História Lições de Sedução (Adaptação Delena) - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias The Vampire Diaries
Personagens Caroline Forbes, Damon Salvatore, Elena Gilbert, Klaus Mikaelson
Tags Adaptação Delena, Klaroline
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Palavras 5.191
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Utilizar os segredos em seu proveito


   Quando você e seu amante estiverem familiarizados com os desejos e necessidades mútuas, terá chegado o momento de surpreendê-lo, de confundi-lo, e de fazer com que perceba que conhece somente uma parte de sua mulher. Toda vez que tentar algo novo descubra seu desejo oculto mais profundo, ou satisfaça uma fantasia concreta. Porque os homens as têm, talvez mais do que as mulheres.

    O destino devia estar divertindo-se as suas custas, pensou Klaus abatido. Havia feito aquele comentário cínico sobre as senhoritas inábeis com o piano e agora estava ali, escutando uma das interpretações mais sublimes, de uma jovem muito bonita e com um enorme talento.

    Não podia afastar os olhos de Caroline, inclinada sobre o teclado com o rosto sereno. Como estava entre o público, tinha uma desculpa perfeita para estudar a elegante postura de seu corpo torneado, o perfil simétrico de seu nariz, e a suavidade de seu cabelo negro e brilhante.

    «Maldição.»

    «Extraordinário» era a palavra que tinha utilizado na conversa com sua mãe. Ao ouvir Caroline pela segunda vez tinha percebido que isso não a descrevia completamente. O seu dom era incomum, uma habilidade única que cativava o auditório como todo mundo na sala, incluindo o mais ignorante e inepto para a música, todos tinham deixado de respirar. Ninguém tossia, nem pigarreava e nem sequer se moviam na poltrona.

    Até a esse ponto era boa.

    Klaus se obrigou a lembrar de qual era a situação real. Caroline acabaria casando-se com algum homem afortunado e talvez, se ele permitisse, tocaria de vez em quando para um público reduzido como o presente, o mundo nunca teria o prazer de apreciar sua genialidade.

    Era uma pena, na opinião de Klaus, mas o certo é que ninguém tinha perguntado sua opinião sobre o assunto.

    Tinha reconhecido todas as obras que Caroline tinha interpretado durante a noite, salvo as duas últimas. Para estas não tinha utilizado partituras, e sua expressão passou de serena a contemplativa, e suas mãos graciosas se deslocaram sobre as teclas como se acariciassem um amante.

    Tinha que acabar com esta imagem imediatamente e esta comparação, disse a si mesmo com veemência, quando ficou de pé ao terminar os aplausos, e se virou sem olhar, para oferecer o braço à mulher que estava ao seu lado.

    Descobriu que era a senhora Tulle, que lançou-lhe um olhar provocante com as pálpebras entreabertas e apoiou uma mão em sua manga.

    — Foi muito agradável, não foi?

    — Genial — disse ele com sinceridade.

    — Você parecia absorto com a interpretação.

    Klaus falava, mas estava observando lorde Knightly. Esse tipo maldito escoltava Caroline, e dizia algo que a fazia rir. Controlou-se, escutou o que a mulher que levava no braço acabava de dizer e fingiu um sorriso, esperando aparentar indiferença enquanto passavam pela sala de jantar.

    — Parece que todos nós estávamos.

    — Não tão absorto como você. — Ela pronunciou essas palavras com delicadeza, mas o inquiriu com o olhar. — Parecia um menino frente à cristaleira de uma loja de guloseimas.

    Klaus estava pouco habituado a ocultar o interesse — não, até aquela data nunca tivera que ocultar que uma mulher o interessava — o que pelo visto não fazia muito bem.

    — A senhorita Forbes possui uma beleza rara. Tenho certeza de que todos os homens da sala a apreciaram.

    Tinha certeza. E isso o incomodava.

    — Talvez sim. — Valerie Tulle levantou as sobrancelhas apenas para observá-lo, e ao chegar à mesa, com uma perspicácia maior do que Klaus esperava e que o surpreendeu, disse: — você vai ter que tomar uma decisão. Vai me interessar ver qual.

    Para que se incomodar em tentar negar?

    — Interessará a mim também — murmurou, enquanto puxava-lhe a cadeira.

