História Leve apreço - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Oneshot
Visualizações 28
Palavras 1.402
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Nas notas finais está o link de uma música que eu gostaria que você ouvirsse ao ler. Espero que goste.

Capítulo 1 - Capítulo único


"Às vezes eu tenho a impressão de que não amo ninguém, de que apenas gosto das pessoas. No mundo inteiro se fala sobre o amor, mas ninguém consegue explicá-lo de uma maneira coerente de verdade. Mas no que a maioria concorda é que ele nem sempre segue o mesmo padrão. Se eles dizem que cada um sente o amor com uma intensidade diferente, então devem existir as pessoas que não o sentem no fim das contas. Talvez eu seja um daqueles que nasceram sem o órgão do amor e esteja destinado a ser pra sempre uma pessoa que não consegue sentir nada além de um leve apreço pelas outras pessoas.”

Aquelas palavras me fizeram repensar sobre a visão que eu tinha dos vinte e um anos que passei ao seu lado. Elas saíram de sua boca com tanta certeza que me fizeram questionar cada uma das certezas que eu pensei um dia ter. Agora vejo, apenas tolos acreditam ter certezas quando se trata de pessoas como você.

Durante um bom tempo, uma parte de mim ainda quis acreditar que o fato de algumas pessoas falarem sobre o amor como sendo o ápice de todas as experiências que o homem pode ter durante a vida fosse o único motivo que te fazia achar que você nunca havia conseguido amar. Afinal, você sempre teve aversão a coisas superestimadas, com  amor não havia de ser diferente.

Mas a verdade é que, não, você não estava tentando se destacar das outras pessoas na multidão, muito menos tentando provar alguma coisa pra quem quer que fosse. Você nunca precisou disso. Estava apenas sendo sincero, colocando sua verdade para fora em alto e bom som para ver se assim se acostumava logo com essa tua inércia sentimental que me chacoalhou e me fez tremer da cabeça aos pés durante vinte e um longos anos.

Você se conhecia, por isso sabia que não iria mudar. Precisava mesmo era se aceitar, neutro no quesito amor como era.

E eu, que um dia acreditei te conhecer melhor do que qualquer um, entendo agora o quão inocente eu era, pois você foi o único que um dia se conheceu de verdade. Park Jimin jamais permitiria que outro alguém entendesse sobre ele mais do que ele mesmo poderia.

Saber que você apenas teve um “leve apreço” por mim foi a única coisa que você, egoísta, me consentiu compreender depois de todo esse tempo em que estive ao seu lado, completamente cego pelo amor que eu guardava com todo o cuidado em meu peito na esperança de um dia poder te dar.

Embora doa dizer, me arrependo amargamente por te amar. Mas ainda que eu me arrependa, eu sei que seria incapaz de mudar o que sinto, mesmo se tivesse a oportunidade de voltar no tempo para alertar o meu eu do passado. Porque a verdade é que eu simplesmente não sei dizer o ponto exato na linha do tempo da minha vida em que passei a amar você.

Não pude me apaixonar por você à primeira vista, pois sequer me lembro da primeira vez em que te vi. A vida não me concedeu o privilégio de ser um cara qualquer com essa mesma aversão que tu tinha ao amor. Eu não tive a chance de escolher me entreter com a paisagem opaca na janela do metrô ao invés de me entreter com o encanto do teu riso.

Eu sempre estive perdido em você. Perdido apenas por você.

Crescemos juntos, fazendo sempre parte da vida um do outro. Até que nos tornamos parte um do outro, como órgãos do corpo. O único problema é que havia uma certa diferença no grau de importância entre nós. Eu fui apenas o seu apêndice, mas você sempre foi meu coração.

É uma pena eu não ter podido viver ao seu redor como um satélite o tempo todo enquanto tive a chance. Você mesmo não me permitia, tinha a alma solta e me encorajava a ser solto também, dizendo que eu deveria procurar por outros peixes no mar. E eu procurei. Mas o que eu queria mesmo era te encontrar em alguém, por isso confesso que, sim, eu beijei bocas alheias umas quatro ou talvez vinte vezes pensando em você.

