História Jogo da Mentira (Romance Gay) - Capítulo 14


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Categorias Originais
Tags Amizade, Amor, Bromance, Ciume, Gay, Lemon, Paixão, Romance, Romance Gay, Sexo Gay, Traição, Triângulo Amoroso, Yaoi
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Palavras 2.508
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Festa, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Fase 9: A última jogada


 

[Daniel]

— Eu só... — tentei procurar as palavras mas fui travado por um gaguejo — Desculpe, eu juro que não estava bisbilhotando. Não queria ter visto é só que... Eu pensei que...

— Daniel. — ele disse suave enquanto se aproximava com uma expressão indecifrável em seu rosto.

Senti um calafrio me roubar todas as forças. Eu estava ferrado em uma escala nunca antes vista.

— Ei... — senti uma de suas mãos sobre meu ombro — Está tudo bem.

Jamais havia ouvido uma frase tão tranquilizadora quando aquela em toda minha vida.

— Vem — disse caminhando em direção ao sofá — Senta aqui comigo.

Ainda totalmente acanhado eu fiz como ele pediu, me sentado ao seu lado porém com certa distância. Era totalmente estranho estarmos apenas nós dois ali, depois do que eu havia visto.

— Não precisa ficar envergonhado, ok? Eu sei que você não viu de propósito.

— Não, eu pensei que você estava sozinho. — falei sem jeito.

— Eu sei. — ele disse virando-se em minha direção — Onde está o Hugo?

— Dormindo. — respondi evitando contato direto.

— Olha pra mim. Acho que a gente tem que conversar.

E aceitando que não havia outra saída senão aquela conversa, me virei em sua direção.

— Primeiramente, é isso mesmo que você está pensando. — ele começou a dizer enquanto olhava firmemente em meus olhos — Eu e o Kennedy estamos namorando. Nos conhecemos alguns meses atrás, como eu contei, e naquele momento descobrimos que podíamos ser a companhia perfeita um ao outro. Não avançamos rapidamente. Trocamos mensagens, nos fizemos de desentendidos, até que em uma noite, após uma saída casual em um bar da cidade, trocamos nosso primeiro beijo dentro de seu carro. E depois daquele momento não havia mais como fingir, não havia mais como negar o que estávamos sentindo um pelo outro. E desde então estamos nessa relação. — me contou com um brilho lindo em seus olhos e arrancando o mesmo brilho dos meus — Segundamente, não ache que eu estou fazendo isso às escondidas por vergonha. Eu não tenho vergonha de como eu sou, Daniel. Eu me sinto muito feliz sendo assim. Tenho um filho incrível, ou melhor, dois. — falou com um sorriso mágico que me fez ficar de olhos marejados — Nunca deixei de ser pai por ser como sou. Nunca deixei de ser homem. Porém Kennedy não tem a mesma facilidade que eu. Até um ano atrás ele estava casado com uma mulher. Ele ainda está se adaptando ao seu novo sentimento. E eu respeito isso, sei que cedo ou tarde, se ele realmente me amar, ele não sentira mais nenhum receio em me assumir para o mundo. E estou disposto a esperar pacientemente por isso, porque é isso que nós fazemos quando amamos.

E por mais intensamente que eu tentasse, foi impossível segurar as lágrimas após aquelas palavras. Lá estavam elas escorrendo pelo meu rosto. Foi quanso senti sua mão tocar meu queixo em um afago tão suave que me fez querê-lo ali para todo sempre.

— Eu adoro você, garoto. — ele disse e sua voz não negava o choro que estava por vim — De todos os amigos do Hugo você é o que eu mais gosto. Agradeço aos céus todos os dias por ele ter conhecido alguém como você, Daniel. No dia que ele te conheceu ele me deu um segundo filho. Um motivo ainda mais forte para ser pai. Pai em dobro. E foi isso que eu tentei ser desde então.

— E você foi. — falei quase sem voz — Você foi simplesmente o melhor pai do mundo durante todo esse tempo. O Hugo tem tanto orgulho de você, ele te ama tanto. E eu sei exatamente o porquê, porque eu também te amo.