    O jantar consistiu em uma variedade de pratos ainda mais esplêndidos que o habitual nos aniversários de Damon. Foi um banquete sofisticado e sem afetação, e se Klaus estivesse com humor para apreciá-lo, teria aproveitado mais. No final, comeu com moderação, bebeu mais vinho do deveria e esperou com impaciência que tudo aquilo terminasse. Uma vez que as senhoras se retiraram e se serviu o Porto, relaxou um pouco. A angústia de ter Caroline sentada do outro lado da mesa e justo na sua frente por infelicidade, fez com que o banquete parecesse interminável.

    Quase não participou da conversa geral, e esteve bebendo o Porto com uma avidez perigosa. Talvez a noite terminasse logo se conseguisse aturdir-se. Sim, talvez no dia seguinte pela manhã não estivesse em forma, mas que demônios, agora mesmo tampouco era todo sorriso e felicitações.

    Quando chegou o momento de passar para a sala de estar e se reunir com as senhoras, desculpou-se.

    — Acho que vou ler um pouco.

    — Ler? — perguntou Elijah com uma risada cética. Inclusive Damon parecia confuso. Lorde Bonham levantou uma sobrancelha surpreso.

    — Por todos os diabos, a julgar por sua reação diria que nunca tinham ouvido falar desse passatempo. — resmungou Klaus. — Estou cansado e gostaria de me retirar com um bom livro. Há algo errado?

    — Absolutamente nada. — Elijah sorriu. — Talvez encontre algo romântico nas estantes. Algo escuro, melodramático e gótico, de acordo com a expressão fúnebre de seu rosto.

    A favor de Klaus é preciso dizer que se absteve de incrustar o punho na mandíbula de seu irmão. Em vez disso, girou sobre os calcanhares e saiu da sala de jantar. Por sorte, o pai de Caroline já tinha abandonado a sala e não presenciou a briga. Klaus tinha a sensação de que se tanto Elijah como Valerie tinham notado que estava interessado em Caroline, talvez o seu pai também. Desde que sir Bill e ele tinham chegado ao acordo tácito de evitarem-se, não houve o menor comentário, mas a outra noite no terraço, Klaus tinha captado com perfeição a mensagem que Caroline era território proibido.

    Elijah o seguiu. Ele entrou na biblioteca alguns minutos depois, e ao ver que Klaus ia direto à garrafa de conhaque e não para as estantes, seu olhar adotou um ar mordaz.

    — Embebedar-se não resolverá seu dilema.

    — Eu tenho um dilema? — Klaus despejou uma dose generosa em uma taça de cristal. — E se tivesse, seria assunto seu?

    Seu irmão mais velho fechou a porta.

    — Não, suponho que não. — Elijah se aproximou para examinar um exemplar e passou o dedo sobre a capa poeirenta. — Talvez você devesse ler alguma tragédia grega. Ou uma obra de Shakespeare. A verdade é que age como o personagem de um drama infeliz.

    — Já li quase todas, obrigado. Acredito que você também foi a Eton. E não tenho ideia do que está falando.

    — Sim, ali costumavam incrustar os clássicos em nossos obtusos cérebros, não é?

    Klaus soltou um grunhido neutro. Estava um tanto bêbado, isso era certo. Dois bons conhaques deveriam ajudá-lo a manter a distância apropriada.

    — Nick, por que não a corteja? — Elijah se virou, meneou a cabeça e cruzou os braços. — Por certo ouviu falar de cortejo. Flores, visitas no meio da tarde, um passeio a cavalo pelo Hyde Park com uma acompanhante, talvez um delicado poema com floridos louvores à deliciosa cor de seus olhos...

    — Você se importaria de me dizer a quem diabo se refere?

    Elijah lhe lançou um olhar de aparente comiseração.

    — Irritar-se comigo não resolverá nada e ambos sabemos de quem falo maldito seja.

    Certo. Klaus emitiu um suspiro entrecortado, e passou a mão livre pelo rosto, enquanto com a outra agarrava a taça de conhaque como se fosse uma tábua de salvação.

    — Eu não desejo cortejar ninguém. — disse pesaroso.

    — Embora isso só o tempo dirá, no momento acredito em você. — Elijah escolheu uma poltrona confortável perto da lareira e se sentou. Cruzou as pernas na altura do tornozelo e franziu o cenho. — Não deseja. Bem. Ao menos está disposto a admitir que pensou. É um bom começo. Sente-se e falemos disso.

