História Legend - O Feiticeiro Azul (Livro 1) - Capítulo 10


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Categorias Originais
Tags Aventura, Criaturas Misticas, Fantasia, Feiticeiro, Magia, Mistério, Romance
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Palavras 1.502
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Luta, Magia, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - VII - O Salto para a morte


Lú estava vislumbrado com tamanha beleza. Ele estava no ponto mais alto daquele lugar, a grama alta se agitava ao vento, a luz lunar iluminava o seu corpo e abaixo várias colinas se dispersavam até onde sua visão alcançava. Por trás dele corria as águas tranquilas do rio que despencavam no abismo a alguns metros dali.

O garoto estava encantado com a lua azul. Ele não conseguia desviar a sua atenção do astro, parecia estar hipnotizado.

— Isso é.... magnífico. — Murmurou ele a si mesmo.

O gato preto subiu em um tronco velho ao lado do garoto, sentou-se. O brilho de seu pelo negro tornou-se azulado e analisando a lua disse:

— É um astro poderoso, emissor de grandes energias. Toda vez que se sentir fraco, apenas olhe para a lua.

Lú assentiu sorrindo, abrindo os braços como se sentisse todo o poder circulando em seu corpo. O felino pareceu sorrir enquanto o seu pequeno corpo começava a evaporar em uma névoa negra como de costume.

— Lembre-se, a fonte de seu poder está em não ter medo. Aprenda a dominá-lo e use-o para o bem.

— Poder?

Lú olhou para o gato, mas do felino só sobrara uma fumaça em que o vento levava para o céu. O garoto olhou para o alto.

— Mas que poder é esse? O que sou exatamente?

Mesmo não estando mais ali, o felino ainda respondeu ao garoto por telepatia.

Um feiticeiro”.

Feiticeiro? Lú não sabia o que isso significava. Ele olhou para as suas mãos. Que poder era esse que tanto aquele gato falava? Será que Lauren saberia lhe responder algo?

Lú olhou a sua volta, estava sozinho, mas logo uma dúvida surgiu em sua cabeça. Antes de entrar no túnel estava de dia, cerca de meio-dia, como já seria noite? Ele demorou cerca de meia hora subindo as escadas, ou menos. O gato já não estava mais ali para respondê-lo, mas naquele momento ele deveria se preocupar com outra coisa. Olhou para as colinas. Só havia gramas, uma floresta escura e umas casas de madeira, poucas delas. Não havia se quer um sinal de luz a não ser da própria lua. Por mais que o pequeno vilarejo parecesse abandonado, aqueles gritos só poderiam ter vindo de lá.

Lú marchou na direção, indo com muita cautela. Ele saltou uma cerca de madeira e o capim alto cobria o seu corpo por inteiro. Era um pouco difícil caminhar sem poder ver para onde ia, o jeito era seguir a sua intuição. Empurrando as folhas em frente não demorou muito para chegar lá. Havia mais outra cerca de madeira que ele saltou com agilidade. De perto, ele poderia ver que algum tumulto havia acontecido. Objetos, cacos de cerâmica, feno estavam espalhados por todo o canto, aves terrestres e porcos comiam ração espalhada pelo chão e as cabanas estavam com as portas escancaradas e outras arrombadas, porém não havia sinal de vida humana por ali.

Lú caminhou para mais perto, apesar da bagunça não havia corpos e nem sinal de tortura, para o alívio dele. Se os moradores daquela vila não estavam ali, aonde estariam?

O garoto azul caminhou até uma daquelas cabanas, pretendia entrar mesmo não confiando naquele ambiente sombrio. A luz lunar penetrava pela porta, Lú arriscou entrar e dar alguns passos. Ele olhava a sua sombra no piso de madeira, mas só não esperava ver uma segunda sombra humana por trás de si. Os cabelos de sua nuca se eriçaram, ele se manteve imóvel. Engoliu um seco. Se fosse um dos soldados de armadura seria ali o seu fim.

...

O sujeito ainda não reagia, continuava na mesma posição como se apenas o vigiasse. Lú cerrou os punhos, não poderia esperar ser apunhalado, iria enfrentá-lo de mãos limpas mesmo que isso custasse a sua miserável vida. Determinado o garoto se virou.

Não era bem o que ele esperava.

Todo aquele tempo, atrás dele estava apenas uma garotinha. Ela deveria ter uns três anos de idade, a sua pele era parda, seu cabelo encaracolado e bem escuro. Estava assustada, mesmo na pouca luminosidade percebia nos olhos o quanto ela havia chorado. Lú agachou-se para tentar comunicar-se com ela.

— Olá menininha! Está sozinha?

Ela balançou a cabeça positivamente. Lú sorriu.

— Qual o seu nome?

Ela não respondeu, o garoto achou estranho.

— Você... não fala?

Ela balançou a cabeça negativamente. Pelo visto a pequena era muda, mas o compreendia muito bem. Lú precisava ser objetivo em suas perguntas.

