História Kill Sangwoo - Capítulo 5


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Categorias Killing Stalking
Personagens Oh Sangwoo, Yoon Bum
Tags Kill Bill, Killing Stalking, Killing Stalking Au, Killing Stalking Ua, Oh Sangwoo, Vingança, Yoon Bum
Visualizações 27
Palavras 5.926
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Slash, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pessoal, eu queria pedir encarecidamente pra todo mundo que está lendo aqui se manifestar nos comentários se a distribuição das cenas ficou confusa demais. Eu estou seguindo o modelo Tarantino no roteiro da fanfic, contando a história com a cronologia bagunçada, mas esse capítulo é um pouquinho maior e tem mais partes.
Portanto, eu fiquei com medo de o capítulo ficar confuso e os leitores ficarem desnorteados.
Então, por favor, me digam nos comentários se vocês se sentiram assim durante a leitura que eu mudo a ordem das partes pra ficar um pouco menos bagunçado, okay?
Valeu, boa leitura o/

Capítulo 5 - CHCl3


Apesar de espaçoso, a luz fria e ofuscante do teto, a falta de janelas e as paredes cinzentas mofadas tornavam o espaço claustrofóbico e opressor. Havia prateleiras cobrindo todas as paredes, abastecidas com remédios e livros. Também algumas mesinhas ao redor poltrona do doutor e do divã para o paciente, que ficavam de costas um para o outro.

Aquela era sua terceira sessão com ele, até agora não tiveram muito progresso. Teve uma com o Dr. Seok no dia anterior. Era o psiquiatra geral do Yatang que tomaria conta de suas dosagens de remédios. A consulta chegou a render alguns frutos, ele era uma pessoa muito séria, mas era bastante frio.

Seu medo mesmo era da Dra. Kwon, que era responsável pelas terapias mais intensas. Ouviu histórias horríveis sobre as sessões dela, desde a mais inofensiva terapia de renascimento, até técnicas que são proibidas na maior parte do mundo.

Hong Ji era terapeuta e psiquiatra, especialista em transtornos bipolares, transtornos de múltiplas personalidades, quadros dissociativos e em borderline, que era o caso do Bum.

 — Boa tarde, doutor.

 — Fique à vontade, por favor.

 — Obrigado… — murmurou, enfiando as mãos dentro dos bolsos da calça de moletom, atirando-se preguiçosamente no divã logo atrás da poltrona do terapeuta.

Hong abriu em seu colo um pequeno caderninho onde havia feito as anotações sobre o caso de Yoon Bum.

Quando vi o Dr. Hong pela primeira vez, ele tinha cara de ser um profissional competente… Mas as aparências enganam bastante. Eu sou quem mais tem experiência com essa frase.

.

.

.

A manhã seguinte foi tão iluminada quanto todos os dias da minha vida.

O refeitório, como em todos os momentos desde que foi construído, tinha aquela atmosfera carregada de dezenas, centenas de pessoas amontoadas comendo da mesma merda. O cheiro da comida quente conseguia ser quase tão desagradável quanto o cheiro de remédio vencido que emanava do resto do asilo.

Mas nem tudo estava tão cinza assim para Yoon Bum. Aquela foi sua primeira noite de sono “tranquila” desde que chegou. Depois da conversa libertadora que teve com Chung-ho, tê-lo por perto no quarto o fez se sentir mais à vontade e não foi incomodado por pesadelos tão pesados quanto costumava ter. Acordou de madrugada apenas uma vez. Já era um começo.

O fato era que estava com a cabeça melhor descansada e não amanhecera tão sem vida quanto em seus outros dias.

Se aproximou da mesa já ocupada pelos dois. Hyeri parecia perigosamente irritada, e Chung-ho parecia tranquilo até demais. Suspeito… Mas relevou, e se sentou na terceira cadeira vaga, com um pequeno e discreto meio-sorriso para os dois.

 — Bom dia.

 — Vai tomar no cu. — Hyeri respondeu.

 — Tá bem.

 — Bom dia, Bum. Dormiu bem? — Chung-ho ignorou a raiva da amiga, se inclinando levemente sobre a mesa.

 — Melhor do que eu achei que conseguiria. E você?

 — Consegui a proeza de tirar um chochilo de quarenta minutos antes do primeiro toque de despertar. — ironizou, voltando a descansar o peso da coluna no encosto da cadeira. — Você já foi designado pros seus terapeutas, não foi? Quem são?

 — A Dra. Kwon, o Dr. Hong e o Dr. Seok. Acho que tenho terapia com o Hong todo dia, a Kwon a cada dois dias e o Seok toda terça-feira… Ou o Seok a cada dois dias e a Kwon toda terça-feira, sei lá.

 — A Kwon é horrorosa, ela é uma nazista. — Chung-ho rosnou, cruzando os braços. — Ela é literalmente uma carrasca. A ala dela vira uma câmara de tortura neonazista, dependendo do humor dela no dia. Hong e Seok também não são flor que se cheire.