    — Há algum motivo para que o façamos? — Não obstante Klaus se deixou cair na poltrona com uma expressão mal-humorada e magoada. — Se por acaso não percebeu, os pais da Caroline desmaiariam se eu mostrasse o menor sinal de interesse. Especialmente seu pai.

    — Ah, é capaz de dizer seu nome em voz alta e confessar sua fascinação. Isso é um grande avanço.

    Se o olhar matasse, Elijah  estaria se retorcendo de dor, mas aparentemente esse método não funcionava.

    — Quem diria que seria tão chato agora como quando tinha dez anos. — alfinetou Klaus.

    — Tinha onze e melhorei a técnica com a idade.

    — Há algumas coisas que não podem melhorar. — Elijah começou a rir.

    — Isso eu concordo. Então me diga qual o problema que existe entre sir Bill e você? Embora sua reputação não seja precisamente imaculada, é um Salvatore; é o irmão caçula de um duque e tem fortuna própria. Ela poderia ter feito uma escolha bem pior. Seria um casal muito influente.

    — Eu não quero uma parceira. — replicou Klaus irado, com a mandíbula tensa.

    — Mas você a quer. Aí reside o mencionado dilema. — Elijah levantou a palma da mão. — Assumamos, em teoria, que deseja cortejar honestamente a bela Caroline. Isso implicaria, é obvio, em obter a permissão de seu pai.

    — Ele não concederia, acredite. — Klaus contemplou taciturno as pontas de suas botas e então suspirou. — Há alguns anos, eu estava em um estabelecimento muito pouco respeitável, cheio de tipos ansiosos para beber e jogar. O sobrinho de sir Bill também se encontrava ali. Era jovem, estava bêbado, e para começar não era muito prudente. Aquela noite perdeu uma fortuna, literalmente. Vários de nós o aconselharam a se retirar da partida porque já não era capaz de agir com lucidez, mas ele ficou na defensiva e se negou. Quanto mais se afundava, mais convencido estava de que se recuperaria. Mas não foi assim. Terminou aquela desastrosa noite nos braços de uma prostituta, que conforme dizem, o contagiou com sífilis. — Klaus levantou os olhos com uma careta cínica. — Sir Bill, como é natural, administra a herança de seu sobrinho, que aquela noite diminuiu de forma significativa. O jovem, que se chama Billy como seu tio, naturalmente não se lembrava de quem participou da partida, exceto eu e Herbert Haversham. Ambos recebemos algumas cartas virulentas nas quais nos acusavam de termos feito armadilhas e conduzirmos o jovem à libertinagem, e embora eu tivesse o aborrecimento de responder e explicar a verdade me devolveu a carta sem abrir.

    — Entendi. — murmurou Elijah.

    — Até certo ponto, não culpo o pai de Caroline, posto que ele escolheu a alternativa de acreditar na história inventada por Billy, ou teria que enfrentar o fato de que seu sobrinho não só se colocou em ridículo, mas, além disso, esbanjou parte de seu legado. Era muito mais simples nos culpar. Nem Herbert nem eu ficamos com o dinheiro que ganhamos aquela noite, mas o devolvemos antes de ir, com um conselho que caiu em ouvidos surdos e confundidos pela bebida. Tudo o que Billy fez, foi perdê-lo imediatamente em outra partida. Às vezes me perguntava se ele se lembrava de nós dois, porque fomos os únicos que devolvemos o dinheiro.

    — Pode ser. Então... Acredito que vejo as coisas com clareza. Agora, além de sua reputação de libertino, o considera uma influência depravada e uma pessoa desonesta. Está correto? —Elijah mostrava uma de suas facetas firmes e inescrutáveis.

    — Acredito que sim. Esse homem mal é capaz de me cumprimentar quando nos vemos. — Veio-lhe à mente o tempestuoso gesto de sir Bill quando viu Klaus com sua preciosa filha. — Dizer que não tem boa opinião de mim é um eufemismo, mas eu nunca disse que era um anjo, e neste assunto sou totalmente inocente.

    — Estou de acordo. Então, qual é o plano?

    — De que demônios está falando, Elijah? Eu não tenho nenhum plano.

