História Lado a Lado - INTERATIVA - Capítulo 1


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Categorias Lado a Lado
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Brasil Republicano, Escravidão, Igualdade, Lado A Lado, Liberdade, Romance
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Palavras 981
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Declaro iniciada uma nova interativa! Mais informações sobre fichas e regras no site!

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Lado a Lado - INTERATIVA - Capítulo 1 - Prólogo

Na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1901, na pequena igreja matriz, duas garotas estavam sentadas no desconfortável banco de madeira, em situações de profundo desespero.

Mariah do Nascimento havia descido o morro naquela manhã com a intenção de se casar. Seria uma cerimônia bem simples, com pouquíssimos convidados. Seu pai e seu noivo haviam juntado o dinheiro durante alguns meses para poder pagar à igreja. Seu vestido estava sujo de barro, pois na noite anterior choveu um pouco e as ruas entre os cortiços eram de terra. Entretanto, nada disso foi motivo suficiente para desanimar aquela garota.

Isabelle Assunção, pelo contrário, desejava não ter acordado especialmente naquele dia. Sua mãe e seu pai, ex-barões, haviam planejado um casamento com o filho do senador. Acontece que isso fora na sua adolescência, e ela jamais poderia imaginar que esse dia chegaria. Como é que poderia se casar com alguém que nunca havia visto na vida? Mas sua mãe insistiu. Arrastou-a para o coche e, assim, chegou na igreja antes mesmo do noivo.

Nada poderia estar pior naquele dia, de acordo com Isabelle, pois um casamento arruinaria todo o seu plano de carreira. Sabe-se lá como seu marido ia encarar o fato de ela ser uma professora. Mas já havia decidido: de maneira nenhuma, em hipótese alguma, abriria mão de seu emprego, nem que ele lhe desse uma ordem, ainda assim continuaria trabalhando.

A garota negra não tinha muita escolha. Era empregada doméstica desde criança, e agora estava trabalhando na casa dos Ex-Barões Assunção. Ela reconheceu Isabelle assim que se sentou ao seu lado, mas a garota parecia imersa em suas angústias e ansiedades e pareceu não notar que estava ao lado de uma “menina de cor” como os mais educados costumavam chamá-la.

Mariah estava secando as lágrimas e, depois de alguns minutos, a outra notou que havia algo de errado.

― Você está… vestida de noiva? Vai se casar? A-agora?

Sua esperança era que não sobrasse tempo para o casamento indesejado.

A outra apenas fez que sim.

― O que houve? Estava chorando?

― Está tudo bem, senhorita. Eu já estava de saída.

― Não! ― Isabelle estica a mão antes que ela pudesse se levantar ― Por favor, fique. Estou angustiada, não sei o que fazer. Não quero me casar e dentro de alguns instantes meu noivo deve estar chegando. Por favor, diga-me que vai se casar antes, assim eu tenho tempo para tentar escapar.

Ela sabia que era loucura. Mas uma vez no altar, jamais poderia recusar. Seria uma afronta ao acordo feito com o senador e sua imagem ficaria manchada para sempre.

― Sinto muito, senhorita. ― Mariah abaixou a cabeça e voltou a chorar ― O meu noivo não vem.

Isabelle sentiu-se horrível ao se deparar com a tristeza da garota. Quão insensível teria sido prestar atenção apenas em seus problemas?

― O que houve? E-ele… ― Ela não sabia o que dizer. ― Acalme-se, por favor. Ele ainda pode chegar e vai encontrá-la nesse estado.

A outra balançou a cabeça e secou as lágrimas.

― Meu casamento não pode acontecer, pois o seu está programado para o período da tarde. Meu noivo não chegou, eu estou aqui há cinco horas esperando. Deve ter acontecido alguma coisa, deve ter… ele não faria isso. Por que me deixaria aqui? Sozinha?

A outra se aproximou de Mariah e, hesitante, passou os braços por seu ombro enquanto a garota chorava contido.

Enquanto não tinha o que dizer, Isabelle se lembrou de que ela trabalhava em sua casa, e havia entrado recentemente. Uma pena, as duas poderiam ser amigas, ela pensou.

― Vai dar tudo certo. Um casamento perdido não é o fim do mundo. ― Ela tomou coragem para dizer de uma vez. ― Pode ser que você o ame agora, mas vai superar tudo isso no futuro. Ainda tem coisas lindas para viver, eu tenho certeza. Não chore por alguém que não está aqui.

Mariah ergueu o rosto e secou as lágrimas novamente.

― A senhorita…

― Ah, por favor, me chame de você.

― Mas…

― Eu insisto. Não há diferenças entre nós. Ambas estamos em uma situação desconfortável, mas tenho certeza de que vamos nos manter firmes e passar por elas de cabeça erguida.

― A senh… você, ― Mariah corrigiu ― não quer se casar?

― De maneira nenhuma! Foi uma invenção de meus pais. Enquanto meu irmão se diverte na Inglaterra, as atenções deles ficam todas voltadas para mim. Dessa vez o resultado foi um casamento marcado às pressas. Podem até pensar que estou grávida!

― Mas se não o conhece, pode ser que vocês se deem bem. Quem sabe.

Isabelle estalou a língua e virou o rosto.

― Quais as chances de me apaixonar por ele? Eu nunca imaginei que me casaria nesses termos. Sempre sonhei em conhecer alguém que me aceitasse, me desse apoio e concordasse com minhas loucuras. Mas os homens dessa cidade são atrasados. Eles não estão dispostos a aceitar que mulheres possam trabalhar tanto quanto eles.

Mariah dá de ombros.

― Eu trabalho desde criança.

― Está vendo! ― A outra se levanta e sorri. ― Eu quero usar o que tenho para ter uma profissão. Quero ser jornalista! Não concordo com o destino de ser dona de casa. Não levo jeito nenhum para isso.

― Deveria dizer à sua mãe, ou pode estar cometendo o pior erro de sua vida.

Ela desfaz o sorriso.

― Minha mãe jamais aceitaria. Até parece que não conhece a baronesa. Ela é irredutível quando se trata de manter o bom nome da família. Eu estou perdida. ― Ao dizer isso, se senta novamente e coloca o rosto sob as mãos.

A porta range devagar e as duas a encaram, com seus corações acelerados e palpitantes.

Era o padre, e trazia a próxima péssima notícia do dia:

― Senhorita Assunção, seu noivo chegou.

 


Notas Finais


Informações nos comentários! Obrigada por ler e espero sua participação!
Site com todas as Infos: https://ladoaladofic.tumblr.com/
Créditos à @DriRevil pela ideia de fazer em sites!


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