História Je Veux Juste Aimer (Jikook) - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Visualizações 43
Palavras 6.426
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Cross-dresser, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Mutilação, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - JEONGGUK


Abro os olhos e vejo um teto desconhecido. Minha cabeça está confusa de sono, e só quando olho para uma escrivaninha cheia de livros e uma cadeira coberta de calças e camisas jogadas é que lembro onde estou.

Sinto um cheiro característico também – não desagradável, mas inconfundivelmente Jimin. Um leve peso no meu peito me faz abaixar os olhos, e com um susto vejo um braço jogado sobre meu corpo, unhas roídas e um grande relógio digital preto no pulso. Jimin dorme profundamente ao meu lado, estendido de barriga para cima, apertado contra a parede, o braço em cima de mim. Minha memória volta à noite anterior e eu me lembro da luta, de vir até seu quarto e encontrá-lo em péssimo estado, o choque de vê-lo à beira das lágrimas, o sentimento de horror e impotência quando não aguentou mais e começou a chorar – pela primeira vez desde o dia em que papai foi embora. Vê-lo assim me arrastou de volta ao passado, ao dia em que nosso pai deu um pulo em casa para uma “despedida especial” antes de pegar o avião que o levaria com a nova esposa para o outro lado do mundo. Não faltaram presentes, fotos da nova casa com piscina, promessas de feriados em sua companhia e juras de que sempre nos visitaria. Naturalmente, os outros caíram na farsa – ainda eram muito pequenos –, mas Jimin e eu pressentimos que era o fim, que não voltaríamos a ver nosso pai – nunca mais. E a vida não demorou muito a mostrar que tínhamos razão. Os telefonemas semanais se tornaram mensais, e então passaram a só acontecer em ocasiões especiais, até que por fim cessaram de todo.

Quando mamãe contou que a nova mulher dele tinha dado à luz, soubemos que era apenas uma questão de tempo até os presentes de aniversário cessarem também. E cessaram, realmente. Tudo cessou. Até a ajuda de custo do governo. Nós dois, mais velhos, já tínhamos contado com isso – só não imaginamos que ele fosse nos apagar da sua vida tão depressa. Ainda me lembro com nitidez do momento depois da despedida, quando a porta se fechou e o som de seu carro foi morrendo pela rua afora. Aconchegada nos travesseiros com meu novo cachorro de pelúcia e o retrato da casa que sabia que jamais visitaria, de repente fui tomada por um intenso sentimento de revolta e ódio por aquele pai que um dia afirmara me amar tanto.

Mas, para minha surpresa e irritação, Jimin pareceu cair na encenação, vibrando com os outros à ideia de irmos de avião para a Austrália em breve. Cheguei mesmo a achar que ele era muito estúpido. Emburrado, ignorei-o o dia inteiro, enquanto ele se obrigava a enfrentar a farsa. Só mais tarde, à noite, quando ele achou que eu já tinha pegado no sono, foi que entregou os pontos – soluçando baixinho no travesseiro, no leito do beliche acima do meu. Nessa noite, ele também estava inconsolável – me repelindo quando tentei abraçá-lo antes de finalmente ceder, deixando que eu me enfiasse debaixo do edredom e chorasse com ele. Prometemos um ao outro que mesmo quando crescêssemos continuaríamos sempre juntos. Finalmente, exaustos e sem mais lágrimas para chorar, pegamos no sono. E agora aqui estamos, cinco anos depois, e tanta coisa mudou, e ainda assim tão pouca. Parece estranho, estar aqui deitado na cama de Jimin, com ele dormindo ao meu lado. Yun costumava ir para minha cama sempre que tinha pesadelos – eu acordava de manhã e encontrava seu corpinho apertado contra o meu. Mas esse é Jimin: meu irmão, meu protetor.

Ver seu braço jogado com tanta naturalidade em cima de mim me faz sorrir; ele o tiraria muito depressa se acordasse. Mas não quero que acorde ainda. Sua perna está pressionada contra a minha, achatando-a um pouco. Ele ainda está de uniforme, o ombro pesando sobre meu braço, prendendo-o à cama. Estou totalmente imprensado – aliás, nós dois estamos: seu outro braço desapareceu na fenda estreita entre o colchão e a parede. Viro a cabeça com cuidado para ver se ele dá algum sinal de estar prestes a acordar. Não. Está dormindo a sono solto, os movimentos de sua respiração longos, fundos, rítmicos, seu rosto virado para mim. Não é sempre que o tenho tão perto assim – não desde que éramos pequenos.