    — Para conseguir o objeto de seu desejo. — Seu irmão inclinou a sobrancelha com ousadia. — Reconheço que não será fácil. Vai ter que modificar seu comportamento de um modo considerável. Não poderá seduzir esta jovem e levá-la a seu leito, sem mais. A verdade é que tenho a impressão de que sim, seria capaz de seduzi-la até o leito. Mas embora não seja perfeito, não acredito que a despojasse de sua honra, do mesmo modo que não fez armadilhas a um bêbado para ficar com seu dinheiro.

    — Todos estes elogios não parecem ser próprios de você.— resmungou Klaus com sarcasmo.

    Seu irmão não lhe deu atenção e continuou falando como se refletisse sobre uns de seus complicados assuntos táticos.

    — Então, por uma vez terá que se servir de algo que não seja seu rosto bonito e essa fachada de encanto superficial. Por sorte, ambos têm uma coisa muito importante em comum, além da atração física mútua.

    O problema era que Klaus temia que Elijah tivesse toda a razão. Tinha experiência suficiente para saber quando uma mulher se interessava e Caroline não tinha experiência necessária para esconder. Havia pegado ela mais de uma vez olhando-o e tinha visto como virava a cabeça imediatamente com um leve rubor nas faces.

    Isso deveria diverti-lo, mas não era assim. Sobre tudo porque a única razão pela qual a tinha descoberto olhando-o era porque ele estava olhando para ela.

    — Além de minhas reservas pessoais, é algo impossível e ambos sabemos.

    — Não totalmente. — Elijah sorriu. — É um desafio, isso está claro, mas impossível? Nada é impossível. Comparado com a captura de Badajoz, isto não é mais que uma escaramuça. Embora eu deva admitir que esta mancha negra em seu histórico não é ideal para que autorizem o cortejo.

    No caso de Klaus querer cortejar alguém.

    — Não temos nada em comum. — objetou. — Ela é uma jovem solteira e ingênua, e eu nem sequer me lembro do significado da palavra inocente.

    — Caroline e você compartilham um profundo amor pela música. — Elijah esfregou o queixo. — Algo que me causa muita inveja. Pense em quantas noites poderiam passar falando disso e tocando juntos...

    — Não vamos passar nenhuma noite. — Klaus grunhiu sem querer, como se fosse um menino malcriado. Esforçou-se para moderar o tom e disse de forma mais razoável: — Olhe, esta desafortunada atração passará. É como ter um resfriado. Tampouco é algo que alguém deseje, mas cumpre o seu curso, e você continua com sua vida.

    — Este resfriado se parece com algum outro que tenha tido?

    Não se parecia, mas também é verdade que nunca se interessou por alguém como Caroline. Todas as outras vezes se limitou a jogar com a paixão, e com ela nunca se expôs dessa forma. Sem promessas, sem expectativas em relação aos habituais envolvimentos passageiros. Essas relações eram simples. Esta não.

    — Não vejo sentido em continuar falando disto. — afirmou categoricamente.

    — Eu sim. — Seu irmão se levantou. — Você espere aqui. Volto em seguida. 

 

    Caroline levantou os olhos, surpresa. A oferta de Elijah Salvatore era mais que inesperada.

    — Só um pequeno passeio. — disse ele com sua afável atitude. — Pode vir com sua mãe, se assim o desejar. Ontem à noite não pude acompanhá-la e eu gostaria de ter outra oportunidade, se fosse possível.

    — Um breve passeio a sós seria muito apropriado, é obvio. — Sua mãe sorriu encantada e indicou com a mão que saíssem.

    Claro. Ela desfrutava vendo os dois saírem sozinhos. Tinha colocado na cabeça a ideia de um romance florescendo, mas a verdadeira pergunta era por que Elijah a reforçava. Até agora as tentativas de casamento pareciam diverti-lo mais que um pouco. Claro que talvez não lhe parecesse tão engraçado se não tivesse adivinhado que ela estava apaixonada por seu irmão, e que ele estava a salvo.

    Por fim, Caroline inclinou a cabeça com um gesto de aquiescência, mais por curiosidade do que por outra coisa. De qualquer forma precisava pedir-lhe um favor, assim este seria um bom momento.