 — Eu estou com medo… Eles parecem ser horríveis… Eu não sei como que eu fui me meter num buraco desses e como ninguém se presta pra tentar me tirar daqui… — se desesperou, remexendo inquieto as mãos sobre o colo e receoso para comer, mais uma vez.

 — Ei, ei… — Chung-ho voltou a se inclinar sobre a mesa. — Você não precisa ter medo deles, a gente te dá todo o apoio que você precisar para aprender a voar.

 — Vão se foder, vocês dois. Eu odeio vocês. — Hyeri, apropriadamente, se levantou da cadeira e foi embora com várias pragas sendo largadas por sua boca no caminho.

Ela tem um coração enorme.

 — O que deu nela?

 — Parece que ficou irritada porque conseguimos… “convencê-la”. — Chung-ho falava discretamente, pois havia vários funcionários passando por perto para garantir que ninguém estava fingindo comer. Ele falava do plano de fuga.

 — Por que ela está irritada? Interessa a ela, não interessa? — perguntou confuso, pesadamente meneando a cabeça para o lado. Hora pesando para um lado, hora pro outro.

 — Sei lá, ela odeia tudo. — falou, risonho. — O que você pegou na sua bandeja?

 — Eu não sei. Tinha um monte de coisa estranha ali e eu escolhi o que parecia mais inofensivo… Ainda assim, isso aqui é tão estranho que parece que vai me atacar.

 — Ouvi dizer que já aconteceu. Por isso eu como tão longe do prato. — brincou, gesticulando entre a mesa e seu peito. — O pessoal inventa várias lendas pra assustar os novatos.

 — Eu pensei que pessoas em tratamentos diferentes não podiam interagir.

 — A vigia não é tão rígida o tempo todo, sempre tem um jeito de achar uma brecha. Fora isso, dependendo do número de vagas, eles não têm opção senão colocar pacientes de tratamentos diferentes no mesmo quarto. A Hyeri e a colega dela são um exemplo. Aí um ouve a história do outro dentro do quarto, e conta pra um segundo no refeitório, que conta pra mais um na biblioteca, e assim vai.

 — E você entra nessas correntes.

 — Eu até tenho meus contatos, mas eu diria que sou um lobo solitário. — descansou a coluna no encosto da cadeira, dando uma última garfada em sua refeição. — Fiquei amigo da Hyeri porque me forçaram a falar com ela. Não é comum aparecerem pessoas pra fazer o mesmo tratamento que a gente.

 — E eu…?

 — A sua presença me deixou curioso. — apoiou os cotovelos sobre a mesa.

Aquele sorriso sempre irônico e sarcástico se suavizou num ar dócil, diante da reação tímida do homem do outro lado da mesa. O rosto baixo e todo vermelho, com um sorrisinho encantador.

 — “O que esse passarinho está fazendo num lugar desses?”, eu pensei.

Ah, Chung-ho…

 — Mudando de assunto, hoje é dia de visita. Você acha que o Seungbae vem?

 — N-Não sei. — respondeu ainda acanhado. Ele parecia querer brincar com suas reações. Mas era um jogo divertido. — Ele vive dizendo que vem, mas tá na cara que não vem. Na verdade, nem é ele que me diz, é o namorado que fala por ele no telefone.

 — Me desculpa, mas eu não gosto desse cara. Ele mais atrapalha do que ajuda.

 — Não precisa se desculpar, eu concordo com você. — revira os olhos, voltando a encarar o prato de comida. — O Seungbae não se cuidou direito. Não planejou direito seus passos. Chegou muito perto de me salvar, no final do primeiro ano, mas tudo foi por água abaixo. Ele* conseguiu incriminá-lo por algo que não fez.

 — E então foi afastado da polícia e só voltou no final do ano seguinte? — Bum confirmou com a cabeça. — Tudo que você faz, se vai arriscar a sua integridade ou a de pessoas ao seu redor, precisa ser milimetricamente planejado.

 — Acho que você é profissional nisso. — riu.

 — Os meus planos são pessoais e, admito, egoístas. Os dele eram para salvar a sua vida. E ele fez nas coxas. Quem pagou pelos erros dele foi você. Ele não tem o meu respeito.

 —… Você não quer machucar ele, quer?

 — Querer eu quero, mas ele não tem culpa por ser imbecil. Ele precisa é de semancol.

 — Concordo. — afirmou, risonho.

Aquela era sua segunda semana no Yatang House e Chung-ho lhe ajudou mais nesses quatorze dias do que Seungbae em dois anos de investigações e trinta dias de “liberdade”. O policial jurava por tudo que era mais sagrado que estava fazendo o possível para tirá-lo do YH, mas nunca recebia notícias de progresso. Seyoon apenas dizia “Ele ainda está tentando”.

Agora era a hora da verdade. Cerca de duas horas depois do horário do café da manhã de sexta-feira, era o horário das visitas. Saberia se Seungbae era feito de carne e osso ou só de promessas vazias.

.

.

.

A mesa de metal frio debaixo de suas mãos trêmulas, situada no centro de uma conversa entre duas pessoas. Bum estava diante de Seyoon. Não era para Seyoon estar lá. Pelo menos, não sozinho.