É estranho observá-lo dessa distância: vejo coisas que nunca notei antes. O jeito como seu cabelo, banhado por um raio de sol diagonal que entra pelas cortinas, não é totalmente negro, tem algumas mechas de castanho-dourado. Posso perceber um padrão na fina trama de veias sob a pele das têmporas, até mesmo distinguir os pelos individuais das sobrancelhas. A pálida cicatriz branca acima do olho esquerdo de um tombo de infância ainda não desapareceu de todo, e as pálpebras são franjadas por cílios escuros extremamente longos. Meus olhos seguem o dorso do nariz até o arco do lábio superior, tão bem definido agora que a boca está relaxada. Sua pele é lisa, quase translúcida; a única imperfeição é a ferida auto infligida abaixo da boca onde os dentes morderam e arranharam a pele sem trégua, deixando uma pequena ferida escarlate: um lembrete de sua batalha incessante com o mundo ao redor. Tenho vontade de alisá-la até desaparecer, apagar a dor, o estresse, a solidão.

E me pego pensando no comentário de Yoongi. Uma boca beijável… O que isso quer dizer exatamente? Na hora achei engraçado, mas não acho mais. Não gostaria que Yoongi beijasse a boca de Jimin. Não gostaria que ninguém a beijasse. Ele é meu irmão, meu melhor amigo.

De repente, a ideia de alguém vê-lo assim, tão perto, tão exposto, me parece insuportável. E se o magoarem, e se lhe derem um fora? Não quero que ele se apaixone por algum menino – quero que fique aqui, amando a gente. Amando a mim. Ele se remexe um pouco, seu braço deslizando pelo meu tronco. Sinto seu calor suado contra o corpo. O jeito como suas narinas se dilatam ligeiramente cada vez que ele inspira me lembra como é tênue e precário o poder que temos sobre a vida. Adormecido, ele parece tão vulnerável que me apavoro.

Gritos e gemidos no andar de baixo. Um tropel escandaloso de passos na escada. Uma pancada violenta na porta. A inconfundível voz de Eunji gritando, no auge da excitação: Cheguei! Cheguei!

O braço de Jimin se contrai e ele abre os olhos, assustado. Por um longo momento apenas me encara, as íris escuras, o rosto imóvel. Então, sua expressão começa a mudar.

– O que… o que está havendo?

Sorrio ao ouvir sua dicção enrolada.

– Nada. Estou preso.

Ele dá uma olhada no próprio braço, ainda jogado sobre meu peito, e o retira depressa, tentando sentar.

– Por que você está…? Que diabos você está fazendo aqui? – Ele parece desorientado e meio em pânico por um momento, o cabelo desgrenhado caindo nos olhos, o rosto embotado de sono. As dobras da fronha deixaram marcas vermelhas no seu rosto.

– Nós ficamos conversando de madrugada, lembra? – Não quero mencionar a briga, ou o que aconteceu depois. – Acho que nós dois apagamos. – Eu me recosto na cabeceira, sento sobre as pernas e me espreguiço. – Não posso me mexer há quinze minutos, porque você estava me achatando.

Ele já se afastou para o outro extremo da cama, se recostando na parede, sua cabeça batendo no cimento com força. Fecha os olhos por um momento.

– Não estou me sentindo bem – murmura como se falasse sozinho, abraçando os joelhos, o corpo mole e sem forças.

Fico preocupado: Jimin não tem o hábito de se queixar.

– Onde é que dói?

Ele solta a respiração, esboçando um sorriso.

– No corpo inteiro.

O sorriso se desfaz porque não o retribuo e ele me fixa com seu olhar carregado de tristeza.

– Hoje é sábado, não é?

– É, mas está tudo bem, mamãe já acordou, ouvi a voz dela há uns minutos. E Min também já acordou. Acho que estão todos lá embaixo tomando café, almoçando ou sei lá o quê.

– Ah, tá. Que bom. – Jimin suspira de alívio e volta a fechar os olhos.

Não gosto do jeito como ele está falando, se recostando na parede, se comportando. Não sei, ele parece prostrado, sofrendo ou totalmente derrotado. Há um longo silêncio. Ele não abre os olhos.

– Jiminnie? – arrisco, a voz suave.

– Hã! – Ele se assusta e olha para mim, piscando depressa, como se tentasse fazer o cérebro pegar.

– Fica aqui que eu vou trazer um café e um analgésico para você, OK?

– Não, não… – Ele me segura pelo pulso para me impedir. – Eu estou bem. Vou acordar direito quando tomar banho.

– Tudo bem. Tem paracetamol no armário do banheiro.

Ele me dá um olhar apático.

– Tá – responde, a voz sem qualquer entonação.

Nada acontece.

Ele não se move.

Começo a ficar nervoso.

– Olha só, você não está com boa aparência – digo com delicadeza. – Por que não volta a deitar um pouco, e eu trago o café?

Ele vira a cabeça para mim de novo.

– Não. Sério, Gguk, eu estou bem. Me dá só um minuto, OK?

A regra tácita na nossa família é que Jimin nunca fica doente. Mesmo no inverno passado, quando ficou gripado e teve febre alta, ele insistiu que estava bem o bastante para levar as crianças à escola.

– Então vou pegar um café para você – declaro bruscamente, saltando da cama. – Vai tomar um banho quente, e…

Ele me detém, agarrando minha mão antes que eu chegue à porta.

– Gguk…

Eu me viro, apertando seus dedos.

– Que é?