    Elijah tinha algo em mente. Começava a perceber que Elijah sempre tinha algo em mente. No momento que puseram o pé fora da sala, ela conteve a respiração antes de pedir algo que esperava que aceitasse, mas ele se virou e pôs a ponta dos dedos sobre os lábios com muita delicadeza.

    — Não faça perguntas. Ainda não. Venha comigo.

    Perplexa, Caroline se deixou guiar pelo terraço para uma esquina da casa.

    — Lorde Elijah... — começou a dizer enquanto avançavam. Era noite, as luzes da casa destacavam-se na escuridão, e o ar cheirava a chuva pela primeira vez desde que tinham chegado.

    — Aqui. — Parou e se virou. — Esse arbusto é um inconveniente, mas não um obstáculo intransponível. Eu a farei passar por cima.

    — O quê? — Caroline ficou olhando, sem saber muito bem que diabo pretendia. A brisa noturna a acariciou ao passar e alvoroçou seu cabelo.

    — Eu a ajudarei.

    Percebeu que ele apontava para uma janela que estava aberta mesmo com a noite fria. As cortinas interiores voavam a mercê das rajadas do ar.

    — Milorde, eu não entendo o que pretende.

    Ele olhou ao seu redor e a luz varreu suas cinzeladas feições de uma forma muito agradável.

    — Senhorita Forbes, permita que a convença a entrar por esta janela. Depois eu ficarei aqui com atitude despreocupada durante um momento, antes de pedir para se encontrar novamente comigo. Isto é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto até que a devolva com segurança a sala. O que acontecer a partir de agora dependerá exclusivamente de você.

    — Eu...

    — Está perdendo tempo. Fale com ele.

    Agarrou-a pelo braço e a empurrou para a janela, ele mesmo penetrou no arbusto, deu a volta, agarrou-a pela cintura e a levantou para que pudesse sentar-se sobre o batente. Posto que parecesse muito decidido, Caroline, obediente, passou as pernas por cima e voltou a colocar as saias em seu lugar com recato, antes de deslizar para dentro do aposento.

    E então ela o viu.

    Klaus, sentado em uma poltrona junto à lareira, segurava uma taça de conhaque e a olhou como se fosse uma espécie de aparição. Murmurou uma imprecação que ela acabou ouvindo, depositou a taça sobre uma mesinha envernizada com um clique estrondoso.  Ficou de pé.

    — Este é o tipo de coisas as quais Bonaparte deve enfrentar? Na verdade compadeço-me do pequeno corso.

    A sala estava envolta na penumbra. E vazia, salvo por eles dois. Em resumo, eles estavam sozinhos, o que era exatamente a ajuda que a princípio Caroline tinha planejado pedir a Elijah. Foi dominada pelo pânico e euforia ao mesmo tempo. Estava muito bem que lady Star tivesse indicado como utilizar suas artimanhas para tentar Klaus, mas enfrentar imediatamente essa tarefa assustadora era algo muito diferente. E, além disso, ele franzia o cenho, o que não podia ser bom sinal.

    — Fomos... Fomos dar um passeio. — balbuciou Caroline, com a deficiente eloquência que sofria sempre que ele estava presente. — Seu irmão insistiu em me levantar para que entrasse pela janela.

    — Bem, eu insisto em levantá-la para que saia. — Klaus avançou para ela, com seu atraente rosto tenso e inapelável. — De todos os intrometidos, impertinentes, intrusos... Enfim me faltam as palavras. Elijah é pior que essas tias solteiras bem-intencionadas.

    Elijah era como uma fada madrinha boa, com um estilo inteiramente varonil, é obvio... E Caroline precisava recorrer à criatividade para aproveitar ao máximo seu presente.

    Foi como se o tempo parasse, a cena se cristalizasse e tudo se esclarecesse de uma vez. Era isto. Sua oportunidade. A oportunidade de ambos, na verdade.

    «Você sabe melhor que ele o que quer...»

    Klaus não estaria tão zangado se não o tivessem coagido. Se seus sentimentos não estivessem implicados neste assunto, ele se limitaria a passar um bom momento, perguntando-se por que seu irmão mais velho tinha empurrado uma jovem através da janela da biblioteca. Por outro lado, o que Klaus acabava de dizer significava que entendia a causa de Elijah se intrometer e que haviam falado disso. Falado dela.

    Uma onda de esperança a deixou imóvel. O coração começou a bater no peito com repentina lentidão.

