História Mar da Tranquilidade - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lu Han, Personagens Originais, Sehun
Tags Chanbaek, Hunhan, Sebaek Chandara
Visualizações 6
Palavras 3.297
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Haha Opa.
Digamos que eu não me aguentei e acabei postando logo outro, e talvez eu também não me aguente e poste mais outros. mas vocês tem que entender que apesar de tudo..
É cansativo. então vai ter vezes que eu vou atrasar. não tanto assim mas é possível, mas isso Sooooo la pra frente viu?

bom, tá aí né. Boa leitura aa.

Capítulo 2 - Capítulo 2


                                                              Chanyeol

Segunda-feira, 7h02. Inútil. É o que o dia de hoje vai ser, junto com os 179 dias de aula que virão depois. Eu refletiria sobre o desperdício que tudo isso representa se tivesse tempo, mas não tenho. Já vou chegar atrasado. Vou até a área de serviço e arranco algumas roupas da secadora, que ainda está em funcionamento. Esqueci de ligá-la ontem à noite, mas não posso esperar, então agora tento vestir uma calça jeans úmida enquanto ando e torço para não tropeçar. Fazer o quê? Não estou surpreso.

Pego uma caneca do armário e a encho de café, tentando não derramá-lo sobre a bancada toda e me queimar no processo. Apoio a caneca na mesa da cozinha, ao lado de uma caixa de sapatos cheia de remédios de venda controlada, e nesse momento vejo meu avô sair do quarto dele. Está com os cabelos brancos tão desgrenhados que por um instante me lembra um cientista louco. Caminha devagar de um jeito preocupante, mas sei que é melhor não oferecer ajuda. Antes ele fazia e acontecia e agora não mais, e se ressente a cada aspecto dessa perda.

- O café está na mesa - digo, pegando o chaveiro e me dirigindo para a porta. - Já deixei seus comprimidos prontos e os anotei na tabela. Bill chega daqui a uma hora. Tem certeza que vai ficar bem até lá?

- Não sou um inválido, Chanyeol - retruca ele quase rosnando.

Tento não sorrir. Ele está bravo. Mas isso é bom. Faz tudo parecer um pouco normal.

Entro na minha picape e saio da garagem em questão de segundos, mas não sei se vai dar tempo. Não moro tão longe da escola, só que a fila para entrar no estacionamento no primeiro dia é sempre um saco. A maioria dos professores vai fazer vista grossa hoje, e eu nem preciso me preocupar com isso; atrasado ou não, ninguém vai me suspender. Piso fundo e, em poucos minutos, estou esperando para entrar no estacionamento. A sequência de carros serpenteia até a rua, mas pelo menos está andando.

Só dormi quatro horas e tomei apenas uma caneca de café. Gostaria de ter tido tempo de encher mais uma para levar, mas não deu, e de qualquer maneira era provável que a bebida acabasse derramando no meu colo até eu chegar à escola.

Enquanto espero, pego a grade de horários e dou mais uma olhada. A oficina é só no quarto tempo, mas pelo menos não é no fim do dia. Não dou a mínima para o resto.

Quando finalmente entro na escola. Sehun está com seus seguidores de sempre, brindando-os com suas histórias inventadas sobre as férias de verão. Sei que são inventadas porque ele passou a maior parte do tempo comigo e posso garantir que não fez porra nenhuma. Tirando as ocasiões em que desapareceu com a garota da vez, ele estava no meu sofá.

Observando-o agora, acho que ninguém está mais feliz do que ele com a volta às aulas. Eu reviraria os olhos se isso não fosse coisa de menina, então apenas olho direto para a frente e continuo andando. Ele acena para mim com a cabeça quando passo e retribuo o gesto. Falo com ele mais tarde. Sehun sabe que não chego nem perto quando ele está rodeado de gente. Ninguém me nota e eu passo entre a massa de gente, chegando ao pátio principal bem quando o sinal toca.