O homem feito de promessas vazias, senhoras e senhores. Claramente ele estava invisível logo ao lado do jovem senhor sentado ao outro lado da mesa.

 — Por que ele não veio? — Bum perguntou num tom exaustivo.

 — Oi pra você também. — Seyoon respondeu firmemente, com as sobrancelhas arqueadas.

 — Me desculpa, Seyoon, mas eu não estou gostando nem um pouco do jeito que as coisas estão ficando. Está claro que o Seungbae não está tentando me ajudar, ou pelo menos não está tentando o suficiente. Já faz quase três semanas que nem escuto a voz dele.

 — Bum, você precisa entender que ele foi afastado da polícia por muito tempo. Ele gosta muito de se provar para os superiores, ainda mais depois dos problemas que teve no passado.

 — Esse lugar não fica tão longe da cidade, mas eu até consigo entender se ele não tiver tempo de vir. Mas ele não tem tempo nem pra ligar pra mim??

 — Você parece estar muito ansioso para receber uma ligação do meu namorado, Bum. — afirmou, aparentemente muito ofendido.

 — Seyoon, dá um tempo. Olha pra minha cara. Olha onde eu estou. Olha o que aconteceu comigo. Eu tenho cara de que quero roubar o namorado de alguém? Aliás, eu tenho cara de que estou procurando namorado agora? Você é muito mais inteligente do que isso. — franziu o cenho. A resposta não pegou apenas Seyoon desprevenido, mas diria que pegou a ele mesmo.

 — M-Me desculpa… Eu não quis dizer isso… — se acuou, encolhendo-se sobre o encosto da cadeira. — Eu… Eu só queria que você soubesse que ele sempre está atualizado do que está acontecendo com você. Eu sei que não parece, Bum. O Seungbae é péssimo para cumprir promessas e é muito estabanado. Mas ele se preocupa contigo, vai por mim.

 — Não é o que eu sinto. Acho que isso é o que mais deveria importar. — cruzou os braços, irritado. — Ele me salvou, ele passou dois anos da vida dele se dedicando a me salvar, eu nem tive a chance de agradecer pessoalmente direito. Eu queria pelo menos poder ter essa experiência.

 — Você vai ter, Bum. Eu prometo. Isso não é uma promessa do Seungbae, é uma promessa do Seyoon. — sorriu amigavelmente, logo depois se inclinando para o lado de sua cadeira à procura de alguma coisa. — Eles te entregaram uma mochila com as suas coisas, mas a administração daqui só liberou a entrada dela ontem. — colocou uma mochila preta sobre a mesa, e ao olhar de relance o que tinha dentro dela, Bum pôde ver algumas de suas roupas que tinham ficado na casa dele. De repente, Seyoon se inclinou bastante sobre a mesa e sussurrou de forma quase inaudível: — Eu escondi um lanche do McDonald’s aí.

Num ânimo repentino, Bum começou a remexer as roupas com cuidado, e pôde ver uma caixa amarela logo no fundo da mochila.

 — Você é muito melhor que o Seungbae, Seyoon.

 — Eu sei. Por isso ele precisa de mim.

.

.

.

Chung-ho estava deitado revirando seus cadernos de desenho. Bum, sentado logo ao lado com as pernas cruzadas, olhava curioso para os dedos magros e longos que folheavam rapidamente à procura de algum desenho bom para mostrá-lo. Como se todos não fossem bons, ele pensou com um meio sorriso.

Depois de saírem do refeitório, Chung-ho teve que ir ao Dr. Seok para tomar uma injeção. Quando estava de volta, encontrou Bum ainda admirando o desenho que havia feito de si. E desde aquela hora, mostrou dezenas de desenhos que tinha consigo nos inúmeros cadernos que ainda guardava. Não estava se gabando, de forma alguma, mas quanto mais ele mostrava, mais Bum pedia para que mostrasse outros. Agora, estava em uma procura incessante de um que havia feito muito tempo atrás e não encontrava de jeito nenhum.

 — Não precisa se preocupar tanto, Chung-ho. São todos maravilhosos. — falou rindo.

 — Preciso sim! Eu estou quase achando, espera só um…

Foram interrompidos por uma batida grosseira na porta.

Bum prontamente se levantou, deixando Chung-ho procurando o tal desenho que tanto queria mostrar, e abriu a porta. Uma das faxineiras estava ali. Ela o olhou com desgosto aparente em suas rugas, apoiada no esfregão velho.

 — Sua visita tá te esperando. — ela disse com amargor pesado na voz.

 — Okay… — suspirou, virando o pescoço para o homem ainda deitado. — Eu já volto.

Chung-ho apenas assentiu com a cabeça e fez um pequeno sinal positivo com a mão, e Bum foi andando pela porta afora. Por algum motivo, a funcionária continuava esperando na porta do quarto, olhando para o homem deitado que sentiu o peso do olhar sobre si.