    — Esta tarde senti sua falta. — Sua voz foi apenas um suspiro.

    Isso fez com que Klaus parasse a poucos centímetros de distância, como se algo o tivesse golpeado. Um lampejo de emoção indecifrável apareceu em seu rosto. Depois de um minuto murmurou:

    — Sentiu minha falta?

    — Quero dizer que gostaria que voltasse a tocar comigo. Você tem um estilo marcante. — disse com voz quase imperceptível.

    Ele emitiu um som surdo, entre a tosse e o gemido.

    «Aja como uma cortesã. Mesmo a mulher mais inexperiente pode fazê-lo, e nada atrai mais um homem do que uma mulher que o deseja do mesmo modo que ele a deseja.»

    Lady Star defendia a audácia, mas era mais fácil dizer do que fazer.

    — Gostaria de estar comigo? — Caroline não pôde evitar certo acanhamento na voz, mas pela primeira depois de um ano, quando o vira no outro extremo daquele salão abarrotado, percebeu, não, soube, que talvez as coisas não fossem tão desesperadoras como pensava.

    Bem, isso era verdade, desde que conseguisse se esquecer de seu pai durante um instante breve e libertador.

    — Isso não é uma boa ideia, Caroline. — Klaus meneou a cabeça, mas parecia tenso.

    — Isso?

    Ele fez um gesto de impotência com a mão, que não era absolutamente próprio de um sofisticado libertino, mas sim de um jovem qualquer e um tanto frustrado.

    — Você aqui. Nós aqui. Isso.

    Ela deu um passo para ele. Tinha uma peculiar sensação nos joelhos, como se tivessem decidido deixar de funcionar.

    — Por que não?

    — Porque teria implicações importantes e você não necessita este tipo de laços, não comigo. — Suspirou, passou a mão por sua densa cabeleira e conseguiu despentear algumas mechas, como ela sempre ansiou fazer em segredo.

    — E se eu desejasse esses laços? — Isso era de uma audácia sem medida. Lady Star aprovaria, sem dúvida.

    — Não diga isso. — A afirmação teria sido mais efetiva se Klaus não tivesse retrocedido um passo, como se a distância enfatizasse suas palavras. — Meu irmão está confuso, e parece ter chegado à conclusão de que nós sentimos um interesse mútuo. Não há necessidade de nos comportarmos de acordo com isso.

    Caroline não disse nada e se limitou a continuar olhando-o. A batalha que ele parecia liderar fez com que esse argumento soasse destinado a si mesmo mais que qualquer outra coisa.

    — Se as coisas fossem diferentes — continuou dizendo com um brilho em seus olhos celestes — reconheço que talvez ele tivesse razão, ao menos no que se refere a mim. Penso que você é uma menina muito bonita e com um talento primoroso.

    — Não sou uma menina — disse com muita habilidade e não de forma combativa, mas com a vontade de que a visse somente como uma mulher. — Tenho quase vinte e um anos. Idade suficiente para saber o que quero. — acrescentou em voz baixa.

    Klaus parecia mudo. Depois de um momento pigarreou.

    — É claro. Desculpe-me se a ofendi.

    — Você não me ofende. Só quero deixar clara minha posição. Consegui?

    — Completamente. — exalou de forma audível, como se se sentisse frustrado. — Não faça isto. Estou tentando fugir da tentação. O que é uma experiência nova. O que Elijah disse?

    Caroline sorriu. Custou-lhe certo esforço aparentar serenidade, pois estava tremendo por dentro, mas fez tudo o que pôde.

  — Que devia falar com você. Diga-me, como as coisas têm que ser diferentes?

  — O quê?

  — Você acaba de dizer que se as coisas fossem diferentes talvez seu irmão tivesse razão. O que eu posso fazer?

    — Nada. — Olhou-a nos olhos, com a boca tensa. — Eu não posso lhe oferecer nada, assim não importa se Elijah tem razão ou não. Seu pai tem uma opinião equivocada sobre mim. — E falando com certo empenho, como se tentasse convencer-se de algo desagradável, continuou: — Mas de qualquer modo, isso não significa nada. Na verdade eu não desejo me casar. Tenho vinte e seis anos e não estou preparado. Eu gosto de minha vida tal como é.