Minhas três primeiras aulas poderiam ser uma só. Só escuto as regras, pego programas e tento me manter acordado. Meu avô se levantou cinco vezes durante a noite, o que quer dizer que eu também me levantei cinco vezes durante a noite. Realmente preciso começar a dormir mais. daqui a uma semana você consegue, penso com amargura, mas não perco tempo com isso.

10h45. Hora do almoço. Por mim, iria direto para a oficina. Acho um saco comer tão cedo. Vou até o pátio e garanto meu lugar no banco mais distante, o mesmo no qual me sentei nos últimos dois anos. Ninguém me incomoda porque é mais fácil fingir que eu não existo. Eu preferiria passar meia hora varrendo serragem do que ficar sentado aqui, mas ainda não há serragem para varrer. Pelo menos é cedo, então os bancos de metal não estão em brasa por causa do sol. Agora só tenho que esperar trinta minutos, que provavelmente serão os mais longos do dia.

          

                             ~

                                                  Baekhyun

        

Sobreviver. É o que estou fazendo agora e não tem sido tão horrível quanto eu esperava. Muitas pessoas me olham de rabo de olho, talvez por causa das minhas roupas. e fora isso ninguém fala comigo. Exceto Sehun, o boneco Ken. Dei de cara com ele hoje cedo, mas não aconteceu nada de mais. Ele falou. Eu segui em frente. Ele desistiu. Consegui chegar até a hora do almoço e agora é o grande teste. Ninguém teve ainda grandes oportunidades de socializar, então consegui Passar despercebido, mas a hora do almoço é uma dimensão do inferno praticamente sem supervisão. De início, a melhor opção parece ser evitar todo mundo, mas em algum momento vou ter que lidar com olhares e comentários. Pessoalmente, eu preferiria enfiar um cacto na bunda, mas pelo jeito não tenho essa opção, então é melhor arrancar o Band-Aid de uma vez e acabar logo com isso. Depois eu acho um banheiro vazio para ajeitar o cabelo e retocar o delineador - ou como nós, covardes, gostamos de falar, para me esconder.

Tento dar uma conferida discreta nas minhas roupas para ter certeza de que não há nada fora do lugar e que não estou mostrando mais do que o planejado. Uso os mesmo sapatos altos de sexta, mas hoje vesti uma blusa preta de manga maior, mais colada e uma bermuda skinner azul marinho - também colada - e bem curta, que valoriza a minha bunda. Deixei a franja para frente escondendo a cicatriz na testa. Nos olhos, passei um delineador preto grosso. Pareço uma vadia e só devo atrair os seres humanos mais baixos de todos. Sehun. Sorrio ao lembrar o jeito como ele me olhou da cabeça aos pés no corredor hoje cedo. Barbie ficaria furiosa se soubesse.

Não me visto assim porque goste muito nem por querer chamar a atenção das pessoas. Mas elas vão me olhar pelos motivos errados de qualquer maneira, então pelo menos eu posso escolhê-los. Além disso, receber alguns olhares indesejados é um preço baixo a pagar para afugentar todo mundo. Duvido que alguma garota dessa escola queira falar comigo, e qualquer garoto que se interesse por mim provavelmente não vai ser para conversar. Então, e daí? Se é para receber atenção indesejada, é melhor que seja por causa da minha bunda do que pela minha psicose e pela minha mão ferrada.

Margot ainda não tinha chegado em casa quando saí para a escola de manhã, senão teria tentado me convencer a não ir assim. Eu não a culparia. Acho que quando entrei na sala o professor do primeiro tempo quis me dar uma advertência por violar o código de vestimenta, mas, depois de ver meu nome na lista de presença, ele mandou eu me sentar e não me olhou mais até o fim da aula.

Três anos atrás, minha mãe teria dado um chilique, chorado, lamentando suas falhas como mãe ou possivelmente me trancado no quarto se me visse deste jeito na escola. Hoje, me olharia com ar de decepção mas perguntaria se isso me faz feliz, então eu concordaria com a cabeça e mentiria, e aí poderíamos fingir que isso não é um problema. Talvez as roupas nem fossem a pior parte. Acho que ela se importaria muito mais com a maquiagem do que com o uniforme de prostituta.