Os músculos de seu queixo se retesam e ele engole em seco. Seus olhos parecem examinar os meus, na esperança de alguma coisa – um sinal de compreensão, talvez.

– Não posso… acho sinceramente que eu não conseguiria… – Ele se interrompe, respirando fundo, e eu espero. – Acho que eu não tenho energia para encarar toda aquela mão de obra do almoço hoje. – Olha para mim como se pedisse perdão.

– Ora, é claro que eu vou cuidar disso, seu bobo! – Penso por um momento e começo a sorrir. – Taí, tenho uma ideia ainda melhor!

– Qual? – De repente, ele parece se encher de esperança.

Abro um largo sorriso.

– Vou me livrar de todos eles… você vai ver.

 

Fico parado na porta da cozinha por um momento, absorvendo o caos. Eles estão sentados à mesa, com um mar de sucrilhos, bolinhos de chocolate, batatas fritas e latas de Coca-Cola espalhadas à sua frente. Mamãe deve ter mandado Eun à loja de conveniência quando descobriu que só tínhamos granola e pão integral para o café. Mas pelo menos ela acordou antes do meio-dia, embora ainda esteja com a camisola cor-de-rosa barata, o cabelo louro despenteado e enormes bolsas sob os olhos injetados. A julgar pelo cinzeiro, já deve ter fumado meio maço, mas, apesar da aparência, está animada e cheia de energia, sem dúvida graças à dose de uísque que farejo no seu café.

– Príncipe! – Ela estende os braços. – Você parece um anjo com essa roupa.

– Mãe, esse é o mesmo pijama que eu uso há quatro anos – informo a ela com um suspiro.

Ela apenas sorri, complacente, mal tendo assimilado minhas palavras, mas Min começa a rir, cuspindo alguns sucrilhos em cima da mesa. Fico aliviado de ver que não exibe qualquer sinal da briga com Jimin. Ao seu lado, Eun tenta fazer malabarismos com três laranjas da fruteira, sua glicose entrando em órbita. Yun fala tão rápido que ninguém entende, a boca cheia ao máximo, o queixo todo sujo de chocolate.

Preparo o café, tiro o saco de granola do armário e começo a cortar o pão em cima da bancada.

– Quer uma barrinha de chocolate? – oferece, Eunji, generoso.

– Não, obrigada, Eun. E acho que você já deve ter comido chocolate demais por hoje. Lembra o que acontece quando você come muito açúcar?

– Sou mandado pra sala do diretor – responde ele automaticamente. – Mas hoje nós não tá na escola.

– Não estamos na escola – corrijo. – Ih, olha só, tive uma ideia ótima para um passeio em família!

– Ah, que maravilha! – mamãe exclama, ávida. – Aonde você vai levá-los?

– Na verdade, eu estava pensando num passeio para a família inteira – continuo jovialmente, tendo o cuidado de manter a voz sem ironia. – E nós fazemos questão que você venha, mãe!

Min me dá um olhar sombrio e desconfiado, bufando de deboche.

– É, vamos pra alguma praia fazer um baita piquenique e fingir que somos uma família feliz.

– Onde, onde? – grita Eunji.

– Eu estava pensando que a gente podia ir ao…

– Zoológico, zoológico! – grita Yun, quase caindo da cadeira de excitação.

– Não, ao parque! – discorda Eun. – A gente pode jogar uma pelada com três de cada lado.

– Que tal ao boliche? – sugere Min sem mais nem menos. – Eles têm games lá.

Sorrio, indulgente.

– A gente pode fazer as três coisas. Abriu um parque de diversões em Battersea Park. Lá tem um zoológico, e eu acho que o parque que abriu tem até games, Min.

Uma centelha de interesse surge em seus olhos.

– Mãe, compra algodão-doce pra mim? – grita Eunji.

– Pra mim também, pra mim também! – secunda-o Yun.

Mamãe dá um sorriso desanimado.

– Um passeio com todos os meus coelhinhos. Que maravilha.

– Mas vocês têm que se vestir correndo – aviso. – Já é quase meio-dia.

– Mãe, anda logo! – grita Eun. – Você tem que se maquiar e se vestir agora!

– Só mais um cigarrinho…

Mas Eunji e Yun já saíram correndo da cozinha para vestir os casacos e calçar os sapatos. Até MinKi tirou os pés de cima da mesa.

– Jimin vai vir no nosso passeiozinho? – pergunta mamãe, dando uma tragada funda no cigarro.

Noto os olhos de Min se afiarem subitamente.

– Não, ele tem um monte de deveres de casa atrasados para fazer. – Paro de tirar a mesa de repente e dou um tapa na testa. – Ah, não. Que droga!

– Que foi, benzinho?

– Esqueci completamente. Não posso sair hoje. Prometi aos Choi que tomaria conta do recém-nascido deles agora à tarde.

Mamãe parece alarmada.

– Não dá para desmarcar e dizer que está doente, ou algo assim?