E então, quanto tudo o que estava preso em nossos corações foi finalmente exposto, nos aconchegamos em um caloroso abraço. E assim ficamos pelos instantes seguintes, chorando abraçados enquanto com sua mão Teddy afagava meus cabelos. Ao nos separarmos, nossos rostos molhados tinham um sorriso emocionado estampado nos mesmos.

— Agora vai deitar, está na hora. — Teddy disse e eu dei uma risada.

— Sim, papai. — brinquei — Vou sim. E você faça o mesmo.

— Boa noite, Dan.

— Boa noite. — respondi enquanto tinha a plena certeza de que não pregaria os olhos naquela madrugada.

No dia seguinte tomamos café normalmente. Sentamos à mesa, comemos waffles e conversamos sobre o jogo na noite anterior. Tudo absolutamente normal como se aquele momento entre eu e Teddy jamais tivesse acontecido.

— Ei, garotos. — Teddy chamou nossa atenção enquanto eu e Hugo discutíamos qual time havia feito uma melhor campanha durante a temporada — Não é nenhuma final da NBA, mas semana que vem tem a final do regional aqui na cidade. Que tal se fôssemos assistir? Sei lá, dar um pouco de visibilidade pro basquete em nosso país.

— Tô dentro. — Hugo confirmou rapidamente.

— É, vai ser legal. — concordei.

— Então combinado. Vou chamar o Kennedy pra ir com a gente. — disse lançando um pequeno sorriso em minha direção.

Hugo não desconfiava de nada. Nem sequer imaginava que seu pai estava vivendo uma grande história de amor. E eu tinha que esconder o brilho em meus olhos todo vez que lembrava daquele segredo.

°°°

Dias mais tarde era finalmente o dia. Estávamos bem animados para o jogo. Teddy foi me buscar em casa, conversou um pouco com minha mãe como de costume, já que meu pai nunca queria conversa com ele, e então fomos eu, ele e Hugo em seu carro. Encontraríamos com Kennedy na quadra. Faltavam quinze minutos para o começo do jogo e agora eu sabia de quem Hugo havia herdado a mania de se atrasar.

Os dois iam no banco da frente, eu atrás. Vendo seus rostos de lado eu ainda me surpreendia com a semelhança, pareciam não pai e filho, mas duas fases da vida de uma mesma pessoa. E olha, que belíssima pessoa.

— Para o carro! — Hugo disse quase gritando.

— Ei, calma. — Teddy disse encostando no acostamento próximo a um posto de gasolina — Qual o problema?

— O problema é que eu não vou comer cachorro-quente de beira de quadra.

Um fato sobre Hugo, ele odeia cachorro-quente desde... sempre.

— E aqui vende os melhores nachos que eu já comi. Lembra, Dan? — perguntou me lembrando de uma vez em que havíamos nos empanturrado de nachos naquele mesmo local.

— Estamos atrasados, Hugo. — Teddy insistiu.

Hugo cruzou os braços. Dezoito anos e não perdia a mania de fazer birra como um garoto revoltado por tudo.

— Tá bom. Mas vamos ligeiro. Kennedy tá sofrendo pra guardar nossos lugares. — Teddy cedeu destravando as portas do carro.

Descemos e enquanto Teddy trancava o carro eu e Hugo íamos na frente. Foi quando ouvimos o som do que parecia ser um telefone tocando.

— Vão na frente, eu encontro vocês. — Teddy disse jogando a carteira para Hugo — Ah, e eu quero chicletes. — afirmou enquanto levava seu telefone ao ouvido.

Enquanto caminhávamos em direção a loja de conveniências eu olhei para trás. Lá estava Teddy com um sorriso estampado em seu rosto. Era certo que estava conversando com Kennedy, um sorriso apaixonado como aquele não podia ter outro significado. Ao me virar para frente por pouco não dei de cara com a porta de vidro. Na verdade, foi Hugo quem me parou com seu braço.