Minha mãe adora o rosto que tem. Não se trata de arrogância ou vaidade, mas de respeito. Ela é grata pelo que recebeu de nascença. E deveria ser mesmo. É um rosto fantástico, perfeito, etéreo. Do tipo que leva as pessoas a escreverem canções e poemas e bilhetes de suicídio. É o tipo de beleza exótica que deixa os homens dos romances obcecados, mesmo sem fazerem ideia de quem você seja, porque eles precisam possuí-la. Esse tipo de beleza. Assim é a minha mãe. Eu cresci querendo ser igualzinho a ela. Algumas pessoas dizem que sou, e talvez lá no fundo isso seja verdade, se alguém conseguir arrancar toda a maquiagem e me vestir como um garoto normal, o que é o oposto da minha aparência agora - de um desses desclassificados proferindo blasfêmias enquanto é arrancado à força de uma boca de crack num reality show policial.

Imagino a minha mãe balançando a cabeça e me dirigindo aquele olhar de decepção, mas ultimamente ela passou a escolher as batalhas, então não sei ao certo se ela criaria um caso comigo por isso. Ela está começando a acreditar que talvez eu seja uma causa perdida e isso é bom, porque sou mesmo, e saí de casa para ver se ela consegue aceitar esse fato. Eu já era uma causa perdida havia muito tempo. Esse pensamento me deixa triste pela minha mãe, porque ela não pediu nada disso. Ela achava que tinha conseguido o milagre que estava esperando, e eu era o único que sabia que não, por mais que desejasse lhe dar isso. Talvez eu é que o tenha roubado dela.

O que me traz de volta ao pátio, onde continuo esperando na beirada como um convidado num episódio de Evasiva extrema: edição ensino médio. Meu plano era chegar aqui bem cedo para cruzar o pátio antes que o almoço estivesse a pleno vapor, mas fiquei preso na aula de história e esses três minutos fizeram a diferença entre um lugar semivazio e um fervilhando com os alunos que estou observando agora. Neste instante, me concentro nas lajotas de tijolo que cobrem a totalidade do perímetro, questionando seriamente se meus sapatos altos de 11 centímetros foram uma escolha inteligente. Estou calculando a probabilidade de chegar ao outro lado com a minha dignidade e os dois tornozelos intactos quando ouço uma voz à minha direita me chamar.

Eu me viro instintivamente, mas no mesmo instante sei que foi a decisão errada. Sentado num banco próximo está a dono da voz, olhando direto para mim. Está reclinado casualmente, com as pernas mais abertas do que o necessário, numa expressão ostensiva de otimismo. Ele sorri e é inegável: ele sabe que é bonito. Se a autoadoração fosse um perfume, ninguém conseguiria ficar ao lado desse garoto sem se sufocar. Cabelos escuros. Olhos escuros. Como eu. Poderíamos ser irmãos ou um daqueles casais assustadores que parecem irmãos.

Sinto raiva de mim mesmo por ter olhado. Agora, quando eu me virar, tenho certeza de que seus olhos - além de todos os outros naquele banco - estarão colados às minhas costas. E quando eu digo costas quero dizer bunda.

Volto a examinar a superfície instável do piso. Sem permissão. Me concentro nessa importante tarefa bem a tempo de ouvi-lo falar:

- Se está procurando um lugar para se sentar, meu colo está livre.

Pronto. Aí está. Não é inteligente nem original, mas os amigos igualmente pouco brilhantes riem mesmo assim. Lá se vão minhas esperanças de uma possível amizade. Começo a caminhar, mantendo os olhos firmes à frente, como se tivesse outro objetivo além de apenas sobreviver a estes passos.

Não cheguei nem à metade do dia. Ainda faltam quatro das sete matérias da minha grade de horários dos infernos.

                             ~

Cheguei mais cedo à escola hoje para passar na secretaria e pegar minha grade de horários, Claro que, se eu soubesse o que encontraria lá, teria adiado o inevitável. A secretaria estava uma loucura de novo, mas a Sra. Marsh, a orientadora educacional, tinha me instruído a ir até sua sala e pegar o horário direto com ela - mais uma das vantagens de ser eu.