Lee Hei, aquela senhora trabalhava no Yatang House desde que abriu as portas, trinta anos atrás. Todos os funcionários odiavam, mas aquela mulher em especial parecia ter um ranço específico sobre si. Talvez fossem as tatuagens.

 — Pois não? — perguntou de sobrancelhas arqueadas, vendo a faxineira ainda parada na porta.

 — Eu disse que a visita tá esperando.

 — Não tenho visita, Hei. Nunca tenho. — meneou a cabeça, desviando o olhar de volta para seus cadernos.

 — Então parece que vai chover, porque tem alguém te esperando na sala de visita. —ela disse num tom esnobe, de nariz torcido e uma retribuição na arqueada de sobrancelhas. — Levanta logo, garoto.

Viu-se numa situação apertada quando a velha invadiu o quarto e ameaçou lhe golpear com aquele esfregão, então apenas se levantou e a obedeceu. Devia ser algum engano, sabia que havia um ou dois caras com nomes parecidos com o dele lá dentro. Mas checar não iria matar ninguém. Além disso, poderia ver se Seungbae veio de verdade.

Para sua surpresa, na sala de visitação, Bum estava sentado em uma mesa a falar com alguém que, definitivamente, não se encaixava nas descrições que tivera de Yang Seungbae. Aquele era provavelmente o tal do Seyoon. No fim, apenas promessas vazias.

E no meio da sala cheia, havia apenas uma mesa incompleta. Nela, estava sentado um homem sozinho que esperava pacientemente por alguém, logo atrás dele havia outro homem em pé, alerta. Ereto, altivo, de cabelos curtos e escuros e terno social completamente preto. O segundo homem, não reconhecera.

“…?”

Não conseguia pensar em ninguém que pudesse querer visitá-lo depois de seis anos de abandono. O máximo que conseguia pensar era em sua mãe, algum de seus poucos amigos da época da escola ou Shaiya.

Mas, definitivamente, em hipótese alguma, nunca, jamais, em tempo algum, pensaria que essa visita seria… ele?

Aos poucos se aproximava para ter certeza se era realmente quem pensava, até dar por si e estar diante de seu espelho maligno.

Ele tinha uma expressão séria e de puro desgosto. Os olhos idênticos aos seus lhe encaravam como se tentasse arrancar sua alma com a força do pensamento, e a testa brilhava debaixo de algumas pequenas e discretas gotículas de suor tenso.

 — E aí… Mano. — ele declarou num suspiro, e Chung-ho mal conseguia retribuir o olhar penetrante, tamanha era sua surpresa e confusão.

 — Oi, Jun-ho. — respondeu secamente.

Dezenas de perguntas, teorias, hipóteses e impropérios passavam por sua cabeça diante de toda a situação que o cercava. A ausência de Seungbae e a presença deste elemento indesejado pareciam poucas informações, mas eram demais para a cabeça de Chung-ho, que havia acabado de tomar mais um remédio na veia do pescoço e definitivamente não tinha cérebro o suficiente para processar tanto de uma só vez.

 — Você está péssimo. — Jun-ho comentou indiferente, o olhando de cima a baixo com um olhar de puro desdém.

 — E você está tão perfeitinho que parece que saiu de dentro de uma embalagem. — respondeu com um levantar de sobrancelhas provocador. Era o máximo que conseguia tirar de si naqueles momentos em que tentava assimilar o que acontecia ao seu redor.

 — Obrigado. — respondeu ironicamente. — Há quanto tempo, não é?

 — Podia ter sido até mais.

Silêncio. Apenas o som das demais conversas ao redor.

 — Então… Como andam os tratamentos?

 — Você não se importa. Nem você, nem o resto do pessoal em casa.

 —… Tem razão.

Mais silêncio. Queria ir direto ao ponto. Nada o impedia, então foi.

 — O que você quer, Jun-ho? Vocês nunca vieram me visitar e nunca ligaram pra saber como eu estava. O que vocês querem? E quem é esse aí atrás de você?

 — O pessoal insistiu que seria perigoso me mandar para perto de você sozinho e mandaram o Yao de guarda-costas pra mim.

 —… É claro. Mas você sabe que não precisa dele aí.

 — Sim. Eu sei.

 — Ele vai ficar aqui?

 — Eu o deixaria mais para apartar a briga, se houver uma.

 — Justo. Acho justo. É até estranho da sua parte.

 — Olha, Chung-ho… — meneou a cabeça impacientemente.

 — O quê? Vai negar? Vai negar que viveu de injustiça até agora?

 — Eu não vim aqui pra falar disso, tá. — respondeu secamente, se inclinando sobre a mesa. — E só pro seu governo, eu não me arrependo de nada.

 — Então o que caralho você quer???

E mais silêncio. Dessa vez, um silêncio tenso, ansioso, cheio de arfadas e suspiros por parte de Jun-ho. Ele parecia ter algo preso dentro de si, algo que não conseguia deixar sair e era muito estranho ver aquele homem naquela situação tão autodepreciativa, de certa forma. Mas, uma hora, tudo saiu como um tsunami em seu clímax.

 — Chung-ho, o pai morreu.

.

.