— Presta atenção. — disse enquanto ria de minha cara — Sorte que sou teu amigo, ia ser hilário ver tu colando a cara no vidro.

— Ai de você se não tivesse me parado. — falei intimidador.

Em resposta ele apenas deu mais uma risada. Depois entramos na loja e ele foi direto para a seção onde ficavam seus tão preciosos nachos, lá pegou o pacote de maior tamanho e foi em direção aos chicletes que Teddy queria.

— Falta só mais uma coisa. — disse me olhando com uma cara de desconfiado e então deu a volta em direção a outra seção.

O segui e ao chegar lá entendi o motivo de seu sorriso sacana. Lá estava uma prateleira com preservativos de todos os tamanhos, cores e sabores (?).

— Nunca se sabe quando vai precisar de uma dessas. — disse escolhendo um dos pacotes de preservativos — Você viu que menina linda a que atende no caixa? Só queria ser aquele chiclete na boca dela.

— Não, eu não vi. Não é exatamente o tipo de coisa que me chama a atenção. — respondi francamente. 

— Posso te fazer uma pergunta? — Hugo perguntou em um tom de curiosidade mas ao mesmo tempo de vergonha.

— Vai em frente.

— Tipo, essa coisa de ser gay... — pausou por alguns instantes.

— Pergunta logo.

— Quando você faz... Você quem usa camisinha ou usam em você?

E eu enfim entendi o intuito de sua pergunta. Basicamente ele queria saber se eu era ativo ou passivo. Mas que cara atrevido.

— Que merda, Hugo. — falei tentando disfarçar minha evidente vergonha — Isso é pergunta que se faça?

— Ué, por que não? Não me venha se fazer de santo. Todo mundo sabe que você tava saindo com o Alex por aí até tarde da noite.

— E o que você tem a ver com isso?

— Nada, só o fato do Alex ser um completo babaca.

— Todo mundo é babaca pra você, Hugo. Pelo menos todos os garotos com quem eu já fiquei. — falei revirando os olhos.

— Sinal que tá na hora de você começar a questionar seu gosto pra homem. Ou melhor, moleque. — disse em um completo tom de deboche.

— Sinal que tá na hora de você cuidar de sua vida. — respondi fechando a cara. Eu não tinha o sangue frio que ele tinha, muito menos sua facilidade para falar sobre certos assuntos.

Saí andando em sua frente enquanto podia ouvir sua irritante risada em minhas costas. Minha vontade era virar e lhe dar um grande... soco na cara. Me aproximei da porta de saída e fiquei observando ele pagar as compras no caixa. Sem, obviamente, perder a oportunidade de ficar flertando com a jovem que estava claramente caindo na dele. Passei pela porta de uma vez, não tinha o menor estômago para ficar assistindo uma cena escrota como aquela.

— Por que você leva tudo tão a sério? — me perguntou quando enfim chegou ao meu lado do lado de fora — Ri um pouco mais, Daniel. Não vale a pena ficar se irritando com besteira. Eu fiz uma brincadeira, só isso. E você já fica todo revoltadinho.

Ele me tirava do sério e depois me vinha com essa. Jogando toda a culpa pra cima de mim como somente ele sabia fazer.

— Quer mesmo saber como eu faço sexo? — perguntei rude enquanto nos olhávamos nos olhos — Transa comigo!

E então sua cara de convencido foi totalmente possuída por uma expressão de surpresa boquiaberta.

— Caso contrário, cuida da sua vida.

Foi nesse momento em que tudo mudou. Dei duas passadas firmes, deixando Hugo para trás enquanto meu olhar estava no cinza do chão a minha frente. De repente o mundo parecia estar em câmera lenta. Foi quando ouvi algo. Um estrondo ensurdecedor. Minhas pernas travaram por completo. Meu corpo pareceu entrar em transe. Ergui o olhar lentamente e lá estava Teddy, mas não estava sozinho, havia alguém em sua frente. Uma figura coberta em panos escuros, de rosto mascarado e que tinha em suas mãos... uma arma. Só ali eu descobri do que havia sido o som que eu ouvi. Um disparo. Teddy tinha sua mão pouco abaixo do peito, e no rosto uma expressão devastadora. E então vi a figura mascarada correr para longe, enquanto lentamente Teddy ia de encontro ao chão.

