos fechados com força.

“Kyungsoo…”

“Conta pra mim.” O Do realmente não estava disposto a abrir mão daquilo. Conhecia Jongin a sua vida inteira e aí, do nada, ele era… outra pessoa? Tinha outro sobrenome? Nem fodendo. Havia uma explicação para aquilo, e ele a conseguiria. Não importa como.

Jongin suspirou e Kyungsoo sorriu para si mesmo, sabendo que ele havia cedido.

“Eu troquei de nome pra poder vir para a Shiron.” Começou, olhando para o horizonte, para os outros complexos da Shiron ao redor, como se eles fossem a coisa mais impressionante do mundo todo, como se houvesse algo de mágico ali. “Porque Kim e Jongin no mesmo nome significa sujeira, desprezo, desconfiança, e um monte de outras coisas que eu prefiro não falar sobre. Eu tinha nome sujo, Kyungsoo, então o mudei para Choi para poder vir para cá.”

Kyungsoo ficou em silêncio por alguns segundos, refletindo.

“Você não me disse por que veio, inclusive.”

Jongin assentiu.

“Digamos apenas que eu tenho umas coisas pra fazer.” Disse. “Quero tentar limpar meu nome. Talvez não seja tarde demais.”

Kyungsoo colocou a mão sobre a perna do mais novo, esperando que o toque passasse conforto. O rapaz colocou a mão sobre a sua, apertando seus dedos suavemente, sorrindo de maneira sutil.

“E por que Choi? Isso é de alguém da sua família? Das pessoas que você nunca fala?” O Do sabia que estava forçando a barra falando essas coisas, mas que outra opção ele tinha? Era arriscar ou não ter nada.

Jongin mordeu o lábio nervosamente, hesitando.

“É.” Mentiu. “Do que restou da minha família.”

Kyungsoo franziu as sobrancelhas, confuso.

“Como assim?” Quis saber, apertando a mão do mais novo com força, atraindo sua atenção para si, já que ele parecia ter se perdido em algum lugar distante. “Como assim o que restou da sua família, Jongin?”

Ele afastou a mão, nem um pouco a fim de falar sobre aquilo. Nem um pouco a fim de falar sobre nada que envolvesse sua família ou ele próprio. Mas, quando pensou em mudar de assunto, cometeu o erro de olhar para Kyungsoo, vendo sua expressão cheia de expectativa, esperando que ele lhe contasse, que lhe confiasse esse segredo.

Jongin soltou um soluço engasgado, corando violentamente e olhando para longe outra vez. É claro que ele cederia.

Sempre cedia quando o assunto era Kyungsoo.

“Quando eu era criança, eu tinha acabado de voltar da escola pra casa.” O mais novo falava muito pausadamente, como se temesse perder as palavras se não tomasse cuidado. “Tinha um monte de policiais da Shiron lá, gente como o Jongdae. Eu lembro que eu estava segurando a minha mochila nas mãos, entregando-a para um dos guardas que pediu para fazer uma revista, me dizendo pra ficar quietinho ali enquanto ele examinava o meu material.” Ele fez uma pausa mais longa, a fim de respirar fundo novamente. Parecia prestes a chorar, mas estava se contendo ao máximo. “Só que eu não fiquei onde devia. Eu jurava ter ouvido a minha mãe me chamando, então eu corri pra dentro da casa. Eu não tenho como descrever pra você o que eu vi, porque, graças a Deus, eles fizeram o possível com a terapia pra apagar isso da minha cabeça, mas eu sei que havia pedaços dos corpos dos meus pais espalhados pela cozinha, resultado de uma bomba que havia explodido bem ali.”

Kyungsoo abriu a boca para falar alguma coisa, mas Jongin não deixou, preferindo continuar e contar tudo de uma vez, antes que parasse e não conseguisse mais dizer-lhe merda nenhuma.

“Nós morávamos na periferia de Nova Seul com Uijongbu, bem na linha, e Uijongbu, naquela época, tinha uns lances pesados com terrorismo. Eu estudava numa escola de lá, e o meu pai era uma espécie de agente da polícia deles, ajudando com o que eles precisassem, mesmo que ele soubesse que eles eram terroristas. O que aconteceu foi que a Shiron, que sempre foi responsável pela segurança de Nova Seul, descobriu que o meu pai trabalhava em Uijongbu, com os terroristas. Eles contaram para a minha mãe e ela surtou, porque diferente de mim e do meu pai, ela estudava e trabalhava em Nova Seul, tinha uma vida construída em cima disso e amava a cidade e seus ideais.” Outra pausa. Ele parecia mais tenso a cada frase, e era compreensível. Kyungsoo estava tenso também, nervoso. “Aí ela mandou meu pai sair de lá e me tirar da escola, só que ele não fez isso. Ele até tentou, depois da briga que eles tiveram, mas não conseguiu. Uijongbu precisava dele, e quando ele saiu por conta própria, apesar de não ter removido minha matrícula do colégio, os terroristas deixaram uma bomba na porta da nossa casa, dentro de uma caixa de presente. Com o meu nome numa etiqueta.”