    Isso foi muito para sua fugaz sensação de triunfo, e Caroline sentiu um repentino nó na garganta.

    — Vejo que você também sabe deixar muito clara sua posição, senhor.

    — Caroline, teve que entrar pela janela para ficar sozinha comigo alguns minutos. Como acha que seus pais reagiriam se eu fosse visitá-la, com o chapéu na mão? Por outro lado, eu não faço visitas, não no sentido que estamos falando. Você não é absolutamente como... — falou com voz rouca e um brilho no olhar.

    Quando parou, claramente sem palavras, ela interveio com delicadeza:

    — Todas as outras mulheres?

    Apesar da pouca iluminação que a única lamparina proporcionava ao vasto espaço da biblioteca, Caroline teria jurado que Klaus obscureceu o semblante.

    — Eu não teria dito desse modo, mas sim. Não estou acostumado a ir atrás jovens solteiras, pelos motivos que acabo de expor.

    Talvez não, mas acabava de falar de matrimônio, embora houvesse dito que não o desejava. E a olhava de um modo muito eloquente, sobre tudo agora que ela tinha lido o livro. O desejo era uma força poderosa, sim, mas entre eles havia algo mais. Caroline não se sentia confusa como ele. Ela sabia o que queria.

    — Meus pais não são totalmente imunes aos meus desejos, embora à medida que os dias passam são cada vez menos compreensivos. Eles querem que eu seja feliz. Certamente isso vai a nosso favor.

    Ele ficou tenso.

    — Essa implicação de que eu tenho algo a ver com sua felicidade é ridícula.

    Mal sabia Klaus. Já que estavam sendo sinceros, talvez ela devesse contar-lhe tudo. O que tinha a perder?

    — Eu o conheci no dia que Elena conheceu Damon.

    Desta vez foi ele quem deu um passo para ela e baixou o olhar, com os olhos entreabertos.

    — Isso foi há alguns meses. No ano passado, se bem me lembro. Apresentaram-nos, nada mais. Caroline, não me diga que você... Quero dizer, que todo este tempo...

    — Sim. — sua voz tremeu e ficou em silêncio. Ele estava tão perto que captou o aroma de roupa limpa e colônia. — Se não me casei... É por causa de meus sentimentos por você.

    Houve um silêncio. Klaus estava tão perto que se Caroline estendesse a mão, podia acariciá-lo.

  — Vou estrangular meu irmão. — alfinetou finalmente.

   Ia beijá-la.  Depois Klaus torceria o pescoço do intrometido do seu irmão.

    Mas primeiro, o beijo. Esse que deveria ter roubado aquela noite no jardim, esse pelo qual agora mesmo venderia sua alma ao diabo.

    Ela também sabia. As mulheres tinham um instinto infalível quando se tratava de homens predadores. Klaus deduziu porque quando se aproximou mais e pôs à mão em sua cintura, ela abriu muito os olhos e alterou a respiração. Caroline jogou a cabeça para trás e baixou as pálpebras até certo ponto que indicava boa disposição e desejo, ainda que nem ela mesma soubesse.

    Ou talvez sim soubesse, embora Klaus tivesse apostado até o último centavo que não tinha beijado muitas vezes, ou nunca.

    Desejo. Alterava o sangue e obstruía o cérebro, pois sem dúvida foi isso o que o impulsionou a um ato tão imprudente como beijar a senhorita Forbes.

    Klaus baixou a cabeça como tinha feito no jardim semanas antes. Esta vez não se limitou a roçar, mas levou a boca até seus lábios e pressionou com suavidade. Leve, sutil, indeciso.

    Um beijo muito diferente de todos os que tinha dado ou recebido. Um beijo virginal para ela... Embora ele tivesse deixado a inocência para trás. Tal como tinha imaginado, Caroline tinha um tato celestial, o sabor da pureza, era como ter nos braços a perfeição sublime.

    Apoiou as mãos em seus ombros, com o mesmo toque suave e delicado com que se inclinou sobre o piano, e ele reprimiu um gemido intenso, imaginando aquele mesmo olhar sonhador em seu rosto. Klaus notou a corrente de sangue que invadiu a parte inferior de seu corpo, a urgência de sua ereção, e logo o inevitável inchaço do membro, preso ao tecido das calças.