Senti tudo tremer próximo a mim. Eram os passos de Hugo totalmente apavorados. Vi-o chegar até o pai e somente ali consegui tomar posse de meu corpo novamente.

— Pai! — ouvi um grito cheio de dor escapar pela boca de Hugo — Não, não, não!

E então comecei a correr em direção aos dois. Pai e filho. Só quando cheguei perto o suficiente pude ver quão grave era tudo aquilo. Teddy tinha mais sangue do que eu jamais havia visto derramado sobre seu peito. Hugo apenas o abraçava em total estado de choque, ambos deitados ao chão. Fui eu quem chamei o socorro. Não tive coragem de me aproximar mais, fiquei de pé a alguns passos de distância. Por mais que eu o amasse como um, Teddy não era meu pai. Aquele era um momento apenas seu e de Hugo.

Quando a ambulância enfim chegou, da qual um dos enfermeiros teve que conter Hugo, ouvi a voz de Teddy me chamar em um ruído quase inaudível.

— Daniel... — disse buscando forças no fundo da alma enquanto eu me aproximava da maca onde ele era carregado — Cuide dele, Daniel. Por favor. Me prometa que nunca irá deixá-lo.

E eu, com lágrimas nos olhos, apenas segurei sua mão por breves segundos antes dele ser posto dentro da ambulância.

— Eu prometo. — falei selando o meu destino.

Posso considerar aqueles minutos dali até o hospital como os piores de minha vida facilmente. Nunca havia visto um Hugo tão devastado como aquele que estava em minha frente. Não que não fosse compreensível, afinal, era o sangue de seu pai que estava derramado sobre sua camisa, seus braços e até mesmo seu rosto.

Dentro do hospital liguei para Kennedy. Seu desespero ao receber a notícia foi de partir o coração. Foram minutos até ele brotar no corredores do hospital. Seus olhos estavam úmidos como se houvesse chorado durante todo o caminho, e eu não acredito que tenha sido diferente. Eu e Hugo estávamos sentados em um banco, Kennedy estava de pé mais à frente, com suas costas coladas a cerâmica fria. A polícia veio conversar conosco, a explicação mais plausível era uma tentativa de assalto que saiu do controle. Nesse momento vi Hugo levar uma das mãos sobre o bolso, sentindo a carteira de Teddy e então tive certeza do que se passava em sua cabeça.

— Não foi culpa sua. — falei entrelaçando meus dedos aos daquela mão leve e sem forças.

E ele desabou a chorar, não que já não estivesse chorando antes, mas agora chorava com uma intensidade que me matava por dentro. Foi quando um médico veio até nós. Ao ver nosso estado de dar pena, ele nem parecia ter coragem de nos dizer o que devia ser dito, mas seu olhar não negava. Eu, Hugo e Kennedy já sabíamos o que havia acontecido dentro daquela sala de emergência. 

Sem nada a dizer levei meu rosto até o de Hugo, deixando nossas testas coladas uma a outra enquanto chorávamos juntos. Teddy havia feito a sua última jogada. Teddy havia partido.

 

 

 

 


Notas Finais


Voltei. Esse não foi um capítulo fácil de se escrever, a história de Teddy pedia um pouco mais de leveza em meus pensamentos. Porém espero que tenham gostado do resultado. Foi realmente um momento bem triste na vida de nossos garotos, e que eu achei que seria importante contar.

Caso queiram mergulhar em um pequeno conto sobre as escolhas que fazemos em nossas vidas, postei uma one shot essa semana, com menos de mil palavras (840) e caso tenham interesse deixarei o link logo abaixo.

Destruidor de Sonhos:
https://spiritfanfics.com/historia/destruidor-de-sonhos-one-shot-10910603


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