– Não, eles vão a um casamento e eu já prometi há um tempão que ficaria com o bebê. – Mal posso acreditar que sei mentir tão bem. – Além disso – acrescento, numa indireta –, nós precisamos do dinheiro.

Eun e Yun voltam para a cozinha, devidamente encasacados, mas param, na mesma hora sentindo a mudança no clima.

– O genial Jeongguk acabou de se tocar que a gente não pode ir – Min informa a eles.

– A gente pode ir amanhã! – mamãe exclama, animada.

– Nããão! – Eun uiva de desespero. Yun me lança um olhar de acusação, seus olhos azuis magoados.

– Mas vocês podem ir com mamãe – digo com naturalidade, tendo o cuidado de evitar seus olhos.

Eunji e Yun se viram para ela, olhos suplicantes.

– Mãe! Mãe, por favooor!

– Ah, tá bem, tá bem! – Ela suspira, me lançando um olhar aborrecido, quase zangado. – Tudo pelos meus filhinhos.

Enquanto mamãe sobe para se vestir e Eun e Yun correm pela casa num frenesi movido a glicose, Min torna a pôr os pés na mesa e começa a folhear tranquilamente uma revista em quadrinhos.

– Que desfecho inesperado – murmura, sem levantar os olhos.

Fico tenso, mas continuo a tirar a mesa.

– Que diferença faz? – respondo, em voz baixa. – Eunji e Yun vão sair e se divertir, e você vai ter cinco vezes o dinheiro que costuma carregar no bolso para gastar em games.

– Não estou me queixando – diz ele. – Só acho comovente o jeito como você inventou essa mentira complicada só porque Jimin tem vergonha de enfrentar o fato de que é um filho da mãe violento.

Paro de limpar a mesa, apertando a esponja com tanta força que a água quente e ensaboada escorre por entre meus dedos.

– Jimin não sabe nada sobre isso, OK? – respondo, a voz baixa de raiva reprimida. – A ideia foi minha. Porque francamente, Min, é fim de semana, os outros merecem se divertir um pouco, e Jimin e eu estamos totalmente arrebentados de tomar conta da casa a semana inteira.

– Aposto que ele está mesmo… depois de tentar me matar ontem. – E me fuzila com os olhos castanhos duros como balas.

Seguro a beira da mesa.

– Pelo que eu me lembro, foi toma lá, dá cá. E Jimin está tão quebrado que mal consegue se mexer.

Um lento sorriso de triunfo se esboça no rosto de MinKi.

– Bem, não posso dizer que fiquei surpreso. Se ele não passasse os dias se escondendo nas escadas da escola e aprendesse a lutar como um verdadeiro…

Dou um soco na mesa.

– Não me venha com essa babaquice machista de gangue – sibilo num sussurro furioso. – O que aconteceu de madrugada não foi nenhuma competição doentia! Jimin ficou extremamente abalado. Ele em nenhum momento teve a intenção de machucar você.

– É muita consideração da parte dele – responde Min, a voz destilando sarcasmo, ainda folheando a revista com uma calma insuportável. – Mas é meio difícil de acreditar, quando apenas algumas horas atrás ele estava com as mãos no meu pescoço.

– Você também teve sua parte nisso. Você deu um soco nele primeiro! – Lanço um olhar nervoso para a porta fechada da cozinha. – Olha, eu não vou discutir com você sobre quem começou o quê. Mas basta se perguntar o seguinte: por que diabos você acha que Jimin ficou tão transtornado? Quantos dos seus amigos têm um irmão que passaria metade da noite esperando que eles voltassem? Quantos têm um irmão que sairia batendo as ruas às três da madrugada por medo de que tivesse acontecido alguma desgraça? Quantos têm irmãos que fazem compras para eles, cozinham para eles, vão às reuniões de pais e os defendem quando são suspensos na escola? Será possível que você não entenda, MinKi? Jimin perdeu a cabeça porque se importa com você, porque te ama!

Min atira a revista na mesa, me dando um susto, seus olhos ardendo de raiva.

– Por acaso eu pedi a ele para fazer alguma dessas coisas? Você acha que eu gosto de depender da porra do meu irmão para cada coisinha? Não, você tem razão, meus amigos não têm irmãos mais velhos assim. Eles têm irmãos que saem com eles, tomam porre com eles, ajudam a descolar carteiras de identidade falsas, a entrar em boates e coisas assim. Enquanto eu tenho um irmão que me diz a que horas eu tenho que estar em casa, e aí me enche de porrada porque eu me atrasei! Ele não é meu pai! Ele pode fingir que se importa, mas é só porque tem mania de poder! Ele não me ama como papai amava, mas com certeza acha que pode me dizer o que fazer cada segundo do dia!

– Tem razão – digo em voz baixa. – Ele não te ama como papai amava. Papai se mandou para o outro lado do mundo no momento em que as coisas ficaram difíceis. Jimin podia ter largado os estudos no ano passado, arranjado um emprego e saído de casa. Podia ter resolvido ir para alguma universidade do outro lado do país no ano que vem. Mas não, ele só está se candidatando às que ficam em Seoul, embora os professores dele estivessem loucos para que ele tentasse conseguir uma vaga em algo muito melhor. Mas ele vai ficar em Seoul para poder morar aqui e cuidar de nós, para ter certeza de que nós vamos ficar bem.

