História Mais Ninguém - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 8
Palavras 1.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Escolar, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Quatro


Fanfic / Fanfiction Mais Ninguém - Capítulo 4 - Quatro

Como eu já disse uma vez, essa escola é ridícula de enorme, ela vem com um adereço interessante, existe um pequeno bosque entorno, aos fundos dos prédios centrais e seguindo em frente, desviando apenas para os lados que eu já conhecia da trilha natural que acabou se formando, a gente dá em um laguinho. Eu nunca trouxe ninguém aqui, é o meu recanto, é onde eu não preciso usar nenhum aparelho de som por que a calmaria já era de uma sinfonia equivalente a um Beethoven na minha vida. Quando eu vinha para cá, eu acabava deixando o meu celular no quarto, mas como agora eu tenho um colega, eu apenas desmontei o aparelho no corredor, joguei tudo dentro da mochila e cá estou.

Deitei no gramado molhado, estávamos em época de chuva e o bosque sempre atraia mais chuva.

Eu não estava com sono, então peguei o meu livro e passei o resto da manhã lendo.

Vire e mexe eu me pegava pensando sobre Kevin e Pedro, esses dois já me deram tanta dor de cabeça e a semana mal havia começado, mas Kevin ganha no estresse por tempo de convivência, Pedro tem um irmão chato e é confusão certa, apesar de me despertar um pouco de curiosidade, não era nada estrondoso, e eu gostava de Kevin, de verdade, mas eu não vim a este mundo para ficar me escondendo de ninguém e por ninguém. Talvez um dia eu vá pagar pela minha boca, estou quase certo de que irá acontecer em breve, tenho um péssimo pressentimento.

Quando resolvi levantar, eram meio dia e eu fui almoçar lembrando que não tinha tomado café da manhã, o refeitório estava semilotado e eu fui pegar a minha bandeja.

- Se escondendo, Feuler? – Esse era o meu sobrenome verdadeiro. Não virei o rosto, poderia reconhecer aquela voz esganiçada em qualquer lugar e não me dei ao trabalho de virar. – Estou falando com você, moleque – falou elevando a voz e eu continuei o que estava fazendo. – Ei... – Ele ia me agarrar, mas eu desviei sem dificuldade.

- Eu não sou moleque e muito menos surdo, pare de dar piti e vá melhorar as suas aulas que só me causam tédio – falei e virei para pegar a sobremesa, vi Sarah rindo por de baixo da máscara de proteção. Sarah era uma freira que gostava de auxiliar na cozinha, eu falava com ela, era a única que me dava bola também. – Minha querida beata, como vai você?

- Sempre causando confusão, não é mesmo Vinicius? – Dei de ombros, ela falava como se eu fosse brigão, mas eu nunca arranjei uma briga, as pessoas que às vezes vêm perturbar e eu me defendo. Eu fui me sentar e ouvi ela falar: - Eu espero que o senhor respeite a refeição, é uma hora sagrada e esses meninos precisam se alimentar – ri do sermão e ainda ouvi Nuremberg falar que iria ao diretor, como se ele pudesse fazer alguma coisa com relação a birra que eu e esse professor temos um com o outro desde que eu entrei nessa escola. Sentei em uma mesa qualquer e continuei a leitura do meu livro, comia e fingia não ouvi-los.

A melhor forma de consegui uma boa fofoca é fingindo não ouvi-la e melhor, não estar interessado, eu já tenho uma cara meio foda-se, com o livro ou fones, era como se eu nem estivesse ali. Logo que cheguei eles estavam falando das férias, depois falaram de algum professor, depois veio à notícia que fez o meu sangue congelar.

- Não pode ser real, quer dizer, será que o Kevin ia aceitar isso assim. É do Kevin Müller que estamos falando, não consigo nem imaginar esse cara casando – falou e em um timing perturbadoramente perfeito, Kevin entrou com os amigos no refeitório e os rapazes na minha mesa disfarçaram o tópico da conversa com uma atuação que poria a Jennifer Lawrence no chinelo. Mas eu não precisei, meus olhos se cruzaram apenas uma vez com os de Kevin e eu voltei ao que estava fazendo, eu sou a Mary Stripp meu amor, Hollywood apenas não me contratou por estou longe.

Terminei a comida que mal me descia à garganta e sai do refeitório com um olhar preocupado de Sarah, minha cabeça estava explodindo e eu fui direto para a enfermaria. Edo, o enfermeiro, estranhou a minha visita, por que eu nunca ficava doente e quando ficava era questão de ir ao hospital, como da vez em que tive apendicite. Pedi para ficar ali, eu realmente não estava me sentindo bem, eu esperava ter um inicio de ano letivo tranquilo, mas o que recebi foi uma videoconferência com a minha mãe e Jeff.

Ela teve aquelas preocupações normais de mãe, como sabia que eu tinha enxaqueca ficou preocupada e pensou em me tirar da escola para me levar na minha neurologista, mas eu me recusei. Eu ia ficar bem mesmo, só precisava me acalmar. Conversei um pouco com Jeff e desliguei quando Edo achou que a conversa já estava de mais. Jeff começou a chorar querendo me ver e Edo odeia choro de criança, aliás, acho que ele não gosta de nenhum ser humano com menos de 21anos. Edo era um velho calmo e ranzinza, cara enrugada e olho puxado, ele era tão velho que provavelmente participou da construção da fundação da cidade que havia a alguns quilômetros de distância da escola.