    Não deveria estar fazendo isto. Nem persuadi-la a abrir a boca para afundar a língua até o fundo, nem mordiscar seus lábios doces, nem imaginá-la na cama, nua e cálida, sob seu corpo.

    Continuou. Essa sutil troca de suspiros, a dança de língua contra língua, a tensão de ambos os corpos que se aproximavam mais e mais... Nesse momento a rodeou com um braço, certo que ela notaria sua reação física. Mas em lugar de assustar-se como uma menina, Caroline se agarrou a ele com desenfreada paixão e jogou os braços em seu pescoço.

    Uma batida no vidro da janela obrigou-o a recuperar a prudência.

    — Eu acredito que o passeio que eu e a senhorita Forbes demos terminou, não é? — Gritou Elijah. — Se demorarmos muito, sua mãe vai pensar que assim que chegarmos solicitarei uma entrevista com sir Bill.

    Klaus afastou a boca com brutalidade, olhou nos olhos da mulher que continuava agarrada a ele, e se perguntou se era um idiota completo ou se apenas teve um ataque de luxúria.

    Apesar dos protestos de seu corpo, soltou-a e fez uma reverência.

    — Seu pretendente a espera.

    Ela ficou ali, com a boca húmida por seus carinhos e o busto agitado pela respiração.

  — Nós iremos amanhã.

    — Eu sei.

    Que demônios, estava excitado, e a tempestade interior fazia eco a sua desconformidade física. Desejou que a reunião campestre terminasse imediatamente e acabasse com essa confusão. Somente se sentiria bem ao se afastar da perturbadora presença de Caroline.

    Estava convencido.

    Quase.

    «Maldita seja.»

    — E agora? — Sussurrou ela com uma expressão de ansiedade e inocência que ele sentiu como se uma faca cravasse em sua alma. — Talvez possamos nos ver esta noite, mais tarde. Quando todos estiverem dormindo.

    Essa era uma sugestão insensata, somada a uma situação totalmente irracional.

    — Não. — Talvez tenha sido muito taxativo. Tal proposta suscitou uma imagem de Caroline com o cabelo solto, entrando às escondidas em seu quarto. — Isso não.

    — Por quê?

    — Para começar, se o seu pai nos descobrir... E suponho que se Elijah notou nossa...

    — Nossa? — ela interrompeu com um ar ingênuo e sedutor ao mesmo tempo, e um inegável triunfo feminino brotou do fundo de seus preciosos olhos, enquanto ele tentava achar a palavra certa.

    Klaus não colaborou fornecendo a definição de algo que, de fato, não sabia bem como definir, então replicou:

    — Se Elijah percebeu, então o seu pai também. Não tenho vontade de me enfrentar com ele no campo ao amanhecer. Isso a faria sofrer e mancharia sua reputação. Eu não desejo fazer mal ao seu pai sob quaisquer circunstâncias, e a alternativa tampouco é agradável. — E de repente, acrescentou: — Talvez parta para Londres amanhã cedo.

    Deus, sim, precisava afastar-se dela.

    Ela o olhou sem dizer nada, e logo comentou com naturalidade:

    — Suponho que Elijah tem razão e que devo ir. Cinco minutos mais e minha mãe começará a escolher meu vestido de bodas.

    «Vestido de bodas.»

    Não teria podido escolher uma frase melhor para fazê-lo voltar para a crua realidade, disso estava convencido. Klaus inclinou a cabeça e disse com muita ironia:

    — Quem pode culpá-la? Afinal meu irmão é um partido excelente. Uma categoria a que eu não faço parte aos olhos de seu pai, eu garanto.

    — Ele me advertiu que me mantivesse afastada de você. — ela admitiu. — Não entendo...

    Ele fez um gesto de impotência com a mão, mais expressivo do que pretendia.

    — Foi algo que aconteceu há vários anos. Não entrarei em detalhes, mas basta dizer que formou uma imagem equivocada de mim e desde então me despreza. Eu não poderia cortejá-la formalmente, embora quisesse.

    — Klaus. — murmurou ela com um tremor nos lábios.

    O jeito hesitante de dizer seu primeiro nome era o que menos convinha. Klaus, com toda a serenidade que foi capaz, acrescentou:

    — Caroline, vá.

    Aliviado, viu que ela se virava e se afastava.

   

 

 

 

 

 

 



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