Min esboça um sorriso sarcástico.

– Você está delirando, Jeongguk. Sabe por que ele não vai a lugar algum? Porque ele se borra de medo, só isso. Você já viu: ele não consegue nem falar com os colegas de turma sem gaguejar feito um retardado. E ele com certeza não vai ficar aqui por minha causa. Ele vai ficar porque está bêbado de poder, porque adora ficar dando ordens a Eunji e Yun, porque faz com que se sinta melhor por não conseguir articular uma palavra na escola. E vai ficar porque adora você, porque você sempre fica do lado dele em tudo, porque acha que ele é algum tipo de deus, e o irmão é o único amigo que ele tem no mundo. – Balança a cabeça. – Pode ser mais ridículo do que isso?

Fico encarando Min, encarando a raiva em sua expressão, a cor em seu rosto, mas principalmente a tristeza em seus olhos. Dói ver que ele ainda sofre tanto por causa de papai, e tenho que ficar me lembrando que ele só tem treze anos. Mas não consigo encontrar uma maneira de fazer com que saia do seu círculo de egocentrismo, ainda que por um segundo, e enxergue a situação de outro ponto de vista que não o seu. Finalmente, em desespero, digo:

– Min, eu entendo por que você se revolta com a posição de autoridade de Jimin, sinceramente. Mas ele não tem culpa por papai ter ido embora, nem por mamãe ser do jeito que é. Ele só está tentando cuidar da gente porque não há mais ninguém para fazer isso. Eu te juro, Min, Jimin preferiria mil vezes continuar sendo seu irmão e amigo. Mas pensa bem… nessas circunstâncias, o que ele poderia ter feito? Que escolha ele teve?

 

Quando a porta da frente finalmente é batida e as vozes excitadas vão se afastando pela rua afora, solto um longo suspiro de alívio e dou uma olhada no relógio da cozinha. Quantas horas será que temos até Yun e Eun começarem a brigar, Min a discutir por causa de dinheiro e mamãe decidir que já fez mais do que o bastante para compensar sua ausência durante a semana inteira?

Considerando o tempo do percurso, acho que umas três horinhas – quatro, se tivermos sorte. Sinto que devo começar a aproveitar imediatamente, experimentar todas as coisas que estou sempre planejando fazer, mas empurrando com a barriga porque tem sempre algo mais urgente acontecendo… Mas de repente parece um luxo absurdo ficar aqui sentado na cozinha silenciosa, a luz do sol rendilhada entrando pela janela e aquecendo meu rosto – sem pensar, sem me mexer, sem me preocupar com deveres de casa ou discutir com Min ou tentar controlar Eunji ou divertir Yun.

Apenas existindo.

Sinto que poderia ficar aqui para sempre na tarde ensolarada e deserta, jogado de lado nessa cadeira, meus braços cruzados para trás na curva lisa do encosto, vendo os raios de sol dançarem por entre as folhas, os galhos espiando pela janela, criando sombras ondulantes no chão ladrilhado. O som do silêncio enche o espaço como um cheiro delicioso: sem vozes altas, portas batidas, pés marchando, música ensurdecedora ou vozerio de desenhos animados.

Fecho os olhos, o sol quente acariciando meu rosto e pescoço, enchendo minhas pálpebras de uma névoa rosa-choque, e encosto a cabeça nos braços cruzados. Devo ter pegado no sono, porque de repente o tempo dá um salto e eu me pego sentado num raio brilhante de luz branca, estremecendo e massageando o torcicolo no pescoço e a rigidez nos braços.

Me espreguiço e levanto, todo duro, indo encher a chaleira. Quando sigo para o corredor com duas canecas fumegantes e me dirijo à escada, ouço um barulho de papéis às minhas costas e me viro. Jimin se refugiou na sala, entre fichários, livros e um mar de notas espalhadas sobre a mesa de centro e ao seu redor no carpete, sentado no chão, costas no sofá, uma perna estendida embaixo da mesa, a outra dobrada e equilibrando um volume pesado. Está parecendo bem melhor, muito mais relaxado em sua camiseta verde favorita e jeans desbotado, descalço, o cabelo ainda úmido do banho.

– Obrigado! – Tirando o livro do colo, ele aceita a caneca que ofereço.

Volta a se recostar no sofá, soprando o café, e eu sento no carpete encostado à parede em frente, bocejando e esfregando os olhos.

– Nunca tinha visto ninguém pegar no sono com a cabeça pendurada no encosto de uma cadeira. O sofá não é confortável o bastante para você? – Seu rosto se alegra com um raro sorriso. – E aí, me diz… como foi que você se livrou da tropa inteira?

Conto a ele sobre a sugestão do parque de diversões, a mentira sobre o bebê dos vizinhos.