.

— Paramos quando começamos a falar sobre o que você acha das pessoas ao seu redor. — ele, com aquela falsa voz suave e falsa compreensão, resumiu num tom didático.

 — Ia me perguntar sobre… Como me relaciono.

 — Sim. Vamos começar devagar, por favor. Seu ritmo parece ser bem calmo. — disse com um sorrisinho confiante. — Seus amigos.

 — O que tem meus amigos?

 — Você é uma pessoa que consegue fazer amigos facilmente, Sr. Yoon?

 — Não.

 — Respondeu muito rapidamente. Você sabe me dizer por que não consegue fazer amizade com as pessoas?

Por que será, Dr. Hong, o especialista em quadros dissociativos e borderline?

 — Achava que já tivéssemos conversado o suficiente para você saber que eu não consigo confiar nas pessoas facilmente, doutor. Todas as pessoas na minha vida me trataram com descaso ou tentaram me machucar. E agora eu só tenho pessoas que se afastam de mim sem me conhecer. E me privam da minha liberdade, sempre privaram. Além do que, em todo grupo que me envolvo, eu só vejo pessoas olhando para mim e cochichando entre si.

 — Não deveria se importar com…

 — Pff… Doutor, você é um profissional, você devia saber que “não se importar com o que dizem” é uma frase vazia. Em especial para pessoas que levaram uma vida como a minha.

 — Tudo bem, tudo bem, se calme… Vamos dar continuidade. — falava na defensiva, enquanto anotava alguma coisa no caderninho.

Três meses. Três meses de terapia e aquele cara não só me tratava ainda como um completo estranho, como também agia como alguém que não tinha diploma algum.

 — Sabe que tipo de pessoa consegue “não se importar com o que dizem”? As que tiveram algum pontapé inicial para serem capazes de fazer isso. Algo em que pudessem se agarrar e se sustentar, sozinhas ou acompanhadas de alguém. Eu nunca tive nada, doutor. Eu já te disse isso tantas vezes.

 — Você não parece se importar com nada do que eu falo agora.

 — E você nunca pareceu se importar com nada do que eu te falei desde o começo da terapia.

 — O senhor parece bem menos tímido e bem mais direto nas últimas semanas. Alguma coisa mudou desde que começamos, Sr. Yoon? Algum, como você mesmo disse, pontapé inicial? Algo em que você pôde se agarrar, talvez?

 — Não.

Eu não queria dar aquele gostinho para ele… Não para um deles.

.

.

.

 — Chung-ho, o pai morreu.

 —… O quê?

 — Ele morreu, Chung-ho. Teve um infarto. Ele tá morto. Bateu as botas. Foi dessa pra melhor.

 — Está mentindo.

 — Não estou. — fechou os olhos, relutantemente.

 — Está sim. Você vive de mentiras. Conquistou tudo que tem com mentiras e me mandou para cá mentindo. — negava. Negava veementemente, e negava com muita razão. Mas no fundo de seu âmago, ele apenas desejava que tudo fosse mentira.

 — Se quiser confirmar, pode ligar pra casa e falar com a mãe. Só te aviso que ela não consegue parar de chorar e vai chorar mais ainda depois de ouvir a sua voz. — respondeu firme, cruzando os braços.

Era uma mentira muito bem arquitetada, não era?

“Quem eu queria enganar…?”

Nunca havia tentado, em sua vida toda, enganar ninguém. Mas naquele momento, ele enganava a si mesmo e simultaneamente sentia a culpa e o peso por aquilo. Era verdade, era claro. Ele conhecia Jun-ho como a palma de sua mão e sabia que aquilo, por mais doloroso que fosse, era verdade.

 —… Como aconteceu? Ele era tão saudável… — perguntou com a voz falha. Era mais uma pergunta para si mesmo do que para seu irmão.

 — Ele ficou sedentário de uns anos pra cá. Estávamos assistindo um filme juntos quando aconteceu. — assoprou com um leve, muito leve, toque de embargo em sua voz.

 — Céus… — suspirou. Tentava se recompor, mas era tudo demais para ele. O remédio parecia estar começando a bater… — E você… Você… Veio só me falar isso? Eu… Suponho que não.

 — Não. Me mandaram te avisar que o querem no funeral.

 — Por que me querem lá? — perguntou incrédulo.

 — Eles acreditam que o pai iria querer que você fosse. E eu concordo. Além disso, o pessoal tá com saudade de você, eles querem te ver. A mãe quer te ver, a Shaiya voltou pra Busan e também quer ver você, e a Eri quer te conhecer… — ele falava pressionando a própria têmpora, estressado. Ele apenas atirava palavras e se lembrava de todo aquele povo em casa que só falava Chung-ho isso, Chung-ho aquilo.

 — Quem é Eri? E se queriam tanto me ver, por que não vieram antes? E mandaram logo você pra falar comigo?

 — As coisas estão muito corridas por causa do velório, Chung-ho. A gente só podia mandar uma pessoa e eu… Eu acabei perdendo no par ou ímpar.