- Bom dia, Baekhyun, Baekhyun - disse ela, repetindo meu nome com duas pronúncias distintas e olhando distraída para mim à espera de uma confirmação, que eu não dei.

Ela estava empolgada demais para o primeiro dia de aula - ou para as sete horas da manhã. Definitivamente, aquilo não era natural. Deve haver uma aula exclusiva para orientadores educacionais: Como expressar alegria inapropriada frente ao horror adolescente. Aposto que os professores não a frequentam, porque eles nem se dão ao trabalho de fingir. Metade deles parece tão infeliz quanto eu.

Ela fez um gesto para que eu me sentasse. Não obedeci. Iria passar o dia inteiro sentado então preferi ficar de pé mesmo. Ela me entregou um mapa da escola e minha grade de horários. Passei os olhos pelas matérias, procurando as eletivas, porque eu já sabia quais eram as disciplinas obrigatórias. Isso só pode ser brincadeira. Por um momento fiquei convencido de que ela tinha me dado o horário errado, então olhei o cabeçalho. Não é meu mesmo. Eu não tinha certeza de como reagir àquela situação. Você sabe, quando o universo decide lhe dar mais um chute na bunda com uma bota de bico fino. Chorar estava fora de cogitação, e dar um chilique com gritos, risadas maníacas e palavrões com certeza não era uma possibilidade, então fiquei com a única opção disponível: o silêncio de perplexidade.

A Sra. Marsh deve ter capitado o meu olhar. E aposto que foi bastante expressivo, porque no mesmo instante ela começou uma explicação detalhada sobre requisitos para a conclusão do ensino médio e matérias eletivas lotadas. Quase pareceu que estava se desculpando, e talvez devesse estar mesmo, porque aquilo foi realmente uma droga. Mas por um momento eu quase quis lhe dizer que estava tudo bem, para que ela não ficasse se sentindo mal. Eu vou sobreviver. Não são algumas matérias insignificantes que vão acabar comigo. Peguei minha grade de horários, o mapa e meu horror abjeto e me encaminhei para a sala de aula, lendo e relendo o papel pelo caminho. Para meu azar, ele continuava igual todas as vezes.

                              ~

  A esta altura, estou quase na metade do caminho. Não está sendo muito ruim, relativamente falando - e tudo na minha vida é relativo. Os professores não são horríveis. A Sra. McAllister, professora de Inglês, até me olha nos olhos como se me desafiasse a esperar que ela me trate de um jeito diferente. Gosto dela, Mas o pior está por vir, então ainda está cedo para estourar o champanhe.

Além disso, também tenho que atravessar o vale de lágrimas que é o pátio. Admito que sou covarde, mas não posso evitar o problema por muito tempo. Já andei quase 2 metros e não estou me saindo tão mal. Me concentro no meu objetivo: a entrada para o prédio de Inglês, um grande portão duplo do lado oposto à minha nêmesis de lajotas de tijolos.

  Observo tudo o que posso pela visão periférica. O pátio está lotado. E barulhento. Insuportavelmente barulhento. Tento fazer com que todas as conversas e vozes se dissolvam num som único, um murmúrio contínuo.

  Há pequenos grupos em volta de todos os bancos, amontoados sobre eles e de pé, ao lado. Alguns alunos se sentam nas bordas dosa canteiros de plantas  distribuídos pelo pátio. Há ainda aspectos que se acomodam no chão, à sombra da passarela que contorna a área. Não há lugares suficientes para todos, é quase impossível se proteger do sol e está um calor infernal. Nem imagino o lixo que deve ser a lanchonete para tanta gente preferir ficar aqui fora suando. Minha escola antiga era a mesma coisa, mas eu nunca tinha que enfrentar a loucura da hora do almoço nem as decisões relacionadas a ela, como onde me sentar e com quem. Passava o intervalo inteiro praticando na sala de música, o único lugar onde eu queria estar.