– E você conseguiu convencer Min a participar desse passeiozinho familiar?

– Eu disse a ele que tem games no parque.

– E tem?

– Não faço a menor ideia.

Caímos na risada.

Mas o divertimento de Jimin não demora a passar.

– MinKi parecia…? Ele estava…?

– Muito bem: o mesmo Pitbull de sempre.

Jimin assente, mas seus olhos continuam perturbados.

– Sinceramente, Jimin. Ele está ótimo. Como está indo a revisão? – pergunto, depressa.

Empurrando o livro enorme com ar de nojo, ele solta um suspiro longo e trêmulo.

– Não entendo esse troço. E se o Sr. Lee entendesse, pelo menos eu não teria que aprender sozinho de um livro de biblioteca.

Sinto vontade de gemer. Estava esperando que a gente saísse para fazer alguma coisa agora à tarde – dar um longo passeio no parque, tomar um chocolate quente no Joe’s ou, luxo dos luxos, pegar um cineminha –, mas só faltam três meses para o simulado, e tentar estudar no feriadão do fim de ano com as crianças em casa o dia inteiro seria um pesadelo.

Não posso dizer que estou preocupado demais com meus testes, porque, ao contrário de Jimin, vou escolher as matérias que acho mais fáceis. Já o meu estranho irmão, por motivos que só ele conhece, escolheu duas das mais difíceis, matemática avançada e física, além de inglês e história, que exigem apresentações.

Minha simpatia é limitada: como nosso ex-pai, ele é um acadêmico nato. Dando goles distraídos no café, ele torna a pegar a caneta e começa a desenhar um diagrama complicado no pedaço de papel mais próximo, classificando as várias formas e símbolos com um código ilegível. Fechando os olhos por um momento, pega o papel e o compara com o diagrama no livro. Então amassa o papel, irritado, atirando-o do outro lado da sala, e começa a morder o lábio.

– Talvez você precise dar uma parada – sugiro, erguendo os olhos do jornal aberto ao meu lado.

– Por que eu não consigo decorar esse troço? – Ele me olha com ar suplicante, como se eu pudesse fazer a resposta aparecer num passe de mágica.

Observo seu rosto pálido, as olheiras fundas, e penso: Porque você está exausto.

– Quer que eu teste você?

– Quero, obrigado. Me dá só um minuto.

Quando ele volta ao livro, aos diagramas e rabiscos, seus olhos se franzem de concentração e ele continua a roer o lábio. Começo a folhear o jornal a esmo, minha cabeça lembrando por um segundo o dever de francês enterrado no fundo da minha mochila, antes de decidir que pode esperar. Chego à seção de esportes e, entediado, deito de bruços e pego um dos fichários de Jimin na mesa.

Folheando-o, observo com inveja as páginas e mais páginas de redações, invariavelmente acompanhadas por vistos e exclamações elogiosas. Nada a não ser A e A+. Fico pensando se no ano que vem posso tentar fazer os trabalhos de Jimin se passarem como meus. Os professores achariam que virei um gênio da noite para o dia.

Uma redação de tema livre recente me faz parar: escrita há menos de uma semana, as margens exibem a lista habitual de superlativos. Mas é o comentário da professora no fim que me chama a atenção: Uma descrição extremamente evocadora e poderosa do conflito interior de um jovem, Jimin. Uma história magnificamente elaborada sobre o sofrimento e a psique humana. Abaixo desse panegírico, em letras maiores, ela acrescentou: Por favor, pelo menos considere a hipótese de lê-la em voz alta na sala. Seria muito inspirador para os outros, e uma boa chance de você praticar antes de fazer sua apresentação.

Com a curiosidade atiçada, volto à página inicial e começo a ler a redação de Jimin. É sobre um jovem que volta à universidade nas férias de verão para saber se conseguiu se formar. Juntando-se aos alunos aglomerados ao redor do mural com os resultados, o cara descobre, para seu espanto, que tirou o primeiro lugar, o único no seu departamento. Mas, em vez de euforia, ele experimenta apenas uma sensação de vazio, e ao se afastar da multidão de estudantes que abraçam amigos abatidos ou comemoram com outros, ninguém parece notá-lo, nem sequer olha na sua direção. Ele não recebe uma única palavra de parabéns. Minha primeira impressão é de que deve ser algum tipo de história de fantasma – que o cara, em algum momento entre as provas finais e a volta para apurar os resultados, morreu em um acidente, ou algo assim –, mas finalmente o cumprimento de um dos professores, que pronuncia seu nome errado, mostra que me enganei. O cara está vivinho da silva. Mesmo assim, no momento em que dá as costas ao departamento e começa a atravessar o pátio, ele olha os prédios altos que o cercam, tentando calcular qual deles garantiria uma queda fatal.

A história termina e eu levanto a cabeça, atônito, abalado, assombrado com a força da prosa e à beira das lágrimas. Olho para Jimin, que está tamborilando os dedos no carpete, os olhos fechados, repetindo baixinho uma fórmula de física em tom de mantra.