 — Decidiram quem ia vir me avisar que o meu pai morreu, depois de seis anos desde que me abandonaram aqui… No par ou ímpar? — Jun-ho não respondeu, apenas deu de ombros diante da expressão indignada de Chung-ho. — Eles realmente me querem lá?

 — Chung-ho, eu odeio você. Você sabe disso. Eu te odeio tanto, tanto, mas tanto, que eu poderia te esmurrar até você ficar completamente irreconhecível.

 — Temos bastante coisa em comum. Somos mesmo gêmeos…

 — Mas o pai amava você. Ele morria de saudade de você e ele com certeza iria querer que você se preocupasse com ele para fazer isso. Eu não vou deixar você desonrar o nome dele assim.

 — Pff… Me amava? Aquele homem me odiava. Aliás, me desprezava. Ele sempre me tratou que nem lixo.

 — Você sempre foi o favorito dele!

 — Favorito?? Você era o favorito. Eu costumava ser, e eu nunca pedi por isso, e foi você que mudou isso, Jun-ho. — ele dizia o nome do irmão com tanto asco na fala que parecia que iria vomitar.

 — Ah, pode acreditar, eu sei quando eu sou ou não o favorito de alguém. Você sentiu na pele o tanto que eu tentei destruir a sua imagem pra nossa família, mas . Ele amava você, por mais que te castigasse. Ele já tentou várias vezes te…

 — Se vai dizer que ele tentou me tirar daqui, pode ir parando. Eu não estou aqui há seis anos pra você chegar e me dizer que “tentaram me tirar daqui”. Seojun era um dos homens mais poderosos desse país, ele teria conseguido me tirar daqui antes da primeira semana de estadia, se quisesse de verdade. Vai, repete! Fala que ele me amava, que tentou me salvar!

Sem respostas. Não havia como responder.

 — Eu sabia… Você fez com que eles não se importassem comigo. Eu virei um motivo de vergonha, um gatilho pra família. Vocês nunca nem ligaram pra saber se os tratamentos estavam dando certo. A mãe ao menos sabe que eu tive dois ataques do coração por causa da insônia?

 — Não é pra mim que você tem que dizer isso, é pra ela. Quando você for pro fune-

 — Jun-ho, eu vou deixar duas coisas bem claras: Eu só vou sair daqui se vocês me garantirem que eu não volto mais. — o cortou secamente e com firmeza, batendo o punho sobre a mesa cinza. — E outra, eu não saio daqui…

 — Ótimo, porque eu não vou te deixar sair.

 —… Sem os meus amigos.

 — Olha só, um plot twist! Gang Chung-ho tem amigos, senhoras e senhores! Eles são imaginários, né? É claro que são.

 — São de carne e osso, espertinho. E eles são bem legais, sabe? Eles não gostam de mim por causa do meu dinheiro ou porque menti pra eles sobre o que eu era, como certas pessoas.

 — E quem são esses seus amigos, hein? Eles estão aqui? Estão nessa sala? Me mostra, Chung-ho.

 — Eu falo quem são, se me disser quem é Eri.

Sério. O pouco suor tenso na testa se triplicou.

 — Como sabe da Eri? — perguntou quase aflito.

 — Falou agora há pouco que ela queria me conhecer. Deve ter falado no embalo, né? Quem é ela, Jun-ho?

 —……… É a minha filha.

Ah, eis o verdadeiro plot twist. As coisas mudaram um pouco de figura…

 — Pobre criança. — ironizou.

 — Cala a boca, caralho.

E se calou mesmo.

 — Agora me fala quem são os seus amigos.

 —…

 — O gato comeu a sua língua?!

 — Ué, você me disse para calar a boca…

 — É melhor você não testar a minha paciência, Chung-ho. — levantou-se da cadeira, a batendo contra as pernas de Yao logo atrás, e atraindo a atenção das pessoas nas mesas ao redor.

 — Não tenho medo de você, mano. — o desafiou.

 — Isso é o que torna tudo isso mais divertido… — abriu um sorriso sádico. — Me fala… Quem são…

E um sinal tocou.

Era o fim do horário de visitas.

O sinal era rígido. Sem mais perguntas, sem despedidas, sem tocar, sem nada.

Jun-ho, fervendo de raiva, e Chung-ho, sentado vitorioso, trocaram um último olhar de puro ódio escaldante. Jun-ho foi andando, e Yao, ainda sério como o bom segurança que era, apenas deixou uma sacola grande sobre a mesa, e foi seguindo seu chefe.

.

.

.

Pensou muito apenas no timbre. O som de sua voz. Lembrou-se de algo que lhe disse no fim de seu primeiro dia no Yatang House, depois daquela experiência desagradável e turbulenta no refeitório.

“Aqui tem uma biblioteca bem grandinha, com uns livros até que bons.”

Yoon Bum não se lembrava da última vez em que encostou num livro. E não se lembrava de como a sensação de ler um era renovadora. Se era relaxante, isso dependeria do livro, mas era certamente um escapismo que não havia lhe preenchido já tinha muito tempo.

 — Tá lendo aquele que eu te falei?