— Onde está a sua mãe?

A menina olhou para o céu apontando o dedo. Lú pôde entender muito bem aquilo. Pobre criança.

— E... Seu pai?

Lú torceu em pensamentos para que ela novamente não apontasse para o céu e para a sua felicidade o dedo dela mirava à floresta escura.

Talvez nem tanta felicidade.

Aquela floresta se parecia mais aterrorizante que a Floresta nevoada. As árvores não possuíam muitas folhas e essa característica por si só deixava um ar sombrio. 

— Bem, se não tenho outra escolha... — Ele olhou para a menina — Vamos até o seu papai?

A criança em tamanha inocência segurou a mão de Lú e caminhou o levando na direção correspondida. Eles passaram por uma porteira de madeira e seguiram uma estradinha estreita que seguia no meio daquela floresta assombrosa, cujas árvores com seus galhos retorcidos tomavam formas horripilantes na escuridão. A pequena criança não parecia ter medo, enquanto a Lú arrepiava os cabelos ao escutar um simples piado de coruja.

O garoto azul não tinha muita fé se iriam encontrar o tal sujeito pai daquela criança. Fazia horas que ele escutou aqueles gritos, apesar que também não tinha certeza de absolutamente nada em relação ao ataque daquela vila. Porém, ele não esperava se deparar com a seguinte cena:

Por trás das árvores ele via uma clareira onde estava duas carruagens, cujas carroças levava um tipo de gaiola de grossas grades de ferro e o que Lú já esperava ver. Pessoas engaioladas, muitas delas emboladas naquele pequeno espaço. Quatro soldados se aqueciam ao redor de uma fogueira e outros dois montavam guarda não muito longe.

Lú não sabia como faria para libertar aquelas pessoas. Uma aproximação sem ser visto estava fora das hipóteses. Ele precisava pensar em algo, então teve uma ideia.

— Fique aqui por favor. — Ele disse a menininha, mesmo preocupado com a segurança dela — Não saia daqui por nada, está certo?

Ela assentiu positivamente com a cabeça.

Lú estava preste a fazer uma loucura que poderia custar a sua vida. Por trás das árvores ele tentou se aproximar um pouco mais das gaiolas. Umas das técnicas para distrair um animal feroz seria emitir algum ruído que chamasse a atenção dele. O garoto fez o mesmo. Apanhando duas pedras do tamanho de seu punho, ele as atirou contra uma árvore a certa distância. O barulho causou a falsa impressão de alguém bisbilhotando —Que não vem ao caso — Os dois guardas partiram empunhando as suas espadas, sumindo entre os arbustos. Eles caíram direitinho! De outro arbusto Lú correu até as gaiolas. O tempo era limitado e o silêncio sagrado, pois ainda havia quatro soldados atrás das carruagens.

As pessoas dentro das minis prisões olhavam para o garoto azul admiradas, entretanto colaborando com o silêncio. As grades estavam trancadas por um grande cadeado. Lú o segurou com as duas mãos e com força ele puxava para si, porém era impossível destravá-lo daquela maneira.

— Não vai conseguir abrir assim. — Disse uma voz murmurante vinda de dentro da gaiola — Pegue a espada.

Lú reconheceu o sujeito que falava com ele, era o homem de cabelo prateado que vira na cachoeira. Ele apontava para uma bainha encostada em uma rocha. O garoto obedeceu e lhe entregou a arma.

— Cuidado! — O homem alertou.

Distraído, Lú não percebeu que atrás dele os dois guardas na qual enganara se preparavam para parti-lo em dois. Rapidamente o garoto passou por trás das carroças, porém estava cercado. Os outros quatro soldados já haviam sido alarmados. Um cerco se fechava contra o garoto. Lú olhava em sua volta, não tinha saída. As espadas reluziam o seu reflexo. Ele engoliu um seco. Então, ele se lembrou de algo, mesmo achando uma ideia idiota, olhou para a lua.

Então era isso!

O garoto instintivamente correu em direção a um dos soldados que brandia a sua lâmina. Parecia ser suicida, porém ao se aproximar, ele se jogou no chão derrapando-se e passando por baixo das pernas do sujeito. Depois disso ele continuou a correr em linha reta sendo perseguido pelos seis soldados. Lú sentiu orgulho de si mesmo, a coragem tomou conta de seu corpo, mas a sua alegria durou pouco. Em sua frente se encontrava um abismo e não tinha para onde fugir. Ele parou nas bordas do penhasco. A altitude era assustadora de encontro a uma centena de pedras pontiagudas. Ele olhou para trás, era questão de segundos para as espadas destroçarem seu corpo. Mais uma vez Lú olhou para a lua e gritou ao vento.

— Eu não terei medo!

Com isso ele simplesmente se jogou. Deixando-se cair para a morte certa.

...


Notas Finais


*REVISADO


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