  Estou quase lá. Até agora, vi poucos rostos conhecidos: um garoto que estava na aula de história, sentado sozinho lendo um livro, e duas garotas da aula de matemática que estão dando risadinhas com a Barbie zangada da secretaria. Percebo algund olhares em minha direção, mas, fora o babaca egocêntrico que me ofereceu o colo, ninguém mais falou comigo.

  Ainda tenho que passar por mais dois bancos para chegar até o portão duplo, e é o da esquerda que chama minha atenção. Só tem um garoto sentado nele, bem no meio. Poderia não parecer estranho se todos os outros bancos - aliás, todos os lugares em que pudesse apoiar o traseiro - não estivessem ocupados. Mas não há ninguém naquele banco além dele. Olhando mais com atenção, percebo que não há ninguém nem sequer nas imediações. É como se houvesse um campo de força invisível ao redor daquele espaço e ele fosse o único lá dentro.

  A curiosidade me domina e, por um momento, esqueço o meu objetivo. Não consigo desviar os olhos do garoto. Está encarapitado no encosto do banco, as botas marrons e desgastadas plantadas com firmeza no assento. Está inclinado para a frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos, e usa uma calça jeans desbotada. Não dá para ver seu rosto direito. Os cabelos castanhos-claros caem sobre a testa, desgrenhados, e ele está com os olhos baixos, na direção das mãos. Não está comendo, não está lendo, não está olhando para ninguém. Até que olha. Olha para mim. Merda.

  Eu me viro no mesmo instante, mas é tarde demais. Não tinha olhado para ele só de relance. Estava plantado no meio do pátio encarando-o. Estou a alguns metros de distância do refúgio atrás daquele portão duplo e me arrisco a apertar o passo o máximo possível sem chamar a atenção. Chego à relativa proteção da sombra do edifício, seguro a maçaneta e puxo. Nada. O portão não se abre. Repito: merda. Está trancado. No meio do dia. Por que alguém trancaria o portão pelo lado de fora?

  - Está trancado - diz uma voz abaixo de mim.

  Não diga. Olho para baixo. Não tinha reparado no garoto com o caderno de desenho na mão, sentado no chão ao lado do portão. Está num lugar oculto por um grande canteiro, invisível para quem se encontra no pátio principal. Garoto esperto. Usa roupas velhas e seu cabelo parece não ver um pente a semanas. Está sentado ao lado de um garoto de cabelo castanho, que usa óculos escuros na sombra e segura uma câmera. Ele me lança um breve olhar antes de voltar a prestar atenção na câmera. Não fossem os óculos escuros, ele passaria totalmente despercebido. Me pergunto se eu não deveria ter escolhido essa estratégia, mas agora é tarde demais para pensar nisso.

- Não querem que ninguém vá fumar nos banheiros na hota do almoço - diz o garoto do caderno de desenho, que está usando uma camisa furada de show de rock.

  Ah. O que será que acontece se você chega atrasado para a aula? Azar o seu, imagino. Olho o bando de garotas perto da entrada do banheiro do pátio. Não, obrigada. Tento pensar em alguma outra rota de fuga quando percebo que ele ainda está com o pescoço esticado, olhando na minha direção. Ainda bem que não estou mais perto. Pelo menos hoje estou usando uma calça bonita, que é minha unica peça de roupa que não é preta.

  Dou uma olhada no caderno que ele tem na mão. O braço apoiado por cima não me deixa ver o que está desenhando. Fico querendo saber se ele tem algum talento. Eu não sei desenhar nada. Aceno com a cabeça em agradecimento e me viro para tentar encontrar outro lugar para ir. Antes de me afastar, duas garotas saem pelo portão a toda velocidade, quase passando por cima de mim e me fazendo despencar dos meus sapatos fabulosos. Falam mil palavras por minuto e nem reparam na minha presença, o que acho ótimo, porque consigo me esgueirar por entre as portas assim que elas saem. Entro no refúgio fresco e vazio do prédio de Inglês e volto a respirar.


Notas Finais


Eai? o que acharam, hm?
deixem seus comentários para eu saber se devo continuar ou não. okay?
Beijos e até o próximo ;9


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