Deu um pulo na cadeira com o susto, sentindo a presença dele logo atrás de si. Chung-ho parecia ter uma paixão estranha por surpreender as pessoas e, em especial, surpreender o Bum. Ele sempre parecia ter uma alegria intensa nos olhos quando o fazia, apesar de agora ele estar mais sereno.

 — Não faz isso, por favor. — riu, acompanhando com os olhos o movimento do colega de quarto puxando uma cadeira e se sentando ao seu lado. Ser mais alto que Bum não era uma tarefa das mais complicadas, mas Chung-ho era estupidamente gigante. Ele devia ter quase dois metros. — Eu ia ler aquele, mas esse aqui estava logo do lado e eu não resisti. — abriu um sorrisinho, dando de ombros.

 — É um bom livro? — apoiou o queixo sobre uma das mãos, pesando o cotovelo na mesa.

 — Se me ajuda a esquecer um pouquinho dos meus problemas, então tá valendo. — ironizou, meneando a cabeça. E ao se voltar para Chung-ho outra vez, encontrou nele uma expressão que definia a palavra “indecifrável”. Encarando um ponto fixo, com os olhos relaxados, as narinas tensas, o cenho meio franzido e os lábios inquietos. Era preocupação, era angústia, era medo, era seriedade, era o quê? — Está tudo bem?

 — Não. — respondeu num sopro embargado.

 — O que aconteceu?

 — Meu pai morreu.

“Era tudo aquilo de uma vez só.”

 — Nossa… E-Eu sinto muito… — disse com suavidade, empurrando o livro para o lado e se virando completamente para ele. — Foi por isso que ele veio?

 — Foi. — assentiu quase que dolorosamente. — Eles decidiram quem viria me contar… No par ou ímpar. Depois de seis anos de abandono… Eles decidem quem vai me contar sobre a morte do meu pai… No par ou ímpar.

Aquelas palavras, quanto mais saíam de sua garganta, mais embargada ficava sua voz. Tinha um nó cego enorme na traqueia, quase lhe impedindo de respirar. Era como um tumor cultivado por rancor, por ódio, por ranço. Ao fim da frase, ele já tinha uma ou duas lágrimas escorrendo pela pele das bochechas. Ah, segurou essas pequenas com muita força. De jeito nenhum choraria na frente do calhorda do irmão gêmeo. Nunca, jamais, em tempo algum.

Com o pulso trêmulo e muito relutante, Bum passou a manga da blusa por cima do dorso da mão e enxugou uma delas. No caminho de enxugar a segunda, Chung-ho gentilmente lhe segurou o braço, encaixando o rosto na palma da mão dele. Sua mão era tão pequena, delicada, parecia que se quebraria se apertasse com um pouco mais de força. E o que mais queria era ver aqueles punhos firmes como aço.

 — Eu vou ficar bem.

Aquele pequeno sorriso entristecido, o toque gentil e cuidadoso em seu braço, as lágrimas quentes dele umedecendo a manga da blusa, Bum não sabia o que dizer ou o que fazer. Com mais relutância ainda, ele tirou sua mão do rosto dele, encolhendo-a em seu colo e abaixando a cabeça, sentindo as bochechas se esquentarem.

Chung-ho não era bem do tipo que se tranquilizava depois de desabafar com alguém. Ele funcionava melhor extravasando as coisas sozinho e, principalmente, na arte. Mas se distrair também funcionava um pouco. Enxugou as próprias lágrimas [o que não as impediu de continuarem a se proliferar], e tentou mudar de assunto.

 — Então, que obra de arte te fez adiar De Profundis?

Bum suavemente ergueu um dos lados do livro, ainda de cabeça baixa, pesada talvez devido à grande quantidade de sangue concentrado em suas bochechas. A capa tinha um tom azul claro e uma ilustração do genoma humano, rodeado de fórmulas químicas.

Podem me julgar. Eu estava satisfazendo minha ânsia por escapismo com um livro de química farmacêutica.

 — Você é de exatas. — falou com um tom quase frustrado, como se contestasse o declínio de um ser divino. Era ironia, obviamente. Conseguia ironizar mesmo afundado no mais fundo terror da própria alma. Era praticamente seu sotaque.

 — Não tenho criatividade pra fazer o que você faz. Nem paciência para todo o resto. — meneou a cabeça. — Mas me concentrar em coisas tão específicas… Me distrai. Me alivia. Me dá prazer. Eu consigo me esquecer dos meus problemas, mesmo que só um pouquinho.

 — Você se tranquiliza pensando na solução para um problema hipotético, estudando o processo da natureza agir. É interessante.

 — Mais interessante: Se todos desse lugar lessem esse livro, não aceitariam metade dos químicos que provavelmente enfiam por suas goelas.

 — Isso… É muito interessante. — arrastou a cadeira para mais perto dele, analisando o conteúdo da página aberta.

Desistiu ao tentar entender as fórmulas espalhadas pelo papel, em meio a gigantescos textos com letras diminutas. O máximo inteligível para seu cérebro artista era aquele “CHCl3” em letras garrafais no topo da página. Sua cabeça já pesava sobres seu pescoço o suficiente para um só dia.