Sei que pareço patético e sei também que você iria odiar as flores que te trouxe hoje, talvez por não gostar da cor ou apenas por nunca conseguir admitir que gostava de algo realmente. Mas quero que as aceite mesmo assim. Não só as flores, como também as palavras que elas carregam. Elas não podem falar, mas têm consigo o peso de todas as coisas que fui covarde demais para te dizer até agora.

Aliás, depois que você se foi, eu bebi soju pela primeira vez. Achei que seria interessante te contar sobre isso, já que você sempre ria da minha cara e me chamava de careta por odiar o simples cheiro da bebida. O álcool desceu pela minha garganta, se misturando com o choro que eu guardei e guardo nela até hoje. E, acredite, eu gostei. Acho que ninguém gosta até experimentar com um motivo real por trás.

Quem sabe eu não beba mais um pouco essa noite só para esquecer a dor de saber que você está ai sozinho, frio e sem nunca ter se permitido? Ou talvez deva beber para comemorar, porque vai ver você finalmente conseguiu aquilo sempre quis, de fato. Ficar sozinho. Park Jimin sempre foi tão absoluto e tão cheio de si mesmo, se preencheu com aquilo que ele mesmo tinha até que não sobrasse espaço algum para o amor de alguém dentro dele, afinal, ele nunca precisou disso.

Você sempre esteve sozinho, não é? Eu sei, amor.

Nos últimos anos você se tornou tão distante que eu sentia sua falta mesmo quando estávamos a quinze centímetros de distância um do outro. Até mesmo os nossos abraços tinham cheiro de saudade. Aquela sensação descia rasgando mais do que soju em minha garganta. Tudo o que eu queria era fazer parar. Mas a única forma de parar era indo embora.

É engraçado, soava tão fácil para mim dizer que queria ir embora, mas por que era tão difícil assim sair da sua vida sem olhar para trás? No que dependesse de você estava tudo bem, você tinha a si mesmo, sempre teve. Mas e quanto a mim? O que eu tinha além de todas as lembranças de nós que compuseram minha vida inteira até aqui?

Eu nunca tive nada além de você, Jimin. Na verdade, eu nunca sequer tive você.

Como pôde ser tão egoísta? O meu amor unilateral era a única coisa que eu tinha de nós, como pôde tirar até mesmo isso de mim? Como pôde ir primeiro? Você não se importou em morrer e me deixar pra trás, porque nunca teve compromisso comigo ou com qualquer outra vida aqui na terra. Você nunca me pertenceu. Você nunca pertenceu a ninguém além de si mesmo.

Eu não quero compartilhar do seu fim. Deus, não me permita morrer tão obcecado por Park Jimin quanto ele próprio era!

Eu tenho medo de terminar como você, Jimin. Droga, eu tenho mesmo muito, muito medo.

Eu sei que existem pessoas que já nascem corrompidas nesse mundo, e você é uma delas. Mas pior que isso, existem aquelas que se corromperam após lidarem com pessoas como você. Jamais me perdoaria se continuasse esse ciclo vicioso de machucar alguém somente porque fui machucado. Não tenho esse direito.

Eu tive certa dificuldade em encontrar seu túmulo, porque não suportei vir aqui no dia em que deram de comer à terra tudo aquilo que me fora negado. Eu simplesmente não fui capaz aguentar. Mas se enfim criei coragem para vir até aqui, foi pra dizer que não pretendo mais voltar. Eu sempre estive aqui. Por favor, lembre-se que eu não fui eu o primeiro de nós dois a ir embora. Eu nunca tive a intenção de te abandonar, mas eu preciso dizer adeus, dizer que você está finalmente livre para descansar em paz. Pois o Jeon Jungkook que viveu com você, morre agora com você. Eu enterro aqui todo as lembranças do que fui até o dia de hoje. Sei que vai doer, mas também sei que só assim conseguirei me afastar e ser melhor do que você foi, amor.

Pode pegar esse seu “leve apreço” e o leve a preço que quiser. De hoje em diante viverei sem ele, nem que pra isso eu tenha que comprar todas as garrafas de soju e todas as distrações ilusórias que o mundo pode oferecer.


Notas Finais




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