À noite, Edo fez alguém trazer uma comida leve para mim e depois disso me recomendou um banho, que tomasse o meu remédio para dor de cabeça e que fosse dormir em um lugar mais confortável. Obedeci sem muitas reclamações.

Passei no refeitório, peguei uma água para mim e fui para o meu quarto, entrar encontrei Jeremias, Kevin e Pedro conversando animados. Pus meu copo d’água sobre o criado mudo e os ignorei completamente, fui pegar o meu remédio e a pomada, passei em Pedro, lavei minha mão e tomei o meu remédio. Troquei de roupa e pedi muito educadamente que Kevin saísse da minha cama.

- Cara, eles estavam preocupados. Pelo menos fala onde você estava – Pedro falou e eu inspirei profundamente.

- Eu estava na enfermaria, morrendo de dor de cabeça e agora, eu só quero deitar na minha cama. Ou será que eu vou precisar trocar de quarto pra isso? – Perguntei em um misto de impaciência e cansaço, eu não consegui dormir nem por um segundo enquanto estava na enfermaria, eu achei que conseguiria e não sentiria tanta raiva, mas eu só me cansei de tanto pensar.

A minha situação não deveria ser tão complicada, na verdade ela não era, o que realmente estava mantendo a minha dor de cabeça ativa era essa mania de Kevin de querer me monopolizar quando ele não tem coragem de falar abertamente que ele é gay, ou o fato de que ele, possivelmente, vai se casar e esqueceu de mencionar, e eu vou usar este verbo, por que se eu pensar que ele simplesmente não quis, e capaz de eu chuta-lo porta a fora. Eu estava decepcionado, esta era a verdade, eu posso ser um iceberg, mas quando as coisas não são bem esclarecidas, aí eu me tornava vulnerável.

- Vocês podem nos deixar a sós, por favor – Kevin pediu e, antes que eu pudesse falar alguma coisa, eles já estavam se levantando para sair. Inspirei profundamente e me sentei na cadeira da mesa de estudos, fiquei olhando para Kevin por bastante tempo. Moço bonito... É uma pena, pensei e ele sentou na ponta da cama para ficar próximo. – O que aconteceu? – Perguntou preocupado e eu contei o que ouvi sem muita vontade, ele ficou tenso, temeroso e no final, ficou normal e eu apenas fiquei encarando os seus olhos por um tempo, acho que estou realmente cansado. – Eu não sei o que você quer. – Ri olhando para o lado. – É sério, já tentei descobrir, mas eu não...

- Essa fala deveria ser minha – falei um pouco mais grave do que gostaria, ele parou por um momento e me encarou confuso. – Eu não tenho ideia do que você quer – falei e ele pareceu ainda mais confuso. – Hoje mesmo você me encheu o saco “preocupado” com o Pedro como se ele realmente fosse uma ameaça e no momento seguinte, pah, você está pra ficar noivo e não nega. Eu não sei... – Kevin abaixou a cabeça e olhou para os próprios sapatos. – O que você quer? O que você, Kevin, quer? – Ele balançou a cabeça. – Quer brincar com o viadinho aqui, é isso? Quer tentar entrar na minha cabeça e tentar encontrar onde eu guardo o meu coração?! Quer...

- Eu quero você, droga! – Ele gritou e eu o encarei por vários segundos sem conta.

- Por quanto tempo? Uma hora? Um final de semana? Até a formatura, depois disso você tem filhos e eu viro uma memória esquecível? – Ele ficou calado. – Kevin, eu gosto de você – ele me olhou, surpreso. – De verdade. Mas... Sabe o que me deixou assim? É o fato de você idealizar um relacionamento que nunca será posto em prática, é essa vontade de me prender como se fosse meu dono quando você não manda nem em si mesmo. Kevin, eu gosto mesmo de você. Mas...

- Você quer terminar. – Ri da expressão usada.

- Não tem como terminar o que nunca começou. – Falei e ele desviou o olhar irritado. – O que eu quero é que você compreenda exatamente as nossas posições. Eu só... – Pigarreei com o incomoda na garganta. – Eu quero ficar tranquilo. Só isso – falei e ele respirou profundamente. – E eu nunca vou entrar em um relacionamento para ficar em segundo plano, não sirvo para isso. – Falei e ele assentiu, nos levantamos e ele se aproximou apoiando a testa na minha.

- Você é uma pessoa horrível – falou e eu ri sem vontade.

- Vou sentir sua falta. – Disse e lhe dei um selinho. – Vamos ficar assim? – Ele assentiu.

- Até a aula de amanhã – falou antes de ir para o próprio dormitório. Jeremias tinha ido dormir, Pedro voltou para o quarto e me olhou.

- Está tudo bem? – Perguntou desconfiado e eu assenti me espreguiçando.

- Claro.



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