“Jongin…”

“A minha mãe chegou mais cedo do trabalho, achando que estava tudo bem, querendo deixar tudo pronto pra nós dois, para nos mudarmos dali logo, para agradecer ao meu pai por ter nos salvado, e ela pegou o presente. E ela o abriu. A bomba explodiu na cara dela, mas o impacto foi forte o bastante para estourar as janelas do andar de cima da casa do vizinho. Quando meu pai chegou em casa, antes de mim, como sempre, ele não hesitou, nem pensou por um segundo, antes de pegar a arma que nós mantínhamos em casa por segurança e atirar na própria boca. Eu ouvi os legistas da Shiron falando sobre isso. Eu ouvi tudo, e depois de crescido eu li todos os relatórios do caso. Eu nunca deixei passar nada, querendo saber o que tinha acontecido, querendo a verdade.”

Àquela altura, Jongin já estava chorando, e Kyungsoo se perguntava se ele gostaria de ser consolado, porque aquele não parecia um choro de tristeza, e sim de raiva, como se ele tivesse ódio do que aconteceu, em vez de ficar chateado.

“E alguém me contou a verdade. Eu voltei a estudar, matriculado num colégio de Nova Seul, junto com você, o Jongdae, o Yeol, o Sehun e o Baek, e com quinze anos eu mentia que tinha dezoito para um legista da Shiron, porque assim eu teria idade pra transar com ele e vasculhar sua casa cheia de arquivos importantes enquanto ele dormia.”

“Um dia, esse cara, o Taemin, me pegou vasculhando a casa do cara, e ele me bateu tanto que chegou a quebrar meu braço, mas não contou merda nenhuma sobre eu estar fuçando as coisas do coleguinha dele. Eu fiquei sem saber porquê, até ele decidir falar, me dizendo que me ajudaria com o que eu queria saber, desde que eu entrasse para a turma de… combatentes dele. E eu aceitei.”

“Eu não-”

“O nome Kim não é sujo à toa, Kyungsoo.” Jongin explicou. “Eu não tive que deixá-lo para trás por capricho, desonrar minha família desse jeito… eu fiz porque eu precisava. Meu pai sujou nosso sobrenome com o terrorismo, mesmo que ele não tivesse nada a ver com isso, e eu o sujei pelas coisas que eu fiz depois do Tae.” Ele fez uma careta, como quem come algo com gosto ruim. “É por isso que eu não gosto de falar da minha família, Kyungsoo. Meus pais estão mortos por culpa de ninguém, e eu destruí o que sobrou fazendo merdas que eu não precisava ter feito. Só tem desonra no sobrenome Kim quando estamos falando sobre a minha família. E eu odeio não ter feito nada para mudar isso quando eu tive chance.”

Eles ficaram em silêncio, juntos, Kyungsoo apertando a mão de Jongin entre as suas com firmeza, o polegar acariciando o dorso da do mais novo, enquanto ele ficava parado, mordendo o lábio e contendo as lágrimas ao máximo.

“Não vou dizer que vai ficar tudo bem, porque eu não estou te consolando de verdade.” Kyungsoo sussurrou, puxando Jongin para perto de seu peito, abraçando-o e sendo abraçado, acariciando as costas e os ombros dele com delicadeza. “Eu não tenho ideia do tamanho e nem da intensidade da sua dor, mas… vai passar. Um dia você vai encontrar alguma coisa que faça isso passar. Um dia você… vai ficar bem, Jongin.”

O maior continuou em silêncio, respirando pesadamente contra o peito de Kyungsoo, segurando todo o choro que ele queria libertar mas não podia, porque era coisa demais para largar em cima de uma pessoa só, e ele bem sabia que Kyungsoo era tão fodido quanto ele mesmo, mas de formas diferentes.

“Um dia o sobrenome Kim vai ter outro significado.” Continuou o Do, com uma resignação, certeza, invejável. “Eu sei que sim. Eu sei que você vai mudar isso.”


Notas Finais


Com esse capítulo enorme que chegou mais atrasado que menstruação de grávida (????), nós aprendemos que:
- o Baek é meio tarado de vez em quando
- Han é -A versão INTP, só que um pouco mais atraente
- Jongdae é o conselheiro amoroso do rolê
- Joonmyun é uma criança
- ninguém nunca deixa o Kris falar
- Jongin tem uma vida fodida que envolve o Taemin
- Kyungsoo é um ótimo consolista (não é essa a palavra mas eu não vou procurar no dicionário, então fica consolista mesmo asisiasu)
- Chanyeol gosta do cabelo vermelho
- Donghae arrasou no comeback então tinha que arrasar aqui também

Ah, sim. Quartzo Rosa, de acordo com a minha mãe (risos), é uma pedra que simboliza o amor, mas eu não tenho certeza absoluta disso, então... vamos dizer que amor é um significado alternativo pra pedrinha.
De qualquer forma, eu espero que vocês tenham gostado, porque Deus do céu, eu atrasei tanto isso. Juro que não acontecerá novamente, palavra de alguém que se tortura mentalmente por falta de pontualidade aaaaa

Bem, foi isso. Até a próxima! (Não vai demorar tanto, eu juro!)


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