 — Eu me perguntaria por que deixam o manual da rebelião livre para todos lerem aqui na biblioteca, mas seria uma pergunta retórica. — apertou os olhos cansados, e apoiou as mãos sobre os próprios joelhos. Suas narinas, ainda um pouco obstruídas, conseguiram, apesar disso, identificar um agradável cheiro de gordura nada saudável. Quando olhou para baixo, viu que Bum tinha um lanche mordido no colo. — Isso aí é um Big Mac?

Bum não respondeu. Apenas abriu um pequeno sorriso cúmplice, agarrou o lanche entre os dedos, o dividiu no meio, e entregou a metade não-mordida para Chung-ho.

 — Você é um anjo. — assoprou, e seus olhos se iluminaram diante do hambúrguer de forma que o coração de Bum se aqueceu incrivelmente. Ele não devia comer nada tragável há anos.

Não era uma cura para a dor. Definitivamente não. Se fosse, o mundo poderia se acabar. Amor [?] não é cura instantânea para nada. O tempo não se abriu completamente. Mas aquela presença tão peculiar ao seu lado era o suficiente para a forte tempestade se reduzir a um chuvisco aceitável.

 “É um anjo. Às avessas, talvez, mas é um anjo.”

.

.

.

 — Sr. Yoon.

Era o som do silêncio que o respondia.

 — Sr. Yoon, por favor.

O silêncio primordial que antecedeu tudo que existe na Terra e no universo.

 — O senhor não quer responder nenhuma de minhas perguntas. Não temos progresso algum já tem tempos, Sr. Yoon.

O silêncio que construiu a união das primeiras partículas que se estouraram no Big Bang. O silêncio do vento pelos desvios, o silêncio da fotossíntese em ação, o silêncio da solitária morte iminente.

 — Sr. Yoon, você pode negar, pode não querer acreditar, mas eu só quero te ajudar. O Dr. Seok, apesar de te passar remédios pesados, também só quer te ajudar. E a Dra. Kwon, apesar de ter um gênio tão forte, também só quer te ajudar. Ninguém aqui quer te machucar, você não precisa se fechar para nós.

Na verdade, não era silêncio total. Havia também chuva. No lado de fora. Chuva vinda do céu cinzento que não encarara já tinha um ano. Um ano de estadia naquele inferno mais cinza do que qualquer dia chuvoso.

 — O senhor sabe que não faz diferença alguma ser teimoso assim, não sabe?

Um ano desde que viu a luz do sol lhe esquentar os cabelos pretos e tocar a pele pela última vez. Desde que sentiu um chão que não fosse de madeira sob os pés calçados ou descalços. Desde que a luz de prata derretida da lua lhe encobriu o corpo tão branco quanto. Desde que respirou o cheiro de terra molhada, de comida de verdade, de perfume passageiro, de incenso.

 — Está perdendo o seu tempo com isso, Sr. Yoon. E está me fazendo perder o meu tempo. Você está realmente disposto a fazer isso consigo mesmo só pra me fazer perder tempo? É isso que você quer?

E finalmente teria um pouco desse ar. Aliás, tudo que existia nesse ar.

Ao contrário do Dr. Hong.

Quando menos percebeu, sua boca que apenas proferia asneiras denunciantes de seus anos de cola na faculdade e seu diploma falso ou não merecido, estava sendo pressionada por um pedaço de pano e seu nariz apertado por esse mesmo tecido.

Era um cheiro químico que conseguia ser pior do que o cheiro de tarja preta vencido que permeava o hospício inteiro.

Cheiro de morte.

Era um desfalecer nos braços da morte.

Aquelas mãos, que já foram tão delicadas, lhe apertavam o rosto com tamanha violência que seu nocaute foi uma questão de segundos.

O conhecimento que um livro traz é a maior arma do revolucionário.


Notas Finais


*O Bum não gosta de falar o nome do Sangwoo em voz alta, vocês devem ter percebido isso no capítulo anterior. Ele sempre o chamará de “aquele que não deve ser nomeado” ou apenas “ele”, com ênfase. Portanto, sempre que virem “ele” escrito em itálico, saibam que o Bum e os demais personagens estão falando do Sangwoo.
Lembrando, pessoal: Quando há falas em itálico e centralizadas, é uma narração no ponto de vista do Bum. E quando as mesmas estão entre aspas, é uma narração do Chung-ho ou da Hyeri, dependendo do contexto ;)
Okay, hora dos presentinhos pra quem comentar!
Comentários pequenininhos: Um desenho do portfólio do Chung-ho
Comentários pequenos: Um desenho e uma cena extra curtinha
Comentários médios: Três desenhos e a cena extra
Comentários grandes: Cinco desenhos, a cena extra e o rascunho da primeira versão de uma das cenas desse capítulo
Textão: Cinco desenhos, a cena extra, o rascunho e uma ilustração especial de uma cena desse capítulo.
Divirtam-se /o/


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