Tento imaginá-lo escrevendo esse drama tão comovente e trágico, mas não consigo. Quem criaria uma história dessas? Quem seria capaz de escrever sobre algo assim, com tanta vividez, sem ter sentido essa dor, esse desespero, essa alienação na própria pele…?

Jimin abre os olhos e os fixa em mim.

– A força por unidade de comprimento entre condutores de eletricidade longos, paralelos e retos: F é igual a mu elevado a zero, iota elevado a um, iota ao quadrado sobre dois pi r… Ah, meu Deus, isso tem que estar certo!

– Sua história é incrível.

Ele olha para mim.

– O quê?

– A redação que você escreveu na semana passada. – Dou uma olhada nas páginas em minha mão. – Prédios Altos.

Os olhos de Jimin se afiam de repente, e ele fica tenso.

– O que está fazendo?

– Eu estava folheando o seu fichário e achei isso. – Mostro a redação.

– Você leu?

– Li. Achei um espetáculo.

Ele vira o rosto, parecendo extremamente desconfortável.

– Eu me inspirei num caso que vi na tevê. Será que dá para me testar nisso aqui agora?

– Espera… – Eu me recuso a deixá-lo tirar o corpo fora assim tão fácil. – Por que você escreveu isso? Sobre quem é a história?

– Ninguém. É só uma história, tá legal? – De repente ele parece zangado, seus olhos fugindo depressa dos meus.

Com o texto ainda na mão, não me mexo, cravando nele um olhar longo e duro.

– Você acha que é sobre mim? Pois bem, não é. – Sua voz se ergue, defensiva.

– Tudo bem, Jimin, tudo bem. – Compreendo que não tenho escolha senão dar marcha à ré.

Ele está mordendo o lábio com força, consciente de que não me convenceu.

– Bom, às vezes a gente tira algumas coisas da própria vida, muda um detalhe aqui, exagera outro ali – concede, virando o rosto.

Respiro fundo.

– Você já…? Você às vezes se sente assim?

E me preparo para mais uma resposta irritada. Mas ele apenas fixa os olhos na parede à sua frente, com ar apático.

– Acho que… todo mundo deve se sentir assim… de vez em quando.

Compreendo que isso é o mais perto que vou chegar de uma confissão, e suas palavras fazem minha garganta doer.

– Mas você sabe… que nunca, jamais vai ficar sozinho como o cara na sua história, não sabe? – digo depressa.

– Sei, claro que sei. – Ele dá de ombros.

– Porque você sempre vai ter alguém que te ama, Jimin, e só a você, mais do que a qualquer pessoa no mundo.

Ficamos em silêncio por um momento e Jimin volta às suas fórmulas, mas o rosto ainda está vermelho e percebo que ele não consegue prestar atenção. Dou mais uma olhada na mensagem escrita pela professora no fim da redação.

– Mas afinal… você leu isso em voz alta para a turma? – pergunto, animado.

Ele levanta os olhos, com um longo suspiro.

– Gguk, você sabe que eu sou um fracasso nesse sentido.

– Mas a história é maravilhosa!

Ele faz uma careta.

– Obrigado, mas mesmo que fosse verdade, não faria a menor diferença.

– Ah, Jiminnie…

Puxando os joelhos até o peito, ele volta a se recostar no sofá, virando a cabeça para olhar pela janela.

– E eu tenho que fazer essa droga de apresentação em breve – diz em voz baixa. – Não sei… não sei mesmo o que fazer. – Ele parece estar pedindo que eu o ajude.

– Você perguntou à professora se podia entregar o texto como dever de casa?

– Perguntei, mas é aquela australiana doida. Estou te dizendo, ela me persegue.

– Pelos comentários e notas que ela te dá, parece claro que tem você na mais alta conta – observo com diplomacia.

– Não é isso. Ela quer… quer me transformar numa espécie de orador. – Ele solta um riso forçado.

– Talvez esteja na hora de você se permitir ser convertido – sugiro, tímido. – Só um pouquinho. Só o bastante para experimentar.

Um longo silêncio.

– Gguk, você sabe que eu não posso. – Ele vira a cabeça bruscamente, vendo pela janela dois meninos de bicicleta fazerem manobras radicais na rua. – Eu me sinto como… se os olhares das pessoas me queimassem. Como se não restasse ar no meu corpo. Aí me dá aquela tremedeira ridícula, meu coração palpita, e as palavras… simplesmente desaparecem. Me dá um branco total, e eu não consigo mais nem entender o que está escrito numa página. Não consigo falar alto o bastante para as pessoas me ouvirem, e sei que elas estão esperando… que eu passe mal para poderem rir. Todos sabem… todos sabem que eu não consigo… – Ele se interrompe, o humor abandonando seus olhos, o fôlego curto e rápido, como se soubesse que falou demais.

Seu polegar esfrega a ferida sem dó nem piedade.

– Eu sei que isso não é normal. Sei que é uma coisa que preciso resolver. E… eu vou resolver, tenho certeza. Senão, como vou arranjar um emprego? Eu vou encontrar um jeito. Nem sempre vou ser assim… – Ele respira fundo, puxando os cabelos.

– É claro que não – me apresso a tranquilizá-lo. – Assim que você ficar livre da Belmont, aliás, de todo esse sistema educacional idiota…

– Mas eu ainda tenho que descobrir um jeito de enfrentar a universidade, e de trabalhar, depois disso… – Sua voz falha, e eu vejo o desespero em seus olhos.

– Você já conversou com essa professora de coreano? – pergunto. – Ela não me parece ser das piores. Talvez até pudesse ajudar. Te dar umas dicas. Melhor do que aquela terapeuta imprestável que te obrigaram a ver… a que te mandou fazer exercícios respiratórios e perguntou se você tinha sido amamentado em bebê!

Ele começa a rir antes mesmo de mim.

– Ah, meu Deus, eu já tinha quase me esquecido dela… a mulher era louca de pedra! – De repente, ele fica sério. – Mas a questão é que… a questão é que eu não posso… não posso mesmo.

– Você está sempre dizendo isso – observo, com delicadeza. – Mas você se subestima demais, Jiminnie. Eu tenho certeza de que você poderia ler alguma coisa em voz alta na sala de aula. Talvez não começar logo de cara com uma apresentação, mas de repente ler uma das suas redações. Alguma coisa mais curta, um pouco menos pessoal. É como fazer qualquer coisa, entende? Depois que você dá o primeiro passo, o segundo é muito mais fácil. – Abro um sorriso. – Sabe quem disse isso?

Ele balança a cabeça, revirando os olhos.

– Não faço a menor ideia. Martin Luther King?

– Você mesmo, Jiminnie. Quando tentou me ensinar a nadar.

Ele sorri brevemente ao lembrar, e então solta um lento suspiro.

– Tá. Eu poderia tentar, de repente… – Ele me dá um sorriso implicante: – Assim falou o sábio Jeongguk.

– Exatamente! – Sem aviso fico de pé, decidindo que o nosso raro dia de folga pede um pouco de diversão. – E em troca de toda essa sabedoria, quero que você me faça um favor!

– Ihhh…

Ligo o rádio, sintonizando a primeira estação pop que encontro. Então me viro para Jimin e estendo os braços. Ele solta um gemido, jogando a cabeça nas almofadas.

– Ah, Gguk, por favor, diz que está brincando!

– Como é que eu posso praticar sem um parceiro? – argumento.

– Eu pensei que você tinha abandonado as aulas de salsa!

– E abandonei, mas só porque passaram o curso da hora do almoço para depois das aulas. Mas enfim, eu aprendi um monte de passos novos com Yoongi. – Empurro a mesa para longe, empilho os livros e papéis e seguro a mão dele. – De pé, parceiro!

Com uma exibição teatral de relutância, ele obedece, mal-humorado, resmungando sobre o dever de casa inacabado.

– Vou restabelecer o fluxo sanguíneo no seu cérebro – prometo a ele.

Tentando não parecer constrangido e derrotado, Jimin fica no meio da sala, as mãos nos bolsos. Aumento o volume alguns decibéis, coloco uma das mãos na dele e pouso a outra no seu ombro. Começamos com alguns passos fáceis. Embora ele passe a maior parte do tempo olhando para os pés, até que dança direitinho. Tem um bom senso de ritmo e aprende novos passos mais depressa do que eu. Mostro a ele os movimentos que Yoongi me ensinou.

Depois que ele pega o jeito, ninguém segura mais a gente! Ele pisa nos meus dedos algumas vezes, mas como estamos descalços, só nos faz rir. Depois de um tempo, começo a improvisar. Jimin resolve me fazer rodopiar e quase me atira contra a parede. Achando isso engraçadíssimo, ele tenta fazer de novo, e de novo. O sol brilha no seu rosto, as partículas de poeira girando à sua volta na luz dourada da tarde. Relaxado e feliz, por um breve momento ele parece estar em paz com o mundo.

Logo estamos sem fôlego, suando e rindo. Depois de um tempo, o estilo de música muda – uma canção com uma batida lenta, mas não importa, porque estou tonto demais dos giros e risos para continuar. Passo os braços pelo pescoço de Jimin e descanso o corpo no dele. Noto o cabelo úmido grudando no seu pescoço e inspiro o cheiro de suor. Fico esperando que ele se afaste e volte a estudar física, agora que nosso momento doido acabou, mas para minha surpresa ele apenas envolve minha cintura e nossos corpos ficam balançando.

Pressionado contra ele, posso sentir as batidas fortes do seu coração contra o meu, seu peito se expandindo e contraindo depressa contra o meu, o sussurro quente do seu hálito fazendo cócegas no meu pescoço, sua perna roçando a minha coxa. Pousando os braços nos seus ombros, eu me afasto um pouco para olhar seu rosto. Mas ele não está mais sorrindo.



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